Tatianices recomenda [6]

Tatianices recomenda [6]

Hoje trago a vocês algumas sugestões de livros de contos ou crônicas, uma ótima opção para você que sempre anda com um livro para cima e para baixo, mas que nunca sabe ao certo quanto tempo terá para ler e que gosta de concluir uma história breve.

Um que eu gosto muito é Comédias para se ler na escola

[Comédias para se ler na escola – Luis Fernando Veríssimo – R$33,86]

A dobradinha não podia ser melhor. De um lado, as histórias de um mestre do humor. Do outro, o olhar perspicaz de uma das mais talentosas escritoras do país, especialista em literatura para jovens. Ana Maria Machado, leitora de carteirinha de Luis Fernando Verissimo, preparou uma seleção de crônicas capaz de despertar nos estudantes o prazer e a paixão pela leitura. O resultado pode ser conferido em Comédias para se ler na escola, uma rara e feliz combinação de talentos, indispensável para a sala de aula. A seleção de textos permite ao leitor mergulhar no universo das histórias e personagens de Verissimo e conhecer os múltiplos recursos deste artesão das letras. A habilidade para os exercícios de linguagem ou de estilo pode ser vista em crônicas como “Palavreado”, “Jargão”, “O ator” e “Siglas”. A competência para desenvolver as comédias de erro está presente em “O Homem Trocado”, “Suflê de Chuchu” e “Sozinhos”. A mestria para criar pequenas fábulas, com moral não explícita, aparece em “A Novata”, “Hábito Nacional” e “Pode Acontecer”. A aptidão para resgatar memórias é a marca de “Adolescência”, “A Bola” e “História Estranha”. E, por fim, o dom para abordagens originais de temas recorrentes revela-se em “Da Timidez”, “Fobias” e “ABC”.

Outro livro de crônicas que me marcou muito foi Quinze anos, de Carlos Heitor Cony.

[Quinze anos – Carlos Heitor Cony – R$10,00]

Quinze anos é uma coleção de casos verídicos (ou quase), retratando a juventude como ela é. Alegrias, tristezas, apreensões, problemas — tudo recheado de humor e sensibilidade. Neste livro, o grande romancista Carlos Heitor Cony, um dos maiores mestres da nossa literatura, prova como poucos que também é um excelente contista.

E vocês já ouviram falar em Martha Medeiros, não? Recomendo A graça da coisa.

[A graça da coisa – Martha Medeiros – RS26,19]

Passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que o mundo está uma doidice sem tamanho não é preciso dizer. Que estamos cada vez trabalhando mais, ficando mais tempo no celular e no trânsito, nem se fala. Então como sobreviver, ou melhor, como viver em meio a este caos que se transformou a nossa vida? Para Martha Medeiros, a grande questão é se desapegar daquilo que é desnecessário, que nos faz mal, que nos atrasa, e enxergar a graça da coisa – sendo a “coisa”, no caso, a própria vida. É deixar ideias pré-concebidas de lado, saber rir de si mesmo, se reinventar; estar aberto para encontrar o amor onde menos se espera, é transformar a ansiedade em sabedoria, é saber ouvir, é um conjunto de pequenas atitudes que, se colocadas em prática, vão nos ajudar a levar uma vida mais desestressada e, de quebra, nos surpreender. Reverenciando a tradição da crônica brasileira, Martha Medeiros fala cara a cara com o leitor, mostrando que não estamos sozinhos nas nossas neuroses diárias. Esta coletânea de oitenta textos que abordam os temas mais caros à autora – o amor, o cinema, os relacionamentos, as relações familiares, entre muitos outros – traz, sem dúvida, alguns dos assuntos sobre os quais mais nos indagamos hoje em dia: um prato cheio para o autoconhecimento.

Mas se você procura algo mais clássico, recomendo Histórias sem data, um livro pouco conhecido de Machado de Assis.

[Histórias sem data – Machado de Assis – RS19,90]

As Histórias sem data reúnem 18 contos do melhor Machado. Publicado em 1884, três anos apenas depois das Memórias póstumas de Brás Cubas e quando o autor provavelmente já ideava o Quincas Borba, este quarto livro de contos tem todos os ingredientes que fazem de Machado de Assis o nosso contista modelar. Desde os chamados “perfis femininos” até sondagens mais profundas da alma humana, em que investiga, recorrentemente, a diferença entre a “alma exterior” e a “alma interior”, como já definira o narrador Jacobina, de “O Espelho” (Papéis avulsos, 1882), passamos por histórias de loucura, esse tema tão caro a Machado, e somos levados, pela mão dos diferentes narradores, a passear pelas ruas e bairros de um Rio de Janeiro que não existe mais na realidade e, no entanto, viceja nas páginas de seu escritor maior. Estava plena de razão a Comissão Machado de Assis ao declarar, no prefácio da edição de 1977, que “convergem para Histórias sem data todas as diretrizes da ficção de Machado”. Que o comprove o leitor, que aqui encontrará, além de “Noite de Almirante”, talvez o conto mais famoso da coleção, outras 17 pérolas da arte narrativa de Machado de Assis.

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