Sobre revisar livros

Quem me acompanha há um tempinho provavelmente já sabe e se você está caindo de paraquedas aqui agora, vai saber neste momento: uma das coisas com as quais trabalho é a revisão de livros. Bom, eu sou, em primeiro lugar, professora de língua e cultura italiana, mas também me divido entre revisões literárias e já atuei com tradução simples de documentos.

Antes de mais nada, acho importante explicar que atuo ou atuei com tantas coisas assim porque a minha formação me permite isso. Sou formada em Letras, tendo um diploma de bacharelado e um de licenciatura. Eu não acho que diplomas são tudo na vida e que apenas eles comprovam nossa capacidade e conhecimento, mas também me entristece ver pessoas que, somente pelo simples fato de gostarem de ler — e lerem muito —, consideram-se revisoras. Não é bem assim que funciona ou não é bem assim que deveria funcionar (porque, infelizmente, acontece e muito!).

O ponto é que um revisor não é um mero leitor e revisar é muito diferente de ler e, mais ainda, de ler por hobby. Como revisora, eu costumo estar aberta a textos que, por hobby, eu não leria, seja pelo gênero, pelo tipo de escrita, o que for. Minha leitura como profissional é diferente daquela de leitora e nem todo mundo consegue separar assim, querendo revisar apenas o que gosta de ler.

Destacados esses pontos, resolvi escrever esse post para falar um pouco sobre a importância da revisão (não querendo puxar a sardinha para o meu lado…) e sobre como funciona o orçamento desse serviço. Gostaria de lembrar, também, que estou falando, aqui, daquilo que eu vivencio e da forma que eu trabalho, o que não necessariamente é uma regra, tá?

Comecemos pela importância da revisão: quando bem feito, esse serviço ajuda a lapidar seu texto, arrumando frases que, anteriormente, estavam confusas, ambíguas, truncadas ou mesmo com muita repetição de palavras ou cacofonias (que é quando acontecem algumas junções de palavras que não soam muito bem aos nossos ouvidos).

Mas é preciso tomar cuidado, pois há revisores que têm uma formação extremamente gramatical e acabam querendo corrigir demais, retirando um pouco da liberdade literária do autor e aqui acho importante lembrar outra coisa: é o autor quem deve dar a palavra final. Tem autores que dizem “ah, mas eu não entendo nada dessas coisas, só aceito tudo o que o revisor disser que tem que arrumar”. Tudo bem, é uma escolha sua, mas faça-a consciente de que você concorda com ela. Se você viu alguma alteração com a qual não concorda, mesmo que não entenda, pergunte, veja se é realmente necessário. Faça desse momento, também, um momento de aprendizado e de troca.

Ainda que que o autor vá simplesmente acatar todas as sugestões do revisor, considero importante que o trabalho seja feito com o controle de revisão ativado. O controle de revisão é aquela ferramenta que vai mostrando exatamente onde e o que está sendo modificado no texto.

E como é feito o orçamento de uma revisão? Antes de explicar como ele é feito, queria dizer porque resolvi mencionar isso. Bom, a verdade é que esse é um mercado um pouco complexo: cada revisor pode cobrar de uma forma e o até mesmo valores diferentes (não é como na tradução que, em tese, os valores são tabelados), por isso, quando você for buscar um revisor para a sua obra, pesquise, compare preços e serviços.

Quando me procuram pedindo orçamento, gosto de solicitar duas informações: número de caracteres com espaço do texto e quantidade de páginas do arquivo. Com a primeira informação eu consigo calcular o valor e, com a segunda, o prazo que eu preciso para realizar o serviço. Claro que, vendo o arquivo, é possível dar um orçamento e um prazo bem mais precisos do que tendo apenas essas informações, mas entendo perfeitamente que nem todo mundo se sente seguro em já compartilhar o arquivo sem saber se fechará o serviço ou não.

Aqui também cabe explicar que cobro a revisão por lauda, porque considero que esta é a maneira mais justa para todos. O tamanho de uma lauda pode variar de revisor para revisor (eu falei que era complexo!), mas geralmente ela mede entre 1200 a 2100 caracteres. Atenção: estamos falando de caracteres e não de páginas. Isso significa que, por exemplo, se seu livro tem imagens, você não será cobrado pela “revisão” delas, porque elas não contam como caracteres. Imagina, seu arquivo tem 300 páginas, mas 150 são só de imagens. Você irá pagar pela revisão do texto contido em apenas 150 e não em 300 páginas. Também pode acontecer de ter páginas com textos que vão só até a metade delas, não seria justo pagar o valor da revisão de uma página inteira nesses casos, né? Com a lauda, essas pequenas “injustiças” do orçamento não ocorrem.

Para calcular o valor, é preciso fazer uma continha que pode parecer maluca, mas não é: dividir a quantidade de caracteres informada pela quantidade de caracteres que você considera que tem a sua lauda e, depois, multiplicar o resultado dessa conta pelo valor que você cobra. Confuso? Vamos a um exemplo:

Costumo considerar a lauda com 2100 caracteres, assim sendo, se seu texto tem 100.000 caracteres (lembrando, cobro contando espaços), devo fazer a seguinte conta: 100.000/2100 = 47,61. Isso significa que 47,61 é a quantidade de laudas do seu texto. Portanto, eu pego esse valor e multiplico ele pelo valor que eu cobro em cada lauda. Suponhamos que eu cobre R$4 por lauda. Teríamos, portanto, 47,61 X 4 = 190,44. O valor da revisão da sua obra seria, então, de R$190,44.

Com relação aos valores acima, algumas considerações: há revisores que fazem distinção do tamanho da lauda para textos literários ou textos acadêmicos. Para facilitar minha vida, eu considero sempre 2100 caracteres com espaço, não importando o tipo de texto. Já com relação ao valor em si, ele também pode variar muito de revisor para revisor, sendo que R$4 é considerado um valor até que baixo. Mas, sendo sincera, como costumo revisar obras de autores independentes, muitas vezes iniciantes, eu cobro até menos de 4 reais por lauda… E considero que tudo é uma questão de diálogo também. Pode ser que você recebe um orçamento, mas que o revisor aceite dar um descontinho. Ou pode ser que não. E eu gosto de arredondar os valores (geralmente para baixo), então no exemplo acima eu provavelmente cobraria R$190.

Como eu disse lá no início — e não achei que esse texto ficaria tão grande — o que eu trouxe aqui foi partindo da minha experiência e sabendo que temos de lidar com muitas variáveis nesse percurso. Sou uma pessoa muito aberta e que está sempre aprendendo.

Aliás, também gostaria de lembrar algo muito importante: revisores não são máquinas! Mesmo que você escreva bem, mesmo que você contrate um excelente revisor, seu texto ainda pode sair com um errinho ou outro. Até livros publicados em grandes editoras podem sair com um errinho ou outro, faz parte, somos todos humanos. Mas, sem dúvidas, se o trabalho for bem feito, esses probleminhas serão reduzidos ao mínimo possível.

E por último, mas não menos importante: depois de tudo o que eu disse, não esqueça de valorizar o trabalho de um revisor! Buscar dar o nosso melhor para que você entregue o melhor do seu texto nem sempre é fácil. Passamos horas e horas diante das telas de um computador, pesquisamos, ficamos matutando frases, tudo para realmente entregar uma obra ainda melhor do que aquela que recebemos.

Se te interessa conhecer um pouco do meu trabalho nessa área, convido a visitar a página portfólio, aqui no Blog, na qual estou listando as obras que revisei e já estão publicadas.

Parcerias literárias com editoras

Eu poderia jurar que em algum momento já havia escrito sobre isso por aqui, mas dei uma procurada e não achei nada. Como em julho é provável que algumas editoras abram parcerias, acho que é um bom momento para batermos um papo sobre o assunto, pensando nos prós e contras, mas também no que você pode fazer para se destacar caso deseje muito conseguir uma parceria.

Vantagens de uma parceria literária

Sem dúvidas, conseguir uma parceria literária com uma editora traz diversas vantagens. Até porque, se não fosse assim, não seria uma prática tão comum e, muitas vezes, tão concorrida, né?

Para mencionar o óbvio, por meio dessas parcerias podemos receber diversos mimos e livros, físicos ou digitais. É importante ressaltar que tudo depende da editora com a qual você consegue uma parceria. Pequenas editoras, por exemplo, nem sempre conseguem enviar livros físicos aos seus parceiros, mas disponibilizam o ebook e outros materiais, além de fazer sorteios ou enviar brindes.

Além disso, o seu conteúdo passa a ganhar certo destaque, afinal uma editora decidiu confiar em seu trabalho. E não só isso: você passa a estar em contato com outros produtores de conteúdo, além de conhecer um pouco mais dos bastidores literários. Você pode conhecer muita gente bacana e aprender de montão com uma parceria dessas.

Infelizmente, porém, nem tudo são flores…

Desvantagens de uma parceria literária

Em primeiro lugar, uma parceria implica certas obrigações. Se você recebe um livro, não importa se em formato digital ou físico, espera-se que você fale sobre ele, que o mostre em suas redes sociais, que o resenhe. E isso costuma ter prazos, além de ser cobrada certa frequência. Ou seja: com uma parceria literária, a leitura — que antes talvez fosse apenas um hobby — pode se tornar uma obrigação.

Além disso, é preciso tomar cuidado, pois algumas editoras cobram mais do que oferecem. Lembre-se sempre que a parceria deve ser uma via de mão dupla. Não é porque a editora te ofereceu um livro ou um ebook que ela tem direito de cobrar de você um trabalho que não lhe cabe.

Como conseguir certo destaque

Pode parecer estranho eu vir aqui falar sobre como conseguir certo destaque na hora de se inscrever para uma parceria, mas tem duas dicas que eu gostaria muito de compartilhar, principalmente para quem ainda é “pequeno”.

A primeira coisa, na verdade, eu li uma vez no twitter e, desde então, penso muito sobre o assunto: como você quer conseguir parceria com uma editora se você não acompanha o trabalho dela, não apoia o conteúdo que ela produz? Pior ainda: se você nunca viu nada daquela editora, como sabe que ela produz livros que são realmente do seu interesse?

Isso é muito importante para você que acha que tem que se inscrever em todas as parcerias que aparecem pela frente, para ver se consegue ao menos uma delas. De que adianta, no final das contas, realmente conseguir ao menos dessas parcerias, se depois você vai se frustrar com os livros da editora em questão?

O meu segundo conselho é: seja diferente, e com autenticidade. Eu sei, não é nada fácil, eu mesma sou péssima nisso. Mas sabe quando tem um campo tipo “você tem algo mais a nos dizer?” ou qualquer coisa assim? Procure não deixar ele em branco! Às vezes, esse é o espaço perfeito para você conquistar quem está avaliando as inscrições.

Eu já participei da seleção de parceiros de uma pequena editora e como um dos critérios era o real interesse da pessoa em ser parceiro da editora para crescer junto — e não simplesmente para ganhar livro de graça — esse campo foi crucial para captar algumas pessoas que pareciam ter interesse no trabalho — através de comentários como “só queria ser selecionada” ou “gosto muito de vocês” — e excluir aquelas que só tinham interesse em ganhar algo — geralmente são pessoas que escrevem perguntas do tipo “quantos livros vocês enviam?”, “mas vai ser só ebook mesmo?”.

Conclusões

Já tive uma curta experiência como parceira literária de pequenas editoras e também já organizeis e selecionei parceiros para uma pequena editora e, por isso, achei importante falar sobre o assunto. Como tudo na vida, as parcerias literárias têm as suas vantagens e desvantagens e é importante, antes de mais nada, colocar na balança tudo aquilo que queremos ou não para nossas vidas.

No momento, eu não sinto vontade de firmar parcerias com editoras, apesar de enxergar certa importância nisso para o crescimento do Blog e, claro, saber que é uma alegria ver editoras reconhecendo nosso trabalho. Mas eu sei que preciso ler o que quero e porque quero, então prefiro fazer as coisas no meu ritmo, ao menos agora. E você, o que acha disso?

O que nós lemos?

Recentemente traduzi um artigo sobre o que os italianos leem. A Nati comentou que adoraria ver um comparativo dos dados daquele artigo com dados da realidade brasileira e pensei que isso não seria tão difícil, visto que temos a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.

Para quem não sabe, a Retratos da Leitura “é a única pesquisa em âmbito nacional que tem por objetivo avaliar o comportamento leitor do brasileiro” (explicação retirada do site da Plataforma Pró-Livro). Com isso, realmente a tarefa deveria ser fácil, mas devo confessar que achei a exposição dos dados um pouco confusa e, de antemão, peço desculpas se avaliei algo erroneamente.

O artigo que eu traduzi é de novembro de 2020 e a última Retratos da Leitura saiu também em 2020 (tendo sido realizada entre outubro de 2019 e janeiro de 2020). Creio que seja possível fazer um comparativo com esses dados.

Para começar, é importante ressaltar que na Itália considera-se a população que lê ao menos um livro por ano, enquanto para a pesquisa brasileira considera-se leitor aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses. Dito isso, temos que 40,6% da população italiana lê ao menos um livro por ano, enquanto no Brasil temos que 52% da população é considerada leitora (mas em 2015 éramos em 56%!).

Assim como na Itália, no Brasil a quantidade mais alta de leitores está entre os jovens, principalmente entre os 11 e os 17 anos. E, por aqui, as mulheres também leem mais que os homens, mas a diferença é bem pouca: 54% do público é feminino e 46% masculino.

Um dado muito interessante no cenário brasileiro é o percentual de leitores na região Norte (que é bem diferente da região Norte italiana em termos populacionais e de desenvolvimento/infraestrutura): 63%. É a região com maior percentual, seguida pela região Sul (58%), Sudeste (51%), Nordeste (48%) e Centro-Oeste (46%). Também é interessante notar que, com relação à escolaridade, a maior parte dos leitores está entre os que possuem Ensino Médio e não necessariamente o Ensino Superior, o que é um pouco diferente dos dados italianos.

Um livro que não sai dos mais lidos entre os brasileiros é a Bíblia. Para além disso, lê-se muitos contos, livros religiosos e romances. Entre os livros mais lembrados temos “A Cabana”, “O pequeno príncipe” e “Turma da Mônica” e dentre os autores preferidos pelos brasileiros temos Machado de Assis, Monteiro Lobato e Augusto Cury.

Na pesquisa italiana foi mencionado que crianças que crescem em famílias leitoras, leem mais. Na pesquisa brasileira, algo que salta aos olhos é que 67% dos leitores afirma não ter sido influenciado por ninguém em especial, enquanto 11% foi influenciado por professores e apenas 8% pela mãe ou responsável do sexo feminino!

Sobre formato do livro (físico ou digital) temos dados relativos ao último livro lido entre os entrevistados: 92% leu em papel e apenas 8% em algum formato digital. Além disso, 30% comprou o último livro em loja física e 9% pela internet. Na Itália também ainda há uma boa disparidade entre leitores de livros físicos e digitais. No geral, porém, no Brasil, 37% dos leitores já leu em formato digital, havendo ainda, contudo, uma declarada preferência (67%) por livros físicos.

Para 56% dos leitores brasileiros as bibliotecas representam um lugar para pesquisar ou estudar (em 2015 essa porcentagem era de 71%!) e para 22% um lugar para emprestar livros. Assombrosamente, por outro lado, a porcentagem de pessoas que respondeu que existe uma biblioteca pública em sua cidade ou bairro caiu de 67% em 2007 para 47% em 2019. Onde vamos parar??

E os motivos para ir a uma biblioteca são: ler livros para pesquisa ou estudar (51%), ler livros por prazer (33%), estudar ou fazer trabalhos (21%). E dentre aqueles que não frequentam bibliotecas, o que poderia mudar essa condição seria o fato dela ser mais próxima de casa (17%) ou ter mais livros ou títulos novos (14%). Mas a verdade é que para a maioria (29%) nada mudaria isso.

Esses são alguns dos dados que consegui comparar entre as pesquisas vistas. Como eu disse no início, achei a apresentação da Retratos da Literatura um pouco confusa e nem sempre foi possível analisar exatamente o mesmo tipo de dado entre uma pesquisa e outra. Porém, foi bem interessante ter essa visão, até porque aqui também ouve-se muito que o brasileiro não lê, que livro é coisa de rico e absurdos assim.

Por fim, também gostaria de fechar o meu post com algumas curiosidades com relação à pesquisa brasileira:

  • O lugar onde mais lemos (principalmente agora, né?) é em casa e, em segundo lugar, na sala de aula;
  • costumamos ler parte de um livro mais de uma vez, bem como muitos leitores começam a ler um livro e o largam sem terminar;
  • 47% dos leitores não lê mais por falta de tempo (e a média é de 5 livros lidos por ano);
  • em ordem, os fatores que mais influenciam leitores na escolha de um livro são: tema ou assunto, capa e autor.

A importância da leitura sensível e da leitura crítica

Confesso que a motivação para escrever este post vem de um livro que li ano passado. Ou melhor, não li, apenas iniciei. Eu dificilmente largo um livro depois de começar a ler, mas ano passado foram dois, quase ao mesmo tempo. E não sei se o problema estava realmente nos livros ou se foi também pelo fato de que iniciei a leitura um pouco antes de começar a quarentena por aqui… Mas o fato é que, num desses livros, havia uma coisa bem clara me incomodando.

Quem me acompanha por aqui provavelmente já sabe que eu sou professora de italiano. Fiz faculdade e continuo a estudar cotidianamente sobre a língua e a cultura. Um dos livros que larguei ano passado trazia um personagem italiano. Coisa, aliás, que me fez ir atrás do livro para ler.

Eu já sabia, antes de iniciar a leitura, que esse tal personagem, na história, pertencia à máfia italiana, mas isso não me pareceu um problema. Não até eu iniciar a leitura e me dar conta que, uma vez mais, eram pessoas de fora tentando retratar a “famosa máfia italiana”.

A questão é que máfia é uma coisa muito complicada. E muito séria também. Sabe aqueles políticos que nos deixam indignados porque desviam dinheiro, roubam milhões e deixam outras milhares de pessoas na miséria? Pois é, a máfia não é muito diferente disso… Matam sem dó, extorquem as pessoas…

Para além do fato de que reproduzimos erroneamente um conceito de máfia que foi exportado, principalmente, pela indústria cinematográfica, o livro em questão me incomodou porque a autora quis inserir “falas em italiano”, mas, aparentemente, sem ter conhecimento algum da língua e, consequentemente, recorrendo ao Google Tradutor. Era fácil perceber isso porque havia palavras que eu entendia como uma tradução literal ou então frases que não faziam sentido algum em italiano.

E o pior que esse não foi o primeiro livro no qual vi algo do tipo, mas no anterior, como não era o foco da história, consegui relevar mais facilmente.

A questão é que isso ficou ecoando em mim (bom, já faz mais de um ano e só agora que, finalmente, estou escrevendo esse post!). Eu não sou de criticar autores nacionais, muito pelo contrário aliás, vocês sabem que boa parte das minhas resenhas são de autores que estão iniciando ou que ainda não têm um grande público. E eu realmente não sou uma leitora chata, mesmo tendo um olhar crítico.

Mas o fato de eu relevar muita coisa não significa que eu não enxergue, por exemplo, erros de português (sim, tem dias que a revisora que habita em mim está atacada) ou coisas que, sinceramente, poderiam ser melhoradas em uma história.

A questão é que, muitos autores, seja por falta de tempo, de dinheiro ou mesmo de conhecimento, se esquecem que escrever um livro vai muito além de sentar e escrever (por mais contraditório que isso possa soar). Escrever um livro pode envolver muita pesquisa e planejamento antes da escrita em si e muito aprimoramento depois que é colocado o último ponto final do arquivo. Sim, porque depois da primeira escrita é que podemos lapidar e melhorar aquela obra, por mais cansativo que isso pareça (e é).

Nem sempre seremos nós a enxergar o que precisa ser melhorado! Por isso a importância de um leitor beta, um leitor crítico, por vezes um leitor sensível e, claro, um revisor (mas isso é coisa para depois da história já lapidada).

E aí você vira e me diz: leitor beta? Leitor crítico? Leitor sensível? O que são essas coisas? Bem, os nomes talvez já se expliquem (ao menos em partes), mas vou tentar trazer uma breve descrição de cada um desses tipos de leitor.

Leitor beta

O leitor beta é o seu primeiro leitor. Aquela(s) pessoa(a) para quem você vai mostrar seu livro antes de todo mundo, para poder ver as reações dessa(s) pessoa(s) enquanto lê(em). Pode ser um cônjuge, parente, amigo, quem for. Só tem de ser alguém em quem você confie e que também uma pessoa que tenha afinidade com o tipo de texto que você escreve (porque, se a pessoa não gosta daquilo, pode não gostar de seus escritos, o que não significaria que eles estão ruins!). E se você não conhece nenhuma pessoa que preencha esses requisitos, saiba que existem muitos leitores dispostos a ser leitor beta, mas é preciso saber encontrá-los. Alguns até podem cobrar por esse tipo de “serviço”, ainda que a leitura beta seja a mais fácil de se conseguir gratuitamente. Encontrar um leitor beta que não seja alguém do seu círculo social também pode ser bom, porque a pessoa poderá te dar uma opinião até mais sincera do que alguém que você conheça e que pode ter medo de te magoar.

Leitor crítico

O leitor crítico já está um passo além do leitor beta. Neste caso, é importante escolher alguém que tenha uma certa bagagem literária e que seja ainda mais sincero em suas opiniões (aqui já é mais difícil contar com conhecidos, pois eles acabarão tendo uma visão menos imparcial da obra). O que espera-se desse leitor é que ele leia a obra e aponte os pontos fortes e fracos, sugerindo modificações onde achar necessário (modificações essas que podem ou não ser aceitas pelo autor, que é quem dá a palavra final) e apontando o que poderia ser melhorado. Neste caso, é mais provável que você encontre pessoas que cobrem por esse serviço, afinal, ele requer dedicação e conhecimento.

Leitor sensível

Por fim, alguns tipos de obra requerem a leitura de um leitor sensível. Se você escrever sobre alguma minoria ou cultura que não é a sua, contrate um leitor sensível que tenha conhecimento sobre aquela causa. Isso vai evitar que você passe vergonha com o seu livro publicado, viu?

Vamos supor que você quer escrever sobre um personagem surdo, mas você é uma pessoa ouvinte. Por mais que você pesquise, se informe, conheça pessoas surdas, é importante contratar um surdo para fazer a leitura sensível de sua obra, pois só ele poderá dizer se a sua representação está bem feita, se você não deixou passar algo (para um ouvinte colocar um personagem surdo ouvindo algo é rapidinho, né?).

No caso de autores brasileiros que queiram escrever sobre a máfia italiana, claro, a leitura sensível já é um pouco mais complicada. Isso porque o ideal seria contratar alguém que vive (ou viveu) numa cidade dominada por esse tipo de poder, mas aí temos dois empecilhos: o fato de que “onde eu vou achar uma pessoa dessas? Eu nem falo italiano!” e o fato de que talvez as pessoas não queiram falar sobre isso, porque a vida delas poderia estar em risco (pois é!).

Para esses casos, porém, é importante buscar informações em fontes seguras e históricas, a fim de evitar apenas a reprodução de estereótipos. Além disso, você também pode contar com a leitura de pessoas que tenham mais conhecimento que você sobre aquele determinado assunto, de acordo com a formação delas (e outras bagagens culturais, porque diploma também não é tudo nessa vida, né?).

E você, já leu algum livro e sentiu que faltou uma leitura crítica e/ou sensível antes da publicação?

Como ler mais gastando menos?

Confesso que eu estava cheia de ideias de posts para o Blog, mas ver, todo santo dia, pessoas normalizando o pirateamento de livros, me dá uma agonia e uma tristeza sem tamanho, então resolvi mostrar como é possível ler mais gastando menos. Vocês me acompanham nessa?

A dica mais óbvia que eu poderia dar é: frequente a(s) biblioteca(s) de sua cidade. Mas Tati, estamos no meio de uma pandemia! Sim, por isso que eu disse que essa é a dica mais óbvia que eu poderia dar.

Outra opção são os sebos, e aqui já conseguimos entrar em um meio termo: muitos sebos, hoje em dia, possuem site ou algum espaço virtual similar. Aliás, existe o Estante Virtual também, que te ajuda inclusive a encontrar o melhor preço! E não ache que sebo vende só livro velho, viu? Já vi muita gente com edições lindíssimas e super bem conservadas compradas em sebo, e por preços ótimos.

Uma coisa que comecei a fazer ano passado e que, até agora, só tive boas experiências, foram as trocas no Skoob. Já comentei um pouco mais como funciona neste post. Com a pandemia, deixei minha estante “pausada”, isto é, ninguém pode solicitar meus livros, para que eu não tenha de ir aos correios. Consequentemente, não tenho créditos para solicitar um livro que eu queira.

Agora a dica para quem realmente não quer nem levantar da cadeira para ler mais gastando menos: Amazon. Eu sei, algumas pessoas são totalmente contra esse site, mas se você é contra a Amazon e piratei livros, fica meio difícil dialogar, não?

Geralmente, o “pirateamento” de livros é o compartilhamento de pdfs (e afins) do mesmo, correto? Isso significa que a pessoa está disposta a ler através de uma tela, seja ela do computador, do celular ou mesmo de um e-reader. Se a pessoa está disposta a fazer isso, o que custa acessar o site da Amazon e ver os ebooks gratuitos que estão lá? Sério, a cada dia diversos são disponibilizados ali! E você não precisa de um kindle para lê-los, você só precisa ter uma conta na Amazon e usar o aplicativo do kindle em seu celular ou computador, isto é, a mesma tela que você usaria para ler o arquivo pirata.

Também tem muita coisa boa que surge em plataformas como Wattpad e Sweek, então por que o preconceito de ler por elas? Muitos livros publicados por grande editoras, aqui no Brasil, foram publicados, primeiro, em uma dessas plataformas.

Ah, mas eu quero ler o livro modinha, o bestseller do momento, livros tops em inglês. Bom, então você talvez tenha um pouco mais de trabalho, mas para tudo tem solução. E neste caso é a comparação de preços. Pesquise em sites, acompanhe a variação do preço, veja o valor do frete. Eu, por exemplo, passei a minha lista de livros desejados do Skoob para a Amazon e agora eu entro lá todo dia e vejo o valor dos livros.

Bom, essas são as dicas que eu sempre dou para quem vem tentar normalizar pirateamento de livros para cima de mim. Não há nada que justifique essa escolha, a não ser o fato de que a pessoa realmente não está nem aí para toda a gente que trabalha neles até que eles efetivamente cheguem ao leitor. Sem contar que, piratear livros só faz com que menos e menos escritores tenham disposição e tempo para se dedicar a isso e nos presentear com novas histórias.

E olha que nesse post eu nem mencionei iniciativas incríveis como a Winnieteca ou a Bienal da Quebrada, que também contribuem para que mais livros cheguem a quem não pode pagar por eles.

E vocês, pessoal, o que fazem para ler mais gastando menos? E conhecem outras iniciativas como essas duas últimas que acabei de citar?

O que há dentro de um livro?

Quem lê a pergunta do título deve logo pensar: a história, ora essa! Mas será que é só isso que encontramos dentro de um livro? Por mais que a história seja incrível, a melhor de todas, é só ela que está ali?

Já te adianto que, em minha opinião, não! Pense, para começar, em um livro físico. Logo de cara podemos citar as orelhas dele. Em algumas, as editoras (ou o próprio autor) optam por colocar a sinopse na frente e uma biografia do autor atrás; outras escolhem colocar um trecho da história ali; há, ainda, os que preferem colocar comentários de leitores que já leram o livro.

Seja qual for a escolha feita, porém, uma coisa é certa: nas orelhas podemos encontrar algo a mais. Me lembro que, quando eu era mais nova, não costumava ler as orelhas antes da história em si. Mas depois, se o livro me agradasse demais, eu ia até elas, na esperança de ter alguns momentos extras com aquele universo.

Outra coisa que passa batido para muitos leitores, seja de ebooks ou de livros físicos, são as primeiras páginas do livro e, principalmente, a ficha catalográfica (aquele quadrado com algumas informações como o nome do autor, a Editora, número da edição…). Você já pensou que são nesses espaços que podemos ter um mínima ideia das pessoas envolvidas na produção daquela obra?

Um livro, para chegar até nós, não passa somente pelas mãos do escritor. Tem os tradutores (no caso de livros estrangeiros, claro), revisores, diagramadores, capista. Isso sem contar as equipes que tornam a concretização da obra possível, como o pessoal da gráfica e do marketing. Algumas obras também passam pelas mãos de agentes literários, leitores beta….

Claro que, livros publicados de forma independente, não envolvem grandes equipes, porque o autor acaba tendo de desembolsar tudo e, muitas vezes, por não dispor de tanto dinheiro, opta por desempenhar mais de uma das funções que mencionei acima.

Não vou mentir e dizer que, desde sempre, eu me interessei por essas informações. O fato de, aos poucos, ter entrado nesse universo, não mais como uma mera leitora, mas como alguém que também trabalha com livros e que busca participar de eventos da área, é que me fez valorizar ainda mais esses aspectos, querer conhecer os nomes — não só do autor — que estão por trás dos livros que leio.

Mas há coisas, para além da história, que sempre gostei de absorver com calma: as dedicatórias e os agradecimentos. Não a toa, sempre sonhei em ver meu nome ali, coisa que, recentemente, se concretizou, graças às parcerias firmadas através deste Blog.

Alguns livros podem trazer, ainda, uma apresentação da obra ou do autor, uma nota ou observação feita pelo próprio escritor, por um estudioso ou crítico da área… Elementos que, geralmente, vêm para acrescentar algo à nossa leitura, mas que nem sempre queremos realmente ler ou ao menos nem sempre lemos antes da história em si, que é o que nos interessa.

Recentemente, porém, uma coisa me deixou espantada: passei rapidamente os olhos por uma polêmica, no Twitter e, pelo que entendi, algumas pessoas estavam indignadas que alguns leitores não leem prefácio, prólogo e notas de rodapé. Logo me juntei ao time dos indignados! Prefácio e prólogo fazem parte da história, não? As notas é até compreensível, porque, às vezes, elas podem atrapalhar a fluidez da leitura e, se acreditamos que entendemos o significado do que será explicado, tal ação é até perdoável.

E então, como vocês enxergam os livros? Apenas como a história nele contada, ou a história por trás do “objeto” em si?

“A literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo”

“A literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo”

Sim, meus queridos, hoje me deu vontade de comentar um pouco sobre uma matéria que leva o título acima e que vocês podem ler na íntegra aqui. Um post um pouco diferente e que acho muito válido com relação à temática deste Blog. Vamos nessa?

Em primeiro lugar, acho importante destacar que quem faz a afirmação acima e tantas outras presentes ao longo da matéria mencionada é um professor de literatura italiana da Universidade de São Paulo: Maurício Santana Dias. Porém o Maurício não é “apenas” professor, mas também um grande tradutor (falo mais sobre isso daqui a pouco). E, seja para ser um excelente professor de literatura, seja para ser um grande tradutor, é preciso, antes de mais nada, ser um ótimo leitor.

Quando falo que o Maurício é um grande tradutor, estou me referindo às inúmeras obras traduzidas por ele e também aos prêmios que ele já recebeu por seu trabalho. O mais recente prêmio foi obtido este ano mesmo, na Itália, um pouco antes do país fechar as portas diante da pandemia do coronavírus. Ele foi condecorado com o Prêmio Nacional de Tradução do Ministérios de Bens Culturais e do Turismo da Itália. Chique, né?

Ao longo da matéria em questão, são destacadas algumas falas do professor, sobre a importância da literatura, inclusive como instrumento para pensar o mundo (daí o título) e a importância de todos os tipos de literatura, não apenas a de ficção. Além disso, ainda há muita dica de livros da literatura italiana (já traduzidos para o português) extremamente adequados para o momento que vivemos hoje (e para tantos outros).

“A literatura vai muito além do entretenimento”

Infelizmente, porém, sou obrigada e discordar de uma pequena parte da fala do professor: ele afirma que esse é o momento que mais temos para ler. Não sei se é bem assim. Tenho visto muitas pessoas que estão tendo de trabalhar o dobro do que trabalhavam antes (mesmo estando em casa — ou talvez justamente por causa disso) ou então pessoas tão esgotadas mentalmente que não têm coragem nem mesmo de pegar um livro mais leve para ler. E, no final das contas, tudo isso é extremamente compreensível. Se você está lendo menos que o normal, contrariando expectativas vindas de não sei onde, saiba que isso não te torna menos leitor e menos nada diante dos outros. A literatura vai muito além do entretenimento, mas ler ainda deve ser um momento de prazer, não de pressão. E precisamos, agora, mais do que nunca, viver um dia de cada vez, com calma, e sem pressões desnecessárias.

E vocês, concordam que a literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo?

O que eu aprendi organizando uma antologia?

O que eu aprendi organizando uma antologia_

Eu comentei na resenha de Um amor para chamar de meu que fui a organizadora dessa antologia. E, ao menos para mim, não é todo dia que tenho uma oportunidade dessas (aliás, essa foi a minha primeira!), ainda mais em se tratando de romance, que eu adoro!

Mas… O que aprendi com isso?

Em primeiro lugar (e esse provavelmente foi o aprendizado mais difícil): a dizer não. No edital estava previsto que poderia ser selecionada uma quantidade de contos e recebemos mais do que esse número. Acabamos, por conta disso, aceitando alguns a mais, mas, ainda assim, não era possível aceitar todos, então tive de fazer escolhas e, a parte mais difícil, enviar alguns emails dizendo que determinado conto havia sido recusado.

Isso significa que recusei contos que estavam ruins? Absolutamente não! Eu apenas tiver de fazer escolhas (difíceis) e, infelizmente, dizer não a histórias que eram boas, mas que, por exemplo, estavam parecidas com outras também recebidas ou óbvias demais, enquanto as mais surpreendentes foram, sem dúvidas, escolhidas.

Outro ponto, mas esse não sei se posso dizer que “aprendi algo”, mas que ao menos “refleti sobre” foi em relação a ordem dos contos. Depois de ter selecionado as histórias que fariam parte da antologia, me deparei com uma grande dúvida: em que ordem apresentá-las aos leitores?

Tentei buscar alguma luz ou alguma dica no Google, mas nada. Ninguém para me ensinar “como escolher a ordem dos contos em uma antologia”. Então fui no feeling mesmo, tentando mesclar um pouco. Histórias que fossem mais parecidas, tentei separar, para não ficar repetitivo; narrativas mais lentas, intercalei com aquelas mais rápidas; histórias um pouco mais tristes em meio às mais felizes. Agora, se eu alcancei algo com isso, só os leitores podem dizer…

Aprendi, ainda, sobre o trabalho que dá organizar uma antologia. Quem me acompanha por aqui talvez saiba que eu colaboro bem de pertinho com a Editora Lettre, então sei que todo o trajeto editorial não é fácil, são muitos detalhes para nos preocuparmos. E estar à frente de uma antologia me mostrou na pele tudo isso. Decidir (e cumprir) prazos, estar com contato com os autores, ler e reler tudo, escrever sinopse e prefácio, divulgar, resolver imprevistos… UFA!

Mas isso me lembra outra coisa que aprendi: o quão gratificante tudo isso é. A sensação de ver os autores felizes com a publicação de suas histórias; de ver os leitores elogiando a antologia; de ter um trabalho conhecido pelo público. Um amor para chamar de meu me trouxe coisas que eu jamais achei que poderia esperar.

E se engana quem acha que o trabalho de organizar uma antologia termina quando ela é publicada. Seguimos aqui, tentando fazer com que ela chegue a mais e mais pessoas. Semana passada, por exemplo, a Editora Lettre publicou uma entrevista com os autores da antologia! E eu, mais uma vez, estive nos bastidores, ajudando a organizar as respostas que recebemos e a montar o texto final. Quem quiser conferir o resultado, pode clicar aqui.

Como começar a ler?

Como começar a ler_

Já ouvi muita gente afirmando categoricamente que não gosta de ler. Também já escutei coisa do tipo “eu queria ler mais, mas não consigo. O que eu posso fazer?”. Confesso que uma frase como essa segunda mexe muito comigo (não que a primeira não mexa também, mas vocês entenderam).

O objetivo desse cantinho é incentivar a leitura e, veja só, nem sempre apenas falar sobre um livro, sobra sua história e sobre o que me chamou a atenção naquelas páginas é suficiente para que uma pessoa quebre a barreira entre o não ler e o ler.

Andei refletindo muito sobre o assunto. É claro que dicas de “como começar a ler” ou “como ler mais” é o que não falta por aí. E, ainda assim, as pessoas não leem? Por que? Confesso que também não sei, mas quis arriscar trazer algumas sugestões aqui.

Para começar, eu gostaria de dizer que, hoje em dia, é muito difícil encontrar alguém que não seja um leitor. Sim! Porque aposto que você não lê livros, mas lê notícias em jornais e revistas, posts de blogs e até mesmo os famosos “textões” das redes sociais. Pois bem, ainda que não sejam livros, são leituras. E um primeiro passo para ler (e ler mais) talvez seja a substituição: troque a leitura de uma notícia que vai te deixar mal, por algumas páginas de um livro gostoso. Troque textões, que talvez não te acrescentem muito, por alguns parágrafos daquele livro que está parado na sua estante há alguns meses.

Às vezes também pode acontecer, porém, de você ter dado início a vários livros e nunca ter conseguido acabar um. Mas te pergunto: qual era o gênero desses livros? E eu sei que essa é uma pergunta bem ampla e que requer ao menos uma dupla análise: talvez você prefira ler poesias a romances, mas acabou sempre iniciando a leitura destes e nunca mergulhou na leitura daqueles. Ou então você prefere crônicas a contos, mas, desconhecendo a diferença entre eles. Por outro lado, talvez você tenha só começado a ler livros de romance, mas goste mesmo de um bom thriller ou mesmo uma biografia, por exemplo. Eu pretendo começar a escrever mais sobre essas coisas por aqui também. Sobre gêneros, seja formato, seja tipo de histórias, e, quem sabe, vocês poderão dar uma nova chance aos gostos de vocês.

Nesse mesmo quesito, existe outro ponto muito importante a ser levado em consideração. Eu, confesso, não me importo com isso, mas descobri que muita gente sim: o tipo de narrador do livro! A maioria das histórias são narradas em primeira ou em terceira pessoa. Há leitores que só gostam de livros escritos em primeira pessoa, assim como o contrário também acontece. Você já havia parado para pensar nisso?

Um ponto elementar mas não muito: se você não tem o hábito de ler, preste atenção ao tamanho. E aqui eu não estou falando somente do tamanho do livro em si, mas também dos capítulos e até mesmo dos parágrafos. E por que? Porque se você não tem o hábito de ler, você talvez se canse mais facilmente ou perca a paciência mais facilmente. Se você interrompe a leitura no meio de uma ideia (ou seja, no meio de um capítulo e, pior ainda, no meio de um parágrafo) é ainda mais difícil você querer retornar a ela. Bom, pelo menos é o que eu acho!

E, ainda nessa linha, não crie metas irreais. Ler é um hábito, ou seja, algo que você vai adquirindo aos poucos e com persistência. Não ache que você só será considerado um leitor se ler um livro de pelo menos 200 páginas e se ler pelo menos três livros por mês. Não! Esse números não dizem nada. É melhor ler pouco, mas ler com qualidade. E claro, gostar do que se está lendo. Fora que, algumas leituras exigem mais tempo que outras. Algumas exigem que a gente faça uma pausa, respire, reflita. E claro: não se cobre a terminar um livro que você está odiando. Começou a ler algo e não gostou? Parte para a próxima! Talvez não seja o momento de ler aquilo, talvez você realmente não goste daquela narrativa. E está tudo bem.

Aliás, vocês sabiam que pessoas que estão acostumadas a ler podem sofrer de “ressaca literária”? Pois é. E quando esse mal nos acomete, parece que não existe livro no mundo que dos dê vontade de voltar a ler. Mas a gente volta. Com muita paciência e perseverança a gente volta.

Agora vamos ser sinceros: você leu tudo o que escrevi até aqui (e, só por isso, eu já te considero um leitor), mas está pensando “ok, mas eu não tenho tempo para ler!”. Sinto te informar, mas você está enganado(a)! Experimente carregar sempre um livro, um e-reader ou então baixar um app de leitura no celular (o kindle, por exemplo, não é apenas um aparelho, mas um aplicativo para celular também!). Sabe aquele momento que você está entediado(a), já revirou todas as redes sociais possíveis e não tem mais o que fazer? Leia! E quando você usa transporte público, mas o pacote de internet já acabou, o celular está descarregado e “perrengues” afins? Leia! Aos poucos isso vai viciando e você pode até acabar preferindo ler cada vez mais e mais!

Você também pode separar alguns minutos do seu dia para se dedicar à leitura. Sim, você pode separar minutos, não horas! 20 minutos por dia já são suficientes para colaborar com seu novo hábito.

Por fim, você deve estar pensando: “mas livros são caros“. Errou de novo! Quer dizer, livros podem ser caros, mas isso depende de muita coisa. Por exemplo, você pode pegar um livro emprestado gratuitamente em qualquer biblioteca (sua cidade certamente tem ao menos uma) ou mesmo com um amigo bondoso. Ou então você pode procurar dentre os inúmeros ebooks que a Amazon disponibiliza gratuitamente a cada dia um que possa te agradar. Você também pode ir a um sebo, comprar livros por preços menores, ou procurar na internet por promoções, cupons de desconto, trocas! As possibilidades são inúmeras!

E aí, vamos começar a ler ou ler mais ainda?

 

Como me formei leitora?

Como me

Esse semestre, para um trabalho da faculdade, meu namorado teve de escrever um texto (de no máximo uma página!) sobre como ele se tornou leitor. Ao ler as lindas palavras que ele escreveu, fiquei pensando em como me formei leitora também…

A verdade é que eu tive a sorte de nascer numa família que sempre incentivou a leitura. Minha avó paterna morava em uma casa cheia de livros e meus tios, bem como meus pais, sempre foram bons leitores. Assim sendo, sempre que perguntam qual foi meu primeiro livro eu tenho dificuldades em responder. Realmente, eu não sei. De toda forma, quando ouço essa pergunta, sempre me vem à mente um livro que guardo até hoje, pequenino e com poucas palavras, mas com uma dedicatória de minha professora da pré-escola. Mas também tenho um com uma dedicatória da minha vó. E não sei se algum deles foi meu primeiro livro, mas acredito que não.

Minha vida foi seguindo assim: ganhando livros — alguns com dedicatórias e esses são os mais especiais para mim — lendo-os, guardando-os, por vezes relendo-os. Me tornei uma leitora voraz e, não à toa, resolvi cursar Letras. Passei a comprar livros com meu próprio dinheiro, uma delícia! Mas a carga de leitura da faculdade — e leituras obrigatórias, ou seja, não necessariamente aquilo que eu queria ler — e a falta de tempo me afastaram um pouco dos livros em meu último ano de graduação. Mas o amor sempre vence e eu voltei correndo para os livros na primeira oportunidade que tive.

Esse ano já li muitos livros, já li de tudo um pouco e espero continuar assim até o final do ano. Mas também continuarei sem saber ao certo como me formei leitora. Talvez eu já tenha nascido com essa paixão, passada de geração em geração na minha família. Felizmente.

E você, como se formou leitor(a)?