Não é (só) sobre política

Acho que só existe uma verdade universal nesta vida: a de que não existem verdades universais.

Ok, isso parece ser bem contraditório, mas combina bem com o que quero falar aqui. O assunto do post de hoje é sério (e longo) e quis começar de maneira um pouco descontraída, mas já que você chegou até aqui, que tal ficar mais um pouco e ler até o fim?

Se não existem verdades universais, também não podemos achar que o que é bom para um é, sem sombra de dúvidas, bom para todo mundo (até porque “todo mundo é muita gente”). Assim sendo, eu não pretendo, aqui, dizer que este é melhor que aquele, mas apenas te ajudar (e me ajudar também) na reflexão.

O primeiro turno das eleições de 2022 está à nossa porta. Chamamos estas de eleições presidenciais, mas não é apenas para este cargo que votaremos. E esse é um dos pontos principais daquilo que quero falar aqui.

Antes, porém, quero te contar uma coisa: eu não gostava nem um pouco de política. Não que hoje eu ame, mas entendo melhor o seu papel (e o meu no meio disso tudo). E eu não gostava justamente por isso: eu não entendia nada de nada!

Só ouvia falar de escândalos, de corrupção e, por outro lado, de gente passando necessidade, de escolas sucateadas, de problemas na saúde. A conta não fechava e eu achava que não tinha como melhorar, que o Brasil já não tinha jeito, então eu não “perdia meu tempo” indo atrás. Até porque eu “era uma só”, que diferença poderia fazer?

Bom, eu ainda sou uma só, mas hoje eu entendo que é de um em um que a gente faz mil, dez mil, infinitos.

Tirei meu título de eleitor com 16 anos, não por querer, mas por sugestão dos meus pais, que disseram que tirando com essa idade, eu tinha menos chance de ser chamada para ser mesária. Ao menos funcionou! Mas nas primeiras vezes em que fui votar, eu mal sabia o que estava indo fazer.

Em 2018, porém, as coisas foram diferentes. Ainda perdida entre tantas informações, eu tentei buscar entender um pouco melhor as coisas.

Isso, contudo, é um processo. São muitas informações, vindas de tudo quanto é lado. Algumas verdadeiras, outras falsas. É preciso aprender a separar o joio do trigo e, sendo sincera, isso cansa. Mas (apesar de tudo) sou brasileira e não desisto nunca!

Como eu disse lá no início, não estou aqui para falar sobre candidatos — nem mesmo sobre partidos —, não apenas por entender que cada um deve buscar aquilo que é melhor para si (ainda que não possamos desconsiderar os direitos humanos e outros direitos essenciais), mas porque eu sequer escolhi os meus. E não é por falta de opção, mas porque me falta uma coisa essencial: a pesquisa.

Contudo, não vou fazer como anos atrás. Até domingo eu tenho apenas uma lição de casa: ler, pesquisar, entender. E só então escolher. E pode ter certeza, eu farei isso.

A verdade, porém, é que esse post já é o pontapé da minha pesquisa. Porque, como eu também disse ali no começo, a gente chama essas eleições de “eleições presidenciais”, mas há outros cargos em jogo. E eles são de extrema importância. Será que sabemos realmente disso?

Vou ser bem sincera: eu não sei tão claramente não! E, justamente por isso, resolvi escrever sobre as obrigações de cada um dos cargos para os quais votaremos esse ano, para então, durante a minha tarefa de casa, poder analisar o que eu espero de cada um e quem representa melhor aquilo que eu busco (e o mais legal é que, enquanto esse Blog existir, este post estará aqui e eu poderei voltar a ele sempre que precisar).

Vou escrever aqui na ordem em que teremos de votar no domingo, combinado?

O que faz um Deputado Federal?

Os Deputados Federais trabalham (ou deveriam trabalhar) lá na Câmara dos Deputados, em Brasília. Digamos que eles são quase tão centrais quanto o próprio Presidente no cenário político.

A função deles é legislar (ou seja, criar leis) e fiscalizar (ou seja, ver se as leis estão sendo cumpridas). Basicamente, colocar o país para funcionar e garantir que ele funcione seguindo as regras. Bem importante, não?

E você sabia que nós temos 513 deputados? É bastante gente! Mas de que adiantaria se esses 513 deputados pensassem da mesma forma e, pior ainda, pensassem apenas em si e esquecessem de todo o resto da população, principalmente daquela (grande) parcela que mais precisa deles?

Por isso, é muito importante que você avalie quais são os seus ideias inegociáveis, ou seja, aquilo que, para você, é essencial para que o país cresça de maneira saudável e próspera. Pode ser saúde, educação, meio ambiente, tecnologia. Com esses itens em mente, busque por candidatos que apresentem propostas relacionadas a eles.

Outra forma bem interessante para encontrar o seu candidato ideal é ver quem são os deputados atuais e o que eles realmente fizeram nos últimos quatro anos. Pode ser um bom começo para acrescentar algumas opções à lista, ou, principalmente, para saber de quem você quer passar longe. Além disso, você aproveita para se interar do que anda acontecendo na Câmara.

Onde você pode encontrar informações confiáveis? No site da própria Câmara dos Deputados, claro!

Vale lembrar que os Deputados Federais possuem 4 dígitos (os dois primeiros representam o partido e os dois últimos o candidato).

O que faz um Deputado Estadual?

Em menor âmbito (isto é, pensando no seu Estado), o Deputado Estadual tem as mesma funções do Deputado Federal, elaborando e aprovando leis que estiverem relacionadas a temas pertinentes à esfera estadual. Eles também são responsáveis por fiscalizar as contas do Estado. Ou seja: se você é contra a corrupção, precisa procurar por candidatos honestos (eles hão de existir).

Novamente, portanto, vale pensar no que você acha que seu Estado pode melhorar, para então buscar candidatos que tenham propostas relacionadas a este ponto.

Os Deputados Estaduais trabalham na Assembleia Legislativa (cada Estado tem a sua) e o site delas também é uma excelente fonte para verificar o trabalho daqueles que estiveram ali nos últimos quatro anos (e não só). Se quiser ter uma ideia, este é o site da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Para votar no Deputado Estadual você precisará de 5 dígitos (novamente os dois primeiros são do partido e os três últimos do candidato).

O sistema proporcional

Antes de continuar falando sobre as funções de cada cargo, um grande parênteses necessário: Deputados (federais e estaduais) são eleitos pelo sistema proporcional. E isso é bem complexo, mas é bom termos uma ideia de como ele funciona, porque também pode influenciar o nosso voto.

De maneira extremamente reduzida e simplista, o sistema proporcional é um sistema no qual os partidos e coligações recebem vagas (na Câmara ou na Assembleia) em quantidade proporcional às suas votações. Ou seja, um candidato não depende apenas de si mesmo parra ser eleito, mas também com os votos que o partido recebe.

Isso significa que, ao votar em um candidato, você pode ajudar outro candidato do mesmo partido a ser eleito. Por isso, neste caso, analisar o partido, e não apenas os candidatos de maneira individual, pode ser importante.

Como eu disse, é um sistema complexo e entendê-lo mais a fundo nos permite, também, buscar algumas estratégias, visando contribuir para uma Câmara (ou uma Assembleia) mais representativa.

O que faz um Senador?

Preciso começar esta parte com uma informação que sempre me esqueço: Senadores não são eleitos por quatro anos, mas por OITO. Ou seja, vamos escolher bem, né?

A cada quatro anos votamos em Senadores porque, mesmo o mandato sendo de oito anos, a renovação acontece a cada quatro anos, na proporção de 2/3 e 1/3. Isso significa que este ano votaremos em apenas um Senador e, nas próximas eleições, em dois.

O Senado, com a Câmara dos Deputados, compõe o Congresso Nacional (sim, aquele de Brasília). Mas enquanto a Câmara representa o povo, o Senado representa os Estados.

Na hora de escolher o seu Senador, há uma coisa que você também precisa levar em consideração: os suplentes (ou os “substitutos” daquele Senador). Cada Senador é eleito com 2 suplentes na chapa.

Uma importante função do Senado é a de julgar crimes de responsabilidade. Por isso é importante que a constituição do Senado também seja diversificada, contando com representantes de diversas frentes e partidos, garantindo que não sejam defendidos os interesses de apenas uma parcela da população e dos políticos.

O Senado ainda aprova (ou não) os nomes indicados ao STF, o Procurador-Geral da República e os Presidentes e Diretores do Banco Central. Nomes que influenciam enormemente a gestão de recursos nacionais e a fiscalização do andamento das leis que nos regem.

Claro que o Senado também tem o seu site, no qual é possível verificar o que anda acontecendo por lá e o que podemos esperar dos próximos Senadores eleitos.

O número dos Senadores possui somente três dígitos (os dois primeiros são o do partido).

O que faz um Governador?

O Brasil é um país imenso e os cargos apresentados até aqui podem parecer distantes demais da nossa realidade.

Dá um sentimento de impotência perceber que há tanto poder nas mãos de pessoas que nem sempre estão realmente preocupadas com a população, mas apenas com a possibilidade de tirar vantagem de tudo. Por isso é importante escolher com consciência e de acordo com os seus ideias.

Mas se pensar no Brasil como um todo pode parecer uma missão impossível, que tal começar prestando mais atenção no seu Estado? Este ano, além dos Deputados Estaduais, também iremos escolher novos Governadores, ou seja, as pessoas responsáveis por administrar e representar o Estado em ações jurídicas, políticas e administrativas. Além disso, uma das principais responsabilidades do Governador é a segurança pública, assunto tão em alta em nosso país.

O Governador também controla as finanças do Estado e é responsável por buscar mais verba no Governo Federal para os investimentos necessários na infraestrutura do Estado (como saúde e educação).

Como sempre, vale dar uma olhada no site do Governo do seu Estado (aqui está o de São Paulo) e, claro, nas propostas de cada candidato, dando maior atenção aos pontos que você considera essenciais.

Para votar em um Governador você precisa de apenas dois dígitos. Ah, é bem importante também analisar não apenas o candidato em si, mas o seu vice! Os dois são eleitos juntos e é bem comum que, em algum momento, o vice assuma o cargo.

O que faz o Presidente da República?

E finalmente chegamos nele, o cargo de maior destaque (mas, como espero que tenha ficado claro, não necessariamente o único de real importância nestas eleições).

Dentre as funções do Presidente, temos: gerir a administração federal; criar e executar políticas públicas e programas governamentais; sugerir, vetar ou sancionar leis; escolher ministros; receber autoridades estrangeiras; representar o país no exterior.

São muitas atividades, é verdade, mas é preciso lembrar que nada disso é feito de maneira solitária. Então, sim, o Presidente deve ser bem escolhido porque ele é o retrato da nossa sociedade, mas ele precisa de toda uma equipe que também seja o retrato da nossa sociedade.

O ideal, portanto, é que, para que você possa realmente escolher aquele candidato que te representa, você leia a proposta de governo de cada um. Este é um documento disponível no site do próprio Tribunal Superior Eleitoral e você pode consultá-los clicando no nome de cada candidato aqui.

Para acompanhar de perto os trabalhos do Presidente da República e os rumos do nosso país, o site essencial é esse aqui.

Uma vez mais, também é muito importante olhar não apenas para o candidato em si, mas também para seu vice. E, nas urnas, você precisará de dois dígitos para votar no candidato escolhido.

Cola eleitoral

Como mostrado ao longo deste post, este ano precisaremos votar para cinco cargo diferentes.

É importante lembrar que na cabine eleitoral não é permitido o uso de celular, então o ideal é pegar o bom e velho papel para fazer a sua colinha eleitoral. Melhor ainda se ela já estiver na ordem certa, porque aí é só digitar, conferir e confirmar.

Então, depois de analisar propostas e escolher (com sabedoria) os seus candidatos, anota aí:

  • Deputado Federal: XXXX (4 dígitos)
  • Deputado Estadual: XXXXX (5 dígitos)
  • Senador: XXX (3 dígitos)
  • Governador: XX (2 dígitos)
  • Presidente: XX (2 dígitos)

Conclusão

Peço desculpas por esse post imenso, mas eu realmente precisava fazer isso, até para ter mais claro o que eu, como cidadã, tenho de fazer nesta (e nas próximas) eleição.

Com certeza faltou muita informação aqui, mas o nosso sistema político é realmente muito complexo e, faltando tão pouco tempo, não seria possível destrinchar todo o necessário.

A verdade é que deveríamos aprender isso aos poucos, na escola, mas a que político interessa que possamos votar com sabedoria, não é mesmo?

E se me permite um pedido (para além do pedido de desculpas), vote com consciência. Vá as urnas sabendo o que está fazendo e, mais ainda, sabendo que está escolhendo por você, de acordo com o que há de verdade em seu coração. Não acredito que o Brasil seja um país de ódio e preconceito, mesmo depois de ter visto de tudo um pouco nos últimos tempos.

Lembre-se que o voto é secreto e que você não deve satisfação para ninguém sobre as suas escolhas, então não aceite coerções e vote de consciência limpa.

No dia das eleições, você não tem obrigação alguma de vestir qualquer coisa que indique o seu voto e se alguém te perguntar, você também não tem obrigação de responder.

Por mais clichê que seja, a mudança começa com cada um de nós. E a política não acaba nas urnas, mas também no acompanhamento daquilo que vem sendo feito e na nossa manifestação de (in)satisfação com os rumos das coisas.

Por isso, também deixo aqui um convite que fiz, em meu Facebook, lá em 2018: ao longo dos próximos quatro anos (e dos subsequentes), independentemente de quem estiver no poder, procure acompanhar os sites que eu trouxe ao longo deste post (ou aqueles dos governos de seu Estado) e não se cale diante daquilo que não está de acordo com o prometido durante as campanhas eleitorais ou que não está de acordo com os nossos direitos.

A vida fora das telas

Ando sumida daqui, é verdade.

Tenho resenhas para escrever, artigos que quero traduzir, materiais para compartilhar. Mas tem me faltado tempo.

Deixei que alguns dias passassem e tenho pensado em deixar mais outros tantos passarem. Voltarei quando tiver algum material já escrito, para não te deixar à deriva novamente.

Aproveito o infame jogo que fiz, porém, e deixo aqui o meu convite: hoje (25/03/2022), às 19h30, estarei na Livraria Ponta de Lança (R. Aureliano Coutinho, 26 – Vila Buarque, São Paulo – SP) mediando um bate-papo com o autor Fernando Ferrone, que além de A longa noite de Bê, escreveu também À deriva (que está entre as resenhas a serem escritas).

O bate-papo também será transmitido, ao vivo, pelo Instagram da Livraria.

Como você pode ver, ando sumida daqui, mas a vida está seguindo fora das telas. Estou numa correria por ter começado em um novo emprego esse ano, mas sigo lendo sempre que posso e, felizmente, agora estão voltando os eventos literários presenciais.

Inclusive, aproveito para lembrar que tenho uma newsletter (que também sofre de algumas ausências minhas, por vezes), na qual divulgo lançamentos, eventos e cursos relacionados a esse universo que tanto me fascina.

A newsletter é gratuita. Você só precisa se inscrever aqui e confirmar sua inscrição pelo email que chegará (e que talvez vá para o seu spam ou para as promoções).

Vale a pena acompanhar blogs?

Há exatamente um ano escrevi um post que teve uma repercussão muito gostosa por aqui: as pessoas ainda leem blogs?

Foi um post que eu quis muito escrever e que ficou ecoando em mim ao longo de 2021. Um espaço no qual compartilhei um pouco da minha experiência por aqui, bem como alguns dados que — para a minha alegria — melhoraram ainda mais durante o ano.

Agora que um novo ano se inicia — aliás, feliz 2022! — eu volto com uma pergunta: vale a pena acompanhar blogs?

Antes de respondê-la, porém, explico de onde veio essa questão. Eu estava no Twitter e me deparei com a seguinte afirmação: Meu sonho de princesa é voltar a encontrar coisas em texto. Não quero vídeo prolixo do YouTube. Não quero dancinha de tik tok. Não quero gente apontando coisa na tela no Instagram. Quero ler. Quero texto. Quero palavras escritas.

O que eu pensei na hora? Vem para os blogs! Porque sim, eles ainda existem e se a gente procurar bem, pode encontrar de tudo um pouco nesse universo.

Mas vale a pena?

Bom, se você é como a pessoa do tweet que eu mencionei, ou se você é como eu, com certeza vale a pena, né? Porque nos blogs, ao menos naqueles como este meu espaço, o que você encontra é justamente… Texto!

Mas, mais do que apenas dizer que vale a pena ler blogs (caso seja isso que você goste), eu gostaria de iniciar este ano indicando algumas páginas que eu adoro acompanhar. E não são apenas páginas sobre livros! Se liga:

Napolitano como meu pé

Sim, eu sei que faz um tempinho que esse não é atualizado. Mas o blog da Nati sempre será o meu favorito no mundo, então ele não poderia ficar de fora dessa lista. É um blog sobre literatura, mas não só. Os textos falam muito sobre a Nati, os livros e a mistura única que isso gera.

Sobre livros e traduções

Outro blog que eu provavelmente já mencionei por aqui e que não poderia ficar de fora dessa lista. O nome já é bem autoexplicativo, mas também tem muitos outros conteúdos que valem a pena ser conferidos ali, inclusive sobre a vida de freelancer, o que ajuda muito quem está entrando nesse mundo.

Vox Leone

Se você quer aprender e ler sobre algo que cotidianamente não lê, esse blog é para você. Acho que é o mais diferente dos que eu acompanho, com temas sobre tecnologia, segurança, sistemas… Aprendo um monte lendo esse.

Coisas do Pedro

Esse é meu xodozinho! Já gostava de ler os textos do Pedro, mas aí ele resolveu montar um super time de escritores e é incrível poder acompanhar esses escritos tão variados.

Sei nada sobre tudo

Quer me ver feliz? Espera eu saber que tem texto novo nesse blog! Adoro o jeito que a Dina conta sobre as coisas da vida e as experiências dela. E olha que, aparentemente, ela já teve muitas!

Tatiando por aí

Juro que não é só pelo nome, mas eu realmente estou adorando acompanhar a retomada da Tati! Textos simples, mas que são sempre gostosos de ler, cheios de conteúdo e nos deixando com vontade de sempre interagir. Ela arrasa!

Cachorro magro?

Outro blog que compartilha experiências diversas e reais é o do Julio e eu adoro os textos dele. Como ele não é formado na área de humanas, também tem um conteúdo diferente do que estou habituada a ler e aprendo muito com isso. Por esses motivos, mesmo que ele ande meio sumido e em dúvida com relação aos rumos do blog, eu não poderia deixar de mencioná-lo.

Ideias desvaneadas

Mais um título que diz muito sobre o blog em si. Neste espaço, a Amanda compartilha pensamentos, angústias, conquistas e leituras. Textos que são como abraços ou que nos dão vontade de abraçá-la.

Crônicas e agudas

Semanalmente eu aguardo ansiosamente as crônicas do Antonio Carlos. Ele é um mestre nesse gênero literário e mesmo depois de um bom tempo acompanhando seus escritos, continuo boquiaberta com o tanto de coisa boa que aparece por ali.

Viver sem pressa

Tá achando que eu só acompanho blogs de literatura e escritos? Pois você se engana redondamente! Neste aqui a Yuka compartilha sobre a sua jornada para se tornar FIRE, além de falar sobre minimalismo e autoconhecimento. Muito aprendizado em ótimos posts.

Dayane Guimarães

Eu também acompanho assiduamente (e salvo várias dicas) o blog da Dayane, que fala sobre cosméticos e esmaltação como ninguém. Sério, um dos melhores blogs sobre o assunto que já encontrei.

E você, que blog acompanha e recomenda para todo mundo?

Carta aberta: os livros e eu

Basta uma rápida navegada por este blog e, acredito eu, minha paixão por livros fica bem evidente. Fazendo parte da blogosfera literária, contudo, fica difícil não se comparar com os outros. Já adianto, porém, que não estou necessariamente falando de uma comparação ruim, apenas gosto de ver e refletir sobre a relação que cada um vai construindo com os livros. E foi daí que nasceu a minha vontade de falar um pouco melhor sobre como vejo e me relaciono com os livros. Você me acompanha nessa?

Quando me tornei leitora?

Vamos começar por essa pergunta que, confesso, não sei responder. Mas sobre isso, já até falei um pouco aqui. Sigo sem saber qual foi meu primeiro livro, mas agradecendo a sorte e o privilégio de crescer numa família leitora, tornando a leitura algo natural para mim, assim como ganhar, comprar e ter livros.

Minha estante

Vivi a vida inteira na mesma casa e meu quarto é pequeno, o que significa, também, que não tenho muito espaço nele, o que, por sua vez, me leva ao segundo ponto deste texto: não tenho uma estante. Ao menos não uma estante como vejo o pessoal exibir em “tour pela minha estante”, no Instagram, ou mesmo aquelas que aparecem ao fundo de tantas chamadas de vídeo que viraram nossa rotina.

Contudo, não vejo isso como um problema. Aliás, devo confessar que acabo pensando muito no trabalho que deve dar limpar todos os livros com uma boa frequência. Isso porque meus exemplares ficam em um armário fechado, mas com uma ventilação adequada, pegando um pouco menos de pó do que pegariam se ficassem em uma estante totalmente aberta.

Na verdade, ao longo dos anos fui mudando os livros de lugar e, aos poucos, eles foram tomando mais armários que antes. Ainda assim, e aqui chegamos ao terceiro ponto, mesmo que hoje os livros ocupem mais prateleiras que antes, em meu quarto, eu continuo tendo um limite (físico) para esse crescimento, o que significa que, desde pequena, tenho consciência de que não posso guardar todos os meus livros para sempre comigo, então eu tenho relativa facilidade em passá-los adiante (doar, trocar, vender). Até porque, eu também não costumo reler muitas obras, então não faria sentido acumular livros pelo simples prazer de acumulá-los.

Desapegos literários

Às vezes acho que as pessoas podem me achar um pouco sem coração por isso, ou até mesmo ingrata, por ler e passar adiante livros que ganhei de presente, por exemplo. Mas a verdade é que eu acho que livro foi feito para ser lido, então gosto que eles continuem tendo vida com outros leitores, mesmo que eu não saiba quem serão esses leitores.

Por anos, tudo o que eu fazia era separar alguns livros para doação. Hoje em dia, além de doar alguns, separo outros para fazer trocas no Skoob e, assim, também poder solicitar livros que eu tenho interesse em ler.

Se você me der um livro, eu lerei

Não tenho muita frescura com livro. Se você me der um de presente — seja ele qual for (com raríssimas exceções) — eu vou ler. Pode ser que eu demore meses ou até mesmo anos para pegá-lo, mas pegarei e lerei. E se eu me desfizer dele depois, não foi porque não gostei, mas simplesmente porque eu já não tinha mais espaço para ficar com ele.

Meus critérios

Falei tanto sobre espaço e desapego que pode parecer que não guardo livro nenhum. Ao mesmo tempo, porém, comentei que hoje eles ocupam mais espaço que antes. Quais os meus critérios para o que fica e o que vai? Obviamente, faço questão de guardar meus livros favoritos, isto é, aqueles que realmente conquistaram um espaço muito especial em meu coração. Para além deles, gosto de ficar com clássicos da literatura — nacional ou internacional — e com livros que possuem mais do que a história nele contadas, isto é, aqueles com dedicatórias ou alguma outra história por trás. E claro, agora também estou juntando livros nos quais trabalhei.

Relação com o livro em si

Por fim, não sou uma pessoa que ache chocante grifos ou coisas escritas a lápis e caneta em livros (mas, claro, não faça isso em livros emprestados, ainda mais de uma biblioteca!). Não tenho o hábito de fazer isso nos meus, mas já vivi experiências incríveis de dar e receber livros com comentários para a pessoa presenteada, tornando a leitura extremamente única. No geral, porém, como eu disse, não tenho o hábito de fazer marcações nos livros justamente por não saber se ficarei com ele ou não, então tento deixá-los o mais conservados que posso.

Além disso, apesar de ter tido um pouco de resistência no início, adaptei-me bem ao mundo dos e-books e leio um pouco de cada com o mesmo prazer.

E qual é a sua relação com os livros? Lembrando que não há um certo e um errado aqui e que apenas quis compartilhar um pouco de como isso se dá comigo, já que os livros são tema central deste blog.

15 de outubro de 2021

Como sempre, basta encarar a tela em branco e todas as palavras parecem fugir de meus dedos. Mas este é um dia que não posso deixar passar, como em tantos outros anos não deixei. Afinal, hoje é dia deles, mas pela primeira vez eu me sinto realmente pronta para dizer que hoje é o meu dia também: dia dos professores.

Depois de passar por todos os anos de escola, faculdade e pós-graduação, sem contar as inúmeras atividades e cursos extras que já fiz, posso dizer sem sombra de dúvidas que tive muitos professores. E posso dizer mais: sempre os admirei. Cada um, a seu modo, me ensinou algo que levo para a vida. Ainda assim, durante muito tempo achei que essa profissão não fosse para mim. Pelo menos não até pisar em uma sala de aula pela primeira vez. Porém, durante algum tempo, tentei traçar outros caminhos, mas no fim eu sempre terminava na sala de aula (e feliz!).

Entrei na faculdade de Letras dizendo que trabalharia com tradução, mas meu primeiro emprego foi como professora de inglês. E foi por conta disso que resolvi fazer a licenciatura e me encantei ainda mais pela sala de aula. Porém, depois eu trabalhei alguns anos como estagiária da faculdade, nada relacionado diretamente à sala de aula (eu ajudava em coisas mais burocráticas, mas ao menos estava muito próxima de professoras incríveis), fui para a pesquisa e, por fim, entrei em uma empresa para trabalhar com… Tradução! Era meu sonho, não? Bem, não mais.

Desde que comecei a dar aulas (de inglês), lá em 2014, eu nunca efetivamente parei: do inglês fui para o italiano (que é realmente a minha área), depois tive alunos particulares, curso livre obrigatório da disciplina da faculdade, outros cursos que ministrei por fora, mais alunos particulares… Até no período em que estive na empresa, trabalhando com tradução, eu tive uma aluna particular. E devo dizer que ela é uma grande responsável por eu estar onde estou hoje! Graças a essa aluna, que já fazia aulas online desde o início comigo, eu fui encontrando meu caminho durante a pandemia e é por isso que somente agora, em 2021, eu finalmente consigo dizer com todas as letras (e muita alegria) que sou professora. Uma professora de italiano muito apaixonada pelo que faz, aliás!

Foram praticamente sete anos (ou mais, até), para aceitar que um “Feliz dia dos professores” é realmente para mim. Que é isso que eu amo e não posso negar. Mas como dia o velho ditado, “antes tarde do que nunca”. E tudo é um processo: a cada dia eu sei que posso melhorar e quero melhorar. Sou muito grata por encontrar alunos que me fazem crescer com eles, que me ensinam diariamente e que acreditam no meu trabalho e compartilham as alegrias da sala de aula comigo.

No dia de hoje, portanto, eu não poderia deixar de agradecer, mais uma vez, a cada professor que passou pela minha vida. Sempre os admirei e sempre vou admirar e ser grata, porque o aprendizado é sim uma ferramenta muito poderosa. Mas eu também gostaria de agradecer aos alunos que já tive, tenho e também aos que terei, porque, como eu disse, ser professor é aprender todos os dias e cada dia mais.

Desejo, ainda, que a cada 15 de outubro possamos lembrar que para chegar onde for, precisamos que alguém nos mostre o caminho. Certamente algum professor já fez isso por você. Então que tenhamos mais respeito por essa profissão e que saibamos valorizar a educação, porque ela sempre fará parte de qualquer futuro que possamos imaginar.

E que em especial este 15 de outubro seja feliz para todos os professores que passaram por minha vida, para meus colegas e amigos professores e para todos aqueles que ainda terão o prazer de se encontrar nesta profissão. Talvez (com certeza) não estejamos vivendo o melhor cenário para se acreditar na educação, mas se nem os professores acreditarem, quem acreditará, não é mesmo? Que possamos, então, seguir firmes e seguros daquilo que estamos fazendo.

De verdade, obrigada a você que decidiu ser professor e faz isso com dedicação, atenção e responsabilidade. Felzi dia!

Boas práticas para todos nós

Apesar de gostar de produzir conteúdos aqui e de divulgá-los em outras redes sociais, buscando sempre chegar a mais pessoas, estou bem longe de ser (e me considerar) uma influencer. Mas tem algumas coisas que acho que são importantes dizer e repetir (no meu caso, repetir, tantas pessoas já disseram antes e tantas outras insistem em ignorar).

São algumas coisas sobre as quais penso muito e busco sempre melhorar (afinal, ninguém é perfeito e estamos aqui para aprender também). Não trarei regras, mas aspectos que podem tornar a convivência e a troca na internet (e até na vida) melhores.

Interação

Muito se fala sobre crescimento na internet (e na vida), mas poucas pessoas parecem realmente levar a sério a questão da interação. Lembrando que divulgar e apoiar o trabalho de pessoas, mesmo aquelas que atuam na mesma área que você, não gera concorrência, mas admiração (super clichê essa frase, mas é verdade, viu?).

Para ser sincera, não sou a melhor e mais indicada pessoa para falar sobre interação. Sou extremamente fechada e tímida e tenho sempre medo de estar incomodando, além de, por vezes, ter uma enorme preguiça de redes sociais. Mas quando estou com ânimo, tento passar nos perfis que gosto, comento, curto, compartilho algumas coisas.

Quando falo de interação, contudo, não estou me referindo apenas à nossa em outros perfis, mas também à forma como recebemos e respondemos aqueles que vêm nos visitar. Você já pensou nisso?

Acho que mais que interação, este tópico também poderia ser sobre reciprocidade. Tratar o outro como gostaria que te tratassem, ainda que nem sempre o que é bom para nós seja bom para o outro, mas acho que deu para entender o espírito da coisa, não?

Acessibilidade

Confesso que esse foi o tópico pelo qual eu mais queria escrever este post. Acessibilidade é um tema que ainda temos muito a aprender e melhorar. E com certeza estou me incluindo nessa! Por exemplo, o que tem de acessibilidade para deficientes visuais em meu blog? Nada! E reconheço essa falha. Tenho vontade de gravar em áudio meus posts, para deixar como alternativa, mas esse é um plano que ainda não saiu do papel…

Mas tem uma coisa que acredito que seja mais básica ainda e que tem pessoas que insistem em não fazer: legendar vídeos. Digo, legendar vídeos para o Youtube, por exemplo, eu sei que é mais trabalhoso, o vídeo todo, aliás, é mais trabalhoso. Mas qual é a sua desculpa para não legendar um story, que tem 15 segundos de duração?

O ponto é: não somos educados a pensar no que podemos fazer pelo outro. E somos ainda menos educados a enxergar que podemos sim ajudar o outro sem colocá-lo em um lugar de vítima.

Avaliação

Se você produz conteúdo na internet, existe algo muito importante que você precisa fazer: falar! Mas calma, não estou dizendo para você gravar vídeos, eu mesma quase não faço isso.

Quando eu digo que você precisa falar, estou te dizendo para compartilhar sua experiência sobre qualquer coisa que você tenha gostado. Foi num lugar bacana, que te marcou? Fale sobre ele, da forma que preferir (através de uma foto, de um story, de um texto). Comprou algo que te surpreendeu? Fale. Gostou de um atendimento? Compartilhe. Teve uma experiência importante? Fale também, ela pode ajudar outras pessoas.

Mais do que falar para as pessoas que te acompanham, porém, existe outra coisa que pode ajudar — e muito — as pessoas por trás daquele lugar, serviço, produto: sua avaliação.

Hoje em dia é possível — e importante — avaliar quase tudo. A maioria dos aplicativos é baseado nisso. E também tem a opção, às vezes, no Google, de avaliar um local, por exemplo. É uma coisa que, em tese, para nós, consumidores, é pequena e que não leva nem dois minutos. Mas para quem recebe aquela avaliação, faz muita diferença. Só que aqui, chegamos ao último ponto…

Lembre-se: somos todos humanos

Infelizmente, nossa vida não é feita apenas de bons momentos e boas experiências, faz parte. Mas isso não nos dá o direito de ofender gratuitamente ninguém. Mais um clichê de extrema importância aqui: palavras podem ferir. E muito.

Críticas construtivas costumam ser bem-vindas. Porém, temos de tomar cuidado e perceber se estamos realmente oferecendo algo que pode mostrar o que não agradou e como poderia ser melhor ou se estamos apenas reclamando e, pior ainda, difamando o outro.

Claro que aqui estou falando “em defesa” de pessoas que agem de boa fé e com boas intenções. Más experiências por conta de golpes e afins devem sim ser compartilhadas expressando a gravidade da situação e alertando os demais (o que não significa que sair xingando seja a melhor opção…).

Agora me conta aqui: o que você considera essencial para uma boa e saudável convivência nessas redes que inundam nossas vidas?

Já dizia Elie Wiesel…

Talvez você não saiba quem é a pessoa do título deste post — eu mesma não sabia/não lembrava assim, só pelo nome — mas é provável que em algum momento você já tenha lido/ouvido essa frase:

“The opposite of love is not hate, it’s indifference”

(O oposto do amor não é o ódio, é a indiferença).

Na verdade, a frase acima é apenas parte de um trecho maior. E essa frase, em questão, foi originalmente dita por Wilhelm Stekel, mas usada por diversos autores, como o próprio Elie Wiesel. Contudo, hoje eu estou aqui mais para falar sobre a minha relação com essa frase e, ao final, algo que descobri ao pesquisar sobre ela.

A primeira vez que li isso, escrito em inglês mesmo, foi no início do meu treinamento para ser professora de inglês, meu primeiro emprego. Lembro-me bem que, apesar de nunca ter experimentado aquilo, a frase chamou minha atenção a ponto de eu copiá-la em meu caderno (que, aliás, tenho até hoje).

Apesar de ter adorado a frase, ela me parecia aleatoriamente colocada ali. Parecia mais um sinal que qualquer outra coisa. Porém, o coordenador logo explicou que a indiferença também é perigosa no ensino. E sim, com certeza é!

Queria eu estar vindo falar sobre como a indiferença é perigosa para o ensino. E, apesar de eu ser professora, infelizmente eu vim, como disse mais acima, falar da minha relação com essa frase e isso não tem nada a ver com o ensino, mas com o amor mesmo.

Quando entrei em contato com ela pela primeira vez, nunca havia sentido na pele — ao menos não de maneira tão concreta — o poder da indiferença. Mas hoje eu posso dizer que ela é realmente pior que o ódio. Eu pensei nisso em meu primeiro relacionamento, muitas vezes, aliás (mais do que eu gostaria/deveria, talvez). Eu pensei nisso nesses últimos dias (felizmente, com menos intensidade, não que isso ajude muito).

E como — ou por que — a indiferença é pior que ódio? Bom, o que nós esperamos de alguém que declaradamente nos odeia? Com certeza nada de bom! Mas a indiferença não costuma vir de uma pessoa que declaradamente nos odeia. Ela vem de pessoas que amamos e que queremos que nos ame igualmente ou o mais próximo disso que for possível. A sensação de vazio que nos persegue quando percebemos que já não é de interesse — ou talvez nunca tenha sido — da outra pessoa compartilhar das nossas pequenas alegrias, é assombroso.

Ao menos essa frase, por mais triste que seja, me trouxa coisas boas. Da primeira vez, a sensação de sentir o peso dessas palavras, mas sem realmente conhecer o significado delas — e te garanto, essa sensação era boa, o que já não é mais. Agora, a descoberta que ela me trouxe e que está relacionada a quem optei por creditar a frase no título deste texto.

Lá no comecinho eu falei que, na verdade, estou trazendo aqui uma frase dita por Wilhelm Stekel, mas usada por diversos autores (inclusive brasileiros, como Érico Veríssimo e Martha Medeiros). Dentre esses autores, temos Elie Wiesel. E quem era ele?

Escritor, sobrevivente do holocausto e prêmio Nobel da Paz (em 1986). Uma de suas obras foi “A noite“, que encontra-se em minha lista de desejos há tempos.

Entender melhor um dos contextos nos quais essa frase aparece — bem o holocausto, assunto sobre o qual pesquiso e leio sempre que posso, justamente pelo medo dos caminhos aos quais a indiferença pode nos levar — fez-me pensar num turbilhão de outras coisas (como se a minha mente já não estivesse a mil, mas enfim).

Eu ia falar sobre como, depois disso, minhas dores — apesar de ainda estarem doendo demais — pareceram pequenas. Mas como ainda dói, só peço que tomem cuidado. Não se deixem engolir pela indiferença, mesmo quando já não se nutre mais um sentimento como antes. Peça licença e afaste-se, não deixe que o outro sofra por aquilo que você já não pode mais fazer por ele.

E cuide dos que estão e sempre estiveram com você.

Fevereiro é mês de festa!

Já começo esse texto fazendo uma confissão: não sou fã de carnaval. Adoro o feriado (apesar de não saber mais o que é feriado), mas não gosto nem um pouco da bagunça, das aglomerações, do barulho e dos excessos. Esse ano, ao menos, as aglomerações não existirão (ou não deveriam existir). Mas também não haverá o feriado. Ou haverá? Já nem sei mais!

De qualquer forma, quando digo que fevereiro é mês de festa, não estou me referindo ao carnaval (não para mim), mas a outras duas comemorações: meu aniversário (que já passou) e o que importa aqui, o aniversário deste blog!

Foi exatamente em 12 de fevereiro de 2018 que retomei esse universo, como vocês podem ler, com mais detalhes, na aba sobre. Hoje, portanto, completo exatos 3 anos por aqui. E vou confessar a vocês: parece muito mais!

Nos últimos três anos, escrevi quase que continuamente para este espaço. Comecei com apenas uma postagem por semana, mas logo fui aumentando o ritmo e há um bom tempo venho tentando manter três textos semanais (sendo que, quase sempre, ao menos um deles é uma resenha). E ainda ouso dizer que não sou escritora. Haja coisa para escrever!

Neste período, também, muita coisa mudou, claro. Eu mesma, estou sempre mudando. Mas estou muito feliz com os frutos que este espaço me traz, com tanto carinho que recebo vindo das pessoas que me acompanham aqui. E acho que não importa quanto tempo passe, eu sempre vou me surpreender com algum comentário relativo ao blog. Principalmente de pessoas conhecidas e/ou daquelas que silenciosamente acompanham tudo (ou quase tudo) que posto por aqui.

Meu antigo blog sobreviveu a pouco mais que esses três anos. Espero que este, por sua vez, exista por muito mais tempo. Ainda estou cheia de ideias de coisas que quero compartilhar com vocês.

Mas também gostaria de pedir um favorzinho a você que está lendo este texto: o que você gosta de ver por aqui? Você gosta das resenhas? De quotes literários? Das traduções? Ou textos sobre músicas? Gosta do material de italiano que estou começando a trazer? Ou prefere meu texto mais livres? Gosta de ver TAG’s? Indicações? Conhecer o universo literário? Enfim, me conte um pouco nos comentários, vamos trocar ideais!

Ah, e claro, por último, mas não menos importante: muito obrigada por estar aqui! Muito obrigada por me animar a seguir em frente com esse querido projeto! Palavras não são suficientes para dizer o que sinto, mas o mínimo que posso dizer é o meu mais sincero obrigada.

As pessoas ainda leem blogs?

Em um mundo com tantas opções de entretenimento (filmes, séries, jogos, podcasts, redes sociais…) é muito comum ouvir a seguinte pergunta quando as pessoas sabem que tenho um blog: “tá, mas as pessoas ainda leem blogs?”.

Eu compreendo essa pergunta. Ainda mais se pensarmos no contexto brasileiro (no qual — dizem — as pessoas não leem). E também se pensarmos que eu escrevo majoritariamente sobre… Livros!

Em primeiro lugar, porém, gostaria de contestar uma informação: não é verdade que o brasileiro não lê. Não absolutamente, ao menos. O brasileiro não lê livros (sendo bem generalista, claro), mas lê posts nas redes sociais, lê notícias… E ouso dizer: lê blogs.

Eu poderia trazer dados estatísticos sobre o assunto, poderia falar sobre como blogs são uma aposta de marketing de diversas empresas. Mas a verdade é que, hoje, eu gostaria de compartilhar a minha experiência com esse universo.

Se eu considerar as estatísticas do meu blog, não posso dizer que as pessoas não leem blogs. Como você pode ver abaixo, de 2018 para cá, houve um aumento considerável no número de visualizações (e visitantes) nesta página.

E, veja bem, como eu disse acima, este é um blog que fala majoritariamente sobre livros, um assunto que realmente pode não interessar a muitas pessoas. Mas isso não significa que elas não leem blogs, porque é possível encontrar páginas sobre os mais diversos temas.

Eu poderia considerar, porém, que esse número de visitas não significa que as pessoas leem o meu blog. Elas poderiam, não sei, ter caído sem querer nessa página? Ter dado uma olhadinha e pronto?

Sim, com certeza!

Mas há outro dado que me anima bastante: os comentários.

E esse dado me anima porque já tive outro blog antes desse e os comentários eram bem mais raros que aqui. Talvez eu realmente estivesse falando sozinha ali, mas hoje vejo que não estou. Cada novo comentário me traz a certeza de que ao menos uma pessoa leu o que eu escrevi. E se uma pessoa leu, então não estou sozinha nessa.

(E um parênteses necessário: algumas pessoas falam diretamente comigo sobre o Blog. Digo, não deixam um comentário aqui, mas deixam um comentário no meu whatsapp ou numa conversa cara a cara, por exemplo).

Eu costumo ouvir essa pergunta que trouxe à tona hoje, também, por conta do instagram do Blog, um canal que criei para tentar divulgar este espaço, mas jamais para substituí-lo. Até porque, convenhamos, o instagram nos limita bastante no quesito texto, visto que ele é uma rede social de fotos. São propósitos bem diferentes, ainda que as pessoas estejam tentando usar o instagram de outras formas, quase como blogs em alguns casos.

No instagram, o que ouço é algo do tipo: “vale mesmo à pena não colocar o conteúdo todo aqui e convidar a pessoa a visitar o blog? Alguém visita?”.

Vou ser sincera: pouquíssimas pessoas. Mas já são mais que zero pessoas, não?

A verdade é que blogs (ao menos os como este, criados por hobby) não deveriam ser sobre números ou sobre o fato de pessoas visitá-los ou não, mas sim um espaço de livre criação e compartilhamento de gostos e coisas que nos fazem bem.

E se você lê este blog (ou está lendo este artigo), eu agradeço imensamente! É muito gratificante saber que há pessoas que se interessam pelo que me interesso e que estão dispostas a trocar ideias sobre o assunto.

Toda história tem dois lados

Este é um tema sobre o qual estou querendo falar há um tempo. E, apesar da palavra “história” ali no título, eu sabia que poderia parecer, inicialmente, que este texto nada tinha a ver com os assuntos do blog. Mas quanto mais eu refletia sobre ele, mais eu pensava em uma grande conexão literária que me servirá muito bem de exemplo ao que quero falar.

Em nossa literatura temos o grande dilema: Capitu traiu ou não Bentinho?

Há pessoas que dizem que sim e há pessoas que dizem que não, mas sendo a história totalmente narrada em primeira pessoa por Bentinho, fica difícil afirmar qualquer coisa, uma vez que conhecemos apenas o lado dele na história.

Pode parecer bobo reafirmar isso que, antes de mim, tantos estudiosos já disseram, mas a verdade é que há uma força muito grande nesta imagem com relação ao que escrevo aqui. E tem mais, isso tudo conecta-se com outra coisa que foi muito discutida ao longo desse 2020: a cultura do cancelamento.

Há muitas críticas (coerentes) a este comportamento que tem se intensificado e vejo que, em diversos casos, realmente falta um mínimo conhecimento sobre o outro lado da história. Afinal, como eu disse no título, toda história tem dois lados (o que não significa que nunca há um lado errado, claro).

Eu mesma já, infelizmente, ouvi gente falando “mas eu conheço fulano, se ele está dizendo isso, eu acredito, não me importa o que o outro lado tem a dizer”. E é com discursos assim que pessoas são “canceladas” até mesmo por coisas que não fizeram ou que não são bem como os outros estão dizendo.

Reforço: não estou dizendo que as pessoas não erram, que não ocorrem coisas absurdas neste planeta. Com certeza há muita coisa ruim e muito crime que precisa ser julgado. Mas, em tese, um juiz de verdade deve analisar todos os fatos tanto de um quanto de outro lado.

Ouvimos falar sobre “cultura do cancelamento” e pensamos que isso nunca vai acontecer conosco, mas, de uma forma ou de outra, estamos sempre sujeitos a mentiras ditas sobre nós, sobre o nosso trabalho, sobre nossas vidas.

A vontade de escrever sobre tudo isso surgiu, em mim, quando vi de perto que as pessoas são capazes de fazer qualquer coisa para estar “por cima”, para se dar bem. Criam-se fatos inexistentes, manipulam-se palavras. E, por vezes, você não tem como se defender porque, para isso, precisaria dizer verdades (o que, muitas vezes significa mostrar que o outro lado não é o que parece ser também) que é melhor guardar para dizer diante da justiça, a única que deveria realmente julgar fatos.

O problema é que nem sempre as pessoas têm a oportunidade de provar que não fizeram nada daquilo sobre as quais são acusadas. Aqui, refiro-me até a situações mais “simples” que aquelas de grandes casos midiáticos. Refiro-me a situações mais “cotidianas”, entre pessoas que se conhecem e estão em um mesmo (pequeno) círculo social.

É muito triste perceber que, infelizmente, em casos assim, a pessoa que inventa fatos acaba realmente se dando bem. Não sei até quando, porque talvez uma hora as máscaras venham a cair. A gente acaba torcendo por isso. Mas, e se a máscara nunca cair?

Não temos como afirmar com 100% de certeza se Capitu traiu ou não Bentinho, pois, em realidade, nunca ouvimos um “a” que tenha vindo diretamente dela. Então também não acredite em outras histórias que tenham vindo de apenas um lado, principalmente se isso calunia ou diminui a parte que você não conhece ou não deu espaço para se explicar.