Quotes #58 — Antes eu do que nós

Voltei com mais alguns (poucos) trechos do livro Antes eu do que nós, da Grazi Ruzzante, publicado em formato físico, este ano, pela Rocket Editorial. Não são tantas frases, mas eram passagens que eu não poderia deixar de compartilhar.

Antes eu do que nós é uma obra linda, com uma protagonista e tanto, e que que fala sobre as dores e as batalhas que enfrentarmos pelos simples fato de sermos humanos.

“Lição de Tina: Respeitar a própria dor muitas vezes exige mais força do que respeitar a dor do outro”

“Lição de Tina: por mais que uma armadura seja forte, ela sempre encaixa na fragilidade de um abraço”

“Já faz quase cinco anos, mas os vazios da casa não se preenchem com tanta facilidade só por causa disso”

Uma narrativa carregada de sentimentos e emoções, capaz de despertar tantas reflexões em nós.

“A verdade é que o ser humano sempre tem todos os motivos para se estressar e, ao mesmo tempo, nenhum”

Nesta obra, podemos ver personagens crescendo e amadurecendo. Aprendendo a lidar consigo, mas também com o outro.

“Eu me lembro como era ser adolescente. Acho que ninguém esquece, mesmo que nunca queira lembrar”

Com uma protagonista que é professora de artes, a história não deixa de valorizar expressões culturais e, claro, a educação.

“A arte pede para ser vista, faz parte do ciclo da coisa, entende?”

Se esses poucos trechos já te deram uma pontinha de curiosidade sobre a obra, não deixe de ler a minha resenha e, claro, de acompanhar de perto os trabalhos da Grazi, seguindo suas redes sociais (Instagram | Linktree).

Livros da Maria Eduarda Passos Freire

Acredito que você ainda não tenha ouvido falar de Maria Eduarda Passos Freire, mas espero que num futuro não muito distante isso mude.

A autora mirim e precoce — esses três livros foram publicados quando ela tinha cerca de 12 anos de idade — tem muito a nos fazer refletir sobre a Educação no Brasil.

E se engana quem acha que é apenas uma criança falando sobre Educação: em seus livros, Maria Eduarda deixa claro as fontes de onde bebe, incluindo, entre elas, ninguém menos que Paulo Freire.

Claro que há muito a ser amadurecido e aprofundado no repertório da jovem, mas as leituras desses livros são rápidas e nos enchem de esperança. Não espere uma leitura muito técnica, porque não é a isso que a autora se propõe (e nem deveria).

Os livros são bem simples, têm ares de livro infantil (letra grande, ilustrações coloridas) e as folhas são brancas e grampeadas, nos convidando a escrever sobre elas. 

Mesmo com essas edições econômicas e sem grandes luxos, é muito bacana ver que uma editora abriu suas portas para publicações como essas, dando a oportunidade para que Maria Eduarda compartilhasse de seu conhecimento e descobertas.

Traçarei um breve comentário sobre cada um dos três livros que li, além de trazer mais algumas informações técnicas sobre eles. Você pode adquirir seus exemplares no site da The Books Editora. E se quiser conhecer mais sobre a autora e incentivar o seu trabalho, não deixe de segui-la no Instagram.

O que é Educação de qualidade?

Páginas: 28 
Ano: 2020

Neste livro, a autora busca explicar o que é a Educação e o que temos de fazer para melhorá-la e valorizá-la.

É também aqui que Maria Eduarda nos revela querer ser professora e, em mais de um momento, menciona a importância de valorizarmos os profissionais da Educação.

Uma coisa que me chamou a atenção — mas que é compreensível, pois a mãe de Maria Eduarda é professora — foi a sensibilidade da jovem com relação à puxada rotina dos professores.

“Professor, aquele profissional incrível que acorda todos os dias cansado, exausto e, mesmo assim, vai trabalhar mais um dia para sobreviver”

Além disso, ela fala sobre o prazer de aprender, os valores que deveriam ser ensinados desde cedo, o sistema avaliativo (aqui ela faz críticas bem pertinentes, que desde cedo me questionei também), as matérias escolares (por outro lado, há aqui uma crítica que requer muito aprofundamento ainda, pois as coisas não são tão preto no branco), a importância de ler e o tempo da aprendizagem de cada um.

“Ser humilde não é você baixar a cabeça, concordar com tudo, não é isso, é apenas você não se achar melhor do que ninguém, sabendo que você não sabe de tudo”

O maravilhoso mundo da educação infantil

Páginas: 28 
Ano: 2020

Dentre os três volumes desta coleção, O maravilhoso mundo da educação infantil é o único que, além dos textos em que Maria Eduarda expõe suas reflexões, traz, também, alguns “pensamentos”, que nada mais são que frases que condensam as ideias ali expostas.

“Ser estimulado ajuda as crianças a acreditarem que têm a capacidade de aprender”

É interessante acompanhar, ao longo das páginas deste livro, a visão de uma jovem sobre a educação de crianças, principalmente nos anos iniciais da vida. Ela deixa, desde o início, clara a importância dessa fase e também o seu gosto por ela.

O que mais chama atenção é a noção que Maria Eduarda carrega de que cada criança tem seu tempo, mas que todas têm a capacidade de aprender, se adequadamente estimuladas a isso.

“Toda criança tem a capacidade de aprender, só que algumas demoram mais, outras demoram menos”

Aqui ela também usa termos muito importantes para essa fase da vida, e que demonstram um certo grau de conhecimento técnico sobre o tema. São palavras como afetividade, projetos, dinamismo, mudança, inclusão e formação continuada.

O maravilhoso mundo da educação de adultos

Páginas: 22 
Ano: 2020

Talvez eu deva recomendar que você comece a leitura destes livros por este volume. 

A verdade é que a ordem dos fatores não altera muito o produto (neste caso). Tanto é que tentei trazer as resenhas numa ordem que me pareceu lógica, mas é em O maravilhoso mundo da educação de adultos que Maria Eduarda fala mais sobre si mesma e sobre o contexto no qual vive.

Nesta obra a jovem fala sobre uma experiência concreta que realizou, de alfabetizar seus avós. E é daí que nascem tantas reflexões e tanto conhecimento técnico e prático da jovem.

“Isso pode acontecer com várias pessoas. Se bem trabalhada, a educação pode mudar vidas e tornar nosso mundo cada vez melhor!”

Ela começa o livro contando sobre como tudo começou e, em seguida, começa a compartilhar algumas das técnicas adotadas em sua missão.

É muito interessante ver como ela realmente montou não apenas um projeto educacional, mas uma espécie de escola, com coordenadora e tudo. E como ela foi testando estratégias e adaptando seu ensino aos alunos que tinha.

“É alfabetizar o aluno de acordo com o que ele convive”

Ainda resta espaço, na obra, para que Maria Eduarda projete seu futuro e nos conte, mais uma vez, sobre seus sonhos.

O que achou desses livros? Não deixe de me contar no comentários!

Contos — Ana Farias Ferrari

Ana Farias Ferrari é uma autora nacional que consegue escrever narrativas que nos prendem, aquecem nosso coração e trazem altas doses de identificação.

“Eu me permiti me apaixonar tantas vezes, só para no fim ter meu coração partido”

(Conto: Sol sustenido)

Recentemente, “maratonei” cinco contos dela publicados na Amazon e hoje venho comentá-los.

Como de costume, fui pegando as histórias sem olhar muito para a sinopse, escolhendo minha ordem de leitura bem ao acaso. Por coincidência, contudo, comecei a leitura com um conto que se passava no Halloween (eu li em outubro) e terminei com um de natal.

Comentarei minhas leituras, portanto, na ordem que as realizei. Se você se interessar por alguma (ou por todas!), basta clicar no título para saber mais sobre ela.

Sol sustenido

Claro que escolhi começar minhas leituras pelo conto que carrega algo do universo musical no título. O que eu não imaginava era que a história se passava no Halloween, data que estava chegando quando li o conto.

Felipe trabalha em um bar a noite toda e, em suas horas livres, alterna entre descansar um pouco da loucura e compor músicas.

Um belo dia, quando está tocando na praça, quebrando a cabeça para terminar uma composição, um gato aparece. 

Há, contudo, algo de diferente no gato. E Felipe só vai descobrir isso depois: o gato é, na verdade, Lucas, um humano que sofreu uma maldição.

“— Eu sei, é um clichê, estou preso em um maldito clichê de contos de fadas”

(Conto: Sol sustenido)

O desenrolar do encontro desses dois nos faz enxergar que uma noite de halloween pode mudar muita coisa em nossas vidas e que, sim, o amor pode estar nos lugares mais improváveis.

“Eu só não sei se realmente quero encontrar alguém de novo, talvez meu destino seja ficar sozinho, só eu e minha música”

(Conto: Sol sustenido)

Por toda a eternidade

É provável que, em algum momento da sua vida, você já tenha pensado como seria se pudesse viver para sempre, não?

Bom, Felipe vive uma realidade na qual algumas pessoas são imortais. E ele, claro, é uma dessas pessoas.

Dentre os tantos problemas que isso traz, existe a dificuldade em encontrar um emprego, principalmente para aqueles que não têm habilidades especiais. E, para piorar, Felipe consegue sempre estragar tudo.

Sua derradeira chance é conseguir se dar bem no último lugar que Felipe se imaginaria: o setor do amor eterno.

“Corações partidos são como livros que não tem final”

(Conto: Por toda a eternidade)

Entre as enrascadas na qual Felipe se mete, essa história nos arranca risadas e suspiros na mesma medida.

Quando a chuva passar

Você já teve a sensação de que há uma nuvem pairando sobre sua cabeça?

Bom, no caso de Hélio essa nuvem é literal. Sim, ele tem uma nuvem só para ele, sempre chovendo sobre si.

“Veja bem, quando se passa a vida inteira com uma tempestade sobre sua cabeça, são só os dias de completo caos que fazem com que você não se sinta tão sozinho no mundo”

(Conto: Quando a chuva passar)

Irônico o cara que tem uma tempestade particular chamar-se Hélio? Provavelmente. Mas nada na vida é definitivo e o amor sempre pode nos transformar, como Ana Ferrari sempre faz questão de nos lembrar por meio de suas histórias. 

“Era uma sensação nova, querer a companhia de alguém, algo que por muito tempo eu quis acreditar que não precisava”

(Conto: Quando a chuva passar)

No momento em que tudo aconteceu

Henrique tem um passado que a cada palavra dessa narrativa queremos compreender, mas que vai sendo revelado aos poucos, na medida certa.

Para isso, também temos de acompanhar os encontros dele com uma aparição no restaurante em que trabalha. E essa aparição também tem lá o seu passado, o que só aumenta nossa curiosidade.

“O quanto é ridículo? Ficar presa a um término?”

(Conto: No momento em que tudo aconteceu)

Entre passado e presente, essa história nos traz dois corações partidos que, juntos, podem se curar.

“A voz fraca e baixa doeu em seu coração, porque o desespero de um amor interrompido é uma das dores mais sinceras que existem, e Henrique a conhecia bem demais”

(Conto: No momento em que tudo aconteceu)

Sob um arco-íris de Natal

Para concluir minha maratona de leitura, cheguei a um conto de natal que se passa em tempos pandêmicos, mas que, claro, não deixa de ser recheado de amor.

Juliano e Danilo são vizinhos, mas o que realmente os aproxima é a pandemia. Até porque Juliano era daqueles que nunca paravam em casa, ao contrário de Danilo.

A aproximação, contudo, desperta muitos sentimentos em ambos e é bem gostoso acompanhar o desenvolvimento calmo da relação deles.

“Eu nunca tinha me visto daquela forma, e queria poder guardar o momento para sempre” (Conto: Sob um arco-íris de Natal)

E aí, qual desses contos você leria (primeiro)?

Se quiser conhecer outras obras da autora, aqui no Blog você encontra resenha de:

E não deixe de acompanhar o trabalho da Ana nas redes sociais (Instagram | Twitter), para não perder nenhuma novidade!

Tatianices recomenda [19] — Musical “Os sonhos não envelhecem”

A indicação de hoje vem recheada de emoção e música.

Para quem não sabe, sou apaixonada por MPB, estilo musical que cresci ouvindo (e cantando).

No dia 09/11 perdemos repentinamente um grande nome desta área: Gal Costa.

No dia 13/11 Milton Nascimento se despedia dos palcos (mas não da música) em um enorme show no Estádio do Mineirão. O momento também foi transmitido pelo Globoplay.

Em meio a acontecimentos que, por si só, já são suficientemente grandiosos para a nossa história, pude assistir um espetáculo que, desde então, tenho recomendado a todos: Clube da Esquina — Os sonhos não envelhecem.

Se eu me arrepio só de ver as luzes se apagando e a cortina se abrindo (eu amo teatro também, esqueci de dizer isso), dessa vez a emoção foi ainda maior: após os créditos iniciais, de toda a produção do espetáculo, um “Viva Gal”, seguido de uma salva de palmas.

Pausa.

Lágrimas sendo contidas.

Então começa o espetáculo, dirigido por Dennis Carvalho. No palco, no correr das horas, acompanhamos Milton Nascimento — ou Bituca — interpretado por Tiago Barbosa, e um pouco da história do famosos Clube da Esquina.

Assistindo esse musical, aprendi coisas que eu não sabia; conheci detalhes que eu não imaginava. E também mergulhei um pouco mais na história do meu país, vendo ali o retrato de uma época não tão distante da nossa realidade atual, infelizmente.

Tudo isso ao som das maravilhosas canções de Milton Nascimento e de uma série de outros músicos que, caramba, transformaram a história da nossa música!

Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas ele caiu muitas e muitas vezes na esquina da rua Paraisópolis com a rua Divinópolis, em Belo Horizonte. Ainda bem, pois foi ali que tantas poesias viraram música. A nossa música.

Ao final, quando todos os atores e músicos — de altíssimo nível, aliás — estavam no palco, embebida pele energia das canções e atuações, compreendi a força do momento que estava tendo a oportunidade de viver.

Arrepio.

O musical Clube da Esquina — Os sonhos não envelhecem fica em cartaz, em São Paulo, até o dia 18 de dezembro, então você ainda pode conferir com os seus próprios olhos (e ouvidos) essa montagem incrível.

As apresentações acontecem às quintas, sextas e sábados, às 21 horas; domingo às 19 e sábado ainda há sessão às 16 horas também. A peça dura 2h30 e, para além disso, tem 15 minutos de intervalo.

O teatro Liberdade fica na Rua São Joaquim, 129, no Bairro da Liberdade.

O valor do ingresso (a parte mais difícil) varia de R$240 (inteira – plateia premium) a R$37,50 (meia popular — balcão) e podem ser comprados online (com a taxa de conveniência) ou na bilheteria do teatro.

Para outras informações, você pode acessar o Instagram da montagem.

E se posso te pedir um favor, conte-me aqui nos comentários qual é a sua música preferida do Milton ou do Clube da Esquina!

A princesa sem reino — Tayana Alvez

Título: A princesa sem reino 
Autora: Tayana Alvez 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 120 
Ano: 2022

Releituras dos famosos contos de fadas existem aos montes por aí, porém, uma vez mais, Tayana Alvez nos surpreende com sua criatividade e capacidade de trazer uma história tocante e reflexiva na medida certa.

Tudo começa com Maeve se preparando para o 22° baile de aniversário do príncipe Séan, e desde o início é clara a inspiração desta obra: Cinderela.

Primeiro porque Maeve é — ao menos como nos faz acreditar o início da história — a pobre garota que não quer ficar de fora do baile real e que conta com a ajuda de sua fada madrinha para isso. Mas também porque ela mesma, em seu disfarce, adota o nome da famosa (para nós) princesa para se apresentar.

“A magia é trabalhosa e sempre tem um preço”

Há, contudo, muitas diferenças

Logo vamos descobrindo que, até certo ponto de suas vidas, Maeve e Séan cresceram juntos. O reino de Saoirse, onde vivem, era governado por dois reis: o rei do sul, pai de Maeve, e o rei do norte, pai de Séan.

“Essas lembranças em meio ao castelo no qual vivi os melhores anos da minha vida, fazem meu coração diminuir e meu peito apertar”

Tudo mudou, contudo, quando o rei Rex (o rei do norte) assassinou o pai de Maeve e ela teve de fugir com o que restou de sua família.

“Sou absurdamente grata aos dois, mas a imagem de meu pai morrendo nos meus braços quando eu tinha treze anos e deixando esse mundo sem honra, por causa da ganância de um homem que se dizia seu amigo, não é algo que se possa esquecer”

Esse acontecimento traumático gera um desejo de vingança em Maeve e é interessante perceber que, mesmo sabendo que vingança por vingança é algo ruim, a motivação de Maeve é extremamente compreensível e dificilmente não torcemos por ela.

“Mas, no fundo, a voz que eu quero calar, grita a verdade”

A ida de Maeve ao baile, portanto, tem um único objetivo: mapear as fraquezas do castelo para que ela possa assassinar Rex e retomar o seu trono.

“Tudo é meu e, ao mesmo tempo, nada é”

Desde a morte de seu pai e a consequente fuga, Maeve nunca esteve totalmente sozinha. Ela cresceu e se fortaleceu com a ajuda de sua madrasta, Niamh, e de seu guarda, Cillian.

“Ter as pessoas que eu amo ao meu lado foi o que me ajudou a suportar. Seja lá o que isso signifique”

É com a ajuda deles que Maeve traça seus planos e mantém a cabeça no lugar mesmo quando reencontra Séan e percebe que ele é bem diferente de Rex.

“No entanto, quando precisei de Séan, ele não estava lá”

A princesa sem reino é uma leitura que nos prende porque queremos saber se Maeve terá sucesso em seus planos e também porque queremos descobrir como o coração dela fará suas escolhas, que não sou poucas e nem simples.

“É o quanto esse amor se manteve vivo e resistindo, mesmo no silêncio, que me traz a certeza dessa felicidade”

Você pode ler essa história (e tantas outras) na antologia Se todas as rainhas estivessem eu seus tronos e conhecer mais do trabalho da autora através de suas redes sociais (Site | Instagram)

Você também pode se interessar por outras obras da mesma autora que já resenhei por aqui:

Clichês em rosa, roxo e azul — Maria Freitas

Título: Clichês em Rosa, Roxo e Azul: coleção de contos com protagonismo bissexual 
Autora: Maria Freitas 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 685 
Ano: 2021

Introdução

Durante a pandemia que se iniciou em 2020 e, aqui no Brasil, se prolongou com um cenário tão terrível quanto em 2021, inúmeros autores e editoras deixaram, em algum momento, suas obras liberadas para download gratuito

“Acho que o mundo não vai acabar. Ele só vai ser diferente daqui em diante”

(Conto: Amor de janela)

Muitos artistas — ao menos aqueles que conseguiram manter um pouco de sanidade em meio ao caos — também aproveitaram esse período para produzir e publicar. 

“Via na expressão artística a chance de escapar um pouquinho, de atingir o outro, de mudar o mundo”

(Conto: As razões de Henrique)

Foi justamente nessa época que surgiram os contos da Maria Freitas, reunidos, posteriormente no livro Clichês em rosa, roxo e azul: coleção de contos com protagonismo bissexual

“Estou muito longe de ser aquilo que esperam que eu seja e de amar o tipo de pessoa que eles esperam que eu ame”

(Conto: Mas… e se?)

Foram inúmeras as vezes que essas histórias apareceram para mim, mas foi somente agora que realmente parei para entrar em contato com elas. E, como sempre, acredito que foi no momento certo.

“É difícil não se sentir um incômodo quando você passou a vida inteira se sentindo exatamente desse jeito”

(Conto: um corpo de verão)

O livro me tocou bastante e os contos, cada um à sua maneira, ao seu estilo, me fizeram refletir sobre inúmeros assuntos (para além, claro, do protagonismo bissexual). Assim sendo, achei que seria justo comentar um a um, então esse post talvez fique um pouco longo, mas é por uma ótima causa.

“Eu entendo, Cecília. Mas é preciso estar vivo pra militar”

(Conto: Azeitonas)

Sobre o livro

Antes, porém, alguns apontamentos sobre a obra como um todo: apesar da grande quantidade de páginas (são mais de 600), a leitura flui muito rapidamente, afinal são diversos contos reunidos e todos eles conseguem nos fazer mergulhar na história.

“Não preciso nem abrir os olhos para saber que estou no lugar certo”

(Conto: Emma, Cobra e a criatura na parede)

Além disso, é muito interessante ver que diversas narrativas, de alguma forma, se conectam, assim como há elementos que se repetem, como, por exemplo, a presença de pesadelos. Também dei altas risadas a cada título ou nome de autor real que vi levemente modificado ao longo dessas páginas. Sem contar o quentinho no coração de ver a literatura nacional sendo valorizada dentro da literatura nacional. 

“Se ela gosta dos livros do Mariano, é porque tem bom caráter, não é?”

(Conto: Bregafunk do amor)

Gostei muito das descrições dos personagens, sempre inseridas de maneira natural e nos possibilitando uma visualização melhor deles. Outro ponto positivo é que a maioria dos personagens é “fora do padrão“, trazendo uma diversidade muito maior e natural à obra.

“Quando eu era criança, confiava demais em todo mundo. Mas aí me tornei um adolescente solitário, com tantas questões internas, tantas coisas guardadas dentro de mim, flutuando entre mil “eus”, que me fechei”

(Conto: Um papai Noel de outro planeta)

Sem mais delongas, vamos a cada uma das histórias, na ordem em que aparecem no livro que as reúne. Ao clicar sobre o título, você irá acessar a página da Amazon do conto em si. Ao final do post, deixarei o link para a obra completa, caso você, assim como eu, não queira perder nenhuma dessas maravilhosas histórias.

Mas… e se?

Depois de uma (longa) temporada de shows, o cantor sertanejo Henrique finalmente volta para casa. 

“Cansei de dormir no banco de passageiro, cansei de chorar de saudade com a cabeça encostada no vidro frio da janela”

(Conto: Mas… e se?)

Mas, além de ter que se readaptar à calmaria da vida numa cidade do interior de Minas, ele também tem de se acostumar com o novo (não tão novo assim) namorado de sua esposa

“Preciso beber algo quente, preciso da cafeína para me situar, para entender todas as mudanças que aconteceram na minha vida, quando eu não estava vivendo”

(Conto: Mas… e se?)

Confuso? Bem, esse conto já começa nos mostrando que o amor é algo realmente complexo e que, por vezes, há espaço para mais de um amor verdadeiro dentro de nossos corações.

“Quem nos bagunça são os outros”

(Conto: Mas… e se?)

E bota amor verdadeiro nisso, viu? Nem as traições do passado foram capazes de diminuí-lo (e claro que não darei mais detalhes, porque se eu estava muito curiosa para entender o passado desses personagens, também quero deixar a curiosidade te dominar).

“Porque o amor muda tudo”

(Conto: Mas… e se?)

Um corpo de verão

Acho que o título desse conto já deixa bem claro um dos pontos principais dessa narrativa: a insegurança que temos com relação aos nossos corpos, principalmente diante de tantas pressões estéticas impostas pela mídia e pela sociedade.

“As pessoas sempre vão encontrar algo para dizer. Sempre. Não importa o que você faça, elas sempre vão estar lá para te julgar”

(Conto: um corpo de verão)

Mas Vanessa também tem muitas outras coisas com as quais lidar, como as dificuldades pelas quais a mãe passou e tudo o que teve de abrir mão para que a protagonista tivesse uma vida razoável.

“Nunca achei justo o sacrifício que ela teve que fazer. Nunca achei justo não termos escolha”

(Conto: um corpo de verão)

Não bastasse isso, Vanessa ainda queria poder beijar a amiga de infância. Amiga da qual havia se afastado quando tudo ficou confuso dentro dela.

“Parecia que a gente tinha se perdido uma da outra, se desconhecido”

(Conto: um corpo de verão)

E nessa busca uma pela outra e por si mesmas, vamos enxergando o quanto Vanessa guarda dentro de si, e vamos aprendendo a amá-la como ela mesma, aos poucos, também vai aprendendo.

“Algo se revirou no meu estômago. Uma sensação ruim de quem está sentindo coisas demais, coisas que não sabe como decifrar”

(Conto: um corpo de verão)

Espero que não perca

Acho que esse é um dos contos mais diferentes deste livro, numa pegada mais romance de época. Sim, com protagonismo bi, por que não?

“Ninguém se importa com o que sentimos”

(Conto: Espero que não perca)

Mas essa não era a única dificuldade das protagonistas dessa história: Mercedes pertencia à burguesia, enquanto Alzira era uma mulher negra. Já imaginou o tamanho do problema para uma história que começa por volta dos anos 30?

A história das duas se cruza pela primeira vez no velório da avó de Mercedes, uma mulher que, segundo as descrições, parece ter sido incrível.

“Há uma linha tênue que separa a vida da morte. Um suspiro. Um último sorriso. Mas nem sempre a morte é o fim de uma história. Às vezes, ela é o começo”

(Conto: Espero que não perca)

Dali para frente elas têm de lidar com os sentimentos do coração e os preconceitos que a cercam, fazendo nascer uma história cujo final emociona até o mais duro dos corações.

“As partes quebradas dos dois se encaixavam”

(Conto: Espero que não perca)

Amor de janela

Amor de janela era um conto que eu tinha curiosidade em ler, porque o título já deixa bem explícito o período em que se passa a narrativa: a pandemia.

“— Ficar em casa é mais difícil pra algumas pessoas que pra outras, né?”

(Conto: Amor de janela)

Apesar de estar acostumada à paz do seu quarto, a pandemia também mexe muito com Camila, que tem de aprender (e tentar) a conviver com sua família.

“Já estava acostumada a ficar em casa o dia inteiro, mas a impossibilidade de sair deixa as coisas muito piores. É essa falta de escolha que me incomoda, não a limitação de opções de lazer”

(Conto: Amor de janela)

Um belo dia, porém, algo (alguém) quebra a monotonia dessa vida reclusa: Erick, o vizinho de Camila.

“Ando sentindo tão pouco, que sentir algo, mesmo que bobo, faz meu coração saltar”

(Conto: Amor de janela)

E enquanto os dois vão se conhecendo, nós vamos nos apaixonando por cada um e torcendo por aquele quentinho no coração necessário. 

“Para você que está em casa, sonhando com abraços e lidando com a solidão. Nós vamos vencer isso!”

(Conto: Amor de janela)

Outra dimensão para nós dois

Já imaginou se ver vivendo cenários futuros que dependem das escolhas que você faz hoje?

Pois é isso que encontramos em Outra dimensão para nós dois, história na qual conhecemos Maycon, apaixonado por Rafael, o melhor amigo com quem divide a casa.

“Em algum ponto desastroso do tempo ou das nossas escolhas”

(Conto: Outra dimensão para nós dois)

E claro que Rafael não facilita em nada a situação. Primeiro porque ele é daqueles que quer pegar todo mundo e não ficar com ninguém (bem diferente de Maycon). E segundo porque ele é muito tranquilo, acha que a vida não precisa ser levada tão a sério.

“A gente faz escolhas erradas todos os dias. Ainda estamos aqui, não estamos?”

(Conto: Outra dimensão para nós dois)

Este é um conto leve, apesar de trazer questões pesadas. Um conto que começa como uma nuvem cinza pairando, deságua e, enfim, faz o sol brilhar sobre nós.

Estrela e a Flor

Aqui temos um conto que está mais no gênero da fantasia, retratando uma região que era de terras pacíficas — Alveiros —, até que um brilho forte surge no céu e muda a história local. 

“As coisas não começam do meio, Estrela…”

(Conto: Estrela e a flor)

Na noite em que começa a história, tudo está ainda mais diferente: o pai de Estrela, única pessoa capaz de acender uma fogueira que resista ao frio da região, já não está mais vivo para desempenhar seu papel.

“Esta noite, em especial, tudo parece grande demais para suportar”

(Conto: Estrela e a flor)

Mas a festa é salva por uma figura que também desperta sentimentos e reflexões dentro de Estrela, que tem muito a aprender sobre sua própria história.

“Eu nem sabia que estava sentindo tantas coisas até todas elas transbordarem”

(Conto: Estrela e a flor)

Azeitonas

Óbvio que eu, que amo azeitonas, fiquei intrigada com o título desse conto. Só não imaginava que essa simples maravilha poderia ser tão significativa para a história de um relacionamento.

“Rótulos são políticos. Você deve usá-los para se reunir com pessoas iguais a você, para reivindicar direitos e debater sobre dores em comum. Não para se diminuir”

(Conto: Azeitonas)

Ao mesmo tempo, a história nada tem a ver com as azeitonas em si, indo muito além disso. Aliás, este é outro conto que retrata muito bem o período da pandemia.

“Passo o mais longe dele que consigo e vou (mais uma vez) tomar um banho. Já estou de saco cheio. Essa pandemia tem que acabar!”

(Conto: Azeitonas)

Cecília está vivendo esse período com o avô, e resolveu se voluntariar para fazer as compras para ele e para outros vizinhos idosos. 

Ela tem todo um esquema para organizar as compras, mas um dia, perdida em pensamentos, acaba misturando as coisas, dando início a uma troca de bilhetes entre seu avô e um dos vizinhos.

“Acho que preciso focar um pouco mais no mundo que está aqui à minha frente”

(Conto: Azeitonas)

A troca de bilhetes, os sentimentos de Cecília e as conversas que ela tem com seu avô fazem com que a jovem acabe entendendo um pouco melhor o término do seu relacionamento, além de compreender as novas relações em sua vida.

“Pra mim é isso o que mais importa, Cecília. Ter alguém que preencha, ao menos um pouquinho, o meu vazio”

(Conto: Azeitonas)

Nós também temos muito a aprender com essa história, que retrata o amor na sua forma mais pura, simples e verdadeira.

“Quero falar sobre sentir dor, sobre estar triste, sobre… amar as pessoas…”

(Conto: Azeitonas)

As razões de Henrique

Henrique mora no interior de Minas com sua mãe, Débora, e suas irmãs, Vanessa, Carol e Alessandra. O pai vive com outra família.

“A separação dos pais é um acontecimento traumático para a maioria das pessoas. Para Henrique não. Sentia-se aliviado” 

(Conto: As razões de Henrique)

O drama na vida de Henrique, porém, são as inúmeras vezes que teve de trocar de escola devido a problemas.

“Ele queria dizer a ela que nunca tinha feito aquilo. Queria dizer que, na verdade, estava fugindo das perseguições dos colegas das outras escolas onde havia estudado”

(Conto: As razões de Henrique)

O que ninguém sabe, porém, é que os “problemas” dele são o bullying sofrido por ser diferente de seus colegas.

“Henrique queria ser hétero, queria muito, mas não era”

(Conto: As razões de Henrique)

Em Santa Maria Madalena, contudo, as coisas parecem ser diferentes.

“Nunca havia sido acolhido em escola nenhuma antes, nem tinha passado por sua cabeça a possibilidade de que ali ele pudesse se sentir bem. Mas ele se sentiu, assim que Malu se sentou na cadeira do lado dele”

(Conto: As razões de Henrique)

E realmente são. É nessa cidade que Henrique passa a viver um amontoado de sentimentos, buscando entender o que se passa em seu coração.

“Em todos os seus quinze anos, Henrique nunca havia sentido o coração bater tão forte no peito”

(Conto: As razões de Henrique)

Mais do que falar sobre a descoberta da bissexualidade (em um lugar onde ainda há muito preconceito com o que “foge à norma”), esse conto também nos faz refletir sobre o tempo, sobre olhar com calma ao nosso redor.

“É que… às vezes, a gente está com tanta pressa, tão preso na nossa própria vida, que esquece de todas as vidas que nos cercam. Elas também são importantes, mas ninguém vê”

(As razões de Henrique)

Um conto que também faz com que nos apaixonemos pelos personagens.

“Pela primeira vez na vida, Henrique quis parar. E permanecer”

(As razões de Henrique)

Emma, Cobra e a criatura na parede

Devo confessar que o título deste conto não despertava muito da minha curiosidade, mas hoje eu leria até mesmo o livro que aprofunda essa história.

Emma e Cobra eram bons amigos. Até deixarem de se falar. E claro que o afastamento deles se deve a um mix de sentimentos que só a adolescência e essa fase de descobertas é capaz de despertar em nós.

Alguns acontecimentos estranhos, porém, juntam esses dois amigos novamente: Emma ouve vozes vindas da sua parede (e não são vizinhos, pois ela mora na última casa da cidade), enquanto Cobra é capaz de ler os pensamentos dos outros.

“E eu penso que está muito além da nossa compreensão entender como aquele meteoro nos transformou na nova geração dos X-Men, só que no interior de Minas Gerais”

(Conto: Emma, Cobra e a criatura na parede)

Enquanto tentam entender o que está acontecendo, Emma e Cobra se reaproximam, conhecem criaturas vindas de outra dimensão do tempo e espaço e têm a oportunidade de perdoar um ou outro.

“Ela respeitou meu pronome no íntimo de sua mente… E pensar nisso faz com que eu me sinta culpado”

(Conto: Emma, Cobra e a criatura na parede)

Acho que eu fiz uma música

Ao contrário do último conto, este aqui obviamente já ganhou meu coração só pelo nome, apesar do começo ter sido um pouco mais arrastado do que eu esperava.

Tudo começa com Juan indo assistir a uma apresentação de Lili simplesmente porque ela um dia fora parceira musical de João Vinícius, por quem Juan é apaixonado desde a adolescência.

“Perdi mais uma vez para João Vinícius”

(Conto: Acho que fiz uma música)

Acontece que Juan não tem ideia do fim desastroso que a parceria e a amizade de Lili e João Vinícius tivera.

Ainda assim (e mesmo que muito a contragosto), Lili aceita a proposta de Juan: ela o ajuda a conhecer João Vinícius e ele a ajuda a melhorar seu marketing. 

“Parte de mim ainda acha que deveria lutar contra isso. Só que tenho lutas demais na vida, não preciso de mais uma”

(Conto: Acho que fiz uma música)

Juan só não contava em se apaixonar mais uma vez no meio desse caminho. E é difícil não torcer por esse amor.

“Eu não havia reparado tanto nela antes, mas Lili é muito bonita. Do tipo de beleza que parece um tapa na cara, você só percebe quando bate. E te tira do eixo”

(Conto: Acho que fiz uma música)

Bregafunk do amor

Preciso confessar que eu jamais imaginaria que um conto com esse título poderia falar, também, de uma paixão que me move: livros.

“Há um lugar, porém, onde sempre posso encontrar um refúgio, onde sei que irei me identificar com os personagens vivendo suas vidas de forma extremamente mágica… ou não. E esse lugar são os livros do Mariano Madeira”

(Conto: Bregafunk do amor)

E é justamente isso que une Ana Cecília, Felipe e Mirela, três jovens apaixonados pelos livros de Mariano Madeira

“Então vocês também gostam do Madeira? — Mirela pergunta baixinho. Parece até que estamos planejando derrubar o presidente. O que não seria uma má ideia”

(Conto: Bregafunk do amor)

Felipe e Mirela já se conhecem de longa data e têm um passado que fica pairando no ar a todo momento.

“E meu coração acelerou por Felipe por muito, muito tempo. Até o dia em que ele o feriu”

(Conto: Bregafunk do amor)

Ana, por sua vez, também parece ter um passado e tanto, mas é nova na cidade e está tentando recomeçar e se reencontrar ali.

“O olhar de Ana é puro terror. Parece que já viu mais coisas do que deveria ser aceito uma adolescente ver”

(Conto: Bregafunk do amor)

Ao descobrir a paixão em comum, porém, os três jovens se unem em um plano infalível (só que não) para ir à sessão de autógrafos do autor na cidade vizinha.

“Nossa sintonia é tão palpável que eu poderia morar nesse espaço que estamos construindo”

(Conto: Bregafunk do amor)

Narrado em primeira pessoa, cada vez por um desses personagens, este conto nos entrega muitas reflexões e muita profundidade, disfarçadas de uma história totalmente leve e até engraçada.

“Só posso me responsabilizar por aquilo que eu faço. As atitudes, mentiras e silêncios deles, são responsabilidades deles”

(Conto: Bregafunk do amor)

Um papai Noel de outro planeta

É natal, mas a data não está nada celebrativa para Gal, pois sua namorada está desaparecida.

“O vazio que eu sinto ao perceber que minha mãe não me conhece mais — que ela nunca me conheceu — foi até suportável em outros natais, mas não neste”

(Conto: Um papai Noel de outro planeta)

O que Gal não imagina é que é justamente um Papai Noel (um pouco diferente talvez) a pessoa que irá ajudar nessa busca.

“É engraçado como naturalizamos o que não deveria ser naturalizado”

(Conto: Um papai Noel de outro planeta)

Este é o último conto do livro e ele consegue reunir muitas das outras histórias lidas. É muito gostoso passar pelas aventuras de Gal, que por si só já dão muito pano para manga, e, ao mesmo tempo, relembrar um pouco do que foi lido ao longo do livro.

Aqui, novamente, temos viagem pelo tempo e espaço, mistérios a serem resolvidos e muitos sentimentos envolvidos.

“Viajar no tempo é conviver com sua própria inexistência”

(Conto: Um papai Noel de outro planeta)

E também temos muita reflexão disfarçada em meio a algo que pode parecer leve.

“Eu me deixei de lado, por muito tempo, tentando ser aquilo que esperavam de mim”

(Conto: Um papai Noel de outro planeta)

Conclusão

Como eu disse lá no começo dessa resenha, Clichês em rosa, roxo e azul foi uma obra que me tocou bastante. Com ela, pude ter ótimos momentos de lazer, mas também aprendi muito.

“Não é a quantidade nem a frequência das mensagens, é a conversa em si e a atenção que você dá a ela”

(Conto: Azeitonas)

Através dos personagens, passei a enxergar a diversidade com olhos ainda mais amplos, compreendendo, também, que são inúmeras e variadas as formas de amar verdadeiramente. Além de enxergar com mais clareza uma parte de mim também.

“É muito fácil me acostumar com ele aqui, como se sua presença fosse natural”

(Conto: Mas… e se?)

E para quem, assim como eu, não saberia escolher apenas um conto para ler, deixo aqui o link para a obra completa. Aproveite para também conhecer as redes sociais da autora (Site | Instagram | Twitter) e ficar por dentro dos lançamentos dela.

Aos meus heróis — Julinho Marassi e Gutemberg

Para variar, estava eu ouvindo recomendações do Spotify quando a música que hoje trago aqui começou a tocar. 

Não me lembro se algo do início dela chamou a minha atenção, mas quando percebi que havia referências a outras músicas e nomes da MPB, parei seja lá o que eu estava fazendo para ver que música era essa.

Até o momento de sentar e escrever esse post eu nunca tinha ouvido falar em Julinho Marassi e Gutemberg, a “dupla número 1 da região sul fluminense”. Você já ouviu falar deles?

A música que trago aqui foi composta em 2001 e gravada pela primeira vez em 2002, no CD Julinho Marassi & Gutemberg Ao Vivo.

Como eu disse, o que me chamou a atenção na música foram as referências. Ao menos as que entendi, já que, pesquisando um pouco, descobri que elas somam quase  trinta.

Olhando a letra toda, porém, também achei interessante o início, no qual os compositores traçam uma crítica ao excessivo uso da televisão, o gradual abandono do uso da criatividade e o consequente empobrecimento das produções artísticas

Os músicos ainda fazem uma ressalva de que a crítica não é voltada aos jovens, ainda que haja um direcionamento maior desta para o “pancadão” que, conforme a letra, não deveria ser a única opção.

Depois disso, a música se volta para o passado — mais ou menos distante —, fazendo a sua ode aos nossos artistas.

É interessante que a composição cita os nomes dos artistas, de maneira que é bem fácil encontrar os homenageados, mas também há, em diversos casos, menções a músicas ou versos, que demandam um pouco mais de conhecimento das obras desses cantores e compositores.

É o caso de “Se eu quiser falar com Gil”, que faz referência a Se eu quiser falar com Deus (essa era fácil, vai?), ou então ao fato de haver a pergunta “O que será que o nosso Chico tá escrevendo?”, nos lembrando que além de músico, Chico Buarque é também escritor. 

Quem acha estranho o verso “Aquelas rosas já não falam de Cartola” talvez não conheça As rosas não falam, assim como “Nem do Cazuza te pegando na escola”, que é uma referência ao início da música Faz parte do meu show (te pego na escola / e encho tua bola / com todo o meu amor).

Quando falam de Oswaldo Montenegro, Julinho Marassi e Gutemberg usam duas referências: a música Agonia e e Não há segredo nenhum.

Uma das melhores junções de referências, no entanto, acho que aparece mais adiante na música, quando ele junta a Casa no campo com o Dia branco e até com o Chão de giz, quase construindo uma narrativa aqui (com músicas que também são ótimas).

Apesar de ser quase um clássico, não sei se ficou clara, também, o “Quero sem lenço e sem documento, Caetano”, indicando a música Alegria, Alegria. E já que estamos aqui, eu não poderia mencionar a minha alegria em ver Oceano, do Djavan também!

Ao final da música temos, ainda, alguns pedidos dos compositores, que buscam uma música mais original, inteligente e que nos faça pensar.

Deixo, abaixo a letra completa e, ao final, a música, para que você possa ouvi-la. E, claro, não deixe de buscar os demais artistas mencionados na canção. Pelos nomes citados, você já consegue encontrar muita coisa boa.

Faz muito tempo que eu não escrevo nada

Acho que foi porque a TV ficou ligada

Me esqueci que devo achar uma saída

E usar palavras pra mudar a sua vida

Quero fazer uma canção mais delicada

Sem criticar, sem agredir, sem dar pancada

Mas não consigo concordar com esse sistema

E quero abrir sua cabeça pro meu tema

Que fique claro, a juventude não tem culpa

É o eletronic fundindo a sua cuca

Eu também gosto de dançar o pancadão

Mas é saudável te dar outra opção

Os meus heróis estão calados nessa hora

Pois já fizeram e escreveram a sua história

Devagarinho, eu vou achando meu espaço

Mas não me esqueço das riquezas do passado

Eu quero a benção de Vinícius de Morais

O Belchior cantando como nossos pais

E se eu quiser falar com o Gil sobre o Flamengo

O que será que o nosso Chico tá escrevendo?

Aquelas rosas já não falam de Cartola

Nem do Cazuza te pegando na escola

Tô com saudades de Jobim com seu piano

Do Fábio Júnior com seus 20 e poucos anos

Se o Renato teve seu tempo perdido

O rei Roberto, outra vez, o mais querido

A agonia do Oswaldo Montenegro

Ao ver que a porta já não tem mais nem segredos

Ter tido a sorte de escutar o Taiguara

E Madalena de Ivan Lins, beleza rara

Ver a morena tropicana do Alceu

Marisa Monte me dizendo: beija eu

Beija eu, beija eu, deixa que eu seja eu

Beija eu, beija eu, deixa que eu seja eu

O Zé Rodrigues, em sua casa no campo

Levou Geraldo pra cantar no dia branco

No chão de giz do Zé Ramalho, eu escrevi

Eu vi Lulu, Ben Jor, Tim Maia e Rita Lee

Pedir ao Beto um novo sol de primavera

Ver o Toquinho retocando a aquarela

Ouvir o Milton lá no clube da esquina

Cantando ao lado da rainha Elis Regina

Quero sem lenço e documento, Caetano

E o Djavan mostrando a cor do oceano

Vou caminhando e cantando com o Vandré

E a outra vida, Gonzaguinha, o que é? (O que é?)

Atenção, DJ, faça a sua parte

Não copie os outros, seja mais smart

Na rádio ou na pista, mude a sequência

Mexa com as pessoas e com a consciência

Se você não toca letra inteligente

Fica dominada, limitada a mente

Faça refletir, DJ, não se esqueça

Mexa o popozão, mas também a cabeça

A cabeça

Cabeça, DJ

A cabeça

A redoma de vidro — Sylvia Plath

Título: A redoma de vidro 
Original: The bell jar 
Autora: Sylvia Plath 
Editora: Biblioteca Azul 
Páginas: 280 
Ano: 2019 
Tradutor: Chico Mattoso

Finalmente pude ler A redoma de vidro. E essa comemoração tem uma explicação, para além do fato de eu sempre querer ler tudo para ontem: em 2019 dei início à leitura desta obra, porém em uma edição que veio com problema, como contei neste post.  

A demora para retomar a leitura, claro, é total culpa minha, mas eu lembro que não tinha sido muito fisgada da primeira vez e acabei adiando pegar o meu exemplar novinho e inteiro. Porém, como eu sempre digo, os livros me chamam no momento certo de serem lidos. E, com certeza, aproveitei bem mais a leitura agora.

“Você nunca se decepciona quando não espera nada de alguém”

O que eu me lembro é que, lá em 2019, estava achando a leitura um pouco arrastada e também estava perdida, achando que a história não ia para lugar algum, mesmo sabendo que, em algum momento, o choque viria. E ele realmente vem, sem que você perceba, porque está tão mergulhada na leitura que não se dá conta da força do baque, coisa que, aliás, me conquistou bastante neste livro.

“Para a pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel como um bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim”

Costumo entrar em minhas leituras sem saber muito sobre o livro em questão: uma passada de olho na sinopse, algumas vezes; um comentário pescado aqui ou ali. E só. Quando digo que deixo os livros me chamarem, estou falando sério.

Ainda assim, eu sabia que a leitura de A redoma de vidro seria… Densa. Acho que não há palavra melhor para descrever esta obra. E, ainda assim, ela flui, seja pela sua verdade, seja pelo seu humor ácido e inteligente.

Esta é uma narrativa que a gente percebe como, infelizmente, foi escrita com propriedade e com naturalidade. Em Esther Greenwood, Sylvia Plath tem a oportunidade de se retratar e, talvez, compreender algumas das suas próprias dores.

“Na verdade o problema é que eu sempre fora inadequada, só não tinha pensado nisso ainda”

Uma obra que já em 1963, quando foi originalmente publicada, conseguiu retratar muito bem os estigmas sob os quais questões de saúde mental são colocados em nossa sociedade.

“Claro que eu não sabia quem iria querer se casar comigo depois de eu ter passado por onde passei”

A incompreensão e a solidão se fazem quase tão presentes nesta narrativa quanto a própria protagonista, uma jovem que sai do subúrbio de Boston para trabalhar em uma revista de moda em Nova Iorque, vivendo, contudo, com certa indiferença aquele que deveria ser O período da sua vida.

“Quase todo mundo que eu conheci em Nova York estava tentando emagrecer”

O livro, porém, não fala apenas sobre depressão, ainda que este seja o tema que mais salte aos olhos. É preciso ler as entrelinhas para ir além e mergulhar na vida de uma mulher solteira e sozinha, que tem muito a enfrentar em questões de relacionamentos, estudos e amadurecimento. Uma mulher que se olha no espelho e sequer se reconhece.

“Me sentia feito um buraco no chão”

Se ansiedade, depressão e ideação suicida não são gatilhos para você e esta obra te interessou, já clica aí embaixo para garantir o seu exemplar. Eu li a edição da Biblioteca Azul e, para além dessa capa delicada e com um desenho feito pela própria autora, preciso dizer que a diagramação é confortável e o papel de boa qualidade, tornando a leitura ainda mais agradável.

 

Citações #57 — 100 canções para salvar a sua vida

O tanto de quotes que eu tenho desse livro daria para escrever uma nova história. Então senta que lá vem post grande!

“Não acredito na ideia de felizes para sempre. Por que tem que ser eterno pra ser verdadeiro?”

Costumo pensar que se você quer saber se eu realmente gostei de um livro, basta ver quantos trechos destaquei nele (apesar de ter livros tão bons que eu não consigo escolher pequenos trechos, mas páginas inteiras, então acabo não destacando quase nada).

“É engraçado como nunca pensamos nas decisões simples e fugazes que fazemos todos os dias”

Cada trecho significa identificação, compreensão ou apenas o fato de algum pensamento importante ter surgido em mim por causa dele.

“O ser humano pode ser monstruoso. Mas nós também temos algo que ninguém mais tem. Nós podemos amar, de verdade e com todo o coração”

E é gostoso voltar a esses trechos e, às vezes, dar novos significados a eles. Ou novas importâncias.

“Por um tempo, deixamos que a música fizesse o que música faz. Deixamos ela nos curar”

100 canções para salvar a sua vida, da Camila Dornas, foi, sem dúvidas, uma leitura intensa

“Poucos meses mudaram tudo. Duas daquelas pessoas estavam mortas. As que foram deixadas para trás quebradas demais para um dia serem consertadas”

E a história já começou me conquistando ao falar de São Paulo de uma forma que não poderia ser mais verdade.

“São Paulo era um completo caos, mas era meu caos, e eu adorava”

Mas outro tema que me é tão caro e que tanto me fez querer ler este livro foi, claro, a música, tão presente em cada momento da narrativa.

“Gostava do jeito como ele articulava as palavras quando discutia música, como se mal pudesse contê-las”

“Ambos acreditavam que a música certa podia salvá-los”

“Chorei com apenas aquela canção como companhia. E, ao menos por um momento, foi o suficiente”

“Observá-lo era como ouvir uma canção calma depois de um dia frenético”

“Ouvimos a música em silêncio, naquele limbo onde nossos problemas foram temporariamente esquecidos”

“Algo extraordinário acontecia quando ele se conectava com uma canção”

Uma história que fala, também, sobre perdas e finais (com ou sem despedidas).

“Porque você está aqui agora. E talvez você não signifique muito para o resto da eternidade, mas significa o mundo para quem está do seu lado. E isso vale a pena. As coisas não precisam ser pra sempre para merecerem ser vividas”

“Nunca pensamos muito na morte. Em quão súbita e sem sentido é”

“Acho que é o que acontece quando alguém que você ama para de existir. A parte que eles ocupavam simplesmente fica lá, vazia”

“Mais que nunca, quis poder abraçá-la, dizer que ficaria tudo bem. Mas era tarde demais”

E, sem dúvidas, uma história sobre empatia e dores que nem sempre podemos compreender.

“Algo nela se quebrou irremediavelmente naquele dia”

“— Nós não fomos as únicas pessoas que ela machucou ao deixar pra trás, Ali”

“Não é apenas sobre pessoas extraordinárias, mas dores extraordinárias”

Sobre sermos, antes de mais nada, humanos.

“Não tem nada errado em querer alguma ajuda de vez em quando”

“O silêncio costuma incomodar as pessoas, porque tem uma capacidade singular de te deixar completamente exposto a si mesmo”

“Não entendo por que estamos tão desesperados para esconder nossas próprias falhas”

“Mas ninguém nunca vê nada exatamente igual à outra pessoa. Nossa realidade é totalmente afetada por quem nós somos”

“Lágrimas contidas são como veneno. Confie em mim, eu sei”

100 canções para salvar sua vida é, ainda, sobre termos nossos vícios, sejam eles saudáveis ou não.

“— Ele é um bêbado. Começou quando minha mãe morreu e nunca mais parou. A bebida o transformou em uma pessoa completamente diferente. Eu já tentei de tudo pra recuperar o homem que ele foi, mas em algum ponto temos que desistir de quem não quer ser salvo”

“Para ela, a adrenalina era uma droga”

E no meio de tanta coisa, ainda sobre espaço para passagens leves, recheadas de amor e de personagens marcantes a seu modo.

“Valentina tinha o tipo de sorriso que mudava o mundo”

“Nós dançamos, e parecia que eu o conhecia, que entendia a energia dele”

“Ele era como um dia de sol logo depois de uma tempestade”

“Acho que nunca me acostumaria à sensação de vê-lo sorrir”

Se você se interessou por essa história e quer saber mais sobre ela, não deixe de ler a resenha e de garantir seu exemplar clicando abaixo.

Profissão Fangirl — Ana Farias Ferrari

Título: Profissão fangirl 
Autora: Ana Farias Ferrari 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 258 
Ano: 2022

Você já teve a sensação de que um livro foi escrito para você ou sobre você?

Pois ao iniciar a leitura de Profissão fangirl eu tive essas duas sensações juntas. 

Logo de cara, um livro que — infelizmente — tocou diretamente no meu coração.

“Amiga, desculpa, mas que idiota! Quem termina por mensagem?”

A sensação de tamanha identificação foi estranha, porque ao pegar Profissão fangirl para ler, eu imaginava uma protagonista muito distante de mim, uma vez que nunca fui uma pessoa com ídolos que admire tanto a ponto de me considerar uma fangirl.

Seguindo a leitura, porém, a impressão de que o livro era sobre mim foi logo substituída pela sensação de um livro escrito para mim. E para tantas pessoas que certamente precisam desta leitura.

“A gente sempre acha que a melhor época da nossa vida ou já passou, ou vai chegar, em vez de tentar aproveitar a época em que estamos vivendo”

Como dito ali no início, essa história começa com o término de um relacionamento de cinco anos entre Alice e Diego, deixando a protagonista completamente sem rumo.

“Durante todo o resto da manhã fui fazendo as tarefas automaticamente enquanto deixava minha mente vagar pelos últimos cinco anos da minha vida, todos aqueles em que o Diego esteve presente”

Conversando sobre o acontecimento com suas inseparáveis amigas, porém, Alice percebe que tem muito mais coisa fora do lugar em sua vida.

“Por quase dois anos eu estava acomodada a um emprego que não era nada daquilo que eu queria, e se eu tinha aprendido alguma coisa com o meu relacionamento é que não dá para continuar em um lugar só porque é confortável, eventualmente você vai receber uma mensagem te dizendo que tudo acabou e o que vai restar é o vazio de saber que você só estava ali por medo de mudar”

Decidida a recomeçar — e talvez um pouco alcoolizada também — Alice resolve acompanhar a turnê dos The Rabbits, sua amada banda que, de repente, ela descobre que estará no Brasil em breve. E claro que, para esse momento, ela também decide reativar o blog que criara, anos antes, com as amigas.

“Eu precisava descobrir de novo o que era ser feliz, e não era me adequando aos padrões dos outros que eu conseguiria isso”

Após pedir demissão do emprego que não a fazia feliz, Alice embarca para Belo Horizonte, onde acompanhará sozinha o primeiro show, e depois para o Rio de Janeiro, onde ficará alguns dias na casa de seu amigo Fred e cidade na qual acompanhará o segundo show da banda.

“A felicidade é feita de momentos, e o responsável por fazer esses momentos existirem somos nós!”

Mas é claro que essas viagens não seriam transformadoras por si só. O que mais mexe com Alice, para além das tantas mudanças com as quais ela tem de lidar ao mesmo tempo, é o fato dela ter conhecido Theo, uma figura misteriosa, distante, mas que tem seus motivos e suas vivências para ser assim.

“— Eu sei o que é estar em um relacionamento ruim e em um emprego que você odeia — ele disse, e agora seu sorriso parecia triste. — Nem todo mundo tem coragem de admitir isso e fazer algo para mudar”

É difícil essa história não mexer em algum nível com você. E eu preciso deixar bem claro aqui que mesmo que você ache que shows e a vida de uma fangirl não têm nada a ver contigo, a narrativa desta obra vai muito além disso: ela fala sobre sentimentos, perdas, inseguranças, felicidade. Fala sobre relacionamentos e amizades e aborda cada tema de maneira leve e madura, nos arrancando suspiros, risadas, lágrimas e muita vontade de viver um final feliz.

“Eu só quero descobrir o que é ser feliz de novo, sabe? Aos quinze anos eu sabia de alguma coisa que hoje eu já não consigo mais lembrar”

A narrativa em primeira pessoa nos permite um mergulho no universo da protagonista, tornando a leitura ainda mais intensa. A construção da narrativa também ajuda a tornar os acontecimentos factíveis, nos aproximando ainda mais de cada linha desta história.

“Droga, como alguém podia ser tão ignorante dos próprios sentimentos?”

Se você acha que essa história é para você, já clica ali embaixo para saber mais. E não deixe de seguir a autora em suas redes sociais (Instagram | Twitter).

Ah, e se por acaso você prefere ler fantasias, Ana Farias Ferrari também é autora de Os guardiões dos livros. Não deixe de conferir a resenha!