Anglicismos: por que usamos cada vez mais palavras em inglês? [tradução 12]

Acabo de perceber que dei início a este projeto de traduzir um artigo por mês há um ano! E tem sido bem gostoso fazer isso, poder conversar com vocês sobre assuntos pertinentes ao blog e, ao mesmo tempo, exercitar minha tradução do italiano para o português.

Inicialmente, pensei que o artigo de hoje faria mais sentido para os italianos que para nós, pois tenho a impressão de que eles realmente usam muito mais o inglês em expressões nas quais poderiam usar a própria língua (um exemplo bem cotidiano: eles poderiam falar fine settimana, para se referir ao final de semana, mas acabam usando weekend). Porém, foi só pensar no universo literário que logo me deparei com inúmeras palavras em inglês (não só desse universo, mas muito usadas aqui): TBR (to be read), wishlist, hype, spoiler

Então vamos ver o que PrM 1 achava sobre o assunto em 6 de maio de 2017, conforme artigo publicado aqui.


Tem que a ame e a use despropositadamente, e quem, por outro lado, a odeie e se desdobre em traduções às vezes imprecisas. As palavras estrangeiras usadas em italiano, cujo nome técnico é estrangeirismo, não são uma novidade da última década. Todas as línguas estão sujeitas a trocas e empréstimos e, assim, nós, italianos, acabamos dizendo toilette e os falantes de cerca de 37 línguas se cumprimentam com o nosso ciao. O mundo de hoje, cada vez mais globalizado e internacional, nos faz, porém, progressivamente adotar palavras estrangeiras no nosso dicionário dia após dia, a maior parte das quais são anglicismos, isto é, palavras inglesas.

Cada vez mais internacionais

Nos dias de hoje, quase todo mundo sabe ao menos duas línguas e quem não sabe tenta aprender pelo menos o inglês com a ajuda de site e aplicativos como o Duolingo, que conta com cerca de 300 milhões de usuários de todo o mundo. Mesmo sem se empenhar muito, porém, estamos em contato com palavras em inglês todos os dias, simplesmente ligando a TV ou folheando um jornal. O inglês é, de fato, a língua franca atual e todos os negócios políticos e econômicos internacionais são realizados nesta língua. Os termos técnicos, portanto, sequer são traduzidos, para facilitar a compreensão de ambas as partes. Uma características dessas palavras é, de fato, a ausência de uma real tradução para o italiano, ou, quando existe, o termo em inglês indica uma nuance específica. Assim, o selfie, hit de 2013, não é simplesmente um autorretrato.

O advento da internet e das redes sociais deu vida a um novo e riquíssimo vocabulário. Muitas destas palavras não existiam antes no dicionário e coube aos usuários escolher entre usar uma tradução ou mantê-las em inglês. O inglês, na maioria das vezes, ganhou, inclusive porque certas palavras traduzidas ao italiano soam um pouco mal. Internet se liga, também, ao conceito de globalização: graças à rede, a cada dia temos a oportunidade de ler conteúdos em outras línguas, seguir as tendências estrangeiras e nos manter em contato com nossos amigos que estão no exterior. Desta forma, entramos em contato com palavras estrangeiras que, involuntariamente, adotamos na nossa linguagem e que nos convém manter em inglês para facilitar a comunicação com todos aqueles que estão na internet e que não falam a nossa língua.

Palavras diferentes, mundos diferentes

Se os anglicismos permeiam a vida cotidiana, existem âmbitos nos quais eles são mais difundidos. Muitos desses são, claro, relacionados ao mundo da internet ou das relações internacionais, mas a ligação não é sempre óbvia assim. No mundo universitário, pelo fato de que a pesquisa e o desenvolvimento em certos campos acontecem principalmente no exterior, são adotados diversos termos estrangeiros e um diplomado fala, muitas vezes, do seu campo usando vocabulários específicos em inglês. O mundo do trabalho das empresas é cada vez mais internacional e tem adotado cada vez mais termos estrangeiros. Hoje é mais fácil ouvir no escritório palavras como brief, call, deadline ao invés de reunião, telefonema, prazo final. As nuances de significado são parecidas, mas essas palavras são usadas estritamente para o léxico relacionado a trabalho. Outros termos como freelance não são exatamente traduzíveis e um freelancer precisa entender de anglicismos para trilhar seu caminho no mundo do trabalho. Para ampliar sua rede de cliente, muitas vezes precisa contar com sites como UpWork e pode acabar trabalhando até para clientes não italianos. Outro ambiente rico em termos ingleses é o das apostas. Abrindo qualquer site de jogos é fácil perceber que atualmente os termos mais usados em um jogo e o próprio nome dele são, geralmente, em inglês. Assim, os giros geralmente são spin ou free spin e os símbolos são chamados de wild e scatter. Mesmo nesse caso, dada a origem estrangeira desses jogos, as traduções não são sempre necessárias e os termos em inglês tornam-se específicos para este campo. Desde a fundação do Facebook, em 2014, houve uma inundação de novas redes sociais e de novos termos usados para descrever as várias funções delas. Abrindo uma rede social qualquer, portanto, contaremos os nossos follower e olharemos a página de alguns influencer. Os termos das redes, porém, são aqueles mais italianizados, dando vida a nova palavras que são um misto de inglês e italiano, como taggare ou addare. Se as amamos ou odiamos, não podemos mais viver sem algumas palavras inglesas na nossa língua cotidiana, porque nos faltariam alguns instrumentos comunicativos fundamentais. Só nos resta integrar a nossa língua a esses novos termos e torná-los nossos, talvez pronunciando-os de uma maneira totalmente italiana.


E aí, qual a sua opinião sobre o assunto? Creio que podemos fazer muitas ressalvas a esse texto, ainda mais se pensarmos que o contexto brasileiro é bem diferente do italiano. Mas também há algumas reflexões bem interessantes, não?

Para concluir de verdade, só queria dizer que foi engraçado traduzir este artigo, pois realmente há mais termos que os italianos continuam a usar em inglês e que, na tradução, consegui passar para o português, como redes sociais (apesar de existir rete sociali eles acabam usando social). Por outro lado, há um momento em que usei o termo hit e, neste caso, no texto italiano, havia um termo na língua deles que, em português, não há uma tradução muito exata e que seja melhor que hit.

Agora imagine você o nó que deu aqui para traduzir tudo isso, hein!?

O som no fim do túnel — N. R. Melo

Título: O som no fim do túnel
Autora: N. R. Melo
Editora: Publicação independente
Páginas: 173
Ano: 2018

Títulos com a palavra “som” sempre chamam a minha atenção. Quando bati o olho na sinopse dessa história, só consegui pensar que precisava muito dela. Ainda assim, dentre tantos ebooks, acabei postergando a leitura deste. E quando finalmente comecei, não foi uma leitura que me prendeu rapidamente, mas, ao mesmo tempo, eu queria saber onde tudo acabaria.

“Ambos insatisfeitos, ambos tão frágeis a ponto de desconsiderarem que deveriam possuir algo em comum, a humanidade”

No início, somos apresentados a Cecília e logo descobrimos que ela é jovem, professora e que está esgotada.

“Por alguns segundos, pensou em dormir de novo, mas o que ela tinha não era sono ou cansaço físico, era pior: cansaço mental, psicológico e pouquíssima vontade de viver”

Mas também logo ficam claras as razões de tal esgotamento: Cecília mora em Niterói e trabalha em uma escola estadual localizada próxima a uma comunidade, na cidade do Rio de Janeiro. Não bastasse trabalhar em uma escola que nós — que não temos esse contato e nem conhecimento dessas realidades — chamamos de “difícil”, Cecília seguia uma carreira que sequer era a que ela um dia sonhara.

Imagine querer ser artista — mais exatamente uma cantora — e ver seus sonhos podados por outros? Por pessoas que você ama. Foi o que aconteceu com Cecília, levando-a a seguir esse caminho inesperado e tortuoso.

“Na verdade, ele sabia que ela tinha talento, mas tinha medo de perdê-la para o mundo artístico. No fim das contas, ele a perdeu de qualquer forma”

Mas também é nessa escola que Cecília conhece alguém que irá fazê-la ir atrás de seus sonhos. E, ainda no começo da história, a vemos feliz, voltando de uma tarde inspiradora. Até que temos o acontecimento que muda sua vida: um arrastão no qual seu notebook — item essencial para o trabalho desenvolvido durante toda aquela tarde — é levado embora.

Paralelamente à história de Cecília, vamos conhecendo a história de Maycom Douglas, um garoto que mora na comunidade — e claro que é a comunidade próxima à escola em que Cecília trabalha — e que vive uma realidade daquelas difícil de explicar: a mãe abandonara a família há muito tempo e o pai, Joaquim, vivia bêbado pelos cantos, sempre acusando Maycom pelo abandono da mãe. Sobrava-lhe o irmão mais velho, Jefferson, que era quem tentava manter Maycom Douglas nos trilhos, para que o menino tivesse um futuro.

Jefferson tentava manter o irmão mais novo nos trilhos, enquanto estava metido no tráfico, tentando prover o sustento da casa. Ele conhecia bem aquela realidade e não a desejava para Maycom. Mas houve um dia em que Maycom quis experimentar a vida do crime. O exato dia em que Cecília se viu em um arrastão. E essa foi apenas a primeira vez em que os destinos desses personagens se cruzaram.

A narrativa de O som no fim do túnel é muito intensa e uma coisa fica bem clara: não existe bem e mal. Se o que contei aqui faz parecer que Cecília é uma vítima, saiba que apresentei apenas o começo da história e que essa moça privilegiada também comete erros bem complicados de se explicar, ao passo que Maycom é apenas um garoto que sempre viu a violência, mas que sempre buscou o amor.

“Era como se ambos estivessem presos a um túnel e, por mais que caminhassem no intuito de encontrar a luz, faltava aquele estímulo que ilumina as paredes próximas à saída. Até aquele momento, só o que viam era a escuridão”

E, felizmente, o título não me enganou: a música faz-se presente na história, como um fio que une duas histórias aparentemente tão diversas e distantes. Cecília buscava seu lugar no mundo da música, assim como Maycom, que descobriu-se apaixonado pelo mundo do rap e das rimas.

“Há quem diga que já aprendeu mais lições com as batalhas de rima do que na própria escola regular”

O som no fim do túnel é uma obra que retrata uma realidade dura, mas existente no Brasil. Uma narrativa que merece ser lida, mas que é preciso certo estômago para encarar. Gostei bastante de ter tido a possibilidade de ler este livro e, se você quiser ler também, clique aqui.

Citações #35 — A bibliotecária de Auschwitz

Eu acabo de descobrir que a última vez que fiz um post de quotes foi em agosto do ano passado. Chocada! Mas senta que hoje temos muitos (muitos mesmo!) trechos de A bibliotecária de Auschwitz, que já apresentei melhor na minha resenha. E a primeira coisa que falei foi que quanto mais leio sobre o holocausto, mais desacreditada fico (ok, não foi bem isso que eu disse, mas serve também).

“Em Auschwitz não há pássaros. Eles morrem eletrocutados nas cercas”

E frases marcantes sobre Auschwitz é o que não falta neste livro. Frases que nos mostram diversas perspectivas do horror que eram os campos de concentração e da (falta de) vida que ali existia.

“Em Auschwitz o tempo não corre, se arrasta”

“Auschwitz não mata só os inocentes, mas também a inocência”

“Assim como as bússolas se desorientam ao se aproximarem do polo Norte, em Auschwitz, os calendários enlouquecem”

“Num lugar como Auschwitz, onde tudo é projetados para fazer chorar, o riso é um ato de rebeldia”

E, como não poderia deixar de ser, há um sentimento que permeia cada página dessa história e que está (ou estava) no coração de cada prisioneiro que viveu esse horror:

“O medo do medo é como correr ladeira abaixo”

“Zombar dos outros é uma maneira de por um esparadrapo nos próprios medos”

Mas não é só o medo que se faz presente. Há também o vazio e o silêncio, sempre à espreita:

“Como o vazio pode ser tão pesado?”

“Nessa noite, milhares de vozes se calam para sempre”

“Quase nunca há algo melhor que o silêncio”

“O mundo fica enorme quando alguém se sente pequeno”

E há, ainda, tudo aquilo que não deixa de existir nem mesmo na pior das condições, ou seja, os mais diversos sentimentos que nós, humanos, sentimos:

“Às vezes precisamos dizer o que sentimos por dentro”

“Enquanto continuarem rindo, nada estará perdido”

“Talvez o amor seja isso: compartilhar o frio”

“Ninguém sabe quanto sofrimento ainda resta aos que ficam”

“Basta ser feliz pelo tempo que um fósforo leva para acender e apagar”

Se você (ainda) não leu a resenha de A bibliotecária de Auschwitz, talvez não saiba que a protagonista é uma jovem. Este livro, portanto, também nos fala muito sobre o que é ser jovem em um campo de concentração.

“Dita suspira agarrada aos livros. Ela se dá conta com tristeza que foi nesse dia e não no de sua primeira menstruação que abandonou a infância, porque deixou de ter medo de esqueletos ou das velhas histórias de fantasmas e começou a temer os homens”

“Na juventude, um ano é quase a vida inteira”

“Ela é jovem demais para entender quão difícil é para uma mãe não poder dar uma infância feliz a um filho”

E, como o título já nos indica, a importância dos livros também se faz muito presente nesta narrativa, nos mostrando como até mesmo no pior dos lugares ele torna-se um salva-vidas e/ou um refúgio.

“Os livros guardam em suas páginas a sabedoria de quem os escreveu. Os livros nunca perdem a memória”

“Embarcara no trem da leitura. Naquela noite, sentiu a emoção de uma descoberta, de saber que não importava quantas barreiras seriam impostas por todos os Reichs do planeta, porque, se houvesse um livro, ela poderia saltar todas”

“Começar um livro é como subir num trem rumo às férias”

“As palavras são importantes”

Em Auschwitz as palavras são importantes não apenas pelas histórias que carregam, mas pelo valor ainda maior que a verdade passa a ter ali dentro. Na realidade, esse bem passa a ser uma raridade dentro dos campos de concentração, onde cada um luta para sobreviver, custe o que custar.

“Ele se levanta satisfeito consigo mesmo. Tão satisfeito quanto pode estar um homem que silencia a verdade”

“A verdade é a primeira vítima da guerra”

“Mais uma vez, a verdade era outra”

Na resenha de A bibliotecária de Auschwitz eu também comentei que esse livro aborda temas importantes, para além do terror do holocausto e da guerra. Destaco aqui dois trechos que podem nos dar uma ideia disso:

“Esse é o problema dos mitos: nunca caem, se derrubam”

“A verdadeira doença é a intolerância”

E por fim, claro, esse livro nos deixa claro as marcas que esse circo de horrores deixou em tantas pessoas:

“Quando estamos num manicômio, o pior que pode acontecer é sermos lúcidos”

“A paz não cura tudo, pelo menos não tão depressa”

Ficou com vontade de ler esse livro? Então vem aqui.

Loucuras de Verão (antologia)

Título: Loucuras de Verão
Autor: vários autores
Organização: Tati Iegoroff
Editora: Lettre
Páginas: 174
Ano: 2021

Logo logo chegam as águas de março, fechando o verão, mas, antes disso, por que não ler esta antologia quentinha? Claro que eu sou suspeita para falar qualquer coisa, pois sou a organizadora dela, mas estou muito feliz em ver tantos autores incríveis reunidos em um só lugar (e isso eu posso falar, já que só organizei a antologia, não contribuí com nenhum texto meu!). E sabe da melhor? Essa antologia é gratuita! Isso mesmo, você pode ler todos esses textos incríveis sem pagar nada por isso (já já explico melhor).

“Naquele pequeno fragmento de realidade eu era infinito como o oceano”

(Amor à primeira vista — Abraão Nóbrega)

Há quem ame e quem odeie o verão que, assim como qualquer outra estação do ano, tem o seu lado bom e o seu lado ruim. Se bem que também há quem diga que no Brasil só temos essa estação! Em que time você está?

Eu, confesso, não gosto de extremos: nem muito calor, nem muito frio. Mas o sol com certeza me dá uma alegria que aqueles dias cinzas logo espantam. Foi por isso que pensei que uma antologia leve, deveria ser sobre o verão, sobre férias, sobre aventuras e, por que não, sobre amor.

“Se a vista já valia a pena por si só, ambos sabiam que, para eles, aquela vista sempre seria descrita mil vezes mais bela do que, de fato, era”

(Uma semana de gelato e amor — Carolina Mantovani)

A proposta de “Loucuras de verão” era, portanto, reunir textos leves e, claro, relacionados ao verão. E isso os autores souberam fazer com maestria. Tem até história que se passa na neve, mas que soube muito bem captar o espírito da antologia!

“Naquele instante, o verão ficou frio”

(2000 verões — Alvaro Tallarico)

Algo que achei incrível foi a variedade de temas que surgiram para a composição da antologia. Sim, o fio condutor é a estação mais quente do ano, mas há textos mais reflexivos, inclusivos, aventureiros, românticos, de fantasia… Tirando quem curte terror, tem para todos os gostos!

“Muitos outros verões estavam por vir”

(Amor no Araguaia — Rubem Gleison)

Ao todo, Loucuras de verão conta com 22 textos. Sendo uma antologia, é possível apreciá-la aos poucos, como quem toma um sorvete. E ela também não foi feita para ler apenas no verão, porque há contos que são capazes de aquecer seu coração mesmo nos dias mais frios do ano.

“— Tu sofre estando sozinha, eu sofro estando com a minha mãe preocupada comigo todos os dias. Eu tenho dores que correm da ponta dos meus dedos da mão até os dos pés, tu tem dores nos olhos cansados de tanto ler palavras sem sentido. Eu sei que parece diferente, mas é que dor não tem medida”

(Não importa a forma que a gente exista — Grazi Ruzzante)

Como eu disse lá no início, esta é uma antologia gratuita. Então, se você tem interesse em conhecer esse trabalho (e se me permite um conselho: conheça!) basta clicar aqui e garantir o seu arquivo.

Música: versão brasileira ou italiana?

Você sabia que existem músicas que têm uma versão em português e outra em italiano? Eu já comentei sobre uma delas neste post, mas hoje venho aqui para fazer um apanhado que, espero eu, vai te surpreender!

Vamos começar com algumas combinações bem fáceis (e também as primeiras que descobri): Laura Pausini e Sandy & Júnior. Sim! Você conhece Inesquecível? Ela é uma adaptação de Incancellabile, lançada em 1996, enquanto a versão brasileira é de 1997. Neste caso, é praticamente uma tradução, com as devidas adaptações para manter o ritmo e o sentido. Veja:

De Sandy & Júnior e Laura Pausini temos, ainda, Não ter, versão brasileira de Non c’è. Além disso, eles também gravaram Quando você passa, versão brasileira de Tutururu (Francesco Boccia).

Bom, essas eram fáceis. Mas, um belo dia, eu já estava na faculdade e ouvi uma música chamada La mia storia tra le dita (de 1995) e pensei “caramba, conheço essa música!”. E sim, em português, como Quem de nós dois (de 2001). As letras, aqui, já são mais diferentes, sendo mantida apenas a melodia. Aqui vai:

Ainda na faculdade, meu querido Spotify me apresentou La notte (2012), cuja relação com A noite (2014) é bem fácil de se fazer, apesar de, novamente, as letras serem bem diferentes!

Fazendo esse post, descobri, ainda, Gente di mare (1988) e a versão brasileira Felicidade (1988):

Mais recentemente, ouvi ainda È po’ che fa (1982) e a versão brasileira Bem que se quis (1989), também bem diferentes uma da outra (no quesito letra):

Agora, claro, o mais chocante de todos: sabe a música Eva (1997)? Sim, o axé! Pois é, ela também é uma versão brasileira! A música original também chama Eva (1982), e as diferenças nos textos são poucas, apenas adaptações necessárias. Por outro lado, claro, essa é a música que a melodia muda um pouco mais (afinal, virou um axé!):

Uma vez li que essa prática de fazer versões em outras línguas de algumas músicas é algo que ocorre com certa frequência (certamente você já ouviu versões brasileiras de muitas músicas que são, originalmente, em inglês) e é uma técnica antiga.

E não somos apenas nós que fazemos isso não! Nos anos 60, na Itália, era comum que se pegasse as músicas do Reino Unido ou dos Estados Unidos que estivessem fazendo muito sucesso e se fizesse uma versão italiana, a ser cantada por um cantor ou grupo muito famoso. Quer um exemplo? Veja aqui:

E você, que versões/traduções conhece? Não esquece de me contar nos comentários, eu adoro essas coisas! Recentemente, li um livro que me apresentou algumas pérola nesse sentido (incluindo mais Sandy & Júnior!).

O alquimista prodígio e a cidade do amanhã — Leblon Carter

Título: O alquimista prodígio e a cidade do amanhã
Autor: Leblon Carter
Editora: LN Editorial
Páginas: 38
Ano: 2021

Alô amantes de fantasia, que tal conhecer um conto nacional e muito bem escrito?

Ano passado eu trouxe a resenha de O alquimista prodígio e a espada de cobre e se você ainda não viu, é só clicar aí e conferir. Este conto, como já é de se imaginar, passa-se no mesmo universo do livro mencionado, mas, como explica o autor, acontece três anos antes do início da história que resenhei, sendo, portanto, possível ler cada obra de maneira independente.

Se você já leu O alquimista prodígio e a espada de cobre (APEC) este conto é uma oportunidade para adentrar mais este universo e, claro, matar a saudade. Por outro lado, se você nunca leu APEC, o conto é uma forma de entrar em contato com a escrita do autor e se apaixonar pela forma como ele consegue colocar a sua imaginação em palavras.

Logo de cara somos impactados com a forte presença de Versacce, Imperatriz do Clã dos Alquimagos do Sul e de Relucce, sua filha. A relação entre elas, por mais que tenhamos apenas um vislumbre, é muito bonita.

Em seguida, juntam-se a elas Bacci e Marceon. Bacci, como logo fica claro, é o pai de Relucce, mas não mora mais com elas, tendo construído uma nova família no norte, tornando-se Mestre do Clã dos Alquimagos do Norte. Marceon é seu filho com a nova esposa e é evidente a rixa que há entre os meio irmãos.

O ponto central deste conto é uma discussão que há entre Bacci e Versacce, que precisam tomar uma importante decisão. E, enquanto eles estão neste debate, Relucce e Marceon acabam se aventurando pelo palácio e se metendo em uma grande enrascada.

Uma vez mais, Leblon Carter nos lembra que é importante estarmos de olhos bem abertos e não nos deixarmos levar pelas aparências, porque nem tudo é o que parece ser… O alquimista prodígio e a cidade do amanhã é um conto para ser lido até a última página com muita atenção e com a certeza de que sempre haverá uma surpresa à espera.

Ficou com vontade de ler O alquimista prodígio e a cidade do amanhã? Então clica aqui.

A vida pelos olhos da guarda real (antologia)

Título: A vida pelos olhos da guarda real
Autor: vários autores
Organização: Naylane Sartor
Editora: Essência Literária
Páginas: 172
Ano: 2020

Quantos de nós, brasileiros, já paramos, alguma vez em nossas vidas, para pensar como seria a vida de um guarda real? Ok, eles são seres humanos como qualquer outro, mas possuem um trabalho extremamente rígido. Será que dá para ser realmente normal com uma rotina dessas?

“Coloquei minha farda acima dos meus sentimentos e me tornei um dos melhores no meu ramo, mas a que preço?”

(Sob a proteção do guarda real — Nathany Teixeira)

A proposta desta antologia é justamente isso: nos fazer embarcar nesse universo e imaginar o que ocorre antes, durante e depois do serviço de um guarda real. E, veja bem, não há guardas reais apenas na Inglaterra não!

Aliás, isso é algo muito interessante deste livro: o tanto que ele tem a nos ensinar. Mesmo para as autoras, foi um desafio escrever as histórias (elas mesmas comentaram isso nesta live) e elas se dedicaram a buscar informações para trazer elementos concretos, que foram muito bem mesclados às narrativas que cada uma criou.

Ao todo, nos deparamos com cinco histórias e, apesar da temática em comum, cada uma delas tem o seu toque especial. O primeiro conto, por exemplo, chama-se “Quebrando regras” e foi escrito pela autora Denilia Carneiro. Só pelo título já dá para imaginar que lá vem confusão pela frente, né?

Trata-se da história de uma irmã da mais nova princesa britânica e, através desta jovem, percebemos como nem todos têm interesse em fazer parte de toda a grandiosidade que a realeza representa.

“Eu gosto de liberdade e ser princesa, de certa forma, te deixa presa”

(Quebrando regras — Denilia Carneiro)

O segundo conto, por sua vez, traz um título que atiça a curiosidade de qualquer um. Trata-se de “O guarda solitário“, escrito por Maya Brito.

A história começa com aquele clichê de uma pessoa (no caso, Theo Truman, um guarda real) que tem o coração fechado e que resiste a se entregar ao amor, mas que, na possibilidade de perder a pessoa que, no final das contas, ama, acaba tomando uma decisão.

“E quando ela saiu do meu quarto e da minha vida, eu me tornei o hipócrita que disse não ser”

(O guarda solitário — Maya Brito)

Esse conto é lindo, como tudo o que a Maya Brito escreve (você pode ler a minha resenha de “A melodia da alma” que está virando livro!).

O terceiro conto, isto é, o conto central da antologia, nos transporta para outra realidade: o convento de Mafra, em Portugal. O título deste é “Certo ou errado” e foi escrito por Mila Paziol. Uma história de amor muito bonita, com uma linda lição de vida.

Em seguida, somos apresentados a Oliver Jones em “Sob a proteção do guarda real“, da Nathany Teixeira. Uma história de vidas que se cruzam de maneiras inesperadas, nos fazendo refletir sobre nossas escolhas e sobre as pessoas que nos influenciam.

“Não pode permitir que alguém escolha qual sonho você deve sonhar”

(Sob a proteção do guarda real — Nathany Teixeira)

Por fim, vem o conto da Naylane Sartor, “Jasper, o corgi cupido“, um conto que consegue dar voz até mesmo a um cachorro! Dei boa risadas com essa história.

A leitura dos contos é leve e rápida, ainda que, em alguns contos, houvesse tantos erros de português que a fluidez da leitura tenha sofrido um pouco. Não costumo comentar sobre isso em minhas resenhas, principalmente de obras nacionais, pois sei o quão difícil é entregar uma obra impecável e que isso, muitas vezes, não depende apenas do revisor, mas, infelizmente, neste caso realmente atrapalhou um pouco a minha experiência de leitura que, se não fosse por isso, teria sido maravilhosa, pois achei a proposta desta antologia realmente muito diferente do que estou acostumada a ver.

Se você quer conhecer este trabalho, clique aqui.

Artigos definidos em italiano

Artigos são algo muito básico da língua. Em português, temos quatro artigos definidos: “a”, “as”, “o” e “os”. Fácil, não é? Em italiano, porém, as coisas são um pouco mais complicadas que isto. Ao menos à primeira vista.

Antes de chegar aos artigos, porém, precisamos ter em mente duas coisas: o gênero das palavras (feminino ou masculino) e o número (singular ou plural). Sei que existem muitas discussões de gênero hoje em dia, mas aqui não entraremos nesse mérito, tudo bem? Atualmente, o português e o italiano são línguas que não admitem o gênero neutro (ainda que seja possível escrever um texto sem usar palavras que determinem o gênero do escritor ou leitor, mas isso também é outra discussão que não cabe aqui).

Palavras femininas e masculinas

Na maioria dos casos, palavras que terminam com a vogal “a” são femininas, enquanto as que terminam com vogal “o” são masculinas. Há exceções, como há no português: “il problema” (o problema) ou “la moto” (a moto). Há, ainda, palavras que terminam com vogal “e” e essas podem ser femininas ou masculinas, vai depender da palavra mesmo, como “la madre” (a mãe) e “il padre” (o pai).

Entender o gênero das palavras, em italiano, é relativamente tranquilo. A terminação em “e” é a mais complicada de reconhecermos logo de cara, mas logo torna-se natural. O problema maior, talvez, seja o número. De maneira bem diferente do português, o plural, na língua italiana, não é marcado pelo acréscimo da letra “s” ao final da palavra.

Singular e plural

Palavras que terminam em “a”, no plural italiano, terminarão em “e”. As que terminam em “o”, passarão a terminar em “i”. E as que terminam em “e” (no singular, não importando se são femininas ou masculinas) terminarão em “i” também. Confuso? Vejamos:

  • Casa (casa) – case (casas) / acqua (água) – acque (águas)
  • Sguardo (olhar) – sguardi (olhares) / occhio (olho) – occhi (olhos)
  • Madre (mãe) – madri (mães) / voce (voz) – voci (vozes)
  • Padre (pai) – padri (pais) / amore (amor) – amori (amores)

Agora que já vimos o feminino e o masculinos, o singular e o plural, podemos compreender melhor os artigos definidos do italiano. Como eu disse no começo, em português temos apenas quatro. Em italiano, por outro lado, temos oito!

Articoli determinativi femminili

Os artigos definidos femininos, no italiano, são três:

  • Para as palavras femininas e singulares que começam com consoante, usamos la: la casa.
  • Se a palavra, ainda no singular, começa com vogal, porém, usamos l’: l’acqua.
  • No plural, contudo, temos apenas uma forma, que é o le: le case, le acque.

Articoli determinativi maschili

Os artigos definidos masculinos, por outro lados, são cinco:

  • Igual ao feminino, para palavras que começam com vogal, no singular, usamos l’: l’occhio.
  • Palavras que começam com s impura (s + outra consoante), ps, pn, gn, z, letras estrangeiras (como j, x e y), no singular, são precedidas pelo artigo lo: lo sguardo, lo psicologo, lo zio.
  • Palavras que começam com consoante e que não se encaixam nos casos acima, no singular, usam o artigo il: il padre.
  • No plural, palavras que começam com consoante (e que, no singular, usam “il”) passam a ser precedidas por i: i padri.
  • Os outros dois casos, isto é, palavras que começam com vogais ou os casos especiais (s impura, ps, pn, gn, z e letras estrangeiras), no plural, pedem o artigo gli: gli occhi, gli sguardi, gli psicologi, gli zii.

Resumindo

Muito complicadas essas regrinhas? Num primeiro momento, acredito que sim, mas os italianos usam muito mais os artigos do que nós, falantes de português, então a gente logo se acostuma a usar também e, aos poucos, passamos a usar sem grandes dificuldades. Mas, para não esquecer, gli articoli determinativi italiani são:

  • La – le (feminino, palavras que começam com consoante)
  • L’ – le (feminino, palavras que começam com vogal)
  • Il – i (masculino, palavras que começam com consoante)
  • L’ – gli (masculino, palavras que começam com vogal)
  • Lo – gli (masculino, palavras que começam com s + consoante, pn, ps, z, gn, letras estrangeiras)

Fevereiro é mês de festa!

Já começo esse texto fazendo uma confissão: não sou fã de carnaval. Adoro o feriado (apesar de não saber mais o que é feriado), mas não gosto nem um pouco da bagunça, das aglomerações, do barulho e dos excessos. Esse ano, ao menos, as aglomerações não existirão (ou não deveriam existir). Mas também não haverá o feriado. Ou haverá? Já nem sei mais!

De qualquer forma, quando digo que fevereiro é mês de festa, não estou me referindo ao carnaval (não para mim), mas a outras duas comemorações: meu aniversário (que já passou) e o que importa aqui, o aniversário deste blog!

Foi exatamente em 12 de fevereiro de 2018 que retomei esse universo, como vocês podem ler, com mais detalhes, na aba sobre. Hoje, portanto, completo exatos 3 anos por aqui. E vou confessar a vocês: parece muito mais!

Nos últimos três anos, escrevi quase que continuamente para este espaço. Comecei com apenas uma postagem por semana, mas logo fui aumentando o ritmo e há um bom tempo venho tentando manter três textos semanais (sendo que, quase sempre, ao menos um deles é uma resenha). E ainda ouso dizer que não sou escritora. Haja coisa para escrever!

Neste período, também, muita coisa mudou, claro. Eu mesma, estou sempre mudando. Mas estou muito feliz com os frutos que este espaço me traz, com tanto carinho que recebo vindo das pessoas que me acompanham aqui. E acho que não importa quanto tempo passe, eu sempre vou me surpreender com algum comentário relativo ao blog. Principalmente de pessoas conhecidas e/ou daquelas que silenciosamente acompanham tudo (ou quase tudo) que posto por aqui.

Meu antigo blog sobreviveu a pouco mais que esses três anos. Espero que este, por sua vez, exista por muito mais tempo. Ainda estou cheia de ideias de coisas que quero compartilhar com vocês.

Mas também gostaria de pedir um favorzinho a você que está lendo este texto: o que você gosta de ver por aqui? Você gosta das resenhas? De quotes literários? Das traduções? Ou textos sobre músicas? Gosta do material de italiano que estou começando a trazer? Ou prefere meu texto mais livres? Gosta de ver TAG’s? Indicações? Conhecer o universo literário? Enfim, me conte um pouco nos comentários, vamos trocar ideais!

Ah, e claro, por último, mas não menos importante: muito obrigada por estar aqui! Muito obrigada por me animar a seguir em frente com esse querido projeto! Palavras não são suficientes para dizer o que sinto, mas o mínimo que posso dizer é o meu mais sincero obrigada.

O casamento — Tayana Alvez

Título: O casamento
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 336
Ano: 2020

Como a própria Tayana nos revela, O casamento era para ser apenas um conto que nos mostrasse o que vem depois do “felizes para sempre”, mas, felizmente, ele virou uma história bem maior e intensa.

“Foi completamente inevitável amá-la com todo o meu coração”

Ao longos das páginas deste livro não são poucos os sentimentos que vêm à tona. E não é à toa, portanto, que uma das coisas que mais fica evidente nesta narrativa é importância da terapia.

“O amor é superar as adversidades, suportar o outro, engolir o próprio orgulho e despir a alma. Amar é estar vulnerável”

Uma vez mais nos encontramos com Júlia, Robert, Annabelle e Alice. Agora, porém, eles estão começando a construir uma família. E, outra diferença com relação a O irlandês é que, neste volume, os capítulos se alternam entre Júlia e Robert, e alguns trechos inclusive retomam passagens do primeiro livro, conectando ainda mais as histórias.

“E talvez o amor seja isso, duas pessoas com problemas e imperfeitas que lutam para fazer dar certo diariamente”

Outra coisa que achei muito interessante é que este livro se passa na pandemia! Sim, na pandemia que ainda estamos vivendo. Ou seja, pela primeira vez vi, em uma história, os personagens em quarentena, usando máscaras e álcool gel ao sair… Foi uma experiência bem diferente. E lembrando que a história se passa na Irlanda, então tive um gostinho de como as coisas se desenrolaram por lá no ano passado.

“Não é o melhor dos mundos conviver constantemente com uma ameaça”

O que me encanta e me surpreende nas histórias da Tayana é como ela consegue nos entregar um relacionamento tão real e tão encantador. E claro que, neste livro, não seria diferente: Robert e Júlia têm ainda muitas marcas da vida que precisam superar. Mas quem não tem? Que casal é 100% do tempo totalmente seguro de si?

“O amor não é sobre merecer, é sobre encontrar alguém, entre bilhões de pessoas no mundo, que te aceite com os seus defeitos e com quem você, apesar dos defeitos dela, queira viver a vida inteira ao seu lado. O amor é muito mais sobre ser grato pelo encontro de duas almas do que um atestado de merecimento”

Esse discurso sobre merecimento pega lá no fundo, né? Quem nunca sentiu que “não era suficiente” para alguém que ama/amava? E isso aparece em diversos momentos da história, tanto por parte de Júlia quanto de Robert.

“Mulheres negras têm sorte quando o namorado as apresenta para os amigos e anda de mãos dadas com elas na rua”

Mas O casamento vem para nos lembrar que nenhum casal é perfeito, porém que a harmonia pode existir se houver, em primeiro lugar, diálogo (e amor e respeito, claro, mas isso esse casal já demonstra desde o primeiro volume).

“Rob e eu tínhamos um diálogo super aberto, até não termos mais. Não me isento de culpa porque eu também me calei por muito tempo, mas a diferença é que eu cedi e ele não”

Eu sempre digo isso em minhas resenhas das obras da Tayana Alvez, mas vou dizer novamente: vale a pena conhecer cada uma delas. Para além de um romance envolvente, a autora sempre tem algo novo a acrescentar às nossas reflexões, além de uma visão que poucos encontramos por aí: a de uma mulher negra que sabe o que é ser brasileira e que também sabe o que é viver em outro país.

“Apesar de tudo, nem nos meus sonhos mais esperançosos imaginei que Robert estaria aqui por mim e pelas minhas cicatrizes e não por ele”

Se você se interessou por O casamento, não deixe de clicar aqui e saber mais sobre esse livro maravilhoso.