15 de outubro de 2021

Como sempre, basta encarar a tela em branco e todas as palavras parecem fugir de meus dedos. Mas este é um dia que não posso deixar passar, como em tantos outros anos não deixei. Afinal, hoje é dia deles, mas pela primeira vez eu me sinto realmente pronta para dizer que hoje é o meu dia também: dia dos professores.

Depois de passar por todos os anos de escola, faculdade e pós-graduação, sem contar as inúmeras atividades e cursos extras que já fiz, posso dizer sem sombra de dúvidas que tive muitos professores. E posso dizer mais: sempre os admirei. Cada um, a seu modo, me ensinou algo que levo para a vida. Ainda assim, durante muito tempo achei que essa profissão não fosse para mim. Pelo menos não até pisar em uma sala de aula pela primeira vez. Porém, durante algum tempo, tentei traçar outros caminhos, mas no fim eu sempre terminava na sala de aula (e feliz!).

Entrei na faculdade de Letras dizendo que trabalharia com tradução, mas meu primeiro emprego foi como professora de inglês. E foi por conta disso que resolvi fazer a licenciatura e me encantei ainda mais pela sala de aula. Porém, depois eu trabalhei alguns anos como estagiária da faculdade, nada relacionado diretamente à sala de aula (eu ajudava em coisas mais burocráticas, mas ao menos estava muito próxima de professoras incríveis), fui para a pesquisa e, por fim, entrei em uma empresa para trabalhar com… Tradução! Era meu sonho, não? Bem, não mais.

Desde que comecei a dar aulas (de inglês), lá em 2014, eu nunca efetivamente parei: do inglês fui para o italiano (que é realmente a minha área), depois tive alunos particulares, curso livre obrigatório da disciplina da faculdade, outros cursos que ministrei por fora, mais alunos particulares… Até no período em que estive na empresa, trabalhando com tradução, eu tive uma aluna particular. E devo dizer que ela é uma grande responsável por eu estar onde estou hoje! Graças a essa aluna, que já fazia aulas online desde o início comigo, eu fui encontrando meu caminho durante a pandemia e é por isso que somente agora, em 2021, eu finalmente consigo dizer com todas as letras (e muita alegria) que sou professora. Uma professora de italiano muito apaixonada pelo que faz, aliás!

Foram praticamente sete anos (ou mais, até), para aceitar que um “Feliz dia dos professores” é realmente para mim. Que é isso que eu amo e não posso negar. Mas como dia o velho ditado, “antes tarde do que nunca”. E tudo é um processo: a cada dia eu sei que posso melhorar e quero melhorar. Sou muito grata por encontrar alunos que me fazem crescer com eles, que me ensinam diariamente e que acreditam no meu trabalho e compartilham as alegrias da sala de aula comigo.

No dia de hoje, portanto, eu não poderia deixar de agradecer, mais uma vez, a cada professor que passou pela minha vida. Sempre os admirei e sempre vou admirar e ser grata, porque o aprendizado é sim uma ferramenta muito poderosa. Mas eu também gostaria de agradecer aos alunos que já tive, tenho e também aos que terei, porque, como eu disse, ser professor é aprender todos os dias e cada dia mais.

Desejo, ainda, que a cada 15 de outubro possamos lembrar que para chegar onde for, precisamos que alguém nos mostre o caminho. Certamente algum professor já fez isso por você. Então que tenhamos mais respeito por essa profissão e que saibamos valorizar a educação, porque ela sempre fará parte de qualquer futuro que possamos imaginar.

E que em especial este 15 de outubro seja feliz para todos os professores que passaram por minha vida, para meus colegas e amigos professores e para todos aqueles que ainda terão o prazer de se encontrar nesta profissão. Talvez (com certeza) não estejamos vivendo o melhor cenário para se acreditar na educação, mas se nem os professores acreditarem, quem acreditará, não é mesmo? Que possamos, então, seguir firmes e seguros daquilo que estamos fazendo.

De verdade, obrigada a você que decidiu ser professor e faz isso com dedicação, atenção e responsabilidade. Felzi dia!

Apenas ouça — Sandra Mello

Título: Apenas ouça: deixe o que dizem de você definir o seu futuro
Autora: Sandra Mello
Editora: Publicação independente
Páginas: 95
Ano: 2021

Apenas ouça é uma obra diferente do que estou acostumada a ler e resenhar por aqui, mas eu não poderia deixar de falar sobre este livro que tive a honra de revisar, certo?

Para ser justa, este é um livro diferente por si só, uma vez que ele é bem interativo, daqueles que precisamos ler com um lápis na mão e papel também, caso você não tenha coragem de escrever no próprio livro. O importante, porém, é realizar as atividades propostas, caso realmente queira chegar ao final da leitura diferente de quando a começou.

Mas esta não é apenas uma obra que busca nos mostrar um caminho, pois a autora escolheu construir a narrativa de uma forma interessante. Apenas ouça começa com uma história real: a história de vida da própria Sandra. Mas calma, não é nada muito detalhado e você vai ver também que não é nada maçante. Aliás, o livro todo é bem curtinho e rápido de ler, sem enrolações, mas esse panorama da história da autora é importante para entendermos o percurso que ela traça e que ela nos convida a percorrer.

Depois de contar algumas passagens de sua infância, adolescência e início da fase adulta, Sandra Mello começa a nos apresentar, então, o seu método QC4, elaborado por ela, com o intuito de nos fazer tirar nossos planos do papel e concretizá-los. As histórias de vida não cessam neste ponto, continuam a nos servir de pano de fundo para entendermos o que fazer.

“São necessárias duas coisas para se encontrar o que se procura: a primeira delas é saber exatamente o que se busca e a segunda é estar pronto para receber”

O método recebe esse nome por ser dividido da seguinte forma:

  • Quando
  • Como começar
  • Como elaborar
  • Como administrar
  • Como concretizar

Outro ponto interessante deste livro é que além de apresentar a própria história, a autora também traz referências culturais que agregam ao que ela quer nos transmitir, mencionando, por exemplo, os clássicos “… e o vento levou” e “O mágico de Oz”.

Este é um livro, portanto, para quem precisa parar urgentemente de procrastinar e tomar as rédeas da própria vida, mesmo não acreditando que isso seja possível. Praticamente pegando na sua mão, a Sandra nos mostra como, apesar de tudo o que já ouvimos e mesmo fizemos, sempre é tempo de tomar novos rumos.

Se você está precisando dessa ajudinha, garanta aqui o seu exemplar físico (que permite uma experiência bem imersiva) ou o ebook abaixo:

Alguma coisa acontece — Mariana Chazanas

Título: Alguma coisa acontece
Autora: Mariana Chazanas
Editora: Duplo Sentido Editorial
Páginas: 60
Ano: 2014

Lembra daquela viagem pelo Brasil, com a Duplo Sentido Editorial? Se não sabe do que estou falando, clique aqui. Nós finalmente chegamos ao Sudeste e começamos por ninguém menos que ela, a minha cidade do coração: São Paulo.

“Aqui, parece que você pode ser qualquer coisa. Você pode fazer o que quiser e nunca vai ser a pessoa mais esquisita da rua”

Eu estava ansiosa por esse conto, porque uma coisa é ler sobre lugares que não conheço ou então que visitei em algum momento da vida, mas outra coisa totalmente diferente é ler sobre o lugar que nasci e cresci. Queria muito saber como São Paulo seria retratada e já adianto: amei! Mas leia até o final para entender porque.

“Essepê é uma cidade que engole tudo. Sotaques, rios, culinária, receitas de pizza”

Mesmo tendo nascido e crescido aqui, consigo entender o medo e o deslumbre experimentados por Gabriel, o protagonista que vem de uma pequena cidade do interior, pronto (ou não) para desbravar essa grande selva urbana.

“Bem, era a primeira noite de sua viagem. Possivelmente a primeira noite do resto de sua vida”

Foi impossível não sorrir lendo Alguma coisa acontece. São diversos trechos que retratam tão bem São Paulo e que talvez deixem quem não a conhece pensando “mas isso é possível?”. Spoiler: provavelmente sim, pois não vi nada absurdo na narrativa! *emoji de risos nervosos*.

“— Vocês enterraram um rio?
— Eu pessoalmente, não. Mas, sim, enterramos, tipo, um monte”

Apesar dos sorrisos, esse conto também me deixou nostálgica, fazendo-me revisitar lugares que já foram tão cotidianos e que hoje parecem pertencer a outra vida. Senti saudade da São Paulo que não vejo há quase dois anos, mesmo ainda morando aqui. Mas vamos olhar para o lado bom, né? Isso só vem reforçar o quanto o conto é bem escrito e como a narrativa é gostosa de ler (e é mesmo).

“E, ali, aprendeu a terceira coisa: a estação da Consolação não dava na Rua Consolação”

Claro que a história não gira somente em torno da cidade, mas também da relação que está sendo construída entre Gabriel e Elliot, filho de uma amiga da mãe de Gabriel e que deveria recebê-lo, mesmo que os dois ainda não se conhecessem (e parecessem não fazer questão de se conhecer).

“Tinha energia ali, estalando nos ouvidos, fazendo a pele do garoto se arrepiar”

Aliás, Elliot deveria ter ido buscar Gabriel na rodoviária e não o faz. Mas, aos poucos, vamos entendendo o que aconteceu e percebendo mais uma característica de São Paulo: a cidade que pode ser assustadora até mesmo para quem sempre viveu nela.

“Ele pediu informação numa banca de jornal que parecia mais uma lojinha de doces, brinquedos e suvenires para turistas”

Por último, gostaria de destacar um trecho que ri muito lendo, porque eu juro que sempre imaginei isso (o que reforça meu senso de identificação com essa texto):

“Principalmente se você estivesse na estação da Luz, imensa, labiríntica e tão organizada que o garoto não se surpreenderia se alguma pessoa sinalizasse com seta e buzina quando quisesse sair do fluxo”

Se você não é de São Paulo, indico este conto para que você tenha um gostinho da cidade. E se você é de São Paulo, indico este conto para que você revisite lugares e reflita sobre o local em que vivemos, além de aprender um pouco mais. Ou seja: indico esse conto para qualquer pessoa que tenha uma mínima curiosidade sobre São Paulo.

“O lugar podia ser antigo e podia ter uma história interessante, mas por enquanto o caminho consistia basicamente em prédios feios alternados com prédios menos feios”

Não deixe de conferir também os posts anteriores da série Meu Brasil é assim:

Ah, e se você não pegou a referência do título deste conto, não deixe de ouvir Sampa:

Se essa coroa fosse minha (Antologia)

Título: Se essa coroa fosse minha
Autora: várias autoras
Editora: Publicação independente
Páginas: 250
Ano: 2021

Estando em contato com o trabalho de diversas editoras — principalmente pequenas — é comum que eu leia muitas antologias, pois esta é uma forma de publicação que tem suas vantagens para as duas partes (autores e editoras), coisa sobre a qual posso falar melhor em outro momento. Mas o ponto aqui é: eu nunca havia lido algo como Se essa coroa fosse minha e fico muito feliz de ter entrado em contato com esta obra (obrigada, Tayana Alvez, por ter participado dela).

“O povo precisa de alegria. De uma história para se apegar. De uma festa para se divertir. Eu não sou diferente”

(Se não a coroa cai — Maria Freitas)

O título talvez possa nos fazer pensar em algo que, muito provavelmente, está distante do que essa antologia retrata. Contudo, pode ser que uma boa olhada para a capa desta obra já nos faça notar algo de diferente.

“Nunca havia me passado pela cabeça que pessoas da realeza também possam sofrer com esse tipo de problema”

(Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa)

Se essa coroa fosse minha é uma antologia que reúne 6 contos, e se eu tivesse de escolher uma palavra para defini-la seria representatividade, uma vez que em todos os contos há protagonismo negro e sexualidades diversas.

“De onde eu venho, as pessoas são mortas por terem a minha cor e pensar em um homem negro matando toda a família por causa de uma coroa me assusta mais do que eu conseguiria descrever — desabafo”

(Insubmissos, Incurvados, Inquebráveis  — Tay Alvez)

O livro começa com o conto Se não a coroa cai, da Maria Freitas. Uma história que se passa num futuro (talvez) não tão distante.

“Jeremias me disse que esse objeto se chama “lápis” e que servia para escrever e desenhar nos tempos antigos. E o mais importante: as palavras escritas podem ser apagadas”

(Se não a coroa cai — Maria Freitas)

Ao lê-lo, já podemos compreender a que vem essa antologia: ao mesmo tempo em que ela nos mostra a realeza de uma perspectiva rara de se encontrar em livros, mesmo que eles sejam de ficção, Se essa coroa fosse minha também traz críticas e reflexões pertinentes às pessoas comuns como nós.

“Não sei de onde tiraram a ideia de que uma pessoa sozinha, sem um casamento, família, herdeiros e sei lá mais o que não pode comandar um reino”

(Se não a coroa cai — Maria Freitas)

O que eu mais gostei neste primeiro conto (e olha que é difícil escolher uma coisa só) foi o uso da metáfora da montanha-russa, que me deixou de queixo caído com o final da história também.

“E, meia hora depois, aqui seguimos nós dois, como as duas crianças que cresceram, mas nunca tiveram coragem de enfrentar os altos e baixos da montanha-russa”

(Se não a coroa cai — Maria Freitas)

O segundo conto é o da Tay Alvez, responsável por me fazer conhecer essa antologia. Chamado Insubmissos, Incurvados, Inquebráveis, já dá para imaginar a força dessa história, não? E claro que este conto também já deixa claro outro ponto forte desta antologia: mostrar que a realeza nem sempre é um sonho e que não tem nada de perfeita.

“Eu não era uma princesa e um príncipe nunca iria me salvar. O que era bom, porque eu não precisava mesmo ser salva”

(Insubmissos, Incurvados, Inquebráveis  — Tay Alvez)

Ao mesmo tempo que tem um romance gostoso de ler, esse é um conto com passagens angustiantes e recheado de trechos que nos fazem refletir, inclusive sobre o racismo que é ainda tão forte no Brasil.

Depois nos deparamos com o conto Não pedi para ser princesa, da Letícia Rosa. O próprio título já reforça o que destaquei acima, sobre a realeza nem sempre ser um sonho, mas aqui um novo ponto fica evidenciado: a questão de que, até pouco tempo, não tínhamos acesso a histórias de príncipes e princesas negros, algo que essa antologia tenta, portanto, mudar.

“Mas já faz tempo que eu não acredito em contos de fadas. É o que acontece com pessoas negras à medida que crescem”

(Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa)

Para além disso, este conto também fala sobre relações familiares de uma forma bem interessante e, claro, forte.

“A verdade é que somos duas completas desconhecidas. Não somos avó e neta e não seremos do dia para a noite”

(Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa)

Este é um conto que também tem uma metáfora que eu adorei. Aqui, a autora usa o sorvete para transmitir a sua mensagem e eu quase gritei com o final, porque ele é aberto e eu só queria mais.

“Pode me trazer outro, por favor? De baunilha, morango e… — Penso um pouco, eu ainda poderia mudar e continuar a ser eu mesma. — Limão”

(Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa)

O quarto conto chama-se A paixão de Ori e foi escrito pela Camila Cerdeira, uma autora que, até então, eu não conhecia, mas que já adorei poder ler. Ela conseguiu mesclar elementos muito interessantes e a história se passa nos tempos atuais, o que torna tudo ainda mais bacana de se ver.

“A quarentena me roubou muitas coisas. O pingado na padaria antes do trabalho, as cervejas na sexta depois da faculdade, os domingos de praia, nossa barraca favorita para fofocar sobre os fracassos amorosos com as poc. E mesmo assim, correndo o risco de parecer um hetero crossfiteiro, o que mais sinto falta são os treinos de Muay Thai” 

(Paixão de Ori — Camila Cerdeira)

Além de também retratar questões familiares complicadas (e extremamente palpáveis), este conto traz uma paixão muito forte e que surge de uma maneira que é difícil não se identificar.

“Merda, eu estava me importando com ela. Quando eu começava a me importar com alguém assim, só podia significar uma coisa. Eu estava lascada”

(Paixão de Ori — Camila Cerdeira)

E talvez já tenha dado para perceber, mas com essa história, apesar do nó na garganta em alguns momentos, a risada também está garantida.

“Desgraça? Isso é praticamente o começo de uma fanfic, Bah. Uma princesa de verdade bateu na tua porta enquanto tu lava a louça”

(Paixão de Ori — Camila Cerdeira)

Em O peso da coroa, quinto conto desta antologia, escrito por Laura Machado, temos uma história mais introspectiva, de uma princesa um pouco mais solitária, mas que está a vida toda em busca de uma única pessoa.

“Enquanto ela se afastava de mim, eu tinha me apaixonado por ela”

(O peso da coroa — Laura Machado)

Nesta história é impossível não sentir, como o próprio título já nos indica, o peso de uma coroa real. E olha que esse tema já vinha sendo trabalhado em todos os outros contos, sempre desmistificando a nossa visão “Disney” da realeza, mas quando chegamos neste conto, tudo parece ficar ainda mais denso.

“A Coroa era mais importante do que minha vontade de ir brincar com as outras garotas no pátio, de querer dormir no mesmo andar que elas, ter as mesmas aulas”

(O peso da coroa — Laura Machado)

Por fim, em Adoro um amor inventado, escrito por Lyli Lua, temos duas protagonistas que são praticamente a personificação de “os opostos se atraem”. A narrativa fica muito bem equilibrada entre a irreverência de uma e a seriedade da outra, ainda que, aos poucos, a gente vá compreendendo as máscaras que cada uma precisa vestir nessa história.

“Pela primeira vez decidia me abrir com alguém, e tudo parecia que ia dar muito errado” 

(Adoro um amor inventado — Lyli Lua)

A gente passa a leitura desse conto todo na expectativa de onde vai dar essa história de casamento fake que elas inventaram…

E é isso: vou terminar minha resenha por aqui porque quero sim te deixar com vontade de ler esta obra. E, mais do que isso, indico fortemente a leitura da mesma! Ótima para nos fazer pensar em diversas formas de amor, em racismo, em visões romantizadas que talvez tenhamos sobre princesas e príncipes. Para saber mais, clique aqui.

Citações #41 — O que restou de mim

Você chegou a ler minha resenha de O que restou de mim, do autor Abraão Nóbrega? Se não leu ainda, não deixe de passar lá! Mas se você ainda está em dúvida se vale a pena saber mais sobre esse livro, trarei aqui os trechos que não couberam na resenha. Depois disso tudo, duvido você não querer mais.

“Tudo ficou perdido num espaço entre o passado e o presente”

Apesar de retratar muito bem as dores e os sentimentos do fim de um relacionamento, O que restou de mim não se resume a isso.

“Espero que tuas estradas te guiem para a felicidade, pois, embora tenha partido o meu coração, nunca quis que partissem o teu”

“Você me abraçou como ninguém nunca o fez e, por um momento, fomos a fortaleza um do outro”

Este é, também, um livro sobre força.

“Em algum momento deixará de doer como agora”

“Os machucados ainda estão todos aqui. Uns mais recuperados que outros, porém nunca me abandonaram de fato”

Mesmo carregando, em suas palavras, uma profunda tristeza.

“Faz muito tempo que estou no escuro. E ele é assustador”

“Não sabia como lidar com aquela tempestade e com a dor que não era sua, mas que você tinha deixado para mim”

A verdade é que esse um livro palpável, sincero.

“Eu te amei achando que seria para sempre, e talvez realmente venha a ser. Mas um amor solitário, partido. Como uma chave quebrada que não abre caminho”

“Se você não tivesse desistido de mim, quem sabe o que eu poderia ter feito?”

Retrata sentimentos que qualquer pessoa que ama, em algum momento e medida, está sujeita a sentir e viver.

“Eu já não amo você. Amo a dor que me deixou”

“Pois, se há uma coisa certa, é que / só morrendo para se despedir de um grande amor”

Eu gosto do impacto que a poesia do Abraão tem, tornando impossível não querer destacar todo o livro.

“Tudo o que eu conheço é a dor, a minha dor, e já não tenho memórias do mundo sem ela”

“Como ficaria bem se uma parte de mim quebrou inteiramente?”

E gosto ainda mais pelo fato desse ser um livro extremamente contemporâneo e por falar das saudades que sentimos hoje.

“Eu sinto saudades, ah, como eu sinto. De quando eu não temia o dia de amanhã, de quando eu não temia uma dor de cabeça qualquer, ou de quando eu não temia sair de casa”

“Eu sinto saudades, em todos os dias dessa nova vida. De quem eu era e podia ser.  De quem eu amava e podia amar. E de como eu vivia e podia viver”

Enfim, O que restou de mim é um livro realmente lindo, com um projeto gráfico maravilhoso, pensado nos mínimos detalhes. Você pode adquirí-lo na versão física, diretamente com o autor, ou então aqui (ebook).

Aula particular ou em grupo: o que é melhor?

Se existe uma resposta correta para a pergunta acima é: depende. Mas, antes que você vá embora, deixe-me tentar explicar!

Dedicar-se ao aprendizado de um novo idioma é algo muito importante, principalmente neste mundo cada vez mais globalizado em que vivemos. Mas precisamos levar em consideração alguns pontos, para tornar esse momento ainda mais prazeroso e eficaz e foi por isso que resolvi escrever este post que, espero eu, pode ser útil para você que está querendo começar esta jornada.

Como eu disse, não existe uma resposta certa para a pergunta “o que é melhor: fazer aula em grupo ou aula particular?”, mas existem alguns aspectos — que tratarei abaixo — que você pode levar em consideração no momento da escolha, e que determinarão o que é melhor para você.

Objetivos

Em primeiro lugar você precisa ter em mente porque quer aprender uma determinada língua.

Muitas pessoas dão início ao aprendizado de uma nova língua com um objetivo bem específico: uma prova, trabalho, intercâmbio. Dependendo do quão específico for o seu objetivo, o ideal é buscar aulas particulares, porque o professor terá maior liberdade para trabalhar aquilo que você precisa e, assim, você chegará mais rapidamente e com mais sucesso naquilo que deseja.

Por outro lado, se você quer aprender uma nova língua por curiosidade ou para poder, em algum momento, se comunicar (em sentido bem amplo mesmo) com ela, um curso em grupo pode ser a melhor opção, já que você terá mais momentos de trocas enriquecedoras.

Tempo

Outro fator muito importante na hora de escolher entre aulas particulares ou em grupo é a questão do tempo, que aqui pode ser dividido em dois tipos: o tempo que você quer levar para aprender de verdade a língua (isto é, chegar a um nível avançado no aprendizado) e o tempo que você tem, rotineiramente, para se dedicar aos estudos. Mas vamos com calma!

Acho que, em primeiro lugar, é preciso lembrar que você não vai sair do zero e chegar ao avançado em apenas seis meses. Principalmente se você não se dedicar muito a isso. Mas, com aulas particulares, você tem chances de aprender mais rapidamente do que nas aulas em grupo, porque toda a atenção do professor estará voltado para as suas dificuldades (e também facilidades). Por outro lado, também existem alguns cursos nos quais você pode aprender com relativa rapidez muita coisa, só realmente tome cuidado para não se enganar com propagandas que prometem “milagres”.

E aqui entramos no segundo ponto relativo ao tempo: quanto mais você se dedicar, mais rápido será o seu aprendizado, claro! E não apenas isso: quem realmente se dedica para além da sala de aula, obtém resultados melhores.

A diferença crucial entre aulas em grupo e particulares, porém, creio que esteja na flexibilidade: uma aula em grupo terá sempre um horário fixo e se você não puder cumpri-lo em algum momento, terá de arcar com o prejuízo. Já em aulas particulares há uma possibilidade maior de remanejamento. Claro que tudo dependerá não somente da sua agenda, mas também da agenda do professor e de qual é o acordo que vocês estabeleceram desde o início. Ainda assim, a chance do aluno “ficar no prejuízo” é menor, pois nenhum conteúdo ficará para trás.

Se o seu cotidiano é um pouco mais caótico, sem uma rotina muito organizada, sugiro que você opte por aulas particulares, para não pagar por aulas em grupo que dificilmente frequentará. Por outro lado, se você sabe bem como são seus horários, basta escolher um curso que se encaixe neles e provavelmente você não terá grandes problemas.

Metodologia

Este é um aspecto que depende um pouco mais de seu autoconhecimento, bem como demanda que você saiba compreender as propostas que te forem apresentadas.

Algumas pessoas aprendem melhor lendo; outras, escrevendo. Há quem precise ouvir muito para aprender e há quem precise falar ou repetir oralmente algo. A verdade é que cada ser humano é único e as formas de aprender são muito variadas. E se você já tem consciência de como estuda e aprende melhor, certamente terá mais facilidade para encontrar um curso ou um professor que atenda às suas exepctativas.

A boa notícia é que os diversos professores (e cursos) também têm se atentado a isso e buscado formas de facilitar o aprendizado, seja de seus alunos individuais, seja de seus grupos. O único ponto que requer atenção aqui, portanto, é quando você busca um curso (individual ou em grupo) em escolas, porque elas costumam ter uma metodologia que o professor precisa seguir e que nem sempre é a melhor para você.

Por isso, informe-se bastante! Pergunte como funcionam as aulas, que materiais você terá à disposição (há metodologias nas quais, por exemplo, o aluno não pode escrever nada durante a aula, então se você é uma pessoa que sente necessidade de escrever, esta não é a melhor opção!), o quanto você e o professor têm de liberdade para construir esse caminho.

Investimento

Um fator que pode ser decisivo na sua escolha é o quanto você pode investir nos seus estudos. Ainda assim, com a variedade que encontramos hoje em dia, é possível apenas unir esse fator aos demais e realizar-se na sua escolha.

Em geral — mas não sempre — aulas em grupo tendem a ser mais baratas que aulas individuais. A lógica é simples: em um grupo temos mais pessoas para pagar por aquilo que, numa aula particular, você teria de pagar sozinho.

Mas, como eu disse, pode acontecer de você encontrar um professor particular que cobre pouco, ou então um curso que seja caríssimo. E é por isso que esse fator deve ser analisado com os outros e não individualmente. Até porque, existe o famoso barato que sai caro…

Conforto

Fiquei em dúvida se deveria colocar este item logo no início ou trazê-lo aqui por último porque, no final das contas, ele pode ser determinante. Ao escolher entre aulas particulares ou em grupo, é crucial que você pense no seu conforto: há pessoas que não se sentem tão ao vontade estando sozinhas com o professor, enquanto há outras que acabam ficando muito mais “travadas” quando há outras pessoas na turma.

Talvez, para saber o que é melhor para você com relação a este aspecto, o ideal seja experimentar. Provavelmente você já tem mais intimidade com aulas em grupo (afinal, nossa formação toda é basicamente em grupo, convenhamos), então busque experimentar também aulas particulares. Muitos professores oferecem uma aula experimental gratuita ou por um preço menor e esta é uma boa forma de te ajudar a escolher antes de iniciar esta jornada.


Acho que eu consegui explicar porque a pergunta título deste post não tem uma resposta certa, né? E se você ainda tem alguma dúvida, deixe de nos comentários, quem sabe eu ainda possa te ajudar (é bem provável que eu tenha esquecido de algo enquanto escrevia esse post).

Aproveito para lembrar que eu dou aulas de italiano! Se você tem interesse em aprender esse idioma maravilhoso e, depois desse post, percebeu que prefere aulas particulares, é só entrar em contato comigo. Mas se você percebeu que prefere aulas em grupo… Trago boas notícias!

Ainda em 2021 você pode iniciar seus estudos de italiano, em grupo, online (ou seja, você pode fazer aula de onde quiser!). As aulas acontecem no períodos noturno (das 18:20 às 19:50 ou das 20:00 às 21:30), duas vezes por semana (segundas e quartas ou terças e quintas) e contam com muita interação, diversão e, claro, aprendizado. Você consegue fazer um módulo inteiro em apenas dois meses, ou seja, se você não sabe nada de italiano, até o final do ano você já vai conseguir se comunicar um pouquinho na língua!

Se você se interessou, preste atenção: as inscrições vão até o final desta semana e as aulas já começam semana que vem (dias 4 e 5 de outubro). O valor do curso é de R$360 para os dois meses de aula, com material incluído. Há vagas para todos os níveis da língua (não somente para iniciantes), conforme os horários disponíveis nos formulários de inscrição que deixo abaixo:

E se você chegou aqui depois do dia 05 de outubro de 2021, não tem problema: dá uma passadinha na página Aprenda Italiano aqui do Blog. Ou, novamente, entre em contato comigo que será um prazer te ajudar a começar ou retomar os estudos dessa língua!

E se eu pudesse voltar no tempo? — Marie Pessoa

Título: E se eu pudesse voltar no tempo?
Autora: Marie Pessoa
Editora: Publicação independente
Páginas: 45
Ano: 2021

Você provavelmente já pensou “e se eu pudesse voltar no tempo?”. Nos últimos meses, talvez mais do que nunca. Mas este conto da autora Marie Pessoa carrega outros tantos momentos de reconhecimento de alguma situação que já vivemos ou de algo que sentimos.

“Em alguns dias seria a nossa formatura e eu não via a hora de entrar na faculdade para esquecer o período escolar”

Clarice é uma jovem que está se formando no ensino médio e sua infância e adolescência foram permeadas de dificuldades. Sendo filha da “tia da faxina”, ela teve a oportunidade de estudar em uma boa escola particular, o que poderia lhe permitir um bom futuro, mas também muitos percalços nos anos escolares.

“No entanto, demorei para entender que não era sua culpa o bullying e as constantes ameaças sofridas naquele lugar”

Não bastasse isso, as dificuldades de sua vida também deviam-se ao fato dela não estar dentro dos padrões estéticos impostos pela sociedade e também por ser não ter pai.

“Aprendi desde cedo que uma família era composta por um homem e uma mulher, e quando o amor era demais, surgiam crianças. Então, era muito triste a ideia de não fazer parte de uma família ‘de verdade’”

As coisas começam a melhorar um pouco, porém, quando ainda pequena, ela conhece Sofia, que apesar de ser quase seu oposto, tem ao menos algo em comum: o fato de não ter pai. Mas, para além disso, Sofia tem um enorme coração e elas logo se tornam grandes amigas.

“Às vezes, quando me imaginava em um filme, reparava em como a nossa amizade parecia indestrutível. Nada poderia nos separar”

Para Clarice, porém, esse sentimento acaba ganhando uma força ainda maior, o que, claro, acaba deixando-a muito confusa.

“E, mais profundo do que nossa amizade, eu a amava tanto que em muitos momentos duvidava da força do sentimento”

E se eu pudesse voltar no tempo? é uma história que nos suga para dentro de suas palavras; uma narrativa que nos faz recordar nossa adolescência, nossas descobertas. É, ainda, um conto capaz de nos fazer sentir, torcer, querer. Querer voltar no tempo, mas também seguir em frente, tirando força de onde não sabemos que podemos tirar.

“Sofia sabia viver, e eu precisava apenas de mais alguns momentos com ela para aprender também”

Esta é uma obra que eu indico a quem precisa sentir um abraço amigo ou então acreditar numa segunda chance. É também uma história para quem só quer se libertar de uma dor, um peso, uma saudade, algumas lembranças de um passado que já ficou para trás.

“Eu me sentia, enfim, grata pela oportunidade, independente do sofrimento. Aquilo era passado, em breve daria início a um novo momento da minha vida”

Uma vez mais fui presenteada com a escrita da autora Marie Pessoa, que a cada novo lançamento me surpreende com seu talento e sua força. Obrigada por mais essa história que tanto me ensinou, Marie!

E para quem nunca leu nada dela, já deixo aqui essas duas obras incríveis:

Citações #40 — Minhas escolhas

Quando escrevi a resenha de Minhas escolhas, da autora Taynara Melo, acabei deixando alguns quotes de fora e agora apresento-os a você em mais um post exclusivo de quotes literários.

Em se tratando de uma obra que aborda tanto assuntos importantes, era natural que isso acontecesse. Mas os quotes que trago hoje se referem mais a passagens reflexivas da história, falando principalmente sobre o medo, sentimento que a permeia em diversos momentos:

“O medo nos faz estacionar, impede nosso avanço”

Ainda relacionado a esse sentimento, temos também a presença da morte na narrativa:

“A morte é assim, leva embora da terra as pessoas que amamos, enquanto nós temos que continuar a caminhada, até chegar a nossa vez”

E claro que, pelo próprio título da obra, já podemos imaginar que as escolhas estão presentes nos mais diversos momentos, né? Hora porque a protagonista quer mudar de vida, hora porque ela está passando por alguma situação extremamente complicada, o que, por vezes, dificulta a nossa tomada de decisão:

“Sinto-me sem rumo e sem conseguir pensar um pouco mais além”

Partindo desse aspecto, chegamos a outra essencial também, que é o momento em que enxergamos e aceitamos que precisamos de ajuda:

“Eu precisaria de ajuda para tirar esse sentimento de dentro de mim. Eu não conseguiria mais viver com a mente perturbada”

Por fim, uma coisa que aparece realmente bastante, estando por trás de praticamente todos os temas que mencionei até aqui, são as relações entre as pessoas:

“Muitas pessoas passaram pela minha vida ao longo desses 27 anos, mas foram pouquíssimas, que eu trouxe para perto de mim e tratei como família”

E aí, o que achou desses trechinhos? Ficou com vontade de ler Minhas escolhas? Então é só clicar aqui!

Ler é bom, por que nós não gostamos? [tradução 18]

Dia desses vi alguém comentando que hoje, mais do que nunca, ler é importante. Difícil discordar, né? Quer dizer, acho que ler sempre foi importante, mas às vezes a gente perde a dimensão do quanto um livro pode nos abrir muitas portas. Por outro lado, sabemos como existem muitos não leitores por aí, mesmo com tantos estudos e publicações que demonstram os benefícios que esse hábito nos traz.

E foi pensando nessas questões que me deparei com um texto (quase uma entrevista de uma pergunta só) que achei muito interessante e que acrescentou alguns pontos à minha reflexão, principalmente por mencionar o papel das escolas (e, em menor grau, dos pais) nisso tudo. O texto em questão foi publicado com o título “Leggere è bello, perché non ci piace?”, no Popolis, em 25 de julho de 2002 e, abaixo, você poderá ler a tradução que fiz dele.

Antes, porém, gostaria de ressaltar que talvez a opinião do autor possa gerar uma pequena polêmica, ainda mais se pensarmos no contexto brasileiro, que carece de tantas coisas: investimento material e intelectual, incentivos, formação adequada… Ainda assim, acredito que podemos retirar dessas palavras uma reflexão válida e que pode nos ajudar a encontrar um norte interessante e, quem sabe, até mais eficiente para o incentivo à leitura.


Prezado Mario Lodi, somos estudantes da IV de Bùssero, na província de Milão. Sabemos que ler é bom, mas nem todos nós lemos sempre de boa vontade e espontaneamente, mesmo sabendo que isso é importante para aprender a nos expressar de maneira correta, para experimentar novas emoções, enriquecer a nossa fantasia, sonhar e estimular nosso pensamento e criatividade. Por quê?

Responde Mario Lodi

Caros amigos, vivemos em um tempo em que se lê cada vez menos, sejamos adultos ou crianças. O fenômeno do abandono da leitura por parte dos jovens americanos havia se tornando quase generalizado e a opinião pública pensava que fosse por causa da televisão.

O psicólogo Bruno Bettelheim, com um grupo de outros cientistas, estudou o problema e publicou os resultados da pesquisa em um livro, traduzido também na Itália, com o título “Imparare a leggere” [aprender a ler] (Editora Feltrinelli). Eles descobriram que a culpa do abandono da leitura não era da televisão, mas da escola, ou melhor, do primeiro livro que a primeira professora oferece à criança na primeira aula, no momento “mágico” no qual ensina a usar os sinais alfabéticos para ler e escrever. Naquele momento, diz Bettelheim, as crianças estão prontas para entrar, através da leitura, nos jardins da cultura, com os livros mais lindos que existem.

As escolas, porém, oferecem às crianças de quase todo o mundo os livros mais chatos que existem, aqueles escolares, iguais para todos. Então as crianças, que são curiosas de tudo, recorrem à televisão. Mas se elas tivessem descoberto de início os bons livros, a leitura se tornaria a mais bela aventura criativa, e uma necessidade. Os pais e os professores, portanto, deveriam substituir os textos escolares e chatos, pelos livros mais lindos e adaptados às crianças de todas as idades.

E quando encontram um, deveriam ler junto, sem fazer exercícios de gramática, e depois procurar outro, e depois outro… Assim nascerá a vontade dos livros como descoberta do mundo real e fantástico. Quem não teve a sorte de, imediatamente, ler bons livros, prefere a TV, mais cômoda, e torna-se preguiçoso diante do monitor. A sua fantasia adormece, o seu pensamento para. E quando o pensamento para é quase impossível colocá-lo em movimento novamente. Boas leituras, caros amigos.


E aí, qual é a sua opinião sobre isso? Não deixe de me contar nos comentários!

Modern Love — Daniel Jones (organizador)

Título: Modern Love: histórias reais de amor, perda e redenção
Original: Modern Love: true stories of love, loss and redemption
Organizador: Daniel Jones
Editora: Rocco
Páginas: 300
Ano: 2020
Tradutor: Ana Rodrigues

Para não deixar dúvidas, hoje eu vou falar sobre o livro Modern Love e não sobre a série que foi inspirada em algumas das histórias que compõem esta obra que, por sua vez, reúne alguns dos textos publicados na coluna homônima do jornal The New York Times. Isso, aliás, é um problema: saber que existe uma coluna recheada de histórias como as que estão neste livro me faz ficar ainda mais obcecada em querer conhecê-las.

“Nos filmes, os gestos românticos funcionam. Mas comigo, na vida real, eles falharam”

Queria dizer, também, que esse foi um livro que iniciei a leitura sabendo que era dele que eu precisava (e agradeço imensamente à Nati por, mais de uma vez, ter dito que eu precisava ler ele e também à Camila, porque graças ao sorteio que ganhei no perfil dela, finalmente pude ter esta obra). Apaixonada por histórias de amor que sou — daqueles romances bem água com açúcar mesmo — eu estava em busca de algo mais real, mais palpável. É isso o que acontece quando a gente cai do cavalo de uma hora para outra, né?

“Fazer papel de boba por amor no fim é sobre você, sobre quanto você tem para dar e as distâncias que está disposta a percorrer para manter seu coração aberto, quando tudo ao redor faz você sentir que deveria se trancar”

Acho que eu posso dizer que a minha leitura desta obra foi catártica e eu amei poder ter encontrado em palavras tantas possibilidades de sentir, de viver e de amar, no sentido mais amplo que essa palavra pode significar.

“Às vezes, não consigo evitar imaginar se os fardos que carregamos não acabam nos carregando”

As histórias que compõem esta obra não são apenas histórias de casais — heteros ou não —, mas, como o próprio nome já diz, histórias de amor, o que pode envolver mãe e filho, amigos, conhecidos. Histórias que podem nos fazer rir, suspirar, chorar, pensar; histórias com finais felizes, mesmo que essa felicidade não esteja onde imaginávamos que ela estaria ou “deveria” estar.

“Compartilhávamos uma história e filhos, mas o que tínhamos já não resultava em um casamento. E tudo bem. Naquela noite, descobrimos um modo de estarmos juntos que funcionava para nós e para nossos filhos”

Já que eu comentei sobre a série antes de iniciar esta resenha, devo dizer que nunca a assisti, mas que enquanto lia o livro eu conseguia compreender porque tiveram a ideia de criar, também, uma série televisiva com essas histórias (e, pelo que vejo falar, as pessoas parecem realmente curti-la). Os relatos são magnéticos e eu terminava a leitura de um e já queria logo iniciar o seguinte, ainda que, muitas vezes, um respiro entre uma história e outra fosse necessário.

“— Ficamos tão obcecados com o emprego que queremos, ou com a pessoa com quem estamos saindo, porque achamos que não haverá outros. Mas sempre há outros”

Algumas histórias, desde o título, parecem surreais, mas é difícil não mergulhar e vislumbrar os acontecimentos que a constroem. O que você esperaria de uma narrativa cujo título é “Primeiro conheci meus filhos, então, a minha namorada. Há uma relação entre todos”? Pois é, eu não sabia o que esperar e fiquei muito grata com a surpresa.

Modern Love me lembrou que cada história é única. Que cada “felizes para sempre” é único. Nem toda felicidade está em uma relação que segue um determinado padrão, até porque, quando falamos de sentimentos humanos, “padrão” é algo que está longe de existir.

“Não há um padrão de como se fazer isso, de como abraçar um ao outro de forma segura e plena depois de uma vida inteira separados”

Este livro é dividido em quatro partes, a saber:

  • Em algum lugar lá fora
  • Acho que amo você
  • Segurando firme nas curvas
  • Assuntos de família

Mas não se engane: não ache que você conseguirá prever o que te aguarda em cada uma dessas partes e que basta ler a primeira história para ter uma ideia do que vem a seguir. Como eu disse, as narrativas surpreendem a todo instante.

“Talvez, ao não responder minha mensagem, ele tivesse me dado de presente o resto da minha vida”

Se depois de ler essa resenha você ainda não acredita em minhas palavras, te convido a ler a obra ou assistir a série (primeira temporada | segunda temporada) e depois vir me contar o que achou, claro! A minha vontade é de abraçar esse livro e nunca mais largar.