Citações #38 — L’ultimo arrivato

Falei sobre L’ultimo arrivato (Marco Balzano) recentemente, mas, como acaba acontecendo quando gosto muito de um livro, diversos quotes ficaram de fora da resenha.

Por ser uma obra italiana, farei o que costumo fazer: vou colocar os quotes em português (tradução livre, feita por mim) e, ao final, os originais, na ordem em que aparecerem aqui, para quem quiser dar aquela espiadinha nessa língua maravilhosa.

A história de L’ultimo arrivato é forte e nos faz refletir sobre aspectos bem diversos de nossa existência, como, por exemplo, amizades e preconceitos:

“Amigos verdadeiros me parece que só se pode ser quando pequenos, quando somos limpos por dentro e não fazemos cálculos de interesse nem outras obscenidades.

E ainda nesse caminho dos preconceitos — e coisas que precisamos desmitificar —, há uma passagem que chamou minha atenção, falando sobre o choro:

“Vendo-me chorar, ficou de boca aberta e me disse que chorar é a última coisa que devemos fazer neste mundo, porque não serve para nada”

Esse trecho chamou minha atenção porque eu sou muito a favor do choro livre, por quem for! (O que não significa, necessariamente, que você vai me ver chorando tão facilmente assim… hahahahah).

E há, ainda, uma passagem sobre a nossa história, o nosso passado e aquilo que, por vezes, não queremos que ninguém veja, porque talvez ninguém seja capaz de compreender:

“Sim, porque os desconhecidos, isso eu entendo quando sento no banquinho frio dos jardins, não têm nada para te perdoar. Nada para esquecer”

O que me faz pensar que o passado de Ninetto, protagonista desta história, não foi nem um pouco fácil, sendo marcado por uma migração forçada e solitária:

“O trem que desce não é o mesmo que sobre. É outra história”

Mas, antes dessa migração, já havia um grande distanciamento da mãe, doente e incapaz de cuidar de seu filho, mas a quem ele ama muito:

“Até o fim, a mudez foi o seu modo de se defender. Da sujeira, dos médicos, da solidão”

Até porque, em sua vida, Ninetto teve poucas pessoas e, menos ainda, pessoas que lhe fossem importantes e cuidassem verdadeiramente dele:

“É uma pena ser filho único. Falta uma palavra importante em seu vocabulário: irmão”

Mas eu estava falando sobre o passado de Ninetto e, ao longo da história, também vamos percebendo que ele carrega mais sombras do que pode parecer em um primeiro momento, o que também lhe causa certa amargura:

“Eu nunca fui uma referência”

Mas essas sombras também são fruto de um erro cometido por ele, um erro gravíssimo:

“Para certos erros não se pode pedir desculpas”

Tal erro faz com que ele seja preso, e a prisão também o transforma muito:

“O cárcere te desabitua inclusive à civilidade. Você esquece dela porque naquela imundície ela é inapropriada”

E é por tudo isso que o início e o fim da vida de Ninetto são tão parecidos: solitários, reflexivos:

“O cárcere cavou um fosso tão profundo que, ao meu lado, sobrou apenas Maddalena”

Eu disse na resenha e reforço aqui: L’ultimo arrivato é um soco no estômago. Uma história inventada, mas que foi real para muitos. Uma história para aprendermos.

E, como prometido, os quotes originais:

“Amici veri mi sa che si può essere solo da picciriddi, quando si è puliti dentro e non si fanno calcoli di interesse né altre oscenità”

“Vedendomi piangere rimase a bocca aperta e mi disse che piangere è l’ultima cosa che bisogna fare a questo mondo perché non serve mai a niente”

“Sì perché gli sconosciuti, lo capisco quando mi siedo sulla panchina fredda dei giardinetti, non hanno niente da perdonarti. Niente da dimenticare”

“Il treno che scende non è lo stesso che sale. È un’altra storia”

“Fino alla fine il mutismo fu il suo modo di difendersi. Dalla sporcizia, dai medici, dalla solitudine”

“È una disdetta essere figli unici. Ti manca una parola importante del vocabolario, fratello”

“Io non sono mai stato un punto di riferimento”

“Per certi sbagli non si può chiedere scusa”

“Il carcere ti disabitua pure alla civiltà. Te la scordi perché in quel luridume è inappropriata”

“Il carcere ha scavato un fossato così profondo che dalla mia parte è rimasta solo Maddalena”

Citações #37 — Poeira Estelar

Recentemente, escrevi uma resenha do conto Poeira Estelar, da Gabriela Araujo, publicado de maneira independente, na Amazon, em 2020.

Como espero ter deixado claro na resenha, esta foi uma história que me conquistou aos poucos, deixando-me totalmente encantada ao final da leitura. Uma narrativa daquelas que aquecem o coração e que realmente surpreendem bastante.

“Em todos os momentos Marta sabia que não tinha controle sobre a velocidade nem sobre o seu destino, mas aquilo não a perturbava”

É fácil notar estes meus sentimentos pela quantidade de trechos da obra que destaquei. E como muitos ficaram de fora da resenha, trago-os aqui para que você também possa sentir esse gostinho e se animar a ler o conto inteiro (indico de verdade a leitura).

“Questionava-se quantas histórias deixou de viver porque foi somente cedendo ao que a vida parecia pedir”

Eu gosto muito — e acabo ficando bem reflexiva — quando leio histórias que falam sobre as nossas escolhas e sobre como deveríamos ser quem queremos ser e não quem os outros querem que sejamos. Tenho o péssimo hábito de tentar a agradar a todos, deixando-me em segundo plano, e histórias assim me fazem pensar sobre isso.

“Nunca pôde ser a mulher que era, pois estava muito ocupada falhando em ser a mulher que queriam que fosse”

Mas Poeira Estelar é encantador porque também mostra, de maneira muito palpável, o processo de amadurecimento de uma garotinha, e como esse crescimento nos faz deixar a criança que há em nós (e, muitas vezes, os sonhos que carregamos) para trás.

“Ela largou de bobagem, como sua amiga diria, e manteve seu foco no futuro que podia traçar. O preço disso foi algumas noites em claro e dias no escuro”

Em mais de um ponto, aliás, a história fala sobre perdas e despedidas, das mais variadas.

“Marta sentia cada vez mais que a vida era uma permanente coleção de despedidas e temia chegar em um ponto em que não teria mais nada”

E a verdade é que esses dois assuntos que acabei de mencionar — o do amadurecimento que nos faz deixar sonhos para trás e o das perdas —, misturam-se de maneira muito bonita na história.

“E evitar mudanças era como tentar segurar a areia entre os dedos. A cada perda, ela foi se despedindo dos próprios sonhos até quase se despedir de si”

Se você ainda não se convenceu a ler Poeira Estelar, mais uma coisa que achei muito bonita na história: o fato da protagonista não apenas crescer (em tantos sentidos), mas também o fato dela ter mudado de cidade, o que a faz viver ainda mais desafios do que ela já vivia. Se você já passou por isso, provavelmente irá se identificar (eu nunca me mudei, sequer de casa ainda, mas as palavras de Poeira Estelar conseguem transmitir muitos dos sentimentos envolvidos).

“Ela se mudou para a cidade e se mudou de si, porque não reconhecia mais a pessoa na qual aos poucos se transformava”

E então, o que achou desses trechos? Que tal adquirir o seu ebook? Boa leitura!

Citações #36 — Céu de menta

Voltei com mais trechos que ficaram de fora da resenha, dessa vez do livro Céu de menta, da autora Camila Martins, uma obra que fala muito sobre demonstrações físicas de afeto, algo um pouco mais difícil para quem é autista:

“O olhar vale muito para ela, ela olha pouco para as pessoas, mas as que ela olha podem ter certeza de que são especiais. As mais especiais do mundo todo!”

“Será ele bobo demais por amar um simples abraço? Bobo é quem não entende o quanto eles são salvadores e poderosos”

Aliás, abraços realmente têm o seu destaque nessa obra!

“Às vezes, o melhor remédio está dentro de um abraço!”

Até porque, Céu de menta é uma obra que fala muito sobre o verdadeiro amor:

“É errado gostar e querer estar perto de quem se gosta? Perto o bastante para sentirem os corações batendo juntos?”

“Amar é bom e torna tudo mais bonito e precioso”

“João sente seu peito inflar de tanto amor. Seus olhos se enchem d’água e ele permite que duas lágrimas serenas desçam, pois é amor transbordando”

E por falar em coisas verdadeiras, o livro também trata das máscaras que nossa sociedade insiste em usar (não as de proteção ao coronavírus, mas as que escondem nosso verdadeiro eu):

“Ela é simples e verdadeira. Não usa máscaras para camuflar defeitos”

E também da falta de afetos que isso gera:

“Assim cresceu Sílvia, cheia de si e vazia dos outros”

O que, ao mesmo tempo, só pode ser curado com afeto verdadeiro (sim, perceba que isso é quase um círculo vicioso):

“Ele é presente até para quem não quer presenças e, principalmente, é presente para quem mais precisa”

“Os idosos têm tanto a ensinar, só os cegos de alma é que não veem isso”

Como comentei na resenha, Céu de menta é uma obra para quem está em busca de protagonismo autista, mas que também quer ler algo leve.

Concluo, aqui, os quotes que eu queria que você conhecesse:

“O infinito é lindo enquanto dura”

E aí, qual foi o seu preferido?

Citações #35 — A bibliotecária de Auschwitz

Eu acabo de descobrir que a última vez que fiz um post de quotes foi em agosto do ano passado. Chocada! Mas senta que hoje temos muitos (muitos mesmo!) trechos de A bibliotecária de Auschwitz, que já apresentei melhor na minha resenha. E a primeira coisa que falei foi que quanto mais leio sobre o holocausto, mais desacreditada fico (ok, não foi bem isso que eu disse, mas serve também).

“Em Auschwitz não há pássaros. Eles morrem eletrocutados nas cercas”

E frases marcantes sobre Auschwitz é o que não falta neste livro. Frases que nos mostram diversas perspectivas do horror que eram os campos de concentração e da (falta de) vida que ali existia.

“Em Auschwitz o tempo não corre, se arrasta”

“Auschwitz não mata só os inocentes, mas também a inocência”

“Assim como as bússolas se desorientam ao se aproximarem do polo Norte, em Auschwitz, os calendários enlouquecem”

“Num lugar como Auschwitz, onde tudo é projetados para fazer chorar, o riso é um ato de rebeldia”

E, como não poderia deixar de ser, há um sentimento que permeia cada página dessa história e que está (ou estava) no coração de cada prisioneiro que viveu esse horror:

“O medo do medo é como correr ladeira abaixo”

“Zombar dos outros é uma maneira de por um esparadrapo nos próprios medos”

Mas não é só o medo que se faz presente. Há também o vazio e o silêncio, sempre à espreita:

“Como o vazio pode ser tão pesado?”

“Nessa noite, milhares de vozes se calam para sempre”

“Quase nunca há algo melhor que o silêncio”

“O mundo fica enorme quando alguém se sente pequeno”

E há, ainda, tudo aquilo que não deixa de existir nem mesmo na pior das condições, ou seja, os mais diversos sentimentos que nós, humanos, sentimos:

“Às vezes precisamos dizer o que sentimos por dentro”

“Enquanto continuarem rindo, nada estará perdido”

“Talvez o amor seja isso: compartilhar o frio”

“Ninguém sabe quanto sofrimento ainda resta aos que ficam”

“Basta ser feliz pelo tempo que um fósforo leva para acender e apagar”

Se você (ainda) não leu a resenha de A bibliotecária de Auschwitz, talvez não saiba que a protagonista é uma jovem. Este livro, portanto, também nos fala muito sobre o que é ser jovem em um campo de concentração.

“Dita suspira agarrada aos livros. Ela se dá conta com tristeza que foi nesse dia e não no de sua primeira menstruação que abandonou a infância, porque deixou de ter medo de esqueletos ou das velhas histórias de fantasmas e começou a temer os homens”

“Na juventude, um ano é quase a vida inteira”

“Ela é jovem demais para entender quão difícil é para uma mãe não poder dar uma infância feliz a um filho”

E, como o título já nos indica, a importância dos livros também se faz muito presente nesta narrativa, nos mostrando como até mesmo no pior dos lugares ele torna-se um salva-vidas e/ou um refúgio.

“Os livros guardam em suas páginas a sabedoria de quem os escreveu. Os livros nunca perdem a memória”

“Embarcara no trem da leitura. Naquela noite, sentiu a emoção de uma descoberta, de saber que não importava quantas barreiras seriam impostas por todos os Reichs do planeta, porque, se houvesse um livro, ela poderia saltar todas”

“Começar um livro é como subir num trem rumo às férias”

“As palavras são importantes”

Em Auschwitz as palavras são importantes não apenas pelas histórias que carregam, mas pelo valor ainda maior que a verdade passa a ter ali dentro. Na realidade, esse bem passa a ser uma raridade dentro dos campos de concentração, onde cada um luta para sobreviver, custe o que custar.

“Ele se levanta satisfeito consigo mesmo. Tão satisfeito quanto pode estar um homem que silencia a verdade”

“A verdade é a primeira vítima da guerra”

“Mais uma vez, a verdade era outra”

Na resenha de A bibliotecária de Auschwitz eu também comentei que esse livro aborda temas importantes, para além do terror do holocausto e da guerra. Destaco aqui dois trechos que podem nos dar uma ideia disso:

“Esse é o problema dos mitos: nunca caem, se derrubam”

“A verdadeira doença é a intolerância”

E por fim, claro, esse livro nos deixa claro as marcas que esse circo de horrores deixou em tantas pessoas:

“Quando estamos num manicômio, o pior que pode acontecer é sermos lúcidos”

“A paz não cura tudo, pelo menos não tão depressa”

Ficou com vontade de ler esse livro? Então vem aqui.

Citações #34 — Eu quero mais

Como sempre acontece quando trago um post recheado de citações como esse, eu espero, antes de tudo, que tenha ficado claro na resenha o quanto eu amei o livro. A obra da autora Tayana Alvez é incrível e nos faz pensar sobre tantos assuntos que somente uma resenha não é suficiente para abarcar essa imensidão!

“Não me encaixo aqui porque nunca fiz parte desse mundo”

Elizabeth é uma mulher que tem muito a nos ensinar, e com a qual também podemos nos identificar em diversos aspectos.

“Todas as vezes que me abri para as pessoas, elas me machucaram”

E claro, ela tem os motivos dela para ser assim. Tem a história dela por trás de tudo.

“Ele partiu você em muitos pedaços”

E todos os personagens, na verdade, são assim nesse livro: cheio de histórias.

“Há um ano ele estava feliz, vivendo um sonho, cheio de planos e agora ele estava perdido”

Isso porém, não justifica certos comportamentos, como o relacionamento abusivo no qual Elizabeth se vê no decorrer da história.

“Quero agradecer por esse ano e por todas as vezes que você engoliu sapos e passou por cima de si mesmo para manter o nosso relacionamento intacto”

E apesar disso, esta é uma obra capaz de nos ensinar o verdadeiro significado de amor.

“É amor, Elizabeth, o amor não é egoísta”

Capaz de nos fazer enxergar a necessidade de perdoar o passado para seguir em frente.

“Se o passado ainda atrapalha o seu presente, ele não foi completamente superado”

E, principalmente, que nos mostra como devemos ser nós mesmos e nada mais ou nada menos que isso.

“Não gosto de te ver se podando por causa dos outros”

Para concluir, claro que um livro incrível desses não poderia deixar de falar também sobre o poder da música, não é mesmo?

“O efeito da música nas pessoas é curioso e inebriante, músicas são capazes de fazer coisas que simples frases soltas não são”

Não deixe de ler Eu quero mais. Um livro que vai te fazer refletir sobre tudo isso que eu mencionei aí em cima e muito mais.

“Sim, mas vivo uma vida de mentira que vai acabar em pouco mais de um ano”

Citações #33 — Não inclui manual de instruções

Quando escrevi a resenha de Não inclui manual de instruções, ela já foi recheada de trechos do livro, mas muitos outros ainda ficaram de fora, afinal, trata-se de um livro que aborda algumas temáticas que considero muito importante.

A começar pelo fato que o protagonista tem síndrome de asperger e que, portanto, são apresentadas algumas perspectivas com relação a isso.

“Estava começando a perceber que Conor era do tipo de pessoa que não costumava permitir que alguém entrasse em sua redoma”

Pouco a pouco vamos conhecendo alguns dos hábitos e manias de Conor e entendendo um pouco melhor como funciona a mente de um aspie.

“Ao contrário da maioria das pessoas que leem livros para fugir da realidade, Conor os usa para dar sentido a ela”

E, a partir do momento que vamos compreendo isso, vamos aprendendo que eles são tão humanos quanto nós.

“Algo que sempre me assustou foi ser visto como uma aberração”

Uma das maiores dificuldades para um aspie é, provavelmente, a comunicação, principalmente porque eles costumam ser muito literais!

“Seria muito melhor que as pessoas pudessem aprender a ficar confortáveis com o silêncio, pelo menos de vez em quando”

E é por isso que a autora pode, também, explorar a importância da comunicação para o viver em sociedade.

“Você sabia que a comunicação é muito subestimada?”

Outro ponto de dificuldade para quem tem asperger é com relação a demonstrar sentimentos.

“Sei que não é culpa sua, que não percebe, mas não é fácil dar carinho a alguém e sentir que não está recebendo esse carinho de volta”

Mas isso, claro, não significa que eles não sentem nada. Muito pelo contrário, aliás, afinal, são humanos, certo?

“Às vezes, quando gostamos de verdade de alguém, nos parece tão óbvio que não há como essa pessoa não notar”

Esses eram os trechos que não couberam na resenha, mas que eu destaquei durante a minha leitura, porque me fizeram pensar sobre esses pontos que acabo de trazer. O que acharam? Ficar com vontade de ler Não inclui manual de instruções?

Citações #32 — A casa de vidro

Quem leu minha resenha do livro A casa de vidro deve ter visto que eu não entendi muito bem a história, mas que, mesmo assim, gostei de alguns aspectos dela. E também me encantei com diversos trechos que destaquei ao longo da leitura, mas nem todos couberam no post anterior. Por isso, hoje vamos de quotes de A casa de vidro. Já adianto que será um post curto, mas necessário. Fica comigo até o final que eu explico melhor isso.

Coisa encantadora, o corpo humano… O quanto ele é capaz de fazer e desfazer e quão frágil ele é! Um copo de bebida estranha e toda a estrutura desmonta”

Esse foi um aspecto que me chamou a atenção ao longo da leitura: a visão de um não humano em relação a nós e a como agimos e vivemos. No trecho acima, faz-se uma menção às bebidas alcoólicas e ao alcoolismo.

Esse mesmo ser também é capaz de compreender (e descrever) como funcionam nossas relações e como, por vezes, vemos verdades onde elas não existem.

“Amor não é algo que exista por decreto. Nem mesmo entre gente da mesma matriz”

E, por falar em amor, há um trecho em que esse mesmo personagem nos faz refletir sobre algo muito importante: a nossa relação com os sentimentos, principalmente em contraposição à razão.

“Vocês creditam ao coração a coragem e a bondade, não é?”

E, para terminar, um trecho para nos fazer refleti sobre como, por vezes, precisamos de uma “sacudida” na vida.

“As duas revelações lhe foram brutais, mas ao atravessar a brutalidade ele encontrou algum tipo de existência”

Foram poucos trechos que haviam ficado de fora, mas achei que eram frases muito importantes para deixar para trás e, por isso, quis trazê-las aqui para vocês. Alguma, em especial, te chamou a atenção?

Citações #31 — Cadeados

Citações #31

Depois de ler Cadeados, da autora brasileira Nuccia de Cicco, foram muitos os sentimentos que ainda ressoaram dentro de mim. Sentimentos, aliás, foi algo que comentei bastante na minha resenha desse livro, publicado pela editora The Books. Mas também foram muitos os trechos incríveis que destaquei durante a minha leitura, que, no entanto, tive de deixar de fora da resenha. Agora, porém, trago-os aqui, em mais um Citações!

“Fiquei tão preocupada em desvendar as sensações do mundo do silêncio que esqueci de todo o resto”

O primeiro sentimento sobre o qual falei em minha resenha foi a aflição, fruto do trágico acidente inicial.

“Chegava a ser incrível a capacidade que um ser humano tem para aguentar tanta porrada da vida”

Depois da aflição veio a agonia. Essa sensação me acompanhou por boa parte do livro, e por motivos diversos. Primeiro, pelo medo de se perder algo que estamos habituados a ter.

“Um dia você tem todos os sons. No seguinte, mais nada”

Agonia também por ver que quem poderia ajudar, precisava igualmente de ajuda.

“Um dia, Íris não aguentaria toda essa carga que sustentava sozinha”

E claro, agonia por ver uma pessoa tão jovem praticamente desistir de viver, mas sem desistir da vida (e, por mais contraditório que isso possa parecer, se você leu o livro, entenderá que faz sentido)

“Íris não me contou o que pretendia fazer, tampouco me perguntou o que eu achava. Confesso que não me importei. Tinha dor demais para lidar”

Essa tal agonia também se misturou com outro sentimento que se fez muito presente ao longo da leitura, a tristeza. Esta se deu, em grande medida, pela dureza de ver alguém se fechar em seu próprio mundo, mesmo tendo pessoas dispostas a mostrar que havia caminhos e soluções.

“Havia novos cadeados me prendendo dentro de mim mesma. Eu estava cercada de gente e totalmente só em um mundo exclusivo meu”

Mas foi triste também ver essa protagonista fechada não apenas em seu mundo, mas em seu quarto.

“Em algum lugar da minha mente, o mundo lá fora era sinônimo de caos, doença e desespero. As cores estavam desbotando em tudo e todos”

Mesmo sabendo que aquela não era a melhor saída.

“Meu quarto era meu refúgio e minha prisão”

Mas esse foi, também, um livro que me fez sentir alegria. Principalmente ao poder ver a protagonista se reerguendo.

“Sem o som, eu passei a ouvir com o tato e meus olhos”

E, depois de tudo o que mencionei, imagino que tenha ficado evidente o quanto pude aprender com essa história!

“Ninguém sabe encarar a própria dor e todos teimam em fazer isso sozinhos”

E o quanto eu imagino que pessoas diversas podem se identificar com ela, de alguma forma.

“De algum jeito, com todos os seus demônios, a vida continuava seguindo o rumo”

E também o quanto ficamos reflexivos depois.

“Não dá para superar algo do qual se sente falta todos os dias”

Em resumo, leiam Cadeados: o amor é a chave e conversem sobre esse livro!

“Para todo mundo, eu perdera apenas a audição. Para mim, perdera toda minha vida”

Citações #30 — Os guardiões dos livros

Citações #30

Quem leu minha resenha de Os guardiões dos livros deve ter percebido (espero eu) o quanto eu amei essa história escrita pela autora Ana Farias Ferrari e publicada em 2019 pela Editora Cartola. O que vocês provavelmente não sabem é que tive de deixar vários trechos incríveis de fora da resenha. Mas ao menos tenho a oportunidade de trazê-los aqui!

“ela é capaz de se entregar às histórias por inteiro, e não por partes”

O que tanto me encanta nesse livro é o fato dele falar sobre sentimentos diversos e de maneiras diversas, aos poucos, com sensibilidade.

“Ela não precisou falar mais nada, apesar do escuro eu sabia das suas lágrimas e sabia que não tinha muito o que fazer, às vezes as palavras certas eram aquelas não ditas”

Também é uma história que traz muitas descobertas sobre nós mesmos e por meio de personagens tão jovens.

“Mais uma vez eu estava fazendo apenas o que era esperado de mim, mesmo que significasse não me sentir inteiro, e isso precisava mudar”

E, ainda por cima, o livro consegue ser dolorosamente atual.

“é muito difícil se manter apaixonado quando pessoas começam a morrer”

Durante a leitura acompanhamos um crescimento pessoal dos personagens, que vivem coisas que jamais esperariam viver, de maneira muito bonita também.

“era difícil ficar bravo quando a pessoa que te criou fez isso às custas da própria felicidade e não demonstra mágoa nenhuma”

E claro que, de muitas formas, o maior dos sentimentos se faz presente ao longo dessas páginas.

“Quando você ama alguém, ela nunca se torna un fardo”

Eu realmente me encantei com Os guardiões dos livros e espero que um dia vocês possam dar uma chance a esse livro!

Citações #29 — Dois garotos se beijando

citações #29

Quando eu escrevi a resenha de Dois garotos se beijando, tentei demonstrar o quanto esse livro me tocou. Não sei se consegui, mas vai aqui uma segunda chance, trazendo alguns dos quotes que deixei de fora do primeiro post.

“O silêncio só faz mal quando há coisas que não estão sendo ditas, ou quando há medo de que o poço esteja seco e não haja nada a ser dito”

(pg. 83)

Como eu disse na resenha, esse é um livro que fala de sentimentos. E sentimentos de todo tipo.

“Quanto menos ligações você tem com o mundo, mais fácil é ir embora”

(pg. 187)

Uma das coisas mais tocantes de Dois garotos se beijando, porém, é como ele aborda as questões familiares. Ainda mais por se tratar de um livro sobre/para adolescentes, em uma fase em que tudo na vida parece ganhar novas perspectivas.

“É difícil parar de ver seu filho como seu filho e começar a vê-lo como ser humano. É difícil parar de ver seus pais como pais e começar a vê-los como seres humanos. É uma transição bilateral, e pouquíssimas pessoas conseguem fazê-la com tranquilidade”

(pg. 96)

E uma vez mais os sentimentos predominam, nos fazendo recuar, ter medo de decepcionar o outro, mas, ao mesmo tempo, querer se tornar aquilo que se é (ou que se virá a ser). Confuso? Bem, nós também temos a nossa dose de confusão nessa vida.

“Não há nada mais doloroso do que ver alguém desistir de você. Principalmente se for sua mãe”

(pg. 35)

O importante é lembrar que tudo passa. Sempre.

“Tudo fica melhor depois de uma noite de sono”

(pg. 26)
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