Desmistificando o mestrado [14] — Minha pesquisa

Este é, muito provavelmente, meu último post desta série sobre o mestrado. Isto porque, acredito eu, já consegui abordar todos os pontos que gostaria. Mas, se eu estiver enganada, será um prazer continuar escrevendo sobre outros tópicos, basta me avisar nos comentários.

Porém, não posso negar, é bem simbólico para mim concluir esta série em novembro, pois foi neste mês que, há um ano, defendi minha dissertação de mestrado. E é por isso que também aproveito este momento para, depois de tudo o que expliquei aqui, finalmente falar um pouco sobre a minha pesquisa.

E claro, vamos partir do título dela: “A música no imaginário ítalo-pedrinhense: o pós-método no ensino e na revitalização da língua de herança”. Muito complexo? Apenas aparentemente.

Música todos nós sabemos o que é. O que você talvez não saiba é que sou apaixonada por essa arte quase tanto quanto sou pela literatura. E na introdução da minha dissertação eu falo um pouco sobre isso e sobre meu percurso em aulas de música (piano, coral…).

O imaginário ítalo-pedrinhense já começa a complicar um pouco as coisas, mas explico: Pedrinhas Paulista é uma pequena cidade do interior paulista e, mais que isso, uma ex-colônia italiana (uma das mais recentes, por sinal). E é daí que vem a junção desses termos assombrosos, isto é, em minha pesquisa eu trabalhei a questão da música em Pedrinhas Paulista e, principalmente, como esta arte aparece para as pessoas que vivem nesta cidade, o que a música significa para elas.

Sobre o pós-método, já expliquei um pouco no meu post sobre métodos didáticos, mas, claro, em minha pesquisa eu apresento de maneira um pouco mais aprofundada e também pensando na questão de como aplicá-lo no ensino de uma língua. Mas não uma língua qualquer, e sim uma língua de herança.

E aqui chegamos ao último ponto do título que eu provavelmente preciso explicar. Você se lembra que, ali em cima, eu falei que Pedrinhas Paulista foi uma recente colônia italiana, correto? Isso significa que os primeiros habitantes desta cidade falavam italiano, e foram aprendendo português com a convivência em terras brasileiras.

Alguns desses fundadores (cada vez menos) ainda estão vivos e morando ali, mas seus filhos e netos, tendo estudado em escolas brasileiras, foram cada vez mais se afastando da língua e da cultura italiana. Porém, ainda que filhos e netos tenham se afastado, eles ouviam seus pais (e até avós) falando italiano e dialeto e é por isso que se fala em revitalização da língua de herança.

Uma língua de herança, portanto, é muito diferente de uma língua estrangeira, que muitas vezes não traz nenhum vínculo emocional para a pessoa e pode ser totalmente desconhecida.

Para falar de tudo isso que mencionei até aqui, escrevi quatro capítulos, além da introdução e da conclusão. Cada uma dessas partes foi nomeada com termos derivados da música, que escolhi a dedo e expliquei a cada vez que eram usados. A introdução, por exemplo, foi chamada de Abertura.

No primeiro capítulo — chamado de Legato — eu falei sobre Pedrinhas Paulista (usando inclusive fotos da cidade), sobre o curso de Italiano como Herança, ministrado na cidade, e sobre língua de herança e histórias de vida.

O segundo capítulo recebeu o nome de Melodia e é nele que falo sobre a música em Pedrinhas Paulista, traçando inclusive um percurso entre as festas locais e a história da rádio da cidade. Antes, porém, também falo um pouco sobre a questão da identidade.

Arranjo — o terceiro capítulo da minha dissertação — foi dedicado ao ensino de línguas. Nele, assim como fiz em meu post (mas claro, de maneira mais aprofundada), falo um pouco sobre os métodos de ensino de línguas e sobre o pós-método, mas também falo sobre a música como recurso didático.

No quarto capítulo — denominado Diapasão — eu mostro o lado mais prático da minha pesquisa, falando sobre como apliquei tudo aquilo que fui apresentando ao longo dela e os resultados que obtive a partir disso.

Inclusive, isto foi um ponto muito importante para mim: minha pesquisa tinha um lado prático. Eu mesma pude ver a aplicabilidade daquilo que estava produzindo, também, de maneira teórica. A parte prática foi a elaboração de uma unidade didática, além da análise dos resultados obtidos a partir do uso dela (infelizmente não fui eu quem aplicou diretamente a unidade didática em sala de aula).

A conclusão recebeu o nome de Finale e, depois dela, ainda temos as referências bibliográficas e os anexos da minha pesquisa.

Se você tem interesse em se aprofundar em algum desses aspectos que mencionei, minha pesquisa está disponível de forma gratuita aqui.

E para quem caiu de paraquedas neste post, vou deixar aqui o link de todos os outros desta série, em ordem:

Desmistificando o mestrado [13] — Avaliação CAPES

Chegou o meu momento de falar sobre algo que provavelmente é bem desconhecido/ incompreendido entre os alunos de pós-graduação, mas que, ao mesmo tempo, tem uma grande importância. E eu tive o privilégio de aprender quase na prática sobre como isso funciona.

Como vocês viram no título, hoje é dia de falar sobre a avaliação da CAPES. Mas o que é isso? Para que serve? E o principal: o que você, aluno, tem a ver com isso? Bem, vamos por partes.

Para começo de conversa, o que é CAPES?

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), é um órgão do Governo Federal — ligado ao Ministério da Educação — que visa promover e manter a qualidade das pessoas envolvidas na pesquisa científica e educação superior brasileiras. Para isso, portanto, tal órgão precisa realizar avaliações periódicas, as tão temidas Avaliações CAPES.

Por que temidas? Bem, em primeiro lugar porque elas são confusas e trabalhosas! E o que eu quero dizer aqui é que as pessoas diretamente envolvidas com um programa de pós-graduação — isto é professores, funcionários e alunos — têm de fazer uma série de coisas que, no final das contas vão facilitar um pouco o trabalho da CAPES. E essa série de coisas culminam no relatório CAPES (mas calma, daqui a pouco a gente chega nele).

A avaliação CAPES é dividida em duas: a Coleta CAPES, que acontece anualmente e a Avaliação Quadrienal que, como o próprio nome já diz, acontece a cada quatro anos (e aliás, 2020 encerra mais um quadriênio da CAPES… Que ano para isso, né?).

As avaliações anuais são mais um “acompanhamento” do que está acontecendo e uma preparação para a avaliação quadrienal, que é de extrema importância para os programas de pós-graduação. É na avaliação quadrienal que os programas recebem o conceito CAPES, que é uma nota que, de certa forma, determina o reconhecimento daquele programa. Mas também é algo que vai muito além disso. Veja:

Para os programas de mestrado, o conceito máximo é 5 e a classificação se dá da seguinte maneira:

Conceitos 1 e 2: um programa que recebe um desses conceitos é CANCELADO. Isso mesmo, para de existir e ser reconhecido. Começaram a perceber a importância dessa avaliação?

Conceito 3: o programa é SATISFATÓRIO, ou seja, pode existir e funcionar, mas tem que melhorar muito.

Conceito 4: o programa tem um bom desempenho, mas não é exatamente “de excelência”.

Conceito 5: o sonho distante de muitos, um programa de qualidade reconhecida pela CAPES e qualquer outra instituição.

Olhando só essas informações vocês talvez pensem: bom, então o ideal é ter uma nota 4 ou 5, sendo que não faz tanta diferença assim uma ou outra. ERRADO. Porque esses conceitos não são apenas uma questão de dizer “olha, parabéns pelo trabalho de vocês”. Eles determinam a verba que poderá ser destinada ao seu programa. Sim, estamos falando de bolsas de estudos e de financiamento de pesquisas, de participações em eventos científicos e tudo o mais.

E por que as avaliações CAPES são confusas e trabalhosas? Bem, imaginem que uma avaliação desse porte, para ter alguma eficácia, precisa analisar muitos pontos. Além disso, com o intuito de cada vez mais aprimorar essa avaliação, ela está constantemente mudando. Ou seja, em um determinado ano os avaliadores dão mais importância a determinado ponto do relatório CAPES e, no ano seguinte, é outro elemento que ganha essa importância. Acontece que o que é avaliado é fruto de ao menos um ano inteiro de trabalho, então não é tão fácil assim se adequar a regras e conceitos que sequer sabemos exatamente quais são.

Um exemplo mais concreto: imaginemos que na coleta do ano passado a CAPES avaliou melhor programas com um bom número de publicações em revistas científicas. Ótimo, então este ano vamos investir em publicações! Mas aí, próximo à nova coleta, descobre-se que, este ano, programas que investiram no seu relacionamento com a sociedade terão uma avaliação melhor. E aí, como é que fica?

E para vocês terem uma ideia, aqui vão algumas das coisas avaliadas pela CAPES: publicação de artigos (tanto por parte dos professores quanto por parte dos alunos), quantidade de alunos e a quais linhas de pesquisa eles pertencem, pessoas que já não são alunos (os egressos) e no que elas atuam, integração da pós-graduação com a graduação e com a sociedade, intercâmbios, eventos, histórico do programa, disciplinas dadas…

O documento de referência para analisar tudo isso é o tal do Relatório CAPES, um documento extremamente extenso (como bem se pode imaginar) e que deve ser redigido anualmente.

E agora a grande pergunta que não quer calar: onde entram os alunos nisso tudo?

Quem melhor do que você para dizer o que fez durante o ano e que possa ser importante para o seu programa de pós-graduação? Quem melhor que você para dizer a quais eventos científicos foi, que monitorias deu, como está o andamento da sua pesquisa, que outros projetos realizou?

O que os programas fazem — ao menos o meu e muitos outros da universidade que frequentei — é solicitar, ao final do ano, que os alunos preencham um formulário com todas essas informações, facilitando, assim, a escrita do relatório CAPES, uma vez que, claro, esses formulários já são separados de acordo com os tópicos necessários para a redação do relatório. Porém, ajuda ainda mais quando os alunos preenchem o formulário corretamente e com as informações completas.

Como e por que eu sei de tudo isso? Porque fui estagiária do Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas e por dois anos seguido ajudei na elaboração do relatório CAPES. Muitas das coisas que fiz foi um trabalho meramente braçal, de copiar as informações dos formulários e organizá-las de forma a ajudar na elaboração do relatório. Mas em alguns momentos também tive de bancar a detetive para compreender informações incompletas.

E tem outra coisa: imaginamos que nossas obrigações terminam quando entregamos a dissertação, mas, como egressos de um programa de pós-graduação, precisamos atualizar nossas informações para o relatório capes por mais cinco anos (afinal, tem o item que avalia o que estamos fazendo depois de termos conquistado nosso título de mestre, para averiguar a relevância deste em nossa carreira). Só que as pessoas esquecem/não sabem disso e aí temos de ficar correndo atrás de cada uma, como se todo o resto já não fosse trabalho suficiente.

Gostaria de encerrar esse post com um conselho e uma dica:

Conselho: mantenha o seu Lattes atualizado. Isso é ótimo não apenas para ajudar a você mesmo com o preenchimento do formulário para o relatório CAPES, mas também para a sua vida acadêmica, afinal esse é o seu “perfil profissional”, requisitado inclusive em concursos públicos.

Dica: faça um “diário CAPES“, isto é, crie um documento ou uma pasta e anote TUDO o que você fizer e que tenha relação com seu mestrado, sua pesquisa, sua vida acadêmica. Se você já conhecer o formulário que terá de preencher depois e ainda conseguir organizar suas informações na ordem certa e com as informações necessárias, melhor ainda. Isso vai tem poupar muito tempo e evitar muita dor de cabeça. Pense que, geralmente, o formulário é enviado no final do ano, naquela época mais corrida, mais cheia de festas. Então, como sempre, não deixe tudo para o último momento.

Desmistificando o mestrado [12] — Bolsa de pesquisa

Receber uma bolsa para realizar sua pesquisa é um sonho para muitos pesquisadores: poder dedicar-se exclusivamente aos estudos, sem o medo das contas no final do mês. Sabemos, porém, como este é um assunto cada vez mais delicado no Brasil. Principalmente para os cursos das áreas de humanas.

Eu tive a sorte/privilégio de ter uma bolsa durante o meu mestrado. Três meses após o início da contagem de tempo da minha pesquisa, fui contemplada com uma bolsa CAPES-DS (Demanda Social).

Por que trago o nome da bolsa que recebi? Porque sim, existem bolsas diversas. As da CAPES, por exemplo, são geridas pelo governo, isto é, são eles que determinam quantas serão concedidas, como devem ser distribuídas. Mas, na Universidade em que estudei, também haviam bolsas da própria instituição (isto é, a instituição destinava parte de seus recursos para pesquisa). Existem, ainda, as bolsas da FAPESP. E, com certeza, muitas outras. Essas são as que me lembro no momento (e talvez as mais conhecidas).

Destaco aqui essas diversas possibilidades, porque sei, também, que cada uma funciona de uma maneira e eu não tenho como falar sobre cada uma delas, apenas sobre a que tive durante a minha jornada.

Quando fui informada que havia sido contemplada com uma bolsa de pesquisa, tive cerca de 48 horas para confirmar o meu interesse na mesma e, principalmente, preencher, assinar e reconhecer firma dos documentos! E sim, infelizmente tudo tem de ser rápido, caso contrário perde-se a mesma. E não é por maldade, mas é que no caso de uma bolsa CAPES entende-se que se ela não tem “dono” é porque o Programa de Pós-Graduação não precisa dela. E que Programa não precisa de bolsas para seus estudantes?

Depois, com tudo certo, eu não poderia ter nenhum outro vínculo empregatício enquanto tivesse a bolsa e, semestralmente, deveria enviar um relatório com o andamento da pesquisa.

Tal relatório não precisava ser muito extenso, mas deveria conter: disciplinas cursadas no semestre (com toda a bibliografia da mesma, carga horária, nota obtida, quantidade de créditos, forma de avaliação e importância da mesma para a pesquisa desenvolvida); atividades (participação em eventos, artigos submetidos ou publicados e outras atividades relacionadas ao âmbito acadêmico e pertinentes à pesquisa); andamento da pesquisa (um breve comentário sobre o que foi desenvolvido ao longo do semestre, se o cronograma está sendo seguido, quais as previsões para o semestre seguinte); conclusão (um resumo unindo tudo o que foi apresentado antes. É sempre bom destacar aqui a importância da bolsa para a continuidade da pesquisa).

Como bolsista de um curso de humanas, minhas obrigações eram basicamente essas e a participação no programa PAE. Destaco o fator “área de humanas”, porque acredito que outras áreas, principalmente as que lidam com laboratórios, funcionam de maneira diferente.

Porém havia algumas outras obrigações não tão claras, mas importantes para a manutenção do todo: participar das reuniões do programa de pesquisa, participar de eventos para divulgar a sua pesquisa e apoiar os seus colegas, ajudar no funcionamento do programa. No meu próximo post eu pretendo falar sobre o Relatório CAPES, algo que, acredito eu, poucas pessoas saibam o que é, mas que é extremamente importante e trabalhoso.

Como conseguir uma bolsa de mestrado? Como sempre, informando-se! Antes de ingressar no mestrado eu já sabia que era importante ficar atenta ao email e também logo procurei o grupo dos alunos, no Facebook. Você também pode ter a sorte de ter um(a) orientador(a) preocupado(a), que fará questão de te informar sobre isso (mas nem sempre podemos contar com essa opção, até porque isso nem é obrigação deles!). Conversar com o orientador também é válido, pois ele/ela pode conhecer opções que você não conhece e te dar outras possibilidades de conseguir uma bolsa.

Para concluir, uma coisa que quase ninguém fala sobre ser bolsista: é ótimo receber para fazer pesquisa, mas isso também pode ser angustiante. Lembre-se, estamos falando de dinheiro público e sempre fica aquele peso de “se eu fizer algo de errado, terei de devolver o dinheiro”. E veja, não estou falando sobre fazer algo de errado por querer, mas, como muitas vezes as informações não são claras, podemos errar sem sequer saber disso! Por isso a importância de sempre se informar o máximo possível.

Ah, e claro, bate um super medo de fracassar também! Então, se você é bolsista e sente isso ou se você sonha em ter uma bolsa, saiba: vai dar tudo certo. Confie em si, confie em sua pesquisa e dedique-se. O resto virá.

Desmistificando o mestrado [11] — A defesa

Toda vez que eu vou escrever um post novo para essa sessão eu sinto que estou escrevendo sobre um tema que costuma apavorar as pessoas. Mas bem, uma coisa que chama “defesa” não parece realmente boa, né?

A verdade, porém, é que não é bem assim e eu basicamente poderia acabar esse post aqui, com a melhor dica que já me deram: “você vai falar sobre a sua pesquisa. Ninguém sabe mais do que você sobre ela, porque foi você quem se dedicou esse tempo todo a ler, pesquisar e escrever tudo isso” (créditos à minha orientadora que, despretensiosamente me fez esse lembrete em algum momento da minha trajetória).

O que mais eu poderia dizer depois de tão sábias palavras? Tá, sempre temos algo a acrescentar. Até porque, a defesa começa muitos dias antes dela. Na verdade, desde o início, tudo o que fazemos é pensando nela, não é mesmo?

Mas além de pesquisar e escrever a sua dissertação, você também precisará preencher documentos, definir a banca, agendar a defesa, enviar o material para que os professores possam ler. É complicado falar sobre isso, porque essa etapa envolve questões burocráticas, que podem variar de lugar para lugar. Além disso, agora, mais do que nunca, as pessoas tiveram de encontrar novas formas de lidar com tudo isso.

Por exemplo, quando eu entreguei minha dissertação, os professores da banca tinham a possibilidade de escolher entre receber o material impresso ou apenas o pdf. Agora, creio, eles precisam ler tudo pelo computador mesmo.

Pode parecer que, depois de escrever uma pesquisa inteira, preencher alguns documentos, definir a banca e agendar a defesa não sejam coisas tão trabalhosas assim, mas aqui deixo dois alertas: nunca se esqueça da questão dos prazos! Então, por mais que tudo isso pareça tranquilo, evite deixar para o último minuto do segundo tempo. E, por fim, lembre-se que agendar a sua defesa pode ser tão difícil quanto marcar um encontro com os amigos, porque professores são seres ocupados! Além disso, é comum existirem algumas regrinhas para a composição da banca, então é muito importante que você e quem te orienta estejam bem atentos a isso.

Aí você pensa: “ah, mas quem me orienta conhece bem tudo isso, não terá dificuldade em me ajudar”. E você se engana. Eu, por exemplo, peguei um momento de transição de regimento, isto é, um período em que essas tais regrinhas estavam mudando. E é preciso tomar cuidado com isso, pois seu professor não orienta somente você, mas outros alunos que podem ter se inscrito em outros regimentos, então as regras podem mudar de aluno para aluno! (sim, as coisas nunca pode ser fáceis, impressionante).

Para o dia da defesa, em si, as dicas são praticamente as mesmas de qualquer dia importante: tente estar descansado e bem alimentado, não fique querendo decorar cada palavra de sua pesquisa. Além disso, ouça atentamente os comentários da banca, anote as sugestões feitas e responda às perguntas com calma. Dificilmente você não “saberá” a resposta de algum dos questionamentos feitos pela banca. Você pode expor o raciocínio que seguiu em determinado ponto ou mesmo ser humilde e dizer “não havia pensado nisso” ou “não havia pensado nisso desta forma/sob esta perspectiva”.

Falar sobre o dia da defesa também é um pouco complicado de se fazer de maneira genérica. Eu, por exemplo, tive a sorte de ter uma banca tranquila, com professores que demonstraram realmente ter lido o meu trabalho e que me fizeram apontamentos e questionamentos pertinentes. Mas nem sempre é assim, infelizmente, pois alguns avaliadores gostam de procurar pelo em ovo. Mas depois que tudo termina (e eu não conheço histórias de reprovações — ainda que elas provavelmente existam), com certeza vem uma sensação muito boa de missão cumprida.

Bom, o post de hoje talvez não tenha sido muito esclarecedor, mas, de novo, estou à disposição para bater um papo sobre tudo isso, tentar dar um help para quem precisar. E espero que a dica lá do início tenha valido por todo o resto.

Desmistificando o mestrado [10] — Enfrentando a página em branco

Já estamos no décimo post da minha série sobre o mestrado, então está mais do que na hora de falar sobre um assunto que dá medo na maioria das pessoas. Dá tanto medo, aliás, que alguns preferem pagar para que outros cumpram essa tarefa (e gente, isso é errado, ok?). É chegado o momento de sentar e escrever a sua pesquisa!

Depois de ler uma infinidade de textos relacionados ao tema escolhido e depois de separar e organizar os dados, tendo sempre a cabeça fervilhando de ideias, escrever não parece uma tarefa difícil. Até que você abre uma página em branco e… Bem, ela fica ali, gritando para ser preenchida, mas nenhuma ideia vem. Ou vem, mas depois você lê de novo, acha que está péssimo e apaga tudo.

PRIMEIRO GRANDE ERRO: APAGAR TUDO.

Você leu o que escreveu e achou tudo uma grande porcaria? Levanta, vai dar uma volta, respira. Mas nunca, em hipótese alguma, apague tudo. Principalmente se você ainda estiver no início do seu trabalho. Tente pensar no que vem depois, escreva frases soltas, reformule.

Ao longo da construção de minha dissertação foram muitas idas e vindas. O capítulo que deveria ser o segundo, acabou virando o quarto e o terceiro virou o segundo. Era como montar um quebra-cabeça, mas que, no final das contas, deu certo. Claro que, nessas mudanças, algumas coisas tiveram de ser reformuladas, tiradas, acrescentadas. Mas se, logo de cara, eu tivesse simplesmente apagado tudo, meu trabalho teria sido dobrado.

SEGUNDO GRANDE ERRO: querer escrever algo perfeito logo de cara.

Se você ficar com a preocupação de escrever parágrafos perfeitos e inalteráveis de primeira, é muito provável que logo encontrará uma barreira que te impedirá de seguir adiante. Nada sai perfeito de primeira. Aliás, se vocês me permitem ser bem sincera, dificilmente seu trabalho ficará realmente perfeito. E a busca pela perfeição só vai te travar.

Além disso, nem sempre escrever “em ordem”, isto é, seguindo a sequência final, é o mais lógico a ser feito. Para algumas pessoas, por exemplo, começar a escrever pela conclusão, para então decidir como chegar a ela é mais fácil do que o contrário. Então entenda que, se uma parte não estiver fluindo, você pode partir para a outra, até encontrar algo que funcione.

Mas se você sequer sabe por onde começar e a página em branco está ali, te atormentando, então a minha dica é: lembra tudo o que você já leu? Lembra todos os trechos que você já havia separado, pensando que poderiam ser úteis? Escolha um, preencha a página em branco com ele e, a partir disso, tente se lembrar o que há de interessante ali, que ideia havia surgido anteriormente e vá construindo o antes e o depois da citação.

Provavelmente te ajudará muito sentar e escrever um pouquinho todos os dias. Isso faz com que você não se canse de passar horas e horas escrevendo, além de te manter sempre em contato com a sua pesquisa e, consequentemente, pensando nela.

Caso você trabalhe oito horas por semana, de segunda a sexta e esteja pensando que nada a ver isso aí de escrever um pouquinho todo dia, afinal chegamos esgotados em casa, e que o melhor é escrever aos finais de semana: ledo engano!

Se você chega esgotado todos os dias, aos finais de semana vai querer descansar. E se não quiser descansar, provavelmente terá algum compromisso com conhecidos ou até consigo mesmo, com sua própria casa. E aí, mais uma vez, sua pesquisa será deixada de lado.

Quando eu falo em escrever um pouco todos os dias, eu realmente estou falando sobre escrever um pouco. Relaxe do seu dia estressante, se desconecte do mundo e separe 30 ou 60 minutos para focar totalmente na pesquisa. E saiba comemorar qualquer avanço que você tenha nesse intervalo de tempo, por menor que ele seja. No final das contas, você precisa ser seu maior motivador.

Mas a dica de ouro é: sente e escreva. Parece bobo? Talvez! Mas só quem já passou horas e horas encarando uma folha em branco sabe que, a melhor maneira de enfrentá-la é escrevendo algo. Uma palavra solta ou uma frase que seja. Assim, a página em branco deixará de ser um monstro e se tornará a sua página. E o melhor é fazer isso em um momento de total concentração, então realmente separe uma hora do seu dia para se dedicar somente a isso.

Para concluir, gostaria apenas de deixar uma dica prática (ao menos para mim foi algo bem útil, principalmente pelo que contei acima, de ter mudado a ordem dos capítulos): procure escrever cada capítulo de sua dissertação em um arquivo diferente e somente quando tudo estiver concluído monte o arquivo final. Isso vai te ajudar a visualizar melhor o que pertence a cada parte do trabalho, assim como facilitará caso você decida que a linearidade escolhida não está funcionando e que é melhor modificar um pouco a ordem das coisas (que foi o que fiz).

E então, vamos colocar a mão na massa?

Desmistificando o mestrado [9] — Dados da pesquisa

Esse post é para você que ingressou no Mestrado — ou está quase para ingressar — e não sabe nem por onde começar a pesquisa. Mas esse post também é para você que nunca pensou em fazer um Mestrado por achar que é “areia demais” para o próprio caminhãozinho. Dar o primeiro passo pode ser assustador, mas não é impossível. Vem comigo?

Esse tal “primeiro passo” é a definição do tema. Se você está realmente para iniciar a sua pesquisa, esse tópico já deveria estar resolvido, não? Afinal, eu falei aqui sobre o projeto de pesquisa. E se você ainda está pensando se faz ou não faz um Mestrado, não deixe de ler o post que eu indiquei, os demais e, claro, esse.

O que você deve fazer em seguida é começar a ler muito sobre o assunto. Porque, veja bem, por mais original que a sua pesquisa seja, ela precisa se sustentar. E, para isso, você vai precisar da ajuda de pessoas mais experientes que você, que vão te ajudar a argumentar sobre as suas hipóteses e respostas encontradas.

Mas não leia tudo o que encontrar pela frente e pronto. Já vá separando aquilo que te chamar mais atenção, destaque trechos que podem ser úteis e, o melhor de tudo: reúna em um mesmo arquivo todas essas referências. Será o seu arquivo de consulta básica.

Este arquivo deve conter os trechos que você acha que pode vir a usar em sua pesquisa, completamente referenciados, porque na hora que você tiver perdido as contas de quantos textos já leu, não vai mais saber de onde tirou o quê. Um trecho completamente referenciado é aquele que indica de onde foi retirado (que livro ou texto), quem é o autor e em que página se encontra. O ideal é já colocar as demais informações que você precisará para fazer as referências segundo as normas da ABNT.

Se você já tiver costume de lidar com planilhas, fica ainda melhor organizar os trechos que você destacar. As colunas base dessa planilha são: assunto (para você já mais ou menos saber em que parte da pesquisa aquilo pode ser usado), trecho, como citar e referência bibliográfica completa (já de acordo com as normas da ABNT, porque aí depois é só copiar e colar).

Depois de conhecer bem o assunto que está pesquisando, você precisa de dados que corroborem — ou não, e isso não é um problema — com a sua tese. Esses dados podem ser de vários tipos: estatísticas, depoimentos, amostras… Tudo depende de come é a pesquisa que você está desenvolvendo.

No meu caso, por exemplo, eu elaborei um material didático e, para saber se ele funcionou ou não e o que poderia ser modificado, elaborei um questionário para os alunos e um para as professoras que usaram o material. Cada questionário tinha cerca de dez questões e as respostas me ajudaram a ter um bom panorama das informações que precisava.

Com os dados em mãos, precisamos dar ainda mais um passo: analisá-los. Você já pesquisou bastante sobre o assunto e já reuniu os seus próprios dados, falta somente compreendê-los e usá-los adequadamente em seu trabalho. Algumas pessoas montam tabelas e gráficos, para poder apresentar visualmente esses dados. Outras pessoas apenas os descrevem textualmente, sem a necessidade de outros aparatos.

Vocês se lembram que eu contei que coletei dados por meio de questionários, certo? Todas as perguntas desses questionários eram de resposta aberta e dissertativa. Na hora de analisar, portanto, eu li resposta por resposta e agrupei as mais parecidas, para também ter uma ideia quantitativa sobre algumas opiniões.

Para coletar e analisar os dados de sua pesquisa, portanto, não há uma fórmula mágica. Tudo depende muito do tipo de pesquisa e da área com a qual você está trabalhando. Mas uma boa dose de organização e de paciência para entender qual é a melhor forma de compreender seus dados e apresentá-los ao público serão essenciais para que você não acabe arrancando os próprios cabelos no meio do caminho! Procure sempre deixar à mão aquilo que lhe parecer mais útil e necessário à sua pesquisa, a fim de evitar momentos de preguiça na hora de escrever a dissertação, tema que abordarei em um post futuro.

Desmistificando o mestrado [8] — Qualificação

qualificação

Hoje eu quero falar para vocês um pouco mais sobre a qualificação no mestrado. O que é? Como funciona? O que você tem de fazer? Calma, vamos lá que vou tentar explicar um pouquinho disso tudo!

O Exame de Qualificação (ou apenas Qualificação) é obrigatório tanto no mestrado quanto no doutorado (ao menos nos programas de pós-graduação da USP) e ocorre na metade do período que você tem para desenvolver sua pesquisa. Para ficar mais claro: no Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas, eu tinha dois anos para realizar meu mestrado. Em até um ano, desde a data da primeira matrícula, eu deveria realizar meu exame de qualificação.

A ideia é que você possa mostrar a uma banca examinadora (composta pelo(a) professor(a) que te orienta e mais duas outras pessoas que tenham ao menos o título de doutoras) em que ponto se encontra a sua pesquisa, como você pretende prosseguir e onde quer chegar.

Muitos alunos têm medo dessa etapa, pois ela é quase uma simulação da defesa. Mas acho que podemos enxergá-la de outra forma: se a banca for bem escolhida, haverão enormes contribuições para o desenvolvimento de sua pesquisa e conselhos realmente úteis. É quase como uma troca de ideias e uma chance de você mostrar sua pesquisa a pessoas que não estão mergulhadas nela como você e, possivelmente, seu orientador(a), mas que possuem conhecimento em assuntos tangentes e que podem te dar uma nova perspectiva para tudo o que você já tem, facilitando sua chegada ao ponto final.

Entendo, porém, o medo de alguns alunos: é possível reprovar no exame de qualificação. Mas isso não significa que seu trabalho foi em vão e que você colocou tudo a perder. Significa apenas que você precisa se esforçar um pouco mais, que você ainda não está no caminho certo. E você tem cerca de dois meses para correr atrás do prejuízo e tentar novamente (ou seja, passar por uma nova banca de qualificação).

Para a qualificação você precisa entregar, com ao menos um mês de antecedência, o relatório de qualificação. Trata-se de um documento dividido (ao menos no meu caso foi assim) em três partes:

  1. Histórico na Pós-Graduação: aqui você vai falar um pouco do seu percursos como aluno(a). Você tem de colocar alguns dados pessoais, sua formação acadêmica, seus conhecimentos em línguas estrangeiras, experiência profissional (sim, isso é quase um currículo), atividades relacionadas ao mestrado, participação em cursos e eventos e outras atividades relevantes.
  2. Projeto de pesquisa: apesar dele já ter sido apresentado lá no início, como eu falo aqui, você deve apresentá-lo de novo nesta parte. Lembrando que o projeto pode ter sofrido algumas alteações, por isso também a importância de mostrá-lo novamente.
  3. Capítulos provisórios da dissertação: essa é, finalmente, a parte em que você mostra o que já tem pronto de sua pesquisa, colocando, na íntegra, os capítulos já escritos (recomenda-se ter a introdução e ao menos um ou dois capítulos prontos), além de um resumo do que você pretende apresentar nos demais capítulos, já deixando a sua dissertação estruturada.

O relatório deve ser entregue com pelo menos um mês de antecedência em relação à data do exame de qualificação porque é este documento que sua banca lerá para poder fazer os apontamentos necessários.

Para o dia da qualificação recomendo, antes de mais nada, muita calma. Também é bom ter uma cópia de sua pesquisa à mão (seja em papel, seja em um notebook ou similar) e, se a banca concordar, um gravador, para que você não deixe passar nenhuma dica dada pela banca em relação à sua pesquisa.

E aqui vai um pequeno causo antes dos meus últimos avisos: eu tentei ser o mais cautelosa possível com meu relatório de qualificação. Pedi modelos para meus colegas, escrevi com calma, numerei tudo, revisei mais de uma vez a formatação e o sumário. Imprimi as cópias necessárias e, quando fui ver, a numeração das páginas havia sido cortada na impressão! E eu só percebi isso depois de entregar as cópias aos professores. Que vergonha! Mas tudo bem, acontece, né? O lado bom desse pequeno fato é que eu já sabia que, na hora de imprimir a dissertação, esse era mais um cuidado que eu deveria tomar.

Por fim, como sempre, gostaria de alertar sobre a importância de se prestar atenção aos prazos (sempre!!!) e às normas, sejam elas de formatação ou burocráticas (que documentos você precisa entregar para agendar a qualificação, em que período, para quem). Se tiver dúvidas, pergunte, tanto para seu orientador quanto para colegas ou mesmo na secretaria de seu programa de pós-graduação.

Desmistificando o Mestrado [7] — PAE

Desmistificando o mestrado [7]

Como prometido no último post sobre o Mestrado, hoje venho falar um pouquinho sobre o Programa de Aperfeiçoamento ao Ensino (mais conhecido por PAE), porque ele deixa os alunos (principalmente bolsistas) um pouco doidos.

Primeiro é preciso entender o que é o PAE. Trata-se de um programa criado pela CAPES, ao perceber que os alunos de pós-graduação tinha muita experiência com pesquisa e pouca em sala de aula. Isso significa que o objetivo do programa é aprimorar a experiência dos pós-graduandos na atividade didática voltada para o ensino superior (ou seja, mostrar aos alunos como é dar aula na graduação).

Na USP, pode acontecer das normas gerais do PAE variarem de uma Unidade de Ensino para outra (por exemplo, a FFLCH pode ter regras diferentes da Poli e assim por diante). Mas existe uma regra geral, que é a existência de duas etapas que devem ser cumpridas na seguinte ordem:

  1. Preparação pedagógica
  2. Estágio supervisionado

A preparação pedagógica assume diferentes características: pode ser uma disciplina de Pós-Graduação (como agora acontece na FFLCH) — o que permite que o aluno obtenha créditos com ela; pode ser um conjunto de conferências — muitas vezes condensados num tempo menor; pode ser um núcleo de atividades (confesso que sobre esse não tenho o menor conhecimento).

A preparação pedagógica pode ser cumprida em qualquer unidade USP. Isso significa que, por exemplo, se você é da FFLCH, que colocou essa etapa em formato de disciplina, mas prefere cumprir em formato de conferências, basta procurar uma unidade que ofereça nesses moldes e se inscrever.

Para o estágio supervisionado, o aluno precisa escolher uma matéria da graduação e se inscrever para atuar como estagiário na mesma. Essa atuação depende da aprovação tanto do seu orientador quanto do professor que ministrará a disciplina. Depois disso, você irá acompanhar, ao longo do semestre, as atividades realizadas, frequentará as aulas, irá auxiliar o professor e poderá até ministrar uma aula — preferencialmente relacionada à sua pesquisa.

Para os aluno em geral, o PAE é opcional, mas para os bolsistas CAPES, ele é obrigatório. Se o Programa no qual você está inscrito possui Doutorado, você pode, no Mestrado, cumprir apenas a preparação pedagógica e cumprir o estágio supervisionado no Doutorado. Mas, mesmo que você cumpra as duas etapas ainda no Mestrado, e venha a fazer o Doutorado depois, terá de cumprir novamente o estágio supervisionado.

Isso significa, claro, que é possível realizar mais de um estágio supervisionado, mas a preparação pedagógica só precisa ser feita uma vez, isto é, não importa quantas vezes você queira ser estagiário PAE, você só precisa ter feito uma vez a preparação pedagógica.

As duas etapas podem ser realizadas em qualquer semestre — porém nunca ambas no mesmo semestre—, mas é importante prestar atenção aos prazos de inscrição de cada uma delas.

É possível ser estagiário PAE de maneira voluntária ou bolsista (mesmo para aqueles que já são bolsistas CAPES). Na FFLCH, quando você se inscreve na segunda etapa do PAE, automaticamente você passa a concorrer a uma bolsa, mas, como sempre há mais inscritos que bolsas, nem sempre é possível conseguí-la. Ainda assim, em tese, você pode receber esse auxílio por até duas vezes no Mestrado e mais duas vezes no Doutorado ou até quatro vezes no Doutorado (caso você não tenha recebido no Mestrado).

Eu fui estagiária PAE duas vezes: uma vez de maneira voluntária e outra como bolsista. Nas duas formas, é preciso entregar, mensalmente, uma folha de frequência assinada, para que, ao final, você possa receber os créditos formativos relativos à sua participação no programa. Também é preciso entregar um plano de estágio no início do programa e um relatório ao final. Sim, infelizmente é bem burocrático, mesmo quando você é voluntário. A experiência, porém, é bem enriquecedora, e acho que é realmente um programa necessário.

Se você é bolsista CAPES, tenha sempre em vista o PAE, lembre-se sempre de incluí-lo no seu planejamento da pós-graduação para não ficar tudo para a última hora!

Se tiverem alguma dúvida, podem me perguntar!

Desmistificando o mestrado [6] — Créditos e disciplinas

Destimistificando o mestrado [6]

Depois da aprovação no Mestrado chega o momento de se preocupar com as obrigações que ela traz. Eu já falei um pouco sobre isso aqui, e agora venho me aprofundar em um dos tópicos: os créditos e as disciplinas.

No Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas eu precisava cumprir 8 créditos para poder fazer a qualificação e 24 créditos (com o 8 anteriores incluídos neste número) para poder defender a minha pesquisa.

Na Letras, os cursos de Pós costumam ter uma duração de 120 horas, o que corresponde a uma disciplina de 8 créditos, com 4 horas semanais de aula, durante um semestre (um pouco menos, na verdade). Isso significa que, em tese, você precisa cursar 3 disciplinas ao longo do seu mestrado, sendo obrigatória ao menos uma antes da qualificação. As aulas costumam ocorrer no período da tarde (sim, um grande empecilho para quem trabalha), uma vez na semana (ou seja, 4 horas de aula em um único dia).

Também existem matérias mais curtas (e que, consequentemente dão menos créditos) que são oferecidas vez ou outra. Elas podem durar um mês, ou ser “intensivas”, isto é, ministradas ao longo de uma ou duas semanas. Você pode, ainda, fazer matérias em outros institutos e a quantidade de créditos acaba variando. Eu, por exemplo, cursei uma matéria na ECA que valia 7 créditos.

Isso me lembra outro ponto importante a ser destacado: a única coisa obrigatória na Pós é a quantidade de créditos. Não existe nenhuma matéria básica que deva ser feita, nem o requisito de se cursar ao menos uma matéria no seu Instituto de origem (que, no meu caso, seria a FFLCH).

Claro que você deve buscar matérias minimamente relacionadas à sua pesquisa, pois o intuito é que as leituras e os trabalhos derivados dela possam ser úteis no desenvolvimento de sua dissertação, ou que te ajudem a escrever artigos científicos, por exemplo. Portanto, a matéria que fiz na ECA não foi por mera liberdade de escolha: minha pesquisa estava relacionada à música e, por isso, optei por olhar se havia algo lá que me pudesse ser útil.

Mas aqui vai outra dica (que eu adoraria que tivessem me dado): leia atentamente a ementa da disciplina. Veja a bibliografia, a forma de avaliação e a descrição do curso em si. Eu não fiz isso com a matéria da ECA, e a maioria dos textos que precisávamos ler para a disciplina eram em inglês. Tudo bem, eu leio em inglês, mas foi um pouco mais penoso do que o esperado. Depois disso, aprendi a lição. E na Letras é preciso tomar ainda mais cuidado, pois às vezes pode acontecer de a própria disciplina ser ministrada em outra língua.

Se você for bolsista CAPES (ou melhor, se você conseguir ser abençoado com uma bolsa CAPES, porque hoje em dia, só rezando muito, né?) você terá de, obrigatoriamente, fazer o PAE (Programa de Aperfeiçoamento ao Ensino). Farei um post só sobre ele, porque é algo que gera muita dúvida entre os alunos, mas o que adianto aqui é que, no meu caso, consegui 6 créditos apenas com isso.

Outra forma de conseguir créditos, mas de maneira limitada, é através de participação em eventos científicos (com apresentação de trabalho) ou publicação de artigos. A quantidade de créditos que você pode obter com essas coisas, porém, varia de Programa para Programa, então é preciso ler com atenção o regimento do seu Programa de Pós.

E onde saber quais disciplinas serão ministradas? Sempre no nosso fiel escudeiro Janus. Também vale a pena ficar de olho em outros meios de comunicação do Programa de seu interesse.

Para concluir, gostaria de falar mais uma vez sobre a importância de se tentar cursar uma matéria como aluno especial, isto é, antes do seu ingresso efetivo na pós-graduação. Ainda que eu tenha dito que você precisa cursar basicamente três matérias ao longo do mestrado para atingir a quantidade de créditos necessários, lembre-se que existem muitas outras obrigações que tomarão boa parte do seu tempo e que você tem apenas dois anos para concluir tudo (ao menos no caso do Programa de Pós-Graduação em Línuga, Literatura e Cultura Italianas).

Desmistificando o mestrado [5] Passei no processo seletivo, e agora?

Desmistificando o mestrado [5]

Depois de meses escrevendo um projeto de pesquisa decente, depois de passar por uma prova de proficiência, pela prova de conhecimentos específicos e pela entrevista, é chegada a hora de ver seu nome na tão sonhada lista: os aprovados no processo seletivo para o Mestrado. Mas, passada a euforia inicial, vem a pergunta de sempre: e agora, estou realmente preparado(a) para iniciar essa fase?

É aquilo que sempre dizem: se der medo, vai com medo mesmo. A verdade é que nunca saberemos se estamos prontos ou não para algo até realmente tentarmos. E se chegamos até aqui, alguma condição de seguir devemos ter. E se não tivermos, desistir está liberado.

O que vou dizer agora provavelmente é bem clichê (sim, tanto quanto a frase ali em cima), mas se você passou no Mestrado, sua nova palavra amiga é a organização. Os prazos são curtos, as obrigações são muitas então… Organize-se! E se informe, sempre.

Eu diria até que, se você passou no Mestrado, seu primeiro passo é reunir o maior número de informações possíveis sobre todo o processo. Sobre o que você tem de fazer, quais são os prazos, tudo. E isso com certeza não é uma tarefa nem um pouco fácil, principalmente se você não tem o hábito de realmente perguntar as coisas para os outros.

Na Universidade de São Paulo (e, creio eu, na maioria das Universidades) nenhuma informação cai do céu. Então busque estudar o terreno no qual você está pisando. Mas existe algo que nos ajuda demais: a ficha do aluno, disponibilizada no sistema Janus, que é onde você também verá seus dados e notas relativas à Pós-Graduação. Nessa ficha, seus prazos também estarão registrados e é muito importante que, desde o início, você se atente a eles.

Não me lembro bem se já disse isso por aqui ou não, mas no Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas temos apenas dois anos para concluir o Mestrado. Esse prazo pode ser um pouco maior ou até mesmo um pouco menor, variando de Programa para Programa. Pense que, nesses dois anos, você precisa:

  • Cursar as disciplinas (para o Mestrado, são necessários 24 créditos);
  • Passar pela Qualificação (que é a avaliação feita na metade da sua pesquisa);
  • Coletar os dados da pesquisa;
  • Organizar os dados e as leituras realizadas;
  • Escrever.

E isso sem contar que, muito provavelmente, vão pedir que você participe de eventos acadêmicos. E que escreva artigos científicos. É, não é pouca coisa.

Já pensou conciliar isso com uma rotina de trabalho? Se você trabalha 8 horas por dia, fica realmente bem puxado. Se você tem horários mais flexíveis, isso ajuda muito. Em qualquer um dos casos, como eu disse, a organização será essencial.

No próximo post eu pretendo falar um pouco sobre os créditos e sobre as disciplinas, mas uma coisa que eu gostaria de adiantar: levando em consideração esse prazo de dois anos para fazer tudo o que listei acima, o ideal é que você ingresse no Mestrado tendo cursado ao menos uma disciplina como aluno especial (e que essa disciplina possa ser validada após o seu ingresso). Pode parecer pouco, mas já será de grande ajuda! E também é bom para te dar uma dimensão de como é a Pós-Graduação, o ritmo das aulas, as avaliações.