Os sete maridos de Evelyn Hugo — Taylor Jenkins Reid

Título: Os sete maridos de Evelyn Hugo 
Original: The seven husbands of Evelyn Hugo
Autora: Taylor Jenkins Reid 
Editora: Paralela
Ano: 2019 
Tradutor: Alexandre Boide

Difícil imaginar alguém que não conheça Os sete maridos de Evelyn Hugo, mas se você ainda faz parte desse grupo, não sabe o que está perdendo (mas pode descobrir agora)! Está certo que eu também estaria se não tivesse ganhado esse livro de presente, contudo, felizmente ganhei, passei ele na frente de outros que estavam parados na estante e agora posso contar um pouco do surto que foi essa leitura.

“‘Você entendeu o que estou dizendo? Quando surge uma oportunidade para mudar sua vida, esteja pronta para fazer o que for preciso. O mundo não dá nada de graça para ninguém, só tira de você’”

Como se pode imaginar, Evelyn Hugo é a protagonista desta história. E ela não é qualquer pessoa, mas uma lendária estrela Hollywoodiana que já encontra-se aposentada, mas ainda vivendo às custas de todo o brilho do auge de sua conturbada carreira.

“A verdade é que os elogios são como um vício. Quando a pessoa se acostuma a ouvir, precisa de cada vez mais só para se manter equilibrada”

Este livro, porém, não é apenas a fútil história de uma mulher que fez tudo o que pôde para alcançar o que queria. A verdade é que a narrativa aqui vai justamente no caminho contrário: a todo momento Evelyn Hugo busca deixar claro que não é uma boa pessoa e que não há motivos para admirá-la incondicionalmente, mesmo que ela não se arrependa dos caminhos que traçou.

“‘Eu não sou uma pessoa boa, Monique. Mostre isso claramente no livro. Não tenho a menor intenção de dizer que sou boa. Fiz uma porção de coisas que magoaram muita gente, e faria de novo se fosse necessário’”

Por meio desta história, portanto, podemos conhecer muitas facetas do estrelato, principalmente os seus bastidores e as pessoas reais que os constroem. Coisas que hoje até temos mais acesso, se quisermos, mas que, ainda assim, muitas vezes passam desapercebidas.

“Mas, agindo como eu tinha me treinado a fazer muito tempo antes, fingi que estava absolutamente tranquila, como se ser tratada como um animal de zoológico fosse a coisa mais agradável do mundo”

Porém, uma coisa é real: antes de ler essa obra eu via muita gente dizendo “não é possível que Evelyn Hugo não exista de verdade” e é essa a sensação que fica: como pode tudo isso ser fruto da talentosa imaginação de uma escritora? A riqueza de detalhes e sentimentos nessa história é impressionante. Tudo bem, há sim inspiração em atrizes e fatos reais, mas ainda assim é uma impressionante história inventada.

“As lágrimas caíram quando não tinha ninguém por perto para ver”

Aliás, Os sete maridos de Evelyn Hugo tem muito a ensinar sobre técnicas de narrativa. Logo de cara, por exemplo, já me impressionei com uma coisa: a forma que a autora introduz a protagonista. Ela poderia começar de maneira meio jogada — como tantas vezes vemos —, o que retardaria um pouco nossa imersão na história, mas optou por fazer isso através de um recorte de um jornal de fofocas, o que também já nos ambienta à história como um todo, colocando data de publicação, bem como características da personagem.

“Você imagina um mundo em que  vocês duas possam sair para jantar juntas num sábado à noite sem que ninguém as julgue. Dá até vontade de chorar — desejar tanto uma coisa tão simples, tão pequena”

Essas notícias aparecem em diversos momentos do livro, nos situando melhor na linha temporal da narrativa, além de acrescentar informações que não poderiam ser apresentadas de outra forma.

“Eu a estava cutucando em busca de informações que podiam partir meu coração, uma falha inerente à condição humana”

Além desses recortes, a narrativa é construída a partir de dois grandes pontos: a Evelyn Hugo em seus últimos dias de vida, que decide contratar uma jornalista — mas uma específica — para escrever sua biografia e, por outro lado, a construção da tal biografia, por meio das histórias contadas pela própria Evelyn para Monique, a tal jornalista escolhida.

“‘Passei muito tempo da vida me dedicando a… maquiar a verdade’, ela explica. ‘Fica difícil retirar todas as camadas depois’”

É difícil dizer o que nos prende a essa história, pois são muitos pontos de reviravolta e mistério. Queremos saber quem são (e por que são) os sete maridos de Evelyn Hugo; quem é o seu verdadeiro amor (pergunta posta logo no início da história e cuja resposta revelada antes do que esperamos) e porque Monique Grant tem de ser a jornalista que escreverá a verdadeira história de Evelyn Hugo.

“Ninguém é apenas bom ou apenas ruim. Eu sei disso, claro. Tive que aprender isso bem cedo. Mas às vezes é fácil esquecer uma verdade como essa. E que ela se aplica a todo mundo

Outro ponto que torna essa obra tão incrível e especial é a representatividade que ela carrega. Neste ponto, porém, é fácil odiar Evelyn Hugo por sua covardia, ainda que ela não estivesse protegendo apenas a si mesma quando escolheu certos caminhos. Mesmo assim, que dá um raiva, dá…

“As pessoas não são muito solidárias e acolhedoras com uma mulher que põe a própria carreira em primeiro lugar”

Os sete maridos de Evelyn Hugo não fala somente sobre a posição da mulher numa sociedade machista, mas também numa sociedade homofóbica e retrógrada (que, infelizmente, não se restringe a décadas atrás, mas se estende até os dias de hoje).

“Nunca vou esquecer a manhã seguinte à revolta de Stonewall”

Definitivamente, essa obra consegue reunir muitos elementos capazes de nos deixar totalmente imersos nela: representatividade, críticas e uma dose de fofoca, do jeito que a gente gosta (e garanto, mesmo que você ache que não, é difícil não querer saber o que vem a seguir).

“Talvez eu esteja indo longe demais nas observações, mas essa foto me faz começar a pensar que existe um padrão: Evelyn sempre deixa as pessoas querendo ver um pouco mais. E nunca permite”

Há sempre um mistério pronto para nos deixar intrigados e nos fazer devorar as páginas desta história até o final. E, felizmente, nenhuma ponta fica solta, então vale realmente a leitura!

9 comentários em “Os sete maridos de Evelyn Hugo — Taylor Jenkins Reid

  1. Com esse título com 7 maridos, penso logo na Elizabeth Taylor (casada 8 vezes!) como inspiração, mas a sinopse é mais Joan Crawford… Já me recomendaram esse livro umas 3 vezes, depois dessa resenha fiquei ainda mais curioso 👀 Com certeza será minha próxima leitura!

    Curtido por 1 pessoa

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