O casamento — Tayana Alvez

Título: O casamento
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 336
Ano: 2020

Como a própria Tayana nos revela, O casamento era para ser apenas um conto que nos mostrasse o que vem depois do “felizes para sempre”, mas, felizmente, ele virou uma história bem maior e intensa.

“Foi completamente inevitável amá-la com todo o meu coração”

Ao longos das páginas deste livro não são poucos os sentimentos que vêm à tona. E não é à toa, portanto, que uma das coisas que mais fica evidente nesta narrativa é importância da terapia.

“O amor é superar as adversidades, suportar o outro, engolir o próprio orgulho e despir a alma. Amar é estar vulnerável”

Uma vez mais nos encontramos com Júlia, Robert, Annabelle e Alice. Agora, porém, eles estão começando a construir uma família. E, outra diferença com relação a O irlandês é que, neste volume, os capítulos se alternam entre Júlia e Robert, e alguns trechos inclusive retomam passagens do primeiro livro, conectando ainda mais as histórias.

“E talvez o amor seja isso, duas pessoas com problemas e imperfeitas que lutam para fazer dar certo diariamente”

Outra coisa que achei muito interessante é que este livro se passa na pandemia! Sim, na pandemia que ainda estamos vivendo. Ou seja, pela primeira vez vi, em uma história, os personagens em quarentena, usando máscaras e álcool gel ao sair… Foi uma experiência bem diferente. E lembrando que a história se passa na Irlanda, então tive um gostinho de como as coisas se desenrolaram por lá no ano passado.

“Não é o melhor dos mundos conviver constantemente com uma ameaça”

O que me encanta e me surpreende nas histórias da Tayana é como ela consegue nos entregar um relacionamento tão real e tão encantador. E claro que, neste livro, não seria diferente: Robert e Júlia têm ainda muitas marcas da vida que precisam superar. Mas quem não tem? Que casal é 100% do tempo totalmente seguro de si?

“O amor não é sobre merecer, é sobre encontrar alguém, entre bilhões de pessoas no mundo, que te aceite com os seus defeitos e com quem você, apesar dos defeitos dela, queira viver a vida inteira ao seu lado. O amor é muito mais sobre ser grato pelo encontro de duas almas do que um atestado de merecimento”

Esse discurso sobre merecimento pega lá no fundo, né? Quem nunca sentiu que “não era suficiente” para alguém que ama/amava? E isso aparece em diversos momentos da história, tanto por parte de Júlia quanto de Robert.

“Mulheres negras têm sorte quando o namorado as apresenta para os amigos e anda de mãos dadas com elas na rua”

Mas O casamento vem para nos lembrar que nenhum casal é perfeito, porém que a harmonia pode existir se houver, em primeiro lugar, diálogo (e amor e respeito, claro, mas isso esse casal já demonstra desde o primeiro volume).

“Rob e eu tínhamos um diálogo super aberto, até não termos mais. Não me isento de culpa porque eu também me calei por muito tempo, mas a diferença é que eu cedi e ele não”

Eu sempre digo isso em minhas resenhas das obras da Tayana Alvez, mas vou dizer novamente: vale a pena conhecer cada uma delas. Para além de um romance envolvente, a autora sempre tem algo novo a acrescentar às nossas reflexões, além de uma visão que poucos encontramos por aí: a de uma mulher negra que sabe o que é ser brasileira e que também sabe o que é viver em outro país.

“Apesar de tudo, nem nos meus sonhos mais esperançosos imaginei que Robert estaria aqui por mim e pelas minhas cicatrizes e não por ele”

Se você se interessou por O casamento, não deixe de clicar aqui e saber mais sobre esse livro maravilhoso.

Eu, meu melhor amigo e o cadáver que acabamos de enterrar — Adrielli Almeida

Título: Eu, meu melhor amigo e o cadáver que acabamos de enterrar
Autora: Adrielli Almeida
Editora: Publicação independente
Páginas: 31
Ano: 2020

Costuma-se brincar que melhor amigo de verdade é aquele que estará ao nosso lado mesmo se matarmos alguém. E que ainda vai nos ajudar a enterrar o corpo! Adrielli Almeida, jogando com isso, criou uma história que inclui fatores, digamos, sobrenaturais, uma vez que o protagonista Kaio realmente tem de lidar, por diversas vezes, com mortos.

“Kaio era o que as pessoas podiam chamar de ceifador…”

Geralmente, porém, Kaio tem de lidar apenas com fantasmas, não com os corpos em si. Tanto é que, o fato de ser um ceifador, é segredo até mesmo para Cedrico, seu melhor amigo. Mas, em uma noite, tudo muda e amizade desses dois jovens é colocada à prova.

Abordando de maneira bem sútil a questão do suicídio, Adrielli Almeida insere na história uma celebridade, Otávio Augusto, que precisa de uma ajudinha de Kaio para, finalmente, descansar em paz. Kaio, por sua vez, precisará de um favorzinho de Cedrico para se livrar do fantasma de Otávio Augusto.

A história é narrada em terceira pessoa, nos fazendo sentir quase como um quarto elemento desse grupo bem peculiar, que tem muitos outros segredos a nos revelar.

Apesar de parecer uma leitura extremamente macabra, Eu, meu melhor amigo e o cadáver que acabamos de enterrar é uma narrativa engraçada e, por ser um conto, bem rapidinha de ler. Uma leitura para te fazer pensar sem que você perceba.

Ficou com vontade de ler também? Então clica aqui e conheça Kaio, Cedrico e Otávio.

Livros tradicionais e audiolivros [tradução 11]

Hoje é dia de traduzir mais um artigo italiano e a escolha da vez foi Livros tradicionais e audiolivros: segundo a ciência, são (quase) iguais. O artigo original foi postado no site Focus, em 4 de setembro de 2019, por Chiara Guzzonato.

Para variar, encontrei esse artigo enquanto preparava aula, e o título chamou a minha atenção porque sou uma pessoa que não se imagina ouvindo um audiolivro. Nada contra a tecnologia em si, mas vejo como coisas diferentes. Não sou uma pessoa de ver muito filme ou vídeos, porque gosto bastante do silêncio e a leitura me permite isso. Também sinto que absorvo melhor lendo e isso é algo que varia muito de pessoa para pessoa, cada um aprende melhor de uma forma.

Vamos à tradução?


Ler e ouvir colocariam em atividade as mesmas regiões do cérebro, fazendo-as trabalhar da mesma forma. Alguns especialistas, porém, ressaltam as diferenças entre as duas modalidades.

Livros: melhor lê-los ou… escutá-los? Segundo um estudo conduzido pela Universidade da Califórnia e publicado no Jornal de Neurociência, em níveis práticos, não faz diferença. “As informações semânticas são elaboradas de maneira similar”, explica Fatma Deniz, pesquisadora em neurociência e chefe do estúdio. “Sabíamos que quando lemos ou escutamos uma palavra algumas regiões do nosso cérebro se ativam de maneira análoga, mas não esperávamos que as duas modalidades estimulassem as mesmas áreas emocionais e cognitivas”, destaca um pouco surpresa.

Mapas cerebrais (quase) idênticos

O estudo envolveu nove voluntários que primeiro escutaram uma história transmitida pela BBC e, depois, leram a transcrição.

A atividade cerebral era praticamente igual em ambos os casos: as palavras, de acordo com seu significado, ativavam diversas regiões do cérebro. “O mapa semântico que surgiu (ou seja, a representação gráfica das áreas do cérebro que se ativam quando escutamos uma palavra, ndr) nos permitiu prever com precisão quais partes do cérebro seriam estimuladas pelas várias palavras”, explica a doutora Deniz.

Culturalmente superior

Nem sempre, porém, a ciência está alinhada com as percepções que nós, meros mortais, temos. Conforme uma pesquisa de 2016, conduzida pela YouGov, de fato, só 10% dos britânicos considera que escutar um livro seja equivalente a lê-lo: a maior parte está convencida, ao contrário, que a leitura é culturalmente superior à escuta. Opiniões fundamentadas ou não? Para alguns especialistas, ainda que não se possa falar em “superioridade cultural”, igualar a leitura à escuta não é correto.

“Realmente faz rir!”. Como você leu essa exclamação? Como um sincero elogio ou uma irônica brincadeira? Se você tivesse escutado essa frase, não teria dúvida sobre o seu significado, como nos faz notar Daniel Willingham, professor de psicologia da Universidade de Virgínia e jornalista do New York Times, uma das principais diferenças entre o falado e o escrito é a prosódia. “No texto, falta o tom, o tempo, o ritmo do discurso falado”, explica Willingham em um artigo dedicado ao tema.

Problemas de compreensão

Em uma pesquisa de 2010, foi colocada à prova a capacidade de compreensão de alguns estudantes: uma parte deles escutou uma gravação de 22 minutos; a outra leu a transcrição. Ainda que os dois grupos tivessem usado o mesmo tempo para assimilar o texto nas duas modalidades, 41% dos ouvintes não passou no teste de compreensão feito dois dias depois, contra apenas 19% de “reprovados” entre os leitores.

“O grupo de ouvintes foi pior que aquele de leitores, de longe, não ligeiramente”, ressalta David Daniel, professor de psicologia na Universidade James Madison (Virginia, USA) e coautor da pesquisa. Os estudantes que ouviram a gravação sabiam que não tinham aprendido muito: “antes de começar o experimento, poucos queriam fazer parte do grupo de leitores”, afirma Daniel. “Mas depois de ouvir o podcast, antes do teste de compreensão, quase todos tinham mudado de ideia: se pudessem voltar atrás, teriam escolhido o grupo de leitura”.

Afinal, melhor ler ou ouvir? A resposta é: depende. Se você tivesse que estudar um livro (ou seja, entendê-lo e assimilar o seu conteúdo), talvez fosse melhor seguir fiel ao papel (ou ao e-reader). Se, por outro lado, é apenas lazer, sinal verde para os audiolivros: “eu escuto vários, inclusive enquanto estou no carro e dirigindo”, declara Willingham. “Mas jamais escutarei algo de importante para o meu trabalho. Quando estou concentrado, diminuo o ritmo, releio as partes mais difíceis. Tudo coisas muito mais fáceis de se fazer em se tratando de voltar uma página”.


Agora me conta aqui: qual é a sua opinião sobre o tema? Já ouviu algum audiolivro? Gostou da experiência? Notou alguma diferença com relação à leitura?

O irlandês — Tayana Alvez

Título: O irlandês
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 294
Ano: 2020

Uma vez mais, Tayana Alvez nos presenteia com uma obra que traz como protagonista uma mulher negra. E dessa vez ela vai ainda mais além, colocando em sua história muitos elementos sobre ser uma intercambista na Irlanda.

A ambientação irlandesa, assim como os detalhes, incluindo os perrengues do intercâmbio, são muito bem escritos, pois Tayana viveu tudo isso na pele. O que significa que em O irlandês nós somos transportados e essa viagem, mas ficamos com a parte boa do conforto de nossas casas.

“É bom sentir que o passado está no passado e que temos a vida inteira pela frente”

O fato da autora ser brasileira enriquece ainda mais essa história, pois ela pode nos apresentar com propriedade as diferenças culturais que há entre esses países, tornando a nossa imersão ainda mais completa e real.

“Ouvir da boca de um irlandês que você é o seu amuleto mais precioso é quase tão bonito quanto ouvir um eu te amo”

A protagonista deste livro é Júlia, que sai de Nilópolis (na Baixada Fluminense) para tentar a vida fora do país. E sim, tentar a vida, porque ela espera que o intercâmbio seja apenas uma porta, pela qual ela não pretende voltar tão cedo.

Para isso, porém, Júlia tem de trabalhar muito. Literalmente. E, como trata-se de um intercâmbio estudantil, ela tem de estudar também. Mas sabe aquelas pessoas que não sabem dizer “não”, principalmente quando surge mais uma oportunidade de ganhar um dinheirinho que fará diferença no final do mês? Pois bem, essa é Júlia.

“Quanto mais dinheiro você tem, mais dinheiro quer ter”

E é por não saber/não querer dizer “não” que Júlia, mesmo já trabalhando como garçonete e como cuidadora (em algumas noites), começa a cuidar de Annabelle e Alice. Ela tem de ficar apenas algumas poucas horas com as meninas, entre o fim do expediente da babá e o retorno do pai, Robert.

“Eu estou preparada para muita coisa. Mesmo. Até curso de primeiros socorros eu tenho, mas a dor do abandono de uma mãe? Isso eu não sei como lidar…”

E é assim que vamos, aos poucos, conhecendo essa protagonista tão cheia de si, mesmo que tenha seus medos, inseguranças e, claro, marcas do passado. Júlia sabe de onde vem, mas também sabe onde quer chegar e, ao mesmo tempo, sabe que terá de lutar em dobro simplesmente porque é uma mulher negra.

“Isso pesa. Essa sensação de nunca ser boa o bastante, de ser parada por causa da minha cor, de ser uma subcategoria de mulher porque nasci com mais melanina do que outras pessoas”

Por outro lado, também vamos cada vez mais conhecendo Robert e suas encantadoras meninas. E é muito instigante querer saber mais sobre o seu passado. Sobre as marcas que ele carrega. E as meninas, de certa forma, ainda que sejam muito jovens.

“Dói demais ver uma criança sofrer tanto”

O fato de termos uma (quase) babá e uma pai solteiro com um passado e tanto, me lembrou um pouco Alameda do Carvalho, outra história que gostei muito. A experiência de leitura de cada uma dessas histórias, porém, é bem única, porque os rumos que o enredo toma e o que está por trás de cada trauma são bem diferentes.

O irlandês tem tudo para ser um clichê, mas também tem muito mais para transformá-lo numa história rica e capaz de nos transmitir mensagens importantes como a necessidade de um bom diálogo em qualquer tipo de relacionamento, bem como a solidão da mulher negra (e, por mais que isso possa soar um pouco solto dito assim, fica muito claro o significado disso quando você lê essa história).

“Então é assim que as pessoas se relacionam quando elas têm um bom diálogo e não escondem medos e inseguranças?”

Ah, e claro, tudo isso é feito através de uma narrativa envolvente, daquelas que te fazem rir no momento certo e ficar com o coração apertado na mesma medida.

Ficou com vontade de conhecer a Julia, o Robert e as meninas? Então clica aqui.

TAG: material escolar

Faz muito tempo que não respondo uma TAG por aqui! E olha que não é por falta de opção não.

TAG’s podem parecer algo bobinho, mas sempre me surpreendo com o fato de que as pessoas costumam interagir com esse tipo de post. Fora que eu me divirto respondendo e relembrando leituras.

E a TAG de hoje eu vi no IG @aterradoslivros, que inclusive indico para que vocês conheçam! E, sem mais delongas, vamos às respostas, claro!

Mochila: um livro que você guarda na memória, embora tenha lido há algum tempo

Menino de ouro, da Abigail Tarttelin. Aprendi demais com essa história e sinto que ela é mais desconhecida do que deveria. Fiz essa leitura em 2015.

Borracha: um livro que você queria apagar da memória

⁣Há quem ame, há quem odeie, mas, certamente, Uma casa no fundo de um lago, do Josh Malerman. Até hoje me pergunto porque li esse livro.

Agenda: último livro lido, leitura atual e próxima leitura
Corretivo: um livro que você mudaria alguma coisa

Vou me abster de responder essa, porque se fosse para mudar algo, eu que escrevesse o livro, né?

Lápis de cor: um livro com capa colorida

O mais lindo de todos: A lógica inexplicável da minha vida (Benjamin Alire Sáenz).

Régua: um livro com muitas páginas

⁣Claro que a minha mais longa leitura de 2020: As mil e uma noites (Antoine Galland) [cada volume, na edição que li, tem 500 e poucas páginas].

Pincel: uma capa que é uma obra de arte ou um livro com ilustrações lindas

A minha capa preferida da vida é a de Um amor para chamar de meu, né? (espero que dispense apresentações…).

Dicionário: autora/autora com excelente qualidade narrativa

Nossa, vocês podiam facilitar, né? Tanto autor que eu leria até a lista de compras! Tipo a Tayana Alvez, a Marie Pessoa, a Ingrid Sousa, a Michelle Pereira, a Maya Brito…

Uniforme: livros com histórias ou capas parecidas

Eu sou péssima nessa coisa de relacionar um livro com outro, mas recentemente isso me aconteceu: Alameda do Carvalho (Ninna Vicari) e O irlandês (Tayana Alvez) têm uma premissa bem parecida, mas características únicas em seus desenvolvimentos. De qualquer forma, é difícil não relacionar uma história com a outra.

E qual seria o seu material escolar feito de livros? Vou adorar conhecer as suas respostas.

Dê um match — Maicon Moura

Título: Dê um match
Autor: Maicon Moura
Editora: Publicação independente
Páginas: 13
Ano: 2020

Um título com um imperativo desses pode fazer parecer que este conto é o que não é. Mas a verdade é que nada nele é o que uma primeira olhada indica.

Então não ache que nessas 13 páginas você encontrará fórmulas mágicas de como conseguir muitos matches no tinder. Acho que mais fácil você encontrar o que não fazer nesse aplicativo, ainda que haja as inserções de Otávio, um personagem que tem várias frases prontas de “conselhos de beleza e afins”.

Entre nos alertar, de maneira sutil, sobre os perigos do Tinder e nos fazer rir com as abobrinhas de Otávio, esta história toma rumos e chega a um desfecho que acho difícil não te deixar de queixo caído.

Ao mesmo tempo que pensamos “puts, como eu não pensei nisso”, a leitura de Dê um match também nos faz pensar como a imaginação do autor foi longe! E olha que não é a primeira obra do autor que eu leio (você pode conferir as resenhas anteriores aqui e aqui), mas mesmo assim eu fui surpreendida pela quarta vez.

Então deixo a dica de que se você for ler algo do Maicon, já leia pensando “o que será que ele vai me aprontar dessa vez?”.

Ah, e claro, não deixe de conhecer Dê um match.

Céu de menta — Camila Martins

Título: Céu de menta
Autora: Camila Martins
Editora: Hope
Páginas: 185
Ano: 2018

Depois que li O que me faz pular, tornei-me uma leitora que não pode ver livros sobre autismo que já quer devorar todos. E assim foi com Céu de menta que, no entanto, é bem diferente de qualquer outra leitura que eu já tenha feito sobre o tema.

“Como se deixar envolver por algo que não se conhece?”

Comecemos pelo fato de que Céu de menta é uma ficção (enquanto os demais livros que li geralmente foram não-ficção ou ficção baseado em fatos reais, coisa que não sei se é aplicável neste caso). E Céu de menta é uma ficção que nos mostra uma vida muito normal, afinal de contas, o autismo não é algo que nos torne incapazes de sentir e viver. A narrativa é bem doce e, por vezes, um pouco parada. Mas nada que torne esta história menos especial.

Sem grandes ambientações (a história se passa quase toda entre casas vizinhas de uma pequena cidade), Céu de menta nos mostra duas famílias extremamente diferentes que vivem lado a lado.

“Ser feliz com pouco, e curtir isso, é um dom”

Primeiro somos apresentados aos Salles, família formada por Carolina (mãe), Roberto (pai), Ana Maria (a protagonista) e Davi (o irmão mais novo). Depois, aos Alencar, família formada por João (o vizinho de Ana e também protagonista desta história), sua vó Clara, suas duas irmãs mais velhas e rebeldes (Paula e Bianca), sua mãe acamada (Sílvia) e seu pai ausente (Paulo). Acho que essa descrição já deixou bem claro que não temos aqui uma família muito fácil, não é mesmo?

“A família Alencar sempre foi uma granada prestes a explodir”

E tem mais: a família de Ana é simples, vive muito bem com o que tem e mudou-se para essa pequena cidade com o intuito de oferecer uma vida melhor à filha, portadora de TEA (Transtorno do Espectro Autista), enquanto a família de João está mergulhada numa vida de ostentação material, mas de ausência de amor. Contudo, mesmo tendo crescido nesse ambiente, João é um garoto calmo, compreensível e amoroso.

“João era um diamante em meio aos cacos de vidro”

É ele quem, ainda jovem, aproxima-se de Ana. E assim nasce uma amizade muito linda, já que ele está disposto a compreender a amiga e fazer de tudo para sempre deixá-la confortável. Os pais de Ana, claro, veem essa amizade com bons olhos, pois também sabem da raridade de se encontrar pessoas como João no mundo.

“Não tem preço ter alguém inteiro em nossas vidas. São raridades”

O mais bonito desta história, porém, é ver como ambos têm suas dificuldades e como um pode ajudar — e muito — o outro. Cada um com o seu jeito, cada um com suas habilidades, Ana e João crescem e amadurecem juntos. E claro que, nesse caminho, alguns percalços acontecem, fazendo com que a autora aborde questões como a pressão sobre os jovens na escolha de uma carreira, depressão, as máscaras da nossa sociedade, preconceito…

“Como chegar perto de alguém que se cercou de um enorme muro?”

Logo no início, o título do livro já passa a fazer sentido, mas somente ao final é que o entendemos realmente, e ainda com uma última bela lição deixada pela autora.

Aliás, temos muito a aprender com Céu de menta e um dos aprendizados que mais me marcou é de que o fato de uma pessoa não saber muito bem como lidar e demonstrar seus sentimentos, não significa que ela não sente (e muito!).

“Ah, como Ana ama abraços. Ah, como é difícil para Ana entender os abraços”

Se você busca um livro com uma protagonista autista e, ao mesmo tempo, quer ler algo bem leve, com certeza é Céu de menta que você procura. Então clica aqui e saiba mais sobre essa história que vai te deixar com um quentinho no coração.

Lista de desejos na Amazon: como e por que fazer?

Muitos viciados em livros geralmente recorrem à Amazon para comprar seus queridos exemplares (físicos ou digitais). Percebo, porém, que muita gente ainda não conhece muitas das formas possíveis de se usar esse site de maneira inteligente e até mais econômica.

Por isso, hoje eu resolvi falar um pouco sobre as listas de desejos da Amazon (ou simplesmente lista de compras). Antes de mais nada, comecemos pelo básico, não é mesmo?

Como criar uma lista de desejos na Amazon?

Em primeiro lugar, você precisa estar na sua conta da Amazon. A partir disso, siga os seguintes passos (retirados da própria Amazon. Instruções para quem está na versão desktop):

  • Vá para contas e listas (no topo da página, ao lado da barra de pesquisa) e selecione suas listas.
  • Selecione criar uma lista de desejos e insira um nome de lista.
  • Selecione criar lista.
  • Selecione o menu de três pontos e gerenciar lista para atualizar seu endereço e outras preferências.
  • Selecione salvar alterações.

Depois que você já tem ao menos uma lista de desejos criada (você pode ter quantas quiser), veja que na página de qualquer produto, abaixo daquele quadrado com os preços e opções de compra, que fica do lado direito da página (na versão desktop) existe a opção “adicionar à lista“. Se você clicar no texto, o produto será adicionado diretamente à sua lista de desejos padrão (você pode escolher qual quer que seja a padrão). Caso você tenha mais de uma dessas listas, basta clicar na setinha e escolher a qual lista você deseja adicionar aquele produto.

Sobre o gerenciamento da lista

Ao clicar em gerenciar lista, você poderá mexer em informações como nome da lista, privacidade (sua lista pode ser pública ou privada e, neste caso, somente você poderá ver os itens que estão nela), destinatário (no caso, o nome para quem vai os itens daquela lista), email, aniversário, descrição (se você quiser explicar para que serve aquela lista, por exemplo), endereço de envio (endereço para o qual serão enviados os itens da lista).

Além disso, há três caixinhas que você pode selecionar ou não:

  • Acordo de entrega de terceiros
  • Manter os itens comprados na lista
  • Manter presentes comprados em segredo

De todos esses itens editáveis, creio que nenhum é obrigatório (talvez apenas o nome da lista). Mas é válido pensar em algumas coisas:

  • Se você quer que amigos e parentes possam ver o que você deseja, sua lista deve ser pública;
  • Se você quer aproveitar a possibilidade de ganhar alguns dos itens em segredo, é importante também cadastrar o endereço de envio. Ele não ficará público para qualquer pessoa, mas possibilitará o envio de itens da sua lista sem que a pessoa tenha que te perguntar qual é o seu endereço. E a mesma coisa vale para a seleção manter presentes comprados em segredo. Neste caso, você não saberá que algum dos itens foi comprado, a menos que você tente comprá-lo (e aí a Amazon te aconselhará a não fazer isso), por outro lado, para as outras pessoas, esse produto deixa de aparecer em sua lista de desejos, evitando que duas pessoas comprem o mesmo item para você.

Além disso, você pode adicionar quantos produtos quiser, de qualquer categoria da Amazon e também pode organizar a ordem deles em sua lista.

Por que fazer uma lista de desejos?

Confesso que a minha lista de desejos na Amazon não foi criada com o intuito de ganhar presentes, mas sim de me ajudar em outra coisa: monitorar preços.

Parece estranho? Talvez, mas porque essa é uma funcionalidade que você talvez desconheça. A partir do momento que você adiciona um item à sua lista de desejos, se o valor dele diminuir, você saberá, pois a Amazon indica inclusive a porcentagem da diminuição de preço.

Além disso, como eu só tenho livros em minha wishlist (e muitos nacionais), pode acontecer do ebook ficar gratuito, então isso realmente me ajuda a conhecer novos autores sem gastar rios de dinheiro.

Também uso essa minha lista para sempre lembrar os livros que ainda quero ter e ler, mas que não estou com muita pressa de comprar (afinal, ainda tem muitos encalhados por aqui). E confesso que também tenho uma lista secreta com livros (ou mesmo outros produtos) que achei interessantes para dar de presente para outras pessoas.

Mas se você quer usar a sua lista de desejos para efetivamente ganhar presentes, é muito bacana saber que, por mais que você já demonstre o que quer ganhar, você não precisa pedir diretamente para as pessoas e também não saberá, logo de cara, quem comprou o quê.

No final de 2020 eu participei de um amigo secreto virtual e essa lista foi uma mão na roda. Cada um criou a sua e nós só precisávamos acessar a do nosso amigo secreto, escolher um ou dois itens e pronto, já seria enviado para o lugar certo. Não tinha muito como desconfiar sobre quem teria nos tirado (e nós combinamos de não olhar o remetente e nem abrir o presente até o dia e hora combinados).

E você, já conhecia a lista de desejos da Amazon? Usa esse recurso? Se quiser conhecer a minha, basta clicar aqui (livros físicos) ou aqui (ebooks). Sim, optei por separar, para facilitar a minha vida.

Pronúncia da língua italiana

Conheço muitas pessoas que, assim como eu, decidiram estudar a língua italiana por achá-la bonita (no meu caso, este não foi exatamente o único motivo, mas um deles). E uma das coisas que torna esta língua tão bela é a sonoridade dela.

Hoje, portanto, vou comentar um pouco sobre a pronúncia do italiano, mostrando alguns elementos que nós, falantes de língua portuguesa, precisamos prestar atenção.

Vogais (le vocali)

Para começar pelo mais simples, é importante destacar que a vogal “a” é sempre bem aberta no italiano (o que provavelmente contribui para o estigma de que italianos falam gritando) e que não existem sons nasais nesta língua. Por exemplo, a palavra “mamma” (mamãe), se pronuncia “mámma” e não “mãmma“.

Também é muito importante que as vogais finais sejam bem pronunciadas e de acordo com o que está escrito. Isto é: se a palavra termina em “e”, devemos pronunciar “e” e não “i”, e assim por diante.

Consoantes (le consonanti)

Aqui as coisas ficam um pouco mais difíceis, principalmente quando vamos ler uma palavra escrita em italiano e acredito que você vai entender isso quando eu terminar de mostrar as especificidades da língua.

Tentarei colocar entre parênteses como você deve pronunciar as palavras mencionadas, mas a minha sugestão é que você busque cada uma delas no Google tradutor (ou similares) para ouvir a pronúncia.

O encontro entre “ce” ou “ci” é pronunciado praticamente da forma como pronunciamos palavras com “t” em grande parte do Brasil: cinema (tchínema), certo (tchérto). Uma palavra que nos ajuda a lembrar desta regrinha, por ser muito usada aqui no Brasil também, é cappuccino!

Por outro lado, “che” e “chi” têm o som do nosso “que” e “qui”: macchina (máquina), pacchetto (paquêto).

Aqui no Brasil, em algumas palavras, o nosso “d” sai quase com o som de “g” (pense em como você pronuncia “dia”). No italiano, porém, isso não pode ocorrer, o “d” tem que ter exatamente o som dele. A mesma coisa acontece com o “t”, que aqui no Brasil tem um som quase de “ts”. No italiano, esqueça esse chiado.

Mas, ainda pensando na palavra “dia”, sabe como chegamos ao som desse nosso “d” em italiano? Usando “gi” ou “ge”: giorno (dgiorno), agenda (adgênda).

Se você se deparar com “ghe” e “ghi”, em italiano, não se assuste com esse “h” e pense no nosso “gue” e “gui”. Sabe aquele macarrão, espaguete? Em italiano, ele é escrito assim: spaghetti. Duas escritas bem diferentes, mas uma pronúncia igual! Só tome cuidado, no italiano, para não pronunciar um “e” inexistente no início da palavra: você deve começar pronunciando o som do “s”.

Agora dois encontros consonantais que nos confundem bastante: “gli”, em italiano, tem o som do nosso “lh”: foglia (fôlha); maglia (málha). E “gn” tem som de “nh”. Mas aqui, você pode lembrar de outra massa: o nhoque, em italiano, se escreve gnocchi (e, mais uma vez, a pronúncia é quase a mesma, apesar de escritas tão diferentes). Outro exemplo: prugna (prunha).

Mas uma boa notícia: assim como em português, a letra “h” (chamada acca) não tem som no italiano. A palavra “hotel” continua sendo pronunciada “otel“, por exemplo.

E se por acaso você se deparar com “sci” e “sce”, não se assuste: eles têm um som muito parecido com o nosso “ch”: sciopero (chiópero), viscere (víchere).

Letras duplas (le doppie)

Talvez, ao longo dos exemplos acima, você tenha se questionado “mas esses dois ‘c’?”, “e esses dois ‘t’ juntos?”. O que acontece é que, na língua italiana, diversas palavras são escritas com as tais letras duplas.

E o que elas representam?

Em tese, elas indicam que aquela sílaba é um pouco mais longa (o que também contribui para uma certa musicalidade da língua). Mas por que “em tese”?

Porque para nós, brasileiros, é muito difícil perceber esse tal alongamento. Se para muitos italianos a diferença é óbvia, para nós, brasileiros, ouvindo uma conversa normal, é praticamente impossível notar a diferença sem fazer um esforço muito grande. Mas saiba, ela existe!

E outra coisa: você notou que quase não há acentos (gráficos) nas palavras italianas? Pois é, eles usam bem menos que nós. Inclusive, não existe circunflexo e til em italiano. Isso, por vezes, nos dificulta um pouco na hora de saber qual é a sílaba tônica de cada palavra. Mas nada que a prática não resolva.


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A bibliotecária de Auschwitz — Antonio G. Iturbe

Título: A bibliotecária de Auschwitz
Original: La bibliotecaria de Auschwitz
Autor: Antonio G. Iturbe
Editora: Harper Collins Brasil
Páginas: 402
Ano: 2016
Tradutor: Dênia Sad

Ao mesmo tempo que queria muito falar sobre esse livro, adiei por diversas vezes esta resenha. E olha que ler livros sobre o período do holocausto é algo que tenho o hábito de fazer, motivada por um fascínio que talvez só se explique pelo fato de que quanto mais leio, menos acredito que uma coisa dessas pode ter acontecido de verdade.

“Em Auschwitz, a vida humana vale menos que nada”

Claro que a primeira coisa que me chamou a atenção foi o título desta obra. E, num primeiro momento, não pelo estranhamento que ele deveria causar, e sim porque qualquer coisa relacionada a livros chamaria a minha atenção. Mas livros em Auschwitz?

“Os livros em Auschwitz oficialmente não existem”

Sim, livros em Auschwitz. É difícil explicar como eles chegaram até ali e como ali permaneceram, mas também é difícil não se envolver nessa narrativa que mistura ficção e realidade e que cita ou faz paralelos — de maneira direta ou indireta — com tantas outras obras literárias, inclusive a minha mais longa leitura de 2020: As mil e uma noites.

“No entanto, houve sim um dia em que a infância se fechou como a gruta de Ali Babá e ficou sepultada na areia”

Narrado em terceira pessoa, A bibliotecária de Auschwitz nos dá um excelente panorama dos horrores que aconteciam em um campo de concentração, ao mesmo tempo que consegue focar em alguns personagens chave que dão vida e nos prendem à essa narrativa tão densa.

“Pediram que ele fizesse algo que estava além de suas forças. Além das forças de qualquer um”

A primeira personagem que não posso deixar de mencionar, por ser a protagonista desta história — ainda que protagonismo seja uma palavra difícil de usar neste contexto — é Edita (ou Dita) Adlerova, a bibliotecária.

“Mais do que um bibliotecária, desde esse dia ela se tornou uma enfermeira de livros”

A bem da verdade, Dita era apenas uma jovem que perdeu sua adolescência para o nazismo. Mas ela ainda teve “sorte” de poder trabalhar no bloco 31, que funcionava como uma escola. Claro que, aos olhos dos guardas, nada demais se ensinava, mas aquele era um refúgio e também um bloco de resistência. Até de sonhos, se é que se pode dizer isso.

“Não importa quantos colégios os nazistas fechem, respondia. Cada vez que alguém se detiver num canto para contar algo e algumas crianças se sentarem ao redor para escutar, ali terá sido fundada uma escola”

E, quando falamos no bloco 31, não podemos deixar de mencionar Fredy Hirsch, outro personagem de extrema importância para esta narrativa. Ele era o diretor do bloco e uma pessoa que inspirava a todos, um símbolo de luta e resistência. Mas, por trás daquela máscara que vestia, parecia esconder muita coisa.

“Em Auschwitz, quase nada é o que parece”

A partir de Dita e Fredy, a narrativa vai se construindo, nos apresentando outros personagens que também ganham o seu destaque na história, como a própria família de Dita. É interessante perceber como em Auschwitz todos estão sozinhos e, ao mesmo tempo, sem cada pessoa que aparece na narrativa, ela não seria a mesma.

“Dita Adlerova se movimenta sozinha em meio a centenas de pessoas, mas corre sozinha. Sempre corremos sozinhos”

Ainda que fale muito sobre o campo de concentração, A bibliotecária de Auschwitz não se resume a esse espaço. Conhecemos um pouco da vida de Dita antes dela ir para lá, quando ainda vivia plenamente em Praga e, depois, quando passou a viver na murada cidade de Terezín, que já era um preparo — sem nada preparar — para o que viria a seguir.

“Terezín era uma cidade onde as ruas não levavam a parte alguma”

Mas não são apenas os espaços que variam nesta narrativa: há temas muito importantes e interessantes abordados ao longo destas páginas. São passagens sobre homofobia, sobre o peso da vida e sobre a importância da educação que contribuem para tornar esta narrativa ainda mais rica e impactante.

“Ao longo da história, todos os ditadores, tiranos e repressores, fossem arianos, negros, orientais, árabes, eslavos ou de qualquer outro tom de pele, defenderam a revolução popular, os privilégios das classes nobres, os mandamentos de Deus ou a disciplina sumária dos militares. Qualquer que fosse sua ideologia, todos tiveram algo em comum: sempre perseguiram os livros com verdadeira sanha. São muito perigosos, fazem pensar”

Outra coisa que chamou muito a minha atenção durante a leitura foi que, no bloco 31, além de alguns raros exemplares em papel, eles contavam com “livros vivos“, isto é, professores que sabiam alguma história de cabeça e as contavam aos alunos. Isso, sem dúvidas, me fez lembrar das bibliotecas vivas e é muito estranho (ou doloroso?) pensar como, no fundo, ambas podem ter nascido de uma mesma raiz: o preconceito.

“Naquele lugar tão escuro em que a humanidade chegou a alcançar a própria sombra, a presença dos livros era um vestígio de tempos menos lúgubres, mais benignos, quando as palavras ressoavam mais do que as metralhadoras”

E, por falar em livros, já mencionei como esta história nos faz lembrar de tantas outras, como não poderia deixar de ser, uma vez que diversas passagens exaltam o poder que a literatura tem. Mas há uma passagem em específico que me lembrou muito É isto um homem?, outro livro sobre o holocausto que já li e que considero extremamente marcante:

“A primeira lição que qualquer veterano dá a um recém-chegado é a de que sempre se deve ter claro seu objetivo: sobreviver. Sobreviver mais umas horas e assim acumular mais um dia, que somado a outros poderá se transformar em mais uma semana. E assim sucessivamente: nunca fazer grandes planos, nunca ter grandes objetivos, apenas sobreviver a cada momento. Viver é um verbo que se conjuga no presente”

Se a história de A bibliotecária de Aushwitz nos deixa com algumas dúvidas, ao final, o autor faz alguns esclarecimentos muito interessantes e que eu recomendo fortemente que você não pule. Inclusive, uma das mensagens deste trecho é:

“Com pão para comer e água para beber, o homem sobrevive, mas só com isso a humanidade inteira morre”

Por fim, eu gostaria de comentar que a experiência de ter lido este livro pode ter sido ainda mais intensa pelo fato de estarmos em isolamento social. Por diversas vezes me vi pensando: as pessoas têm reclamado de estar em casa, de não poder sair, mas veja bem, estamos no conforto de nossas casas, com comida, água, podendo ter a melhor das higienes e com acesso a internet. Tudo isso é muito mais do que qualquer paraíso sonhado por um prisioneiro de Auschwitz.

“Os ingleses pensavam que libertariam um campo de prisioneiros, mas o que encontraram foi um cemitério”

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