Eu sou escritora?

A verdade é que este é um assunto sobre o qual penso bastante. Muitas pessoas diriam (e dizem) que sim, sou escritora. Eu, por outro lado, tenho dificuldade em concordar com elas. Mas por quê?

Tive a sorte e o privilégio de crescer em uma família de leitores e acredito que já comentei muitas vezes sobre isso aqui no Blog. Não sei qual foi o primeiro livro que li ou que livro despertou minha paixão pela leitura, só sei que, desde que me entendo por gente, sou apaixonada pelas palavras e estou sempre lendo um livro atrás do outro.

Isso significa que, desde pequena, sou fascinada pelo universo literário. Sempre achei o máximo a capacidade de completos desconhecidos me apresentarem novos mundos e novas possibilidades. Conhecer um um autor (pessoalmente, digo) era algo bem raro e surreal para mim. Então eu sempre vi essas pessoas como seres realmente fantásticos, de outro mundo, inalcançáveis, mas capazes de fazer maravilhas com as palavras.

(Ao mesmo tempo, esse pensamento não faz sentido algum, pois tenho familiares que também publicaram livros, que trabalham com livros… Enfim, a ingenuidade faz isso conosco).

Hoje em dia (ao menos antes dessa pandemia), eu vou a eventos literários e vejo com meus próprios olhos que escritores são seres de carne e osso como eu; ou então eu troco ideias, através das redes sociais e do blog, com autores que me pedem para ler seus livros e divulgá-los. São gente como a gente. E, ainda assim, não consigo me colocar no mesmo nível que eles. Não consigo me ver como escritora.

Mas, Tati, por que você deveria se considerar uma escritora?

Caso você ainda não saiba, tenho alguns contos publicados. Mas sim, por enquanto, é “só” isso. De qualquer forma, contarei um pouco mais sobre cada um deles.

Em 2016, quando eu ainda tinha meu outro Blog (que deletei pouco tempo depois), fiquei sabendo sobre uma seleção de contos natalinos, para uma antologia da Editora Illuminare.

Naquela época, eu não sabia muito bem como funcionavam essas antologias, nem a importância que elas podem ter para autores iniciantes. Ainda assim, como o natal era uma época especial para mim, resolvi escrever sobre o tema e, sem grandes pretensões, enviei meu conto. Eu só queria poder colocar no papel como eram as minhas festas natalinas, pois sei que minha família comemorava de maneira muito especial. E ver esse edital foi o empurrãozinho que eu precisava para isso.

Acontece que… meu conto foi selecionado! Eu sequer havia comentado com pessoas próximas que tinha enviando um conto para uma seleção. E só joguei a informação “no mundo” quando meus exemplares chegaram aqui em casa, porque até então eu não poderia acreditar numa coisa dessas.

Lembro-me, inclusive, que haveria um evento de lançamento da antologia, no Rio de Janeiro, e eu e meus pais até cogitamos participar. Acabou não dando certo, mas às vezes me pergunto como teria sido isso. Talvez as coisas fossem diferentes se eu tivesse ido a esse evento…

De qualquer forma, passava a existir a minha primeira publicação de verdade: o conto “Devaneios de um caloroso natal” na antologia “Natal em verso e prosa“, da Editora Illuminare.

Depois disso, só fui mergulhar novamente neste mundo mais recentemente. Desde o final do ano passado, para ser mais exata, com um edital para uma antologia sobre romance clichê. Quer algo mais a minha cara?

Li a proposta e logo senti um comichão para colocar em palavras uma ideia que foi nascendo, aos poucos, dentro de mim. Foi assim que, em dezembro de 2019, consegui ser selecionada para a antologia “Um clichê para recordar“, da Editora Cervus, com o conto “Pegue a minha mão (e a minha vida inteira)” [alguém aí sacou a referência desse título?].

Por uma série de motivos (como atrasos na publicação, falta de informação, erros), acabei não divulgando essa antologia, que só veio a ser efetivamente publicada em outubro deste ano. Mas ela finalmente existe!

Um pouco depois de ser selecionada para a antologia da Cervus, fui convidada a organizar a antologia “Um amor para chamar de meu“, da Editora Lettre. Mas, além de organizar, eu teria de escrever um conto também… E foi aí que publiquei “A língua do amor”, um dos meus contos mais queridos (por mim, digo). O ebook desta antologia foi publicado em março de 2020 e a versão física saiu em julho deste mesmo ano.

Por fim, ainda em 2020, publiquei o conto “A vida em ondas”, na antologia de halloween da Editora Lettre. “Gostosuras ou travessuras” foi publicada em outubro e pode ser lida gratuitamente!

Sim, eu tenho quatro contos publicados e, mesmo assim, não me considero escritora. Mas não, eu não acho que quem escreve apenas contos seja menos escritor que alguém que publicou um livro solo. Apenas tenho dificuldades em me ver neste papel.

Ainda assim, agradeço aos que discordam de mim e, mais ainda, aos que me apoiam em minhas loucuras literárias. Quem sabe um dia eu mesma mude essa visão que tenho? Mas me resta uma dúvida: o que é essencial para que você considere uma pessoa uma escritora?

Quem sou eu para criticar?

Este Blog nasceu como um espaço para compartilhar resenhas e incentivar a leitura. Porém, na minha opinião, incentivar a leitura não é somente falar sobre livros, mas também encorajar os autores — principalmente os nacionais — a continuar escrevendo. Afinal, sem as histórias deles, o que leríamos?

Sabendo disso, vocês devem imaginar como é difícil escrever uma boa resenha, não é mesmo? Apresentar um livro de maneira atrativa, sem dar spoilers, destacando os pontos altos da obra e ainda dando a minha opinião. Sim, é realmente algo trabalhoso e um processo que se inicia já na leitura do livro, outra coisa que demanda certo tempo.

E o que tudo isso tem a ver com o título deste post? Bem, eu não gosto de 100% dos livros que eu leio o que, claro, é algo normal, principalmente se vocês levarem em consideração que eu leio um livro atrás do outro e não costumo ter preconceitos ao iniciar uma leitura (não sou daquelas pessoas que só lê um gênero ou que não gosta de narrativas em primeira ou terceira pessoa e assim por diante).

Mas, como alguém que tem consumido muita literatura nacional e, mais ainda, muita literatura nacional contemporânea, a cada dia eu reconheço mais e mais o peso que minhas palavras podem ter. E não, eu não me considero uma influencer de verdade, mas só da resenha chegar ao autor do livro (o que não é difícil, pois muitas vezes conseguimos até mesmo marcá-los no twitter ou no instagram), já há um peso enorme colocado sobre ela.

Ah, mas então, se você não gostou do livro, é só não falar sobre ele. Sim, essa certamente é uma opção! Cogitada inclusivo nos casos em que eu fechei parceria para ler determinado livro (nesses casos eu sinto uma cobrança ainda maior de falar sobre o livro, afinal, confiaram em mim para apresentar aquela obra a outras pessoas). Mas muitas vezes eu penso também que o que eu não gostei pode se tornar o livro preferido de outra pessoa, afinal, cada um de nós tem o seu gosto!

Porém, às vezes eu realmente me sinto numa saia justa: mesmo gostando de falar sobre livros nacionais contemporâneos, há muita coisa ruim por aí. E por ruim eu quero dizer, por exemplo, que simplesmente faltou uma revisão ou então que o desenvolvimento da história realmente deixou a desejar.

E bem, eu tenho um compromisso com as pessoas que leem este blog também, não? Afinal, se eu ficar indicando livros “ruins”, vocês deixarão de se interessar por aquilo que apresento aqui, não?

Neste ponto da discussão, portanto, levanto a bandeira da crítica construtiva, ou seja, eu posso ser sincera em minha resenha, dizer que não gostei, mas apontar exatamente o que não gostei, o que poderia mudar. E de novo, claro, entramos em um campo muito complicado. Mesmo este tipo de crítica talvez seja melhor feita em um diálogo direto com o autor do que em uma resenha, não?

Mas aí eu volto à pergunta do título: quem sou eu para criticar?

É engraçado, pois eu realmente sempre me fiz/faço essa pergunta. Mesmo hoje, tendo contato com tantos escritores, para mim estes são pessoas de outro mundo, pessoas que se dedicam, que se doam para as páginas dos livros que escrevem. E aí me vem a mente esse bendito desse questionamento.

Por outro lado, porém, vejo várias pessoas criticando (e, muitas vezes, de maneira bem rude) como se fossem especialistas em algo e, pior ainda, como se apenas a opinião delas importasse. E isso é muito triste porque, infelizmente, devido a palavras assim, desmedidas, muitos autores sentem-se totalmente desmotivados a continuar um trabalho que, por si só, é bem árduo.

Outra coisa que muito me encuca: vejo uma crítica sendo mal recebida. Paro para ler a crítica e ela é: não gostei, faltou aprofundamento. Ora essa, faltou aprofundamento na própria crítica, não? O que significa “faltou aprofundamento”?

Mas aí você, leitor mais atento, me pergunta: Tati, na sua aba “serviços” está escrito que você faz “leitura crítica”. Como fica isso, se você está dizendo que não se consdidera uma pessoa à altura de criticar algo? Bom, vamos por partes!

Eu acho que críticas precisam ser feitas com cuidado, com uma escolha adequada de palavras e, claro, com profissionalismo. Se você não tem o que criticar, melhor ficar quieto, não? “Não gostei” não é uma crítica e nem um elogio: é a sua opinião.

Em segundo lugar, quando eu digo que ofereço um serviço de leitura crítica, estou falando de algo feito diretamente com o autor e, muitas vezes, antes de determinado texto ser publicado. Significa que eu leio algo e digo se há alguma parte que eu vejo potencial para desenvolver mais, se há coisas que estão se repetindo desnecessariamente e até mesmo se, dentro dos meus conhecimentos, há algo que possa vir a ser ofensivo para algum tipo de leitor.

E claro, eu só me sinto confortável para oferecer um serviço desses porque tenho formação na área de Letras e pela bagagem que essa paixão me permitiu acumular. Leio desde cedo e busquei uma formação que me pudesse trazer novas ferramentas de análise para minhas leituras.

Além disso, uma leitura crítica é bem diferente de uma resenha, que é um texto que está, na maioria das vezes, público. E se você quer fazer uma resenha apontando todos os defeitos de determinado texto, faça, mas saiba que você estará mexendo com os sentimentos de outra pessoa, então pense muito bem nas consequências que o seu texto pode trazer e esteja disposto(a) a conversar.

Coincidentemente ou não, quando toda essa reflexão começou a surgir em mim (e isso já faz um certo tempo), uma autora entrou em contato comigo, pedindo uma leitura crítica de um conto. Aquele foi o primeiro conta de vários outros que ela me mandou depois. Mas o retorno que tive dessa autora, com relação àquele trabalho foi: “adorei o feedback e as pontuações construtivas, irei levar todas em consideração”. Simples. É possível mostrar o que falhou (assim como também é muito bacana mostrar aquilo que ficou super bem feito) sem atacar o escritor e de forma que ele(a) também não se sinta atacado(a).

E, só para concluir, um fato curioso (e até uma dúvida que gostaria de tirar com vocês): semana passada eu fiz uma resenha de um livro que, para ser sincera, não gostei muito. Mas tentei ser sutil em minha crítica e focar mais em apresentar a história. Uma moça veio comentar comigo, depois, que ficou interessada no livro! E vocês, ao lerem a resenha, o que sentiram?

A Lettre faz 1 ano!

Essa semana dei uma leve sumida daqui, pois acabei me atrapalhando com as minhas coisas e ficando sem tempo para nada. Mas hoje é uma data muito especial e, para que a semana não passe em branco, resolvi contar uma história para vocês.

Em 2019, eu decidi me aventurar em algo novo para mim: leituras beta. Pensei que, com minha formação, poderia contribuir de mais uma maneira com a literatura brasileira. E tive a sorte de logo conseguir me inscrever para a seleção de uma escritora e, melhor ainda, ser selecionada!

Naquele momento, mesmo sem saber, eu estava dando alguns passos bem importantes para mim. Primeiro que, a partir dessa primeira experiência, resolvi me afirmar mais como revisora e leitora crítica e realmente faço alguns trabalhos nesses campos. Mas o maior passo que aquela primeira leitura beta me deu eu sequer imaginava que viria a acontecer.

Em 2019 eu conheci a escritora Ingrid Sousa. Meu primeiro contato foi com seu livro, uma fantasia que mistura elementos mitológicos e uma garota que se considerava normal até descobrir que possuía certos poderes. Ao longo da leitura, porém, fui ganhando uma amiga. E não falo de Amália, personagem de O despertar da profecia, mas da própria Ingrid.

Depois que o livro foi concluído — porque sim, a leitura beta foi feita durante a construção do mesmo — a Ingrid começou a procurar editoras para publicá-lo e chegou a conseguir mais de um orçamento. O sonho, porém, acabou indo por água abaixo, pois a editora com a qual ela assinou, acabou nada fazendo com a obra.

Mas se tem uma característica da Ingrid que é evidente para qualquer um que se aproxime dela é a persistência. E foi assim que ela decidiu abrir a sua própria editora, para realizar não apenas o seu sonho, mas o de tantos outros autores nacionais.

Em 17 de setembro de 2019 nasceu a Editora Lettre. E eu, timidamente, fui entrando aos poucos nesse sonho da Ingrid e agora estou aqui, contando para vocês que sou uma das pessoas que faz parte da família Lettre.

Sim, vocês já viram muito esse nome por aqui, seja nas resenhas, seja em qualquer um dos posts sobre a antologia “Um amor para chamar de meu“, que tive o prazer de ser a organizadora. Mas vocês talvez não saibam que hoje eu realmente ajudo no que posso para ver essa Editora crescer mais e mais.

É engraçado que, para mim, tudo começou um pouco na brincadeira, com um simples “se precisar de alguém para revisar os livros, estou aqui”. E assim a Ingrid me abriu esse espaço. Depois, porém, ela foi me abrindo mais e mais portas e hoje eu levo tudo isso tão a sério quanto ela.

Em 2019, a Ingrid me deu um espaço para chamar de meu dentro de uma Editora. Deu-me a alegria de poder ver novos autores realizando seus sonhos e, mais que isso, o privilégio de poder lê-los antes de todo mundo!

Nesse um ano de vida, a Editora Lettre já publicou os seguintes títulos:

Ainda teremos alguns lançamentos este ano e edição especial de um dos títulos acima! E a agenda de 2021 também já está praticamente fechada. Tem muita coisa boa vindo por aí.

E claro que a Lettre precisava ter algo de especial (como se tudo o que eu disse já não fosse o suficiente!): estão sendo propostas algumas antologias 100% gratuitas, em formato digital. A ideia é que os escritores encontrem um espaço para divulgar seu trabalho, ao mesmo tempo que a editora contribuiu com o incentivo à leitura de maneira democrática. A primeira antologia desse tipo está prevista para outubro deste ano!

E por falar em antologias, também tem dois editais abertos (e eu estou na organização de um deles!) e um terceiro para abrir:

Não deixem de conhecer o trabalho da Editora Lettre. Este foi apenas o primeiro ano, de muitos que virão. E novamente eu afirmo: é uma alegria fazer parte de tudo isso!

Sobre meu conto “A língua do amor”

Sobre meu conto _A língua do amor_

Quem me acompanha para aqui já deve estar cansado de saber que eu ajudei a organizar uma antologia, publicada esse ano, pela Editora Lettre. Além de fazer parte da organização, eu também escrevi um conto para compor a mesma, intitulado “A língua do amor”.

Mesmo tendo outros contos escritos (e mais um publicado), não me considero uma escritora. Não sei, me parece surreal dizer que eu faço parte desse mundo tão mágico e, ao mesmo tempo, tão árduo. Mas tenho recebidos feedbacks incríveis sobre meu conto e, confesso, a cada vez que vejo um elogio ou alguém dizendo que ele foi o preferido dentre todos, meu coração se enche de alegria. Depois de ver uma leitora dizendo que meu conto deveria virar livro (!!!), coisa que nunca pensei, quis vim contar um pouco mais sobre ele para vocês.

“A língua do amor” é narrado por uma menina espoleta e curiosa que adora brincar com seus vizinhos no playground do prédio em que mora. Ela fica intrigada, porém, quando chega um novo vizinho, que nunca desce para brincar com eles, ainda que fique espiando-os pela janela, enquanto eles gritam para que o menino se junte a eles.

Conversando com sua mãe, a narradora faz uma descoberta sobre Daniel — o tal vizinho que nunca desce para brincar com eles — que muda a sua vida e talvez a de muitas outras crianças da escola que ela estuda. Daniel é um garoto surdo e, por meio dele, tentei inserir um pouco desse universo na história, falando brevemente sobre a Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Comecei a aprender Libras em 2018. Desde então venho aprendendo muito mais que uma simples língua, mas também toda uma nova forma de enxergar o mundo. E isso certamente é uma tarefa que demanda muito tempo e que ainda me acompanhará por anos e anos.

Quando eu escrevi o conto eu o via assim, do jeitinho que ele foi publicado. Logo mudei de ideia, porém, quando uma amiga me questionou sobre o final. De início, não pensei outra maneira, mas refleti um pouco e existiam modos de fazê-lo diferente. Mas quando eu vi  sugestão de transformar o conto em livro meu primeiro impulso foi rir. Impossível, não há mais nada a contar! Mas há, sempre há. E aí, claro, várias ideias começaram a pipocar na minha mente. Será que um dia “A língua do amor” vira livro?

Tirando sonhos do papel (e o Blog faz 2 anos)

2 anos

Hoje é o aniversário de dois aninhos deste Blog! Acho que me preparei mais para esse dia do que para meu próprio aniversário. Para quem não sabe o Blog tem um perfil no instagram e, por lá, rolou um sorteio de aniversário! (se você perdeu essa, não fique triste, comece a seguir agora que em breve eu farei novos sorteios).

E para o dia de hoje, aqui no Blog, eu pensei em tanta coisa… Eu cuido desse espaço com muito carinho e, como sempre digo, o objetivo dele é, acima de tudo, incentivar a leitura, divulgar livros e poder escrever sobre aquilo que eu leio. Claro que eu também escrevo sobre músicas, hambúrguer e mestrado, mas porque essas também são coisas que me movem tanto quanto a literatura.

Eu pensei em escrever, hoje, sobre o Blog em si, sobre as coisas boas que ele me trouxe e me traz, sobre as conquistas. Mas recentemente já falei um pouco sobre tudo isso na Retrospectiva 2019, então optei por vir aqui contar uma história e fazer um pedido de vocês. E considerem esse pedido um presente de aniversário (para mim e para o Blog, já que nós dois completamos anos no mesmo mês!)

Ano passado eu conheci, dentre tantos outros maravilhosos, a escritora Ingrid Sousa, de quem tive a sorte de virar leitora beta e, por ainda mais sorte, amiga. Alguns meses depois, ela fundou a Editora Lettre, parceira aqui do Blog. Mas, para além de nossa parceria, a Ingrid me deu uma oportunidade e tanto: a de ser uma das revisoras dos livros da Editora! Que alegria poder trabalhar com isso. E mais: agora também estou participando da organização de uma Antologia de Romance (que ainda está com o edital aberto, não deixe de conferir!).

A Lettre ainda é uma editora pequena, vivendo de erros e acertos e, acima de tudo, da boa vontade de nossa pequena equipe. Temos batalhado bastante para conseguirmos algum retorno.

E é aqui que entram vocês, queridos leitores deste Blog!

A Lettre já possui duas antologias publicadas, apenas em formato ebook: Surpresas de Natal e O outro lado do sobrenatural. Esta segunda antologia, porém, pode se tornar física, e isso só depende da colaboração dos leitores. Como? Continue lendo aqui que eu vou explicar tudinho.

No dia 05/02/2020 a Lettre lançou uma campanha no Catarse — que é um site para financiamentos coletivos — para a Antologia “O Outro lado do sobrenatural”. Para contribuir você só precisa clicar aqui e ver que tipo de contribuição se adequa melhor ao seu bolso. A ajuda pode ser de um mínimo de R$10,00 (você receberá o ebook da antologia e algum outro ebook da editora), chegando até a R$ 85,00 (neste caso você recebe 2 exemplares físicos do livro, 1 ebook, 5 marcadores de páginas, 2 certificados, 4 chaveiros e 2 ímãs).

A campanha lançada pela editora é do tipo “tudo ou nada”. Isso significa que até dia 05/04/2020 nós precisamos ao menos atingir a meta (ou seja, arrecadar pelo menos R$3.200,00), caso contrário, o dinheiro de cada um será devolvido e não haverá livros físicos nem brindes.

É possível conhecer melhor cada um dos pacotes (e seus preços) clicando no link que eu disponibilizei ali em cima. As formas de pagamento são cartão de crédito ou boleto bancário e esse dinheiro fica com o Catarse até o final da campanha, sendo liberado para a Editora ou devolvido aos contribuintes. E se você não puder contribuir financeiramente, ao menos nos ajude a divulgar ao máximo essa campanha! Toda ajuda é mais que bem-vinda!

E então, está esperando o que para conhecer o “Outro lado do sobrenatural” e ajudar alguns autores a realizarem seu sonho de ver um texto seu em um livro físico?

Retrospectiva 2019

Retrospectiva 2019

Como eu disse no Resumão de dezembro, sobrevivemos a 2019, agora definitivamente. Mas entre altos e baixo, alegrias e tristezas, não posso deixar de dizer que, por aqui, foi um ano bom. E em relação às leituras também.

Comecei o ano sem grandes pretensões, ainda que eu quisesse que o Blog pudesse sempre crescer mais e mais. E aí, mais para o final do ano, passei a me perguntar algumas coisas, vendo as estatísticas deste cantinho: será que eu conseguiria chegar em 200 seguidores aqui na plataforma, até dezembro? E em visitas, conseguiria atingir 10.000 durante o ano? Para minha surpresa, antes mesmo de dezembro começar, essas duas marcas foram atingidas e superadas (no final das contas, chegamos a mais de 215 seguidores e mais de 11.000 visitas). Que alegria!

Claro, são apenas números. Mas números que demonstram um imenso crescimento do Blog, principalmente em relação ao primeiro ano de vida dele. São números que me incentivam a seguir em frente e a tentar trazer cada vez mais um conteúdo de qualidade.

E, como o foco daqui são os livros, para trazer conteúdos eu preciso… Ler! E ler muito! E nesse quesito, 2019 foi, novamente, um ano de superação: o ano que mais li na vida! Foram 57 livros (publicados) ou, mais exatamente, 15 contos e 42 livros lidos.

Como de costume, não vou estabelecer metas para 2020. Espero, somente, poder continuar as incríveis trocas que o Blog me propicia e também espero poder crescer profissionalmente trabalhando com o que gosto: livros e língua e cultura italiana. E claro, não quero deixar de ir a eventos literários, que foram ótimos em 2019!

Aproveito essa retrospectiva para deixar um enorme obrigada aos paceiros e amigos que este Blog me deu. Em 2019 conheci muitos escritores incríveis e blogueiros maravilhosos e espero que 2020 continue assim!

 

Divagações: falando sobre números

Divagações_ conversando sobre números

Ando pensando em números e quem me conhece sabe o quanto isso pode ser estranho: veja bem, resolvi cursar Letras — dentre outros motivos, claro — para tentar fugir dos temidos números e agora estou aqui, mais presa que nunca a essa assunto.

Sim, números são importantes e eu não poderia viver totalmente sem eles, mas o problema é quando eles se tornam uma obsessão. E às vezes é assim que os vejo, não só de minha parte, mas na sociedade em geral.

O Instagram foi uma rede social que ajudou a fomentar esse debate sobre números, tanto é que, agora, não podemos mais ver quantas curtidas tem nas fotos dos outros. Mas ainda podemos acompanhar de pertinho o número de seguidores de cada um…

Sempre que me inscrevo para parcerias — com escritores ou editoras — também me pego pensando sobre essa importância que damos aos números, uma vez que sempre acabam pedindo algum tipo de estatística, seja número de seguidores, curtidas ou visualizações.

O problema é que isso vai se tornando um (péssimo) hábito. Eu perco as contas (olha os números aí, minha gente!) de quantas vezes clico nas estatísticas do Blog (diariamente) para ver como anda o movimento, e ainda compará-lo com o dia anterior, com a semana anterior e com o mês anterior. Também me pego vendo quantos seguidores tenho no Instagram, quanto livros eu já li e como está minha colocação na meta de leitura do Skoob. E, aos poucos, essa vício nos números vai se tornando doentio.

Isso sem contar o fato de que me preocupo com quantos passos dei no dia (e na semana e no mês) — já que meu celular faz o favor de contar por mim — com quantas horas durmo, com quantas garrafas de água bebi, com cada centavo que tenho em minhas conta bancárias. E, claro, ainda tinha de estar em um emprego onde quantidade é algo que importa muito.

Nada contra números, mas tudo contra esses hábitos insanos que tenho criado e cultivado. Vale mais fazer as coisas com qualidade do que em grandes quantidades. Mas, ainda que saber disso já seja um bom passo, sei que ainda tenho muito a melhorar (aceito dicas) e que, sem dúvidas, desacelerar é preciso.

Precisamos conversar sobre a Bienal

Precisamos conversar sobre a Bienal

Resolvi adiar todos os posts do Blog pelo “simples” fato de que precisamos conversar sobre o que aconteceu na 19º Bienal do Livro carioca, na última sexta-feira (acontecimento que teve seus desdobramentos sábado e domingo também, últimos dias do evento).

Caso você, leitor deste Blog, viva numa bolha maior que a minha (porque olha, nunca vi pessoa tão desinformada quanto eu!) e não saiba do que estou falando, explico: na sexta-feira (06/09) foi divulgado que na quinta-feira (05/09) o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, havia determinado que “Vingadores, a cruzada das crianças” fosse recolhido por conter a imagem de um beijo entre dois homens (imagem essa que eu talvez nunca tivesse visto se não fosse essa idea babaca, que teve como resultado a veiculação de tal imagem em diversas mídias). No mesmo dia, “fiscais da prefeitura” também foram à Bienal para identificar e lacrar livros “impróprios” (leia-se: livros LGBTQ+). Obviamente houve muita reação a esses absurdos e vale à pena dar uma pesquisada!

Diante de tudo isso eu não poderia ficar calada. Eu precisava ao menos vir desabafar (depois de baixar milhares de ebooks LGBTQ+). Meu último post aqui foi com  indicações de livros que falam sobre suicídio. E nesse post eu comentei que fiz isso porque sei o quanto livros são importantes, o quanto eles podem nos ajudar.

Ora essa, a mesma lógica serve para os livros LGBTQ+! Quantas pessoas que fogem do padrão imposto por uma sociedade retrógrada já não encontraram nos livros um refúgio, uma força pra seguir em frente, um consolo? E quantas pessoas que se encaixam no padrão imposto por uma sociedade retrógrada não puderam aprender com livros desse tipo, passando a respeitar e a ter empatia com os outros?

Vamos dizer que eu faço parte desse segundo grupo (pessoas que se encaixam no padrão imposto por uma sociedade retrógrada). E vamos dizer que eu confesso que, apesar da vontade, ainda não li muitos livros LGBTQ+. Garanto a vocês que um dos livros que mais me marcou na vida foi Menino de Ouro, que fala sobre intersexualidade, um assunto que até então eu praticamente desconhecia. E, além disso, a forma como a história é construída, nos faz pensar muito sobre questões de gênero e identidade. Outra leitura que mexeu muito comigo foi Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo.  Fico pensando quanto mais não posso aprender com outros livros LGBTQ+ que estão na minha lista de desejados (como Um milhão de finais felizes e Conectadas) e com aqueles que não estavam, mas que já adquiri (como No meu lugar e Querido ex,)?

Todo tipo de leitura/literatura é válida e só resta a nós, leitores, apoiarmos nossos escritores (nacionais e internacionais) e contribuir para que a literatura não sucumba à censura.

Aproveito e peço para que deixem nos comentários desse post indicações de livros LGBTQ+ que não podemos deixar de ler!

Um reconhecimento ao trabalho sério

Edição que veio com erro

Talvez você tenha estranhado o título desse post, mas ele é o exato resumo do que eu vim fazer aqui. Só que, antes de mais nada, preciso contar uma historinha para vocês. Vamos nessa?

No último natal eu ganhei um livro que queria muito ler. Bem, na verdade eu ganhei vários livros no final do ano passado, então esse livro em questão eu só peguei para ler em fevereiro desse ano. O livro era o “A redoma de vidro”, escrito por Sylvia Plath. A edição era da Biblioteca Azul, selo pertencente à Globo Livros. Pois bem, eu estava lendo tranquilamente o livro quando, de repente, ele pulou da página 32 para a página 65. Fiquei muito surpresa (e triste) na hora. Ainda fui olhar o restante do livro e, da página 65 ele seguia normalmente até a página 96 e voltava para uma página 65 para então ir normal até o final. Nada das páginas que deveriam existir entre a 32 e a 65.

Minha primeira medida foi enviar um email através do fale conosco da editora. No site, encontrei apenas um fale conosco geral, nada específico para o selo Biblioteca Azul. Esperei alguns dias e nada de retorno. Acabei fazendo alguns stories pelo Instagram do blog, mas sem retorno também. Depois de algum tempo, enviei um novo email pelo fale conosco da editora. Em seguida, resolvi tentar outros canais de contato da editora — já que obviamente eles devem receber milhares de emails diariamente e o meu provavelmente passaria desapercebido novamente —, enviando mensagem pelo twitter e pelo Facebook. E funcionou! Responderam minha mensagem no Facebook.

Mas… (toda história tem seu mas).

A pessoa que me respondeu disse que o livro estava esgotado na editora. Que azar!

Mas… (muitas histórias também têm o mas do final feliz).

A Globo Livros estava fazendo uma nova edição do livro e eu só precisava passar meu endereço para que eles enviassem um exemplar para mim quando ficasse pronto! Eu, já meio descrente da situação toda, passei meu endereço. Só que o livro ainda não estava pronto, aquele era um dos milhares canais de comunicação da Editora e eu era só mais um ser humano reclamando de algo na vida. De qualquer forma pensei em ficar de olho, quando soubesse do lançamento do livro, eu poderia entrar em contato de novo.

Algum tempo depois, vi que a editora anunciou a nova edição de “A redoma de vidro” e pensei “opa, o lançamento deve estar perto, preciso ficar de olho”. Não precisei. Sem que eu esperasse, o livro chegou em minha casa. Lindo, novinho e… COMPLETO!

E por que eu resolvi vir aqui contar tudo isso? Porque eu senti a necessidade de compartilhar essa história com vocês e agradecer à Globo Livros pelo atendimento. Em tempos de tanta reclamação, tanta crítica e tanta crise, é importante darmos valor a um trabalho bem feito, a um cuidado com os leitores. E que, ao invés de apontarmos apenas os erros, possamos aplaudir os acertos também.

Eu já li muitos outros livros dessa editora (aqui no blog mesmo tem resenha de um monte deles), publicados pelos mais variados selos dela e, por isso, fiquei surpresa com o erro de impressão do meu exemplar de “A redoma de vidro”. Porém a editora não me deixou na mão e eu só tenho a agradecer pelo excelente trabalho que eles realizam.

1 ano de Blog das Tatianices

1 ano de blog das tatianices

Há exatamente um ano eu decidi publicar meu primeiro post deste blog. Após ler A arte de ler e me sentir inspirada pelo livro e por meu namorado, resolvi voltar a ter um blog. Quem tem um blog sabe que nem sempre é fácil: é preciso ter comprometimento e tempo para trazer bons conteúdos aos nossos leitores. Eu já tive um blog antes desse, mas acabei desistindo dele no meu último ano de faculdade e há um ano comecei tudo do zero novamente.

Mas ali em cima eu falei dos leitores e são vocês que eu quero agradecer hoje. Se este blog, depois de um ano, continua firme e forte aqui é porque cada curtida, cada comentário, cada visita de vocês me lembra que eu não estou sozinha por aqui. E foi por isso que eu resolvi comemorar esse momento realizando o sorteio do livro O paraíso são os outros.

O vencedor do sorteio foi Lillian Ng e já entrei em contato por email, para que a pessoa possa receber o prêmio. Aos que participaram e não ganharam, continuem nos acompanhando aqui e no instagram, pois ainda teremos muitos outros sorteios e conteúdos.

Neste um ano de blog tivemos 96 posts, 347 comentários, 1063 curtidas e 43.658 palavras escritas aqui. E nada disso poderia ser real sem vocês. Obrigada!

E você quer saber como o sorteio foi realizado?

Primeiro criei um formulário no Google Forms e disponibilizei aqui no blog. Ele ficou disponível por cerca de 10 dias. Hoje, eu gerei uma planilha com as respostas (no google é super fácil, basta apertar um botãozinho e a planilha está pronta!) e usei o Sorteador para realizar o sorteio do número. Como nesse sorteio não havia regrinhas a serem seguidas, o primeiro número foi o vencedor. Super fácil e bacana!

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