Ler e reler: uma teoria sobre a leitura [tradução 21]

Você tem o hábito de reler livros?

Eu não tenho (o que não significa que eu nunca releia livros, ok?), e provavelmente já falei isso aqui outras vezes. Sou daquelas pessoas que acha que a vida é muito curta para ler tudo o que queremos, então não dá para ficar relendo livros, por melhor que eles sejam.

Deparei-me, porém, com um texto muito interessante sobre o ato de ler e reler e achei que seria interessante trazê-lo aqui e saber o que você pensa sobre isso.

Você me acompanha nessa? O texto original foi postado no Il libraio, em 27 de dezembro de 2020 e aqui embaixo você encontra a minha tradução.


Por que precisamos ler? E por que, às vezes, desejamos reler um livro que gostamos? E se nós gostamos, podemos dizer que aquela obra é “objetivamente” um texto de valor? Partindo das teorias da recepção, um aprofundamento sobre a experiência da leitura, sobre o papel do leitor e sobre a nossa capacidade de compreender de verdade aquilo que lemos.

Por que temos necessidade de ler? De onde nasce essa exigência?

São diversas as razões pelas quais nos aproximamos de um texto, mas se refletirmos um pouco, podemos detectar dois motivos principais: a necessidade de conhecer informações e a busca pelo prazer estético.

Reduzidas ao máximo, as duas motivações que nos conduzem à leitura são, portanto, opostas: de um lado somos movidos pelo útil; de outro, pelo agradável.

De qualquer forma, seja qual for o motor, a leitura é uma atividade que requer um gasto de tempo e de energia e, por isso, cada leitor, quando se aproxima de um livro, espera ser recompensado pelo manzoniano cansaço de ler.

Trata-se, no entanto, para usar as palavras do crítico Vittorio Spinazzola, “em um confronto entre custo e benefício: quanto me custou a leitura daquele texto, a respeito do empenho que tive de empregar para me apropriar dele? Se se trata de uma leitura literária, a pergunta é: que riqueza e intensidade de prazer da imaginação eu alcancei?”.

O papel do leitor

Desde quando começaram a circular as teorias sobre a leitura e sobre a recepção, no mundo literário, o leitor assumiu um papel central, quase mais que o escritor e o editor: sem ele, a obra literária em si não existe, se é verdade que esta última é uma pião que ganha vida quando está em movimento, ou seja, quando alguém a lê.

Em Que é a literatura? (1947) o filósofo existencialista Jean Paul Sartre defende que sem leitores não há literatura: na prática, um livro, se não é lido por ninguém, é só um objeto material sem significado. Um amontoado de folhas cheias de palavras e tinta, sem valor algum. Existe, portanto, um vínculo fortíssimo entre quem lê e quem escreve, inclusive porque sempre se escreve para ser lido (até por si mesmo, visto que todo escritor é, antes de nada nada, leitor).

O valor de uma obra

Depois da revolução do romance, ler se transformou em um fenômeno extremamente pessoal e individual. Um gesto mudo, solitário, íntimo. Cada leitor, quando entra em contato com um texto, carrega consigo uma bagagem de conhecimentos, o seu percurso literário, um gosto pessoal e a sua própria sensibilidade. Pode-se dizer, portanto, que cada um formula juízos diferentes dos outros e que cada um desses juízos têm a sua razão de ser.

Mas então não existe objetividade na avaliação de um texto?

Não exatamente. Porque se é verdade que o juízo estético muda de pessoa para pessoa, também é verdade que o valor de uma obra literária pode ser estabelecido somente por leitores conscientes, espertos, estudiosos e literários. E não por leitores de puro prazer, para deixar claro.

Um exemplo? Eu posso dizer que subjetivamente eu não gosto de Os noivos, mas objetivamente não posso deixar de reconhecer seu valor literário. É preciso, portanto, distinguir (pelo menos no plano teórico) entre leitura de gosto e leitura de competência, mesmo que, como nos lembra Spinazzola, seja quase impossível separá-los no plano prático: “do texto provém um apelo total, que investe a globalidade das nossas atitudes: competência e gosto são duas dimensões de atividade que se reforçam reciprocamente, na concretude do ler”.

As duas leituras estão, portanto, estritamente ligadas: quanto mais me torno competente, mais meu gosto se afina. Por outro lado, o meu desejo de ser educado é feito da minha atitude, do quanto gosto ou não de ler.

Ler e reler

Vocês já se perguntaram por que releem um livro? A resposta certa, como geralmente acontece, é aquela mais imediata: relemos um livro porque gostamos dele. Porque os nossos esforços de leitura foram bem recompensados e, portanto estamos dispostos a renovar aquela experiência.

O ato de reler possui, porém, uma natureza mais profunda e consciente, e pode decretar efetivamente o valor de um texto. De um lado porque resolver voltar a um livro significa que aquele livro conseguiu satisfazer as nossas necessidades e as nossas expectativas; de outro, porque a segunda leitura será mais diligente e crítica que a primeira, na qual não podíamos estar particularmente atentos, porque estávamos nos movendo principalmente pela curiosidade (o literário Karlheinz Stierle a considera, com efeito, uma “não leitura”).

Ler uma segunda vez é, portanto, uma ação mais literária e formal: é dirigida a uma recolha das técnicas e das complexidades de uma obra, a decifrar os significados profundos, a não se deixar levar exclusivamente pelos eventos da trama. Não para exclusivamente no conteúdo e, por isso, pode compreender verdadeiramente a essência e o valor do escrito.

É sempre Spinazzola quem escreve: “segundo Gramsci o povo lê ‘conteudicamente’, procurando no apêndice melodramático uma consolação para os seus problemas e uma revanche imaginada das injustiças que sofre. Só o leitor educado literariamente educado sabe evitar as armadilhas de sonhar de olhos abertos”.

Ler com consciência

Pode-se, portanto, deduzir que ler é uma prática subjetiva que, como dissemos no início, deve satisfazer necessidades ou prazeres pessoais; reler, por outro lado, é uma ação orientada em um sentido mais objetivo, porque visa a um aprofundamento de alguns aspectos do texto — o estilo da prosa, a voz do autor, o papel e o significado social da ópera — que antes haviam passado em segundo plano.

Claro, não significa que a releitura seja sempre uma vitória, aliás, é possível que um livro que você tenha gostado uma vez possa não te agradar em uma releitura. Ao contrário, um livro que não havia agradado no passado pode nos surpreender positivamente e desmentir o juízo que havíamos feito anteriormente.

O que é certo é que para de tornar um leitor consciente é preciso ler e reler: só tendo múltiplos termos de comparação se poderá alcançar os instrumentos necessários para decifrar o valor do texto que temos diante dos olhos. E só assim poderemos finalmente nos aproximar da leitura de modo total e completo.

Cartola (Antologia)

Título: Cartola
Autor: vários autores
Editora: Cartola Editora
Páginas: 203
Ano: 2021

(leia ao som de Cartola – playlist by Editora Cartola)

A antologia Cartola, publicada pela Editora de mesmo nome, é o primeiro volume de uma série que, quando vi, logo me apaixonei pela proposta: a coleção Músicos e Poetas será composta por antologias inspiradas em músicas de artistas selecionados, em uma homenagem a compositores e poetas brasileiros.

“Eu estava lá e num piscar de olhos não estava mais. Em um momento eu tocava meu violão enquanto Amália cantava a meu lado, sua mão tão relaxadamente posta em minha perna. E, então, eu não estava mais”

Cordas de aço (Thais Rocha)

Como amo a mistura de música e literatura, eu não poderia deixar de conferir o resultado desse trabalho. E uma coisa muito interessante é que ele é um prato cheio tanto para os que conhecem Cartola quanto para os que não conhecem.

“É possível sentir saudades de coisas que você mal lembra ter feito ou vivido?”

Cordas de aço (Thais Rocha)

Para quem já é fã, é uma forma de ver algumas das músicas dele ganhando nova vida, contando outras histórias. E para quem não conhece quase nada do compositor, é uma maneira de se interessar por algumas de suas letras. Eu mesma, não conhecia bem todas as canções selecionadas, então buscava a letra e depois lia a história, observando como aquele texto havia sido inserido na narrativa.

“O mundo é um moinho, vô. E a saudade de você me tritura por dentro”

O mundo é um moinho (Alessandra Solletti)

Além disso, alguns autores optaram por não apenas inserir a música, mas também alguns acontecimentos da própria biografia do compositor ao longo da narrativa, nos fazendo realmente mergulhar no mundo de Cartola.

“Junto com a sua chegada, ele trouxe uma angústia que nunca esteve ali. Descobri o medo da perda”

As rosas não falam (Lili Dantas)

Não posso deixar de confessar, porém, que mesmo animada para essa coleção, iniciei a leitura sem grandes expectativas, mas me surpreendi bastante (e positivamente) com a forma como ela fluiu. Ela contém contos que dão vontade de continuar lendo e desvendando seus segredos. Além disso, foi muito gostoso ver as escolhas de cada autor.

“Você deve escolher quais batalhas deve lutar, eu escolhi fazer o melhor que posso com o tempo que me resta”

Autonomia (C. B. Kaihatsu)

Esta antologia é composta por 20 contos, inspirados, por sua vez, em 20 composições diversas, sendo elas, em ordem (e com o nome dos autores):

1 – Acontece – Naiane Nara

2 – Alvorada – Bruny Guedes

3 – Amor proibido – Nilsa M. Souza

4 – As rosas não falam – Lili Dantas

5 – Autonomia – C. B. Kaihatsu

6 – Cordas de aço – Thais Rocha

7 – Corra e olhe o céu – Ana Farias Ferrari

8 – Disfarça e chora – Juliana Kaori

9 – Meu drama – Ana Paula Del Padre

10 – Minha – Aline Cristina Moreira

11 – Não posso viver sem ela – Edilaine Cagliari

12 – O mundo é um moinho – Alessandra Solletti

13 – O sol nascerá – Meg Mendes

14 – Peito vazio – Simone Aubin

15 – Pranto do poeta – Ana Lúcia dos Santos

16 – Preciso me encontrar – Vanessa Belo

17 – Sala de recepção – Walison Lopes

18 – Sei chorar – Priscila Morais

19 – Tive sim – Alec Silva

20 – Verde que te quero rosa – Rodrigo Barros

É interessante notar como há temáticas e sentimentos que se repetem — sem, no entanto, soarem repetitivos ao longo da obra —, como é o caso da tristeza, da melancolia, da angústia.

“falei sem mais saber o que dizer, como colocar em palavras os sentimentos todos, sendo que ainda não os sabia nomear?”

Corra e olhe o céu (Ana Farias Ferrari)

Mas também há, claro, amor, amizade, leveza. Sentimentos leves e pesados colocados lado a lado e construindo histórias fáceis de ler, mesmo quando surge aquele leve incômodo de um nó na garganta, que logo dá espaço para outros sentimentos.

“Éramos opostos, mas, apesar disso, ou, por causa disso, nos dávamos muito bem, sempre fomos unha e carne”

Meu drama (Ana Paula Del Padre)

A leitura de qualquer antologia pode trazer muitas sensações diversas para cada leitor, uma vez que carrega múltiplas histórias e escritas, mas eu não posso deixar de mencionar aqui que um dos meus contos preferidos foi “Corra e olhe o céu”, da Ana Farias Ferrari.

“Quando pequena, todo os sábados à tarde meus pais e meus tios deixavam os filhos na casa de paredes cor-de-rosa, quase no fim da pequena cidade do interior, sob os cuidados nada cautelosos de vó Naná e do vô Alceu”

Corra e olhe o céu (Ana Farias Ferrari)

Tenho total consciência de que essa é uma escolha bem pessoal, baseada no fato de que me identifiquei muito com a protagonista e com os momentos narrados por ela, dando-me muita saudade e nostalgia.

“Não sei exatamente quando essas tardes mágicas acabaram, talvez com a cobrança da escola e dos cursos extracurriculares nós passamos a ter menos tempo para brincadeiras aos fins de semana, ou talvez a idade e a vontade de ver o mundo se tornaram mais atraentes do que o mundo criado entre aquelas paredes rosas”

Corra e olhe o céu (Ana Farias Ferrari)

Mas já que cada um pode encontrar o seu conto preferido, deixo aqui meu convite para que você conheça essa obra e me conte qual foi a sua história preferida!

Citações #44 — Se essa coroa fosse minha

Algumas pessoas têm um enorme pé atrás com antologias, coisa que eu até posso entender, mas não concordo. Elas são uma excelente forma de conhecer novos autores, além de carregarem muitas histórias e escritas diferentes em uma única obra.

“Mas ela ainda tinha que me dar uma chance”

O peso da coroa — Laura Machado

Uma das melhores antologias que li ano passado foi Se essa coroa fosse minha. Clicando aí no título você pode ler a resenha que eu escrevi (caso ainda não tenha lido) e entender porque gostei tanto.

“Acho que, nesse momento, todo mundo desse salão se apaixonou um pouco por Alaska. Isso é fácil. Difícil seria não se apaixonar”

Se não a coroa cai — Maria Freitas

Apesar da relativamente extensa resenha e dos vários trechos que coloquei nela, muitas outras passagens maravilhosas dessa obra ficaram de fora e agora é o momento de apresentá-las a você.

“Se eu fizesse as escolhas certas poderia fazer alguma diferença no mundo”

Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa

Como tentei deixar claro ao longo da resenha, essa é uma obra diferente, que vai muito além de qualquer senso comum, falando sobre uma realeza que não estamos acostumados a imaginar.

“Mas sou uma princesa. Serei uma rainha. Não tenho direito a ter sentimentos”

Adoro um amor inventado — Lyli Lua

“Quem era essa garota com quem eu teria que conviver por tempo indeterminado? E do que ela tanto fugia? Seria realmente algo tão perigoso assim?”

Paixão de Ori — Camila Cerdeira

“Quem iria querer o prolongamento de uma guerra civil só para ficar próximo da garota que gosta?”

Paixão de Ori — Camila Cerdeira

Não só por falar em sentimentos tantas vezes, mas também por trazer relacionamentos que fogem à heteronormatividade.

“Como é possível que a sociedade tenha evoluído tanto a ponto de um simples toque de dedo na têmpora poder transferir meus pensamentos para quem eu quiser, e tão pouco a ponto de forçar jovens como eu a um casamento que eles não desejam?”

Se não a coroa cai — Maria Freitas

Além disso, essa antologia aborda diversas perspectivas das relações familiares.

“Meu irmão me mostra que a vida ensina muito mais do que qualquer sala de aula”

Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa

“Penso no meu pai. No homem que eu nunca conheci. No espaço vazio que permaneceu em mim até que minha mãe conhecesse Sandro e ele me ajudasse a fechar aos poucos” 

Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa

“Tudo o que importa é que eu ganhei uma avó. E eu sinto que as lacunas que eu sentia haver na minha história agora estão perfeitamente preenchidas”

Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa

“Ele queria ser mais presente na sua vida, mas tinha um trabalho a fazer”

Paixão de Ori — Camila Cerdeira

E, sem dúvidas, fala muito sobre amor.

“No fim, acho que sentir falta de Drika foi o que mais nos uniu”

Se não a coroa cai — Maria Freitas

“Amar alguém é uma coisa engraçada, só de vê-lo já me sinto melhor, segura e mais feliz”

Insubmissos, Incurvados, Inquebráveis  — Tay Alvez

“O que lhes faltava em dinheiro, sobrava em amor e isso sempre foi tudo de que preciso”

Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa

“Me incomoda você ter passado tanto tempo achando que isso me impediria de me apaixonar por você” 

O peso da coroa — Laura Machado

“Eu já quis te dar todas as chances do mundo e achava que você nem me enxergava”

Adoro um amor inventado — Lyli Lua

Outra coisa que eu adoro encontrar nas histórias que leio e que aparece ao longo desta obra é o peso das palavras que dizemos.

“Palavras têm poder, e tronos já caíram por menos” 

O peso da coroa — Laura Machado

“Eu talvez tivesse esperado ouvir algo assim a minha vida inteira”

Paixão de Ori — Camila Cerdeira

“— A gente já perdeu tempo demais com medo, entalando palavras na garganta, você não acha?”

Se não a coroa cai — Maria Freitas

E consequentemente, como já deu para perceber, o peso dos silêncios que optamos por fazer também.

“As palavras que eu não falo ainda estão presas na minha garganta”

Se não a coroa cai — Maria Freitas

“Olho nos seus olhos e naquele momento percebo que há muito mais do que uma coroa em questão, mas também sei que não devo me meter nesse assunto”

Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa

“Na verdade, ela se isolou completamente, do mundo e de mim”

Adoro um amor inventado — Lyli Lua

Aliás, há diversas passagens que revelam alguma angústia ou dor, tornando os personagens ainda mais reais.

“Pela primeira vez o mar de seu lar não foi o suficiente para aliviar o aperto em seu coração”

Paixão de Ori — Camila Cerdeira

“Eu odiava ser vista como coitada. Não aceitava ser definida por essas coisas que aconteceram comigo. Meus traumas nunca seriam maiores do que eu”

Paixão de Ori — Camila Cerdeira

“Era apenas uma moeda, cinco míseros centavos, mas pesava uma tonelada em meu peito que me impedia de olhar para qualquer outro lugar”

O peso da coroa — Laura Machado

Por fim, um trechinho para nos lembrar de sempre fazer o nosso melhor, mesmo que ele pareça pouco (porque se é o seu melhor, nunca é pouco!):

“Era tudo que eu tinha, e faria o melhor que podia”

O peso da coroa — Laura Machado

Os sete maridos de Evelyn Hugo — Taylor Jenkins Reid

Título: Os sete maridos de Evelyn Hugo 
Original: The seven husbands of Evelyn Hugo
Autora: Taylor Jenkins Reid 
Editora: Paralela
Ano: 2019 
Tradutor: Alexandre Boide

Difícil imaginar alguém que não conheça Os sete maridos de Evelyn Hugo, mas se você ainda faz parte desse grupo, não sabe o que está perdendo (mas pode descobrir agora)! Está certo que eu também estaria se não tivesse ganhado esse livro de presente, contudo, felizmente ganhei, passei ele na frente de outros que estavam parados na estante e agora posso contar um pouco do surto que foi essa leitura.

“‘Você entendeu o que estou dizendo? Quando surge uma oportunidade para mudar sua vida, esteja pronta para fazer o que for preciso. O mundo não dá nada de graça para ninguém, só tira de você’”

Como se pode imaginar, Evelyn Hugo é a protagonista desta história. E ela não é qualquer pessoa, mas uma lendária estrela Hollywoodiana que já encontra-se aposentada, mas ainda vivendo às custas de todo o brilho do auge de sua conturbada carreira.

“A verdade é que os elogios são como um vício. Quando a pessoa se acostuma a ouvir, precisa de cada vez mais só para se manter equilibrada”

Este livro, porém, não é apenas a fútil história de uma mulher que fez tudo o que pôde para alcançar o que queria. A verdade é que a narrativa aqui vai justamente no caminho contrário: a todo momento Evelyn Hugo busca deixar claro que não é uma boa pessoa e que não há motivos para admirá-la incondicionalmente, mesmo que ela não se arrependa dos caminhos que traçou.

“‘Eu não sou uma pessoa boa, Monique. Mostre isso claramente no livro. Não tenho a menor intenção de dizer que sou boa. Fiz uma porção de coisas que magoaram muita gente, e faria de novo se fosse necessário’”

Por meio desta história, portanto, podemos conhecer muitas facetas do estrelato, principalmente os seus bastidores e as pessoas reais que os constroem. Coisas que hoje até temos mais acesso, se quisermos, mas que, ainda assim, muitas vezes passam desapercebidas.

“Mas, agindo como eu tinha me treinado a fazer muito tempo antes, fingi que estava absolutamente tranquila, como se ser tratada como um animal de zoológico fosse a coisa mais agradável do mundo”

Porém, uma coisa é real: antes de ler essa obra eu via muita gente dizendo “não é possível que Evelyn Hugo não exista de verdade” e é essa a sensação que fica: como pode tudo isso ser fruto da talentosa imaginação de uma escritora? A riqueza de detalhes e sentimentos nessa história é impressionante. Tudo bem, há sim inspiração em atrizes e fatos reais, mas ainda assim é uma impressionante história inventada.

“As lágrimas caíram quando não tinha ninguém por perto para ver”

Aliás, Os sete maridos de Evelyn Hugo tem muito a ensinar sobre técnicas de narrativa. Logo de cara, por exemplo, já me impressionei com uma coisa: a forma que a autora introduz a protagonista. Ela poderia começar de maneira meio jogada — como tantas vezes vemos —, o que retardaria um pouco nossa imersão na história, mas optou por fazer isso através de um recorte de um jornal de fofocas, o que também já nos ambienta à história como um todo, colocando data de publicação, bem como características da personagem.

“Você imagina um mundo em que  vocês duas possam sair para jantar juntas num sábado à noite sem que ninguém as julgue. Dá até vontade de chorar — desejar tanto uma coisa tão simples, tão pequena”

Essas notícias aparecem em diversos momentos do livro, nos situando melhor na linha temporal da narrativa, além de acrescentar informações que não poderiam ser apresentadas de outra forma.

“Eu a estava cutucando em busca de informações que podiam partir meu coração, uma falha inerente à condição humana”

Além desses recortes, a narrativa é construída a partir de dois grandes pontos: a Evelyn Hugo em seus últimos dias de vida, que decide contratar uma jornalista — mas uma específica — para escrever sua biografia e, por outro lado, a construção da tal biografia, por meio das histórias contadas pela própria Evelyn para Monique, a tal jornalista escolhida.

“‘Passei muito tempo da vida me dedicando a… maquiar a verdade’, ela explica. ‘Fica difícil retirar todas as camadas depois’”

É difícil dizer o que nos prende a essa história, pois são muitos pontos de reviravolta e mistério. Queremos saber quem são (e por que são) os sete maridos de Evelyn Hugo; quem é o seu verdadeiro amor (pergunta posta logo no início da história e cuja resposta revelada antes do que esperamos) e porque Monique Grant tem de ser a jornalista que escreverá a verdadeira história de Evelyn Hugo.

“Ninguém é apenas bom ou apenas ruim. Eu sei disso, claro. Tive que aprender isso bem cedo. Mas às vezes é fácil esquecer uma verdade como essa. E que ela se aplica a todo mundo

Outro ponto que torna essa obra tão incrível e especial é a representatividade que ela carrega. Neste ponto, porém, é fácil odiar Evelyn Hugo por sua covardia, ainda que ela não estivesse protegendo apenas a si mesma quando escolheu certos caminhos. Mesmo assim, que dá um raiva, dá…

“As pessoas não são muito solidárias e acolhedoras com uma mulher que põe a própria carreira em primeiro lugar”

Os sete maridos de Evelyn Hugo não fala somente sobre a posição da mulher numa sociedade machista, mas também numa sociedade homofóbica e retrógrada (que, infelizmente, não se restringe a décadas atrás, mas se estende até os dias de hoje).

“Nunca vou esquecer a manhã seguinte à revolta de Stonewall”

Definitivamente, essa obra consegue reunir muitos elementos capazes de nos deixar totalmente imersos nela: representatividade, críticas e uma dose de fofoca, do jeito que a gente gosta (e garanto, mesmo que você ache que não, é difícil não querer saber o que vem a seguir).

“Talvez eu esteja indo longe demais nas observações, mas essa foto me faz começar a pensar que existe um padrão: Evelyn sempre deixa as pessoas querendo ver um pouco mais. E nunca permite”

Há sempre um mistério pronto para nos deixar intrigados e nos fazer devorar as páginas desta história até o final. E, felizmente, nenhuma ponta fica solta, então vale realmente a leitura!

Vale a pena acompanhar blogs?

Há exatamente um ano escrevi um post que teve uma repercussão muito gostosa por aqui: as pessoas ainda leem blogs?

Foi um post que eu quis muito escrever e que ficou ecoando em mim ao longo de 2021. Um espaço no qual compartilhei um pouco da minha experiência por aqui, bem como alguns dados que — para a minha alegria — melhoraram ainda mais durante o ano.

Agora que um novo ano se inicia — aliás, feliz 2022! — eu volto com uma pergunta: vale a pena acompanhar blogs?

Antes de respondê-la, porém, explico de onde veio essa questão. Eu estava no Twitter e me deparei com a seguinte afirmação: Meu sonho de princesa é voltar a encontrar coisas em texto. Não quero vídeo prolixo do YouTube. Não quero dancinha de tik tok. Não quero gente apontando coisa na tela no Instagram. Quero ler. Quero texto. Quero palavras escritas.

O que eu pensei na hora? Vem para os blogs! Porque sim, eles ainda existem e se a gente procurar bem, pode encontrar de tudo um pouco nesse universo.

Mas vale a pena?

Bom, se você é como a pessoa do tweet que eu mencionei, ou se você é como eu, com certeza vale a pena, né? Porque nos blogs, ao menos naqueles como este meu espaço, o que você encontra é justamente… Texto!

Mas, mais do que apenas dizer que vale a pena ler blogs (caso seja isso que você goste), eu gostaria de iniciar este ano indicando algumas páginas que eu adoro acompanhar. E não são apenas páginas sobre livros! Se liga:

Napolitano como meu pé

Sim, eu sei que faz um tempinho que esse não é atualizado. Mas o blog da Nati sempre será o meu favorito no mundo, então ele não poderia ficar de fora dessa lista. É um blog sobre literatura, mas não só. Os textos falam muito sobre a Nati, os livros e a mistura única que isso gera.

Sobre livros e traduções

Outro blog que eu provavelmente já mencionei por aqui e que não poderia ficar de fora dessa lista. O nome já é bem autoexplicativo, mas também tem muitos outros conteúdos que valem a pena ser conferidos ali, inclusive sobre a vida de freelancer, o que ajuda muito quem está entrando nesse mundo.

Vox Leone

Se você quer aprender e ler sobre algo que cotidianamente não lê, esse blog é para você. Acho que é o mais diferente dos que eu acompanho, com temas sobre tecnologia, segurança, sistemas… Aprendo um monte lendo esse.

Coisas do Pedro

Esse é meu xodozinho! Já gostava de ler os textos do Pedro, mas aí ele resolveu montar um super time de escritores e é incrível poder acompanhar esses escritos tão variados.

Sei nada sobre tudo

Quer me ver feliz? Espera eu saber que tem texto novo nesse blog! Adoro o jeito que a Dina conta sobre as coisas da vida e as experiências dela. E olha que, aparentemente, ela já teve muitas!

Tatiando por aí

Juro que não é só pelo nome, mas eu realmente estou adorando acompanhar a retomada da Tati! Textos simples, mas que são sempre gostosos de ler, cheios de conteúdo e nos deixando com vontade de sempre interagir. Ela arrasa!

Cachorro magro?

Outro blog que compartilha experiências diversas e reais é o do Julio e eu adoro os textos dele. Como ele não é formado na área de humanas, também tem um conteúdo diferente do que estou habituada a ler e aprendo muito com isso. Por esses motivos, mesmo que ele ande meio sumido e em dúvida com relação aos rumos do blog, eu não poderia deixar de mencioná-lo.

Ideias desvaneadas

Mais um título que diz muito sobre o blog em si. Neste espaço, a Amanda compartilha pensamentos, angústias, conquistas e leituras. Textos que são como abraços ou que nos dão vontade de abraçá-la.

Crônicas e agudas

Semanalmente eu aguardo ansiosamente as crônicas do Antonio Carlos. Ele é um mestre nesse gênero literário e mesmo depois de um bom tempo acompanhando seus escritos, continuo boquiaberta com o tanto de coisa boa que aparece por ali.

Viver sem pressa

Tá achando que eu só acompanho blogs de literatura e escritos? Pois você se engana redondamente! Neste aqui a Yuka compartilha sobre a sua jornada para se tornar FIRE, além de falar sobre minimalismo e autoconhecimento. Muito aprendizado em ótimos posts.

Dayane Guimarães

Eu também acompanho assiduamente (e salvo várias dicas) o blog da Dayane, que fala sobre cosméticos e esmaltação como ninguém. Sério, um dos melhores blogs sobre o assunto que já encontrei.

E você, que blog acompanha e recomenda para todo mundo?

TAG: Um nacional que…

Agora sim… Último post de 2021! E, para esse momento, resolvi trazer uma TAG bem bacana que vi no perfil @priscila_minhaleitura. Além disso, pretendo, ao final, falar sobre minhas demais leituras e minha “meta literária” deste ano.


Um nacional que te fez rir

O conto Pra não fazer desfeita, da Andrea Romão, para o projeto Meu Brasil é assim (Duplo Sentido Editorial).

Um nacional que despedaçou seu coração

Não tem jeito, vai ter que ser Proibida pra mim, da Tayana Alvez.

Um nacional que te fez sentir como se fosse da família

Com certeza 24h adolescente e às vezes apaixonada, da Claudia Zambrana, ainda que eu não seja mais adolescente há muito tempo…

Um nacional que te surpreendeu

Puts, essa é difícil, porque foi mais de um, mas vamos de menção honrosa para O som no fim do túnel, da N. R. Melo.

Um nacional que quer ler

Outra lista imensa aqui… Mas vou mencionar Mônica e Enzo todos os dias, da Denise Flaibam, que chegou aqui em casa esses dias.


Acho que eu poderia responder essa TAG mil vezes e colocar livros diversos a cada vez. Tentei, inclusive, colocar aí em cima livros que não aparecem na lista daqui debaixo, para trazer ainda mais boas lembranças para este post.

Eu não costumo fazer metas literárias para o ano. Aliás, nem mesmo para o mês: gosto de escolher minha próxima leitura no momento de iniciá-la, assim consigo pegar algo que eu realmente esteja com vontade de ler naquele momento.

Este ano, porém, eu havia estabelecido uma “meta” que consistia em ler, a cada mês, ao menos um livro físico, um ebook e um conto. A ideia era tentar desencalhar um pouco minhas leituras…

Bom, pode parecer muita coisa, mas conhecendo meu ritmo de leitura, sabia que não era uma meta muito surreal e, apesar de tudo (isto é, de dias e dias que não consegui ler nada, mesmo querendo), eu realmente atingi essa meta (exceto em novembro!).

O único “porém” dessa história é que eu não desencalhei quase nada, porque sempre surgia um ebook ou mesmo um livro físico novo e aqueles que estavam parados continuavam parados… Mas pelo menos eu não acumulei ainda mais coisa não lida! (risos nervosos).

Em alguns meses, eu conseguia ler para além dessa minha “meta”, mas vou colocar aqui embaixo apenas os livros que contabilizei nela. De qualquer forma, tudo o que li esse ano já foi resenhado, exceto os livros de dezembro que logo estarão por aqui também. Clicando nos títulos abaixo você irá acessar a minha resenha.

Janeiro

Ebook: O casamento (Tayana Alvez)

Livro físico: A vida pelos olhos da guarda real (antologia)

Conto: Dê um match (Maicon Moura)

Fevereiro

Ebook: Novecento (Alessandro Baricco)

Livro físico: Mãe, me ensina a conversar (Dalva Tabachi)

Conto: O alquimista prodígio e a cidade do amanhã (Leblon Carter)

Março

Ebook: A sandália virada (H. L. Amaral)

Livro físico: Desesterro (Sheyla Smanioto)

Conto: Eu matei minha mãe (Brias Ribeiro)

Abril

Ebook: Raimundo (Lucas Oller)

Livro físico: Alzehan: Magos e Alquimistas (Rikelmy Ribeiro)

Conto: Bela amizade (Gabriela Araujo)

Maio

Ebook: Girassol (antologia)

Livro físico: Titubeio (Maitê Alegretti)

Conto: Cigarro e anéis no rabo do gato (Maicon Moura)

Junho

Ebook: Tamara Jong: a última flor do paraíso (José M. S. Freire)

Livro físico: No coração de um assassino (Davi Busquet)

Conto: Eu escrevo poemas (Triz Santos)

Julho

Ebook: Amor através do tempo (antologia)

Livro físico: Pérolas da minha surdez (Nuccia de Cicco)

Conto: Antes que a morte morra (Victor Marques)

Agosto

Ebook: Querida Quarentena (Grazi Ruzzante)

Livro físico: Modern Love (Daniel Jones)

Conto: Santo Butiá (Sofia Neglia)

Setembro

Ebook: Se essa coroa fosse minha (antologia)

Livro físico: Apenas ouça (Sandra Mello)

Conto: E se eu pudesse voltar no tempo? (Marie Pessoa)

Outubro

Ebook: Due vite (Emanuele Trevi)

Livro físico: O tatuador de Auschwitz (Heather Morris)

Conto: O Rio de Janeiro continua lindo (Amanda Condasi)

Novembro

Ebook: Proibida pra mim (Tayana Alvez)

Livro físico: –

Conto: Para o garoto que já tem tudo (Leblon Carter)

Dezembro

Ebook: Cartola (antologia) — a resenha deve sair em janeiro

Livro físico: Os sete maridos de Evelyn Hugo (Taylor Jenkins) — a resenha deve sair em janeiro

Conto: O natal do irlandês (Tayana Alvez)

2022 promete ser um ano bem diferente para mim, então eu realmente não vou estabelecer meta nenhuma, a não ser tentar comprar ainda menos livros e ebooks (mas não prometo nada…).

Muito obrigada por ter lido esse post e por ter acompanhado ou chegado a este espaço! Que o próximo ano traga muitas coisas boas e, claro, muitas leituras inesquecíveis! Nos vemos em 2022!

Citações #43 — E se eu pudesse voltar no tempo?

A essa altura do ano, difícil não olhar para trás e pensar em tudo o que li ao longo de 2021. Porém, ainda mais difícil seria escolher a minha leitura preferida, afinal, uma vez mais, tive a sorte de me deparar com ótimas histórias ao longo deste ano. E uma dessas histórias, sem dúvidas, foi o conto E se eu pudesse voltar no tempo?, da autora Marie Pessoa.

“Mas minhas amigas achavam apenas que eu não havia encontrado a pessoa certa”

Como costumo fazer, coloquei alguns trechos ao longo da resenha, mas outros ficaram de fora e eu não poderia deixá-los de trazer aqui.

“Existem poucas coisas piores do que perder uma pessoa amada sem ao menos poder se despedir”

Esses trechos reforçam, claro, alguns dos pontos que mencionei na resenha, como o fato de Clarice — a protagonista — ter passado por algumas tantas dificuldades ao longo de sua vida.

“Eu havia desistido da vida, mas poderia ao menos proporcionar melhores dias para a mulher que nunca se permitiu descansar pelo bem do meu futuro”

Dificuldades essas, porém, que são muito reais e que nos rodeiam.

“Nosso elo era tão fraco para que qualquer ruptura pudesse ser indolor a ela?”

Além disso, o conto aborda a questão dos padrões estéticos impostos pela sociedade.

“Era bom me sentir linda enquanto tanta gente tentava provar o contrário”

E também a importância do amor próprio.

“Mas eu estava tão errada que o simples fato de entender que meu corpo era meu, somente meu, e que ele era lindo independente de qualquer padrão, me emocionava”

Porém, um dos pontos principais da história não deixa de ser a perda. Em seus mais diversos e profundos sentidos.

“Ela sentia a dor da amiga que enterrara a única filha, e chorava em todo canto porque aquilo nenhuma mãe deveria passar”

Novamente, deixo a minha forte indicação para que você conheça essa história — caso ainda não se tenha feito esse enorme favor.

“Foi naquele exato momento que o pressentimento ruim e a realidade me lembraram do que aconteceria a seguir”

O natal do irlandês — Tayana Alvez

Título: O natal do irlandês
Autora: Tayana Alvez
Editora: publicação independente
Páginas: 95
Ano: 2020

Já que a minha primeira leitura concluída em 2021 foi O casamento, nada mais justo que fechar as resenhas do ano com O natal do irlandês, que além de tudo vem bem a calhar para esta semana, não é mesmo? Só deixando claro, porém, esta é a última resenha do ano, mas não o último post! Ainda nos vemos por aqui, hein.

Foi muito bom rever esse casal que ainda tem os seus altos e baixos, suas doses de realidade e seu enorme poder de nos deixar de coração quentinho. Uma dupla que segue firme na terapia, mas que também amadurece e aprende muito em conjunto. E, sem dúvidas, com um Robert que ainda ultrapassa alguns limites.

“Não acredito que pago essa mulher para desgraçar minha cabeça”

Não só por ser um conto, mas também pela escrita da autora e pela leveza da história — apesar de um ou outro momento de tensão que não poderia ficar de fora —, este é um livro que você consegue ler rapidinho e que vai te deixar ainda mais no clima natalino, mesmo que ele retrate um natal atípico: aquele que passamos em 2020, quando a pandemia continuava bem complicada (e vale lembrar: ela ainda não acabou!).

“Julie está arrumando a cozinha, por isso, desço as escadas para encontrá-la e a cada degrau, percebo que ser um bom homem para a mulher que Julie é para mim não é sobre dependência emocional ou medos e anseios, é sobre valorizar o time perfeito que formamos juntos”

Uma coisa que me surpreendeu neste conto foi que além dele ter me permitido matar a saudade de personagens tão especiais como Julie, Robert e as meninas, ele também me deixou morrendo de vontade de entender melhor quem é o Conor e como ele e a Mari estão. Ou seja: estou ansiosamente no aguardo do livro que contará a história deste outro irlandês…

Se você veio aqui em busca de uma indicação de leitura para o natal, posso te dizer que encontrou! Não deixe de ler O natal do irlandês e aproveitar as festas! Ah, e como agora não é mais possível adquirir apenas o conto, mas o box completo da duologia, já garanta boas leituras para os próximos dias!

Como ler em outros idiomas?

Para muitas pessoas está chegando o período de férias, ou ao menos um recesso de final de ano. Tempo propício para descansar e se dedicar ao lazer que tantas vezes deixamos de lado ao longo do ano.

Tem gente que aproveita esse período para ler um pouco mais e também tem gente que busca não apenas ler, mas praticar algum idioma que esteja aprendendo, arriscando-se em obras naquela língua.

Ler em outros idioma, porém, não é uma tarefa fácil. E vou te dizer uma coisa: no italiano, por exemplo, temos uma barreira extra, que é o fato de existir um tempo verbal usado majoritariamente na escrita — o passato remoto — e pouco usado no cotidiano, ou seja, também pouco estudado (principalmente em cursos que visam a comunicação).

Aliás, esse foi um dos fatores que me impulsionou a escrever este post. Isso porque uma das dicas que podemos encontrar (ou imaginar) para começar a ler em outro idioma é pegar um livro infantil. Porém, não necessariamente eles serão mais fáceis. Em italiano, dificilmente serão. Por onde começar, então?

Busque por aquilo que você gosta

Muitas pessoas aconselham a começar por um livro que você já tenha lido em sua língua materna, o que pode realmente ser uma boa forma, porque assim você já tem uma ideia da história. Mas como eu não sou uma pessoa que gosta muito de reler histórias, sugiro, então, que você busque pelas temáticas e gêneros que gosta. Não adianta você só ler romances em sua língua materna e procurar um thriller para ler no idioma estrangeiro, é preciso seguir na sua área de interesse.

Vá sem medo

Essa dica serve, na verdade, para dois pontos: não tenha medo de começar e não tenha medo de buscar algo mais fácil. Mas vamos por partes!

O passo mais difícil a ser dado é sempre o primeiro: aceitar que você é capaz de ler em outro idioma e começar a fazer isso. Pode ser um processo mais lento, um pouco mais difícil, mas você consegue, basta dar o primeiro passo.

Porém, é preciso lembrar que não é porque você se sente pronto para ler que pode já sair pegando absolutamente qualquer coisa. Não é vergonha alguma começar por histórias mais simples ou mesmo por obras facilitadas. Isso evitará a sua decepção e te motivará a sempre ir além. Aliás, esta dica também acrescenta mais um ponto ao item anterior: às vezes, a história que você gostaria de reler é muito complexa e, por mais que você a conheça, pode acabar tendo muitas dificuldades no idioma estrangeiro.

E claro: você sempre pode pedir indicações! Talvez você conheça alguém que também estude ou saiba aquele idioma e que já leu algo que possa te interessar. Perguntar não custa, não é mesmo?

Não queira entender tudo

Calma, não estou dizendo que você não precisa entender a história, mas apenas que você não precisa conhecer absolutamente todas as palavras dela. Imagine que ruim seria ficar interrompendo a leitura a todo momento para entender palavra por palavra? Ficaria tudo extremamente fragmentado e sem sentido.

Por isso, não tente traduzir tudo ao pé da letra. Leia a frase até o final e se realmente houver uma palavra chave que você não conhece, busque pelo seu significado. Se a dúvida for em uma construção, converse com alguém que saiba a língua e que possa te ajudar.

Lembrando que não é vergonha alguma pedir ajudar, seja para um dicionário, seja para um conhecido. Pelo contrário, é assim que você irá aprender e progredir cada vez mais.

Comece em um momento tranquilo

Como eu já mencionei, o primeiro passo é sempre o mais difícil. Na(s) primeira(s) página(s) você pode se assustar um pouco e pensar “eu não consigo, não entendo nada”. Sim, o primeiro contato pode ser um pouco assustador e, por isso, o ideal é começar em um momento tranquilo e em um ambiente igualmente tranquilo.

Com calma, você poderá ler e reler uma frase, se familiarizar com o ritmo do texto, com as construções. Superando as primeiras páginas, as coisas vão começar a ficar mais fáceis e você poderá encarar com mais naturalidade.

Não desista

Essa é a regra de ouro. Da vida, no caso. Mas com livros em outros idiomas também.

Veja bem, contudo: não estou falando que se você pegar um livro que não está aproveitando, deve ir até o final. Mas não desista totalmente dos seus planos, apenas procure outra obra que possa ser mais interessante.

E também não vale parar na primeira, hein? Acabou um livro em outra língua? Já planeje a próxima leitura. Tenha sempre essa possibilidade no seu horizonte.

Agora me conta aqui: você lê em outros idiomas? Quais? Que dicas daria para quem quer se arriscar também?

XVII Fórum de Editoração

Se tem uma coisa que esses tempos de distanciamento social me dão saudade são os eventos literários. E um deles, infelizmente, fui conhecer só em 2019 (“infelizmente” porque só tive a oportunidade de ir a uma edição presencial).

Sim, como é possível imaginar pelo título, estou falando do Fórum de Editoração, anualmente organizado pelos alunos de Editoração da ECA-USP, através da Com-Arte Jr, a empresa júnior do curso.

A boa notícia, porém, é que eles souberam se adaptar às adversidades e, assim como em 2020, este ano também teremos uma edição online e gratuita deste imperdível encontro. Ano passado acompanhei as mesas online, os sorteios, os comentários e é impressionante como, um ano depois, ainda tenho vivas lembranças dessa tarde online. Imagine como é presencialmente então (spoiler: é o máximo!).

A edição deste ano (a 17º!), que acontecerá no próximo sábado (18/12/2021), promete ser incrível também. A começar pela temática escolhida: Metamorfose literária. A ideia dos organizadores é fazer referência à evolução do leitor em sua trilha literária, do início até a consolidação de seus gostos literários. Mas lembre-se: estamos falando de um evento de Editoração, isto é, o assunto será discutido pelo olhar de quem produz livros. Como será que abordarão essa temática? Para já atiçar nossa imaginação, temos os nomes e assuntos das mesas, que desta vez serão apenas duas. Bora conferir?

A primeira mesa, que ocorrerá às 14 horas, recebeu o nome de Lagarta e abordará características como o mercado de trabalho, o público e as técnicas para produção de livros infantis. Farão parte dela: a Editora Quatro Cantos e o Clube a Taba, mediados pelo professor Paulo Verano, que também é fundador da Edições Barbatana.

Às 16h30 (gostei do tempo que há entre uma mesa e outra, não serão discussões tão corridas!) terá início a segunda mesa, chamada Casulo. Nela serão debatidos os bastidores do mercado de livros didáticos, a questão de estágios na área e a formulação destes, pensando na evolução escolar das crianças. Farão parte o grupo IBEP, a Editora do Brasil e a YouZ, com mediação de Paola Nogueira.

É difícil sair de um evento como esse sem ter a cabeça fervilhando de ideias. Geralmente as discussões são enriquecedoras e é sempre um oportunidade de conhecer outras pessoas, ideias, opções. Se você quiser ter uma noção de como é, as mesas do ano passado ainda estão disponíveis no canal da Com-Arte Jr.

Se quiser participar da edição deste ano, não deixe de se inscrever no link abaixo (gratuitamente):

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