Não é (só) sobre política

Acho que só existe uma verdade universal nesta vida: a de que não existem verdades universais.

Ok, isso parece ser bem contraditório, mas combina bem com o que quero falar aqui. O assunto do post de hoje é sério (e longo) e quis começar de maneira um pouco descontraída, mas já que você chegou até aqui, que tal ficar mais um pouco e ler até o fim?

Se não existem verdades universais, também não podemos achar que o que é bom para um é, sem sombra de dúvidas, bom para todo mundo (até porque “todo mundo é muita gente”). Assim sendo, eu não pretendo, aqui, dizer que este é melhor que aquele, mas apenas te ajudar (e me ajudar também) na reflexão.

O primeiro turno das eleições de 2022 está à nossa porta. Chamamos estas de eleições presidenciais, mas não é apenas para este cargo que votaremos. E esse é um dos pontos principais daquilo que quero falar aqui.

Antes, porém, quero te contar uma coisa: eu não gostava nem um pouco de política. Não que hoje eu ame, mas entendo melhor o seu papel (e o meu no meio disso tudo). E eu não gostava justamente por isso: eu não entendia nada de nada!

Só ouvia falar de escândalos, de corrupção e, por outro lado, de gente passando necessidade, de escolas sucateadas, de problemas na saúde. A conta não fechava e eu achava que não tinha como melhorar, que o Brasil já não tinha jeito, então eu não “perdia meu tempo” indo atrás. Até porque eu “era uma só”, que diferença poderia fazer?

Bom, eu ainda sou uma só, mas hoje eu entendo que é de um em um que a gente faz mil, dez mil, infinitos.

Tirei meu título de eleitor com 16 anos, não por querer, mas por sugestão dos meus pais, que disseram que tirando com essa idade, eu tinha menos chance de ser chamada para ser mesária. Ao menos funcionou! Mas nas primeiras vezes em que fui votar, eu mal sabia o que estava indo fazer.

Em 2018, porém, as coisas foram diferentes. Ainda perdida entre tantas informações, eu tentei buscar entender um pouco melhor as coisas.

Isso, contudo, é um processo. São muitas informações, vindas de tudo quanto é lado. Algumas verdadeiras, outras falsas. É preciso aprender a separar o joio do trigo e, sendo sincera, isso cansa. Mas (apesar de tudo) sou brasileira e não desisto nunca!

Como eu disse lá no início, não estou aqui para falar sobre candidatos — nem mesmo sobre partidos —, não apenas por entender que cada um deve buscar aquilo que é melhor para si (ainda que não possamos desconsiderar os direitos humanos e outros direitos essenciais), mas porque eu sequer escolhi os meus. E não é por falta de opção, mas porque me falta uma coisa essencial: a pesquisa.

Contudo, não vou fazer como anos atrás. Até domingo eu tenho apenas uma lição de casa: ler, pesquisar, entender. E só então escolher. E pode ter certeza, eu farei isso.

A verdade, porém, é que esse post já é o pontapé da minha pesquisa. Porque, como eu também disse ali no começo, a gente chama essas eleições de “eleições presidenciais”, mas há outros cargos em jogo. E eles são de extrema importância. Será que sabemos realmente disso?

Vou ser bem sincera: eu não sei tão claramente não! E, justamente por isso, resolvi escrever sobre as obrigações de cada um dos cargos para os quais votaremos esse ano, para então, durante a minha tarefa de casa, poder analisar o que eu espero de cada um e quem representa melhor aquilo que eu busco (e o mais legal é que, enquanto esse Blog existir, este post estará aqui e eu poderei voltar a ele sempre que precisar).

Vou escrever aqui na ordem em que teremos de votar no domingo, combinado?

O que faz um Deputado Federal?

Os Deputados Federais trabalham (ou deveriam trabalhar) lá na Câmara dos Deputados, em Brasília. Digamos que eles são quase tão centrais quanto o próprio Presidente no cenário político.

A função deles é legislar (ou seja, criar leis) e fiscalizar (ou seja, ver se as leis estão sendo cumpridas). Basicamente, colocar o país para funcionar e garantir que ele funcione seguindo as regras. Bem importante, não?

E você sabia que nós temos 513 deputados? É bastante gente! Mas de que adiantaria se esses 513 deputados pensassem da mesma forma e, pior ainda, pensassem apenas em si e esquecessem de todo o resto da população, principalmente daquela (grande) parcela que mais precisa deles?

Por isso, é muito importante que você avalie quais são os seus ideias inegociáveis, ou seja, aquilo que, para você, é essencial para que o país cresça de maneira saudável e próspera. Pode ser saúde, educação, meio ambiente, tecnologia. Com esses itens em mente, busque por candidatos que apresentem propostas relacionadas a eles.

Outra forma bem interessante para encontrar o seu candidato ideal é ver quem são os deputados atuais e o que eles realmente fizeram nos últimos quatro anos. Pode ser um bom começo para acrescentar algumas opções à lista, ou, principalmente, para saber de quem você quer passar longe. Além disso, você aproveita para se interar do que anda acontecendo na Câmara.

Onde você pode encontrar informações confiáveis? No site da própria Câmara dos Deputados, claro!

Vale lembrar que os Deputados Federais possuem 4 dígitos (os dois primeiros representam o partido e os dois últimos o candidato).

O que faz um Deputado Estadual?

Em menor âmbito (isto é, pensando no seu Estado), o Deputado Estadual tem as mesma funções do Deputado Federal, elaborando e aprovando leis que estiverem relacionadas a temas pertinentes à esfera estadual. Eles também são responsáveis por fiscalizar as contas do Estado. Ou seja: se você é contra a corrupção, precisa procurar por candidatos honestos (eles hão de existir).

Novamente, portanto, vale pensar no que você acha que seu Estado pode melhorar, para então buscar candidatos que tenham propostas relacionadas a este ponto.

Os Deputados Estaduais trabalham na Assembleia Legislativa (cada Estado tem a sua) e o site delas também é uma excelente fonte para verificar o trabalho daqueles que estiveram ali nos últimos quatro anos (e não só). Se quiser ter uma ideia, este é o site da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Para votar no Deputado Estadual você precisará de 5 dígitos (novamente os dois primeiros são do partido e os três últimos do candidato).

O sistema proporcional

Antes de continuar falando sobre as funções de cada cargo, um grande parênteses necessário: Deputados (federais e estaduais) são eleitos pelo sistema proporcional. E isso é bem complexo, mas é bom termos uma ideia de como ele funciona, porque também pode influenciar o nosso voto.

De maneira extremamente reduzida e simplista, o sistema proporcional é um sistema no qual os partidos e coligações recebem vagas (na Câmara ou na Assembleia) em quantidade proporcional às suas votações. Ou seja, um candidato não depende apenas de si mesmo parra ser eleito, mas também com os votos que o partido recebe.

Isso significa que, ao votar em um candidato, você pode ajudar outro candidato do mesmo partido a ser eleito. Por isso, neste caso, analisar o partido, e não apenas os candidatos de maneira individual, pode ser importante.

Como eu disse, é um sistema complexo e entendê-lo mais a fundo nos permite, também, buscar algumas estratégias, visando contribuir para uma Câmara (ou uma Assembleia) mais representativa.

O que faz um Senador?

Preciso começar esta parte com uma informação que sempre me esqueço: Senadores não são eleitos por quatro anos, mas por OITO. Ou seja, vamos escolher bem, né?

A cada quatro anos votamos em Senadores porque, mesmo o mandato sendo de oito anos, a renovação acontece a cada quatro anos, na proporção de 2/3 e 1/3. Isso significa que este ano votaremos em apenas um Senador e, nas próximas eleições, em dois.

O Senado, com a Câmara dos Deputados, compõe o Congresso Nacional (sim, aquele de Brasília). Mas enquanto a Câmara representa o povo, o Senado representa os Estados.

Na hora de escolher o seu Senador, há uma coisa que você também precisa levar em consideração: os suplentes (ou os “substitutos” daquele Senador). Cada Senador é eleito com 2 suplentes na chapa.

Uma importante função do Senado é a de julgar crimes de responsabilidade. Por isso é importante que a constituição do Senado também seja diversificada, contando com representantes de diversas frentes e partidos, garantindo que não sejam defendidos os interesses de apenas uma parcela da população e dos políticos.

O Senado ainda aprova (ou não) os nomes indicados ao STF, o Procurador-Geral da República e os Presidentes e Diretores do Banco Central. Nomes que influenciam enormemente a gestão de recursos nacionais e a fiscalização do andamento das leis que nos regem.

Claro que o Senado também tem o seu site, no qual é possível verificar o que anda acontecendo por lá e o que podemos esperar dos próximos Senadores eleitos.

O número dos Senadores possui somente três dígitos (os dois primeiros são o do partido).

O que faz um Governador?

O Brasil é um país imenso e os cargos apresentados até aqui podem parecer distantes demais da nossa realidade.

Dá um sentimento de impotência perceber que há tanto poder nas mãos de pessoas que nem sempre estão realmente preocupadas com a população, mas apenas com a possibilidade de tirar vantagem de tudo. Por isso é importante escolher com consciência e de acordo com os seus ideias.

Mas se pensar no Brasil como um todo pode parecer uma missão impossível, que tal começar prestando mais atenção no seu Estado? Este ano, além dos Deputados Estaduais, também iremos escolher novos Governadores, ou seja, as pessoas responsáveis por administrar e representar o Estado em ações jurídicas, políticas e administrativas. Além disso, uma das principais responsabilidades do Governador é a segurança pública, assunto tão em alta em nosso país.

O Governador também controla as finanças do Estado e é responsável por buscar mais verba no Governo Federal para os investimentos necessários na infraestrutura do Estado (como saúde e educação).

Como sempre, vale dar uma olhada no site do Governo do seu Estado (aqui está o de São Paulo) e, claro, nas propostas de cada candidato, dando maior atenção aos pontos que você considera essenciais.

Para votar em um Governador você precisa de apenas dois dígitos. Ah, é bem importante também analisar não apenas o candidato em si, mas o seu vice! Os dois são eleitos juntos e é bem comum que, em algum momento, o vice assuma o cargo.

O que faz o Presidente da República?

E finalmente chegamos nele, o cargo de maior destaque (mas, como espero que tenha ficado claro, não necessariamente o único de real importância nestas eleições).

Dentre as funções do Presidente, temos: gerir a administração federal; criar e executar políticas públicas e programas governamentais; sugerir, vetar ou sancionar leis; escolher ministros; receber autoridades estrangeiras; representar o país no exterior.

São muitas atividades, é verdade, mas é preciso lembrar que nada disso é feito de maneira solitária. Então, sim, o Presidente deve ser bem escolhido porque ele é o retrato da nossa sociedade, mas ele precisa de toda uma equipe que também seja o retrato da nossa sociedade.

O ideal, portanto, é que, para que você possa realmente escolher aquele candidato que te representa, você leia a proposta de governo de cada um. Este é um documento disponível no site do próprio Tribunal Superior Eleitoral e você pode consultá-los clicando no nome de cada candidato aqui.

Para acompanhar de perto os trabalhos do Presidente da República e os rumos do nosso país, o site essencial é esse aqui.

Uma vez mais, também é muito importante olhar não apenas para o candidato em si, mas também para seu vice. E, nas urnas, você precisará de dois dígitos para votar no candidato escolhido.

Cola eleitoral

Como mostrado ao longo deste post, este ano precisaremos votar para cinco cargo diferentes.

É importante lembrar que na cabine eleitoral não é permitido o uso de celular, então o ideal é pegar o bom e velho papel para fazer a sua colinha eleitoral. Melhor ainda se ela já estiver na ordem certa, porque aí é só digitar, conferir e confirmar.

Então, depois de analisar propostas e escolher (com sabedoria) os seus candidatos, anota aí:

  • Deputado Federal: XXXX (4 dígitos)
  • Deputado Estadual: XXXXX (5 dígitos)
  • Senador: XXX (3 dígitos)
  • Governador: XX (2 dígitos)
  • Presidente: XX (2 dígitos)

Conclusão

Peço desculpas por esse post imenso, mas eu realmente precisava fazer isso, até para ter mais claro o que eu, como cidadã, tenho de fazer nesta (e nas próximas) eleição.

Com certeza faltou muita informação aqui, mas o nosso sistema político é realmente muito complexo e, faltando tão pouco tempo, não seria possível destrinchar todo o necessário.

A verdade é que deveríamos aprender isso aos poucos, na escola, mas a que político interessa que possamos votar com sabedoria, não é mesmo?

E se me permite um pedido (para além do pedido de desculpas), vote com consciência. Vá as urnas sabendo o que está fazendo e, mais ainda, sabendo que está escolhendo por você, de acordo com o que há de verdade em seu coração. Não acredito que o Brasil seja um país de ódio e preconceito, mesmo depois de ter visto de tudo um pouco nos últimos tempos.

Lembre-se que o voto é secreto e que você não deve satisfação para ninguém sobre as suas escolhas, então não aceite coerções e vote de consciência limpa.

No dia das eleições, você não tem obrigação alguma de vestir qualquer coisa que indique o seu voto e se alguém te perguntar, você também não tem obrigação de responder.

Por mais clichê que seja, a mudança começa com cada um de nós. E a política não acaba nas urnas, mas também no acompanhamento daquilo que vem sendo feito e na nossa manifestação de (in)satisfação com os rumos das coisas.

Por isso, também deixo aqui um convite que fiz, em meu Facebook, lá em 2018: ao longo dos próximos quatro anos (e dos subsequentes), independentemente de quem estiver no poder, procure acompanhar os sites que eu trouxe ao longo deste post (ou aqueles dos governos de seu Estado) e não se cale diante daquilo que não está de acordo com o prometido durante as campanhas eleitorais ou que não está de acordo com os nossos direitos.

Antes eu do que nós — Grazi Ruzzante

Título: Antes eu do que nós 
Autora: Grazi Ruzzante 
Editora: Rocket Editorial 
Páginas: 328 
Ano: 2022

Acho que a resenha desse livro que mexeu tanto comigo tem de ser lida ao som da música que tanto mexe comigo. Então aperta o play aqui e vem descobrir mais sobre Antes eu do que nós.

“— Amiga… — Ela respira fundo antes de continuar. — A vida não é uma comédia romântica. Vai doer e não vai fazer sentido de vez em quando”

É engraçado como a (Be)Tina, protagonista desta história, poderia ser (e talvez seja) qualquer uma de nós: uma mulher incrível que não consegue enxergar isso, principalmente depois de tantas desilusões (amorosas, mas não só). 

E o melhor: ela é professora (de artes). Muito gente como a gente (ou ao menos como eu). E claro que isso contribuiu para ainda mais identificações ao longo da leitura.

“Professor nem é gente, até porque fazer planejamento em pleno domingo tá mais próximo de bicho do que de ser humano”

Em mais uma fossa, porém, Tina topa sair com Beca, sua melhor amiga, para uma balada LGBTQIA+. E o que deveria ser só diversão, sem pretensão alguma, vira mais uma história para Tina.

“Eu voltaria os ponteiros de todos os relógios da cidade só para nos dar mais alguns minutos juntos”

Sim, porque é nessa balada que ela conhece Caio, que também é protagonista nesta obra. 

“Ele me faz querer derrubar todos os muros”

Ler a história desses dois, juntos ou separados, é como ver uma sessão de terapia se desenrolando diante dos nossos olhos, pois há muito amadurecimento e muitas lições.

“Todos deveriam saber que têm essa escolha. Todos deveriam ter a chance de escolher de novo”

Aliás, ao longo da narrativa, que é em primeira pessoa, há pequenas “notas” deixadas pelos personagens. E aquelas deixadas por Tina chama-se justamente lições

“Lição de Tina: cabe mais contradição no nosso coração do que a nossa mente entende”

As notas de Caio chamam-se nota mental e, ao final da obra, Beca e João — personagem que se torna muito amigo de Caio logo no início do livro — também ganham voz e suas notas chamam-se, respectivamente, veredito da Beca e babado do João. O mais interessante, como talvez já tenha dado para perceber, é como o nome dado a esse espaço diz tanto sobre a personalidade de cada um.

“Hoje eu entendo que somos feitos das nossas histórias”

A escrita da Grazi vicia e a leitura dessa obra é extremamente leve e rápida. Mas não se engane: há muita profundidade, muitos pontos que podem doer de alguma forma e, como eu já mencionei, muitas reflexões que podem surgir ao longo dessas páginas.

“Você nunca conhece direito quem uma pessoa é de verdade até descobrir que tipo de coisa ela chama de mi-mi-mi”

Além disso, não são apenas os protagonistas que são muito bem construídos aqui, mas os personagens secundários também. Ficamos querendo saber mais e mais sobre cada um e é evidente como nenhum ali é supérfluo. É por meio também da história deles que Grazi insere temas como aceitação, preconceito, abuso, abandono…

“Eu sou um livro fechado e criptografado, mas altamente previsível. O João é um livro aberto e explícito — às vezes muito mais do que eu gostaria —, mas com uma aventura diferente a cada capítulo”

E se você está lendo essa resenha e pensando que esse é só mais um daqueles romances água com açúcar que eu amo ler e resenhar por aqui, preciso te dizer uma coisa: não, não é nada disso.

“O meu mar e o rio dela se encontram. Água doce e salgada, misturando cores, gostos e dores num só oceano”

Tem romance sim. Inclusive eu me apaixonei pelo Caio no começo do livro, mas eu sabia que alguma bomba estava por vir, afinal, era apenas o início da história. Dito e feito: a bomba veio e eu mudei de opinião.

“Como tanta coisa cabe em duas pessoas? Como tantos momentos cabem em tão pouco tempo?”

Mas não é só por isso que essa história é diferente de tantas outras. Há um plot que torna o final realmente inesperado. Necessário (ainda que a gente não queira ele dessa forma), mas inesperado.

“Alguns segredos só clareavam de verdade na escuridão do quarto”

Antes eu do que nós me fez abrir um sorrisão, me deu um leve aperto no coração, me fez querer abraçar o mundo (e os personagens). Uma leitura que acho que todo mundo deveria fazer

E se você pretende ouvir o meu conselho, adquira seu exemplar diretamente com a Grazi, ou então através do site da Rocket Editorial. Infelizmente o livro não está disponível na Amazon.

Ah, aproveita e já segue a autora nas redes sociais (Instagram | Twitter) e vem conferir a resenha de Querida quarentena, obra em formato digital, disponibilizada gratuitamente pela Grazi.

Atualidade em Romeu e Julieta [tradução 27]

Leia este post ao som de E daí (Gal Gosta)

Outro dia, movida por uma curiosidade repentina, resolvi preparar uma aula sobre Romeu e Julieta.

A pergunta que havia surgido em mim era sobre o porquê da história se passar na Itália, tendo sido escrita por Shakespeare. 

Em minhas pesquisas para a preparação da aula em questão, encontrei textos interessantes e um, especificamente, acabei separando para trazer para este espaço.

Por isso, a tradução de hoje, que você pode ler abaixo, é do artigo Attualità di Romeo e Giulietta, escrito por Goffredo Fofi e publicado em 20 de outubro de 2016 no Messaggero Santo Antonio, tendo sido atualizado, ainda, em junho de 2017.


Uma amiga que trabalha em uma escola de italiano para jovens imigrantes me conta sobre os preconceitos étnicos contra os quais tem que lutar, entre alunos asiáticos, africanos, norte africanos, latino americanos, europeus do leste e do sul, mas também, por sorte, sobre as histórias de amor que aconteceram entre alguns deles e terminaram bem.

Isso provavelmente também se deva ao grande esforço que ela e seus colegas empregam para quebrar aquelas barreiras. Ela me conta com satisfação de alguns casais que souberam resistir aos preconceitos, mesmo àqueles, os mais duros de combater, das próprias famílias. De vez em quando o amor vence o preconceito e qualquer outro conflito entre “famílias” e a história de Romeu e Julieta tem um final feliz. Viva.

Aquela de Romeu e Julieta, na versão que nos deu William Shakespeare, é certamente uma das histórias mais contadas no mundo, talvez, quem sabe, a mais contada de todas. Pelo simples motivo de que continua a ser uma história verdadeira, um daqueles tropeços destinados a se reproduzir na vida das sociedades e das comunidades, sempre e onde for. Existem centenas de versões dessa narrativa na história da literatura (e da fábula), a inglesa vem de fontes italianas, de Massiccio Salernitano, de Luigi da Porto, de Matteo Bandello.

A história de dois adolescentes que se amam mas pertencem a duas famílias ou classes sociais ou etnias ou vilas ou partidos ou países em guerra ou simplesmente a bairros de uma mesma cidade, a grupos que entre eles se odeiam, rivalizam, conflituam, reproduziu-se e se reproduz nas situações mais dispares e nas mais diferentes épocas.

Hoje, entre italianos e estrangeiros ou entre estrangeiros de diversas proveniências, de diversos países, de diversas cores de pele, de diversos hábitos culturais e, principalmente, aliás, de diversos credos religiosos, a vitória do amor sobre o preconceito é possível, mas geralmente, muito geralmente, esse amor tem um fim trágico ou, em alguns casos, infeliz, e deixa sozinhos dois jovens que poderiam ter se tornado um casal, um exemplo de uma convivência feliz e possível. Nas artes — no cinema, no teatro, nos quadrinhos, nos romances — raramente acontece dessas histórias acabarem bem: ele pobre, ela rica; ele branco, ela negra; ele chinês, ela latina; ele protestante, ela católica; ele sueco, ela siciliana; etc. Sobretudo, hoje, ele cristão, ela muçulmana. Algumas vezes acaba bem e se trata, nesse caso, de uma comédia e não de uma tragédia.

Li ou vi histórias, romances, filmes nos quais essas histórias acabam mal. Mas também ouvi músicas de bêbados sobre jovens comunistas e garotas cristãs democráticas, e li ficções nova iorquinas do final do século XIX sobre o amor entre um jovem imigrante hebreu e uma irlandesa, no qual os bate-boca eram explosivos, mas nos quais, graças ao amor, tudo acabava bem.

Hoje a diferença mais grave é aquela entre cristãos e mulçumanos. Mas mesmo aqui algumas histórias acabam bem, e os Capuleto e os Montecchio se reconciliam não no funeral dos filhos, mas no casamento deles. 


E então, qual é a sua opinião sobre isso? Ainda temos muito a melhorar como pessoas e sociedade, não?

Proibida de amar — Tayana Alvez

Título: Proibida de amar — a namorada de mentirinha do CEO 
Autora: Tayana Alvez 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 351 
Ano: 2021

Tem coisa melhor que pegar um livro com altas expectativas, estar tranquila com isso por saber que não vai se decepcionar e definitivamente não se decepcionar?

“Tem coisas na vida pelas quais a gente espera o tempo necessário, não importa quão longo ele seja”

A escrita da Tayana Alvez nos envolve facilmente e eu sempre me surpreendo com a naturalidade que ela insere temas importantes e boas reflexões ao longo de uma história que encanta e desperta, no final das contas, muitos quentinhos no coração.

“Para alguém que passou a vida dando conta de tudo, descansar no amor de outra pessoa foi um desafio”

Em Proibida de amar conhecemos melhor a história da Duda (Eduarda), uma das melhores amigas de Lavínia, de Proibida pra mim.

“O quarteto já passou por muitas fases, boas e sombrias, grudadas e distantes, mas, nos últimos meses, ele me salvou mais vezes do que eu conseguiria contar”

Quem leu Proibida pra mim (leitura não obrigatória para ler esta obra) sabe que Duda é mãe (e que se tornou mãe muito cedo) e que a relação dela com o pai da criança não é nada fácil.

“A Duda já passou por tanta coisa que eu sinto, sinto que preciso estar lá por ela, sabe? Porque ninguém mais vai estar…”

Mas é só neste livro que entendemos o que acontece com ela: o relacionamento de Duda não era nada saudável e isso nos vai sendo revelado enquanto a própria personagem vai se dando conta do quanto isso a afeta, ainda mais quando o filho acaba sendo uma arma nas mãos do desequilibrado pai.

“A gente fica num relacionamento ruim por causa dos momentos bons, né”

A narrativa, em primeira pessoa, é alternada entre Duda e Oliver, um jovem CEO que ainda está lidando com as dores do fim de seu casamento, enquanto se adapta a uma nova cidade, na qual não conhece muitas pessoas.

“Desapaixonar não é uma coisa fácil, muito menos rápida”

Claro que o caminho dessas duas pessoas, quebradas ao seu modo, tinha de se cruzar. Primeiro em um Uber — dirigido pela própria Duda —; depois, graças à Lavínia e ao Daniel.

E é assim que Duda acaba indo à festa que Oliver deu em sua casa, para os funcionários da empresa. E ali surge, como forma de proteção, um namoro de mentirinha entre eles. E também uma amizade. Sentimentos misturados que vão se desenvolvendo de maneira viciante ao longo da narrativa.

“Mesmo que seja uma mentira, ainda é uma delícia”

Os dois protagonistas desta obra são encantadores. A Duda tem a sua força e a sua mania de achar que dá (e que tem de dar) conta de tudo e mais um pouco, enquanto o Oliver é doce, carinhoso e aquele ponto de paz que quem não gostaria de ter, não é mesmo? É, difícil não se apaixonar!

“Não posso prender um homem tão maravilhoso quanto ele numa zona como a minha vida”

Proibida de amar, portanto, consegue falar sobre abandono paternal, gravidez na adolescência, relacionamentos abusivos, sobrecarga feminina, manipulação, cuidado, amizade e tantas outras coisas que somente lendo para se absorver adequadamente. Ah, e tudo isso com um pouco de hot também.

“Estou dizendo adeus, mas não tenho coragem de pronunciar as palavras ainda”

Se é esse tipo de leitura que você está procurando (e, garanto, em algum momento será exatamente o livro que você precisará ler), já clica ali embaixo para garantir seu exemplar. E não deixe de acompanhar o maravilhoso trabalho da Tayana Alvez, seguindo a autora em suas redes sociais (Site | Instagram). 

Outras obras da autora que já resenhei por aqui:

Citações #56 — Resto qui

Gosto de livros que ecoam e ainda me deixam pensando sobre eles mesmo tempo depois de terminar sua leitura.

Resto qui (Marco Balzano), já resenhado neste post, é um desses livros e, felizmente, hoje tenho a oportunidade de revisitá-lo, trazendo para o Blog mais alguns trechos desta obra.

“Credevo che mi potessero salvare, le parole” 

(Eu acreditava que as palavras pudessem me salvar)

A história fala muito — e acredito que deixei isso claro na resenha — sobre (des)pertencimento.

“Ci eravamo abituati a non essere più noi stessi”

(Nós nos acostumamos a não sermos mais nós mesmos)

“– Mamma io voglio andarmene da questo posto. Qui non posso nemmeno più andare a scuola”

(— Mamãe, quero ir embora deste lugar. Aqui não posso sequer ir à escola).

O livro também trata da questão de como a língua que falamos (ou não) é importante no processo acima mencionado.

“In pochi a Curon sapevano leggere, ma nessuno capiva quella lingua che era solo la lingua dell’odio”

(Poucos em Curon sabiam ler, mas ninguém entendia aquela língua que era só a língua do ódio)

“Di fargli imparare una poesia pensai che se non me l’avessero fatto odiare dal profondo delle viscere era una bella lingua, l’italiano. A leggerla mi sembrava di cantare”

(De fazê-los aprender poesia, pensei que se não me tivessem feito odiá-la das profundezas das minhas vísceras, seria uma bela língua, o italiano. Enquanto o lia, parecia que eu cantava)

Como já era de se esperar e imaginar, a obra fala, ainda, sobre as dificuldades do viver.

“Perché vivere vuol dire per forza andare avanti?”

(Por que viver significa, necessariamente, seguir em frente?)

“Nulla è più impietoso della neve che ti cade addosso”

(Nada è mais impiedoso que a neve que cai sobre você)

Uma narrativa, por fim, que nos lembra da pureza das crianças, mesmo em um mudo tão machucado e dolorido.

“Vedrai, ti farà bene stare coi bambini, sono molto meglio degli adulti”

(Você vera que te fará bem estar com as crianças, são muito melhores que os adultos)

Resto qui me apresentou uma Itália que, mesmo estudando tanto sobre o país, eu não conhecia e que, apesar de retratar algo tão triste, era preciso conhecer. Se você quiser saber do que estou falando, não deixe de ler a resenha e, claro, a obra completa.

Quando eu descobri o que era ser eu — Alanys Aleixo

Título: Quando eu descobri o que era ser eu 
Autora: Alanys Aleixo 
Editora: Publicação Independente 
Páginas: 27 
Ano: 2021

Existem histórias curtas que nos abraçam e nos fazem pensar, mesmo que em sua pequena finitude.

“A sensação de questionar a própria existência é de estar sempre abraçada com alguém que, ao mesmo tempo que te diz (de forma extremamente vaga e confusa) o que fazer, te direciona palavras de amor e ódio e te faz sentir medo”

Em Quando eu descobri o que era ser eu, somos apresentados a Agatha Magalhães, uma jovem que, apesar de ser super fã de romances, nunca se apaixonou de verdade por alguém.

“Agatha Magalhães sempre foi tão influenciável que deixaria que os outros decidissem seus sentimentos sobre o amor”

Para ela isso não era exatamente um problema, mas atire a primeira pedra quem nunca se sentiu pressionado por ainda não ter beijado ou por ainda não ter se apaixonado e sentido tudo o que as amigas descreviam sentir. 

“Eu só queria tanto gostar de alguém, como todo mundo fazia, que criava os sentimentos dentro de mim como criava nos personagens das minhas histórias”

Com a reclusão imposta pela pandemia, porém, Agatha começa a refletir ainda mais sobre todas essas questões, até que resolve pesquisar a fundo sobre seus sentimentos, para tentar se entender.

Esta é uma história que vai nos fazer pensar sobre todos os espectros e aspectos da sexualidade e daquilo que sentimos dentro de nós.

Por meio da narrativa construída por Alanys, podemos enxergar um pouquinho mais sobre arromanticidade e assexualidade que, mesmo com a quantidade sem fim de informações que temos hoje, ainda parecem ficar escondidos nas profundezas das discussões sobre o tema.

Mesmo que não traga muitas novidades sobre o tema para quem minimamente já pesquisou sobre ele, é sempre interessante acompanhar a trajetória de alguém que está se descobrindo e descobrindo como se relaciona com o mundo (e melhor ainda é perceber como essa relação é sempre única).

Se a história te interessou, clique abaixo para saber mais. E se quiser conhecer a autora e seus trabalhos, não deixe de segui-la em suas redes sociais (Site | Twitter). 

TAG: Leitor eclético

Faz um bom tempo que não trago uma TAG literária aqui, então resolvi escolher essa, que vi, ano passado, no blog Leitor dos Sonhos, mas que foi criada, segundo consta no post, pelo canal Palavras Radioativas.

Sempre que eu bato o olho em TAG’s acho que terei dificuldade em respondê-las, mas, apesar de amar romances, o título dessa me atraiu bastante, pois me considero um pouco eclética em tudo na vida.

Vamos ao que interessa?

Favoritos: livros completamente diferentes, mas favoritados mesmo assim.

Ok, já comecei com dificuldade de escolher, porque eu realmente tenho uns gostos meio doidos, mas, a título de exemplificação, vamos pegar “Extraordinário” (R. J. Palacio) — uma ficção infantojuvenil — e “Sobre a escrita” (Stephen King) — um livro “teórico”.

Do clássico à “bagaceira”: um livro aclamado e outro nem tanto assim.

Eu ri do título dessa parte, mas também preciso dizer que “bagaceira” é sacanagem e que o escolhido aqui foi levando em consideração o “livro não tão aclamado assim”. Bom, de livro bem conhecido e que gostei bastante temos “Os sete maridos de Evelyn Hugo” (Taylor Jenkins Reid) e um livro que acho que não é tão famoso assim, mas que poderia e deveria ser, temos “À deriva” (Fernando Ferrone).

Leio de tudo, mas esse tem mais: o gênero literário que predomina na sua estante.

Ok, essa eu já tinha respondido na introdução desse post, né? Romances (no sentido de histórias de amor), sem dúvidas. Daqueles bem água com açúcar mesmo. Buscando nos livros aquilo que só existe neles mesmo.

Amo e odeio: um livro queridinho, mas que tem alguma característica que, para você, foi desagradável.

Esse achei difícil. Mas como apaixonada também por livros sobre o Holocausto, acho que não posso deixar de menciona-los, né? Afinal, gosto muito desse tipo de literatura, mas não posso dizer que ela seja exatamente bonita, certo? E, claro, é incômodo (mas necessário) ler sobre o tema. Então, como menção de honra aqui, vou de “Se questo è un uomo” (Primo Levi)

A TBR da farofa: a meta literária do leitor eclético. Suas próximas leituras de livros diferentes.

Alguns livros que quero ler ainda esse ano (e desencalhar da estante) são:

Juro que isso é só uma parte… Eu que lute, né!? Obviamente não conseguirei, mas fica aí a vontade de ler tudo e mais um pouco.

Se algum título chamou a sua atenção, basta clicar sobre o nome dele para saber mais. Ou então deixe um comentário, adorarei falar sobre eles!

Quais seriam as suas escolhas?

L’Amica Geniale — Elena Ferrante

Título: L’amica geniale - volume primo 
Autora: Elena Ferrante 
Editora: Edizioni E/O 
Páginas: 327 
Ano: 2011 
Título em português: A amiga genial

Finalmente chegou o meu momento de ler a aclamada autora italiana Elena Ferrante (que ninguém sabe exatamente quem é, mas que faz muito sucesso mesmo assim). E não posso deixar de agradecer à minha prima, que, mesmo sem saber, realizou o meu desejo de ler a obra no original.

Apesar de toda a expectativa (foram anos esperando por esse momento), comecei a leitura com dois pés atrás, porque justamente quando peguei o livro para ler, vi mais de uma pessoa relatando que não conseguiu seguir adiante na leitura.

“Experimentei uma sensação que, depois, na minha vida, repetiu-se muitas vezes: a alegria do novo”

Felizmente, fui até o final do primeiro volume desta tetralogia (série de quatro livros) e posso dizer que entendo quem achou o livro chato. Até certo ponto ele realmente é e já vou comentar sobre isso. Mas o livro também é ótimo, e espero conseguir deixar isso igualmente claro, mesmo sem saber muito bem por onde começar a falar tudo o que tenho para falar.

A amiga genial está dividido em duas partes (além do prólogo) e a primeira delas, a infância, é bem arrastada. Para se ter uma ideia, são quase 60 páginas relatando praticamente um único episódio, alternando com um ou outro evento que enriquece a descrição e o detalhamento deste primeiro.

Apesar da monotonia desta primeira parte do livro, ela é necessária para que possamos conhecer os personagens (e são muitos, viu! Tanto é que, no começo do livro, tem um índice dos personagens) e o cenário desta história: uma cidadezinha na periferia de Nápoles, que, por si só, também já é um espaço italiano um tanto quanto complicado, principalmente à época (anos 50).

“Vivíamos em um mundo no qual as crianças e os adultos se feriam com frequência, das feridas saía sangue, que supurava e, às vezes, elas morriam”

A obra é narrada por Elena Greco, mais conhecida por Lenù ou Lenuccia. Passada a parte da infância, é muito interessante acompanhar o seu crescimento e desenvolvimento, ao mesmo tempo que é bem doloroso.

“Talvez eu não seja assim tão feia, pensei, talvez eu só não saiba me enxergar”

Gostei bastante da forma como termina a parte da infância e como, na parte da adolescência, a narrativa foi ficando mais dinâmica e envolvente até que, quando me dei conta, eu só queria saber o que viria a seguir e acompanhar cada passo da Lenù (e, consequentemente, da Lila).

“Quando desapareceu, pareceu que havia sumido a única pessoa em toda a sala capaz de me arrancar dali”

Apesar de Lenù ser a narradora e de ser os seus caminhos que acompanhamos, há outra personagem que ganha destaque nessa história e que é quase tão ou mais protagonista que Lenù: Lila (ou Lina para todos os outros e Raffaella Cerullo como nome de batismo).

“Lila era demais para qualquer um”

A relação dessas duas é uma coisa de doido. Fiquei quase o livro inteiro gritando (na minha cabeça) que a Lila é extremamente tóxica para, no final das contas, até entender o que elas viviam.

“Decidi que eu deveria me inspirar naquela menina, jamais perdê-la de vista, mesmo que ela se irritasse e me expulsasse de perto”

Ler essa narrativa é mergulhar em um cenário italiano complexo: os diálogos são, em sua maioria, em dialeto, nos lembrando deste importante traço cultural. Além disso, ao longo da narrativa, somos apresentados à pobreza, a abusos, ao medo, à violência. Uma Itália muito diferente daquela romantizada em tantas outras histórias.

“Nápoles, de acordo com ele, sempre foi assim: se corta, se parte e depois se recompõe, e o dinheiro corre e cria dificuldades”.

Apesar desta ser uma história difícil, com passagens realmente dolorosas e sensíveis (sim, há gatilhos), ela não deixa de ser bonita, de carregar muitos sonhos, principalmente de uma mudança de vida. Aliás, esta é uma história que se passa em Nápoles, nos anos 50, mas que poderia muito bem se passar no Brasil, em pleno 2022.

“A riqueza, naquele último ano do ensino fundamental, se tornou uma ideia fixa para nós”.

Lenù e Lila são muito diferentes e, ao mesmo tempo, têm tanto em comum. Ao longo das páginas deste livro, vamos justamente unindo os retalhos da colcha que forma suas vidas, encontrando as mesmas cores em alguns pontos e cores opostas, mas complementares, em outros.

A narrativa é realmente tão boa que o livro virou série, em 2018, na HBO. Dizem que ela é bem fiel ao livro, então se você prefere produções audiovisuais, fica a dica para conhecer essa história.

Enquanto isso, eu, como leitora, fui de “socorro, que leitura arrastada”, no início, para “ok, preciso demais dos outros volumes desta tetralogia”. Agora entendo o sucesso desse livro e entro para o time dos que recomendam. Então, se tiver gostado, não deixe de clicar no livro ali embaixo para saber mais.

Como sempre faço quando leio livros em italiano, os trechos inseridos ao longo da resenha foram traduzidos por mim e agora trago os originais, na ordem em que apareceram aqui no post.

“Provai una sensazione che poi nella mia vita s’è ripetuta spesso: la gioia del nuovo”

“Vivevamo in un mondo in cui bambini e adulti si ferivano spesso, dalle ferite usciva il sangue, veniva la suppurazione e a volte morivano”

“Forse non sono così brutta, pensai, forse sono io che non so vedermi”

“Quando sparì mi sembrò che fosse sparita l’unica persona in tutta la sala che aveva l’energia per trascinarmi via”

“Lila era troppo per chiunque”

“Decisi che dovevo regolarmi su quella bambina, non perderla mai di vista, anche se si fosse infastidita e mi avesse scacciata”

“Napoli, secondo lui, era così da sempre: si taglia, si spacca e poi si rifà, e i soldi corrono e si crea fatica”

“La ricchezza, in quell’ultimo anno delle elementari, diventò un nostro chiodo fisso”

Citações #55 — O segredo de Susan

Espero que não seja segredo para ninguém, mas caso ainda seja, aqui vai uma revelação: sou apaixonada pela escrita do Maicon Moura.

E por falar em segredos, hoje trago mais alguns quotes de O segredo de Susan, uma obra que nos envolve e nos faz pensar sobre os diversos temas (difíceis) que ela aborda.

“Marcas quase esquecidas de uma violência sem razão”

Dentre eles, podemos mencionar a questão da confiança e da verdade.

“Confiança só existe uma vez. Ter a confiança de alguém é muito importante. Bom, apenas se essa pessoa não tiver te sequestrado por tanto tempo”

“O mundo quer enganar você. E que você engane de volta. Ele quer que você entenda que está tudo bem, ele quer que você sorria enquanto a televisão te mostra um corpo de uma mulher num beco”

As marcas de um doloroso e obscuro passado (vivido pela protagonista e ignorado por todos).

“Os hematomas em seu braço mostram que o escuro ainda caminha com ela”

“Linhas brancas, acima dos meus joelhos, mostram que em algum momento eu não fui feliz”

“Nesse escuro eu me sentia salva”

Um livro que fala, em suma, sobre as complexidades da vida de uma maneira diferente daquela que podemos estar acostumados.

“Foi nesse momento que eu entendi que existem dois mundos”

“Com onze anos, eu não quero me preocupar com o futuro”

E sobre a passagem do tempo, por mais intrincada que ela possa ser na própria narrativa apresentada.

“Temos todo o tempo do mundo para corrigir nossos erros.

“Só que o tempo, ele pode ajudar de alguma maneira e muitas vezes melhorar isso”

O segredo de Susan é uma leitura que nos deixa de boca aberta e cabeça fervilhando. Se quiser conferir a resenha, clique aqui. Para acessar o ebook (disponível também no Kindle Unlimited), basta clicar abaixo. E não deixe de acompanhar o trabalho do Maicon em suas redes sociais (Instagram | Linkedin).

Amor — Cláudia Zambrana

Título: Amor: sempre foi você 
Autora: Cláudia Zambrana 
Editora: Crazyforhotbooks (organização) 
Páginas: 22 
Ano: 2021 

Resenhar histórias curtas é sempre um desafio. E ele se torna ainda maior quando a sinopse já diz tanto (e tão bem) do que gostaríamos de dizer:

“Este não é um conto de amor qualquer, com paixão, encontros e submissão, mas sim uma história que traz todos os sentimentos que uma vida solitária e incrédula quanto ao amor pode ter”

Sim, como o próprio título já nos indica, Amor fala sobre esse sentimento, mas de uma maneira dolorosa como só a perda pode ser.

“Inacreditável como as pessoas querem que eu esqueça aquilo que é inesquecível”

Nas poucas páginas desta história conhecemos Mirla, uma daquelas jovens que, depois de tantas desilusões, já não consegue mais acreditar no amor. Até que, claro, ela tropeça nele quando menos espera (e em uma situação para lá de improvável para o surgimento desse sentimento).

“Nunca pensei que pudesse sentir por alguém o que senti por você: simplesmente amor”

Como toda mulher desacreditada, porém, Mirla demora a aceitar esse sentimento e, depois, isso irá lhe custar um arrependimento irremediável.

“Se eu soubesse que te perderia tão cedo, eu não teria demorado tanto para tomar uma atitude, eu teria sido menos covarde com meus sentimentos”

Mesmo sendo uma leitura rápida, Amor nos marca e nos faz refletir. Entre uma lágrima e outra, a história também nos lembra de que a vida foi feita para ser vivida e sentida e que se quisermos honrar a quem amamos, devemos aproveità-la ao máximo. 

Se esta história é para você, clique abaixo para ler. Se estiver em busca de algo mais leve (ou uma leitura mais longa), porém, recomendo 24h adolescente e às vezes apaixonada, também da Cláudia Zambrana. E não deixe de seguir a autora em suas redes sociais (Instagram) para ficar por dentro de todos os seus lançamentos.