Abre-te, Sésamo — Diário de leitura (18)

Você provavelmente já ouviu falar de Ali Babá. Creio que essa seja uma das histórias mais conhecidas de As mil e uma noites (após, claro, a de Aladim). E se você já a conhece, ao menos por alto, provavelmente identificou logo de cara o título deste post, no qual, claro, falarei sobre A história de Ali Babá e dos quarenta ladrões exterminados por uma escrava.

Ao sentar para escrever, porém, fiquei refletindo sobre esse título. “Uma escrava”. Ora, a tal escrava tem nome e é graças a ela que Ali Babá sobrevive. E ele, por sua vez, o que faz de tão excepcional além de descobrir uma caverna cheia de tesouros?

Morjana — a escrava — salva a vida de seu amo não uma, mas duas vezes. E, com muita sagacidade, ela consegue, sozinha, derrotar, em um primeiro momento, 37 ladrões e, mais tarde, o chefe deles. Os outros dois, de certa forma, ela também foi a responsável pela morte, mas de maneira indireta.

Outra coisa que não posso deixar de mencionar é que, mais uma vez, fui surpreendida, pois não sabia dos desdobramentos desta narrativa. No meu imaginário, aliás, eu podia jurar que Ali Babá era uma espécie de chefe dos 40 ladrões. Nada a ver!

Agora me pergunto se essa minha confusão deve-se realmente a um desconhecimento da história, uma falta de memória ou se ela realmente chegou a mim desta maneira, quando eu era mais nova, tendo sido, portanto, transformada com a transmissão boca a boca ao longo dos anos. Que versão você conhece de Ali Babá e os quarenta ladrões?

Ali Babá era um homem relativamente pobre, lenhador e que, um dia, descobre uma caravana com os tais 40 ladrões. Mas, mais que isso, descobre uma caverna, na qual eles escondem os frutos de seus roubos. E essa descoberta, claro, muda a vida de Ali Babá, mas não apenas de um jeito óbvio.

Para abrir a tal caverna, como já é de se imaginar, deve-se usar uma “senha”, que é a célebre frase “Abre-te, Sésamo”. Você sabe o que significa Sésamo? Eu só vim a pesquisar agora e, para variar, me arrependi (de não ter pesquisado antes, no caso).

O sésamo é um grão comestível, como o gergelim. E saber disso dá uma nova dimensão a uma passagem da história: o irmão de Ali Babá também vai até a tal caverna — mais interessado que o primeiro em tornar-se ainda mais rico — porém, na hora de sair de lá, apavorado por ouvir a aproximação dos ladrões, ele esquece-se da palavra “sésamo” e diz “abre-te, cevada”. Um erro que pode parecer sem sentido, mas que não é quando descobrimos que a cevada e o sésamo são grãos semelhantes.

E, mencionando essa passagem, percebo como, uma vez mais, fica a sutil lição de que a ganância só nos traz infortúnios. Enquanto Ali Babá pretendia usar da sua descoberta de maneira cautelosa e comedida, seu irmão quis logo apoderar-se de tudo quanto possível, esquecendo-se, porém, de tomar cuidado e, consequentemente, sofrendo um terrível destino.

2 comentários em “Abre-te, Sésamo — Diário de leitura (18)

  1. Tô aqui tentando lembrar da história de Ali Babá que eu conheço e percebi que minhas histórias favoritas da infância eram “O flautista de Hamelin”, “Ali Babá” e “Sinbad, o marujo” e olha só, né, duas delas são das Mil e uma noites! Agora quero muito ler haha e adorei demais o comentário sobre a escrava!!! Ela é completamente central na história e deixada de lado no título, que loucura!

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