Il Festival di Sanremo

Antes de começar esse post, gostaria de explicar que ele talvez seja um pouco diferente do que eu costumo trazer para a rubrica Ensino de Italiano, sem fugir, no entanto, ao propósito do nome. 

A questão é que antes eu escrevia mais para os alunos e esse post talvez venha a servir mais para professores, mas essa é mais uma tentativa de não deixar essa seção às traças novamente. Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa.

Como sou uma pessoa que acredita que músicas são excelentes ferramentas para o ensino e o aprendizado de uma língua estrangeira, já estava mais do que na hora de escrever sobre Sanremo, não é mesmo? Ainda mais porque falta bem pouco para a edição deste ano. Mas vamos por partes!

O que é o Festival de Sanremo?

O Festival de Sanremo é o Festival da Música Italiana e é considerado um dos mais importantes e longevos festivais musicais do mundo.

Realizado na cidade italiana de mesmo nome, a primeira edição de Sanremo aconteceu em 1951 e a estatueta do Leão de Sanremo é o reconhecimento mais prestigioso para os músicos e intérpretes de música pop italiana. Desde 1977 o evento acontece no Teatro Ariston.

Para participar da competição, é preciso que a música seja escrita em língua italiana ou em alguma das línguas regionais italianas (os dialetos), por um italiano, e elas precisam ser inéditas. 

Além disso, desde 1956 (com algumas exceções), o vencedor de Sanremo é automaticamente selecionado (podendo, contudo, abdicar desse posto) para representar a Itália no Eurovision, competição musical que abrange toda a Europa e que, por isso, tem ainda mais visibilidade.

Por que ele é importante para o ensino de italiano?

Música e Itália têm tudo a ver. Basta pensar, por exemplo, que grande parte do vocabulário musical teórico utiliza palavras em italiano.

Para além disso, o Festival de Sanremo faz parte da história italiana e é marcado por muitos acontecimentos diretamente ligados a ela (como as mudanças ocorridas durante o período fascista).

Mas o festival não nos ajuda a olhar somente para trás: sendo possível acompanhar as notícias relacionadas a ele e, claro, ter sempre acesso aos vencedores (mas não só), ele se torna um norte para nos ajudar a conhecer novas músicas e artistas italianos.

Como transformá-lo em uma ferramenta didática?

As possibilidades de usar o Festival de Sanremo em sala de aula são inúmeras. Eu mesma, já usei algumas vezes e vou tentar compartilhar aqui duas dessas experiências, procurando trazer, com elas, outras sugestões também. 

A primeira foi o básico do básico: um vídeo contando a história do Festival, com muitos detalhes interessantes e muito pano para manga. 

Depois de assistir ao vídeo, um pouco de conversação sobre ele, e também sobre os conhecimentos prévios do aluno em relação ao assunto, sempre buscando aproximar o assunto à realidade do estudante, perguntando, por exemplo, se ele conhece outros festivais do tipo (lembrando que Sanremo, apesar de ser um Festival, tem um formato diferente do que hoje, no Brasil, chamamos de Festival, e que isso é um ponto bem interessante para se discutir).

Apesar de ser algo bem simples, o bacana dessa atividade é que ela pode ser adaptada a diferentes níveis: o vídeo não é dos mais difíceis, então é possível fazer diferentes atividades a partir dele, desde uma compreensão mais básica, até uma conversação mais avançada.

A segunda atividade que fiz envolve escolher algumas músicas (quando realizei essa atividade, por exemplo, peguei as vencedoras dos três últimos anos, mas o critério de escolha vai de acordo com o que você irá trabalhar em seguida) e fazer com que os alunos escutem a seleção e que, a partir dessa escuta, criem o ranking deles.

Com isso, é possível, também, dar início a diferentes discussões bem interessantes (por que você gostou mais dessa que daquela canção? Por que você acha que tal canção foi vencedora?). Sem contar que os próprios textos das músicas podem dar muito o que trabalhar, né?

A primeira vez que fiz essa atividade, também aproveitei para mostrar como, de um ano para outro, os estilos vencedores foram bem diferentes. O meu intuito, além de tudo, era mostrar que a música italiana não é só e necessariamente aquela música de amor que muitos brasileiros estão acostumados. Os vencedores em questão eram os de 2019 — Soldi (Mahmood), 2020 — Fai rumore (Diodato) e 2021 — Zitti e Buoni (Måneskin).

Certamente existem milhares de outras formas extremamente criativas de se usar o Festival de Sanremo em sala de aula e se você quiser compartilhar alguma aqui nos comentários eu vou adorar saber!

Para concluir, gostaria de destacar que a edição deste ano (a 73º!) acontecerá entre os dias 07 e 11 de fevereiro e trabalhar o tema nesse período pode ser bem interessante, inclusive fazendo os alunos acompanharem ao vivo as transmissões. E, claro, fazendo as apostas deles com quem será campeão!

Proibidos de esquecer — Tayana Alvez

Título: Proibidos de esquecer 
Autora: Tayana Alvez 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 528 
Ano: 2022

[leia esta resenha ao som de Pensando em você — Paulinho Moska]

Se você já viveu uma história de amor — talvez A história de amor da sua vida — e jurou que aquela seria a última após seu doloroso término, atenção para este livro.

“E é assim que eu percebo, três anos, dois meses e doze dias depois de sair de casa e jurar para mim mesmo que nunca mais me envolveria com ninguém, que estou me apaixonando”

A história de Paulo e Bianca é bem peculiar: Bianca casou-se aos 17 anos, com seu primeiro (e único) namorado; Paulo também logo constituiu família, mas um acontecimento — que vai sendo revelado aos poucos, como todos os detalhes que nos prendem a essa narrativa — nos mostra como ela ruiu de maneira irreparável. Assim como a de Bianca.

“Meu próprio filho me condenou ao inferno na Terra”

Dois corações que, mesmo após anos, ainda estão em frangalhos e que se encontram. Duas histórias bem diferentes, mas também muito parecidas.

“—  Sentir a dor é melhor do que não sentir nada. — Encolhe os ombros. — A dor é uma lembrança de que foi real…”

Aliás, é preciso dizer uma coisa: ao longo dessa história você vai sentir um nó na garganta inúmeras vezes. E vai chorar outras tantas. Provavelmente você vai se identificar em diversos pontos. Mas ao final, talvez você pense que jamais viveu algo tão forte quanto esses protagonistas. E isso é algo que torna esta história ainda mais incrível: mesmo ela estando longe de ser a sua história (ainda bem?), você vai acabar se identificando em alguma medida.

“Aquela que não carrega mais as dores, mas sempre terá as cicatrizes”

E preciso dizer que neste livro talvez esteja o ápice da representatividade que Tayana Alvez tenta sempre trazer em suas histórias, com protagonistas negras, mães solo… Para mim, finalmente uma protagonista que não bebe e que deixa isso bem claro (aliás, só fiquei curiosa com os motivos dela)!

“— Ah, eu não bebo — diz completamente sem graça. — Desculpa, eu devia ter avisado. — Sorri sem jeito”

Brincadeiras à parte, é difícil falar de Proibidos de esquecer. A narrativa já começa intensa, nos deixando claro que tem muito por vir mas, como eu disse, as peças desse quebra-cabeça vão sendo reveladas aos poucos, na medida certa.

“O que a garota me diz é triste, pesado e doloroso, mas seu tom é como o de alguém que pergunta as horas”

A leitura é catártica. Ao final, percebemos que há muita maturidade e, principalmente, muito amadurecimento. As falas e os acontecimentos impactam e é difícil não ficar com esta narrativa impressa na alma.

“Passei tanto tempo tentando encontrar minha voz que esqueci que ouvir também é necessário”

Proibidos de esquecer se passa — majoritariamente — em Búzios e o verão tem um papel muito importante na história: é a estação que permite a reconexão, tanto de Bianca, quanto, no final das contas, de Paulo.

“Vamos sarar feridas nesse verão”

A história é narrada, alternadamente, pelos dois personagens, mas Bianca certamente domina a narrativa. 

“Às vezes dá vontade de perguntar o que mais as pessoas querem de mim”

Ela, que perdeu a mãe quando ainda era jovem; que perdeu o amor da sua vida aos 20 e poucos anos; que está tentando provar — para os outros, mas também para si — que está bem, que está seguindo a vida.

“O problema com o sofrimento é que todo mundo tem um conselho para você”

Ela, que decide viver um verão inesquecível. Mas que não imaginava o quanto ele seria transformador e revelador.

“Querendo ou não, quando você se entrega totalmente a uma pessoa, você entrega sua verdade a ela também, e se tem algo que nós concordamos, mesmo que sem palavras, é que não estamos prontos para falar do passado”

Bianca passa o verão em Búzios porque é ali que sua família tem uma casa. A casa na qual ela passava o verão na infância, mas que, com a morte da mãe, acabou sendo deixada de lado, mesmo que, contraditoriamente, seu pai finalmente a tenha deixado como a mãe sempre sonhara.

“A vida não para quando alguém que a gente ama morre”

Claro que é em Búzios que Bianca conhece Paulo, o dono da sorveteria cujos sabores têm nomes bem… Exóticos (e adoráveis).

Mas quando Paulo oferece protetor solar para Bianca, na praia, ela não imaginava que ele era dono de uma sorveteria. Nem que era tão solitário. Menos ainda que carregava um fardo tão pesado e triste.

“É difícil descrever o quanto os ‘e se’ podem atrapalhar a vida de alguém”

Tentei colocar em palavras a intensidade de Proibidos de esquecer e talvez eu tenha feito parecer que essa é uma história só de tristeza, mas a verdade é que a Tayana sempre sabe equilibrar passagens mais leves e até momentos que nos arrancam no mínimo um sorrisinho de lado e nesta narrativa não seria diferente.

“E, por Deus, que sensação maravilhosa essa de contar o que a gente quer contar para as nossas pessoas favoritas no mundo”

Falei, falei e falei, mas no final das contas, não sei se consegui apresentar esta obra à altura e, infelizmente, a Tay a retirou da Amazon, por estar reestruturando a sua carreira. Ou seja, quem leu, deu sorte. E quem não leu… É torcer para ela relançar em algum momento!

Agora, se você quiser conhecer um pouco da escrita maravilhosa desta autora, já segue ela nas redes sociais (Instagram | Twitter) e vem aqui neste link ver o que ainda é possível ler de obra dela em ebook. E, claro, não deixe de garantir o seu exemplar físico de O Irlandês, em uma nova edição tão ou mais incrível que a primeira.

Citações #60 — Profissão Fangirl

Profissão fangirl foi uma leitura que me tocou de maneiras que eu não imaginava que uma obra com este título poderia me tocar. E por mais que eu tenha escrito uma resenha de todo coração, sei que muita coisa ficou de fora dela. Inclusive alguns trechos, que agora trago aqui.

Como não poderia deixar de ser, começo este post lembrando que a história retrata o término de uma relação que já durava cinco anos, mas que também ainda existia apenas por comodismo (coisa que, claro, os personagens só percebem depois):

“Eu me perguntava o que doía mais, ele ter ido embora agora ou ter que admitir que ele já tinha ido tempos atrás”

“Por algum motivo sombrio eu precisava rever todas as lembranças do nosso relacionamento naquele momento”

“Finalmente eu coloquei o ponto final, falei o que eu queria e me sentia mais leve por isso”

Mas a história, claro, não fala apenas sobre corações partidos. Ela fala — e muito — sobre amizade:

“Essa era a melhor parte de ter melhores amigas, elas nem sempre vão te entender, mas isso não quer dizer que elas não vão estar sempre ao seu lado”

E também sobre força:

“Eu te vi chorar vezes o suficiente para saber que você não está fugindo, Alice. — Eu sorri com a lembrança de sua presença nas duas crises de choro que eu tinha tido. — E também te vi se esforçando para ser feliz de novo, e pra mim isso mostra o quanto você é forte”

E até mesmo sobre amor. Porque, afinal, nosso coração sempre tem a chance de se recuperar de grandes dores:

“Foi isso o que me chamou atenção, a forma como ele conseguia fazer o mundo inteiro parecer girar ao meu redor com um simples olhar”

Se você quer saber mais sobre esse livro, não deixe de ler a minha resenha, garantir logo o seu exemplar (é só clicar aí embaixo) e, claro, seguir a autora em suas redes sociais (Instagram | Twitter)!

Andata e ritorno — B. A. Polinari

Título: Andata e ritorno 
Autora: B. A. Polinari 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 262 
Ano: 2021

[Leia esta resenha ao som de Con te partirò — Andrea Bocelli]

Andata e ritorno (que, em português significa “ida e volta”) é um livro que contém duas histórias paralelas e, ao mesmo tempo, transversais: no presente, conhecemos Stella e suas aventuras, narradas em primeira pessoa; no passado, temos Gildo e sua dura vida, narrados em terceira pessoa.

A verdade é que Stella é uma jovem que decide embarcar rumo à Itália para tentar descobrir mais sobre seu avô — Gildo — e, ao mesmo tempo, reconectar-se consigo. Então, enquanto ela narra sua própria história, ela também conta sobre a infância, a adolescência e a vida adulta de seu avô.

Como tantas famílias ítalo-brasileiras, a de Stella é marcada por imigrações, batalhas e recomeços.

“É incrível como deixamos de prestar atenção em nós mesmos quando vivemos cercados de outras pessoas”

O que a jovem não imaginava era que a sua própria história poderia se assemelhar tanto à de seu avô: ao longo de sua viagem, Stella conhece Guido, que transforma sua vida e faz com que ela precise fazer escolhas que não estavam em seus planos.

“Naquelas cartas talvez encontrasse a resposta para meus questionamentos constantes”

Com a história de Gildo, mergulhamos em uma Verona antiga, que viveu a guerra. Conhecemos uma família grande, cheia de amor e que, unida, passa por diversas provações.

“Por algum motivo, a ideia de que sua família estava sofrendo com sua suposta morte o machucava muito mais do que as dores que sentia ou as feridas que ainda não haviam cicatrizado por completo”

A história de Stella, por sua vez, nos fala sobre a solidão de estar em um país estrangeiro, a saudade, os fantasmas do passado.

As narrativas, como eu disse, não são apenas paralelas, mas transversais, e é gostoso perceber como, apesar do anos e das diferenças, Stella não nega o sangue que tem.

Andata e ritorno é uma publicação independente, baseada em fatos reais, que vai te transportar em inúmeras viagens. 

A diagramação da obra é confortável, com impressão em papel pólen e belos detalhes que minuciosamente adornam as páginas.

Se esta história te interessa, adquira seu ebook abaixo ou veja a possibilidade de também adquirir um exemplar impresso entrando em contato com a autora. Aliás, aproveite e já acompanhe o trabalho dela em suas redes sociais (Site | Instagram).

Música e livros: 10 canções inspiradas na literatura [tradução 28]

Música e literatura são dois tipos de arte que aprecio imensamente e, por isso, resolvi que nada mais justo que a primeira tradução do ano fosse de um texto que unisse esses dois assuntos.

O artigo em questão, escrito por Simon, foi tirado do Blog Thomann, tendo sido publicado originalmente em 16 de maio de 2021.

Vamos à tradução?


Quando literatura e música se fundem, o resultado é, frequentemente, monumental: muitas e muitas vezes os músicos encontram inspiração para os textos deles na literatura. Bob Dylan, por exemplo, destaca a enorme influência que tiveram sobre ele autores como Fyodor Dostoievsky. Inúmeras bandas do metal, do rock, do folk e de muitos outros estilos procuram sua inspiração nos romances de fantasia e de horror, e também na alta literatura. Eis aqui 10 exemplos da engenhosa interação entre literatura e música!

1. Bohemian Rhapsody – Queen | “O estrangeiro” de Albert Camus

O famoso escritor e filósofo francês Albert Camus foi a inspiração para um dos maiores e mais complexos sucessos do Queen: “Bohemian rhapsody”. Freddie Mercury escreveu o texto sozinho, inspirando-se no assunto do romance: um artista que não se preocupa com as convenções e não quer ser subordinado aos padrões sociais. De acordo com o assistente pessoal de longa data de Mercury, Peter Freestone, Freddie fica em paz consigo mesmo sobre a admissão de sua homossexualidade escrevendo essa letra. Que impressionante sinergia entre música e literatura!

2. Sympathy for the devil – The Rolling Stones | “O mestre e Margarida”, de Mikahil Bulgákov

“O mestre e Margarida” é a obra mais conhecida do escritor russo Mikhail Bulgákov, um clássico da literatura russa do século XX. O romance descreve a vida em Moscou, de maneira alegórica, humorística e satírica. Os Stones se inspiraram nesta absurda e verdadeira história quando compuseram a música “Sympathy for the devil”. Um clássico literário que se torna um clássico do rock. Na música, Mick Jagger deixa o diabo falar, inclusive na parte em que diz “quem matou os Kennedys”. A resposta de Satanás: “quando, afinal de contas, foi apenas você e eu”.

3. Rime of the ancient mariner – Iron Maiden | “A balada do velho marinheiro”, de Samuel Taylor Coleridge

“The rime of the ancient mariner” ou “a balada do velho marinheiro”, é um poema narrativo escrito pela figura literária britânica Samuel Taylor Coleridge, em 1798. Ainda nos dias de hoje, essa poesia ressoa como uma balada, com versos tão preciosos que influenciam até hoje a língua inglesa. São, de fato, numerosas as frases que passaram a fazer parte da língua inglesa usada hoje. Não só: o poeta influenciou inclusive o Iron Maiden, que celebram a balada por cerca de 14 minutos.

4. Animals – Pink Floyd | “A revolução dos bichos”, de George Orwell

Pink Floyd está, sem dúvidas, entre os maiores ícones da narrativa e da união entre literatura e música. Com o álbum “Animals“, eles mergulharam no mundo visionário do excepcional escritor George Orwell. O álbum é baseado no romance de Orwell, “Revolução dos Bichos“, a fábula distópica de 1945, na qual os animais se revoltam contra as regras de seus proprietários humanos. “Com a cabeça enfiada no lixo, dizendo ‘continue a cavar'”. O álbum busca descrever o capitalismo e as suas vítimas.

5. Ramble On – Led Zeppelin | “O senhor dos anéis”, de J. R. R. Tolkien

J. R. R. Tolkien, com o seu trabalho “O senhor dos anéis“, forneceu para muitas bandas um modelo preciso de mundo fantástico: a sua estimulante narrativa da Terra Média contém, obviamente, uma quantidade infinita de inspiração, a qual músicos e bandas ficam felizes de explorar. Entre os representantes mais conhecidos está Led Zeppelin, com “Ramble On“. Na música, de 1969, os roqueiros interpretam o romance de fantasia e não se abstêm de citar diretamente em seus textos a obra em questão. E sabe de uma coisa? Diz-se até que rolou disputa pelo copyright!

6. Charlotte Sometimes – The Cure | “Charlotte Sometimes”, de Penelope Farmer

Ok, o maior sucesso do The Cure continua sendo “Friday I’m in love“. O grupo, principalmente o líder, Robert Smith, são um exemplo de ligação entre música e literatura. O camaleão e excêntrico Robert Smith tem um livro preferido, e é um livro infantil chamado “Charlotte Sometimes“, escrito por Penelope Farmer. Smith usou justamente o livro infantil como modelo para a canção homônima de 1981, “Charlotte Sometimes”. Mais relacionado à literatura que isso, impossível!

7. Lucy in the Sky with Diamonds – Beatles | “Alice no país das maravilhas”, de Lewis Carroll

A vanguarda da música psicodélica, “Lucy in the Sky with Diamonds” não é nada menos que uma derivação da obra literária “Alice no país das maravilhas“, de Lewis Carroll. O livro infantil foi publicado pela primeira vez em 1875 e, cerca de um século depois, os Beatles retomaram o tema e o transformaram em “Lucy in the sky with diamonds”. A música foi escrita durante um dos períodos mais criativos do quarteto fantástico.

8. Moon Over Bourbon Street – Sting | “Entrevista com o Vampiro”, de Anne Rice

Sting não é apenas um icônico cantor e baixista: o artista inglês é conhecido, também, por sua intelectualidade, sem falar em uma leve tendência para tudo aquilo que está fora da curva. A música do The Police Moon over Bourbon Street” é baseada no romance “Entrevista com o Vampiro“, da escritora americana Anne Rice, no qual um bêbado — frustrado com a morte de sua esposa e de seu filho ainda não nascido — caminha pelas ruas de New Orleans, quando é mordido por um vampiro. Sting leu o livro depois de um concerto em New Orleans, em seu hotel, no famoso bairro francês. Olhando a rua deserta, escreveu os seus pensamentos sobre “Moon over the Bourbon Street” e então surgiu a composição homônima.

9. Romeo and Juliet – Mark Knopfler | “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare

Romeu e Julieta“, a tragédia mais famosa que já saiu da pena de William Shakespeare, conta a agridoce história de dois amantes cujas famílias só se reconciliaram com a morte deles. Numerosos artistas de música clássica, pop e rock retomaram o tema. Por exemplo, Mark Knopfler/Dire Straits com a homônima balada “Romeo and Juliet” uma das composições mais conhecidas do Dire Straits. Nos seus versos, descreve a cena na qual Julieta fica famosa, deixa o seu Romeu e se distancia do seu bairro, onde se encontraram pela primeira vez. 

10. All Along the Watchtower – Bob Dylan | “Frankenstein”, de Mary Shelley

All Along the Watchtower” é uma música do Bob Dylan, é importante ressaltar, mesmo que a canção tenha ficado famosa em uma versão significativamente modificada por Jimi Hendrix. Segundo as explicações, o título é baseado no romance de terror “Frankstein“, de Mary Shelley, um dos clássicos de horror por excelência. Considerando que a maior parte dos textos de Bob Dylan são recheados de aforismos, a conexão, neste sentido, é bem fácil de imaginar. 

Existem numerosos outros exemplos da agradável sinergia entre literatura e música. O que ambas as formas de arte têm em comum é estarem constante em busca de inovação e, ao mesmo tempo, de história, passando frequentemente a bola entre si. Críticos, especialistas em literatura e apaixonados por música geralmente amam interpretar e se deixar levar pelas obras nascidas das inspirações que, por sua vez, inspirarão também.


E você, saberia mencionar outros exemplos? Deixe aqui nos comentários, vou adorar conhecer mais músicas e suas referências!

Fisheye — Kami Girão

Título: Fisheye 
Autora: Kami Girão 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 320 
Ano: 2020 (2º edição)

Uma pessoa querida já te recomendou tanto um livro que a sua curiosidade só aumentava? Pois foi assim que conheci Fisheye, mais de uma vez indicado, sempre com lindas palavras, pela Michelle Pereira.

Dizem que a expectativa é inimiga da apreciação, mas isso não aconteceu com esse livro que superou — e muito — tudo o que eu poderia esperar para esta história.

“Não queria mais promessas sem fundamento”

A narrativa é intensa, bem escrita e propicia ao leitor um mix de emoções que é até difícil colocar em palavras.

“Era sempre mais fácil fugir daquilo que não se quer encarar”

A protagonista, Ravena Sombra, gera, por si só, sentimentos bem contraditórios dentro de nós: de início, ela é a típica popularzinha odiável do Ensino Médio. Mas então ela passa a descobrir coisas sobre si mesma e sobre a vida, transformando-se. E aí é impossível não sentir compaixão e querer abraçá-la, dizendo que tudo ficará bem.

“A imagem que construí na escola não era uma que eu gostaria de carregar para o meu futuro, mas ela me pertencia. Era a minha memória”

Logo no começo do livro encontramos a protagonista ansiosamente se arrumando para uma festa. Mas ela não imaginava que era ali que tudo começaria a mudar e desmoronar.

“Os adolescentes conseguem ser bem maldosos com um pouco de boa vontade”

Ravena fica momentaneamente cega por conta de um flash na balada e isso causa um acidente: um belo tombo, no meio da festa, que ainda vai gerar muitos burburinhos falsos e um belo castigo para ela.

Dias depois, porém, investigando a causa dessa cegueira momentânea, Ravena descobre muito mais, sobre seu passado e seu futuro: ela tem retinose pigmentar.

“Nomes grandes de doenças nunca era bom sinal”

Se você não sabe nada sobre essa doença, tudo bem. Este é um ótimo livro para aprender um pouquinho sobre isso, com a própria protagonista, ao mesmo tempo em que tantos outros assuntos importantes também são discutidos.

“Era diferente encarar o mundo daquela maneira, mas não era de todo ruim”

Acredito que os trechos que já usei até aqui deixam claro que a autora trabalha, na história, muitos aspectos da adolescência e da crueldade que essa fase carrega. Para além do bullying e das aparências, Kami Girão ainda consegue falar sobre as escolhas diante do final da fase escolar e do quão difícil elas são.

“Não conseguia imaginar o que me aguardava do lado de fora da escola. Viver ali era seguro, apesar dos pesares, e a realidade lá fora parecia assustadora”

Fisheye também fala — e muito — sobre relações familiares. Ravena podia não ser a melhor pessoa do mundo no início da história, mas seu lar certamente contribuía para sua personalidade terrível.

“Senti uma lágrima escorrer quando me dei conta de que estava sozinha”

O pai está sempre trabalhando ou aproveitando a vida com a amante; a mãe vive assistindo televisão e se afogando em sua tristeza; a irmã mais velha, quando ainda morava com eles, vivia provocando Ravena.

“Para sobreviver em um mundo de aparências, é necessário obedecer às regras impostas”

Mas nem tudo é maldade e dor neste livro. Ao mesmo tempo em que o mundo de Ravena começa a ruir, entra em cena um personagem capaz de mudar tudo (mais uma vez).

“Era esquisito perceber que o belo e o horrível podiam habitar a mesma pele e montar a feição da  mesma pessoa”

Daniel — também conhecido pelas más línguas por Queimadinho — é um jovem que tem um passado bem pesado, mas que leva a vida de maneira leve e que, com isso, tem muito a ensinar.

“Aquele era um lado de Daniel que eu desconhecia completamente. Mas também era um lado que me fascinava”

É assim que, através dele, a narrativa ainda aborda a importância da verdade, do amor, do cuidado com o outro e de não julgarmos pela aparência, pois o interior sempre esconde muito mais.

“A verdade nem sempre é o caminho mais fácil, mas é o mais adequado em qualquer situação”

Fisheye é uma história na qual podemos acompanhar um grande amadurecimento da protagonista, ao mesmo tempo em que aprendemos e refletimos sobre assuntos diversos, mas intimamente conectados.

“Possuir, no instante de um clique, aquilo que não se tinha mais, registrar momentos usando outras formas de sentir, revolucionar a arte e a percepção de quem enxerga por ser cego e fotografar”

Uma narrativa que facilmente nos leva às lágrimas. No meio do livro, há um interlúdio escrito por Victória, a irmã de Ravena, e se você acha que ali iremos respirar com mais tranquilidade, não se engane: o bolo na garganta só aumenta!

“Não se fica triste com demonstrações verdadeiras de carinho e afeto”

Se você se interessou por Fisheye (e eu espero que tenha se interessado!), clique abaixo para garantir o seu ebook ou entre em contato com a autora para verificar a disponibilidade de um exemplar físico (eu tive a sorte de garantir um e foi nele que realizei minha leitura. Edição excelente!). Aproveita e já segue a Kami nas redes sociais (Instagram | Twitter), para ficar por dentro dos demais trabalhos dela.

Citações #59 — Proibida de amar

Se tem uma autora que eu amo, essa autora é Tayana Alvez! A escrita dela envolve, encanta, fascina.

Quem não acompanha o trabalho da Tay, contudo, provavelmente não sabe que muitos dos livros que li (e que já resenhei por aqui) foram retirados da Amazon, pois ela está se reposicionando no mercado literário.

Os quotes que trago hoje são de um desses livros. Porém, não posso deixar de compartilhar essas passagens, tanto para que você tenha um gostinho do que perdeu, quanto para que você entenda o quão incrível essa autora é.

Proibida de amar traz a história de uma jovem com um passado por si só complexo, mas que, além de tudo, está tentando se recuperar de um relacionamento extremamente tóxico.

“Só que, Lavínia, eu ainda cresci sem a presença do meu pai, e isso dói”

A protagonista foi mãe muito cedo, e tem de lidar com as responsabilidades dessa condição, ao mesmo tempo em que luta para se livrar de amarras tão dolorosas.

“Não choro, mas sofro”

O livro carrega uma profundidade e uma densidade que não temos como ignorar, como é típico das histórias de Tayana.

“Então talvez o para sempre exista mesmo, só não seja para mim”

“Eu precisava de pelo menos mais um dia perfeito antes de tudo acabar”

Mas também tem o seu toque de leveza, que torna a leitura extremamente prazerosa.

“Oliver me mostrou o lado bom de estar com outra pessoa”

Uma narrativa que nos faz, ao mesmo tempo, refletir, rir, chorar, amar, se desesperar. E que, com o seu toque sutil, vai nos marcar das mais diferentes formas.

“No dia a dia, contudo, aprendi com minha mãe que as coisas que as pessoas falam de mim não dizem nada sobre mim, dizem sobre elas”

Para não perder mais nenhum trabalho da Tayana, recomendo que você acompanhe as autoras em suas redes sociais (Instagram | Twitter). E se quiser conhecer melhor a história de Proibida de amar, leia a resenha aqui. Se quiser saber que histórias da autora você ainda encontra na Amazon, basta clicar aqui.

Aquela vez em Pirenópolis — Héber Luciano

Título: Aquela vez em Pirenópolis 
Autor: Héber Luciano 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 25 
Ano: 2020

Aquela vez em Pirenópolis é uma história curta — são apenas 25 páginas — mas que consegue deixar a sua marca e gerar muitos sentimentos em nós.

O cenário da história já é tenso por si só: Henrique e Sarah estão presos às ferragens de um carro que capotou e caiu em um barranco, no meio de uma estrada, a noite. 

Enquanto tentam se manter acordados — e vivos — os dois vão relembrando como se conheceram e alguns dos momentos marcantes vividos até ali, nos apresentando à história deles.

“Não teria sido tão incrível, se não fosse tão inesperado, tão desajeitado assim”

A descrição do local do acidente e da situação deles é sempre angustiante. E saber que eles estão esperando um resgate que tem chances baixíssimas de aparecer é ainda mais desesperador.

Entremeado a isso, contudo, temos o romance deles, para trazer um pouco de respiro e alento.

“Jamais amaria alguém da maneira que a amava”

O final desta narrativa surpreende e explica, finalmente, o título dela, nos deixando de queixo caído (e coração em pedaços).

Uma grata surpresa que, se te interessar, pode ser lida a partir do link abaixo, em formato ebook. E se quiser saber mais sobre o autor, não deixe de acompanhar suas redes sociais (Blog | Instagram).

Para fechar 2022

Costumo dizer que me expresso melhor escrevendo, mas este ano mesmo as palavras escritas têm me faltado

2022 foi (tem sido) um ano de muitas histórias, não apenas lidas, mas também vividas. Consequentemente, também tem sido um ano de muitos (bons) pensamentos. E, claro, nessa reta final, de cansaço (faz parte, né, ninguém é de ferro).

Talvez por isso esteja difícil colocar em palavras tudo o que eu gostaria, assim como muitas vezes foi difícil manter o ritmo por aqui (e obrigada a você que continuou acompanhando meus conteúdos, apesar disso). Mas eu não poderia deixar de escrever um último post antes de aproveitar as comemorações de final de ano com a família e de, claro, descansar um pouco.

Dentre as tantas coisas boas de 2022 está a certeza de que ler me faz bem e que ter um espaço para compartilhar essa paixão (e tantas outras) é algo que não quero abrir mão tão cedo. Então, sim, você que me aguente por mais uns anos aqui!

Mas espero que em 2023 eu continue respeitando meu ritmo e fazendo pausas necessárias no Blog. Que eu continue sendo menos rígida com a “agenda de posts” e que escreva sobre o que me der vontade e quando me der vontade. Uma vez mais (e não vai ser a última vez), agradeço a quem respeitou esses ritmos malucos e continuou por aqui, acompanhando e interagindo com cada novo conteúdo e trazendo palavras que me faziam sempre querer voltar para cá o mais rápido possível.

Aliás, pretendo, no próximo ano, voltar com a Newsletter e, provavelmente, deixar de lado o Instagram do Blog que, sinceramente, hoje não faz mais tanto sentido para mim. Então se você quiser um resumo (quinzenal? Mensal? Não resolvi ainda) dos últimos posts e algumas dicas e reflexões rápidas, já se inscreve na news (que é gratuita).

Não sou de fazer metas, nem mesmo literárias (falei muitas vezes nas resenhas como gosto de deixar os livros me escolherem no momento certo), mas desejo que o próximo ano continue sendo um ano com mais presença, mais vida e menos ansiedade e cobranças que, por vezes, as redes sociais nos impõem.

É por isso, também, que este é o último post de 2022. Quero descansar um pouquinho, escrever com calma as resenhas que estão “atrasadas” e começar 2023 trazendo muitos conteúdos novos por aqui.

Então deixo aqui o meu desejo de um ótimo natal e um novo ano excelente para você que está lendo esse post. 

E, claro, não posso deixar de dizer (de novo, sim!) um SUPER OBRIGADA a você que acompanha esse cantinho. Cada visita, cada curtida, cada comentário são essenciais para tornar tudo ainda mais especial e sou extremamente grata por isso.

Teto para dois — Beth O’Leary

Título: Teto para dois 
Original: The flatshare 
Autora: Beth O’Leary 
Editora: Intrínseca 
Páginas: 400 
Ano: 2019 
Tradutora: Carolina Selvatici

Alguns livros são mais difíceis de resenhar que outros e eu não poderia imaginar que Teto para dois seria um desses livros, mesmo depois de ler as palavras da Fernanda nesta resenha.

“Quando repetimos uma verdade vezes o bastante, quando nos esforçamos o suficiente, um dia funciona”

A dificuldade de falar desse livro não reside no fato de que muito já se falou sobre ele, mas sim no quanto ele pode atingir de maneiras tão únicas e pessoais cada um de nós.

“Deveria ficar feliz, mas não consigo”

Com uma narrativa em primeira pessoa que alterna entre os protagonistas, Tiffy e Leon, a história aborda temas como relacionamentos tóxicos, injustiça, amizade, força e a necessidade de falarmos e não desperdiçarmos as oportunidades que a vida nos dá.

“Não deixe sua.. reticência natural atrapalhar você. Deixe claro o que sente por ela. Afinal, você é um livro fechado, Leon”

Tiffy precisa desesperadamente de um lugar não muito caro para morar. Ela e seu (ex) namorado já haviam terminado (de novo) há três meses, mas ela ainda morava no apartamento dele e a situação tornava-se insustentável (isso pode parecer óbvio, mas com o desenrolar da história a coisa só piora…).

Depois de muitas visitas a apartamentos terríveis, Tiffy se depara com um anúncio bem inusitado: uma proposta de divisão de uma casa de apenas um quarto, mas que seria ocupado durante o dia pelo dono e a noite e aos finais de semana por Tiffy.

“É preciso dizer uma coisa sobre o desespero: ele deixa a cabeça da gente muito mais aberta”

Claro que o dono desse anúncio é Leon, que precisa muito de dinheiro para pagar o advogado de Richie, seu irmão, que está preso (injustamente? Só a leitura nos fará descobrir).

Mas de um lado temos Gerty e Mo, grandes amigos de Tiffy, achando essa ideia absurda; de outro lado temos Kay, namorada de Leon, que certamente não gosta nem um pouco de saber que, mesmo que indiretamente, ele vai dividir sua cama com outra mulher.

E claro que essa divisão — que acaba realmente acontecendo — é apenas o começo de tudo o que se desenrola depois.

“Aquela sensação de novo, a raiva represada ao ouvir alguém que você tenta muito amar dizer as piores coisas”

Tiffy tem um coração enorme. Daqueles que não mecerem experienciar a maldade humana tão de perto, mas que talvez justamente por isso, acabam experienciando.

“Estou com medo de que ele esteja preparando alguma coisa. Homens assim não vão embora depois de um susto”

Ao mesmo tempo em que vamos conhecendo aos poucos essa protagonista, também vamos descobrindo, com ela, as feridas de seu antigo relacionamento. Até chegar um ponto em que é difícil não ter horror a Justin.

“Sei que é difícil pensar coisas ruins dele, Tiffy, mas, seja qual for a desculpa que queira arranjar para todo o resto, nem você pode ignorar que ele deixou você para ficar com outra mulher”

Cada revelação e acontecimento são como uma facada no coração ou, pior ainda, um espelho para quem já viveu coisas parecidas, mesmo sem se dar conta.

“Então estar com ele era divertido. Mas será que era bom para mim?”

Enquanto Tiffy vai nos fazendo refletir sobre a toxicidade de seu relacionamento, Leon nos faz enxergar dois outros importantes pontos sobre as relações humanas: a dor de enxergar que já não há mais espaço, em nossas vidas, para aquela pessoa que um dia amamos (e com quem, muitas vezes, ainda estamos juntos, talvez por hábito) e a necessidade de não deixarmos para depois o amor que temos para dar hoje.

“Holly: você é péssimo em contar às pessoas o que sente de verdade”

Se a história de Tiffy e Leon — tanto separadamente quanto quando elas se cruzam — já daria um livro, Teto para dois nos surpreende, também, com as narrativas paralelas que aparecem, e que trazem as demais temáticas que mencionei anteriormente.

Gostei da forma como a amizade de Mo, Gerty e Tiffy funciona. É clara a preocupação de Mo e Gerty com Tiffy, mas eles também sabem que ela precisa caminhar com as próprias pernas, mesmo que eles não estejam de acordo com as escolhas dela. O que, contudo, não faz com eles saiam do lado dela.

“Ser legal é uma coisa boa. A gente pode ser forte e legal. Não precisa ser uma coisa de cada vez”

Foi difícil não se deixar envolver por essa narrativa. Eu estava curiosa com a troca de post its entre Tiffy e Leon, que eu já sabia que acontecia, mas não imaginava que esses pedacinhos de papel nos ajudariam a enxergar tanta coisa também.

“É estranho ver como é fácil conhecer alguém pelos vestígios que a pessoa deixa para trás”

Quando, já perto do final, a história deu um salto de dois anos, eu quase chorei (mais), pois não queria que o livro acabasse. É difícil se despedir de personagens tão marcantes e presentes como esses.

Se você ainda não leu Teto para dois e ficou com vontade, não deixe de clicar abaixo para saber mais. E se você já leu, vem me contar o que achou!