TAG dos 50% — 2021

Pela primeira vez a criança aqui se ligou em responder a famosa (nesse meio de blogs literários) TAG dos 50%, criada há um bom tempo por Chami, do canal Read Like Wild Fire e traduzida por Victor Almeida, do Geek Freak. Consiste em falar um pouco, através de algumas perguntas, sobre os livros lidos até o mês julho, a metade do ano. Vou tentar não repetir as obras nas respostas, vamos ver se consigo!

01.O melhor livro que você leu até agora

A gente já começa com pergunta capciosa, né? Mas vou mencionar aqui Novecento (Alessandro Barico).

02. A melhor continuação que você leu até agora

Considerando que emendei em dezembro-janeiro as leituras de O irlandês e O casamento (Tayana Alvez), posso considerar que O casamento foi a melhor continuação que li até agora, certo?

03. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito

Confesso que não sou muito ligada nisso de lançamentos, para não sair comprando tudo e lendo nada. Mas tem um livro da Editora Lettre que eu revisei, que está no período final da pré-venda e que era tudo o que eu precisava ler nesse momento: O que restou de mim (Abraão Nóbrega). Tô só esperando o meu chegar!

04. O livro mais aguardado do segundo semestre

Como mencionei acima, procuro fugir de informações sobre lançamentos, então não consigo pensar em nenhum para mencionar aqui.

05. O livro que mais te decepcionou esse ano

Infelizmente, fiquei decepcionada com o Mãe, me ensina a conversar (Dalva Tabachi)

06. O livro que mais te surpreendeu esse ano

Olha, difícil escolher aqui. Pensei em mais de uma opção com justificativa. Mas vou mencionar Poeira estelar (Gabriela Araujo), porque quando comecei a ler achei que não daria em nada e terminei totalmente sensibilizada e encantada.

07. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente)

A coitada que vai me aguentar resenhando todos os lançamentos e muito mais é a Tayana Alvez, que conheci no final do ano passado.

08. A sua quedinha por personagem fictício mais recente

Ai, gente, eu sou péssima com essas coisas. E no momento não quero ter quedinha nem por seres humanos reais e nem por personagens fictícios. Tenham paciência com esse coração aquariano congelado.

09. Seu personagem favorito mais recente 

Acho que aqui eu posso mencionar o coitado do Ethan, de Eu escrevo poemas (Triz Santos), cuja resenha deve aparecer por aqui semana que vem (e aí talvez vocês entendem porque eu gostei dele e chamei ele de coitado).

10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre 

Se não estou enganada (é que já chorei tanto depois disso), eu chorei em alguns momentos de A sandália virada (H. L. Amaral).

11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre 

Eu tinha que citar Maicon Moura aqui, né? Então Cigarro e anéis no rabo do gato, que além de ser ótimo, tive o prazer de revisar e escrever o prefácio!

12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora

Eu confesso que não sei nem quando foi a última vez que assisti um filme… Sou péssima, eu sei!

13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo)

Fiquei em dúvida se é para citar uma resenha minha mesmo, mas vou mencionar aqui a que fiz de O som no fim do túnel (N. R. Melo), porque acho que consegui abarcar alguns pontos importantes da trama e apresentar os personagens. E porque esse é um livro que merece ser lido.

14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano, até agora 

Achei lindíssima a edição de um projeto que apoiei no Catarse (e que agora pode ser adquirido no site da Editora Saíra): 21 histórias de estudantes que mudaram a escola (org.: Cinthia Rodrigues e Luciana Alvarez).

15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?

Não gosto de colocar grandes imposições, vou apenas me deixando levar pelas leituras. Mas gostaria de tentar cumprir a minha meta do Skoob, que ainda conta com uns 30 livros….


Também queria aproveitar esse post para fazer um balanço de como têm sido as coisas aqui no Blog, já que escrevo aqui semanalmente (com algumas falhas, mas sempre seguindo).

Comecei 2021 escrevendo um questionamento: as pessoas ainda leem blogs? Esse post teve mais repercussão do que eu esperava! E nele eu comentei um pouco sobre os número daqui que, para minha alegria, têm sido a cada dia melhores! E os posts mais visitados, até o momento, são:

Sobre esses posts, gostaria de destacar que o Notas sobre a experiência e o saber da experiência está sempre entre os mais visitados, desde que foi postado (ano passado foi o artigo mais visitado do ano). Nunca entendi muito bem o porquê, apesar de ficar bem feliz com isso. Igualmente, não me surpreende muito a presença dos quotes de Ensinando a transgredir (bell hook). Mas não consigo explicar porque tenho recebido tantas visitas ao post de Enquanto houver sol e menos ainda o crescente número de acessos à resenha de A princesa salva a si mesma neste livro.

De qualquer forma, sejam quais forem os motivos que tragam os leitores a este blog (esperando que sejam bons motivos, claro), fico realmente feliz e agradeço a cada um que para por alguns minutos para ler as minhas palavras e considerações. Espero estar contribuindo com boas coisas!

E você, já parou para refletir sobre a primeira metade do seu ano?

Tamara Jong: a última flor do paraíso — José M. S. Freire

Título: Tamara Jong: a última flor do paraíso
Autor: José M. S. Freire
Editora: publicação independente
Páginas: 361
Ano: 2020

Em 2019 eu escrevi uma resenha sobre o segundo volume de Tamara Jong e, já naquele momento, expliquei que é possível ler as obras separadamente. Foi por isso que não pestanejei em mergulhar na leitura de Tamara Jong: a última flor do paraíso, quinto volume desta série de ficção científica criada pelo autor José M. S. Freire.

“A vida é dura em toda parte, mas, ainda assim, é tudo que temos, e nós devemos lutar por ela”

Uma vez mais, o prefácio é crucial para o embarque nessa aventura. Ele nos dá um bom panorama do que veio antes e nos faz entrar no clima da história.

“Eu perdi uma batalha, mas haverá muitas outras. Quando você crescer, você entenderá que as guerras são como a própria vida: só se para de lutar quando se morre!”

Desta vez, porém, os protagonistas estão cada um em um canto, lutando para sobreviver. E a narrativa vai, a cada capítulo, nos mostrando um desses personagens e suas aventuras.

Conhecemos, assim, diversos cenários e, claro, ficamos de cabelo em pé em algumas situações, sempre imaginando que é o fim da linha para alguém. Mas será que é mesmo?

“Aliás, na verdade, era isto que mais doía em André: o ego ferido por ter sido enganado por uma criatura rudimentar como aquela. Ele não se perdoava por ter sido tão descuidado”

Dentre esses cenários, uma vez mais, notamos muitas similaridades com o nosso verdadeiro mundo, principalmente com relação a problemas e coisas ruins… E, ao mesmo tempo, nosso verdadeiro mundo entra “disfarçadamente” na história de uma maneira que achei genial:

“No reino do Brehzil, sabe-se tudo mas não se faz nada!”

(assim, somente com o quote, não dá para pegar totalmente a ideia, então sugiro que você leia a obra para que entenda completamente porque isso foi muito criativo).

E claro que, uma vez mais, temos muito sobre o que refletir e mais ainda a aprender, porque isso, desde o primeiro livro que li, já fica claro: o autor consegue inserir diversas passagens interessantes, mas sem que fiquem forçadas na narrativa.

“Eu, que sempre vivi no luxo e na riqueza, acabei de aprender com você e o Rodrigo que a joia mais preciosa que podemos ostentar em nossas vidas é a face radiante das pessoas leais e amigas, estampada para sempre no véu de nossas lembranças”

Neste volume, no entanto, senti que, apesar de todas as cenas de arrepiar, a ação não esteve tão bem presente quanto anteriormente, dando mais espaço a descrições. Além disso, os capítulos são grandinhos, então se acomode bem no momento de ler e embarque nesta aventura única.

Se quiser conhecer essa história — e também os outros volumes de Tamara Jong — clique aqui.

Parcerias literárias com editoras

Eu poderia jurar que em algum momento já havia escrito sobre isso por aqui, mas dei uma procurada e não achei nada. Como em julho é provável que algumas editoras abram parcerias, acho que é um bom momento para batermos um papo sobre o assunto, pensando nos prós e contras, mas também no que você pode fazer para se destacar caso deseje muito conseguir uma parceria.

Vantagens de uma parceria literária

Sem dúvidas, conseguir uma parceria literária com uma editora traz diversas vantagens. Até porque, se não fosse assim, não seria uma prática tão comum e, muitas vezes, tão concorrida, né?

Para mencionar o óbvio, por meio dessas parcerias podemos receber diversos mimos e livros, físicos ou digitais. É importante ressaltar que tudo depende da editora com a qual você consegue uma parceria. Pequenas editoras, por exemplo, nem sempre conseguem enviar livros físicos aos seus parceiros, mas disponibilizam o ebook e outros materiais, além de fazer sorteios ou enviar brindes.

Além disso, o seu conteúdo passa a ganhar certo destaque, afinal uma editora decidiu confiar em seu trabalho. E não só isso: você passa a estar em contato com outros produtores de conteúdo, além de conhecer um pouco mais dos bastidores literários. Você pode conhecer muita gente bacana e aprender de montão com uma parceria dessas.

Infelizmente, porém, nem tudo são flores…

Desvantagens de uma parceria literária

Em primeiro lugar, uma parceria implica certas obrigações. Se você recebe um livro, não importa se em formato digital ou físico, espera-se que você fale sobre ele, que o mostre em suas redes sociais, que o resenhe. E isso costuma ter prazos, além de ser cobrada certa frequência. Ou seja: com uma parceria literária, a leitura — que antes talvez fosse apenas um hobby — pode se tornar uma obrigação.

Além disso, é preciso tomar cuidado, pois algumas editoras cobram mais do que oferecem. Lembre-se sempre que a parceria deve ser uma via de mão dupla. Não é porque a editora te ofereceu um livro ou um ebook que ela tem direito de cobrar de você um trabalho que não lhe cabe.

Como conseguir certo destaque

Pode parecer estranho eu vir aqui falar sobre como conseguir certo destaque na hora de se inscrever para uma parceria, mas tem duas dicas que eu gostaria muito de compartilhar, principalmente para quem ainda é “pequeno”.

A primeira coisa, na verdade, eu li uma vez no twitter e, desde então, penso muito sobre o assunto: como você quer conseguir parceria com uma editora se você não acompanha o trabalho dela, não apoia o conteúdo que ela produz? Pior ainda: se você nunca viu nada daquela editora, como sabe que ela produz livros que são realmente do seu interesse?

Isso é muito importante para você que acha que tem que se inscrever em todas as parcerias que aparecem pela frente, para ver se consegue ao menos uma delas. De que adianta, no final das contas, realmente conseguir ao menos dessas parcerias, se depois você vai se frustrar com os livros da editora em questão?

O meu segundo conselho é: seja diferente, e com autenticidade. Eu sei, não é nada fácil, eu mesma sou péssima nisso. Mas sabe quando tem um campo tipo “você tem algo mais a nos dizer?” ou qualquer coisa assim? Procure não deixar ele em branco! Às vezes, esse é o espaço perfeito para você conquistar quem está avaliando as inscrições.

Eu já participei da seleção de parceiros de uma pequena editora e como um dos critérios era o real interesse da pessoa em ser parceiro da editora para crescer junto — e não simplesmente para ganhar livro de graça — esse campo foi crucial para captar algumas pessoas que pareciam ter interesse no trabalho — através de comentários como “só queria ser selecionada” ou “gosto muito de vocês” — e excluir aquelas que só tinham interesse em ganhar algo — geralmente são pessoas que escrevem perguntas do tipo “quantos livros vocês enviam?”, “mas vai ser só ebook mesmo?”.

Conclusões

Já tive uma curta experiência como parceira literária de pequenas editoras e também já organizeis e selecionei parceiros para uma pequena editora e, por isso, achei importante falar sobre o assunto. Como tudo na vida, as parcerias literárias têm as suas vantagens e desvantagens e é importante, antes de mais nada, colocar na balança tudo aquilo que queremos ou não para nossas vidas.

No momento, eu não sinto vontade de firmar parcerias com editoras, apesar de enxergar certa importância nisso para o crescimento do Blog e, claro, saber que é uma alegria ver editoras reconhecendo nosso trabalho. Mas eu sei que preciso ler o que quero e porque quero, então prefiro fazer as coisas no meu ritmo, ao menos agora. E você, o que acha disso?

I verbi in italiano – presente indicativo

Aprender uma nova língua requer certa paciência. O início pode ser um pouco angustiante porque queremos saber tudo, mas obviamente não é possível aprender tudo de uma única vez.

Quando vemos que chegamos aos verbos, logo pensamos “nossa, agora vou conseguir me comunicar!”. Mas ainda não é bem assim, porque os verbos são muitos e em diversos tempos. Aprendemos o presente e continuamos sentindo falta ao menos do passado e do futuro para poder transmitir o básico.

É, minha gente, é preciso paciência, como eu disse ali no início. Mas, como tudo na vida, um passo de cada vez e chegamos lá, certo?

Hoje eu quero continuar a falar sobre os verbos em italiano e como conjugá-los no tempo presente do modo indicativo. Lembrando que, anteriormente, já trouxe aqui os verbos irregulares essere e avere.

Antes de mais nada, é preciso dizer que temos três terminações em italiano: os verbos em -are (primeira conjugação), em -ere (segunda conjugação) e em -ire (terceira conjugação). Sempre que pensamos nos verbos, pensamos nessas três conjugações e isso já facilita um pouco esse caminho.

Uma das coisas mais engraçadas, quando damos aula, é ver a cara de alívio dos alunos ao se deparar com um verbo regular. Sim, porque nesses casos, é muito simples “aplicar a regrinha”, ainda que seja preciso sabê-la. Mas e com os irregulares, que nem saber a regrinha adianta? Aí, realmente, o segredo é buscar sempre praticar e ter contato com a língua, não tem jeito, não tem fórmula mágica.

Mas, sem mais delongas, como se dá a conjugação dos verbos regulares italianos, no presente do indicativo?

Para os verbos da primeira conjugação (-are), devemos tirar essa terminação e substituir por:

io– o
tu– i
lei/lui– a
noi– iamo
voi– ate
loro– ano

Não entendeu muito bem como fazer isso? Então vamos pensar nos verbos cantare (cantar) e volare (voar):

iocantovolo
tucanti voli
lei/ lui canta vola
noi cantiamo voliamo
voi cantate volate
loro cantano volano

Percebeu que, nos dois casos, eu mantive a raiz (cant- e vol-) e fui só substituindo o final (o tal do -are), de acordo com as terminações mostradas na primeira tabela? A mesma coisa acontece com os verbos da segunda e terceira conjugação, mudando apenas algumas das terminações. Vejamos como é para os verbos da segunda conjugação:

io-o
tu-i
lei/lui-e
noi-iamo
voi-ete
loro-ono

Vamos conjugar os verbos leggere (ler) e scrivere (escrever) que, afinal, têm tudo a ver com Blog?

ioleggoscrivo
tu leggi scrivi
lei/lui legge scrive
noi leggiamo scriviamo
voi leggete scrivete
loro leggono scrivono

E, enfim, chegamos à terceira conjugação. Mas, no presente, ela tem uma pequena peculiaridade: temos dois tipos de terminação e alguns verbos regulares pertencem ao primeiro tipo e alguns ao segundo tipo. Não tem nada neles que indique isso logo de cara, mas, muitas vezes, sonoramente conseguimos perceber o que fica melhor. Comecemos, como nos casos anteriores, pelas terminações:

io-o / -isco
tu-i / -isci
lei/lui-e / -isce
noi-iamo
voi-ite
loro-ono / -iscono

Para entender esses usos, vejamos os verbos aprire (abrir) e o verbo finire (acabar):

ioaprofinisco
tu apri finisci
lei/lui apre finisce
noi apriamo finiamo
voi aprite finite
loro aprono finiscono

Percebeu a diferença?

Agora, vamos ler um pequeno texto em italiano e encontrar alguns verbos? Vou destacar apenas os regulares e o essere e avere e deixo a você a tarefa de perceber em que pessoa eles estão conjugados:

Al tornado non manca mai l’aria

I tornado non sono temibili solo per la loro violenza inaudita, ma anche perché è impossibile prevederne con precisione la nascita e la direzione. Tutto comincia dall’incontro di una massa d’aria fredda, proveniente dai Poli, con una massa d’aria calda di origine tropicale. La loro collisione genera un’enorme nuvola temporalesca. All’interno di essa si generano numerosi vortici, che girano come tante trottole. Talvolta questi vortici si uniscono in uno solo, di dimensioni gigantesche e a forma di imbuto. Nella sua parte più stretta il vortice si allunga, raddoppia la propria violenza e raggiunge il suolo. Polvere, tetti, camion… al suo passaggio il tornado travolge tutto! L’energia di un grosso tornado è superiore alla totalità dell’energia elettrica consumata in un anno nel mondo. Negli Stati Uniti se ne verificano circa 800 all’anno.

Depois de refletir sobre os verbos do texto acima, que tal tentar colocar os seus conhecimentos em prática? Deixo aqui algumas respostas à pergunta “perché studi l’italiano?” (por que você estuda italiano?) para que você conjugue corretamente os verbos que estão entre parênteses. Depois, confira as suas respostas no arquivo em anexo e conte comigo para qualquer dúvida!

1. Io (studiare) l’italiano perché è una lingua musicale e bella e perché io (amare) l’Italia per la sua storia e la sua cultura.

2. (studiare) l’italiano perché voglio studiare in Italia e diventare allenatore di calcio.

3. Io (lavorare) nel campo della moda, quindi parlare italiano è importante per il mio lavoro.

4. Ho scelto l’italiano perché mi piace la musica italiana. Io (sentire) sempre le canzone di Laura Pausini!

5. (amare) l’Italia per la sua musica, la sua cultura e la sua cucina.

6. Mia famiglia (essere) italiana e, per questo, ho deciso di imparare questa lingua così bella e importante per noi.

7. Io (avere) degli amici che (vivere) in Italia e voglio visitarli, per questo io (imparare) l’italiano.

Para conferir as respostas:


Sabe um pouco de italiano e quer aprender mais sobre a cultura? Então aproveite essa oportunidade: até domingo (27/06) você pode se inscrever na primeira turma do curso de férias do Italiamo Tutti. Serão 4 aulas de 1h30 cada, por apenas R$59,90 e com as seguintes temáticas:

  • In Italia si mangia solo pasta?
  • Cosa ascoltano gli italiani? [eu que vou dar essa aula!]
  • Dove si va il sabato sera?
  • La rinascita del cinema italiano

As aulas já começam na segunda-feira, dia 28/06 e você pode ter mais informações sobre o curso e se inscrever aqui.

L’ultimo arrivato — Marco Balzano

Título: L'ultimo arrivato
Autor: Marco Balzano
Editora: Sellerio Editore Palermo
Páginas: 205
Ano: 2018

Provavelmente uma das coisas que mais me faz apaixonada pelos livros é o quanto posso aprender com eles. E L’ultimo arrivato foi uma obra que trouxe muitas novidades para mim.

Infelizmente, a obra ainda não tem tradução para o português, mas para dar um gostinho dela, traduzirei os trechos que selecionei para compor esta resenha, colocando ao final os trechos originais, na sequência que aparecem aqui.

“Para aprender é preciso confiança e eu não confiava nele”

Uma história inventada, mas que ao mesmo tempo é real: fruto de muitas pesquisas e recortes de entrevistas com pessoas de carne e osso, L’ultimo arrivato nos mostra uma Itália de não muitos anos atrás e que, ao mesmo tempo, pouco se sabe ou se estuda.

“Não restaram traços, porque o esforço dos pobres cristãos não deixa vestígios. Não resta testemunho disso nem mesmo nos livros escolares, onde se lê apenas sobre o rei e a rainha”

Logo no início da obra o autor já nos explica sobre o que ela trata e o tema, por si só, nos faz pensar em uma história de terror que nos deixa boquiabertos por ter, de fato, acontecido.

“Nos anos cinquenta, a mudar-se do Sul ao Norte, em busca de trabalho, não eram apenas homens e mulheres prontos para a experiência e para a vida, mas também crianças — às vezes com menos de dez anos — que nunca haviam se afastado de casa. O fenômeno da imigração infantil envolve milhares de garotinhos que diziam adeus os pais, aos irmãos e se mudavam — muitas vezes eternamente — para as metrópoles distantes”

Em L’ultimo arrivato conhecemos Ninetto, um garoto que teve o mesmo destino de tantos de sua época e idade: mudar-se para Milão em busca de uma vida um pouco melhor. Mas a mudança era nos termos acima mencionados: sozinho e para trabalhar.

“Há momentos nos quais você não tem mais nada no que se agarrar a não ser a sua história”

Durante 31 capítulos vamos acompanhando a história desse garoto que, no início, levava uma vida muito simples — e já com algumas dificuldades — mas até que, na medida do possível, feliz.

“Não é verdade que basta boa vontade para virar a página e recomeçar”

Apesar de nem sempre ter comida na mesa — ou comer sempre a mesma coisa — e ver a sua mãe doente — mas não entender o que acontecia com ela — Ninetto ia à escola e, a cada dia, voltava fascinado com o que aprendia ali.

“Depois do Peppino, ainda que eu jamais o tenha dito, a pessoa a quem eu mais queria bem era o professor Vincenzo”

Depois de nos contar sua infância, Ninetto narra a viagem de trem até o norte e tudo o que passa a viver nessa nova e desconhecida cidade. Ali ainda há pobreza, mas também há a chance de se mudar de vida com muito suor e muita vontade.

“De qualquer forma, foi justamente aquele trabalho de mensageiro que me fez entender que Milão é um lugar mágico e horrível ao mesmo tempo”

Um ponto muito interessante da narrativa é que ela é feita de maneira crua, sem máscaras e sem a menor intenção de colorir uma realidade tão cinza. O que não significa, porém, que as palavras empregadas não transmitam com certa magia uma história tão difícil.

“Talvez as lembranças sejam aqueles fatos que não conseguimos esquecer”

Ao longo da narrativa, não sei se pelo fato dela ser narrada em primeira pessoa ou se pelo fato de ser muito bem escrita — ou talvez as duas coisas ao mesmo tempo — nos sentimos imersos, lendo aquelas passagens quase como quem assiste a um filme.

E, para nos deixar ainda mais presos à história, em determinado momento ficamos sabendo que Ninetto viveu um tempo na cadeia e passamos a querer saber o motivo disso, ainda que ele não dê grande importância ao fato. Pelo contrário, aliás, os anos passados na prisão são apenas um borrão na narrativa, mesmo que depois disso, Ninetto jamais possa ser quem fora antes.

“Não há o que dizer, é fora do cárcere que está a verdadeira pena a se cumprir”

Mas o livro não é apenas tristeza. Como eu disse antes, é uma história sem máscaras, mostrando os momentos como eram. Há a celebração das pequenas conquistas, o amor, o casamento, a filha, o reencontro com a família, a poesia.

“Tem quem nasce avenida principal e quem nasce rua sem saída”

Se você lê em italiano, recomendo esta obra — desde que você aceite um soco no estômago — e se você não lê, recomendo ao menos que pesquise sobre esse momento da História italiana. Procure sobre os “trens da felicidade” e sobre os anos cinquenta.

E, como prometido, seguem os trechos originais, na ordem em que apareceram nesta resenha:

“Per imparare bisogna fiducia e io di lui non ne avevo”

“Non ne è rimasta traccia perché la fatica dei poveri cristi non lascia mai traccia. Non ne rimane testimonianza nemmeno nei libri di scuola, dove si legge soltanto del re e la regina”

“Negli anni Cinquanta a spostarsi dal Meridione al Nord in cerca di lavoro non erano solo uomini e donne pronti all’esperienza e alla vita, ma anche bambini a volte più piccoli di dieci anni che mai si erano allontanati da casa. Il fenomeno dell’emigrazione infantile coinvolge migliaia di ragazzini che dicevano addio ai genitori, ai fratelli, e si trasferivano spesso per sempre nelle lontane metropoli”

“Arrivano dei momenti in cui non hai nient’altro che la tua storia a cui aggrapparti”

“Non è vero che basta la buona volontà per girare pagina e ricominciare”

“Dopo Peppino, anche se non gliel’ho mai detto, la persona a cui volevo più bene era il maestro Vincenzo”

“Comunque, è stato proprio quel lavoro di galoppino a farmi capire che Milano è un posto magico e orribile insieme”

“Forse i ricordi sono quei fatti che non riusciamo a dimenticare”

“Non ci sono storie, è fuori dal carcere la vera pena da scontare”

“C’è chi nasce strada principale e chi strada senza uscita”

O que nós lemos?

Recentemente traduzi um artigo sobre o que os italianos leem. A Nati comentou que adoraria ver um comparativo dos dados daquele artigo com dados da realidade brasileira e pensei que isso não seria tão difícil, visto que temos a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.

Para quem não sabe, a Retratos da Leitura “é a única pesquisa em âmbito nacional que tem por objetivo avaliar o comportamento leitor do brasileiro” (explicação retirada do site da Plataforma Pró-Livro). Com isso, realmente a tarefa deveria ser fácil, mas devo confessar que achei a exposição dos dados um pouco confusa e, de antemão, peço desculpas se avaliei algo erroneamente.

O artigo que eu traduzi é de novembro de 2020 e a última Retratos da Leitura saiu também em 2020 (tendo sido realizada entre outubro de 2019 e janeiro de 2020). Creio que seja possível fazer um comparativo com esses dados.

Para começar, é importante ressaltar que na Itália considera-se a população que lê ao menos um livro por ano, enquanto para a pesquisa brasileira considera-se leitor aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses. Dito isso, temos que 40,6% da população italiana lê ao menos um livro por ano, enquanto no Brasil temos que 52% da população é considerada leitora (mas em 2015 éramos em 56%!).

Assim como na Itália, no Brasil a quantidade mais alta de leitores está entre os jovens, principalmente entre os 11 e os 17 anos. E, por aqui, as mulheres também leem mais que os homens, mas a diferença é bem pouca: 54% do público é feminino e 46% masculino.

Um dado muito interessante no cenário brasileiro é o percentual de leitores na região Norte (que é bem diferente da região Norte italiana em termos populacionais e de desenvolvimento/infraestrutura): 63%. É a região com maior percentual, seguida pela região Sul (58%), Sudeste (51%), Nordeste (48%) e Centro-Oeste (46%). Também é interessante notar que, com relação à escolaridade, a maior parte dos leitores está entre os que possuem Ensino Médio e não necessariamente o Ensino Superior, o que é um pouco diferente dos dados italianos.

Um livro que não sai dos mais lidos entre os brasileiros é a Bíblia. Para além disso, lê-se muitos contos, livros religiosos e romances. Entre os livros mais lembrados temos “A Cabana”, “O pequeno príncipe” e “Turma da Mônica” e dentre os autores preferidos pelos brasileiros temos Machado de Assis, Monteiro Lobato e Augusto Cury.

Na pesquisa italiana foi mencionado que crianças que crescem em famílias leitoras, leem mais. Na pesquisa brasileira, algo que salta aos olhos é que 67% dos leitores afirma não ter sido influenciado por ninguém em especial, enquanto 11% foi influenciado por professores e apenas 8% pela mãe ou responsável do sexo feminino!

Sobre formato do livro (físico ou digital) temos dados relativos ao último livro lido entre os entrevistados: 92% leu em papel e apenas 8% em algum formato digital. Além disso, 30% comprou o último livro em loja física e 9% pela internet. Na Itália também ainda há uma boa disparidade entre leitores de livros físicos e digitais. No geral, porém, no Brasil, 37% dos leitores já leu em formato digital, havendo ainda, contudo, uma declarada preferência (67%) por livros físicos.

Para 56% dos leitores brasileiros as bibliotecas representam um lugar para pesquisar ou estudar (em 2015 essa porcentagem era de 71%!) e para 22% um lugar para emprestar livros. Assombrosamente, por outro lado, a porcentagem de pessoas que respondeu que existe uma biblioteca pública em sua cidade ou bairro caiu de 67% em 2007 para 47% em 2019. Onde vamos parar??

E os motivos para ir a uma biblioteca são: ler livros para pesquisa ou estudar (51%), ler livros por prazer (33%), estudar ou fazer trabalhos (21%). E dentre aqueles que não frequentam bibliotecas, o que poderia mudar essa condição seria o fato dela ser mais próxima de casa (17%) ou ter mais livros ou títulos novos (14%). Mas a verdade é que para a maioria (29%) nada mudaria isso.

Esses são alguns dos dados que consegui comparar entre as pesquisas vistas. Como eu disse no início, achei a apresentação da Retratos da Literatura um pouco confusa e nem sempre foi possível analisar exatamente o mesmo tipo de dado entre uma pesquisa e outra. Porém, foi bem interessante ter essa visão, até porque aqui também ouve-se muito que o brasileiro não lê, que livro é coisa de rico e absurdos assim.

Por fim, também gostaria de fechar o meu post com algumas curiosidades com relação à pesquisa brasileira:

  • O lugar onde mais lemos (principalmente agora, né?) é em casa e, em segundo lugar, na sala de aula;
  • costumamos ler parte de um livro mais de uma vez, bem como muitos leitores começam a ler um livro e o largam sem terminar;
  • 47% dos leitores não lê mais por falta de tempo (e a média é de 5 livros lidos por ano);
  • em ordem, os fatores que mais influenciam leitores na escolha de um livro são: tema ou assunto, capa e autor.

Boas práticas para todos nós

Apesar de gostar de produzir conteúdos aqui e de divulgá-los em outras redes sociais, buscando sempre chegar a mais pessoas, estou bem longe de ser (e me considerar) uma influencer. Mas tem algumas coisas que acho que são importantes dizer e repetir (no meu caso, repetir, tantas pessoas já disseram antes e tantas outras insistem em ignorar).

São algumas coisas sobre as quais penso muito e busco sempre melhorar (afinal, ninguém é perfeito e estamos aqui para aprender também). Não trarei regras, mas aspectos que podem tornar a convivência e a troca na internet (e até na vida) melhores.

Interação

Muito se fala sobre crescimento na internet (e na vida), mas poucas pessoas parecem realmente levar a sério a questão da interação. Lembrando que divulgar e apoiar o trabalho de pessoas, mesmo aquelas que atuam na mesma área que você, não gera concorrência, mas admiração (super clichê essa frase, mas é verdade, viu?).

Para ser sincera, não sou a melhor e mais indicada pessoa para falar sobre interação. Sou extremamente fechada e tímida e tenho sempre medo de estar incomodando, além de, por vezes, ter uma enorme preguiça de redes sociais. Mas quando estou com ânimo, tento passar nos perfis que gosto, comento, curto, compartilho algumas coisas.

Quando falo de interação, contudo, não estou me referindo apenas à nossa em outros perfis, mas também à forma como recebemos e respondemos aqueles que vêm nos visitar. Você já pensou nisso?

Acho que mais que interação, este tópico também poderia ser sobre reciprocidade. Tratar o outro como gostaria que te tratassem, ainda que nem sempre o que é bom para nós seja bom para o outro, mas acho que deu para entender o espírito da coisa, não?

Acessibilidade

Confesso que esse foi o tópico pelo qual eu mais queria escrever este post. Acessibilidade é um tema que ainda temos muito a aprender e melhorar. E com certeza estou me incluindo nessa! Por exemplo, o que tem de acessibilidade para deficientes visuais em meu blog? Nada! E reconheço essa falha. Tenho vontade de gravar em áudio meus posts, para deixar como alternativa, mas esse é um plano que ainda não saiu do papel…

Mas tem uma coisa que acredito que seja mais básica ainda e que tem pessoas que insistem em não fazer: legendar vídeos. Digo, legendar vídeos para o Youtube, por exemplo, eu sei que é mais trabalhoso, o vídeo todo, aliás, é mais trabalhoso. Mas qual é a sua desculpa para não legendar um story, que tem 15 segundos de duração?

O ponto é: não somos educados a pensar no que podemos fazer pelo outro. E somos ainda menos educados a enxergar que podemos sim ajudar o outro sem colocá-lo em um lugar de vítima.

Avaliação

Se você produz conteúdo na internet, existe algo muito importante que você precisa fazer: falar! Mas calma, não estou dizendo para você gravar vídeos, eu mesma quase não faço isso.

Quando eu digo que você precisa falar, estou te dizendo para compartilhar sua experiência sobre qualquer coisa que você tenha gostado. Foi num lugar bacana, que te marcou? Fale sobre ele, da forma que preferir (através de uma foto, de um story, de um texto). Comprou algo que te surpreendeu? Fale. Gostou de um atendimento? Compartilhe. Teve uma experiência importante? Fale também, ela pode ajudar outras pessoas.

Mais do que falar para as pessoas que te acompanham, porém, existe outra coisa que pode ajudar — e muito — as pessoas por trás daquele lugar, serviço, produto: sua avaliação.

Hoje em dia é possível — e importante — avaliar quase tudo. A maioria dos aplicativos é baseado nisso. E também tem a opção, às vezes, no Google, de avaliar um local, por exemplo. É uma coisa que, em tese, para nós, consumidores, é pequena e que não leva nem dois minutos. Mas para quem recebe aquela avaliação, faz muita diferença. Só que aqui, chegamos ao último ponto…

Lembre-se: somos todos humanos

Infelizmente, nossa vida não é feita apenas de bons momentos e boas experiências, faz parte. Mas isso não nos dá o direito de ofender gratuitamente ninguém. Mais um clichê de extrema importância aqui: palavras podem ferir. E muito.

Críticas construtivas costumam ser bem-vindas. Porém, temos de tomar cuidado e perceber se estamos realmente oferecendo algo que pode mostrar o que não agradou e como poderia ser melhor ou se estamos apenas reclamando e, pior ainda, difamando o outro.

Claro que aqui estou falando “em defesa” de pessoas que agem de boa fé e com boas intenções. Más experiências por conta de golpes e afins devem sim ser compartilhadas expressando a gravidade da situação e alertando os demais (o que não significa que sair xingando seja a melhor opção…).

Agora me conta aqui: o que você considera essencial para uma boa e saudável convivência nessas redes que inundam nossas vidas?

Já dizia Elie Wiesel…

Talvez você não saiba quem é a pessoa do título deste post — eu mesma não sabia/não lembrava assim, só pelo nome — mas é provável que em algum momento você já tenha lido/ouvido essa frase:

“The opposite of love is not hate, it’s indifference”

(O oposto do amor não é o ódio, é a indiferença).

Na verdade, a frase acima é apenas parte de um trecho maior. E essa frase, em questão, foi originalmente dita por Wilhelm Stekel, mas usada por diversos autores, como o próprio Elie Wiesel. Contudo, hoje eu estou aqui mais para falar sobre a minha relação com essa frase e, ao final, algo que descobri ao pesquisar sobre ela.

A primeira vez que li isso, escrito em inglês mesmo, foi no início do meu treinamento para ser professora de inglês, meu primeiro emprego. Lembro-me bem que, apesar de nunca ter experimentado aquilo, a frase chamou minha atenção a ponto de eu copiá-la em meu caderno (que, aliás, tenho até hoje).

Apesar de ter adorado a frase, ela me parecia aleatoriamente colocada ali. Parecia mais um sinal que qualquer outra coisa. Porém, o coordenador logo explicou que a indiferença também é perigosa no ensino. E sim, com certeza é!

Queria eu estar vindo falar sobre como a indiferença é perigosa para o ensino. E, apesar de eu ser professora, infelizmente eu vim, como disse mais acima, falar da minha relação com essa frase e isso não tem nada a ver com o ensino, mas com o amor mesmo.

Quando entrei em contato com ela pela primeira vez, nunca havia sentido na pele — ao menos não de maneira tão concreta — o poder da indiferença. Mas hoje eu posso dizer que ela é realmente pior que o ódio. Eu pensei nisso em meu primeiro relacionamento, muitas vezes, aliás (mais do que eu gostaria/deveria, talvez). Eu pensei nisso nesses últimos dias (felizmente, com menos intensidade, não que isso ajude muito).

E como — ou por que — a indiferença é pior que ódio? Bom, o que nós esperamos de alguém que declaradamente nos odeia? Com certeza nada de bom! Mas a indiferença não costuma vir de uma pessoa que declaradamente nos odeia. Ela vem de pessoas que amamos e que queremos que nos ame igualmente ou o mais próximo disso que for possível. A sensação de vazio que nos persegue quando percebemos que já não é de interesse — ou talvez nunca tenha sido — da outra pessoa compartilhar das nossas pequenas alegrias, é assombroso.

Ao menos essa frase, por mais triste que seja, me trouxa coisas boas. Da primeira vez, a sensação de sentir o peso dessas palavras, mas sem realmente conhecer o significado delas — e te garanto, essa sensação era boa, o que já não é mais. Agora, a descoberta que ela me trouxe e que está relacionada a quem optei por creditar a frase no título deste texto.

Lá no comecinho eu falei que, na verdade, estou trazendo aqui uma frase dita por Wilhelm Stekel, mas usada por diversos autores (inclusive brasileiros, como Érico Veríssimo e Martha Medeiros). Dentre esses autores, temos Elie Wiesel. E quem era ele?

Escritor, sobrevivente do holocausto e prêmio Nobel da Paz (em 1986). Uma de suas obras foi “A noite“, que encontra-se em minha lista de desejos há tempos.

Entender melhor um dos contextos nos quais essa frase aparece — bem o holocausto, assunto sobre o qual pesquiso e leio sempre que posso, justamente pelo medo dos caminhos aos quais a indiferença pode nos levar — fez-me pensar num turbilhão de outras coisas (como se a minha mente já não estivesse a mil, mas enfim).

Eu ia falar sobre como, depois disso, minhas dores — apesar de ainda estarem doendo demais — pareceram pequenas. Mas como ainda dói, só peço que tomem cuidado. Não se deixem engolir pela indiferença, mesmo quando já não se nutre mais um sentimento como antes. Peça licença e afaste-se, não deixe que o outro sofra por aquilo que você já não pode mais fazer por ele.

E cuide dos que estão e sempre estiveram com você.

No coração de um assassino — Davi Busquet

Título: No coração de um assassino
Autor: Davi Busquet
Editora: Lettre
Páginas: 166
Ano: 2021

A resenha de hoje é para quem gosta de um bom thriller. Mas daqueles de nos deixar de queixo caído mesmo!

Se você já leu a antologia Serial Killer: a verdadeira face do mal, publicada também pela Editora Lettre, talvez se lembre do conto O sangue. Ele já é surpreendente por si só, e é o prólogo desta obra, que irá trabalhar sobre o serial killer ali apresentado.

“Alguns homens não precisam de motivos, perfis de vítimas, traumas de infância ou distúrbios psiquiátricos para fazer o que fazem — alguns simplesmente são cruéis”

Em No coração de um assassino entramos em contato com a vida de Hermanni, um rapaz relativamente jovem, um pouco solitário, e que vai no contando sua vida, fazendo-nos chegar a sentir pena dele.

“A Hermanni, mais uma vez, restava-lhe somente chorar”

O livro é dividido em duas partes, além de ter um prólogo — que já mencionei — e um epílogo.

Na primeira parte, somos apresentados a alguns flashes da vida do protagonista da obra. São alguns momentos específicos — quase que aleatórios — mas que parecem ser importantes para a construção deste personagem.

“Tanto o coração em seu peito, quanto a comida em seu colo esfriaram, com o ar noturno soprando para longe as cinzas, o cheiro de queimado e os planos tão cuidadosamente pensados ao longo de tanto tempo”

Como eu disse, esses momentos no fazem sentir certa pena de Hermanni — ao menos comigo foi assim — e quase nos fazem esquecer o tipo de livro que estamos lendo.

“Era incrível que uma única gaveta tivesse tanto para dizer e o fazia de maneira silenciosa, para um menino mais calado que a cômoda”

Mas então a segunda parte chega sem aviso prévio. Digo, a separação no livro é bem clara, mas não sei se eu estava preparada para o que viria. Não sei se eu imaginava que a divisão em partes representava uma quebra tão grande e, ao mesmo tempo, tão clara para uma pessoa minimamente mais esperta que eu (o que não é difícil, convenhamos).

“Você mesma disse: algumas coisas têm que ser arrancadas do jardim, para que outras cresçam em seu lugar”

Nessa segunda parte, todas as pontas são atadas e muitas revelações são feitas.

Realmente, me surpreendi com a forma como o autor conduziu e construiu essa história. Tendo lindo a antologia que mencionei no início desta resenha, também adorei as inserções nada forçadas que o autor colocou de outros contos em sua obra. Uma homenagem muito bonita e uma criatividade sem igual. Se você gosta de caçar easter eggs recomendo a leitura de Serial Killer: a verdadeira face do mal e, em seguida, a leitura de No coração de um assassino.

Li a obra em formato ebook e gostei bastante da diagramação. Já adquiri a versão física e estou ansiosa por ela, porque sei que tem detalhes ainda mais bonitos e caprichados. E, por falar nisso, a obra está em pré-venda até amanhã, sendo possível adquiri-la por um preço promocional. O frete é gratuito para todo o Brasil e hoje ainda foram anunciados alguns brindes exclusivos para quem adquirir nessas últimas 48 horas.

“Ele compreendeu, a duras penas, que nada é para sempre”

Para conhecer um pouco mais o autor e acompanhar os trabalhos dele, sugiro que você leia a entrevista postada no blog da Editora Lettre e que siga-o no Instagram.

“Apesar de tudo, a dor cedeu e outra maior tomou o seu lugar”

O que os italianos leem? [tradução 15]

“O que os italianos leem” é uma pergunta que vira e mexe salta em minha cabeça — tanto é que fui conferir se eu realmente nunca havia traduzido um artigo do tipo —, principalmente quando ouço as pessoas dizendo que brasileiro não lê, que nós não valorizamos a nossa literatura. Pergunto-me se é assim apenas aqui ou em todo o mundo (ou ao menos em outros lugares do mundo).

Nas minhas buscas por artigos para traduzir para este espaço do blog, já me deparei mais de uma vez com afirmações de que os italianos leem pouco. Sim, a mesma afirmação que fazemos sobre nós mesmos. Faltava responder apenas o que, afinal, leem os italianos.

Por isso, no post de hoje, trago a tradução deste artigo, escrito por Enzo Scudieri e postado em 21 de novembro de 2020 no site habitante.it. Para ler o original, basta clicar aí em cima, no “deste artigo” que você chegará ao post em italiano. E vamos à tradução?


Ler livros é uma forma de viajar para milhares de mundos diversos, conhecer pessoas e apaixonar-se por histórias. Mas qual é a relação dos italianos com a leitura, o que e quanto leem?

Os italianos amam ler?

A paixão pela leitura te impede de dormir à noite, porque você está tão arrebatado por aquilo que está lendo que não quer parar; amar os livros significa comprar novos exemplares, mesmo já tendo a casa invadida por livros que você ainda precisa ler. Ler ajuda a abrir a mente e desenvolver ideias; a cultura da leitura gera progresso social, econômico e, obviamente, cultural.

Através das últimas estatísticas sobre o que os italianos leem, descobrimos que lê-se mais no norte, entre as mulheres e entre pessoas com mais títulos acadêmicos. As compras de livros são direcionadas prevalentemente aos romances e contos, de faixa econômica médio-baixa.

O relatório publicado pelo Istat* em 2019 sobre Produção e leitura de livros na Itália revela que 40,6% da população lê ao menos um livro por ano, dado estável no último triênio. 78,4% dos leitores leem só livros físicos, 7,9% somente ebook ou livros on line.

Diferentemente daquilo que se pode imaginar, a quantidade mais alta de leitores continua a ser aquela dos jovens: em 2018, os leitores entre 15 e 17 anos eram em 54,5%, quantidade em crescimento em relação aos 47,1% de 2016. Entre homens e mulheres existe uma lacuna relevante: o percentual de leitoras é de 46,2% contra 34,7% de leitores. Em absoluto, porém, o público mais afeiçoado à leitura é representado por garotas entre 11 e 19 anos (mais de 60% leu pelo menos um livro no ano).

O que os italianos leem?

Os rankings falam claramente e, deixem-me dizer, são sempre muito iguais ano a ano. Existem autores que estão sempre no “top ten”: Smith, Camilleri, Tamaro, Grishmam. Depois estão os personagens do momento, aqueles que escrevem livros para desfrutar de uma notoriedade sazonal, autores no estilo Fabio Volo, por exemplo.

Nunca faltam nos rankings, também, escritores como Stefano Benni e Beppe Servagnini. E não nos esqueçamos, depois, de toda a vertente bibliográfica de personagens famosos, muitas vezes ainda vivos, que decidem, justamente, escrever um livro para contar a sua história.

Fecharei esta lista com os agora indispensáveis livros de cozinha: encontramos um pouco de tudo, dos chef famosos para o grande público, graças às participações em reality shows, à vizinha de casa, que conta no seu blog as receitas da avó. E o sucesso do blog é, então, traduzido em livro.

As grandes livrarias

As livrarias de grandes redes geralmente estão cheias de pessoas entre as prateleiras, curiosas ou ocupadas, folheando um livro ou bebendo um café na cafeteria da própria livraria. Nos últimos anos, de fato, assistimos a uma transformação das livrarias em verdadeiros “centros comerciais”.

Feltrinelli, Mondadori, Mel Bookstore, Giunti al punto, apenas para citar algumas, abandonaram as aparências de simples livrarias. Tudo é dividido, separado e exposto em setores específicos, identificados por placas realmente muito similares àquelas das seções dos supermercados: em evidência é possível encontrar imediatamente os livros do ranking nacional e também os inesquecíveis “conselhos” de compras.

E, caminhando pelas seções, pode-se encontrar também toda uma oferta de multimídias como dvd, cd e videogame. A seção de papelaria também tem uma oferta muito rica de canetas, agendas, cadernos e papéis de vários tipos e cores. Essas redes, se por um lado multiplicam a oferta e a enriquecem com outras comodidades, por outro correm o risco de perder sua vocação original e a relação de confiança livreiro-leitor.

As livrarias independentes e lojas online

Do relatório ISTAT surge, porém, um dado contraditório. As modalidades de distribuição consideradas mais estratégicas pelos editores são as livrarias independentes, os canais de distribuição online e os eventos como feiras, festivais e salões de leitura.

As grandes distribuições organizadas (supermercados, grandes lojas) e os pontos de vendas genéricos (bancas, papelarias, autogrill, correios) são considerados canais de distribuição relativamente menos eficazes para aumentar a demanda e ampliar o mercado editorial.

Os editores, além disso, estão investindo sempre mais, também, na oferta de títulos em formato e-book: o percentual de obras publicadas em formato físico, disponíveis também em versão digital, em apenas dois anos, passou de 35,8% a quase 40%. A versão digital é mais comum para:

  • aventura e suspense (82,1%)
  • informática (62,9%) e matemática (61,4%)
  • atualidade político-social e econômica (56,1%)

Os grandes editores publicam mais de 90% dos livros em formato e-book, com uma cobertura de obras publicadas fisicamente de 45,8%.

Lê-se mais no Norte e nas grandes cidades

No Norte, uma pessoa a cada duas, na Sicília, só uma a cada quatro. A leitura está muito mais difundida nas regiões do Norte: 49,9% das pessoas que moram no Noroeste leu pelo menos um livro e 48,4% no Nordeste. No Sul, a cota de leitores cai para 26,7% enquanto nas ilhas observa-se uma realidade muito diferente entre a Sicília (24,9%) e a Sardenha (44,7%).

O hábito da leitura, além disso, é muito difundido nas cidades centrais de áreas metropolitanas, onde declaram-se leitores pouco menos da metade dos habitantes (49,2%) enquanto a cota cai para 36,1% nas cidades de menos de 2 mil habitantes.

O nível de instrução também se confirma como um elemento determinante: leem livros 73,6% dos graduados, 46,7% dos diplomados e só 26,5% dos que possuem acima do nível elementar.

A leitura é mais fortemente influenciada pelo ambiente familiar: as crianças e adolescentes são certamente favorecidos se os pais têm esse hábito. Por exemplo, entre os jovens abaixo de 18 anos, 74,9% entre quem tem mães e pais leitores e só 36,2% entre aqueles que têm ambos os pais não leitores.

Pílulas de curiosidade. Eu não sabia e você?

  • As bibliotecas mais frequentadas da Itália são aquelas do Trentino Alto-Adige e do Valle d’Aosta.
  • As motivações que encorajam as pessoas a irem a uma biblioteca são “pegar um livro emprestado” (57,1%) e “ler e estudar” (40,1%).
  • Na Itália são cerca de 8 milhões e 960 mil pessoas que foram a uma biblioteca pelo menos uma vez por ano.

* O ISTAT é o Instituto Nacional de Pesquisa italiano (o correspondente ao nosso IBGE) e eles sempre têm dados sobre os mais diversos assuntos.


E aí, o que achou deste artigo e dos dados que ele traz? Você imaginava algo assim?