Antes que a morte morra — Victor Marques

Título: Antes que a morte morra
Autor: Victor Marques
Editora: Publicação independente
Páginas: 26
Ano: 2020

Imagine viver em uma cidade onde ninguém morre, porque uma corajosa senhora matara a morte? Parece muito estranho esse meu pedido? Mas é exatamente a um cenário desses que somos introduzidos em Antes que a morte morra.

Claro, porém, que nada é tão simples quanto parece, não é mesmo? E é assim que acabamos ficando tão encucados quanto o protagonista desta história, Vicente, tataraneto desta heroica senhora, Dona Laura, que enfrentara e exterminara a morte de Santa Temis, uma cidadezinha amazônica.

“Queria ter força e coragem para fugir de casa e subir num barco, remar até a próxima cidade e matar a morte, como a tataravó fez. E então seguiria para a próxima, e mais uma, até que não tivesse mais dor em nenhum canto do país”

Acho que só pelo que eu apresentei no parágrafo e no trecho acima já dá para ter uma ideia da imaginação do autor, não?

E não para por aí não! Acho que, lendo, é muito difícil não se sentir ao lado de Vicente, uma criança curiosa, tentando entender como é possível matar a morte (até porque, se nada morre, como a morte morreu?), principalmente porque seu professor dissera que isso era tudo invenção. Como seria invenção se há décadas não são registradas mortes naquela cidadezinha? Como explicar isso?

“No fim, o maior horror da humanidade continua sendo o ser humano, raça inescrupulosa, que acha que pode brincar de Deus e enganar jovens almas como a do ingênuo rapaz. Ninguém merece isso”

O conto é narrado em terceira pessoa, o que poderia não nos deixar tão próximos de Vicente (bom, ao menos alguns leitores pensam assim), mas, como eu disse, os questionamentos dele e a trama são construídos de uma forma que é difícil não querer continuar e, ao lado do pequeno, desvendar todo esse mistério.

O final, não posso negar, me deixou de queixo caído. Um desfecho que aponta para uma crítica social, ao mesmo tempo que torna toda a narrativa ainda mais palpável. E para coroar a leitura, fiquei me perguntando se a escolha do nome da cidade foi mero acaso ou caso pensado…

Se você quer conhecer o desenrolar de Antes que a morte morra, clique aqui e visite a misteriosa cidade de Santa Temis.

Amor através do tempo (antologia)

Título: Amor através do tempo
Autor: várias autoras
Editora: Publicação independente
Páginas: 271
Ano: 2021

Pode um livro ficar melhor a cada página? Sem dúvidas! Muitos livros são assim, aliás. Mas no caso da antologia que trago aqui hoje, temos algumas particularidades, sendo a primeira delas o próprio fato de se tratar de uma antologia, ou seja, uma obra escrita a muitas mãos e, portanto, com vozes diferentes.

“Raramente sabemos quando a vida vai dar uma volta na direção certa e nos empurrar em direção a algo extraordinário”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

Além disso, como é de se esperar, o título não é um mero acaso: Amor através do tempo reúne quatro contos que se passam em períodos diferentes, começando por tempo mais antigos — ou seja, por volta de 1800 — e chegando até os dias atuais. E, claro, são histórias de amor.

“Não tente entender o coração das pessoas se você não viveu a história que lhes acompanhou”

(Amor através da intriga — G. Goulart)

E talvez tenha sido justamente essa viagem temporal que fez com que, a cada conto lido, eu gostasse mais e mais da obra, o que me fez concluir que eu realmente gosto de ler não apenas histórias de amor — isso eu sempre soube e sempre comentei — mas histórias de amor mais contemporâneas.

“É difícil dizer com certeza o momento que as coisas dão errado”

(Amor através da dor – Tayana Alvez)

O primeiro conto é Amor através da intriga e foi escrito por G. Goulart, cuja escrita eu ainda não conhecia. Passa-se 1839, entre a Irlanda e a Inglaterra, apresentando-nos uma dama relativamente fora dos padrões da época, por querer ser, antes de mais nada, livre. E claro que, no caminho de uma dama dessas, tinha de aparecer um daqueles nobres que se acham a última bolacha do pacote, mas que, no fundo, escondem muito mais do que parece…

“Seguir sua paixão é importante filha, mas não vale a pena se for se machucar no percurso”

(Amor através da intriga — G. Goulart)

Pelo título e por essas poucas palavras, acredito que já dê para imaginar que é uma história leve, que nos faz rir em determinados pontos e, a cada linha, ansiar pelo desfecho.

Em seguida, com Camila Dornas, damos um salto para a França de 1913. Camila Dornas era uma autora que eu já tinha interesse em conhecer e, neste conto, ela traz um romance sáfico, o que é ainda mais interessante se pensarmos na época que a história se passa. Imagine os percalços da vida delas! Não é à toa que a história chama-se Amor através da liberdade, né?

“Chloé não entendia por que amar alguém podia ser pecado”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

A narrativa desse conto vai dando alguns saltos, terminando por volta de 1923. Para além do que já apontei, gostei de ver a intensidade dos sentimentos de uma das protagonistas, em contraposição à retração e ao medo da outra.

“Abrir o coração é como derrubar uma represa. Uma vez que você o faz, é mais fácil deixar tudo fluir”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

No terceiro conto, viajamos entre Japão e Brasil e, só pelo título, já podemos esperar muita coisa: Amor através da guerra. Isso acende alguma luz em sua cabeça? Se não, aqui vai mais uma dica: a história se inicia em 1945…

“É uma grande tolice o tempo que se perde pensando no sentido do que é tão incerto”

(Amor através da guerra — Beatriz Cortes)

A narrativa começa em Hiroshima, não apenas no ano, mas no dia em que uma bomba atômica atingiu a cidade japonesa. Antes desse trágico episódio, porém, passamos a conhecer aqueles que serão os protagonistas de uma das histórias de amor mais lindas e mais fortes que já li.

“Compreender que está morrendo é doloroso”

(Amor através da guerra — Beatriz Cortes)

Ao mesmo tempo que a história vai se desenvolvendo mansamente — na medida do possível, após o conturbado acontecimento inicial — ela também vai nos fazendo refletir sobre esse episódio ainda tão conhecido e tristemente lembrado.

“Deve ser difícil sorrir quando se perde tanto, não a culpo”

(Amor através da guerra — Beatriz Cortes)

A autora deste conto é Beatriz Cortes, que eu não conhecia, mas que agora já quero poder ler mais e mais, pois fiquei realmente comovida com essa narrativa.

“É estranho como as memórias traumáticas são capazes de invadir tudo de bom que a gente tenta guardar”

(Amor através da guerra — Beatriz Cortes)

E, enfim, chegamos a ela, a responsável por eu ter comprado essa antologia correndo e ter lido assim que possível: Tay Alvez. Como eu disse na TAG dos 50%, ela vai ter que me aguentar lendo e resenhando todas as obras dela e, se bobear, até a lista de compras. Veja bem, eu não estava brincando!

Porém, isso provavelmente acontece, também, porque eu devo gostar de sofrer, viu? O conto dela, o mais atual de todos na antologia, se passa entre Portugal e Brasil, nos anos de 2019 e 2020 (mas relembrando uma história que começara alguns anos antes) e o título não é nada mais, nada menos que Amor através da dor. Já comecei a chorar aí!

“É engraçado como a gente sempre olha para a pessoa que a gente ama como endgame… Eu queria que você fosse o meu fim de jogo desde o nosso primeiro beijo e, sendo honesta com nós dois, meu amor seria o suficiente para isso, mas o amor sozinho nunca tem a força que a gente imagina…”

(Amor através da dor – Tayana Alvez)

Uma história de amor lindíssima mas… Real! E quem disse que todas as histórias de amor terminam como a gente gostaria que terminassem? Só os contos de fadas disseram e nós insistimos em acreditar neles mesmo quando tudo indica que não passam de histórias…

“Mas, Mateus, depois de três meses aquilo começou a me machucar e o que mais triste disso tudo é que você sabia. Sabia que estava me machucando, só que isso não importava mais pra você”

(Amor através da dor – Tayana Alvez)

Mateus e Malena formavam aquele casal de filme perfeito, mas, apesar de realmente serem atores, eram também seres humanos. E seres humanos que tiveram de lidar com certas mudanças grandes em suas vidas. E é assim que Mateus se perde, enquanto Malena não quer se perder.

“Nós dois choramos e era palpável que o motivo era um só: nós nos amávamos e sabíamos que estávamos nos perdendo”

(Amor através da dor – Tayana Alvez)

Olha, sinceramente, sem palavras para esse conto. Aliás, para a toda obra. As autoras estão de parabéns pela ideia e pelo empenho em torná-lo real. E se você quer conhecer e se apaixonar por essas histórias também, clique aqui. Ela está disponível apenas em formato ebook, mas faz parte do catálogo do Kindle Unlimited.

Pérolas da minha surdez — Nuccia De Cicco

Título: Pérolas da minha surdez
Autora: Nuccia De Cicco
Editora: Bindi
Páginas: 218
Ano: 2020 (2º edição)

Se tem uma coisa que eu não faço é ficar planejando com antecedência o que eu vou ler. Claro que eu tenho uma lista infinita de livros a serem lidos, mas quando chega o momento de escolher a próxima leitura, eu simplesmente olho para o que está parado e deixo, sei lá, meu sexto sentido, escolher por mim. Por sorte, em um momento difícil, esse meu sexto sentido escolheu Pérolas da minha surdez e foi uma banho que me lavou a alma.

“Uma época em que você tinha tantas esperanças, outros tantos sonhos e, de repente, passou a sentir que tudo foi roubado”

Confesso que relutei com a escolha. Fiquei encarando a capa, pensando se era o momento certo. Isso porque, até então, tudo o que eu sabia/imaginava era que o livro falava sobre a surdez da autora e os percalços e momentos desse caminho. O que eu só fui descobrir com a leitura é que, na verdade, esse livro é bem mais que isso.

“O problema de ser forte o tempo inteiro é que pessoa alguma percebe quando você quebra. Eu quebro o tempo todo. Vê quem quer”

Devido à minha relutância, porém, antes de realmente mergulhar na obra, li um conto que veio com ela, também da autora. Chamado Ponte de vista, o conto foi escrito para acompanhar o livro e sua leitura já foi um bom e necessário choque de realidade. Ao contrário de Pérolas da minha surdez, ele tem um tom ficcional, mas daqueles que nos tocam como qualquer história real e palpável. Lido isto, resolvi encarar o livro.

Logo nas primeiras páginas, esta obra mostra a que veio ao mundo. Nas linhas inicias já nos deparamos com a oportunidade de conhecer mais da vida da autora, de ver uma sucessão de tombos, mas também uma sucessão de cabeças erguidas para tudo isso. E, com certeza, foi isso que fez eu me agarrar com ainda mais força à obra.

“Desapegar não é esquecer”

Aos poucos, claro, também vão entrando muitas explicações. Ao longo das páginas, Nuccia nos fala sobre os tipos de surdez (sim, existem muitos!), sobre a história da surdez, sobre Libras, sobre acessibilidade.

“Acessibilidade não é apenas permitir meios para que alguém consiga entrar. É, além disso, conceder oportunidades para que estas mesmas pessoas possam permanecer e entender o que ali existe”

Com pitadas de humor — ácido, por vezes — a autora tenta desmistificar “o universo surdo”, além de tentar fazer entrar em nossa cabeça como enxergamos e encaramos as coisas de maneira errada e até absurda.

“É lembrar que o surdo não é diferente, porque não existe ninguém igual”

Mas se engana, como eu já comentei um pouco no início, quem acha que são páginas e mais páginas técnicas e apenas voltadas para a surdez. Em Pérolas da minha surdez estamos em contato com uma história real, de um ser humano real e, portanto, cheio de sonhos, de aventuras, de desejos. E é por isso que, além de aprender sobre a surdez, podemos aprender muita coisa, inclusive sobre, por exemplo, dança do ventre.

“Rótulos são problemáticos, exclusivos, classificadores e não ajudam em nada, a não ser a uma pequena parcela de profissionais e às estatísticas”

Ah, e a Nuccia também ressalta, em mais de um momento, que ela é surda, mas que isso não a torna alheia ao mundo. Muito pelo contrário. Quando não podemos mais contar com um de nossos sentidos, os outros tornam-se ainda mais sensíveis…

“Eu não posso escutar. Mas a surdez é social, não minha”

Para além de tudo o que já mencionei, outros dois elementos que me conquistaram demais nessa obra, foram o fato de, apesar de explicar e apresentar muita coisa, a autora usar uma linguagem muito fácil e acessível, o que torna a leitura bem fluída e interessante.

“Senhoras e senhores, apresento-vos o capacitismo: o preconceito cultural que implica em duvidar da capacidade de um indivíduo em ser ou fazer o que ele desejar”

E o fato de que, como esta é a segunda edição, publicada em 2020, li uma versão atualizada da obra, mencionando o contexto pandêmico também, que trouxe sim mais algumas barreiras para os surdos. Porém, isso também me fez perceber uma coisa: esse é tipo de livro que, infelizmente, sempre terá algumas informações datadas. Como eu disse, ele foi republicado em 2020 e já há uma informação — mas esta para o bem! — desatualizada. Num dado momento, Nuccia fala que “A Itália possui uma cultura surda e os surdos utilizam uma língua de sinais não-oficial”. Pois bem, em maio de 2021 a LIS (Língua de Sinais Italiana) foi finalmente reconhecida! Bom ver que as coisas estão começando a caminhar mais nesse sentido, né?

“Sair do mundo ouvinte para o do silêncio na fase adulta é equivalente a atravessar uma parede de concreto espesso com apenas um passo”

Considero que Pérolas da minha surdez é um daqueles livros que precisam ser lidos ao menos uma vez na vida. Ao final da obra, ainda há uma série de referências de livros e filmes/séries com personagens surdos ou sobre a surdez. Ou seja, uma obra para termos sempre à mão também (ainda bem que optei por comprar a versão física, que agora está mais difícil de conseguir).

E aí, se interessou? Então clica aqui (ebook). Também aproveite para conhecer as outras obra da Nuccia aqui. E se quiser, tem resenha de Cadeados aqui.

Eu escrevo poemas — Triz Santos

Título: Eu escrevo poemas
Autora: Triz Santos
Editora: Publicação independente
Páginas: 11
Ano: 2021

Eis que você decide ler um conto — “só 11 páginas, uma leiturinha rápida para passar o tempo” — e sai mais destruída do que quando iniciou a leitura.

Há histórias que são bonitas, mas há histórias que são ainda melhores quando lidas no momento certo. E foi o que aconteceu entre Eu escrevo poemas e eu. Literalmente, um conto que caiu do céu em meio à leituras que estavam sendo retomadas.

Na primeira linha da história conhecemos Ethan. Ele está em sua escrivaninha, aos prantos, e escrevendo… Um poema, claro. Poema este que, dentre tantos outros, foi escrito para Anthony, seu ex que nunca lerá nenhum desses versos.

“Sempre que Ethan se lembrava disso, seu peito doía e a sua respiração tornava-se escassa, enquanto se permitia chorar até não poder mais. Ele viu tudo de mais precioso que tinham se esvair diante de seus olhos, e não pôde fazer nada”

Não, Ethan não perdeu Anthony para a morte. O perdeu para a vida mesmo: sem mais nem menos, este decidiu que era hora de partir, de dizer adeus àquele relacionamento, deixando Ethan com o coração totalmente despedaçado e a mente totalmente caótica.

“E esse foi o fim. O fim de uma história de amor que ninguém jamais imaginou que um dia terminaria”

Há três anos Ethan tenta entender o que aconteceu. Há três anos Ethan vive no automático. E há três anos Ethan escreve para tentar expurgar essa dor que o consome.

“Muitas coisas foram deixadas pendentes

E eu revivo os momentos

Sempre que fecho os olhos

Como um filme

Que eu dolorosamente insisto em assistir”

Apesar de poder parecer apenas um conto extremamente dramático, Eu escrevo poemas é uma história bela, dolorosamente possível e, ao mesmo tempo, que nos faz refletir sobre a vida, sobre nossos sentimentos e a vontade ou necessidade de seguir em frente.

“Sua vida não ia para frente nem para trás, estava completamente estagnada…”

É, também, um conto para nos fazer lembrar que ciclos se fecham — repentinamente ou não —, mas que podemos (e devemos) nos permitir sentir a dor necessária, nos mostrando, porém, que também é importante buscar uma forma de contorná-la, porque ninguém quer seguir vivendo no automático, não?

Se você quiser realizar essa leitura também (e depois me contar a sua opinião, pois, como eu disse, li no momento certo, então, para mim, o impacto desta breve narrativa foi bem forte!), clique aqui.

Tamara Jong: a última flor do paraíso — José M. S. Freire

Título: Tamara Jong: a última flor do paraíso
Autor: José M. S. Freire
Editora: publicação independente
Páginas: 361
Ano: 2020

Em 2019 eu escrevi uma resenha sobre o segundo volume de Tamara Jong e, já naquele momento, expliquei que é possível ler as obras separadamente. Foi por isso que não pestanejei em mergulhar na leitura de Tamara Jong: a última flor do paraíso, quinto volume desta série de ficção científica criada pelo autor José M. S. Freire.

“A vida é dura em toda parte, mas, ainda assim, é tudo que temos, e nós devemos lutar por ela”

Uma vez mais, o prefácio é crucial para o embarque nessa aventura. Ele nos dá um bom panorama do que veio antes e nos faz entrar no clima da história.

“Eu perdi uma batalha, mas haverá muitas outras. Quando você crescer, você entenderá que as guerras são como a própria vida: só se para de lutar quando se morre!”

Desta vez, porém, os protagonistas estão cada um em um canto, lutando para sobreviver. E a narrativa vai, a cada capítulo, nos mostrando um desses personagens e suas aventuras.

Conhecemos, assim, diversos cenários e, claro, ficamos de cabelo em pé em algumas situações, sempre imaginando que é o fim da linha para alguém. Mas será que é mesmo?

“Aliás, na verdade, era isto que mais doía em André: o ego ferido por ter sido enganado por uma criatura rudimentar como aquela. Ele não se perdoava por ter sido tão descuidado”

Dentre esses cenários, uma vez mais, notamos muitas similaridades com o nosso verdadeiro mundo, principalmente com relação a problemas e coisas ruins… E, ao mesmo tempo, nosso verdadeiro mundo entra “disfarçadamente” na história de uma maneira que achei genial:

“No reino do Brehzil, sabe-se tudo mas não se faz nada!”

(assim, somente com o quote, não dá para pegar totalmente a ideia, então sugiro que você leia a obra para que entenda completamente porque isso foi muito criativo).

E claro que, uma vez mais, temos muito sobre o que refletir e mais ainda a aprender, porque isso, desde o primeiro livro que li, já fica claro: o autor consegue inserir diversas passagens interessantes, mas sem que fiquem forçadas na narrativa.

“Eu, que sempre vivi no luxo e na riqueza, acabei de aprender com você e o Rodrigo que a joia mais preciosa que podemos ostentar em nossas vidas é a face radiante das pessoas leais e amigas, estampada para sempre no véu de nossas lembranças”

Neste volume, no entanto, senti que, apesar de todas as cenas de arrepiar, a ação não esteve tão bem presente quanto anteriormente, dando mais espaço a descrições. Além disso, os capítulos são grandinhos, então se acomode bem no momento de ler e embarque nesta aventura única.

Se quiser conhecer essa história — e também os outros volumes de Tamara Jong — clique aqui.

L’ultimo arrivato — Marco Balzano

Título: L'ultimo arrivato
Autor: Marco Balzano
Editora: Sellerio Editore Palermo
Páginas: 205
Ano: 2018

Provavelmente uma das coisas que mais me faz apaixonada pelos livros é o quanto posso aprender com eles. E L’ultimo arrivato foi uma obra que trouxe muitas novidades para mim.

Infelizmente, a obra ainda não tem tradução para o português, mas para dar um gostinho dela, traduzirei os trechos que selecionei para compor esta resenha, colocando ao final os trechos originais, na sequência que aparecem aqui.

“Para aprender é preciso confiança e eu não confiava nele”

Uma história inventada, mas que ao mesmo tempo é real: fruto de muitas pesquisas e recortes de entrevistas com pessoas de carne e osso, L’ultimo arrivato nos mostra uma Itália de não muitos anos atrás e que, ao mesmo tempo, pouco se sabe ou se estuda.

“Não restaram traços, porque o esforço dos pobres cristãos não deixa vestígios. Não resta testemunho disso nem mesmo nos livros escolares, onde se lê apenas sobre o rei e a rainha”

Logo no início da obra o autor já nos explica sobre o que ela trata e o tema, por si só, nos faz pensar em uma história de terror que nos deixa boquiabertos por ter, de fato, acontecido.

“Nos anos cinquenta, a mudar-se do Sul ao Norte, em busca de trabalho, não eram apenas homens e mulheres prontos para a experiência e para a vida, mas também crianças — às vezes com menos de dez anos — que nunca haviam se afastado de casa. O fenômeno da imigração infantil envolve milhares de garotinhos que diziam adeus os pais, aos irmãos e se mudavam — muitas vezes eternamente — para as metrópoles distantes”

Em L’ultimo arrivato conhecemos Ninetto, um garoto que teve o mesmo destino de tantos de sua época e idade: mudar-se para Milão em busca de uma vida um pouco melhor. Mas a mudança era nos termos acima mencionados: sozinho e para trabalhar.

“Há momentos nos quais você não tem mais nada no que se agarrar a não ser a sua história”

Durante 31 capítulos vamos acompanhando a história desse garoto que, no início, levava uma vida muito simples — e já com algumas dificuldades — mas até que, na medida do possível, feliz.

“Não é verdade que basta boa vontade para virar a página e recomeçar”

Apesar de nem sempre ter comida na mesa — ou comer sempre a mesma coisa — e ver a sua mãe doente — mas não entender o que acontecia com ela — Ninetto ia à escola e, a cada dia, voltava fascinado com o que aprendia ali.

“Depois do Peppino, ainda que eu jamais o tenha dito, a pessoa a quem eu mais queria bem era o professor Vincenzo”

Depois de nos contar sua infância, Ninetto narra a viagem de trem até o norte e tudo o que passa a viver nessa nova e desconhecida cidade. Ali ainda há pobreza, mas também há a chance de se mudar de vida com muito suor e muita vontade.

“De qualquer forma, foi justamente aquele trabalho de mensageiro que me fez entender que Milão é um lugar mágico e horrível ao mesmo tempo”

Um ponto muito interessante da narrativa é que ela é feita de maneira crua, sem máscaras e sem a menor intenção de colorir uma realidade tão cinza. O que não significa, porém, que as palavras empregadas não transmitam com certa magia uma história tão difícil.

“Talvez as lembranças sejam aqueles fatos que não conseguimos esquecer”

Ao longo da narrativa, não sei se pelo fato dela ser narrada em primeira pessoa ou se pelo fato de ser muito bem escrita — ou talvez as duas coisas ao mesmo tempo — nos sentimos imersos, lendo aquelas passagens quase como quem assiste a um filme.

E, para nos deixar ainda mais presos à história, em determinado momento ficamos sabendo que Ninetto viveu um tempo na cadeia e passamos a querer saber o motivo disso, ainda que ele não dê grande importância ao fato. Pelo contrário, aliás, os anos passados na prisão são apenas um borrão na narrativa, mesmo que depois disso, Ninetto jamais possa ser quem fora antes.

“Não há o que dizer, é fora do cárcere que está a verdadeira pena a se cumprir”

Mas o livro não é apenas tristeza. Como eu disse antes, é uma história sem máscaras, mostrando os momentos como eram. Há a celebração das pequenas conquistas, o amor, o casamento, a filha, o reencontro com a família, a poesia.

“Tem quem nasce avenida principal e quem nasce rua sem saída”

Se você lê em italiano, recomendo esta obra — desde que você aceite um soco no estômago — e se você não lê, recomendo ao menos que pesquise sobre esse momento da História italiana. Procure sobre os “trens da felicidade” e sobre os anos cinquenta.

E, como prometido, seguem os trechos originais, na ordem em que apareceram nesta resenha:

“Per imparare bisogna fiducia e io di lui non ne avevo”

“Non ne è rimasta traccia perché la fatica dei poveri cristi non lascia mai traccia. Non ne rimane testimonianza nemmeno nei libri di scuola, dove si legge soltanto del re e la regina”

“Negli anni Cinquanta a spostarsi dal Meridione al Nord in cerca di lavoro non erano solo uomini e donne pronti all’esperienza e alla vita, ma anche bambini a volte più piccoli di dieci anni che mai si erano allontanati da casa. Il fenomeno dell’emigrazione infantile coinvolge migliaia di ragazzini che dicevano addio ai genitori, ai fratelli, e si trasferivano spesso per sempre nelle lontane metropoli”

“Arrivano dei momenti in cui non hai nient’altro che la tua storia a cui aggrapparti”

“Non è vero che basta la buona volontà per girare pagina e ricominciare”

“Dopo Peppino, anche se non gliel’ho mai detto, la persona a cui volevo più bene era il maestro Vincenzo”

“Comunque, è stato proprio quel lavoro di galoppino a farmi capire che Milano è un posto magico e orribile insieme”

“Forse i ricordi sono quei fatti che non riusciamo a dimenticare”

“Non ci sono storie, è fuori dal carcere la vera pena da scontare”

“C’è chi nasce strada principale e chi strada senza uscita”

No coração de um assassino — Davi Busquet

Título: No coração de um assassino
Autor: Davi Busquet
Editora: Lettre
Páginas: 166
Ano: 2021

A resenha de hoje é para quem gosta de um bom thriller. Mas daqueles de nos deixar de queixo caído mesmo!

Se você já leu a antologia Serial Killer: a verdadeira face do mal, publicada também pela Editora Lettre, talvez se lembre do conto O sangue. Ele já é surpreendente por si só, e é o prólogo desta obra, que irá trabalhar sobre o serial killer ali apresentado.

“Alguns homens não precisam de motivos, perfis de vítimas, traumas de infância ou distúrbios psiquiátricos para fazer o que fazem — alguns simplesmente são cruéis”

Em No coração de um assassino entramos em contato com a vida de Hermanni, um rapaz relativamente jovem, um pouco solitário, e que vai no contando sua vida, fazendo-nos chegar a sentir pena dele.

“A Hermanni, mais uma vez, restava-lhe somente chorar”

O livro é dividido em duas partes, além de ter um prólogo — que já mencionei — e um epílogo.

Na primeira parte, somos apresentados a alguns flashes da vida do protagonista da obra. São alguns momentos específicos — quase que aleatórios — mas que parecem ser importantes para a construção deste personagem.

“Tanto o coração em seu peito, quanto a comida em seu colo esfriaram, com o ar noturno soprando para longe as cinzas, o cheiro de queimado e os planos tão cuidadosamente pensados ao longo de tanto tempo”

Como eu disse, esses momentos no fazem sentir certa pena de Hermanni — ao menos comigo foi assim — e quase nos fazem esquecer o tipo de livro que estamos lendo.

“Era incrível que uma única gaveta tivesse tanto para dizer e o fazia de maneira silenciosa, para um menino mais calado que a cômoda”

Mas então a segunda parte chega sem aviso prévio. Digo, a separação no livro é bem clara, mas não sei se eu estava preparada para o que viria. Não sei se eu imaginava que a divisão em partes representava uma quebra tão grande e, ao mesmo tempo, tão clara para uma pessoa minimamente mais esperta que eu (o que não é difícil, convenhamos).

“Você mesma disse: algumas coisas têm que ser arrancadas do jardim, para que outras cresçam em seu lugar”

Nessa segunda parte, todas as pontas são atadas e muitas revelações são feitas.

Realmente, me surpreendi com a forma como o autor conduziu e construiu essa história. Tendo lindo a antologia que mencionei no início desta resenha, também adorei as inserções nada forçadas que o autor colocou de outros contos em sua obra. Uma homenagem muito bonita e uma criatividade sem igual. Se você gosta de caçar easter eggs recomendo a leitura de Serial Killer: a verdadeira face do mal e, em seguida, a leitura de No coração de um assassino.

Li a obra em formato ebook e gostei bastante da diagramação. Já adquiri a versão física e estou ansiosa por ela, porque sei que tem detalhes ainda mais bonitos e caprichados. E, por falar nisso, a obra está em pré-venda até amanhã, sendo possível adquiri-la por um preço promocional. O frete é gratuito para todo o Brasil e hoje ainda foram anunciados alguns brindes exclusivos para quem adquirir nessas últimas 48 horas.

“Ele compreendeu, a duras penas, que nada é para sempre”

Para conhecer um pouco mais o autor e acompanhar os trabalhos dele, sugiro que você leia a entrevista postada no blog da Editora Lettre e que siga-o no Instagram.

“Apesar de tudo, a dor cedeu e outra maior tomou o seu lugar”

Titubeio — Maitê Rosa Alegretti

Título: Titubeio
Autora: Maitê Rosa Alegretti
Editora: Urutau
Ano: 2020
Páginas: 62

Para uma pessoa que lê bem mais prosa do que poesia, até que esse ano (e ainda estamos no primeiro semestre) posso dizer que já li muitos bons versos. Depois da antologia poética Girassol, agora é a vez de uma obra solo, escrita por Maitê Rosa Alegretti.

Ler Titubeio não é apenas uma experiência literária, mas também sensorial. Os versos são impressos como quem dança, e as palavras misturam poesia, sentimento, corpo e natureza.

A obra é bem curta, mas feita para se apreciar aos poucos, um poema por vez, saboreando também o trabalho gráfico do livro, que vai muito além da disposição não convencional dos versos, sendo abraçado por uma capa e uma contracapa extremamente lindas e orelhas muito bem preenchidas pelas belas palavras de Gabriela de Azevedo, também poeta.

O livro é dividido em quatro partes, sendo elas:

  • Titubeio;
  • Observações astronômicas;
  • Maré baixa;
  • Tenho conversado comigo.

Em cada uma das três primeiras partes, na página chapada (aquelas páginas toda pretas que dão um efeito muito bonito) de abertura, além do título há uma epígrafe, de escritores como Chico Alvim, Laura Liuzzi e Fabrício Corsaletti. Na última parte, porém, não há epígrafe alguma e ela é composta por um único poema, que se inicia justamente com “Tenho conversado comigo”.

Eu não teria como escolher uma poesia preferida. Acredito que cada uma carrega a sua beleza, o seu significado e que todas elas juntas é que fazem deste um livro tão singular.

Não conseguindo escolher um poema preferido, portanto, deixo aqui o meu convite para que você conheça a obra inteira e faça o seu mergulho nestas palavras tão bem escolhidas e harmonizadas. O livro pode ser adquirido no site da Editora Urutau. E você pode acompanhar os trabalhos da autora através do Instagram, do Medium ou da Newsletter dela.

Poeira estelar — Gabriela Araujo

Título: Poeira Estelar
Autora: Gabriela Araujo
Editora: Publicação independente
Páginas: 27
Ano: 2020

Começando de maneira totalmente despretensiosa, Poeira estelar vai nos fisgando até que, ao final, estamos sentido um mix de sentimentos difícil de explicar.

“Não tema as mudanças, minha pequena. Elas virão, mas fazem parte do mundo que conhecemos”

Apesar da brevidade da narrativa — mais um conto para a minha lista de contos que deveriam ser lidos por muitas outras pessoas — Gabriela Araujo consegue traçar um arco temporal um pouco mais complexo, fazendo-nos acompanhar o desenvolvimento da protagonista Marta, que começa a história como uma simples garotinha que viaja de carona nas estrelas.

“Quanto mais crescemos, menos acreditamos no poder das estrelas”

Mas aos poucos essa garotinha vai crescendo e vendo como o mundo não é simples. E muitas vezes, sequer é justo.

“A mãe enxergou o seu próprio passado naquela frase e desejou poder transferir para a filha sua experiência de vida, poupando-a dos anos de sofrimento até entender”

Porém, não se engane: Poeira estelar não é a simples história de uma garota que cresce e acaba por descobrir o mundo. Brasileira, Marta é uma mulher negra e tem de enfrentar muitos outros desafios que, por vezes, não conseguimos imaginar.

“Queria dizer para a mãe que não era sobre sentir que precisava ser como as outras meninas, ela apenas sentia não ter escolha”

Eu sou mulher e sei dos desafios que encontramos em uma sociedade machista. Mas sou uma mulher branca, que não sofre preconceitos nos lugares que frequenta, que não tem de provar a todo instante que não está fazendo nada de errado e que tem igual direito de estar em qualquer lugar.

“Aos 13 anos, Martinha não tinha uma simples vontade de ter um namorado. Era a vontade de ser vista, de receber carinho, de se sentir ‘normal'”

E é assim, através dos olhos da menina que vira mulher, que Gabriela Araujo consegue abordar de maneira extremamente leve e envolvente assuntos de grande importância, como amadurecimento, preconceito, solidão e até mesmo relacionamentos abusivos (de qualquer tipo, não apenas românticos) e emancipação feminina.

“Marta não sabia daquilo ainda, mas aquele momento selou a completa ruptura entre a pessoa que era e a pessoa que viria a ser”

Não vou dizer que a história me fisgou desde as primeiras páginas, que têm um ar mais onírico, mas logo fui ficando mais e mais presa às palavras desta narrativa e, agora, indico-a a quem busca uma leitura inspiradora, forte, impactante, mas, ao mesmo tempo, que cai como um abraço, um afago, um ombro amigo.

“Não podemos usar o espelho do outro pra enxergar o nosso próprio reflexo, Martinha”

E mesmo sendo uma história de personagens femininas, a leitura é excelente para homens e mulheres, pois com palavras simples, Gabriela Araujo consegue nos ensinar muito.

“A gente cresce e aprende a ignorar o que a gente quer?”

Se você se interessou por Poeira estelar, não deixe de garantir o seu ebook aqui. E conheça as outras obras e trabalhos da autora no site dela.

Cigarro e anéis no rabo do gato — Maicon Moura

Título: Cigarro e anéis no rabo do gato e outros contos
Autor: Maicon Moura
Editora: publicação independente
Páginas: 57
Ano: 2021

No início do ano eu postei aqui no blog a resenha de Não quero patos elétricos, indicando fortemente a leitura desta obra. Mas se mesmo depois do que escrevi você não se convenceu a ler um livro que talvez te tire da zona de conforto, hoje eu trago uma nova (e talvez mais fácil) opção: a coletânea Cigarro e anéis no rabo do gato e outros contos, publicada pelo mesmo autor.

“As horas passam rápido. Como os dias, os meses e os anos. Coisas irão acontecer e outras não irão”

Considero que esta possa ser uma forma “mais fácil” de te convencer a embarcar em um novo gênero literário porque as histórias aqui são mais curtas (afinal, são contos) e você pode saboreá-las com calma, além de pegar algumas sutis menções à space opera anteriormente resenhada. Porém, um alerta: o fato das histórias serem mais curtas e de você poder lê-las com calma não significa que você irá se deparar com histórias banais ou toscas. Muito pelo contrário!

“Existem pessoas que sabem muitas coisas. Essas pessoas não estão na faculdade, não estão em escritórios, não são Deuses. Estão por aí, esperando o momento certo para mudarem seu modo de ver as coisas”

A coletânea Cigarro e anéis no rabo do gato reúne cinco contos que se passam numa realidade que (ainda) não é nossa, com simulacros, tecnologia e uma consciência ambiental muito acima da que temos hoje (e que ainda tem tanto a melhorar). É muito maluco perceber, porém, como apesar de tudo isso, os personagens são bem parecidos conosco, sendo reais e humanos mesmo quando não o são (achou confuso? Leia e entenderá!).

“O pensar é um grande mistério, as lembranças são confusas e nossa opinião é falha. Somos um amontoado de incertezas não confiáveis”

Outro aspecto excelente desta coletânea é que as narrativas trazem muitos significados e descobertas para nós, leitores, nos fazendo refletir sobre a vida e a morte e tudo o que há entre essas duas pontas.

“Sabemos que vai acabar e o que estamos fazendo?”

Confesso que tive a honra de ler essa obra ao menos duas vezes (porque, além de tudo, eu a revisei!) e não vou negar que a cada leitura eu me surpreendo com um novo detalhe, um novo pensamento.

“Deprimente é pensar que esse não é o mundo real”

E se você ainda está achando o título desse livro muito estranho, saiba que ele é o nome de um dos contos, e que depois da leitura, talvez as coisas passem a fazer mais sentido. Aliás, os títulos dos contos, em ordem, são:

  1. Beijo e chuva de sábado
  2. Cigarro e anéis no rabo do gato
  3. “Papai?” perguntou minha menininha
  4. Ele, a moça e a saída
  5. Mas eu quero morrer (conto bônus, que eu já havia lido de maneira separada e cuja resenha você encontra aqui).

“Corri como se a vida dependesse daquilo. E dependia”

Espero ao menos ter despertado a sua curiosidade com relação à essa coletânea e a tudo o mais que o Maicon escreve. Você pode acompanhar o trabalho do autor através da newsletter, do Instagram e do Linkedin.

“Eu devia ter me esforçado mais”

Com relação a esse trabalho, ele está disponível na Amazon, mas em breve ganhará o formato físico… Com um prefácio meu! Entre em contato com o autor para adquirir o seu exemplar.