O que são os conteúdos brainrot [tradução 41]

Introdução

Como professora de italiano de adolescentes, foi impossível, no primeiro semestre deste ano, passar ilesa aos brain root italianos

No começo, eu não tinha ideia do que meus alunos estavam falando. Achei que fosse só uma brincadeirinha entre eles. Quando finalmente comecei a ver conteúdos explicando o que são esses brain root, porém, fiquei um pouco (mais) desesperada.

Se você tem a sorte de não ter ideia do que estou falando, aqui vai a tradução de um artigo publicado no Il Sole 24 ore, em 31 de julho de 2025, escrito por Marco Trabucchi. O texto original você encontra neste link.


Tradução

Rolando os conteúdos em vídeo no TikTok, você já se deparou com um tubarão usando tênis azul da Nike e cantando “tralalero tralalà” ou com um avião de guerra com cabeça de crocodilo, com intenção de bombardear cenários surreais? Então você chegou a um dos trends mais bizarros do momento: o Brain Rot italiano. Conteúdos em vídeo, gerados com ajuda da inteligência artificial generativa, nos quais personagens absurdos — como o “Bombardiro Crocodilo” ou a “Ballerina Cappuccina” — se movem em fundos psicodélicos enquanto uma voz sintética recita frases sem sentido. Vídeos nonsense que misturam ironia, surrealismo e, muitas vezes, provocações politicamente incorretas, geralmente ultrapassando o limite do bom gosto. 

Um dos primeiros vídeos que contribuiu para definir o imaginário dessa trend, que reescreve a estética do meme contemporâneo, foi “Tralalero Tralalà”, no qual um tubarão antropomórfico, com tênis azul nos pés, recita versos acompanhados de um áudio gerado por inteligência artificial. Um vídeo, postado inicialmente no TikTok, que deu início a uma avalanche de imitações e reelaborações, até atingir números record: mais de 3 milhões de visualizações globais.

O termo brain rot, literalmente “lixo cerebral”, foi escolhido como palavra do ano em 2024, pelo dicionário Oxford. Na definição dos linguistas de Oxford, brain rot é “o assumido deterioramento do estado mental ou intelectual de uma pessoa, em particular como resultado de um consumo excessivo de material considerado superficial ou pouco estimulante”. Um termo com uma longa história: já nos anos 90 era usado para criticar a má televisão, os videogames ou os quadrinhos considerados “deseducativos”. Depois chegaram as redes sociais e os vídeos breves em plataformas como TikTok, na qual o algoritmo encoraja um contínuo e sem fim rolar do feed. 

A pergunta é: o que acontece quando até o YouTube e outras plataformas de vídeo começam a incentivar a fruição desses conteúdos? Simples: muitos sofrem o efeito (principalmente os mais jovens), e alguns outros lucram com isso. Diversos criadores de conteúdo vendem vídeo-aulas, guias, tutoriais e cursos sobre como criar conteúdos virais com a IA. Instruções para criar o próprio universo “brainrot” e triunfar no TikTok.

E no Discord existem comunidades privadas nas quais os usuários compartilham entre si prompts para criar brainrot e técnicas para gerar conteúdos “extremos” ignorando as diretrizes dos softwares. De acordo com muitos observadores, não vai demorar muito para que as marcas comecem a desfrutar deste tipo de conteúdo com fins comerciais. Em resumo, os brainrot — quer queira, quer não — se tornaram um modelo de negócio, para além de uma estética.


Conclusão

Os brain root são mais um sinal de uma sociedade que precisa rever, desesperadamente, sua relação com a tecnologia, mas, sobretudo, que precisa entender que se chegamos onde chegamos — pensando em termos de desenvolvimento tecnológico e conforto — foi porque muitas pessoas antes de nós pensaram e pesquisaram incansavelmente.

Estamos nos deixando levar pelo caminho mais fácil, pelo “não ter que pensar”, pela lei do mínimo esforço. E os resultados disso são (e serão cada vez mais) desesperadores.

Você já tinha ouvido falar do brain root italiano? O que acha disso?

3 comentários em “O que são os conteúdos brainrot [tradução 41]

  1. Infelizmente, ouvi falar sim, mas ainda bem que não por termos problema de consumo com esse tipo de conteúdo em casa, e sim porque o assunto me chamou a atenção justamente para as coisas que os pais precisam estar preparados para enfrentar. Me assusta, aliás, o tanto de coisas que precisamos nos atentar.

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