I verbi riflessivi

Mês passado eu falei sobre os verbos italianos regulares e apresentei a conjugação deles no tempo presente do indicativo. Se você perdeu, não deixe de conferir aqui. Aproveitando o tema, hoje quero falar sobre uma “categoria especial” de verbos: os verbos reflexivos.

O que é um verbo reflexivo?

Verbos reflexivos são aqueles que indicam que o sujeito da frase é quem realiza e “sofre” a ação ali expressa. Em termos um pouco mais técnicos, o sujeito e o complemente do verbo são os mesmos.

Muitos verbos “normais” possuem a sua forma reflexiva e, por vezes, ela acaba dando a ele uma nova nuance de significado. Por exemplo, em italiano, temos o verbo alzare (levantar) e o verbo alzarsi (levantar-se). Enquanto com o primeiro você pode levantar qualquer coisa de qualquer lugar, com o segundo você pode apenar levantar a si mesmo(a), sendo geralmente usado para dizer que você levantou da cama.

Existem, ainda, os verbos reflexivos recíprocos, em que a ação não é feita necessariamente em você mesmo, mas duas pessoas fazendo a mesma ação uma para a outra, como no caso de abbracciarsi (abraçar-se, que não necessariamente significa abraçar a si mesmo, mas sim uma pessoa abraçar outra reciprocamente).

Como conjugar um verbo reflexivo?

Apesar de, inicialmente, assustar, esse -si no final do verbo não atrapalha muito as nossas vidas. Ele nada mais é do que pronome reflexivo e, pensando no tempo presente do indicativo, a gente simplesmente joga ele lá para a frente do verbo e, depois, conjuga como explicado anteriormente. Confuso? Nem tanto!

Se eu quero dizer que acordo cedo todos os dias, em italiano, posso usar um verbo reflexivo, que seria o svegliarsi. Assim, a frase ficaria: mi sveglio presto tutti i giorni. Você reparou que antes do verbo conjugado (sveglio) tem uma palavrinha? Essa palavrinha é o tal pronome reflexivo.

Mas atenção: o pronome reflexivo (assim como a própria conjugação do verbo) muda de acordo com o sujeito! Vejamos, então, quais são esses pronomes reflexivos para, em seguida, entender a conjugação completa:

iomi
tuti
lei/luisi
noici
voivi
lorosi

Isso significa que a conjugação do verbo apresentado acima (svegliarsi) seria da seguinte forma:

iomisveglio
tutisvegli
lei/luisisveglia
noicisvegliamo
voivisvegliate
lorosisvegliano

O que aconteceu aqui? Eu tinha um verbo que era svegliarsi. Esse -si virou o pronome que, no tempo presente do indicativo, vai sempre antes do verbo. Assim, fiquei apenas com o verbo “normal” (que pode terminar em -are, -ere ou -ire), que neste caso era o svegliare, o qual conjuguei conforme explicado no último post.

Claro que, uma vez mais, é muito mais simples quando o verbo é regular, porque a conjugação dele funciona apenas seguindo a regrinha das terminações. Mas percebe que o pronome em nada atrapalha? Se você sabe quem é o sujeito, você sabe que pronome usar.

Algumas frases com verbos reflexivos

  • Luigi si allena un giorno sì, uno no (Luigi treina dia sim, dia não) — verbo usado: allenarsi.
  • Ci colleghiamo più tardi per risolvere questo problema (nos conectamos mais tarde para resolver esse problema) — verbo usado: collegarsi.
  • Vi divertite sempre così? (Vocês sempre se divertem assim?) — verbo usado: divertirsi.
  • Anna e Giovanna si conoscono da molti anni (Anna e Giovanna se conhecem há muitos anos) — verbo usado: conoscersi.

Agora é com você!

Destaque, no texto abaixo, os verbos reflexivos:

Laura ama leggere la sera prima di dormire. Legge a pancia in giù, con il libro in terra, fuori dal letto. Oppure mette il libro in fondo al letto e si stende con i piedi sul cuscino. Se la storia che legge è avventurosa, si agita, si avvolge nel lenzuolo, cambia continuamente posizione. Se la storia è emozionante resta immobile come una statua: si muovono solo gli occhi sulle parole. Quando ci sono storie paurose, si stringe al suo gattone di peluche, ma non si ferma. Anche tu fai così quando leggi?

Complete as frases, tentando conjugar os verbos. Não se esqueça dos pronomes:

1. Se non ________ (voi – prepararsi) subito, farete tardi.

2. Noi ________ (nascondersi) dietro quell’albero.

3. Spesso ________ (io – addormentarsi) verso mezzanotte.

4. La mamma appena arriva a casa ________ (mettersi) a fare le pulizie.

5. I bambini di oggi spesso ________ (annoiarsi) se non possono guardare la TV.

6. Giulia, quante volte ________ (lavarsi) i denti?

7. Matteo ________ (farsi) la barba tutte le settimane.

8. La mia amica ________ (chiamarsi) Laura.

9. Io ________ (stancarsi) delle cose molte velocemente.

10. Alberto ed io ________ (riposarsi) insieme dopo un giorno di lavoro.

Confira no arquivo abaixo se você fez corretamente os exercícios e, caso ainda tenha dúvidas, fique à vontade para me chamar.

Por fim, gostaria de lembrar que as inscrições para o curso Italiamo Tutti ainda estão abertas! O curso é online, com 3 horas de aula semanais (1h30, duas vezes por semana) e tem duração de dois meses. O valor do curso completo é R$360 (com material incluído).

Link de inscrição para níveis iniciais

Link de inscrição para níveis avançados

I verbi in italiano – presente indicativo

Aprender uma nova língua requer certa paciência. O início pode ser um pouco angustiante porque queremos saber tudo, mas obviamente não é possível aprender tudo de uma única vez.

Quando vemos que chegamos aos verbos, logo pensamos “nossa, agora vou conseguir me comunicar!”. Mas ainda não é bem assim, porque os verbos são muitos e em diversos tempos. Aprendemos o presente e continuamos sentindo falta ao menos do passado e do futuro para poder transmitir o básico.

É, minha gente, é preciso paciência, como eu disse ali no início. Mas, como tudo na vida, um passo de cada vez e chegamos lá, certo?

Hoje eu quero continuar a falar sobre os verbos em italiano e como conjugá-los no tempo presente do modo indicativo. Lembrando que, anteriormente, já trouxe aqui os verbos irregulares essere e avere.

Antes de mais nada, é preciso dizer que temos três terminações em italiano: os verbos em -are (primeira conjugação), em -ere (segunda conjugação) e em -ire (terceira conjugação). Sempre que pensamos nos verbos, pensamos nessas três conjugações e isso já facilita um pouco esse caminho.

Uma das coisas mais engraçadas, quando damos aula, é ver a cara de alívio dos alunos ao se deparar com um verbo regular. Sim, porque nesses casos, é muito simples “aplicar a regrinha”, ainda que seja preciso sabê-la. Mas e com os irregulares, que nem saber a regrinha adianta? Aí, realmente, o segredo é buscar sempre praticar e ter contato com a língua, não tem jeito, não tem fórmula mágica.

Mas, sem mais delongas, como se dá a conjugação dos verbos regulares italianos, no presente do indicativo?

Para os verbos da primeira conjugação (-are), devemos tirar essa terminação e substituir por:

io– o
tu– i
lei/lui– a
noi– iamo
voi– ate
loro– ano

Não entendeu muito bem como fazer isso? Então vamos pensar nos verbos cantare (cantar) e volare (voar):

iocantovolo
tucanti voli
lei/ lui canta vola
noi cantiamo voliamo
voi cantate volate
loro cantano volano

Percebeu que, nos dois casos, eu mantive a raiz (cant- e vol-) e fui só substituindo o final (o tal do -are), de acordo com as terminações mostradas na primeira tabela? A mesma coisa acontece com os verbos da segunda e terceira conjugação, mudando apenas algumas das terminações. Vejamos como é para os verbos da segunda conjugação:

io-o
tu-i
lei/lui-e
noi-iamo
voi-ete
loro-ono

Vamos conjugar os verbos leggere (ler) e scrivere (escrever) que, afinal, têm tudo a ver com Blog?

ioleggoscrivo
tu leggi scrivi
lei/lui legge scrive
noi leggiamo scriviamo
voi leggete scrivete
loro leggono scrivono

E, enfim, chegamos à terceira conjugação. Mas, no presente, ela tem uma pequena peculiaridade: temos dois tipos de terminação e alguns verbos regulares pertencem ao primeiro tipo e alguns ao segundo tipo. Não tem nada neles que indique isso logo de cara, mas, muitas vezes, sonoramente conseguimos perceber o que fica melhor. Comecemos, como nos casos anteriores, pelas terminações:

io-o / -isco
tu-i / -isci
lei/lui-e / -isce
noi-iamo
voi-ite
loro-ono / -iscono

Para entender esses usos, vejamos os verbos aprire (abrir) e o verbo finire (acabar):

ioaprofinisco
tu apri finisci
lei/lui apre finisce
noi apriamo finiamo
voi aprite finite
loro aprono finiscono

Percebeu a diferença?

Agora, vamos ler um pequeno texto em italiano e encontrar alguns verbos? Vou destacar apenas os regulares e o essere e avere e deixo a você a tarefa de perceber em que pessoa eles estão conjugados:

Al tornado non manca mai l’aria

I tornado non sono temibili solo per la loro violenza inaudita, ma anche perché è impossibile prevederne con precisione la nascita e la direzione. Tutto comincia dall’incontro di una massa d’aria fredda, proveniente dai Poli, con una massa d’aria calda di origine tropicale. La loro collisione genera un’enorme nuvola temporalesca. All’interno di essa si generano numerosi vortici, che girano come tante trottole. Talvolta questi vortici si uniscono in uno solo, di dimensioni gigantesche e a forma di imbuto. Nella sua parte più stretta il vortice si allunga, raddoppia la propria violenza e raggiunge il suolo. Polvere, tetti, camion… al suo passaggio il tornado travolge tutto! L’energia di un grosso tornado è superiore alla totalità dell’energia elettrica consumata in un anno nel mondo. Negli Stati Uniti se ne verificano circa 800 all’anno.

Depois de refletir sobre os verbos do texto acima, que tal tentar colocar os seus conhecimentos em prática? Deixo aqui algumas respostas à pergunta “perché studi l’italiano?” (por que você estuda italiano?) para que você conjugue corretamente os verbos que estão entre parênteses. Depois, confira as suas respostas no arquivo em anexo e conte comigo para qualquer dúvida!

1. Io (studiare) l’italiano perché è una lingua musicale e bella e perché io (amare) l’Italia per la sua storia e la sua cultura.

2. (studiare) l’italiano perché voglio studiare in Italia e diventare allenatore di calcio.

3. Io (lavorare) nel campo della moda, quindi parlare italiano è importante per il mio lavoro.

4. Ho scelto l’italiano perché mi piace la musica italiana. Io (sentire) sempre le canzone di Laura Pausini!

5. (amare) l’Italia per la sua musica, la sua cultura e la sua cucina.

6. Mia famiglia (essere) italiana e, per questo, ho deciso di imparare questa lingua così bella e importante per noi.

7. Io (avere) degli amici che (vivere) in Italia e voglio visitarli, per questo io (imparare) l’italiano.

Para conferir as respostas:


Sabe um pouco de italiano e quer aprender mais sobre a cultura? Então aproveite essa oportunidade: até domingo (27/06) você pode se inscrever na primeira turma do curso de férias do Italiamo Tutti. Serão 4 aulas de 1h30 cada, por apenas R$59,90 e com as seguintes temáticas:

  • In Italia si mangia solo pasta?
  • Cosa ascoltano gli italiani? [eu que vou dar essa aula!]
  • Dove si va il sabato sera?
  • La rinascita del cinema italiano

As aulas já começam na segunda-feira, dia 28/06 e você pode ter mais informações sobre o curso e se inscrever aqui.

Como fazer perguntas em italiano?

Fazer perguntas em italiano não é nenhum bicho de sete cabeças para nós, falantes de língua portuguesa, porque, neste caso, essas duas línguas comportam-se de maneira muito parecida e sem pegadinhas.

Para fazer uma pergunta em italiano podemos, por exemplo, apenas mudar a entonação de uma frase, como fazemos no português. Dizer “tudo bem” e “tudo bem?” são coisas diferentes que, na língua oral se distinguem pela entonação e, na escrita, pela interrogação. No italiano, podemos fazer a mesma coisa: “tutto bene” e “tutto bene?”.

Às vezes, também podemos acrescentar uma(s) palavrinha(s) ao final da frase, que irá transformá-la em uma pergunta. Por exemplo, em português, posso dizer: “você gosta de sorvete” ou “você gosta de sorvete, não é verdade?”. Em italiano, temos essa mesma possibilidade: “ti piace il gelato” ou “ti piace il gelato, non è vero?”.

Por fim, podemos fazer perguntas usando os pronomes interrogativos, como os do português: “quem?”, “como?”, “quando?”, “por quê?” e assim por diante.

I pronomi interrogativi in italiano

Em italiano, temos os seguintes pronomes interrogativos:

  • Chi? [quem?]
  • Dove? [onde?]
  • Come? [como?]
  • Che? [o quê?]
  • Quando? [quando?]
  • Perché? [por quê?]
  • Quanto? [quanto?]
  • Quale? [qual?]

Vejamos esses interrogativos em exemplos:

  • Con chi vai al mare? [Com quem você vai para a praia?]
  • Dove l’hai trovato? [Onde você o encontrou?]
  • Come si dice…? [Como se diz…?]
  • Che ne dici? [O que você acha?]
  • Quando torni a casa? [Quando você volta para casa?]
  • Perché non hai fatto i compiti? [Por que você não fez as tarefas?]
  • Quanti giorni hai di vacanza? [Quantos dias você tem de férias?]
  • Quali sono i risultati? [Quais são os resultados?]

É importante lembrar que se você for pedir informações ou perguntar qualquer coisa a uma pessoa desconhecida, na Itália, é sempre importante prezar pelo tratamento formal, que já expliquei neste post.

E agora, mãos à obra! Complete cada frase com o pronome interrogativo correto, dentre aqueles apresentados neste post (é possível haver mais de uma resposta correta):

  1. Di _____ stai parlando?
  2. _____ conosce questo posto?
  3. _____ devo pagare?
  4. _____ frutta preferisci?
  5. _____ il mio portafoglio?
  6. Non vieni con noi in montagna _____ ?
  7. _____ bicicletta mi consigli?
  8. _____ possiamo incontrarci?

Quer saber se acertou o exercício acima e ver a tradução das frases? Então aproveite as respostas no arquivo abaixo. E, se tiver dúvidas, é só comentar o post que será um prazer ajudar!

Verbos “essere” e “avere”

Todo mês tenho tentado trazer um pouco da língua italiana para cá e agora em abril isso quase passou em branco. Mas, como se diz: meglio tarde che mai (ou, em bom português: “antes tarde do que nunca”). E ainda vim aqui para falar deles, os verbos que considero os mais importante do italiano: essere e avere.

E por que esses verbos são tão importantes? Porque além de os usarmos em muitas das informações básicas que damos sobre nós (e você já vai entender melhor isso), eles também costumam ser o verbo auxiliar em tempos compostos (por exemplo, para nos referirmos a uma ação passada, existe um tempo verbal chamado passato prossimo que é formado pelo presente do verbo essere ou avere + particípio passado do verbo principal. Mas isso é coisa para outro momento, ok?).

Abaixo, te apresentarei cada um desses verbos, com alguns exemplos e a conjugação deles no tempo presente. Vem comigo?

Il verbo essere

O verbo essere corresponde aos nossos verbos ser e estar. Vejamos alguns exemplos:

  • Sono Tatiana = Sou a Tatiana.
  • Siamo a casa = Estamos em casa.
  • Siete felici? = Vocês são felizes?
  • Dov’è? = Onde está? / Onde ela/ele está?
  • Sono marito e moglie = Eles são marido e mulher.
  • Quanto sei fortunata! = Como você é sortuda!

Depois de ler as frases acima, talvez fique mais fácil entender que a conjugação do verbo essere, no presente do modo indicativo, é:

PersonaVerbo essere
Iosono
Tusei
lei / lui / Leiè
Noisiamo
Voisiete
Lorosono

Il verbo avere

O verbo avere, por sua vez, significa, ter. Mas atenção: é o ter que usamos no sentido de posse. Vejamos os exemplos:

  • Hanno molti soldi = Eles têm muito dinheiro.
  • Avete pazienza = Tenham paciência.
  • Ho paura! = Tenho medo!.
  • Abbiamo una bella casa = Temos uma linda casa.
  • Hai un minuto? = Você tem um minuto?
  • Ha 30 anni = Ele/ela tem 30 anos.

Assim sendo, a conjugação do verbo avere, no presente do modo indicativo, é:

PersonaVerbo avere
ioho
tuhai
lei/lui/Leiha
noiabbiamo
voiavete
lorohanno

Esses dois verbos, além de importante, são irregulares. Isso porque, quando conhecemos a conjugação de verbos regulares, vemos que há uma regrinha bem simples de seguir, mas que não é possível aplicar em verbos como esses. O jeito é praticar bastante!

E aí, você conseguiria formar frases usando esses verbos? Deixe as suas nos comentários, vou adorar lê-las! E se tiver dúvidas, sinta-se livre para perguntar.

Que material você usa nas aulas de italiano?

Hoje era dia de, antes tarde do que nunca, trazer um post de gramática da língua italiana, como tenho feito ao menos uma vez por mês. No entanto, semana passada, surpreendentemente, várias pessoas entraram em contato comigo, buscando aulas de italiano. E sempre que isso acontece é mais ou menos a mesma coisa: trocamos informações sobre funcionamento das aulas, sobre o que a pessoa busca, disponibilidade de horários, valores e… materiais.

Gosto de deixar claro, desde o início que eu não costumo adotar um livro didático para usar nas aulas. E já sabendo que isso é um pouco assustador para algumas pessoas, porque fomos educados em aulas que sempre contavam com o apoio de um livro, explico os motivos da minha escolha.

Em primeiro lugar, o que pesa é a questão financeira: diferentemente do inglês, no Brasil não temos tanto material de língua italiana disponível e, quando tem, costumam ser caros e não permitem uma continuidade (isto é, pode ser que encontremos o livro 1 e 2, mas não encontremos o 3 e o 4 para dar prosseguimento ao curso).

Para além disso, porém, há a questão didática propriamente dita: os livros didáticos (de qualquer língua) são, em sua grande maioria, pensados para qualquer estudante, isto é, um estudante de qualquer parte do mundo. Acontece que o português e o italiano não são línguas muito distantes o que, em muitos casos, pode ser ótimo, mas em outros, gera confusões bem interessantes. E esses livros dificilmente dão espaço para trabalharmos bem esses aspectos. E já aconteceu, por exemplo, de eu receber alunos que estudaram um pouco da língua sozinhos, ou então fizeram um tempo de curso e pararam, mas que, tendo essa base, precisam de um ritmo diferente nas aulas.

Tá, mas como você faz? Fica tudo solto?

Não exatamente, mas organização ajuda bastante. O que eu faço é disponibilizar um arquivo a cada aula — que poderia ser considerado uma mini unidade didática — no qual estará tudo trabalhado naquela aula em específico. É nesse arquivo que coloco textos, exercícios feitos em aula, explicações gramaticais, resumos, vocabulário… Tudo o que for útil e necessário.

Além disso, tenho sempre trabalhado esse material, buscando deixá-lo cada vez mais fácil de usar e, claro, mais completo. Atualmente, o que tenho feito é colocar sempre o número da aula, a data e os tópicos daquele dia. Mas ainda pretendo montar pequenos livros didáticos para usar com meus alunos, um pouco mais com a cara do que encontramos nas livrarias, evitando inseguranças quanto a isso.

Mas não é como se eu criasse tudo absolutamente do nada, tá? Eu vou comparando explicações de livros que tenho (porque sim, eu tenho alguns livros didáticos de italiano em casa!), buscando explicações na internet e vou condensando a informação, tentando ao máximo deixar tudo o mais claro possível.

Também deixo como opção para os alunos receber exercícios extras, para praticar um pouco mais aquilo que for visto em sala de aula. Esses exercícios, porém, sendo opcionais, são enviados num arquivo já com as respostas ao final e, tendo dúvidas, o aluno poderá tirá-las em sala ou mesmo entrando em contato comigo.

E como eu faço para suprir a falta do conteúdo multimidiático que, geralmente, é disponibilizado com os livros didáticos? De uma maneira bem simples: como tarefa de casa, costumo pedir que meus alunos assistam um vídeo curto, disponível no youtube ou qualquer outra plataforma gratuita. São vídeos que seleciono de acordo com o que trabalharemos na aula seguinte e sempre buscando trazer pessoas diferentes, assim eles podem se acostumar com sotaques e ritmos diferentes de fala. Também gosto muito de usar músicas e tenho tentado aumentar meu repertório, para oferecer conteúdos diferentes e úteis.

Mas veja bem: eu não sou contra materiais didáticos e não vejo problemas em adotar um se algum aluno fizer questão, mesmo depois de apontar todos os pontos que mencionei neste artigo. Para mim, o mais importante é que o aluno se sinta confortável e seguro de que aprenderá como espera.

E aí, você acha que se daria bem com essa metodologia?

Para ler mais conteúdos sobre minha forma de ensinar ou então aprender algumas coisas bem básicas da gramática italiana, clique aqui e confira os posts que já trouxe para o Blog. E se você tiver interesse em aprender italiano, ou conhece alguém que queira, é só clicar aqui.

Artigos definidos em italiano

Artigos são algo muito básico da língua. Em português, temos quatro artigos definidos: “a”, “as”, “o” e “os”. Fácil, não é? Em italiano, porém, as coisas são um pouco mais complicadas que isto. Ao menos à primeira vista.

Antes de chegar aos artigos, porém, precisamos ter em mente duas coisas: o gênero das palavras (feminino ou masculino) e o número (singular ou plural). Sei que existem muitas discussões de gênero hoje em dia, mas aqui não entraremos nesse mérito, tudo bem? Atualmente, o português e o italiano são línguas que não admitem o gênero neutro (ainda que seja possível escrever um texto sem usar palavras que determinem o gênero do escritor ou leitor, mas isso também é outra discussão que não cabe aqui).

Palavras femininas e masculinas

Na maioria dos casos, palavras que terminam com a vogal “a” são femininas, enquanto as que terminam com vogal “o” são masculinas. Há exceções, como há no português: “il problema” (o problema) ou “la moto” (a moto). Há, ainda, palavras que terminam com vogal “e” e essas podem ser femininas ou masculinas, vai depender da palavra mesmo, como “la madre” (a mãe) e “il padre” (o pai).

Entender o gênero das palavras, em italiano, é relativamente tranquilo. A terminação em “e” é a mais complicada de reconhecermos logo de cara, mas logo torna-se natural. O problema maior, talvez, seja o número. De maneira bem diferente do português, o plural, na língua italiana, não é marcado pelo acréscimo da letra “s” ao final da palavra.

Singular e plural

Palavras que terminam em “a”, no plural italiano, terminarão em “e”. As que terminam em “o”, passarão a terminar em “i”. E as que terminam em “e” (no singular, não importando se são femininas ou masculinas) terminarão em “i” também. Confuso? Vejamos:

  • Casa (casa) – case (casas) / acqua (água) – acque (águas)
  • Sguardo (olhar) – sguardi (olhares) / occhio (olho) – occhi (olhos)
  • Madre (mãe) – madri (mães) / voce (voz) – voci (vozes)
  • Padre (pai) – padri (pais) / amore (amor) – amori (amores)

Agora que já vimos o feminino e o masculinos, o singular e o plural, podemos compreender melhor os artigos definidos do italiano. Como eu disse no começo, em português temos apenas quatro. Em italiano, por outro lado, temos oito!

Articoli determinativi femminili

Os artigos definidos femininos, no italiano, são três:

  • Para as palavras femininas e singulares que começam com consoante, usamos la: la casa.
  • Se a palavra, ainda no singular, começa com vogal, porém, usamos l’: l’acqua.
  • No plural, contudo, temos apenas uma forma, que é o le: le case, le acque.

Articoli determinativi maschili

Os artigos definidos masculinos, por outro lados, são cinco:

  • Igual ao feminino, para palavras que começam com vogal, no singular, usamos l’: l’occhio.
  • Palavras que começam com s impura (s + outra consoante), ps, pn, gn, z, letras estrangeiras (como j, x e y), no singular, são precedidas pelo artigo lo: lo sguardo, lo psicologo, lo zio.
  • Palavras que começam com consoante e que não se encaixam nos casos acima, no singular, usam o artigo il: il padre.
  • No plural, palavras que começam com consoante (e que, no singular, usam “il”) passam a ser precedidas por i: i padri.
  • Os outros dois casos, isto é, palavras que começam com vogais ou os casos especiais (s impura, ps, pn, gn, z e letras estrangeiras), no plural, pedem o artigo gli: gli occhi, gli sguardi, gli psicologi, gli zii.

Resumindo

Muito complicadas essas regrinhas? Num primeiro momento, acredito que sim, mas os italianos usam muito mais os artigos do que nós, falantes de português, então a gente logo se acostuma a usar também e, aos poucos, passamos a usar sem grandes dificuldades. Mas, para não esquecer, gli articoli determinativi italiani são:

  • La – le (feminino, palavras que começam com consoante)
  • L’ – le (feminino, palavras que começam com vogal)
  • Il – i (masculino, palavras que começam com consoante)
  • L’ – gli (masculino, palavras que começam com vogal)
  • Lo – gli (masculino, palavras que começam com s + consoante, pn, ps, z, gn, letras estrangeiras)

Pronúncia da língua italiana

Conheço muitas pessoas que, assim como eu, decidiram estudar a língua italiana por achá-la bonita (no meu caso, este não foi exatamente o único motivo, mas um deles). E uma das coisas que torna esta língua tão bela é a sonoridade dela.

Hoje, portanto, vou comentar um pouco sobre a pronúncia do italiano, mostrando alguns elementos que nós, falantes de língua portuguesa, precisamos prestar atenção.

Vogais (le vocali)

Para começar pelo mais simples, é importante destacar que a vogal “a” é sempre bem aberta no italiano (o que provavelmente contribui para o estigma de que italianos falam gritando) e que não existem sons nasais nesta língua. Por exemplo, a palavra “mamma” (mamãe), se pronuncia “mámma” e não “mãmma“.

Também é muito importante que as vogais finais sejam bem pronunciadas e de acordo com o que está escrito. Isto é: se a palavra termina em “e”, devemos pronunciar “e” e não “i”, e assim por diante.

Consoantes (le consonanti)

Aqui as coisas ficam um pouco mais difíceis, principalmente quando vamos ler uma palavra escrita em italiano e acredito que você vai entender isso quando eu terminar de mostrar as especificidades da língua.

Tentarei colocar entre parênteses como você deve pronunciar as palavras mencionadas, mas a minha sugestão é que você busque cada uma delas no Google tradutor (ou similares) para ouvir a pronúncia.

O encontro entre “ce” ou “ci” é pronunciado praticamente da forma como pronunciamos palavras com “t” em grande parte do Brasil: cinema (tchínema), certo (tchérto). Uma palavra que nos ajuda a lembrar desta regrinha, por ser muito usada aqui no Brasil também, é cappuccino!

Por outro lado, “che” e “chi” têm o som do nosso “que” e “qui”: macchina (máquina), pacchetto (paquêto).

Aqui no Brasil, em algumas palavras, o nosso “d” sai quase com o som de “g” (pense em como você pronuncia “dia”). No italiano, porém, isso não pode ocorrer, o “d” tem que ter exatamente o som dele. A mesma coisa acontece com o “t”, que aqui no Brasil tem um som quase de “ts”. No italiano, esqueça esse chiado.

Mas, ainda pensando na palavra “dia”, sabe como chegamos ao som desse nosso “d” em italiano? Usando “gi” ou “ge”: giorno (dgiorno), agenda (adgênda).

Se você se deparar com “ghe” e “ghi”, em italiano, não se assuste com esse “h” e pense no nosso “gue” e “gui”. Sabe aquele macarrão, espaguete? Em italiano, ele é escrito assim: spaghetti. Duas escritas bem diferentes, mas uma pronúncia igual! Só tome cuidado, no italiano, para não pronunciar um “e” inexistente no início da palavra: você deve começar pronunciando o som do “s”.

Agora dois encontros consonantais que nos confundem bastante: “gli”, em italiano, tem o som do nosso “lh”: foglia (fôlha); maglia (málha). E “gn” tem som de “nh”. Mas aqui, você pode lembrar de outra massa: o nhoque, em italiano, se escreve gnocchi (e, mais uma vez, a pronúncia é quase a mesma, apesar de escritas tão diferentes). Outro exemplo: prugna (prunha).

Mas uma boa notícia: assim como em português, a letra “h” (chamada acca) não tem som no italiano. A palavra “hotel” continua sendo pronunciada “otel“, por exemplo.

E se por acaso você se deparar com “sci” e “sce”, não se assuste: eles têm um som muito parecido com o nosso “ch”: sciopero (chiópero), viscere (víchere).

Letras duplas (le doppie)

Talvez, ao longo dos exemplos acima, você tenha se questionado “mas esses dois ‘c’?”, “e esses dois ‘t’ juntos?”. O que acontece é que, na língua italiana, diversas palavras são escritas com as tais letras duplas.

E o que elas representam?

Em tese, elas indicam que aquela sílaba é um pouco mais longa (o que também contribui para uma certa musicalidade da língua). Mas por que “em tese”?

Porque para nós, brasileiros, é muito difícil perceber esse tal alongamento. Se para muitos italianos a diferença é óbvia, para nós, brasileiros, ouvindo uma conversa normal, é praticamente impossível notar a diferença sem fazer um esforço muito grande. Mas saiba, ela existe!

E outra coisa: você notou que quase não há acentos (gráficos) nas palavras italianas? Pois é, eles usam bem menos que nós. Inclusive, não existe circunflexo e til em italiano. Isso, por vezes, nos dificulta um pouco na hora de saber qual é a sílaba tônica de cada palavra. Mas nada que a prática não resolva.


Está gostando desses posts? Então tenho novidades: estou montando um grupo (de no máximo 4 alunos) para aulas online, às terças e quintas, das 19:30 às 20:30. Neste formulário você encontra as informações de duração do curso, bem como o valor. E também é nele que você pode fazer sua pré-inscrição!

Mas, se você prefere fazer aulas particulares, também deixo este formulário, com algumas informações importantes.

Formalidade e informalidade na língua italiana

Confesso que estive te preparando nos últimos tempos. E também estive me preparando, claro.

Fiz um post sobre como aprender novas línguas; outro sobre o mito do professor nativo. Também escrevi sobre métodos de ensino e, por fim, dei dicas (gratuitas) de materiais de italiano.

Mas agora chegou a hora de colocar a mão na massa (com o perdão do trocadilho em relação a um dos principais pratos da culinária italiana).

Hoje eu dou início a uma série de posts com uma parte do conteúdo que apresento em minhas aulas de italiano. E uma das primeiras coisas sobre a qual eu falo é sobre a questão da formalidade e da informalidade na língua italiana.

Nós, brasileiros, costumamos ser mais informais. Tem gente inclusive que se ofende em ser chamado de “senhor” ou “senhora”, respondendo coisas do tipo “senhor está no céu” ou “senhora é mãe”. Em outros países, porém, esse tipo de tratamento é um indicativo de educação e respeito.

Como ser formal na língua italiana?

A verdade é que existe mais de um elemento na frase que indica essa tal formalidade na língua italiana.

Para entender isso, porém, precisamos começar pelos pronomes pessoais (i pronomi personali).

Calma, sei que essas nomenclaturas são um pouco chatas, mas isso nada mais é do que:

PORTUGUÊSITALIANO
euio
tutu
ele/elalui/lei/Lei
nósnoi
vósvoi
eles/elasloro

Você notou que “ele” e “ela”, em italiano, vira “lui”, “lei” e “Lei”? Por que isso acontece?

“Lui” é o nosso “ele” e “lei” é o nosso “ela”. Mas “Lei” (sim, escrito sempre com L maiúsculo) é o tal do tratamento formal. E o tratamento informal é caracterizado pelo “tu”, que ao contrário do que acontece com grande parte do português brasileiro, é utilizado na língua italiana (o “tu” seria o nosso “você”).

Então basta eu usar sempre “Lei” com as pessoas que estarei sendo formal?

Infelizmente, não é tão simples assim.

Como eu disse ali em cima, o “tu” caracteriza um tratamento informal e o “Lei” um tratamento formal. Ao escolher entre um e outro, você também deverá construir toda a frase baseada em sua escolha. Ou seja: você vai ter de usar os demais pronomes e verbos de acordo com a sua escolha.

Difícil? Um pouco, talvez. Mas nada que a prática não resolva, não é mesmo? Vamos ver isso com dois exemplos, para tentar entender um pouco melhor.

Imagina que você está na Itália e acaba de conhecer uma pessoa. Se ela tiver mais ou menos a sua idade ou for muito mais nova, você pode até arriscar um tratamento informal. Caso contrário, opte sempre pelo tratamento formal. A primeira pergunta provavelmente será “Qual é o seu nome?” que, em italiano, pode ser:

  • Come (Lei) si chiama? (formal).
  • Come (tu) ti chiami? (informal).

Você notou que, de uma frase para outra, eu tive de mudar duas coisas? Primeiro foi o pronome “si”, que virou “ti” e depois o verbo “chiama”, que virou “chiami”.

Outro exemplo (com uma pergunta não tão recomendada assim, mas que faz sentido em alguns contextos): “Quantos anos você tem?”, em italiano, pode ser:

  • Quanti anni (Lei) ha? (formal)
  • Quanti anni (tu) hai? (informal)

Neste caso, a única coisa que muda é o verbo: ha (formal) ou hai (informal).

E você viu que, como o verbo e outros elementos da frase mudam, você não precisa ficar usando “Lei” e “tu” em tudo. O próprio verbo usado (na conjugação certa, claro), já vai indicar para a pessoa que você está adotando um tratamento formal ou informal.

Possiamo dare del tu?

Por fim, apenas a título de curiosidade: pode acontecer de você optar por usar um tratamento formal (repito: comece sempre por essa opção) e a pessoa te perguntar “possiamo dare del tu?“. Isso significa que ela prefere ser tratada de maneira informal, isto é, usando o “tu”. E, claro, não há problema algum nisso, apenas demonstra que ela está dispensando as formalidades que você inicialmente usou.

Dicas de materiais de italiano

Alguns posts atrás eu falei sobre como aprender novas línguas, trazendo indicações de aplicativos e sites para te motivar a estudar de maneira autodidata, além de dar algumas outras dicas que considerei úteis.

Hoje, porém, resolvi ser um pouco mais específica e indicar alguns sites que costumo recomendar para meus alunos ou que ao menos tenho sempre ao alcance das mãos para escolher as melhores formas de explicar cada conteúdo. E assim surgem as minhas dicas de materiais para aprender/estudar italiano.

Minha primeira indicação, principalmente para quem quer tentar começar a aprender sozinho, são os cursos online Dire, Fare, Partire e Dire, Fare, Arrivare. Esse é o material mais completo que tenho para indicar.

Trata-se de um curso básico de italiano (nível A1), com uma pequena história para assistirmos, explicações de gramática (também em vídeo), exercícios com feedback automático (isto é, que você tem a possibilidade de saber se acertou ou não) e todo o conteúdo transcrito. Este é um material pensado por especialistas e voltado para o público brasileiro. A única coisa que vai fazer falta, claro, é a possibilidade de praticar a conversação em italiano.

Depois, eu indico o canal Italica. Quem fizer os cursos acima verá que o Tarcísio, da historinha, é o Darius, do canal. E o Darius também é especialista em língua e cultura italianas e nessa área de ensino, e por isso indico demais, não apenas o canal, como também as redes sociais deles, sempre cheias de ótimas dicas.

Seguindo na linha de canais do youtube, tem também o LearnAmo, com ótimas dicas e com um site no qual você pode encontrar a transcrição dos vídeos e exercícios com feedback automático. Acho esse canal bem didático.

E por falar em didático, ainda tem outros três canais que meus alunos costumam gostar — e até mesmo descobrir por conta própria —: Sgrammaticando, Vaporetto italiano e Learn Italian with Lucrezia.

Bom, a verdade é que, procurando, existem milhares de canais possíveis no youtube, cada um explicando de uma forma, dando exemplos diversos. Esses são alguns dos que conheço/gosto.

Eu não sou muito de ouvir podcasts, mas sei que também é outro mundo possível de descoberta do idioma. Para níveis mais básicos acho vídeos mais interessantes porque tem a possibilidade do visual ajudar a escuta. E aí sugiro que a passagem de vídeos a áudios seja feita através de vídeos como os Ted Talks, que ainda têm uma parte visual que pode ajudar, mas em escala menor.

Mas voltando a um material mais básico, um aluno meu também me indicou, outro dia, um site chamado The Italian Experiment, com histórias infantis para ler e ouvir, além de bastante vocabulário divido em categorias, para ouvir e aprender.

E vocês que estudam outras línguas, costumam encontrar bons materiais por aí?

Que método você usa?

No último post que escrevi para a seção de ensino aqui do Blog, falei sobre o mito do professor nativo. Hoje quero falar um pouco sobre a questão dos métodos de ensino, porque essa é uma pergunta que já ouvi de alguns alunos que buscavam informações sobre minhas aulas: que método você usa?

Confesso que essa pergunta acaba me deixando em uma saia justa. Não porque eu não tenha um método ou por não saber o que estou fazendo, muito pelo contrário: métodos foi uma coisa que estudei bastante na graduação e no mestrado. E é por isso que eu optei por utilizar o pós-método em minhas aulas mas… Quem sabe o que é pós-método?

E bem, tem outra coisa também: quando uma pessoa me pergunta que método eu uso em minhas aulas, fico em dúvida sobre o que, efetivamente, ela está perguntando, uma vez que, para alguns, isto é a mesma coisa que perguntar “que livro você usa para ensinar?”, enquanto outros realmente conhecem alguns dos métodos de ensino que existem.

Antes de mais nada, então, tentarei apresentar (o mais brevemente possível) esses tais métodos e, claro, esse tal de pós-método que eu adotei para as minhas aulas.

Um dos primeiros métodos de ensino de línguas que surgiu foi a Abordagem da Gramática e da Tradução, um nome quase autoexplicativo: consiste no ensino da segunda língua a partir da primeira, ou seja, tudo aquilo que você precisar para entender algo será dado a partir da sua língua materna. Este método tem uma ênfase muito forte (quase exclusiva, aliás) na escrita.

Depois veio a Abordagem ou Método Direto, que, se colocarmos em contraposição à Abordagem da Gramática e da Tradução, também torna-se autoexplicativo: aqui proíbe-se o uso da língua materna, pois tudo deveria ser aprendido e apreendido diretamente na língua alvo. Outra contraposição ao método anterior é que, neste, há mais ênfase na língua oral.

Podemos, ainda, falar da Abordagem Audiolingual, com uma ênfase ainda maior na fala, mas como um conjunto de hábitos, coisa que ainda vou comentar mais para frente neste texto. Outra premissa deste método é que ele considera que uma língua é aquilo que os falantes nativos falam. E é por conta disso que, até hoje, alguns lugares buscam por professores que sejam falantes nativos, como dito em meu último post.

Depois surge a Abordagem Comunicativa, muito conhecida ainda hoje. Com ela, inicia-se uma real preocupação com o que podemos fazer com a língua, ou seja, com a verdadeira comunicação, aquela imprevisível, que vivenciamos em nosso dia a dia.

Muitas escolas de línguas (inglês principalmente, que é o que mais facilmente encontramos), anunciam seus cursos como baseados na Abordagem Comunicativa, mas quando paramos para analisar, utilizam-se do Método audiolingual.

E aqui retomo o que disse anteriormente: no método audiolingual, acredita-se que a língua é um conjunto de hábitos, certo? Isso significa que a repetição é algo muito presente. Vocês provavelmente já fizeram aula nesse esquema: ouve-se um diálogo algumas vezes, até que você consiga repetir perfeitamente cada parte dele.

Na verdadeira Abordagem Comunicativa, porém, considerando que ela se preocupa com a comunicação em si, o aluno tem a liberdade de criar o seu próprio diálogo, de imaginar-se em situações reais de comunicação. Conseguiram perceber a diferença? Neste método há reflexão; no outro, repetição.

E no meio do caminho entre tudo o que já citei até aqui, existem tantos outros métodos! Há, por exemplo, o Sugestopedia, no qual acredita-se que podemos aprender mais rapidamente se o ensino for baseado em técnicas psicológicas de repetição e sugestão, aumentando nossa capacidade de memorização; há, também, o Método Silencioso, que enxerga a aprendizagem como um processo e que, por isso, o professor deve ser o primeiro a falar, até que os alunos sintam-se confortáveis a efetivamente participar da aula; o Método da Resposta Física Total, baseado na forma como as crianças aprendem com seus pais, isto é, através de comandos e com respostas do próprio corpo.

Depois de aprender um pouco mais a fundo sobre cada um desses métodos mencionados, observando seus pontos positivos e negativos, fui finalmente apresentada ao pós-método. E foi aí que todas as minhas concepções caíram por terra. Vejam bem, eu aprendi inglês numa escola que usava (e acredito que ainda usa) o método audiolingual. E isso nunca foi um problema para mim, até que eu finalmente entendesse como funciona o ensino e a aprendizagem de línguas e percebesse que eu talvez não tenha aprendido inglês da melhor forma…

Uma coisa que esqueci de mencionar é que a existência de tantos métodos deve-se, dentre outras coisas, ao fato que estamos sempre em busca de algo melhor. Ora, se eu disse anteriormente que cada um desses métodos têm seus pontos positivos e negativos, o que buscava-se era eliminar esses pontos negativos, até chegarmos a um método perfeito. Mas isso é realmente possível?

Aqui torna-se necessário, portanto, deixar bem claro um ponto: o pós-método não é um método alternativo e também não é uma mistura dos métodos anteriores. Ele é, na verdade, uma nova forma de enxergar o ensino, dando autonomia aos professores (que passam a ser mais responsáveis pelo material usando em sala de aula) e aos alunos (que também tornam-se responsáveis por enxergar, com o professor, o melhor caminho a ser seguido).

O pós-método é regido por três parâmetros:

  • Particularidade: qualquer pedagogia, para ser relevante, tem de ser sensível ao contexto na qual está inserida, levando em consideração todos os elementos que compõem aquele contexto.

  • Praticabilidade: trata da relação entre teoria e prática, isto é, para que uma teoria seja realmente útil e utilizável, ela precisa ser gerada a partir da prática e, portanto, o professor passa a ser um gerador de teoria.

  • Possibilidade: o ensino deve levar em consideração a individualidade de todos os sujeitos que compõem o cenário educativo, pensando, por exemplo, em questões de classe, raça, gênero e etnia.

Ainda que sejam apenas três parâmetros, já percebemos que o pós-método, para ser realmente aplicado, precisaria de muitas mudanças por parte de inúmeras pessoas. E fora que, verdadeiramente aplicá-lo, sem que tudo torne-se uma grande bagunça, é muito difícil. Mas o próprio autor dessas ideias, o indiano Kumaravadivelu, nos apresenta macroestratégias, capazes de nos ajudar a entender o funcionamento de suas ideias, além de microestratégias, que são sugestões palpáveis de como aplicar tudo isso.

Quando eu digo que me utilizo do pós-método em minhas aulas, estou dizendo que busco compreender o que leva o aluno a querer aprender o italiano (que é o que eu ensino) e, a partir disso, saio em busca de materiais que possam realmente interessar e motivar os estudos de tal pessoa. A autonomia do aluno também é algo que me interessa, isto é, como ele pode continuar aprendendo e praticando a língua mesmo sem a minha presença.

Se você quiser entender um pouco mais sobre o pós-método, indico a tese de livre docência da professora Fernanda Ortale. Infelizmente, ainda há pouco material sobre o assunto em português (os próprios livros de Kumaravadivelu ainda não foram traduzidos).

Outro autor que podemos ler, também, para compreender um pouco melhor essa pedagogia é Paulo Freire, uma vez que Kumaravadivelu declaradamente inspirou-se nas ideias dele para criar a sua teoria.

E se vocês quiserem perguntar algo, basta deixar um comentário! Vou fazer o possível para esclarecer o que eu puder.