Sobre meu conto “A língua do amor”

Sobre meu conto _A língua do amor_

Quem me acompanha para aqui já deve estar cansado de saber que eu ajudei a organizar uma antologia, publicada esse ano, pela Editora Lettre. Além de fazer parte da organização, eu também escrevi um conto para compor a mesma, intitulado “A língua do amor”.

Mesmo tendo outros contos escritos (e mais um publicado), não me considero uma escritora. Não sei, me parece surreal dizer que eu faço parte desse mundo tão mágico e, ao mesmo tempo, tão árduo. Mas tenho recebidos feedbacks incríveis sobre meu conto e, confesso, a cada vez que vejo um elogio ou alguém dizendo que ele foi o preferido dentre todos, meu coração se enche de alegria. Depois de ver uma leitora dizendo que meu conto deveria virar livro (!!!), coisa que nunca pensei, quis vim contar um pouco mais sobre ele para vocês.

“A língua do amor” é narrado por uma menina espoleta e curiosa que adora brincar com seus vizinhos no playground do prédio em que mora. Ela fica intrigada, porém, quando chega um novo vizinho, que nunca desce para brincar com eles, ainda que fique espiando-os pela janela, enquanto eles gritam para que o menino se junte a eles.

Conversando com sua mãe, a narradora faz uma descoberta sobre Daniel — o tal vizinho que nunca desce para brincar com eles — que muda a sua vida e talvez a de muitas outras crianças da escola que ela estuda. Daniel é um garoto surdo e, por meio dele, tentei inserir um pouco desse universo na história, falando brevemente sobre a Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Comecei a aprender Libras em 2018. Desde então venho aprendendo muito mais que uma simples língua, mas também toda uma nova forma de enxergar o mundo. E isso certamente é uma tarefa que demanda muito tempo e que ainda me acompanhará por anos e anos.

Quando eu escrevi o conto eu o via assim, do jeitinho que ele foi publicado. Logo mudei de ideia, porém, quando uma amiga me questionou sobre o final. De início, não pensei outra maneira, mas refleti um pouco e existiam modos de fazê-lo diferente. Mas quando eu vi  sugestão de transformar o conto em livro meu primeiro impulso foi rir. Impossível, não há mais nada a contar! Mas há, sempre há. E aí, claro, várias ideias começaram a pipocar na minha mente. Será que um dia “A língua do amor” vira livro?

“A literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo”

“A literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo”

Sim, meus queridos, hoje me deu vontade de comentar um pouco sobre uma matéria que leva o título acima e que vocês podem ler na íntegra aqui. Um post um pouco diferente e que acho muito válido com relação à temática deste Blog. Vamos nessa?

Em primeiro lugar, acho importante destacar que quem faz a afirmação acima e tantas outras presentes ao longo da matéria mencionada é um professor de literatura italiana da Universidade de São Paulo: Maurício Santana Dias. Porém o Maurício não é “apenas” professor, mas também um grande tradutor (falo mais sobre isso daqui a pouco). E, seja para ser um excelente professor de literatura, seja para ser um grande tradutor, é preciso, antes de mais nada, ser um ótimo leitor.

Quando falo que o Maurício é um grande tradutor, estou me referindo às inúmeras obras traduzidas por ele e também aos prêmios que ele já recebeu por seu trabalho. O mais recente prêmio foi obtido este ano mesmo, na Itália, um pouco antes do país fechar as portas diante da pandemia do coronavírus. Ele foi condecorado com o Prêmio Nacional de Tradução do Ministérios de Bens Culturais e do Turismo da Itália. Chique, né?

Ao longo da matéria em questão, são destacadas algumas falas do professor, sobre a importância da literatura, inclusive como instrumento para pensar o mundo (daí o título) e a importância de todos os tipos de literatura, não apenas a de ficção. Além disso, ainda há muita dica de livros da literatura italiana (já traduzidos para o português) extremamente adequados para o momento que vivemos hoje (e para tantos outros).

“A literatura vai muito além do entretenimento”

Infelizmente, porém, sou obrigada e discordar de uma pequena parte da fala do professor: ele afirma que esse é o momento que mais temos para ler. Não sei se é bem assim. Tenho visto muitas pessoas que estão tendo de trabalhar o dobro do que trabalhavam antes (mesmo estando em casa — ou talvez justamente por causa disso) ou então pessoas tão esgotadas mentalmente que não têm coragem nem mesmo de pegar um livro mais leve para ler. E, no final das contas, tudo isso é extremamente compreensível. Se você está lendo menos que o normal, contrariando expectativas vindas de não sei onde, saiba que isso não te torna menos leitor e menos nada diante dos outros. A literatura vai muito além do entretenimento, mas ler ainda deve ser um momento de prazer, não de pressão. E precisamos, agora, mais do que nunca, viver um dia de cada vez, com calma, e sem pressões desnecessárias.

E vocês, concordam que a literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo?

O que eu aprendi organizando uma antologia?

O que eu aprendi organizando uma antologia_

Eu comentei na resenha de Um amor para chamar de meu que fui a organizadora dessa antologia. E, ao menos para mim, não é todo dia que tenho uma oportunidade dessas (aliás, essa foi a minha primeira!), ainda mais em se tratando de romance, que eu adoro!

Mas… O que aprendi com isso?

Em primeiro lugar (e esse provavelmente foi o aprendizado mais difícil): a dizer não. No edital estava previsto que poderia ser selecionada uma quantidade de contos e recebemos mais do que esse número. Acabamos, por conta disso, aceitando alguns a mais, mas, ainda assim, não era possível aceitar todos, então tive de fazer escolhas e, a parte mais difícil, enviar alguns emails dizendo que determinado conto havia sido recusado.

Isso significa que recusei contos que estavam ruins? Absolutamente não! Eu apenas tiver de fazer escolhas (difíceis) e, infelizmente, dizer não a histórias que eram boas, mas que, por exemplo, estavam parecidas com outras também recebidas ou óbvias demais, enquanto as mais surpreendentes foram, sem dúvidas, escolhidas.

Outro ponto, mas esse não sei se posso dizer que “aprendi algo”, mas que ao menos “refleti sobre” foi em relação a ordem dos contos. Depois de ter selecionado as histórias que fariam parte da antologia, me deparei com uma grande dúvida: em que ordem apresentá-las aos leitores?

Tentei buscar alguma luz ou alguma dica no Google, mas nada. Ninguém para me ensinar “como escolher a ordem dos contos em uma antologia”. Então fui no feeling mesmo, tentando mesclar um pouco. Histórias que fossem mais parecidas, tentei separar, para não ficar repetitivo; narrativas mais lentas, intercalei com aquelas mais rápidas; histórias um pouco mais tristes em meio às mais felizes. Agora, se eu alcancei algo com isso, só os leitores podem dizer…

Aprendi, ainda, sobre o trabalho que dá organizar uma antologia. Quem me acompanha por aqui talvez saiba que eu colaboro bem de pertinho com a Editora Lettre, então sei que todo o trajeto editorial não é fácil, são muitos detalhes para nos preocuparmos. E estar à frente de uma antologia me mostrou na pele tudo isso. Decidir (e cumprir) prazos, estar com contato com os autores, ler e reler tudo, escrever sinopse e prefácio, divulgar, resolver imprevistos… UFA!

Mas isso me lembra outra coisa que aprendi: o quão gratificante tudo isso é. A sensação de ver os autores felizes com a publicação de suas histórias; de ver os leitores elogiando a antologia; de ter um trabalho conhecido pelo público. Um amor para chamar de meu me trouxe coisas que eu jamais achei que poderia esperar.

E se engana quem acha que o trabalho de organizar uma antologia termina quando ela é publicada. Seguimos aqui, tentando fazer com que ela chegue a mais e mais pessoas. Semana passada, por exemplo, a Editora Lettre publicou uma entrevista com os autores da antologia! E eu, mais uma vez, estive nos bastidores, ajudando a organizar as respostas que recebemos e a montar o texto final. Quem quiser conferir o resultado, pode clicar aqui.

Como começar a ler?

Como começar a ler_

Já ouvi muita gente afirmando categoricamente que não gosta de ler. Também já escutei coisa do tipo “eu queria ler mais, mas não consigo. O que eu posso fazer?”. Confesso que uma frase como essa segunda mexe muito comigo (não que a primeira não mexa também, mas vocês entenderam).

O objetivo desse cantinho é incentivar a leitura e, veja só, nem sempre apenas falar sobre um livro, sobra sua história e sobre o que me chamou a atenção naquelas páginas é suficiente para que uma pessoa quebre a barreira entre o não ler e o ler.

Andei refletindo muito sobre o assunto. É claro que dicas de “como começar a ler” ou “como ler mais” é o que não falta por aí. E, ainda assim, as pessoas não leem? Por que? Confesso que também não sei, mas quis arriscar trazer algumas sugestões aqui.

Para começar, eu gostaria de dizer que, hoje em dia, é muito difícil encontrar alguém que não seja um leitor. Sim! Porque aposto que você não lê livros, mas lê notícias em jornais e revistas, posts de blogs e até mesmo os famosos “textões” das redes sociais. Pois bem, ainda que não sejam livros, são leituras. E um primeiro passo para ler (e ler mais) talvez seja a substituição: troque a leitura de uma notícia que vai te deixar mal, por algumas páginas de um livro gostoso. Troque textões, que talvez não te acrescentem muito, por alguns parágrafos daquele livro que está parado na sua estante há alguns meses.

Às vezes também pode acontecer, porém, de você ter dado início a vários livros e nunca ter conseguido acabar um. Mas te pergunto: qual era o gênero desses livros? E eu sei que essa é uma pergunta bem ampla e que requer ao menos uma dupla análise: talvez você prefira ler poesias a romances, mas acabou sempre iniciando a leitura destes e nunca mergulhou na leitura daqueles. Ou então você prefere crônicas a contos, mas, desconhecendo a diferença entre eles. Por outro lado, talvez você tenha só começado a ler livros de romance, mas goste mesmo de um bom thriller ou mesmo uma biografia, por exemplo. Eu pretendo começar a escrever mais sobre essas coisas por aqui também. Sobre gêneros, seja formato, seja tipo de histórias, e, quem sabe, vocês poderão dar uma nova chance aos gostos de vocês.

Nesse mesmo quesito, existe outro ponto muito importante a ser levado em consideração. Eu, confesso, não me importo com isso, mas descobri que muita gente sim: o tipo de narrador do livro! A maioria das histórias são narradas em primeira ou em terceira pessoa. Há leitores que só gostam de livros escritos em primeira pessoa, assim como o contrário também acontece. Você já havia parado para pensar nisso?

Um ponto elementar mas não muito: se você não tem o hábito de ler, preste atenção ao tamanho. E aqui eu não estou falando somente do tamanho do livro em si, mas também dos capítulos e até mesmo dos parágrafos. E por que? Porque se você não tem o hábito de ler, você talvez se canse mais facilmente ou perca a paciência mais facilmente. Se você interrompe a leitura no meio de uma ideia (ou seja, no meio de um capítulo e, pior ainda, no meio de um parágrafo) é ainda mais difícil você querer retornar a ela. Bom, pelo menos é o que eu acho!

E, ainda nessa linha, não crie metas irreais. Ler é um hábito, ou seja, algo que você vai adquirindo aos poucos e com persistência. Não ache que você só será considerado um leitor se ler um livro de pelo menos 200 páginas e se ler pelo menos três livros por mês. Não! Esse números não dizem nada. É melhor ler pouco, mas ler com qualidade. E claro, gostar do que se está lendo. Fora que, algumas leituras exigem mais tempo que outras. Algumas exigem que a gente faça uma pausa, respire, reflita. E claro: não se cobre a terminar um livro que você está odiando. Começou a ler algo e não gostou? Parte para a próxima! Talvez não seja o momento de ler aquilo, talvez você realmente não goste daquela narrativa. E está tudo bem.

Aliás, vocês sabiam que pessoas que estão acostumadas a ler podem sofrer de “ressaca literária”? Pois é. E quando esse mal nos acomete, parece que não existe livro no mundo que dos dê vontade de voltar a ler. Mas a gente volta. Com muita paciência e perseverança a gente volta.

Agora vamos ser sinceros: você leu tudo o que escrevi até aqui (e, só por isso, eu já te considero um leitor), mas está pensando “ok, mas eu não tenho tempo para ler!”. Sinto te informar, mas você está enganado(a)! Experimente carregar sempre um livro, um e-reader ou então baixar um app de leitura no celular (o kindle, por exemplo, não é apenas um aparelho, mas um aplicativo para celular também!). Sabe aquele momento que você está entediado(a), já revirou todas as redes sociais possíveis e não tem mais o que fazer? Leia! E quando você usa transporte público, mas o pacote de internet já acabou, o celular está descarregado e “perrengues” afins? Leia! Aos poucos isso vai viciando e você pode até acabar preferindo ler cada vez mais e mais!

Você também pode separar alguns minutos do seu dia para se dedicar à leitura. Sim, você pode separar minutos, não horas! 20 minutos por dia já são suficientes para colaborar com seu novo hábito.

Por fim, você deve estar pensando: “mas livros são caros“. Errou de novo! Quer dizer, livros podem ser caros, mas isso depende de muita coisa. Por exemplo, você pode pegar um livro emprestado gratuitamente em qualquer biblioteca (sua cidade certamente tem ao menos uma) ou mesmo com um amigo bondoso. Ou então você pode procurar dentre os inúmeros ebooks que a Amazon disponibiliza gratuitamente a cada dia um que possa te agradar. Você também pode ir a um sebo, comprar livros por preços menores, ou procurar na internet por promoções, cupons de desconto, trocas! As possibilidades são inúmeras!

E aí, vamos começar a ler ou ler mais ainda?

 

Tirando sonhos do papel (e o Blog faz 2 anos)

2 anos

Hoje é o aniversário de dois aninhos deste Blog! Acho que me preparei mais para esse dia do que para meu próprio aniversário. Para quem não sabe o Blog tem um perfil no instagram e, por lá, rolou um sorteio de aniversário! (se você perdeu essa, não fique triste, comece a seguir agora que em breve eu farei novos sorteios).

E para o dia de hoje, aqui no Blog, eu pensei em tanta coisa… Eu cuido desse espaço com muito carinho e, como sempre digo, o objetivo dele é, acima de tudo, incentivar a leitura, divulgar livros e poder escrever sobre aquilo que eu leio. Claro que eu também escrevo sobre músicas, hambúrguer e mestrado, mas porque essas também são coisas que me movem tanto quanto a literatura.

Eu pensei em escrever, hoje, sobre o Blog em si, sobre as coisas boas que ele me trouxe e me traz, sobre as conquistas. Mas recentemente já falei um pouco sobre tudo isso na Retrospectiva 2019, então optei por vir aqui contar uma história e fazer um pedido de vocês. E considerem esse pedido um presente de aniversário (para mim e para o Blog, já que nós dois completamos anos no mesmo mês!)

Ano passado eu conheci, dentre tantos outros maravilhosos, a escritora Ingrid Sousa, de quem tive a sorte de virar leitora beta e, por ainda mais sorte, amiga. Alguns meses depois, ela fundou a Editora Lettre, parceira aqui do Blog. Mas, para além de nossa parceria, a Ingrid me deu uma oportunidade e tanto: a de ser uma das revisoras dos livros da Editora! Que alegria poder trabalhar com isso. E mais: agora também estou participando da organização de uma Antologia de Romance (que ainda está com o edital aberto, não deixe de conferir!).

A Lettre ainda é uma editora pequena, vivendo de erros e acertos e, acima de tudo, da boa vontade de nossa pequena equipe. Temos batalhado bastante para conseguirmos algum retorno.

E é aqui que entram vocês, queridos leitores deste Blog!

A Lettre já possui duas antologias publicadas, apenas em formato ebook: Surpresas de Natal e O outro lado do sobrenatural. Esta segunda antologia, porém, pode se tornar física, e isso só depende da colaboração dos leitores. Como? Continue lendo aqui que eu vou explicar tudinho.

No dia 05/02/2020 a Lettre lançou uma campanha no Catarse — que é um site para financiamentos coletivos — para a Antologia “O Outro lado do sobrenatural”. Para contribuir você só precisa clicar aqui e ver que tipo de contribuição se adequa melhor ao seu bolso. A ajuda pode ser de um mínimo de R$10,00 (você receberá o ebook da antologia e algum outro ebook da editora), chegando até a R$ 85,00 (neste caso você recebe 2 exemplares físicos do livro, 1 ebook, 5 marcadores de páginas, 2 certificados, 4 chaveiros e 2 ímãs).

A campanha lançada pela editora é do tipo “tudo ou nada”. Isso significa que até dia 05/04/2020 nós precisamos ao menos atingir a meta (ou seja, arrecadar pelo menos R$3.200,00), caso contrário, o dinheiro de cada um será devolvido e não haverá livros físicos nem brindes.

É possível conhecer melhor cada um dos pacotes (e seus preços) clicando no link que eu disponibilizei ali em cima. As formas de pagamento são cartão de crédito ou boleto bancário e esse dinheiro fica com o Catarse até o final da campanha, sendo liberado para a Editora ou devolvido aos contribuintes. E se você não puder contribuir financeiramente, ao menos nos ajude a divulgar ao máximo essa campanha! Toda ajuda é mais que bem-vinda!

E então, está esperando o que para conhecer o “Outro lado do sobrenatural” e ajudar alguns autores a realizarem seu sonho de ver um texto seu em um livro físico?

Retrospectiva 2019

Retrospectiva 2019

Como eu disse no Resumão de dezembro, sobrevivemos a 2019, agora definitivamente. Mas entre altos e baixo, alegrias e tristezas, não posso deixar de dizer que, por aqui, foi um ano bom. E em relação às leituras também.

Comecei o ano sem grandes pretensões, ainda que eu quisesse que o Blog pudesse sempre crescer mais e mais. E aí, mais para o final do ano, passei a me perguntar algumas coisas, vendo as estatísticas deste cantinho: será que eu conseguiria chegar em 200 seguidores aqui na plataforma, até dezembro? E em visitas, conseguiria atingir 10.000 durante o ano? Para minha surpresa, antes mesmo de dezembro começar, essas duas marcas foram atingidas e superadas (no final das contas, chegamos a mais de 215 seguidores e mais de 11.000 visitas). Que alegria!

Claro, são apenas números. Mas números que demonstram um imenso crescimento do Blog, principalmente em relação ao primeiro ano de vida dele. São números que me incentivam a seguir em frente e a tentar trazer cada vez mais um conteúdo de qualidade.

E, como o foco daqui são os livros, para trazer conteúdos eu preciso… Ler! E ler muito! E nesse quesito, 2019 foi, novamente, um ano de superação: o ano que mais li na vida! Foram 57 livros (publicados) ou, mais exatamente, 15 contos e 42 livros lidos.

Como de costume, não vou estabelecer metas para 2020. Espero, somente, poder continuar as incríveis trocas que o Blog me propicia e também espero poder crescer profissionalmente trabalhando com o que gosto: livros e língua e cultura italiana. E claro, não quero deixar de ir a eventos literários, que foram ótimos em 2019!

Aproveito essa retrospectiva para deixar um enorme obrigada aos paceiros e amigos que este Blog me deu. Em 2019 conheci muitos escritores incríveis e blogueiros maravilhosos e espero que 2020 continue assim!

 

Divagações: falando sobre números

Divagações_ conversando sobre números

Ando pensando em números e quem me conhece sabe o quanto isso pode ser estranho: veja bem, resolvi cursar Letras — dentre outros motivos, claro — para tentar fugir dos temidos números e agora estou aqui, mais presa que nunca a essa assunto.

Sim, números são importantes e eu não poderia viver totalmente sem eles, mas o problema é quando eles se tornam uma obsessão. E às vezes é assim que os vejo, não só de minha parte, mas na sociedade em geral.

O Instagram foi uma rede social que ajudou a fomentar esse debate sobre números, tanto é que, agora, não podemos mais ver quantas curtidas tem nas fotos dos outros. Mas ainda podemos acompanhar de pertinho o número de seguidores de cada um…

Sempre que me inscrevo para parcerias — com escritores ou editoras — também me pego pensando sobre essa importância que damos aos números, uma vez que sempre acabam pedindo algum tipo de estatística, seja número de seguidores, curtidas ou visualizações.

O problema é que isso vai se tornando um (péssimo) hábito. Eu perco as contas (olha os números aí, minha gente!) de quantas vezes clico nas estatísticas do Blog (diariamente) para ver como anda o movimento, e ainda compará-lo com o dia anterior, com a semana anterior e com o mês anterior. Também me pego vendo quantos seguidores tenho no Instagram, quanto livros eu já li e como está minha colocação na meta de leitura do Skoob. E, aos poucos, essa vício nos números vai se tornando doentio.

Isso sem contar o fato de que me preocupo com quantos passos dei no dia (e na semana e no mês) — já que meu celular faz o favor de contar por mim — com quantas horas durmo, com quantas garrafas de água bebi, com cada centavo que tenho em minhas conta bancárias. E, claro, ainda tinha de estar em um emprego onde quantidade é algo que importa muito.

Nada contra números, mas tudo contra esses hábitos insanos que tenho criado e cultivado. Vale mais fazer as coisas com qualidade do que em grandes quantidades. Mas, ainda que saber disso já seja um bom passo, sei que ainda tenho muito a melhorar (aceito dicas) e que, sem dúvidas, desacelerar é preciso.

Precisamos conversar sobre a Bienal

Precisamos conversar sobre a Bienal

Resolvi adiar todos os posts do Blog pelo “simples” fato de que precisamos conversar sobre o que aconteceu na 19º Bienal do Livro carioca, na última sexta-feira (acontecimento que teve seus desdobramentos sábado e domingo também, últimos dias do evento).

Caso você, leitor deste Blog, viva numa bolha maior que a minha (porque olha, nunca vi pessoa tão desinformada quanto eu!) e não saiba do que estou falando, explico: na sexta-feira (06/09) foi divulgado que na quinta-feira (05/09) o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, havia determinado que “Vingadores, a cruzada das crianças” fosse recolhido por conter a imagem de um beijo entre dois homens (imagem essa que eu talvez nunca tivesse visto se não fosse essa idea babaca, que teve como resultado a veiculação de tal imagem em diversas mídias). No mesmo dia, “fiscais da prefeitura” também foram à Bienal para identificar e lacrar livros “impróprios” (leia-se: livros LGBTQ+). Obviamente houve muita reação a esses absurdos e vale à pena dar uma pesquisada!

Diante de tudo isso eu não poderia ficar calada. Eu precisava ao menos vir desabafar (depois de baixar milhares de ebooks LGBTQ+). Meu último post aqui foi com  indicações de livros que falam sobre suicídio. E nesse post eu comentei que fiz isso porque sei o quanto livros são importantes, o quanto eles podem nos ajudar.

Ora essa, a mesma lógica serve para os livros LGBTQ+! Quantas pessoas que fogem do padrão imposto por uma sociedade retrógrada já não encontraram nos livros um refúgio, uma força pra seguir em frente, um consolo? E quantas pessoas que se encaixam no padrão imposto por uma sociedade retrógrada não puderam aprender com livros desse tipo, passando a respeitar e a ter empatia com os outros?

Vamos dizer que eu faço parte desse segundo grupo (pessoas que se encaixam no padrão imposto por uma sociedade retrógrada). E vamos dizer que eu confesso que, apesar da vontade, ainda não li muitos livros LGBTQ+. Garanto a vocês que um dos livros que mais me marcou na vida foi Menino de Ouro, que fala sobre intersexualidade, um assunto que até então eu praticamente desconhecia. E, além disso, a forma como a história é construída, nos faz pensar muito sobre questões de gênero e identidade. Outra leitura que mexeu muito comigo foi Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo.  Fico pensando quanto mais não posso aprender com outros livros LGBTQ+ que estão na minha lista de desejados (como Um milhão de finais felizes e Conectadas) e com aqueles que não estavam, mas que já adquiri (como No meu lugar e Querido ex,)?

Todo tipo de leitura/literatura é válida e só resta a nós, leitores, apoiarmos nossos escritores (nacionais e internacionais) e contribuir para que a literatura não sucumba à censura.

Aproveito e peço para que deixem nos comentários desse post indicações de livros LGBTQ+ que não podemos deixar de ler!

Como me formei leitora?

Como me

Esse semestre, para um trabalho da faculdade, meu namorado teve de escrever um texto (de no máximo uma página!) sobre como ele se tornou leitor. Ao ler as lindas palavras que ele escreveu, fiquei pensando em como me formei leitora também…

A verdade é que eu tive a sorte de nascer numa família que sempre incentivou a leitura. Minha avó paterna morava em uma casa cheia de livros e meus tios, bem como meus pais, sempre foram bons leitores. Assim sendo, sempre que perguntam qual foi meu primeiro livro eu tenho dificuldades em responder. Realmente, eu não sei. De toda forma, quando ouço essa pergunta, sempre me vem à mente um livro que guardo até hoje, pequenino e com poucas palavras, mas com uma dedicatória de minha professora da pré-escola. Mas também tenho um com uma dedicatória da minha vó. E não sei se algum deles foi meu primeiro livro, mas acredito que não.

Minha vida foi seguindo assim: ganhando livros — alguns com dedicatórias e esses são os mais especiais para mim — lendo-os, guardando-os, por vezes relendo-os. Me tornei uma leitora voraz e, não à toa, resolvi cursar Letras. Passei a comprar livros com meu próprio dinheiro, uma delícia! Mas a carga de leitura da faculdade — e leituras obrigatórias, ou seja, não necessariamente aquilo que eu queria ler — e a falta de tempo me afastaram um pouco dos livros em meu último ano de graduação. Mas o amor sempre vence e eu voltei correndo para os livros na primeira oportunidade que tive.

Esse ano já li muitos livros, já li de tudo um pouco e espero continuar assim até o final do ano. Mas também continuarei sem saber ao certo como me formei leitora. Talvez eu já tenha nascido com essa paixão, passada de geração em geração na minha família. Felizmente.

E você, como se formou leitor(a)?

Papo sério: conversando sobre autores nacionais

Espaço reservado para texto (3)

No dia 11 de fevereiro eu participei do evento Folia Literária, que ocorreu na Biblioteca Pública Viriato Corrêa, em São Paulo (aliás, é um dos meus objetivos esse ano: participar de mais eventos literários. Mas esse não é o foco deste post).

No dia do evento eu já acordei com uma grande pulga atrás da orelha: porque nós não valorizamos muito aquilo que é nacional? Afinal, eu conheço coisas nacionais que são tão incríveis quanto as estrangeiras…

Quando eu cheguei no Folia Literária a minha pulga atrás da orelha foi crescendo cada vez mais. Naquele espaço eu fui recebida com muitos abraços, autógrafos e boas conversas. Tudo isso vindo de escritores! De pessoas que gastam horas em frente ao computador, transformando uma simples tela em branco em uma história fascinante. Mas, mais do que isso, de pessoas extremamente acessíveis que estavam dispostas a compartilhar o que sabiam com todos que estivessem dispostos a escutá-los.

Acho que todo mundo que gosta de ler viu, no ano passado, como o nosso mercado editorial não anda lá essas coisas. E quem sofre com isso? Bem, todos que trabalham nesse ramo e, principalmente eles, os escritores! Aqueles serzinhos maravilhosos que estavam ali naquele evento (e em tantos outros) tentando cativar novos leitores (e olha, eles conseguiram, viu!), tentando incentivar a leitura.

Felizmente, me parece que esses tais autores nacionais têm conseguido conquistar os leitores e eu acredito que eles podem ser uma ótima porta de entrada para que possamos ler inclusive autores brasileiros clássicos. E é justamento disso que estou falando aqui, da necessidade de valorizarmos o que é nosso, seja os autores de hoje, seja os de ontem. Mas autores que escreveram sobre nossos costumes, nossa sociedade, tanto de maneira ficcional quanto realista.

Eu saí do Folia Literária com o coração quentinho e dois livros autografados! E depois disso também estive em outros espaços que reuniram tantos outros escritores e leitores e a sensação é sempre a mesma. E é incrível.

Meu blog ainda é pequeno, mas a ambição é grande: incentivar a leitura. Espalhar esse amor pelos livros por esse Basil afora. E eu sei que não estou sozinha nessa. Para além de tantos leitores especiais que acompanham esse cantinho, esse semestre eu ainda tive a oportunidade de, mesmo sendo pequena por aqui, conseguir parceria com quatro escritores nacionais que me apresentaram histórias incríveis. Por isso, aproveito esse post para deixar registrado o meu enorme obrigada ao M. Pattal — que além de me presentear com Adelphos, ainda me deu ótimas dicas para as resenhas — à Cínthia Sampaio — que lançou Quando a neve cair com muito amor e também espalhou esse sentimento para todos os seus leitores, sendo uma autora extremamente aberta e que conversa de verdade com seus leitores; para a Michelle Pereira, que está me deixando maravilhada com suas histórias — O demônio do campanário me prendeu até a última página — e que também me recebeu de braços abertos e com muito carinho; ao Dalton Menezes, que ainda irei apresentar melhor a vocês, mas que já me cativou só pelo jeito de se fazer presente. Também queria deixar um super obrigado à Ingrid, do Encanto Literários, que tem me propiciado uma experiência de leitura única, com muitas trocas e quentinhos no coração.

E, se para além desse autores, vocês tiverem interesse em conhecer outros escritores nacionais, comenta aqui, vamos trocar ideias, vamos divulgar a literatura brasileira. Nesse blog mesmo, já tenho resenhas de muitos outros livros brasileiros, contemporâneos e clássicos.

E vocês, quais livros nacionais vocês já leram? O que acharam?