Que material você usa nas aulas de italiano?

Hoje era dia de, antes tarde do que nunca, trazer um post de gramática da língua italiana, como tenho feito ao menos uma vez por mês. No entanto, semana passada, surpreendentemente, várias pessoas entraram em contato comigo, buscando aulas de italiano. E sempre que isso acontece é mais ou menos a mesma coisa: trocamos informações sobre funcionamento das aulas, sobre o que a pessoa busca, disponibilidade de horários, valores e… materiais.

Gosto de deixar claro, desde o início que eu não costumo adotar um livro didático para usar nas aulas. E já sabendo que isso é um pouco assustador para algumas pessoas, porque fomos educados em aulas que sempre contavam com o apoio de um livro, explico os motivos da minha escolha.

Em primeiro lugar, o que pesa é a questão financeira: diferentemente do inglês, no Brasil não temos tanto material de língua italiana disponível e, quando tem, costumam ser caros e não permitem uma continuidade (isto é, pode ser que encontremos o livro 1 e 2, mas não encontremos o 3 e o 4 para dar prosseguimento ao curso).

Para além disso, porém, há a questão didática propriamente dita: os livros didáticos (de qualquer língua) são, em sua grande maioria, pensados para qualquer estudante, isto é, um estudante de qualquer parte do mundo. Acontece que o português e o italiano não são línguas muito distantes o que, em muitos casos, pode ser ótimo, mas em outros, gera confusões bem interessantes. E esses livros dificilmente dão espaço para trabalharmos bem esses aspectos. E já aconteceu, por exemplo, de eu receber alunos que estudaram um pouco da língua sozinhos, ou então fizeram um tempo de curso e pararam, mas que, tendo essa base, precisam de um ritmo diferente nas aulas.

Tá, mas como você faz? Fica tudo solto?

Não exatamente, mas organização ajuda bastante. O que eu faço é disponibilizar um arquivo a cada aula — que poderia ser considerado uma mini unidade didática — no qual estará tudo trabalhado naquela aula em específico. É nesse arquivo que coloco textos, exercícios feitos em aula, explicações gramaticais, resumos, vocabulário… Tudo o que for útil e necessário.

Além disso, tenho sempre trabalhado esse material, buscando deixá-lo cada vez mais fácil de usar e, claro, mais completo. Atualmente, o que tenho feito é colocar sempre o número da aula, a data e os tópicos daquele dia. Mas ainda pretendo montar pequenos livros didáticos para usar com meus alunos, um pouco mais com a cara do que encontramos nas livrarias, evitando inseguranças quanto a isso.

Mas não é como se eu criasse tudo absolutamente do nada, tá? Eu vou comparando explicações de livros que tenho (porque sim, eu tenho alguns livros didáticos de italiano em casa!), buscando explicações na internet e vou condensando a informação, tentando ao máximo deixar tudo o mais claro possível.

Também deixo como opção para os alunos receber exercícios extras, para praticar um pouco mais aquilo que for visto em sala de aula. Esses exercícios, porém, sendo opcionais, são enviados num arquivo já com as respostas ao final e, tendo dúvidas, o aluno poderá tirá-las em sala ou mesmo entrando em contato comigo.

E como eu faço para suprir a falta do conteúdo multimidiático que, geralmente, é disponibilizado com os livros didáticos? De uma maneira bem simples: como tarefa de casa, costumo pedir que meus alunos assistam um vídeo curto, disponível no youtube ou qualquer outra plataforma gratuita. São vídeos que seleciono de acordo com o que trabalharemos na aula seguinte e sempre buscando trazer pessoas diferentes, assim eles podem se acostumar com sotaques e ritmos diferentes de fala. Também gosto muito de usar músicas e tenho tentado aumentar meu repertório, para oferecer conteúdos diferentes e úteis.

Mas veja bem: eu não sou contra materiais didáticos e não vejo problemas em adotar um se algum aluno fizer questão, mesmo depois de apontar todos os pontos que mencionei neste artigo. Para mim, o mais importante é que o aluno se sinta confortável e seguro de que aprenderá como espera.

E aí, você acha que se daria bem com essa metodologia?

Para ler mais conteúdos sobre minha forma de ensinar ou então aprender algumas coisas bem básicas da gramática italiana, clique aqui e confira os posts que já trouxe para o Blog. E se você tiver interesse em aprender italiano, ou conhece alguém que queira, é só clicar aqui.

Artigos definidos em italiano

Artigos são algo muito básico da língua. Em português, temos quatro artigos definidos: “a”, “as”, “o” e “os”. Fácil, não é? Em italiano, porém, as coisas são um pouco mais complicadas que isto. Ao menos à primeira vista.

Antes de chegar aos artigos, porém, precisamos ter em mente duas coisas: o gênero das palavras (feminino ou masculino) e o número (singular ou plural). Sei que existem muitas discussões de gênero hoje em dia, mas aqui não entraremos nesse mérito, tudo bem? Atualmente, o português e o italiano são línguas que não admitem o gênero neutro (ainda que seja possível escrever um texto sem usar palavras que determinem o gênero do escritor ou leitor, mas isso também é outra discussão que não cabe aqui).

Palavras femininas e masculinas

Na maioria dos casos, palavras que terminam com a vogal “a” são femininas, enquanto as que terminam com vogal “o” são masculinas. Há exceções, como há no português: “il problema” (o problema) ou “la moto” (a moto). Há, ainda, palavras que terminam com vogal “e” e essas podem ser femininas ou masculinas, vai depender da palavra mesmo, como “la madre” (a mãe) e “il padre” (o pai).

Entender o gênero das palavras, em italiano, é relativamente tranquilo. A terminação em “e” é a mais complicada de reconhecermos logo de cara, mas logo torna-se natural. O problema maior, talvez, seja o número. De maneira bem diferente do português, o plural, na língua italiana, não é marcado pelo acréscimo da letra “s” ao final da palavra.

Singular e plural

Palavras que terminam em “a”, no plural italiano, terminarão em “e”. As que terminam em “o”, passarão a terminar em “i”. E as que terminam em “e” (no singular, não importando se são femininas ou masculinas) terminarão em “i” também. Confuso? Vejamos:

  • Casa (casa) – case (casas) / acqua (água) – acque (águas)
  • Sguardo (olhar) – sguardi (olhares) / occhio (olho) – occhi (olhos)
  • Madre (mãe) – madri (mães) / voce (voz) – voci (vozes)
  • Padre (pai) – padri (pais) / amore (amor) – amori (amores)

Agora que já vimos o feminino e o masculinos, o singular e o plural, podemos compreender melhor os artigos definidos do italiano. Como eu disse no começo, em português temos apenas quatro. Em italiano, por outro lado, temos oito!

Articoli determinativi femminili

Os artigos definidos femininos, no italiano, são três:

  • Para as palavras femininas e singulares que começam com consoante, usamos la: la casa.
  • Se a palavra, ainda no singular, começa com vogal, porém, usamos l’: l’acqua.
  • No plural, contudo, temos apenas uma forma, que é o le: le case, le acque.

Articoli determinativi maschili

Os artigos definidos masculinos, por outro lados, são cinco:

  • Igual ao feminino, para palavras que começam com vogal, no singular, usamos l’: l’occhio.
  • Palavras que começam com s impura (s + outra consoante), ps, pn, gn, z, letras estrangeiras (como j, x e y), no singular, são precedidas pelo artigo lo: lo sguardo, lo psicologo, lo zio.
  • Palavras que começam com consoante e que não se encaixam nos casos acima, no singular, usam o artigo il: il padre.
  • No plural, palavras que começam com consoante (e que, no singular, usam “il”) passam a ser precedidas por i: i padri.
  • Os outros dois casos, isto é, palavras que começam com vogais ou os casos especiais (s impura, ps, pn, gn, z e letras estrangeiras), no plural, pedem o artigo gli: gli occhi, gli sguardi, gli psicologi, gli zii.

Resumindo

Muito complicadas essas regrinhas? Num primeiro momento, acredito que sim, mas os italianos usam muito mais os artigos do que nós, falantes de português, então a gente logo se acostuma a usar também e, aos poucos, passamos a usar sem grandes dificuldades. Mas, para não esquecer, gli articoli determinativi italiani são:

  • La – le (feminino, palavras que começam com consoante)
  • L’ – le (feminino, palavras que começam com vogal)
  • Il – i (masculino, palavras que começam com consoante)
  • L’ – gli (masculino, palavras que começam com vogal)
  • Lo – gli (masculino, palavras que começam com s + consoante, pn, ps, z, gn, letras estrangeiras)

Pronúncia da língua italiana

Conheço muitas pessoas que, assim como eu, decidiram estudar a língua italiana por achá-la bonita (no meu caso, este não foi exatamente o único motivo, mas um deles). E uma das coisas que torna esta língua tão bela é a sonoridade dela.

Hoje, portanto, vou comentar um pouco sobre a pronúncia do italiano, mostrando alguns elementos que nós, falantes de língua portuguesa, precisamos prestar atenção.

Vogais (le vocali)

Para começar pelo mais simples, é importante destacar que a vogal “a” é sempre bem aberta no italiano (o que provavelmente contribui para o estigma de que italianos falam gritando) e que não existem sons nasais nesta língua. Por exemplo, a palavra “mamma” (mamãe), se pronuncia “mámma” e não “mãmma“.

Também é muito importante que as vogais finais sejam bem pronunciadas e de acordo com o que está escrito. Isto é: se a palavra termina em “e”, devemos pronunciar “e” e não “i”, e assim por diante.

Consoantes (le consonanti)

Aqui as coisas ficam um pouco mais difíceis, principalmente quando vamos ler uma palavra escrita em italiano e acredito que você vai entender isso quando eu terminar de mostrar as especificidades da língua.

Tentarei colocar entre parênteses como você deve pronunciar as palavras mencionadas, mas a minha sugestão é que você busque cada uma delas no Google tradutor (ou similares) para ouvir a pronúncia.

O encontro entre “ce” ou “ci” é pronunciado praticamente da forma como pronunciamos palavras com “t” em grande parte do Brasil: cinema (tchínema), certo (tchérto). Uma palavra que nos ajuda a lembrar desta regrinha, por ser muito usada aqui no Brasil também, é cappuccino!

Por outro lado, “che” e “chi” têm o som do nosso “que” e “qui”: macchina (máquina), pacchetto (paquêto).

Aqui no Brasil, em algumas palavras, o nosso “d” sai quase com o som de “g” (pense em como você pronuncia “dia”). No italiano, porém, isso não pode ocorrer, o “d” tem que ter exatamente o som dele. A mesma coisa acontece com o “t”, que aqui no Brasil tem um som quase de “ts”. No italiano, esqueça esse chiado.

Mas, ainda pensando na palavra “dia”, sabe como chegamos ao som desse nosso “d” em italiano? Usando “gi” ou “ge”: giorno (dgiorno), agenda (adgênda).

Se você se deparar com “ghe” e “ghi”, em italiano, não se assuste com esse “h” e pense no nosso “gue” e “gui”. Sabe aquele macarrão, espaguete? Em italiano, ele é escrito assim: spaghetti. Duas escritas bem diferentes, mas uma pronúncia igual! Só tome cuidado, no italiano, para não pronunciar um “e” inexistente no início da palavra: você deve começar pronunciando o som do “s”.

Agora dois encontros consonantais que nos confundem bastante: “gli”, em italiano, tem o som do nosso “lh”: foglia (fôlha); maglia (málha). E “gn” tem som de “nh”. Mas aqui, você pode lembrar de outra massa: o nhoque, em italiano, se escreve gnocchi (e, mais uma vez, a pronúncia é quase a mesma, apesar de escritas tão diferentes). Outro exemplo: prugna (prunha).

Mas uma boa notícia: assim como em português, a letra “h” (chamada acca) não tem som no italiano. A palavra “hotel” continua sendo pronunciada “otel“, por exemplo.

E se por acaso você se deparar com “sci” e “sce”, não se assuste: eles têm um som muito parecido com o nosso “ch”: sciopero (chiópero), viscere (víchere).

Letras duplas (le doppie)

Talvez, ao longo dos exemplos acima, você tenha se questionado “mas esses dois ‘c’?”, “e esses dois ‘t’ juntos?”. O que acontece é que, na língua italiana, diversas palavras são escritas com as tais letras duplas.

E o que elas representam?

Em tese, elas indicam que aquela sílaba é um pouco mais longa (o que também contribui para uma certa musicalidade da língua). Mas por que “em tese”?

Porque para nós, brasileiros, é muito difícil perceber esse tal alongamento. Se para muitos italianos a diferença é óbvia, para nós, brasileiros, ouvindo uma conversa normal, é praticamente impossível notar a diferença sem fazer um esforço muito grande. Mas saiba, ela existe!

E outra coisa: você notou que quase não há acentos (gráficos) nas palavras italianas? Pois é, eles usam bem menos que nós. Inclusive, não existe circunflexo e til em italiano. Isso, por vezes, nos dificulta um pouco na hora de saber qual é a sílaba tônica de cada palavra. Mas nada que a prática não resolva.


Está gostando desses posts? Então tenho novidades: estou montando um grupo (de no máximo 4 alunos) para aulas online, às terças e quintas, das 19:30 às 20:30. Neste formulário você encontra as informações de duração do curso, bem como o valor. E também é nele que você pode fazer sua pré-inscrição!

Mas, se você prefere fazer aulas particulares, também deixo este formulário, com algumas informações importantes.

Formalidade e informalidade na língua italiana

Confesso que estive te preparando nos últimos tempos. E também estive me preparando, claro.

Fiz um post sobre como aprender novas línguas; outro sobre o mito do professor nativo. Também escrevi sobre métodos de ensino e, por fim, dei dicas (gratuitas) de materiais de italiano.

Mas agora chegou a hora de colocar a mão na massa (com o perdão do trocadilho em relação a um dos principais pratos da culinária italiana).

Hoje eu dou início a uma série de posts com uma parte do conteúdo que apresento em minhas aulas de italiano. E uma das primeiras coisas sobre a qual eu falo é sobre a questão da formalidade e da informalidade na língua italiana.

Nós, brasileiros, costumamos ser mais informais. Tem gente inclusive que se ofende em ser chamado de “senhor” ou “senhora”, respondendo coisas do tipo “senhor está no céu” ou “senhora é mãe”. Em outros países, porém, esse tipo de tratamento é um indicativo de educação e respeito.

Como ser formal na língua italiana?

A verdade é que existe mais de um elemento na frase que indica essa tal formalidade na língua italiana.

Para entender isso, porém, precisamos começar pelos pronomes pessoais (i pronomi personali).

Calma, sei que essas nomenclaturas são um pouco chatas, mas isso nada mais é do que:

PORTUGUÊSITALIANO
euio
tutu
ele/elalui/lei/Lei
nósnoi
vósvoi
eles/elasloro

Você notou que “ele” e “ela”, em italiano, vira “lui”, “lei” e “Lei”? Por que isso acontece?

“Lui” é o nosso “ele” e “lei” é o nosso “ela”. Mas “Lei” (sim, escrito sempre com L maiúsculo) é o tal do tratamento formal. E o tratamento informal é caracterizado pelo “tu”, que ao contrário do que acontece com grande parte do português brasileiro, é utilizado na língua italiana (o “tu” seria o nosso “você”).

Então basta eu usar sempre “Lei” com as pessoas que estarei sendo formal?

Infelizmente, não é tão simples assim.

Como eu disse ali em cima, o “tu” caracteriza um tratamento informal e o “Lei” um tratamento formal. Ao escolher entre um e outro, você também deverá construir toda a frase baseada em sua escolha. Ou seja: você vai ter de usar os demais pronomes e verbos de acordo com a sua escolha.

Difícil? Um pouco, talvez. Mas nada que a prática não resolva, não é mesmo? Vamos ver isso com dois exemplos, para tentar entender um pouco melhor.

Imagina que você está na Itália e acaba de conhecer uma pessoa. Se ela tiver mais ou menos a sua idade ou for muito mais nova, você pode até arriscar um tratamento informal. Caso contrário, opte sempre pelo tratamento formal. A primeira pergunta provavelmente será “Qual é o seu nome?” que, em italiano, pode ser:

  • Come (Lei) si chiama? (formal).
  • Come (tu) ti chiami? (informal).

Você notou que, de uma frase para outra, eu tive de mudar duas coisas? Primeiro foi o pronome “si”, que virou “ti” e depois o verbo “chiama”, que virou “chiami”.

Outro exemplo (com uma pergunta não tão recomendada assim, mas que faz sentido em alguns contextos): “Quantos anos você tem?”, em italiano, pode ser:

  • Quanti anni (Lei) ha? (formal)
  • Quanti anni (tu) hai? (informal)

Neste caso, a única coisa que muda é o verbo: ha (formal) ou hai (informal).

E você viu que, como o verbo e outros elementos da frase mudam, você não precisa ficar usando “Lei” e “tu” em tudo. O próprio verbo usado (na conjugação certa, claro), já vai indicar para a pessoa que você está adotando um tratamento formal ou informal.

Possiamo dare del tu?

Por fim, apenas a título de curiosidade: pode acontecer de você optar por usar um tratamento formal (repito: comece sempre por essa opção) e a pessoa te perguntar “possiamo dare del tu?“. Isso significa que ela prefere ser tratada de maneira informal, isto é, usando o “tu”. E, claro, não há problema algum nisso, apenas demonstra que ela está dispensando as formalidades que você inicialmente usou.

Dicas de materiais de italiano

Alguns posts atrás eu falei sobre como aprender novas línguas, trazendo indicações de aplicativos e sites para te motivar a estudar de maneira autodidata, além de dar algumas outras dicas que considerei úteis.

Hoje, porém, resolvi ser um pouco mais específica e indicar alguns sites que costumo recomendar para meus alunos ou que ao menos tenho sempre ao alcance das mãos para escolher as melhores formas de explicar cada conteúdo. E assim surgem as minhas dicas de materiais para aprender/estudar italiano.

Minha primeira indicação, principalmente para quem quer tentar começar a aprender sozinho, são os cursos online Dire, Fare, Partire e Dire, Fare, Arrivare. Esse é o material mais completo que tenho para indicar.

Trata-se de um curso básico de italiano (nível A1), com uma pequena história para assistirmos, explicações de gramática (também em vídeo), exercícios com feedback automático (isto é, que você tem a possibilidade de saber se acertou ou não) e todo o conteúdo transcrito. Este é um material pensado por especialistas e voltado para o público brasileiro. A única coisa que vai fazer falta, claro, é a possibilidade de praticar a conversação em italiano.

Depois, eu indico o canal Italica. Quem fizer os cursos acima verá que o Tarcísio, da historinha, é o Darius, do canal. E o Darius também é especialista em língua e cultura italianas e nessa área de ensino, e por isso indico demais, não apenas o canal, como também as redes sociais deles, sempre cheias de ótimas dicas.

Seguindo na linha de canais do youtube, tem também o LearnAmo, com ótimas dicas e com um site no qual você pode encontrar a transcrição dos vídeos e exercícios com feedback automático. Acho esse canal bem didático.

E por falar em didático, ainda tem outros três canais que meus alunos costumam gostar — e até mesmo descobrir por conta própria —: Sgrammaticando, Vaporetto italiano e Learn Italian with Lucrezia.

Bom, a verdade é que, procurando, existem milhares de canais possíveis no youtube, cada um explicando de uma forma, dando exemplos diversos. Esses são alguns dos que conheço/gosto.

Eu não sou muito de ouvir podcasts, mas sei que também é outro mundo possível de descoberta do idioma. Para níveis mais básicos acho vídeos mais interessantes porque tem a possibilidade do visual ajudar a escuta. E aí sugiro que a passagem de vídeos a áudios seja feita através de vídeos como os Ted Talks, que ainda têm uma parte visual que pode ajudar, mas em escala menor.

Mas voltando a um material mais básico, um aluno meu também me indicou, outro dia, um site chamado The Italian Experiment, com histórias infantis para ler e ouvir, além de bastante vocabulário divido em categorias, para ouvir e aprender.

E vocês que estudam outras línguas, costumam encontrar bons materiais por aí?

Que método você usa?

No último post que escrevi para a seção de ensino aqui do Blog, falei sobre o mito do professor nativo. Hoje quero falar um pouco sobre a questão dos métodos de ensino, porque essa é uma pergunta que já ouvi de alguns alunos que buscavam informações sobre minhas aulas: que método você usa?

Confesso que essa pergunta acaba me deixando em uma saia justa. Não porque eu não tenha um método ou por não saber o que estou fazendo, muito pelo contrário: métodos foi uma coisa que estudei bastante na graduação e no mestrado. E é por isso que eu optei por utilizar o pós-método em minhas aulas mas… Quem sabe o que é pós-método?

E bem, tem outra coisa também: quando uma pessoa me pergunta que método eu uso em minhas aulas, fico em dúvida sobre o que, efetivamente, ela está perguntando, uma vez que, para alguns, isto é a mesma coisa que perguntar “que livro você usa para ensinar?”, enquanto outros realmente conhecem alguns dos métodos de ensino que existem.

Antes de mais nada, então, tentarei apresentar (o mais brevemente possível) esses tais métodos e, claro, esse tal de pós-método que eu adotei para as minhas aulas.

Um dos primeiros métodos de ensino de línguas que surgiu foi a Abordagem da Gramática e da Tradução, um nome quase autoexplicativo: consiste no ensino da segunda língua a partir da primeira, ou seja, tudo aquilo que você precisar para entender algo será dado a partir da sua língua materna. Este método tem uma ênfase muito forte (quase exclusiva, aliás) na escrita.

Depois veio a Abordagem ou Método Direto, que, se colocarmos em contraposição à Abordagem da Gramática e da Tradução, também torna-se autoexplicativo: aqui proíbe-se o uso da língua materna, pois tudo deveria ser aprendido e apreendido diretamente na língua alvo. Outra contraposição ao método anterior é que, neste, há mais ênfase na língua oral.

Podemos, ainda, falar da Abordagem Audiolingual, com uma ênfase ainda maior na fala, mas como um conjunto de hábitos, coisa que ainda vou comentar mais para frente neste texto. Outra premissa deste método é que ele considera que uma língua é aquilo que os falantes nativos falam. E é por conta disso que, até hoje, alguns lugares buscam por professores que sejam falantes nativos, como dito em meu último post.

Depois surge a Abordagem Comunicativa, muito conhecida ainda hoje. Com ela, inicia-se uma real preocupação com o que podemos fazer com a língua, ou seja, com a verdadeira comunicação, aquela imprevisível, que vivenciamos em nosso dia a dia.

Muitas escolas de línguas (inglês principalmente, que é o que mais facilmente encontramos), anunciam seus cursos como baseados na Abordagem Comunicativa, mas quando paramos para analisar, utilizam-se do Método audiolingual.

E aqui retomo o que disse anteriormente: no método audiolingual, acredita-se que a língua é um conjunto de hábitos, certo? Isso significa que a repetição é algo muito presente. Vocês provavelmente já fizeram aula nesse esquema: ouve-se um diálogo algumas vezes, até que você consiga repetir perfeitamente cada parte dele.

Na verdadeira Abordagem Comunicativa, porém, considerando que ela se preocupa com a comunicação em si, o aluno tem a liberdade de criar o seu próprio diálogo, de imaginar-se em situações reais de comunicação. Conseguiram perceber a diferença? Neste método há reflexão; no outro, repetição.

E no meio do caminho entre tudo o que já citei até aqui, existem tantos outros métodos! Há, por exemplo, o Sugestopedia, no qual acredita-se que podemos aprender mais rapidamente se o ensino for baseado em técnicas psicológicas de repetição e sugestão, aumentando nossa capacidade de memorização; há, também, o Método Silencioso, que enxerga a aprendizagem como um processo e que, por isso, o professor deve ser o primeiro a falar, até que os alunos sintam-se confortáveis a efetivamente participar da aula; o Método da Resposta Física Total, baseado na forma como as crianças aprendem com seus pais, isto é, através de comandos e com respostas do próprio corpo.

Depois de aprender um pouco mais a fundo sobre cada um desses métodos mencionados, observando seus pontos positivos e negativos, fui finalmente apresentada ao pós-método. E foi aí que todas as minhas concepções caíram por terra. Vejam bem, eu aprendi inglês numa escola que usava (e acredito que ainda usa) o método audiolingual. E isso nunca foi um problema para mim, até que eu finalmente entendesse como funciona o ensino e a aprendizagem de línguas e percebesse que eu talvez não tenha aprendido inglês da melhor forma…

Uma coisa que esqueci de mencionar é que a existência de tantos métodos deve-se, dentre outras coisas, ao fato que estamos sempre em busca de algo melhor. Ora, se eu disse anteriormente que cada um desses métodos têm seus pontos positivos e negativos, o que buscava-se era eliminar esses pontos negativos, até chegarmos a um método perfeito. Mas isso é realmente possível?

Aqui torna-se necessário, portanto, deixar bem claro um ponto: o pós-método não é um método alternativo e também não é uma mistura dos métodos anteriores. Ele é, na verdade, uma nova forma de enxergar o ensino, dando autonomia aos professores (que passam a ser mais responsáveis pelo material usando em sala de aula) e aos alunos (que também tornam-se responsáveis por enxergar, com o professor, o melhor caminho a ser seguido).

O pós-método é regido por três parâmetros:

  • Particularidade: qualquer pedagogia, para ser relevante, tem de ser sensível ao contexto na qual está inserida, levando em consideração todos os elementos que compõem aquele contexto.

  • Praticabilidade: trata da relação entre teoria e prática, isto é, para que uma teoria seja realmente útil e utilizável, ela precisa ser gerada a partir da prática e, portanto, o professor passa a ser um gerador de teoria.

  • Possibilidade: o ensino deve levar em consideração a individualidade de todos os sujeitos que compõem o cenário educativo, pensando, por exemplo, em questões de classe, raça, gênero e etnia.

Ainda que sejam apenas três parâmetros, já percebemos que o pós-método, para ser realmente aplicado, precisaria de muitas mudanças por parte de inúmeras pessoas. E fora que, verdadeiramente aplicá-lo, sem que tudo torne-se uma grande bagunça, é muito difícil. Mas o próprio autor dessas ideias, o indiano Kumaravadivelu, nos apresenta macroestratégias, capazes de nos ajudar a entender o funcionamento de suas ideias, além de microestratégias, que são sugestões palpáveis de como aplicar tudo isso.

Quando eu digo que me utilizo do pós-método em minhas aulas, estou dizendo que busco compreender o que leva o aluno a querer aprender o italiano (que é o que eu ensino) e, a partir disso, saio em busca de materiais que possam realmente interessar e motivar os estudos de tal pessoa. A autonomia do aluno também é algo que me interessa, isto é, como ele pode continuar aprendendo e praticando a língua mesmo sem a minha presença.

Se você quiser entender um pouco mais sobre o pós-método, indico a tese de livre docência da professora Fernanda Ortale. Infelizmente, ainda há pouco material sobre o assunto em português (os próprios livros de Kumaravadivelu ainda não foram traduzidos).

Outro autor que podemos ler, também, para compreender um pouco melhor essa pedagogia é Paulo Freire, uma vez que Kumaravadivelu declaradamente inspirou-se nas ideias dele para criar a sua teoria.

E se vocês quiserem perguntar algo, basta deixar um comentário! Vou fazer o possível para esclarecer o que eu puder.

O mito do professor nativo

Como professora de idiomas, mais de uma vez me deparei com vagas que buscavam somente falantes nativos para dar aula. Confesso que sempre fiquei bem confusa com isso e este post é justamente para mostrar como não faz sentido exigir (somente) que a pessoa seja nativa.

Para começo de conversa, ensinar uma língua requer muito mais que meros conhecimentos linguísticos. Caso contrário, bastaria que eu nascesse no Brasil para poder sair dando aulas de português por aí, certo? Você sente que é capaz de dar aulas de português para um estrangeiro? Pois é, a tarefa já começa bem mais complicada do que parece.

Além disso, não se trata apenas de saber bem determinada língua, trata-se, também, de ter didática. Você pode até se sentir apto a ensinar uma língua a outra pessoa, mas você saberá fazer isso didaticamente, ou seja, de maneira clara e coerente? Aqui a coisa começa a ficar ainda mais complicada!

Para unir os elementos que apresentei até aqui o ideal é que, em primeiro lugar, o professor tenha formação na área de ensino de línguas, isto é, que tenha feito um curso superior (Licenciatura em Letras). Claro que, o curso por si só não costuma ser suficiente, então esse professor terá de se dedicar horas e horas à língua, para chegar a um patamar mais elevado de conhecimento (na verdade, professores estão constantemente aprendendo).

Isso significa, portanto, que se o professor for formado em Letras e for nativo, ele será o professor perfeito? Também não necessariamente! Já tive aulas com professores nativos, formados em Letras e que, ainda assim, não se deram bem com o público brasileiro. É que aqui entra um terceiro fator: choques culturais. Isto é, um professor, se for nativo, além de realmente ter um bom conhecimento da língua e didática para ensiná-la, precisará, também, estar aberto à outra cultura e à forma como as pessoas daquela cultura lidam com o aprendizado (e com todo o resto que nos cerca).

Outro mito que circunda o professor nativo é a questão do sotaque: “ah, mas se eu tiver aulas com um professor nativo, eu vou falar a língua dele sem sotaque algum”. Gente, que país no mundo não tem sotaque? Em que país toda a população fala igualzinho? Eu não conheço nenhum…

Agora, uma coisa que realmente pode ser uma vantagem nas aulas com um professor nativo é poder ter um contato mais próximo com uma cultura diversa, isto é, ter alguém a quem perguntar diretamente “como funciona” algo em determinado país. Ainda assim, temos de ter em mente que teremos a visão de uma pessoa e que ela não necessariamente representa toda uma cultura local.

Aliás, aprender línguas nos abre portas para conhecer novos mundos, novas formas de pensar. E essa experiência pode ser ainda melhor se aprendermos com alguém realmente qualificado para tanto, não é mesmo?

Então, ao procurar um professor de línguas, mais do que perguntar se a pessoa é nativa, pergunte quais as qualificações dela e, muito importante, como ela trabalha (eu até poderia usar o termo “método” aqui, mas essa também é uma discussão para outro post…).

E antes de concluir, gostaria de indicar esse texto que encontrei enquanto pensava no que escreveria aqui e que achei bem interessante (e bem pertinente com o que eu trouxe): O mito do “professor nativo” no ensino de línguas estrangeiras.

Como aprender novas línguas

Talvez vocês não saibam, mas desde 2015 dou aulas de italiano. Comecei com um grupo, depois entrei também no mundo das aulas particulares; já dei cursos curtos e de longa duração. E se existe uma certeza é a de que dar aulas é muito bom! Mas, como professora, eu prezo pela autonomia dos meus alunos.

Além de dar aulas de italiano eu também adoro aprender outras línguas. Já estudei inglês, um pouco de francês e agora estou aprendendo libras (quem segue o Blog lá no instagram talvez tenha visto o que postei um dia, no stories, e pretendo fazer posts especiais sobre isso por lá).

Da junção do meu gosto por aprender línguas e da minha vontade de dar autonomia aos meus alunos, busco sempre ferramentas que possam nos auxiliar nessa tarefa. Se você já tem o hábito de aprender um pouco de línguas por conta própria, talvez aqui não surjam grandes novas ideias, mas não me custa nada mostrar o que eu uso e recomendo!

  • Aplicativos

Não poderia deixar de começar essa lista falando sobre aplicativos para aprender línguas. Eles são fáceis de encontrar nas lojas de nossos celulares e são atrativos por serem dinâmicos e exigirem uma participação ativa do usuário. Mas, por vezes, pode ser difícil encontrar um que realmente satisfaça as nossas necessidades. Por isso, vou falar rapidinho aqui sobre três que já usei (com a ressalva de que usei há alguns anos e sabendo que eles mudaram muito de lá para cá):

Duolingo: como todo mundo que já usou ele alguma na vez na vida fala, ele é bom para aprender vocabulário. E é basicamente isso. Porque mesmo as frases que aparecem nele, dificilmente usaríamos no cotidiano. O que eu gostava era que, para o italiano, eu tinha que “aprender” a partir do inglês (o aplicativo trabalha basicamente com tradução de uma língua para a outra), então eu já praticava as duas línguas.

Mensrise: esse eu usei brevemente, porque achava ele um pouco confuso. Mas era melhor que o duolingo, ensinando construções frasais úteis e um pouco de gramática.

Busuu: o meu queridinho entre os três. Cheguei até a pagar para usá-lo (não era um valor absurdo). Nele eu podia aprender vocabulário e gramática, além de fazer exercícios escritos (resposta livre) e orais, que eram corrigidos por falantes daquela língua. E eu também poderia corrigir os exercícios de quem estava aprendendo português, por exemplo.

  • Sites

As indicações de sites para aprender línguas variam de idioma para idioma, mas tem um que vale para muitos deles e que eu amo: Lyrics Training. Qual é a ideia do site? Você escolhe uma música na língua que está estudando, escolhe a dificuldade que quer para o jogo e, conforme vai ouvindo a música, tem de ir completando algumas palavras. É ótimo para treinar o ouvido, mas também um pouco da escrita.

Na categoria sites, indico ainda que você procure dicionários online da língua em questão. Mas não apenas os dicionários comuns, como também os de sinônimos e contrários, para enriquecer o vocabulário.

  • Outras dicas

O que mais eu faço para aprender uma nova língua? Coloco meu celular e redes sociais naquele idioma, procuro vídeos no youtube (e você pode, por exemplo, escolher um assunto que goste e procurar vídeos sobre isso), sigo páginas no instagram que ensinem aquele idioma ou que são de pessoas que falem aquele idioma ou ainda de jornais locais. Também, quando já me sinto um pouco mais segura, me arrisco a ler livros (pequenos, de início) na língua em questão, já que ler é uma das coisas que mais gosto de fazer.

Com relação a livros, porém, fica a ressalva de que é importante prestar atenção a quando o livro foi escrito, para não nos depararmos com uma escrita antiga e ainda mais difícil de compreender, o que só nos frustaria.

Escrever também é uma ótima forma de memorizar o que você está aprendendo, além do clássico falar na frente do espelho para praticar a pronúncia. Experimente se gravar falando, para poder analisar e melhorar a própria pronúncia.

Para quem se interessa pela gramática da língua estudada, também vale a pena procurar por exercícios online, isto é, sites que te dão um feedback automático, assim você pode ter ideia de como está realmente se saindo.

Na minha opinião, porém, nada disso substituiu um bom curso de línguas, seja com aulas particulares ou em grupos. Isso porque quando nos propomos a seguir um curso, temos um professor que nos cobra com relação ao nossos avanços e temos ao menos mais uma pessoa com quem nos comunicar verdadeiramente. Estudar autonomamente exige uma disciplina que muitos de nós não tem.

E você, o que acha sobre isso? Gosta de estudar novas línguas? Como faz para aprendê-las?