Desmistificando o mestrado [9] — Dados da pesquisa

Esse post é para você que ingressou no Mestrado — ou está quase para ingressar — e não sabe nem por onde começar a pesquisa. Mas esse post também é para você que nunca pensou em fazer um Mestrado por achar que é “areia demais” para o próprio caminhãozinho. Dar o primeiro passo pode ser assustador, mas não é impossível. Vem comigo?

Esse tal “primeiro passo” é a definição do tema. Se você está realmente para iniciar a sua pesquisa, esse tópico já deveria estar resolvido, não? Afinal, eu falei aqui sobre o projeto de pesquisa. E se você ainda está pensando se faz ou não faz um Mestrado, não deixe de ler o post que eu indiquei, os demais e, claro, esse.

O que você deve fazer em seguida é começar a ler muito sobre o assunto. Porque, veja bem, por mais original que a sua pesquisa seja, ela precisa se sustentar. E, para isso, você vai precisar da ajuda de pessoas mais experientes que você, que vão te ajudar a argumentar sobre as suas hipóteses e respostas encontradas.

Mas não leia tudo o que encontrar pela frente e pronto. Já vá separando aquilo que te chamar mais atenção, destaque trechos que podem ser úteis e, o melhor de tudo: reúna em um mesmo arquivo todas essas referências. Será o seu arquivo de consulta básica.

Este arquivo deve conter os trechos que você acha que pode vir a usar em sua pesquisa, completamente referenciados, porque na hora que você tiver perdido as contas de quantos textos já leu, não vai mais saber de onde tirou o quê. Um trecho completamente referenciado é aquele que indica de onde foi retirado (que livro ou texto), quem é o autor e em que página se encontra. O ideal é já colocar as demais informações que você precisará para fazer as referências segundo as normas da ABNT e, para te ajudar nisso, indico esse site aqui, que é uma mão na roda.

Se você já tiver costume de lidar com planilhas, fica ainda melhor organizar os trechos que você destacar. As colunas base dessa planilha são: assunto (para você já mais ou menos saber em que parte da pesquisa aquilo pode ser usado), trecho, como citar e referência bibliográfica completa (já de acordo com as normas da ABNT, porque aí depois é só copiar e colar).

Depois de conhecer bem o assunto que está pesquisando, você precisa de dados que corroborem — ou não, e isso não é um problema — com a sua tese. Esses dados podem ser de vários tipos: estatísticas, depoimentos, amostras… Tudo depende de come é a pesquisa que você está desenvolvendo.

No meu caso, por exemplo, eu elaborei um material didático e, para saber se ele funcionou ou não e o que poderia ser modificado, elaborei um questionário para os alunos e um para as professoras que usaram o material. Cada questionário tinha cerca de dez questões e as respostas me ajudaram a ter um bom panorama das informações que precisava.

Com os dados em mãos, precisamos dar ainda mais um passo: analisá-los. Você já pesquisou bastante sobre o assunto e já reuniu os seus próprios dados, falta somente compreendê-los e usá-los adequadamente em seu trabalho. Algumas pessoas montam tabelas e gráficos, para poder apresentar visualmente esses dados. Outras pessoas apenas os descrevem textualmente, sem a necessidade de outros aparatos.

Vocês se lembram que eu contei que coletei dados por meio de questionários, certo? Todas as perguntas desses questionários eram de resposta aberta e dissertativa. Na hora de analisar, portanto, eu li resposta por resposta e agrupei as mais parecidas, para também ter uma ideia quantitativa sobre algumas opiniões.

Para coletar e analisar os dados de sua pesquisa, portanto, não há uma fórmula mágica. Tudo depende muito do tipo de pesquisa e da área com a qual você está trabalhando. Mas uma boa dose de organização e de paciência para entender qual é a melhor forma de compreender seus dados e apresentá-los ao público serão essenciais para que você não acabe arrancando os próprios cabelos no meio do caminho! Procure sempre deixar à mão aquilo que lhe parecer mais útil e necessário à sua pesquisa, a fim de evitar momentos de preguiça na hora de escrever a dissertação, tema que abordarei em um post futuro.

Desmistificando o mestrado [8] — Qualificação

qualificação

Hoje eu quero falar para vocês um pouco mais sobre a qualificação no mestrado. O que é? Como funciona? O que você tem de fazer? Calma, vamos lá que vou tentar explicar um pouquinho disso tudo!

O Exame de Qualificação (ou apenas Qualificação) é obrigatório tanto no mestrado quanto no doutorado (ao menos nos programas de pós-graduação da USP) e ocorre na metade do período que você tem para desenvolver sua pesquisa. Para ficar mais claro: no Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas, eu tinha dois anos para realizar meu mestrado. Em até um ano, desde a data da primeira matrícula, eu deveria realizar meu exame de qualificação.

A ideia é que você possa mostrar a uma banca examinadora (composta pelo(a) professor(a) que te orienta e mais duas outras pessoas que tenham ao menos o título de doutoras) em que ponto se encontra a sua pesquisa, como você pretende prosseguir e onde quer chegar.

Muitos alunos têm medo dessa etapa, pois ela é quase uma simulação da defesa. Mas acho que podemos enxergá-la de outra forma: se a banca for bem escolhida, haverão enormes contribuições para o desenvolvimento de sua pesquisa e conselhos realmente úteis. É quase como uma troca de ideias e uma chance de você mostrar sua pesquisa a pessoas que não estão mergulhadas nela como você e, possivelmente, seu orientador(a), mas que possuem conhecimento em assuntos tangentes e que podem te dar uma nova perspectiva para tudo o que você já tem, facilitando sua chegada ao ponto final.

Entendo, porém, o medo de alguns alunos: é possível reprovar no exame de qualificação. Mas isso não significa que seu trabalho foi em vão e que você colocou tudo a perder. Significa apenas que você precisa se esforçar um pouco mais, que você ainda não está no caminho certo. E você tem cerca de dois meses para correr atrás do prejuízo e tentar novamente (ou seja, passar por uma nova banca de qualificação).

Para a qualificação você precisa entregar, com ao menos um mês de antecedência, o relatório de qualificação. Trata-se de um documento dividido (ao menos no meu caso foi assim) em três partes:

  1. Histórico na Pós-Graduação: aqui você vai falar um pouco do seu percursos como aluno(a). Você tem de colocar alguns dados pessoais, sua formação acadêmica, seus conhecimentos em línguas estrangeiras, experiência profissional (sim, isso é quase um currículo), atividades relacionadas ao mestrado, participação em cursos e eventos e outras atividades relevantes.
  2. Projeto de pesquisa: apesar dele já ter sido apresentado lá no início, como eu falo aqui, você deve apresentá-lo de novo nesta parte. Lembrando que o projeto pode ter sofrido algumas alteações, por isso também a importância de mostrá-lo novamente.
  3. Capítulos provisórios da dissertação: essa é, finalmente, a parte em que você mostra o que já tem pronto de sua pesquisa, colocando, na íntegra, os capítulos já escritos (recomenda-se ter a introdução e ao menos um ou dois capítulos prontos), além de um resumo do que você pretende apresentar nos demais capítulos, já deixando a sua dissertação estruturada.

O relatório deve ser entregue com pelo menos um mês de antecedência em relação à data do exame de qualificação porque é este documento que sua banca lerá para poder fazer os apontamentos necessários.

Para o dia da qualificação recomendo, antes de mais nada, muita calma. Também é bom ter uma cópia de sua pesquisa à mão (seja em papel, seja em um notebook ou similar) e, se a banca concordar, um gravador, para que você não deixe passar nenhuma dica dada pela banca em relação à sua pesquisa.

E aqui vai um pequeno causo antes dos meus últimos avisos: eu tentei ser o mais cautelosa possível com meu relatório de qualificação. Pedi modelos para meus colegas, escrevi com calma, numerei tudo, revisei mais de uma vez a formatação e o sumário. Imprimi as cópias necessárias e, quando fui ver, a numeração das páginas havia sido cortada na impressão! E eu só percebi isso depois de entregar as cópias aos professores. Que vergonha! Mas tudo bem, acontece, né? O lado bom desse pequeno fato é que eu já sabia que, na hora de imprimir a dissertação, esse era mais um cuidado que eu deveria tomar.

Por fim, como sempre, gostaria de alertar sobre a importância de se prestar atenção aos prazos (sempre!!!) e às normas, sejam elas de formatação ou burocráticas (que documentos você precisa entregar para agendar a qualificação, em que período, para quem). Se tiver dúvidas, pergunte, tanto para seu orientador quanto para colegas ou mesmo na secretaria de seu programa de pós-graduação.

Desmistificando o Mestrado [7] — PAE

Desmistificando o mestrado [7]

Como prometido no último post sobre o Mestrado, hoje venho falar um pouquinho sobre o Programa de Aperfeiçoamento ao Ensino (mais conhecido por PAE), porque ele deixa os alunos (principalmente bolsistas) um pouco doidos.

Primeiro é preciso entender o que é o PAE. Trata-se de um programa criado pela CAPES, ao perceber que os alunos de pós-graduação tinha muita experiência com pesquisa e pouca em sala de aula. Isso significa que o objetivo do programa é aprimorar a experiência dos pós-graduandos na atividade didática voltada para o ensino superior (ou seja, mostrar aos alunos como é dar aula na graduação).

Na USP, pode acontecer das normas gerais do PAE variarem de uma Unidade de Ensino para outra (por exemplo, a FFLCH pode ter regras diferentes da Poli e assim por diante). Mas existe uma regra geral, que é a existência de duas etapas que devem ser cumpridas na seguinte ordem:

  1. Preparação pedagógica
  2. Estágio supervisionado

A preparação pedagógica assume diferentes características: pode ser uma disciplina de Pós-Graduação (como agora acontece na FFLCH) — o que permite que o aluno obtenha créditos com ela; pode ser um conjunto de conferências — muitas vezes condensados num tempo menor; pode ser um núcleo de atividades (confesso que sobre esse não tenho o menor conhecimento).

A preparação pedagógica pode ser cumprida em qualquer unidade USP. Isso significa que, por exemplo, se você é da FFLCH, que colocou essa etapa em formato de disciplina, mas prefere cumprir em formato de conferências, basta procurar uma unidade que ofereça nesses moldes e se inscrever.

Para o estágio supervisionado, o aluno precisa escolher uma matéria da graduação e se inscrever para atuar como estagiário na mesma. Essa atuação depende da aprovação tanto do seu orientador quanto do professor que ministrará a disciplina. Depois disso, você irá acompanhar, ao longo do semestre, as atividades realizadas, frequentará as aulas, irá auxiliar o professor e poderá até ministrar uma aula — preferencialmente relacionada à sua pesquisa.

Para os aluno em geral, o PAE é opcional, mas para os bolsistas CAPES, ele é obrigatório. Se o Programa no qual você está inscrito possui Doutorado, você pode, no Mestrado, cumprir apenas a preparação pedagógica e cumprir o estágio supervisionado no Doutorado. Mas, mesmo que você cumpra as duas etapas ainda no Mestrado, e venha a fazer o Doutorado depois, terá de cumprir novamente o estágio supervisionado.

Isso significa, claro, que é possível realizar mais de um estágio supervisionado, mas a preparação pedagógica só precisa ser feita uma vez, isto é, não importa quantas vezes você queira ser estagiário PAE, você só precisa ter feito uma vez a preparação pedagógica.

As duas etapas podem ser realizadas em qualquer semestre — porém nunca ambas no mesmo semestre—, mas é importante prestar atenção aos prazos de inscrição de cada uma delas.

É possível ser estagiário PAE de maneira voluntária ou bolsista (mesmo para aqueles que já são bolsistas CAPES). Na FFLCH, quando você se inscreve na segunda etapa do PAE, automaticamente você passa a concorrer a uma bolsa, mas, como sempre há mais inscritos que bolsas, nem sempre é possível conseguí-la. Ainda assim, em tese, você pode receber esse auxílio por até duas vezes no Mestrado e mais duas vezes no Doutorado ou até quatro vezes no Doutorado (caso você não tenha recebido no Mestrado).

Eu fui estagiária PAE duas vezes: uma vez de maneira voluntária e outra como bolsista. Nas duas formas, é preciso entregar, mensalmente, uma folha de frequência assinada, para que, ao final, você possa receber os créditos formativos relativos à sua participação no programa. Também é preciso entregar um plano de estágio no início do programa e um relatório ao final. Sim, infelizmente é bem burocrático, mesmo quando você é voluntário. A experiência, porém, é bem enriquecedora, e acho que é realmente um programa necessário.

Se você é bolsista CAPES, tenha sempre em vista o PAE, lembre-se sempre de incluí-lo no seu planejamento da pós-graduação para não ficar tudo para a última hora!

Se tiverem alguma dúvida, podem me perguntar!

Desmistificando o mestrado [6] — Créditos e disciplinas

Destimistificando o mestrado [6]

Depois da aprovação no Mestrado chega o momento de se preocupar com as obrigações que ela traz. Eu já falei um pouco sobre isso aqui, e agora venho me aprofundar em um dos tópicos: os créditos e as disciplinas.

No Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas eu precisava cumprir 8 créditos para poder fazer a qualificação e 24 créditos (com o 8 anteriores incluídos neste número) para poder defender a minha pesquisa.

Na Letras, os cursos de Pós costumam ter uma duração de 120 horas, o que corresponde a uma disciplina de 8 créditos, com 4 horas semanais de aula, durante um semestre (um pouco menos, na verdade). Isso significa que, em tese, você precisa cursar 3 disciplinas ao longo do seu mestrado, sendo obrigatória ao menos uma antes da qualificação. As aulas costumam ocorrer no período da tarde (sim, um grande empecilho para quem trabalha), uma vez na semana (ou seja, 4 horas de aula em um único dia).

Também existem matérias mais curtas (e que, consequentemente dão menos créditos) que são oferecidas vez ou outra. Elas podem durar um mês, ou ser “intensivas”, isto é, ministradas ao longo de uma ou duas semanas. Você pode, ainda, fazer matérias em outros institutos e a quantidade de créditos acaba variando. Eu, por exemplo, cursei uma matéria na ECA que valia 7 créditos.

Isso me lembra outro ponto importante a ser destacado: a única coisa obrigatória na Pós é a quantidade de créditos. Não existe nenhuma matéria básica que deva ser feita, nem o requisito de se cursar ao menos uma matéria no seu Instituto de origem (que, no meu caso, seria a FFLCH).

Claro que você deve buscar matérias minimamente relacionadas à sua pesquisa, pois o intuito é que as leituras e os trabalhos derivados dela possam ser úteis no desenvolvimento de sua dissertação, ou que te ajudem a escrever artigos científicos, por exemplo. Portanto, a matéria que fiz na ECA não foi por mera liberdade de escolha: minha pesquisa estava relacionada à música e, por isso, optei por olhar se havia algo lá que me pudesse ser útil.

Mas aqui vai outra dica (que eu adoraria que tivessem me dado): leia atentamente a ementa da disciplina. Veja a bibliografia, a forma de avaliação e a descrição do curso em si. Eu não fiz isso com a matéria da ECA, e a maioria dos textos que precisávamos ler para a disciplina eram em inglês. Tudo bem, eu leio em inglês, mas foi um pouco mais penoso do que o esperado. Depois disso, aprendi a lição. E na Letras é preciso tomar ainda mais cuidado, pois às vezes pode acontecer de a própria disciplina ser ministrada em outra língua.

Se você for bolsista CAPES (ou melhor, se você conseguir ser abençoado com uma bolsa CAPES, porque hoje em dia, só rezando muito, né?) você terá de, obrigatoriamente, fazer o PAE (Programa de Aperfeiçoamento ao Ensino). Farei um post só sobre ele, porque é algo que gera muita dúvida entre os alunos, mas o que adianto aqui é que, no meu caso, consegui 6 créditos apenas com isso.

Outra forma de conseguir créditos, mas de maneira limitada, é através de participação em eventos científicos (com apresentação de trabalho) ou publicação de artigos. A quantidade de créditos que você pode obter com essas coisas, porém, varia de Programa para Programa, então é preciso ler com atenção o regimento do seu Programa de Pós.

E onde saber quais disciplinas serão ministradas? Sempre no nosso fiel escudeiro Janus. Também vale a pena ficar de olho em outros meios de comunicação do Programa de seu interesse.

Para concluir, gostaria de falar mais uma vez sobre a importância de se tentar cursar uma matéria como aluno especial, isto é, antes do seu ingresso efetivo na pós-graduação. Ainda que eu tenha dito que você precisa cursar basicamente três matérias ao longo do mestrado para atingir a quantidade de créditos necessários, lembre-se que existem muitas outras obrigações que tomarão boa parte do seu tempo e que você tem apenas dois anos para concluir tudo (ao menos no caso do Programa de Pós-Graduação em Línuga, Literatura e Cultura Italianas).

Desmistificando o mestrado [5] Passei no processo seletivo, e agora?

Desmistificando o mestrado [5]

Depois de meses escrevendo um projeto de pesquisa decente, depois de passar por uma prova de proficiência, pela prova de conhecimentos específicos e pela entrevista, é chegada a hora de ver seu nome na tão sonhada lista: os aprovados no processo seletivo para o Mestrado. Mas, passada a euforia inicial, vem a pergunta de sempre: e agora, estou realmente preparado(a) para iniciar essa fase?

É aquilo que sempre dizem: se der medo, vai com medo mesmo. A verdade é que nunca saberemos se estamos prontos ou não para algo até realmente tentarmos. E se chegamos até aqui, alguma condição de seguir devemos ter. E se não tivermos, desistir está liberado.

O que vou dizer agora provavelmente é bem clichê (sim, tanto quanto a frase ali em cima), mas se você passou no Mestrado, sua nova palavra amiga é a organização. Os prazos são curtos, as obrigações são muitas então… Organize-se! E se informe, sempre.

Eu diria até que, se você passou no Mestrado, seu primeiro passo é reunir o maior número de informações possíveis sobre todo o processo. Sobre o que você tem de fazer, quais são os prazos, tudo. E isso com certeza não é uma tarefa nem um pouco fácil, principalmente se você não tem o hábito de realmente perguntar as coisas para os outros.

Na Universidade de São Paulo (e, creio eu, na maioria das Universidades) nenhuma informação cai do céu. Então busque estudar o terreno no qual você está pisando. Mas existe algo que nos ajuda demais: a ficha do aluno, disponibilizada no sistema Janus, que é onde você também verá seus dados e notas relativas à Pós-Graduação. Nessa ficha, seus prazos também estarão registrados e é muito importante que, desde o início, você se atente a eles.

Não me lembro bem se já disse isso por aqui ou não, mas no Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas temos apenas dois anos para concluir o Mestrado. Esse prazo pode ser um pouco maior ou até mesmo um pouco menor, variando de Programa para Programa. Pense que, nesses dois anos, você precisa:

  • Cursar as disciplinas (para o Mestrado, são necessários 24 créditos);
  • Passar pela Qualificação (que é a avaliação feita na metade da sua pesquisa);
  • Coletar os dados da pesquisa;
  • Organizar os dados e as leituras realizadas;
  • Escrever.

E isso sem contar que, muito provavelmente, vão pedir que você participe de eventos acadêmicos. E que escreva artigos científicos. É, não é pouca coisa.

Já pensou conciliar isso com uma rotina de trabalho? Se você trabalha 8 horas por dia, fica realmente bem puxado. Se você tem horários mais flexíveis, isso ajuda muito. Em qualquer um dos casos, como eu disse, a organização será essencial.

No próximo post eu pretendo falar um pouco sobre os créditos e sobre as disciplinas, mas uma coisa que eu gostaria de adiantar: levando em consideração esse prazo de dois anos para fazer tudo o que listei acima, o ideal é que você ingresse no Mestrado tendo cursado ao menos uma disciplina como aluno especial (e que essa disciplina possa ser validada após o seu ingresso). Pode parecer pouco, mas já será de grande ajuda! E também é bom para te dar uma dimensão de como é a Pós-Graduação, o ritmo das aulas, as avaliações.

Desmistificando o mestrado [4] — Projeto de pesquisa

Desmistificando o mestrado [4] O projeto de pesquisa

O post de hoje talvez seja um dos mais difíceis dessa categoria e digo isso porque pretendo falar sobre algo que, ao mesmo tempo que é essencial para uma pesquisa, é algo sobre o qual temos poucas orientações.

Eu poderia dizer que o projeto de pesquisa é o início de tudo. Um documento que mostrará suas ideias e que, se bem feito, servirá de guia para toda a sua pesquisa. Em outros termos, ele é um esboço do que virá.

No Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas (PPGLLCI) — e creio que na maioria dos Programas de Pós —, a entrega do projeto de pesquisa faz parte do processo seletivo. É através desse documento que os professores avaliam a sua ideia, se ela tem sentido, se é relevante e, claro, viável.

Um bom projeto de pesquisa deve ter, essencialmente, as seguintes partes:

  • Introdução: para que você conte um pouco de onde surgiu sua ideia, da sua relação com o tema proposto. Tema, aliás, é a palavra chave aqui: o que você vai pesquisar?Eu acabei usando essa parte, também, para citar algumas pesquisas sobre o mesmo tema que a minha e qual era o “buraco” que eu queria “cobrir”, o que relacionou muito essa parte com outra que aparecerá logo mais.
  • Objetivo:  se você está se propondo a se debruçar sobre um tema, você provavelmente tem um objetivo, quer chegar a algo. E aqui você vai tentar mostrar onde pretende chegar. No caso de pesquisas de Doutorado, é necessário colocar também uma hipótese que será ou não comprovada ao final da pesquisa. Para o Mestrado, você pode elencar uma ou duas perguntas para responder ao final da pesquisa.
  • Justificativa: depois de apresentar sua ideia, dizer onde quer chegar, alcançamos um ponto crucial: por que você quer fazer isso? Qual é a relevância da sua pesquisa? (e essa era a parte que estava muito ligada à minha introdução).
  • Metodologia: com todas as informações acima tendo sido apresentadas, você precisará esclarecer como pretende realizar a sua façanha. Aqui você poderá descrever os passos necessários, as ferramentas que utilizará e o que mais achar necessário esclarecer.
  • Fundamentação teórica: essa é uma parte complicadinha do projeto, pois você precisará mostrar quais autores/pensadores te ajudarão em sua caminhada. Afinal, mesmo a mais original das ideias precisa de forças para se concretizar, e é nesta parte que você mostrará quem te inspirou e como as ideias dessas pessoas podem te ajudar. Acho que essa foi a parte mais extensa do meu projeto, porque a ideia é você realmente falar um pouco sobre cada obra que pode vir a te servir na pesquisa (isso acaba mudando muito depois, você descobre novos textos, elimina alguns anteriores, não tem problema nenhum!)
  • Cronograma: para terminar, é hora de mostrar em quanto tempo você pretende realizar a pesquisa proposta. Mas não se engane: você não tem o tempo que quiser para isso. No PPGLLCI, por exemplo, temos no máximo dois anos (Mestrado) ou três anos (Doutorado) para concluir a pesquisa. Então, nessa parte, tudo o que você precisa mostrar é que é viável fazer o que você quer fazer no tempo que tem à disposição.
  • Referências bibliográficas: como todo trabalho acadêmico, você fechará o seu projeto de pesquisa com as referências dos textos utilizados para construí-lo. O ponto positivo dessa parte é que ela será muito útil no resto de sua pesquisa, afinal, boa parte dos textos usados no projeto serão utilizados no restante do trabalho (a menos que ele sofra uma mudança radical — o que pode vir a ocorrer também).

Como eu disse, essas são as partes essenciais de um projeto, mas a sequência e a estrutura dele pode variar de um Programa para outro, por isso é sempre importante tentar conseguir essas informações com outros alunos ou mesmo com professores.

Se você se sente extremamente perdido(a) com relação ao projeto de pesquisa, dá uma procurada no livro Como elaborar projetos de pesquisa, ele pode ser bem útil! O mais importante, porém, é não ter medo. Faça um rascunho, converse com que já passou por essa etapa, pergunte, pesquise. O projeto de pesquisa é uma parte importante da pesquisa, mas não é a pesquisa em si. Muita água ainda vai rolar depois disso.

Desmistificando o mestrado [3] — Prova de conhecimentos específicos e entrevista

Desmistificando o mestrado [3]

Depois de falar para vocês sobre a prova de proficiência, chegou a hora de falar sobre as outras duas etapas de seleção do Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas, que são, na sequência: prova de conhecimentos específicos e entrevista.

Neste Programa de Pós-Graduação, a prova de conhecimentos específicos é realizada no dia seguinte à prova de proficiência, para facilitar o acesso àqueles que vem de outras cidades ou até mesmo Estados.

Para realizar essa prova você deve ler a bibliografia indicada, que varia de acordo com a área para a qual você está prestando a prova (língua, literatura ou tradução). Essa prova acontece da seguinte maneira: recebemos cerca de cinco perguntas relativas à área que escolhemos e devemos responder a duas delas, com um texto dissertativo de cerca de 20 linhas para cada questão escolhida. Quase sempre essa prova acontece em salas que possuem computadores, o que ajuda muito na hora de escrever e rescrever as respostas.

Nesta prova não é permitido nenhum tipo de consulta, mas também não é nenhum bicho de sete cabeças. Claro que, para isso, é importante ter lido a bibliografia e também ter certo conhecimento na área e, principalmente, sobre aquilo que você irá pesquisar.

Superada essa etapa, chegamos à entrevista. Cerca de duas semanas depois das duas provas já mencionadas, os alunos selecionados (ou seja, que foram aprovados em ambas as provas) são chamados para a tal entrevista. A quantidade de professores que vão nos entrevistar varia de acordo com a disponibilidade deles (quando eu fiz, estavam praticamente todos lá!).

Os professores vão fazendo perguntas sobre seu projeto (que em algum momento, no meio do caminho, já foi entregue), para verificar se você realmente tem ideia do que vai pesquisar e, mais que isso, se é realmente viável a sua pesquisa. Também é uma forma deles conhecerem um pouco mais sobre você e seu percurso acadêmico até ali. É nessas horas que ter feito uma iniciação científica, por exemplo, faz diferença, ainda que ela não seja um requisito para esse Programa de Pós-Graduação (mas é para alguns outros, então preste atenção a isso).

Depois da entrevista, tudo o que nos resta é aguardar o resultado final. Neste Programa de Pós-Graduação não somos nós quem escolhemos o orientador, mas os próprios professores que dividem os candidatos entre si. Então, quando recebemos o resultado final, em caso de aprovação, ficamos sabendo, também, quem será nosso orientador.

Espero que tenham gostado do post e, se tiverem dúvidas, fiquem à vontade para perguntar. O próximo post será sobre o projeto de pesquisa, que acabei não explicando ainda.

Desmistificando o mestrado [2] — Prova de proficiência

Desmistificando o mestrado [2]

Hoje é, finalmente, dia de continuar a falar sobre o Mestrado! E, para falar dele, precisamos, antes de mais nada, falar como começar ele. O post de hoje, portanto, é dedicado à uma das etapas do processo seletivo: a prova de proficiência.

A proficiência é, em geral,  uma das primeiras etapas e é eliminatória. Isso significa que, para iniciar um Mestrado, você deve saber ao menos uma língua estrangeira. E falar dessa etapa é um pouco complicado, pois, só na Letras, já existem diversas nuances, imagine fora dela.

Por exemplo, se você vai fazer Mestrado em uma área de literatura (brasileira, portuguesa ou clássicas) — e se eu não estou enganada —, você pode escolher fazer a proficiência em qualquer língua. Agora, se você vai fazer um Mestrado em uma área de línguas estrangeiras (ainda que seja relacionado à literatura daquela língua), como foi meu caso, você, necessariamente, deverá comprovar proficiência naquela língua (o que, digamos, faz muito sentido).

Mas também existem diversos tipos de prova de proficiência. Na Universidade de São Paulo, a mais simples é a do Centro de Línguas, que prepara provas para diversos Programas da Universidade. Nela, você basicamente precisa demonstrar que consegue ler e interpretar um texto na língua estrangeira escolhida. Para isso, claro, há um texto na língua em questão e questões de múltipla escolha referentes a ele, em português. E ainda pode usar um dicionário monolingue.

O segundo tipo de prova é aquela preparada especialmente para os Programas de línguas estrangeiras, como é o caso do Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura italianas. É uma prova relativamente parecida com a do Centro de Línguas, mas um pouco mais elaborada, entrando algumas questões dissertativas e de tradução.

Por fim, sempre temos a opção de fazer uma prova externa, que geralmente é bem mais complexa, porque abrange as quatro competências (ler, ouvir, escrever e falar). Acho que um dos exemplos mais conhecidos que posso dar desse tipo de prova é o TOEFL. No caso do italiano podemos mencionar o CELI e o CILS. E eu (que adoro complicar quando posso facilitar) optei por esse tipo de prova.

Aí você me pergunta “por que?”, já que além de mais difícil, esse tipo de prova é bem mais cara. Mas há uma vantagem: enquanto as duas primeiras provas que mencionei valem somente para ingressar no Mestrado dessa Universidade, e mesmo ali costumam ter uma validade de dois anos, as provas externas, são válidas/exigidas em diversos lugares/países, e quando têm validade, ela é de pelo menos 5 anos.

Espero ter conseguido explicar um pouco sobre as provas de proficiência, mas caso tenham dúvidas, basta comentar aqui! Em breve, falarei sobre as outras etapas do processo seletivo. Achei que caberia tudo em um único post, mas falar da proficiência já deu muito pano pra manga!

E se você não viu o primeiro post dessa série, clique aqui.

Desmistificando o Mestrado [1]

Desmistificando o mestrado [1]

E finalmente lhes apresento a segunda nova seção do Blog ou a segunda novidade que eu queria trazer para cá: resolvi compartilhar com vocês minha experiência no Mestrado! E por que? Bem, no post de hoje eu vou justamente explicar meus motivos para criar essa seção e nos próximos posts vou efetivamente mergulhar nesse mundo.

Mas vamos por partes, certo? Para falar do Mestrado eu preciso falar do que veio antes dele. Eu me graduei em Letras, pela Universidade de São Paulo (USP), tendo feito o Bacharelado e a Licenciatura — porque sim, no caso da Letras, na USP, essas são duas coisas distintas. Além de termos a opção de fazer só o Bacharelado ou fazer o Bacharelado e a Licenciatura (não é possível, no caso da Letras, fazer apenas Licenciatura), também escolhemos entre as habilitações que podem ser apenas português, português e linguística, só linguística, uma língua estrangeira (como alemão, japonês, grego, inglês, coreano, árabe…) ou português e uma língua estrangeira (ufa, espero não ter esquecido nenhuma das opções!). Eu optei por fazer Português e Italiano, porque, na verdade, já entrei querendo isso (ah, claro, cabe mais uma explicação aqui: no primeiro ano temos o chamando ciclo básico e só ao final deles fazemos a escolha da nossa habilitação, mas se vamos ou não conseguir a habilitação desejada dependerá das notas que tivemos em nosso ciclo básico).

A Letras é um dos maiores cursos da USP. Entram cerca de 800 calouros por ano! Para dar conta desse mar de gente e dessa (quase) infinidade de opções, a Letras é dividida em cinco Departamentos: DLCV (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas), DLM (Departamento de Letras Modernas), DL (Departamento de Linguistica), DLO (Departamento de Letras Orientais) e DTLLC (Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada). Dentro de cada um desses departamentos existem áreas. Por exemplo, o DLM é dividido entre as Áreas de Alemão, Inglês, Francês, Italiano e Espanhol. E cada uma dessas áreas pode ter o seu Programa de Pós-Graduação, como por exemplo o Programa de Pós-graduação em Língua, Literatura e Cultura Italiana, do qual faço parte. Complexo, né?

Cada Programa de Pós pode ter suas especificidades, portanto, antes de mais nada (apesar de tudo o que já expliquei), quero deixar claro que o que trarei aqui diz respeito ao Programa do qual faço parte, mas pode servir de base para outros Programas também.

Dito tudo isso, volto à pergunta do início: por que falar sobre a Pós aqui no Blog? Bom, mais do que ter feito/estar fazendo meu Mestrado junto ao Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas, eu fui estagiária do Programa e da Área de Italiano por quase dois anos e isso me permitiu aprender muita coisa do funcionamento da Universidade, da burocracia e de como funciona a Pós-Graduação. Tendo esse conhecimento, sempre me coloquei à disposição para quem quisesse tirar dúvidas, principalmente sobre a Pós, mas acabei percebendo que as perguntas eram quase sempre as mesmas ou então que são sempre os mesmo assuntos que nos confundem.

O que eu espero, portanto, é poder ajudar outras pessoas que tenham interesse em fazer uma Pós, mas que não sabem muito bem por onde começar. No próximo post, por exemplo, falarei sobre o Processo Seletivo do Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas.