Sobre a Bienal do Livro + carta aberta aos autores

No último domingo (10/07) terminou a 26° Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorreu entre os dias 2 e 10 de julho, no Expo Center Norte, espaço para eventos deste porte, localizado na Zona Norte da cidade.

Apesar desta não ter sido minha primeira vez em uma Bienal, foi uma experiência totalmente nova e gostaria de compartilhar um pouco disso com você.

Para começar, vale dizer que fui em mais de um dia, mas somente porque eu consegui fazer minha credencial como profissional do setor (o que inclui aqueles que trabalham na produção de livros, como autores, revisores, tradutores, diagramadores, editores, mas também professores), tendo, assim, acesso gratuito ao evento.

O valor do ingresso para quem não tinha credencial (que também é possível conseguir como blogueiro) era de R$15 (meia) ou R$30 (inteira). Um valor que vale à pena, para quem pode pagar, visitar ao menos uma vez o evento, mas que torna inviável mais de uma ida, ainda mais em dias que eu sabia que não conseguiria ficar muito tempo por lá.

Além disso, depois de muitos anos, nesta edição eu tive companhia para aproveitar o evento. E também aconteceu a coisa mais diferente que me poderia acontecer: estive ao lado de um amigo que é best-seller na Amazon, ajudando-o a tirar fotos com os fãs e distribuindo seus brindes. Foi uma energia muito gostosa e eu, tendo encontrado também outros autores independentes que admiro, entendo bem a emoção da cada um que encontrava o autor para tirar uma foto e trocar algumas palavras.

Estive presente no primeiro final de semana da Bienal e não posso deixar de dizer que, apesar do cansaço (porque cansa ficar andando para lá e para cá e pegando fila para tudo), olhar para trás e pensar que havia um mundaréu de gente (sem brincadeira) em um evento literário é algo grandioso demais para deixarmos passar em branco. As filas no sábado estavam espantosas. Domingo, para entrar, foi um pouco mais tranquilo, mas era difícil andar sem tropeçar (em alguém ou em uma fila).

Durante a semana as coisas estavam um pouco mais tranquilas, principalmente na segunda e na terça (dias que acompanhei somente pelas redes sociais). Mas eu retornei quinta-feira para a Bienal e devo dizer que estava mais cheio do que eu esperava, com bastante escola fazendo visitação (o que é incrível de se ver também).

Na quinta-feira, meu último dia de Bienal, aliás, fui especialmente para ver o bate-papo com autores KDP, no stand da Amazon. Fizeram parte do bate-papo, mediado por Cassia Carrenho, as autoras T. M. Kechichian, Agatha Santos e o autor Rafael Weschenfelder. Dentre os três dias em que estive presente na Bienal, este foi o único em que assisti uma das tantas mesas e palestras, me fazendo refletir sobre o quanto ainda há por trás de um evento como esse.

Mas vale lembrar que a Bienal é uma vitrine para que as editoras possam expor seu trabalho. Não a toa, todos os vendedores, apesar do caos e da lotação, foram sempre muito simpáticos e, não nego, eu mesma caí facilmente na conversa deles e me encantei ainda mais pelos trabalhos ali expostos.

Faço esse adendo, porém, porque sei que nem todos têm condições de participar de uma Bienal. Seja porque elas não acontecem em todas as cidades, seja porque elas realmente não são super acessíveis. E apesar de eu achar que é uma experiência que vale a pena ser vivida ao menos uma vez na vida, acho importante lembrar que não participar não te torna menos leitor, menos autor e menos nada perante os outros.

Confesso, também, que fiquei com vontade de compartilhar essa experiência não só pelas boas lembranças, mas também porque fiquei com uma imensa vontade de falar diretamente aos autores independentes. Para isso, aqui vai uma singela carta aberta:

Aos que escrevem e publicam de maneira independente no Brasil,

Sou apenas uma leitora, mas uma leitora que admira o seu trabalho. Aos meus olhos, não passam desaparecidas as suas histórias e o seu investimento — seja ele físico, emocional ou financeiropara que elas cheguem até mim.

Por isso, com estas breves palavras, gostaria de agradecer a você que dedica o seu tempo (muitas vezes escasso), para dar vida às histórias que publica. Gostaria de te agradecer por acreditar no seu sonho e por compartilhá-lo conosco.

Sei que são mais dias de luta que dias de glória, mas se isso te faz bem, te dá asas, não desista! Tenho certeza que existem milhares de outros leitores como eu, que são eternamente gratos pelas vidas que vocês criam — e por aquelas que vocês salvam — em suas páginas.

Que você possa sempre se lembrar dessas palavras nos dias difíceis e que os livros te tragam muitas lembranças maravilhosas, que te encham de quentinho no coração mesmo nos dias mais cinzas. Porque escrever é ter, ser e fazer muitas vidas.

Conte sempre comigo. Sou apenas uma, mas é um imenso prazer ajudar no que posso para que a nossa literatura cresça cada e melhore vez mais.


Por fim, gostaria de deixar um agradecimento especial ao Rafael Weschenfelder, ao Leblon Carter, à Grazi Ruzzante e à Renata de Luca autores independentes que pude abraçar nesta Bienal e que tanto me inspiraram a compartilhar tudo isso. E também às minhas amigas, que tornaram cada momento ali ainda mais especial: obrigada Nati, Clari e Fer!

E se você não pode estar presente nesta Bienal, fique de olho no Instagram do Blog que quinta-feira vai sair uma coisinha por lá que pode te deixar mais feliz (assim espero)!

Antologias para quê?

Janeiro foi um mês que acabei falando mais de uma vez sobre antologias, seja resenhando uma, seja trazendo quotes de outra.

A cada vez que leio uma antologia e falo sobre ela, acabo, de alguma forma, destacando o fato de que eu gosto da pluralidade delas, das possibilidades que elas carregam.

Por isso, finalmente resolvi tirar dos rascunhos (mentais, no caso) um texto que há tempos queria escrever, falando sobre os benefícios de uma antologia para todos aqueles envolvidos em uma, de organizadores e escritores até os leitores.

Como leitora, o que mais gosto nas antologias é a oportunidade de, com uma única obra, conhecer diversos autores. Como aconteceu mais de uma vez ano passado, peguei antologias para ler por ter contos de autoras que eu já admirava e, então, conheci outras que passei a admirar também.

Sem contar que, por vezes, a antologia tem um tema em comum, mas traz histórias de gêneros diversos ou o contrário: é de um gênero específico, mas com temas bem variados. O ponto é: dificilmente a gente não se surpreende lendo uma antologia!

Para autores, as antologias também têm os seus benefícios. Ali em cima, comentei como conheci novos autores graças às antologias que li ano passado, o que significa que elas acabam sendo uma boa vitrine para autores, sejam eles conhecidos ou não.

Mais do que isso, porém, como escritora (não que eu seja uma), vejo as antologias como uma oportunidade de exercitar a escrita. Os editais costumam colocar limitações diversas: tema, gênero, limite de palavras/páginas. Pensar em uma boa história que respeite tantos critérios, te garanto, não é nada simples!

Mas e as editoras, onde entram nisso tudo? Por que muitas (principalmente as editoras menores) investem tanto neste tipo de publicação?

Por um lado, a editora, ao organizar uma antologia, tem a oportunidade de mostrar aos autores um pouco do seu trabalho, do seu cuidado (ou não) com os manuscritos recebidos. Além disso, também é uma excelente oportunidade para conhecer alguns talentos que ainda estão escondidos por aí.

Mas há outro ponto que, certamente, torna as antologias tão vantajosas para as pequenas editoras: geralmente os autores acabam pagando para participar delas.

Quando as antologias vão para financiamento coletivo, também acaba sendo mais fácil bater a meta, porque são vários autores interessados nisso e, consequentemente, divulgando a campanha.

Sem contar que, para muitos deles, essa acaba sendo a primeira publicação, então os autores costumam ficar bem empolgados e fazer o possível para o projeto sair do papel.

Infelizmente, porém, é verdade que muitas (principalmente pequenas) editoras acabam fazendo um trabalho não tão bom com relação às antologias, o que acaba contribuindo para o preconceito de muitos leitores (e, às vezes, até mesmo de escritores) com relação a esse tipo de publicação.

Se você der uma procurada aqui pelo Blog, porém, poderá encontrar resenhas de diversas antologias. E a maioria delas eu super recomendo, por sinal.

Além disso, você também pode saber um pouco mais sobre como foi, para mim, a experiência de organizar uma antologia.

Por fim, não deixe de me contar aqui: você costuma ler antologias? O que acha delas?

XVII Fórum de Editoração

Se tem uma coisa que esses tempos de distanciamento social me dão saudade são os eventos literários. E um deles, infelizmente, fui conhecer só em 2019 (“infelizmente” porque só tive a oportunidade de ir a uma edição presencial).

Sim, como é possível imaginar pelo título, estou falando do Fórum de Editoração, anualmente organizado pelos alunos de Editoração da ECA-USP, através da Com-Arte Jr, a empresa júnior do curso.

A boa notícia, porém, é que eles souberam se adaptar às adversidades e, assim como em 2020, este ano também teremos uma edição online e gratuita deste imperdível encontro. Ano passado acompanhei as mesas online, os sorteios, os comentários e é impressionante como, um ano depois, ainda tenho vivas lembranças dessa tarde online. Imagine como é presencialmente então (spoiler: é o máximo!).

A edição deste ano (a 17º!), que acontecerá no próximo sábado (18/12/2021), promete ser incrível também. A começar pela temática escolhida: Metamorfose literária. A ideia dos organizadores é fazer referência à evolução do leitor em sua trilha literária, do início até a consolidação de seus gostos literários. Mas lembre-se: estamos falando de um evento de Editoração, isto é, o assunto será discutido pelo olhar de quem produz livros. Como será que abordarão essa temática? Para já atiçar nossa imaginação, temos os nomes e assuntos das mesas, que desta vez serão apenas duas. Bora conferir?

A primeira mesa, que ocorrerá às 14 horas, recebeu o nome de Lagarta e abordará características como o mercado de trabalho, o público e as técnicas para produção de livros infantis. Farão parte dela: a Editora Quatro Cantos e o Clube a Taba, mediados pelo professor Paulo Verano, que também é fundador da Edições Barbatana.

Às 16h30 (gostei do tempo que há entre uma mesa e outra, não serão discussões tão corridas!) terá início a segunda mesa, chamada Casulo. Nela serão debatidos os bastidores do mercado de livros didáticos, a questão de estágios na área e a formulação destes, pensando na evolução escolar das crianças. Farão parte o grupo IBEP, a Editora do Brasil e a YouZ, com mediação de Paola Nogueira.

É difícil sair de um evento como esse sem ter a cabeça fervilhando de ideias. Geralmente as discussões são enriquecedoras e é sempre um oportunidade de conhecer outras pessoas, ideias, opções. Se você quiser ter uma noção de como é, as mesas do ano passado ainda estão disponíveis no canal da Com-Arte Jr.

Se quiser participar da edição deste ano, não deixe de se inscrever no link abaixo (gratuitamente):

E para não perder as novidades, já segue essas redes sociais:

Sobre revisar livros

Quem me acompanha há um tempinho provavelmente já sabe e se você está caindo de paraquedas aqui agora, vai saber neste momento: uma das coisas com as quais trabalho é a revisão de livros. Bom, eu sou, em primeiro lugar, professora de língua e cultura italiana, mas também me divido entre revisões literárias e já atuei com tradução simples de documentos.

Antes de mais nada, acho importante explicar que atuo ou atuei com tantas coisas assim porque a minha formação me permite isso. Sou formada em Letras, tendo um diploma de bacharelado e um de licenciatura. Eu não acho que diplomas são tudo na vida e que apenas eles comprovam nossa capacidade e conhecimento, mas também me entristece ver pessoas que, somente pelo simples fato de gostarem de ler — e lerem muito —, consideram-se revisoras. Não é bem assim que funciona ou não é bem assim que deveria funcionar (porque, infelizmente, acontece e muito!).

O ponto é que um revisor não é um mero leitor e revisar é muito diferente de ler e, mais ainda, de ler por hobby. Como revisora, eu costumo estar aberta a textos que, por hobby, eu não leria, seja pelo gênero, pelo tipo de escrita, o que for. Minha leitura como profissional é diferente daquela de leitora e nem todo mundo consegue separar assim, querendo revisar apenas o que gosta de ler.

Destacados esses pontos, resolvi escrever esse post para falar um pouco sobre a importância da revisão (não querendo puxar a sardinha para o meu lado…) e sobre como funciona o orçamento desse serviço. Gostaria de lembrar, também, que estou falando, aqui, daquilo que eu vivencio e da forma que eu trabalho, o que não necessariamente é uma regra, tá?

Comecemos pela importância da revisão: quando bem feito, esse serviço ajuda a lapidar seu texto, arrumando frases que, anteriormente, estavam confusas, ambíguas, truncadas ou mesmo com muita repetição de palavras ou cacofonias (que é quando acontecem algumas junções de palavras que não soam muito bem aos nossos ouvidos).

Mas é preciso tomar cuidado, pois há revisores que têm uma formação extremamente gramatical e acabam querendo corrigir demais, retirando um pouco da liberdade literária do autor e aqui acho importante lembrar outra coisa: é o autor quem deve dar a palavra final. Tem autores que dizem “ah, mas eu não entendo nada dessas coisas, só aceito tudo o que o revisor disser que tem que arrumar”. Tudo bem, é uma escolha sua, mas faça-a consciente de que você concorda com ela. Se você viu alguma alteração com a qual não concorda, mesmo que não entenda, pergunte, veja se é realmente necessário. Faça desse momento, também, um momento de aprendizado e de troca.

Ainda que que o autor vá simplesmente acatar todas as sugestões do revisor, considero importante que o trabalho seja feito com o controle de revisão ativado. O controle de revisão é aquela ferramenta que vai mostrando exatamente onde e o que está sendo modificado no texto.

E como é feito o orçamento de uma revisão? Antes de explicar como ele é feito, queria dizer porque resolvi mencionar isso. Bom, a verdade é que esse é um mercado um pouco complexo: cada revisor pode cobrar de uma forma e o até mesmo valores diferentes (não é como na tradução que, em tese, os valores são tabelados), por isso, quando você for buscar um revisor para a sua obra, pesquise, compare preços e serviços.

Quando me procuram pedindo orçamento, gosto de solicitar duas informações: número de caracteres com espaço do texto e quantidade de páginas do arquivo. Com a primeira informação eu consigo calcular o valor e, com a segunda, o prazo que eu preciso para realizar o serviço. Claro que, vendo o arquivo, é possível dar um orçamento e um prazo bem mais precisos do que tendo apenas essas informações, mas entendo perfeitamente que nem todo mundo se sente seguro em já compartilhar o arquivo sem saber se fechará o serviço ou não.

Aqui também cabe explicar que cobro a revisão por lauda, porque considero que esta é a maneira mais justa para todos. O tamanho de uma lauda pode variar de revisor para revisor (eu falei que era complexo!), mas geralmente ela mede entre 1200 a 2100 caracteres. Atenção: estamos falando de caracteres e não de páginas. Isso significa que, por exemplo, se seu livro tem imagens, você não será cobrado pela “revisão” delas, porque elas não contam como caracteres. Imagina, seu arquivo tem 300 páginas, mas 150 são só de imagens. Você irá pagar pela revisão do texto contido em apenas 150 e não em 300 páginas. Também pode acontecer de ter páginas com textos que vão só até a metade delas, não seria justo pagar o valor da revisão de uma página inteira nesses casos, né? Com a lauda, essas pequenas “injustiças” do orçamento não ocorrem.

Para calcular o valor, é preciso fazer uma continha que pode parecer maluca, mas não é: dividir a quantidade de caracteres informada pela quantidade de caracteres que você considera que tem a sua lauda e, depois, multiplicar o resultado dessa conta pelo valor que você cobra. Confuso? Vamos a um exemplo:

Costumo considerar a lauda com 2100 caracteres, assim sendo, se seu texto tem 100.000 caracteres (lembrando, cobro contando espaços), devo fazer a seguinte conta: 100.000/2100 = 47,61. Isso significa que 47,61 é a quantidade de laudas do seu texto. Portanto, eu pego esse valor e multiplico ele pelo valor que eu cobro em cada lauda. Suponhamos que eu cobre R$4 por lauda. Teríamos, portanto, 47,61 X 4 = 190,44. O valor da revisão da sua obra seria, então, de R$190,44.

Com relação aos valores acima, algumas considerações: há revisores que fazem distinção do tamanho da lauda para textos literários ou textos acadêmicos. Para facilitar minha vida, eu considero sempre 2100 caracteres com espaço, não importando o tipo de texto. Já com relação ao valor em si, ele também pode variar muito de revisor para revisor, sendo que R$4 é considerado um valor bem baixo (e usado aqui apenas para fins ilustrativos). Mas tudo é uma questão de diálogo também. Pode ser que você recebe um orçamento, mas que o revisor aceite dar um descontinho. Ou pode ser que não. E eu gosto de arredondar os valores (geralmente para baixo), então no exemplo acima eu provavelmente cobraria R$190 (ok, nesse caso não faz uma grande diferença, mas algumas vezes acabo descontando um pouco mais).

Como eu disse lá no início — e não achei que esse texto ficaria tão grande — o que eu trouxe aqui foi partindo da minha experiência e sabendo que temos de lidar com muitas variáveis nesse percurso. Sou uma pessoa muito aberta e que está sempre aprendendo.

Aliás, também gostaria de lembrar algo muito importante: revisores não são máquinas! Mesmo que você escreva bem, mesmo que você contrate um excelente revisor, seu texto ainda pode sair com um errinho ou outro. Até livros publicados em grandes editoras podem sair com um errinho ou outro, faz parte, somos todos humanos. Mas, sem dúvidas, se o trabalho for bem feito, esses probleminhas serão reduzidos ao mínimo possível.

E por último, mas não menos importante: depois de tudo o que eu disse, não esqueça de valorizar o trabalho de um revisor! Buscar dar o nosso melhor para que você entregue o melhor do seu texto nem sempre é fácil. Passamos horas e horas diante das telas de um computador, pesquisamos, ficamos matutando frases, tudo para realmente entregar uma obra ainda melhor do que aquela que recebemos.

Se te interessa conhecer um pouco do meu trabalho nessa área, convido a visitar a página portfólio, aqui no Blog, na qual estou listando as obras que revisei e já estão publicadas.

Parcerias literárias com editoras

Eu poderia jurar que em algum momento já havia escrito sobre isso por aqui, mas dei uma procurada e não achei nada. Como em julho é provável que algumas editoras abram parcerias, acho que é um bom momento para batermos um papo sobre o assunto, pensando nos prós e contras, mas também no que você pode fazer para se destacar caso deseje muito conseguir uma parceria.

Vantagens de uma parceria literária

Sem dúvidas, conseguir uma parceria literária com uma editora traz diversas vantagens. Até porque, se não fosse assim, não seria uma prática tão comum e, muitas vezes, tão concorrida, né?

Para mencionar o óbvio, por meio dessas parcerias podemos receber diversos mimos e livros, físicos ou digitais. É importante ressaltar que tudo depende da editora com a qual você consegue uma parceria. Pequenas editoras, por exemplo, nem sempre conseguem enviar livros físicos aos seus parceiros, mas disponibilizam o ebook e outros materiais, além de fazer sorteios ou enviar brindes.

Além disso, o seu conteúdo passa a ganhar certo destaque, afinal uma editora decidiu confiar em seu trabalho. E não só isso: você passa a estar em contato com outros produtores de conteúdo, além de conhecer um pouco mais dos bastidores literários. Você pode conhecer muita gente bacana e aprender de montão com uma parceria dessas.

Infelizmente, porém, nem tudo são flores…

Desvantagens de uma parceria literária

Em primeiro lugar, uma parceria implica certas obrigações. Se você recebe um livro, não importa se em formato digital ou físico, espera-se que você fale sobre ele, que o mostre em suas redes sociais, que o resenhe. E isso costuma ter prazos, além de ser cobrada certa frequência. Ou seja: com uma parceria literária, a leitura — que antes talvez fosse apenas um hobby — pode se tornar uma obrigação.

Além disso, é preciso tomar cuidado, pois algumas editoras cobram mais do que oferecem. Lembre-se sempre que a parceria deve ser uma via de mão dupla. Não é porque a editora te ofereceu um livro ou um ebook que ela tem direito de cobrar de você um trabalho que não lhe cabe.

Como conseguir certo destaque

Pode parecer estranho eu vir aqui falar sobre como conseguir certo destaque na hora de se inscrever para uma parceria, mas tem duas dicas que eu gostaria muito de compartilhar, principalmente para quem ainda é “pequeno”.

A primeira coisa, na verdade, eu li uma vez no twitter e, desde então, penso muito sobre o assunto: como você quer conseguir parceria com uma editora se você não acompanha o trabalho dela, não apoia o conteúdo que ela produz? Pior ainda: se você nunca viu nada daquela editora, como sabe que ela produz livros que são realmente do seu interesse?

Isso é muito importante para você que acha que tem que se inscrever em todas as parcerias que aparecem pela frente, para ver se consegue ao menos uma delas. De que adianta, no final das contas, realmente conseguir ao menos dessas parcerias, se depois você vai se frustrar com os livros da editora em questão?

O meu segundo conselho é: seja diferente, e com autenticidade. Eu sei, não é nada fácil, eu mesma sou péssima nisso. Mas sabe quando tem um campo tipo “você tem algo mais a nos dizer?” ou qualquer coisa assim? Procure não deixar ele em branco! Às vezes, esse é o espaço perfeito para você conquistar quem está avaliando as inscrições.

Eu já participei da seleção de parceiros de uma pequena editora e como um dos critérios era o real interesse da pessoa em ser parceiro da editora para crescer junto — e não simplesmente para ganhar livro de graça — esse campo foi crucial para captar algumas pessoas que pareciam ter interesse no trabalho — através de comentários como “só queria ser selecionada” ou “gosto muito de vocês” — e excluir aquelas que só tinham interesse em ganhar algo — geralmente são pessoas que escrevem perguntas do tipo “quantos livros vocês enviam?”, “mas vai ser só ebook mesmo?”.

Conclusões

Já tive uma curta experiência como parceira literária de pequenas editoras e também já organizeis e selecionei parceiros para uma pequena editora e, por isso, achei importante falar sobre o assunto. Como tudo na vida, as parcerias literárias têm as suas vantagens e desvantagens e é importante, antes de mais nada, colocar na balança tudo aquilo que queremos ou não para nossas vidas.

No momento, eu não sinto vontade de firmar parcerias com editoras, apesar de enxergar certa importância nisso para o crescimento do Blog e, claro, saber que é uma alegria ver editoras reconhecendo nosso trabalho. Mas eu sei que preciso ler o que quero e porque quero, então prefiro fazer as coisas no meu ritmo, ao menos agora. E você, o que acha disso?

O que nós lemos?

Recentemente traduzi um artigo sobre o que os italianos leem. A Nati comentou que adoraria ver um comparativo dos dados daquele artigo com dados da realidade brasileira e pensei que isso não seria tão difícil, visto que temos a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.

Para quem não sabe, a Retratos da Leitura “é a única pesquisa em âmbito nacional que tem por objetivo avaliar o comportamento leitor do brasileiro” (explicação retirada do site da Plataforma Pró-Livro). Com isso, realmente a tarefa deveria ser fácil, mas devo confessar que achei a exposição dos dados um pouco confusa e, de antemão, peço desculpas se avaliei algo erroneamente.

O artigo que eu traduzi é de novembro de 2020 e a última Retratos da Leitura saiu também em 2020 (tendo sido realizada entre outubro de 2019 e janeiro de 2020). Creio que seja possível fazer um comparativo com esses dados.

Para começar, é importante ressaltar que na Itália considera-se a população que lê ao menos um livro por ano, enquanto para a pesquisa brasileira considera-se leitor aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses. Dito isso, temos que 40,6% da população italiana lê ao menos um livro por ano, enquanto no Brasil temos que 52% da população é considerada leitora (mas em 2015 éramos em 56%!).

Assim como na Itália, no Brasil a quantidade mais alta de leitores está entre os jovens, principalmente entre os 11 e os 17 anos. E, por aqui, as mulheres também leem mais que os homens, mas a diferença é bem pouca: 54% do público é feminino e 46% masculino.

Um dado muito interessante no cenário brasileiro é o percentual de leitores na região Norte (que é bem diferente da região Norte italiana em termos populacionais e de desenvolvimento/infraestrutura): 63%. É a região com maior percentual, seguida pela região Sul (58%), Sudeste (51%), Nordeste (48%) e Centro-Oeste (46%). Também é interessante notar que, com relação à escolaridade, a maior parte dos leitores está entre os que possuem Ensino Médio e não necessariamente o Ensino Superior, o que é um pouco diferente dos dados italianos.

Um livro que não sai dos mais lidos entre os brasileiros é a Bíblia. Para além disso, lê-se muitos contos, livros religiosos e romances. Entre os livros mais lembrados temos “A Cabana”, “O pequeno príncipe” e “Turma da Mônica” e dentre os autores preferidos pelos brasileiros temos Machado de Assis, Monteiro Lobato e Augusto Cury.

Na pesquisa italiana foi mencionado que crianças que crescem em famílias leitoras, leem mais. Na pesquisa brasileira, algo que salta aos olhos é que 67% dos leitores afirma não ter sido influenciado por ninguém em especial, enquanto 11% foi influenciado por professores e apenas 8% pela mãe ou responsável do sexo feminino!

Sobre formato do livro (físico ou digital) temos dados relativos ao último livro lido entre os entrevistados: 92% leu em papel e apenas 8% em algum formato digital. Além disso, 30% comprou o último livro em loja física e 9% pela internet. Na Itália também ainda há uma boa disparidade entre leitores de livros físicos e digitais. No geral, porém, no Brasil, 37% dos leitores já leu em formato digital, havendo ainda, contudo, uma declarada preferência (67%) por livros físicos.

Para 56% dos leitores brasileiros as bibliotecas representam um lugar para pesquisar ou estudar (em 2015 essa porcentagem era de 71%!) e para 22% um lugar para emprestar livros. Assombrosamente, por outro lado, a porcentagem de pessoas que respondeu que existe uma biblioteca pública em sua cidade ou bairro caiu de 67% em 2007 para 47% em 2019. Onde vamos parar??

E os motivos para ir a uma biblioteca são: ler livros para pesquisa ou estudar (51%), ler livros por prazer (33%), estudar ou fazer trabalhos (21%). E dentre aqueles que não frequentam bibliotecas, o que poderia mudar essa condição seria o fato dela ser mais próxima de casa (17%) ou ter mais livros ou títulos novos (14%). Mas a verdade é que para a maioria (29%) nada mudaria isso.

Esses são alguns dos dados que consegui comparar entre as pesquisas vistas. Como eu disse no início, achei a apresentação da Retratos da Literatura um pouco confusa e nem sempre foi possível analisar exatamente o mesmo tipo de dado entre uma pesquisa e outra. Porém, foi bem interessante ter essa visão, até porque aqui também ouve-se muito que o brasileiro não lê, que livro é coisa de rico e absurdos assim.

Por fim, também gostaria de fechar o meu post com algumas curiosidades com relação à pesquisa brasileira:

  • O lugar onde mais lemos (principalmente agora, né?) é em casa e, em segundo lugar, na sala de aula;
  • costumamos ler parte de um livro mais de uma vez, bem como muitos leitores começam a ler um livro e o largam sem terminar;
  • 47% dos leitores não lê mais por falta de tempo (e a média é de 5 livros lidos por ano);
  • em ordem, os fatores que mais influenciam leitores na escolha de um livro são: tema ou assunto, capa e autor.

A importância da leitura sensível e da leitura crítica

Confesso que a motivação para escrever este post vem de um livro que li ano passado. Ou melhor, não li, apenas iniciei. Eu dificilmente largo um livro depois de começar a ler, mas ano passado foram dois, quase ao mesmo tempo. E não sei se o problema estava realmente nos livros ou se foi também pelo fato de que iniciei a leitura um pouco antes de começar a quarentena por aqui… Mas o fato é que, num desses livros, havia uma coisa bem clara me incomodando.

Quem me acompanha por aqui provavelmente já sabe que eu sou professora de italiano. Fiz faculdade e continuo a estudar cotidianamente sobre a língua e a cultura. Um dos livros que larguei ano passado trazia um personagem italiano. Coisa, aliás, que me fez ir atrás do livro para ler.

Eu já sabia, antes de iniciar a leitura, que esse tal personagem, na história, pertencia à máfia italiana, mas isso não me pareceu um problema. Não até eu iniciar a leitura e me dar conta que, uma vez mais, eram pessoas de fora tentando retratar a “famosa máfia italiana”.

A questão é que máfia é uma coisa muito complicada. E muito séria também. Sabe aqueles políticos que nos deixam indignados porque desviam dinheiro, roubam milhões e deixam outras milhares de pessoas na miséria? Pois é, a máfia não é muito diferente disso… Matam sem dó, extorquem as pessoas…

Para além do fato de que reproduzimos erroneamente um conceito de máfia que foi exportado, principalmente, pela indústria cinematográfica, o livro em questão me incomodou porque a autora quis inserir “falas em italiano”, mas, aparentemente, sem ter conhecimento algum da língua e, consequentemente, recorrendo ao Google Tradutor. Era fácil perceber isso porque havia palavras que eu entendia como uma tradução literal ou então frases que não faziam sentido algum em italiano.

E o pior que esse não foi o primeiro livro no qual vi algo do tipo, mas no anterior, como não era o foco da história, consegui relevar mais facilmente.

A questão é que isso ficou ecoando em mim (bom, já faz mais de um ano e só agora que, finalmente, estou escrevendo esse post!). Eu não sou de criticar autores nacionais, muito pelo contrário aliás, vocês sabem que boa parte das minhas resenhas são de autores que estão iniciando ou que ainda não têm um grande público. E eu realmente não sou uma leitora chata, mesmo tendo um olhar crítico.

Mas o fato de eu relevar muita coisa não significa que eu não enxergue, por exemplo, erros de português (sim, tem dias que a revisora que habita em mim está atacada) ou coisas que, sinceramente, poderiam ser melhoradas em uma história.

A questão é que, muitos autores, seja por falta de tempo, de dinheiro ou mesmo de conhecimento, se esquecem que escrever um livro vai muito além de sentar e escrever (por mais contraditório que isso possa soar). Escrever um livro pode envolver muita pesquisa e planejamento antes da escrita em si e muito aprimoramento depois que é colocado o último ponto final do arquivo. Sim, porque depois da primeira escrita é que podemos lapidar e melhorar aquela obra, por mais cansativo que isso pareça (e é).

Nem sempre seremos nós a enxergar o que precisa ser melhorado! Por isso a importância de um leitor beta, um leitor crítico, por vezes um leitor sensível e, claro, um revisor (mas isso é coisa para depois da história já lapidada).

E aí você vira e me diz: leitor beta? Leitor crítico? Leitor sensível? O que são essas coisas? Bem, os nomes talvez já se expliquem (ao menos em partes), mas vou tentar trazer uma breve descrição de cada um desses tipos de leitor.

Leitor beta

O leitor beta é o seu primeiro leitor. Aquela(s) pessoa(a) para quem você vai mostrar seu livro antes de todo mundo, para poder ver as reações dessa(s) pessoa(s) enquanto lê(em). Pode ser um cônjuge, parente, amigo, quem for. Só tem de ser alguém em quem você confie e que também uma pessoa que tenha afinidade com o tipo de texto que você escreve (porque, se a pessoa não gosta daquilo, pode não gostar de seus escritos, o que não significaria que eles estão ruins!). E se você não conhece nenhuma pessoa que preencha esses requisitos, saiba que existem muitos leitores dispostos a ser leitor beta, mas é preciso saber encontrá-los. Alguns até podem cobrar por esse tipo de “serviço”, ainda que a leitura beta seja a mais fácil de se conseguir gratuitamente. Encontrar um leitor beta que não seja alguém do seu círculo social também pode ser bom, porque a pessoa poderá te dar uma opinião até mais sincera do que alguém que você conheça e que pode ter medo de te magoar.

Leitor crítico

O leitor crítico já está um passo além do leitor beta. Neste caso, é importante escolher alguém que tenha uma certa bagagem literária e que seja ainda mais sincero em suas opiniões (aqui já é mais difícil contar com conhecidos, pois eles acabarão tendo uma visão menos imparcial da obra). O que espera-se desse leitor é que ele leia a obra e aponte os pontos fortes e fracos, sugerindo modificações onde achar necessário (modificações essas que podem ou não ser aceitas pelo autor, que é quem dá a palavra final) e apontando o que poderia ser melhorado. Neste caso, é mais provável que você encontre pessoas que cobrem por esse serviço, afinal, ele requer dedicação e conhecimento.

Leitor sensível

Por fim, alguns tipos de obra requerem a leitura de um leitor sensível. Se você escrever sobre alguma minoria ou cultura que não é a sua, contrate um leitor sensível que tenha conhecimento sobre aquela causa. Isso vai evitar que você passe vergonha com o seu livro publicado, viu?

Vamos supor que você quer escrever sobre um personagem surdo, mas você é uma pessoa ouvinte. Por mais que você pesquise, se informe, conheça pessoas surdas, é importante contratar um surdo para fazer a leitura sensível de sua obra, pois só ele poderá dizer se a sua representação está bem feita, se você não deixou passar algo (para um ouvinte colocar um personagem surdo ouvindo algo é rapidinho, né?).

No caso de autores brasileiros que queiram escrever sobre a máfia italiana, claro, a leitura sensível já é um pouco mais complicada. Isso porque o ideal seria contratar alguém que vive (ou viveu) numa cidade dominada por esse tipo de poder, mas aí temos dois empecilhos: o fato de que “onde eu vou achar uma pessoa dessas? Eu nem falo italiano!” e o fato de que talvez as pessoas não queiram falar sobre isso, porque a vida delas poderia estar em risco (pois é!).

Para esses casos, porém, é importante buscar informações em fontes seguras e históricas, a fim de evitar apenas a reprodução de estereótipos. Além disso, você também pode contar com a leitura de pessoas que tenham mais conhecimento que você sobre aquele determinado assunto, de acordo com a formação delas (e outras bagagens culturais, porque diploma também não é tudo nessa vida, né?).

E você, já leu algum livro e sentiu que faltou uma leitura crítica e/ou sensível antes da publicação?

Como ler mais gastando menos?

Confesso que eu estava cheia de ideias de posts para o Blog, mas ver, todo santo dia, pessoas normalizando o pirateamento de livros, me dá uma agonia e uma tristeza sem tamanho, então resolvi mostrar como é possível ler mais gastando menos. Vocês me acompanham nessa?

A dica mais óbvia que eu poderia dar é: frequente a(s) biblioteca(s) de sua cidade. Mas Tati, estamos no meio de uma pandemia! Sim, por isso que eu disse que essa é a dica mais óbvia que eu poderia dar.

Outra opção são os sebos, e aqui já conseguimos entrar em um meio termo: muitos sebos, hoje em dia, possuem site ou algum espaço virtual similar. Aliás, existe o Estante Virtual também, que te ajuda inclusive a encontrar o melhor preço! E não ache que sebo vende só livro velho, viu? Já vi muita gente com edições lindíssimas e super bem conservadas compradas em sebo, e por preços ótimos.

Uma coisa que comecei a fazer ano passado e que, até agora, só tive boas experiências, foram as trocas no Skoob. Já comentei um pouco mais como funciona neste post. Com a pandemia, deixei minha estante “pausada”, isto é, ninguém pode solicitar meus livros, para que eu não tenha de ir aos correios. Consequentemente, não tenho créditos para solicitar um livro que eu queira.

Agora a dica para quem realmente não quer nem levantar da cadeira para ler mais gastando menos: Amazon. Eu sei, algumas pessoas são totalmente contra esse site, mas se você é contra a Amazon e piratei livros, fica meio difícil dialogar, não?

Geralmente, o “pirateamento” de livros é o compartilhamento de pdfs (e afins) do mesmo, correto? Isso significa que a pessoa está disposta a ler através de uma tela, seja ela do computador, do celular ou mesmo de um e-reader. Se a pessoa está disposta a fazer isso, o que custa acessar o site da Amazon e ver os ebooks gratuitos que estão lá? Sério, a cada dia diversos são disponibilizados ali! E você não precisa de um kindle para lê-los, você só precisa ter uma conta na Amazon e usar o aplicativo do kindle em seu celular ou computador, isto é, a mesma tela que você usaria para ler o arquivo pirata.

Também tem muita coisa boa que surge em plataformas como Wattpad e Sweek, então por que o preconceito de ler por elas? Muitos livros publicados por grande editoras, aqui no Brasil, foram publicados, primeiro, em uma dessas plataformas.

Ah, mas eu quero ler o livro modinha, o bestseller do momento, livros tops em inglês. Bom, então você talvez tenha um pouco mais de trabalho, mas para tudo tem solução. E neste caso é a comparação de preços. Pesquise em sites, acompanhe a variação do preço, veja o valor do frete. Eu, por exemplo, passei a minha lista de livros desejados do Skoob para a Amazon e agora eu entro lá todo dia e vejo o valor dos livros.

Bom, essas são as dicas que eu sempre dou para quem vem tentar normalizar pirateamento de livros para cima de mim. Não há nada que justifique essa escolha, a não ser o fato de que a pessoa realmente não está nem aí para toda a gente que trabalha neles até que eles efetivamente cheguem ao leitor. Sem contar que, piratear livros só faz com que menos e menos escritores tenham disposição e tempo para se dedicar a isso e nos presentear com novas histórias.

E olha que nesse post eu nem mencionei iniciativas incríveis como a Winnieteca ou a Bienal da Quebrada, que também contribuem para que mais livros cheguem a quem não pode pagar por eles.

E vocês, pessoal, o que fazem para ler mais gastando menos? E conhecem outras iniciativas como essas duas últimas que acabei de citar?

O que há dentro de um livro?

Quem lê a pergunta do título deve logo pensar: a história, ora essa! Mas será que é só isso que encontramos dentro de um livro? Por mais que a história seja incrível, a melhor de todas, é só ela que está ali?

Já te adianto que, em minha opinião, não! Pense, para começar, em um livro físico. Logo de cara podemos citar as orelhas dele. Em algumas, as editoras (ou o próprio autor) optam por colocar a sinopse na frente e uma biografia do autor atrás; outras escolhem colocar um trecho da história ali; há, ainda, os que preferem colocar comentários de leitores que já leram o livro.

Seja qual for a escolha feita, porém, uma coisa é certa: nas orelhas podemos encontrar algo a mais. Me lembro que, quando eu era mais nova, não costumava ler as orelhas antes da história em si. Mas depois, se o livro me agradasse demais, eu ia até elas, na esperança de ter alguns momentos extras com aquele universo.

Outra coisa que passa batido para muitos leitores, seja de ebooks ou de livros físicos, são as primeiras páginas do livro e, principalmente, a ficha catalográfica (aquele quadrado com algumas informações como o nome do autor, a Editora, número da edição…). Você já pensou que são nesses espaços que podemos ter um mínima ideia das pessoas envolvidas na produção daquela obra?

Um livro, para chegar até nós, não passa somente pelas mãos do escritor. Tem os tradutores (no caso de livros estrangeiros, claro), revisores, diagramadores, capista. Isso sem contar as equipes que tornam a concretização da obra possível, como o pessoal da gráfica e do marketing. Algumas obras também passam pelas mãos de agentes literários, leitores beta….

Claro que, livros publicados de forma independente, não envolvem grandes equipes, porque o autor acaba tendo de desembolsar tudo e, muitas vezes, por não dispor de tanto dinheiro, opta por desempenhar mais de uma das funções que mencionei acima.

Não vou mentir e dizer que, desde sempre, eu me interessei por essas informações. O fato de, aos poucos, ter entrado nesse universo, não mais como uma mera leitora, mas como alguém que também trabalha com livros e que busca participar de eventos da área, é que me fez valorizar ainda mais esses aspectos, querer conhecer os nomes — não só do autor — que estão por trás dos livros que leio.

Mas há coisas, para além da história, que sempre gostei de absorver com calma: as dedicatórias e os agradecimentos. Não a toa, sempre sonhei em ver meu nome ali, coisa que, recentemente, se concretizou, graças às parcerias firmadas através deste Blog.

Alguns livros podem trazer, ainda, uma apresentação da obra ou do autor, uma nota ou observação feita pelo próprio escritor, por um estudioso ou crítico da área… Elementos que, geralmente, vêm para acrescentar algo à nossa leitura, mas que nem sempre queremos realmente ler ou ao menos nem sempre lemos antes da história em si, que é o que nos interessa.

Recentemente, porém, uma coisa me deixou espantada: passei rapidamente os olhos por uma polêmica, no Twitter e, pelo que entendi, algumas pessoas estavam indignadas que alguns leitores não leem prefácio, prólogo e notas de rodapé. Logo me juntei ao time dos indignados! Prefácio e prólogo fazem parte da história, não? As notas é até compreensível, porque, às vezes, elas podem atrapalhar a fluidez da leitura e, se acreditamos que entendemos o significado do que será explicado, tal ação é até perdoável.

E então, como vocês enxergam os livros? Apenas como a história nele contada, ou a história por trás do “objeto” em si?

“A literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo”

“A literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo”

Sim, meus queridos, hoje me deu vontade de comentar um pouco sobre uma matéria que leva o título acima e que vocês podem ler na íntegra aqui. Um post um pouco diferente e que acho muito válido com relação à temática deste Blog. Vamos nessa?

Em primeiro lugar, acho importante destacar que quem faz a afirmação acima e tantas outras presentes ao longo da matéria mencionada é um professor de literatura italiana da Universidade de São Paulo: Maurício Santana Dias. Porém o Maurício não é “apenas” professor, mas também um grande tradutor (falo mais sobre isso daqui a pouco). E, seja para ser um excelente professor de literatura, seja para ser um grande tradutor, é preciso, antes de mais nada, ser um ótimo leitor.

Quando falo que o Maurício é um grande tradutor, estou me referindo às inúmeras obras traduzidas por ele e também aos prêmios que ele já recebeu por seu trabalho. O mais recente prêmio foi obtido este ano mesmo, na Itália, um pouco antes do país fechar as portas diante da pandemia do coronavírus. Ele foi condecorado com o Prêmio Nacional de Tradução do Ministérios de Bens Culturais e do Turismo da Itália. Chique, né?

Ao longo da matéria em questão, são destacadas algumas falas do professor, sobre a importância da literatura, inclusive como instrumento para pensar o mundo (daí o título) e a importância de todos os tipos de literatura, não apenas a de ficção. Além disso, ainda há muita dica de livros da literatura italiana (já traduzidos para o português) extremamente adequados para o momento que vivemos hoje (e para tantos outros).

“A literatura vai muito além do entretenimento”

Infelizmente, porém, sou obrigada e discordar de uma pequena parte da fala do professor: ele afirma que esse é o momento que mais temos para ler. Não sei se é bem assim. Tenho visto muitas pessoas que estão tendo de trabalhar o dobro do que trabalhavam antes (mesmo estando em casa — ou talvez justamente por causa disso) ou então pessoas tão esgotadas mentalmente que não têm coragem nem mesmo de pegar um livro mais leve para ler. E, no final das contas, tudo isso é extremamente compreensível. Se você está lendo menos que o normal, contrariando expectativas vindas de não sei onde, saiba que isso não te torna menos leitor e menos nada diante dos outros. A literatura vai muito além do entretenimento, mas ler ainda deve ser um momento de prazer, não de pressão. E precisamos, agora, mais do que nunca, viver um dia de cada vez, com calma, e sem pressões desnecessárias.

E vocês, concordam que a literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo?