Enquanto houver sol — Titãs

Músicas conversam conosco. E não há nada melhor que estar despretensiosamente ouvindo uma e, de repente, perceber como aquela letra tem um significado. E como ele pode mudar de acordo com a situação.

Enquanto houver sol é uma música que conheço há anos. Mas nas duas últimas vezes que a ouvi (ambas este mês) percebi que eu não podia terminar 2020 sem falar sobre ela que, agora mais do que nunca, tem tanto significado.

Lançada em 2003, pelos Titãs, no álbum Como vocês estão?, Enquanto houver sol ganha ainda mais força em um ano como este. E o próprio título já nos dá indícios, afinal ainda falta tempo para o nosso planeta deixar de ser iluminado pelo essencial astro rei e, portanto, enquanto houver sol, ainda haverá… Bom, ainda haverá vida, mas também, como dito na música, esperança, caminhos e desejos.

Mais que isso, logo na primeira estrofe há outra mensagem essencial em tempos tão sombrios: nenhuma ideia vale uma vida. Sim, nenhuma ideia (ou ideal, ou ideologia) vale uma vida. Somos todos iguais e temos os mesmos direitos. E, para além disso, o egoísmo mata. Acho que já vimos e sentimos bem isso, não?

Na segunda estrofe, o que pode parecer mera rima, também é algo que nos diz muito mais: crianças são seres cheios de esperança, porque ainda não enxergam todas as mazelas do mundo, mas também porque são capazes de usar a sua criatividade e a sua pureza sem medo algum.

Enquanto houver sol nos lembra, ainda, que não estamos sozinhos, mesmo quando parece. E também ressalta que precisamos seguir em frente. Parados não chegaremos a lugar algum. Em 2020 muitas pessoas se reinventaram, buscaram formas de sobreviver a mudanças inesperadas. Infelizmente, porém, muitas apenas se perderam em um mar de dificuldades que parece não ter fim.

Para concluir, Enquanto houver sol fala sobre o fato de que sempre há desejos dentro de nós. Mesmo nos momentos mais difíceis, lá no fundo, há algo que nos mantém aqui, algo que nos move. Às vezes, só precisamos buscar aquela voz lá no fundo de nossas mentes e corações e entender pelo que queremos lutar e seguir em frente.

Quis escrever sobre essa música, portanto, para desejar que você encontre o sol em 2021. Para lembrar que mesmo nos dias mais nublados, é possível seguir em frente e caminhar. O sol sempre volta.

E veja: coincidentemente ou não, comecei a escrever esse post em um momento cinza e chuvoso. Poucos minutos depois, porém, o sol — que eu não esperava ver tão cedo — resolveu dar as caras, iluminando e reforçando a mensagem desta canção.

Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma ideia vale uma vida

Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós, algo de uma criança

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando que se faz o caminho

Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós, aonde Deus colocou

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol

Enseada negra — Brias Ribeiro

Título: Enseada Negra
Autora: Brias Ribeiro
Editora: Publicação independente
Páginas: 85
Ano: 2020

Na reta final deste ano, fui surpreendida com uma leitura muito interessante: Enseada Negra. Uma história narrada em terceira pessoa e, diferente de muitos livros de autores nacionais que já li, que se passa fora do Brasil, começando na Áustria e passando também pela Alemanha (que na verdade é o país natal da protagonista) e França.

Contudo, o fator mais surpreendente não é o cenário, mas a própria história. Logo no primeiro capítulo somos apresentados à rígida educação de Liesel, a protagonista. E, ao mesmo tempo, vamos percebendo o quanto ela é solitária e reprimida, a ponto de reprimir-se totalmente, em um nível realmente assustador.

“É difícil não acreditar que merece toda a dor física e psicológica que o mundo tem a oferecer”

Por outro lado, logo conhecemos, Grete, alguém que também está naquele contexto repressor, mas que tem uma base familiar muito diferente da de Liesel e que, portanto, ao invés de reprimir-se, contesta e luta, principalmente por aquilo que acredita e por aquilo que é.

No início, Grete é uma pessoa totalmente distante de Liesel, mas logo sentimos que isso pode mudar com os rumos da história. O fato é: nós não poderíamos imaginar o quanto mudaria. Tudo bem, sabendo que se trata de um romance LGBT, podemos desconfiar de algumas coisas, mas tudo acontece de forma muito mais surpreendente que o esperado.

“Por que está sempre preocupando a única pessoa que tem algum apreço por ela? Por que não consegue fazer nada direito?”

Algo que, na minha opinião, contribuiu muito para a atmosfera da história, é a presença de arte nela. Explico: em primeiro lugar, Liesel encontra no desenho uma forma de se expressar. E através de suas obras conseguimos mergulhar — mesmo com a narrativa em terceira pessoa — em seus sentimentos. Além disso, a música é um dos fios condutores da história.

Liesel é totalmente reprimida e fechada, mas é apaixonada por um gênero musical que seus pais certamente abominariam e, mais ainda, um gênero musical que lhe permite extravasar e, também, sair um pouco das regras impostas a ela. E, claro, esse gênero musical é o que a une ainda mais a Grete.

Não sei se pelo fato de Liesel desenhar ou se apenas por mero estilo de escrita, a história é recheada de descrições. Nada, porém, que nos faça morrer de sono. Ao contrário, são descrições que tornam ainda mais reais as cenas apresentadas.

Uma história densa, profunda e diferente. E uma leitura rápida! Vale a pena conhecer Enseada Negra.

E se você tiver ficado com vontade de ler esta história, clique aqui.

Resultado do meu desafio pessoal de leituras

Em 6 de janeiro deste ano de 2020 eu fiz um post intitulado “12 livros para 2020“, no qual propunha um “desafio” para mim mesma. Uma coisa boba, que nunca fiz e resolvi experimentar este ano.

Uso o adjetivo “boba” porque não foi feito com grandes reflexões. Escolhi 12 categorias de livros para ler. A ideia era que, a cada mês, eu encaixasse, entre outras leituras, um livro de uma das categorias escolhidas.

Antes de contar como foi essa experiência, gostaria de contar um fato engraçado que ocorreu: quando divulguei essa proposta no instagram do blog, recebi um comentário do tipo “Sério, só em 2019 eu li 25 livros”.

Achei esse comentário curioso porque a minha proposta não era exatamente sobre quantidade, mas sobre diversificar (e, no post em questão, eu ainda mencionava que também era para desencalhar livros, apesar de, no final das contas, eu ter lido livros que chegaram a mim esse ano).

Outra coisa que eu ainda gostaria de dizer é: eu definitivamente não sirvo para isso. Ao estabelecer 12 livros para 2020, entendi porque nunca fiz isso antes. Mesmo que fosse uma coisa para mim, senti uma certa pressão, uma certa obrigatoriedade de, a cada mês ler um livro específico. E é curioso, porque eu não determinei que categoria deveria ser cumprida a cada mês, então foi algo bem flexível. E, ainda assim, gerou uma certa preocupação em mim. Vai entender, né?

Então, ao mesmo tempo que foi bacana, é uma experiência que, provavelmente, não vou repetir tão cedo. Além disso, como eu disse antes, foi algo meio “bobo” porque, no final das contas, eu percebi que eu não estava fazendo algo realmente extraordinário. Algumas das categorias que estabeleci, eu facilmente leria de qualquer forma, ainda que esta simplesmente fosse uma proposta de não deixar certas coisas de lado ou de garantir que haveria ao menos uma leitura de determinada coisa.

Em janeiro, por exemplo, escolhi ler uma biografia ou livro de não ficção. Não é como se eu nunca fizesse isso, entende? E a leitura de janeiro não foi a única que se encaixaria neste quesito. De qualquer forma, para esta categoria, escolhi Livre para voar, escrito por Ziauddin Yousafzai, pai da Malala.

Para fevereiro, a escolha foi um livro sobre algum transtorno/doença psicológica. Ainda bem que escolhi esse tema já em fevereiro, né? E, como é o mês do meu aniversário, ganhei um livro que queria muito ler e que se encaixava direitinho nessa categoria, furando, portanto, toda a fila de livros não lidos. A obra em questão foi Céu sem estrelas, da Iris Figueiredo.

Em março escolhi uma categoria que, para mim, era um pouco mais difícil (isto é, algo que eu talvez realmente não fosse ler se não tivesse colocado neste desafio) e que contei com a ajuda do meu namorado para cumprir: ler uma HQ ou um mangá. E a obra que entrou aqui foi uma das minhas melhores leituras de 2020: A diferença invisível, da Madmoiselle Caroline e da Julie Dachez.

Uma das categorias da minha lista incluía um gênero que leio, mas geralmente quando chega às minhas mãos um livro do tipo, isto é, não é algo que, por livre e espontânea vontade eu procure: fantasia. E foi então que, em abril, li Os guardiões dos livros, da Ana Ferrari, outro livro que amei conhecer.

No mês seguinte, segui na categoria de gêneros que leio, mas principalmente quando o livro chega até mim. E, dessa vez, o gênero foi poesia. Em maio, portanto, li A princesa salva a si mesma neste livro, da Amanda Lovelace (e também li A bruxa não vai para a fogueira neste livro).

Junho foi a vez de ler um livro com um protagonista LGBTQ+ e, por isso, escolhi Não inclui manual de instruções, da T. S. Rodriguez. Gostei do fato que este livro também fala sobre autismo (que, aliás, é outro tema sobre o qual amo ler).

Em julho eu escolhi um livro escrito por uma pessoa negra. E o melhor, a escolha incluía uma protagonista negra também. E para melhorar ainda mais: conheci uma autora brasileira que me cativou com sua escrita e que, em breve, vocês verão de novo por aqui. Por enquanto, estou falando de Eu quero mais, da Tayana Alvez.

Em agosto, graças até ao incentivo de uma aluna minha, finalmente cumpri o desafio de ler um livro em italiano, e o escolhido foi outra obra que me encantou bastante neste ano: As pequenas virtudes (Le piccole virtù), da Natalia Ginzburg.

Uma pausa aqui para uma pequena reflexão: uma das categorias que eu havia separado para 2020 era um livro escrito por uma mulher. Se você prestar atenção aos títulos que mencionei de janeiro até este momento, só teve um escrito por homem! Ou seja, da mesma forma que não coloquei “ler um livro nacional”, por saber que eu faria isso, talvez eu não precisasse ter colocado “ler um livro escrito por uma mulher”, não é mesmo? De qualquer forma, considerei esta categoria em setembro, com a leitura de Giselle, da Thais Rocha, outro livro que simplesmente amei.

Depois de setembro, porém, tudo virou uma enorme bagunça (ao menos no quesito do meu desafio pessoal). O que acontece é que, em outubro, para cumprir a categoria “um livro sobre ou que se passe no período do Holocausto“, escolhi ler A bibliotecária de Auschwitz. Mas este livro é um pouco grande (e ok, o tema um pouco pesado) e tive de pausar a leitura, que só veio a ser concluída em dezembro (e a resenha vai ficar para janeiro).

Por outro lado, em novembro, concluí a leitura de As mil e uma noites, que comecei a ler pensando, também, que o meu desafio incluía a leitura de um clássico. Quem acompanhou os meus diários de leitura viu que comecei a ler esta obra em junho deste ano e a concluí em novembro e foi uma jornada muito prazerosa, ainda que longa.

Por fim, não consegui cumprir um dos desafios que propus: ler em inglês. A verdade é que acabei empurrando para a frente essa meta, principalmente porque achei que seria pesado demais intercalar com As mil e uma noites e, no final das contas, resolvi abrir mão de uma vez.

Talvez até desse tempo de ler, agora em dezembro, algo em inglês. Mas fiquei com preguiça de encarar o livro que separei para isso e também acabei resolvendo usar o meu teste gratuito do kindle unlimited para ler/baixar alguns livros que queria muito ler e agora preciso realizá-las antes de ativar novamente o wi-fi no meu kindle…

(não sei se você conhece esse truque, mas sabe quando você assina uma daquelas promoções de 3 meses do kindle unlimited — ou como eu fiz aqui, esse teste gratuito — e chega o momento de dar adeus a ele? Separe dez títulos que você quer muito ler, pegue-os emprestado e deixe seu kindle no modo avião. Assim, você conseguirá ler esses títulos mesmo que já tenha se esgotado a sua promoção, porque eles só vão “sair” do seu kindle quando você ativar novamente o wi-fi).

Confesso que eu achei que cumpriria 100% desse meu autodesafio, mas não estou decepcionada com o meu resultado. Aliás, também estou satisfeita com minhas leituras num geral. Li um pouco menos que no ano passado, mas este ano também trabalhei muito com textos variados. E claro, o que importa sempre é a qualidade, não a quantidade.

A única coisa que quero estabelecer para 2021, e agora, de verdade, para ver se diminuo a minha lista de não lidos (apesar de que sempre chegam novos livros) é, a cada mês, ler ao menos um físico e um ebook dentre os que estão parados aqui. E fechar, no máximo, uma leitura em parceria por mês (isso sim é desafio, sou péssima para dizer não…).

E para você, como foi esse ano? Cumpriu algum desafio ou meta literário que havia estabelecido inicialmente? Já tem planos para 2021?

Toda história tem dois lados

Este é um tema sobre o qual estou querendo falar há um tempo. E, apesar da palavra “história” ali no título, eu sabia que poderia parecer, inicialmente, que este texto nada tinha a ver com os assuntos do blog. Mas quanto mais eu refletia sobre ele, mais eu pensava em uma grande conexão literária que me servirá muito bem de exemplo ao que quero falar.

Em nossa literatura temos o grande dilema: Capitu traiu ou não Bentinho?

Há pessoas que dizem que sim e há pessoas que dizem que não, mas sendo a história totalmente narrada em primeira pessoa por Bentinho, fica difícil afirmar qualquer coisa, uma vez que conhecemos apenas o lado dele na história.

Pode parecer bobo reafirmar isso que, antes de mim, tantos estudiosos já disseram, mas a verdade é que há uma força muito grande nesta imagem com relação ao que escrevo aqui. E tem mais, isso tudo conecta-se com outra coisa que foi muito discutida ao longo desse 2020: a cultura do cancelamento.

Há muitas críticas (coerentes) a este comportamento que tem se intensificado e vejo que, em diversos casos, realmente falta um mínimo conhecimento sobre o outro lado da história. Afinal, como eu disse no título, toda história tem dois lados (o que não significa que nunca há um lado errado, claro).

Eu mesma já, infelizmente, ouvi gente falando “mas eu conheço fulano, se ele está dizendo isso, eu acredito, não me importa o que o outro lado tem a dizer”. E é com discursos assim que pessoas são “canceladas” até mesmo por coisas que não fizeram ou que não são bem como os outros estão dizendo.

Reforço: não estou dizendo que as pessoas não erram, que não ocorrem coisas absurdas neste planeta. Com certeza há muita coisa ruim e muito crime que precisa ser julgado. Mas, em tese, um juiz de verdade deve analisar todos os fatos tanto de um quanto de outro lado.

Ouvimos falar sobre “cultura do cancelamento” e pensamos que isso nunca vai acontecer conosco, mas, de uma forma ou de outra, estamos sempre sujeitos a mentiras ditas sobre nós, sobre o nosso trabalho, sobre nossas vidas.

A vontade de escrever sobre tudo isso surgiu, em mim, quando vi de perto que as pessoas são capazes de fazer qualquer coisa para estar “por cima”, para se dar bem. Criam-se fatos inexistentes, manipulam-se palavras. E, por vezes, você não tem como se defender porque, para isso, precisaria dizer verdades (o que, muitas vezes significa mostrar que o outro lado não é o que parece ser também) que é melhor guardar para dizer diante da justiça, a única que deveria realmente julgar fatos.

O problema é que nem sempre as pessoas têm a oportunidade de provar que não fizeram nada daquilo sobre as quais são acusadas. Aqui, refiro-me até a situações mais “simples” que aquelas de grandes casos midiáticos. Refiro-me a situações mais “cotidianas”, entre pessoas que se conhecem e estão em um mesmo (pequeno) círculo social.

É muito triste perceber que, infelizmente, em casos assim, a pessoa que inventa fatos acaba realmente se dando bem. Não sei até quando, porque talvez uma hora as máscaras venham a cair. A gente acaba torcendo por isso. Mas, e se a máscara nunca cair?

Não temos como afirmar com 100% de certeza se Capitu traiu ou não Bentinho, pois, em realidade, nunca ouvimos um “a” que tenha vindo diretamente dela. Então também não acredite em outras histórias que tenham vindo de apenas um lado, principalmente se isso calunia ou diminui a parte que você não conhece ou não deu espaço para se explicar.

Não quero patos elétricos — Maicon Moura

Título: Não quero patos elétricos
Autor: Maicon Moura
Editora: Lettre
Páginas: 227
Ano: 2020

É comum termos medo de sair da nossa zona de conforto, inclusive (ou principalmente?) quando se trata de gosto literário. Não quero patos elétricos é uma obra que tinha tudo para me manter longe, principalmente pelo gênero, mas é difícil não sentir certa curiosidade com esse título, principalmente em combinação com a capa. Ainda assim, o medo estava ali comigo quando peguei este livro para ler.

“— Ele é um humano, seu corpo foi feito pra responder apenas com medo a tudo que ele não entender”

A verdade, porém, é que fui fisgada logo de início. Talvez tenha contribuído imensamente para isso o fato de que, logo de cara, compreendemos tanto o título quanto a capa. Aliás, a cada virar de página vemos que nada foi colocado no livro em vão. Mas também não posso deixar de mencionar o carisma dos personagens desta história.

“A ideia singela de vida foi questionada, ironicamente, por toda a vida”

O humano Adam Igan e seu amigo robô, Craig, vivem viajando pelo espaço em uma nave chamada Gandan, cujo sistema operacional — de nome Moe — age quase como uma mãe para eles. Juntos, eles vivem altas aventuras — autodenominando-se cowboys espaciais — e nós, ao longo da leitura de Não quero patos elétricos passamos a conhecer apenas uma mínima parte delas, compreendo, no entanto, um pouco do passado e do presente deles.

“Após ser ativado dentro de uma pequena fábrica, em algum lugar que você ainda não conhece, espera que sua vida seja simples. Por que te deram a noção de vida?”

Confesso que não sei o que eu deveria esperar de um livro que tem uma pegada mais para a ficção científica, mas dei boas risadas com Não quero patos elétricos. Achei a leitura super leve, mas, ao mesmo tempo, instigante, porque esse é o tipo de história em que nada é o que parece ser e, a cada momento, todo o rumo da narrativa muda, mas sem ficar confuso ou sem nexo.

Ao mesmo tempo em que me diverti ao longo das páginas deste livro, porém, também encontrei algumas críticas sutis, mas muito bem colocadas. Críticas que cabem muito bem em histórias como essa, que se passam em um futuro que, na realidade, apenas podemos imaginar.

“Mas para um grupinho de 10 bilhões de pessoas, a raça humana — que se dividia em partes por conta de papel com valor, ou por conta da cor, ou por causa de uma coisa que eles chamavam de gênero —, mudanças climáticas não faziam sentido nenhum e aquecimento global era algo inventado para arrecadar dinheiro. Era o que eles diziam”

A questão do tempo, na história, é outra coisa a se levar em consideração. Apesar do tanto de ação e aventura com a qual nos deparamos, me parece que a história se passa em um curto intervalo de tempo. E este é um tema que inclusive gera um plot na narrativa.

“Em uma semana me amarraram mais que em toda minha vida”

E por falar em plot… Como eu disse antes, a leitura deste livro é instigante e uma das coisas que contribui para isso é o fato de que sempre há algo novo que queremos descobrir através, principalmente, do olhar de Adam. São vários plots muito bem pensados e encaixados.

Não quero patos elétricos é muito mais que uma busca por patos de verdade, é uma história que irá te fazer se desligar do mundo real, ao mesmo tempo que vai te propiciar alguma reflexões interessantes. Então, se você busca algo leve, diferente e surpreendente, recomendo que leia este livro.

Onde encontrá-lo? Aqui (físico) ou aqui (ebook).

Tatianices recomenda [28] — Literatura Errante

Antes de mais nada, preciso assumir que essa seção ficou um pouco abandonada neste ano de 2020, mas nunca é tarde para retomar as coisas, né? E, melhor ainda, retomar com uma super indicação para leitores e escritores.

Você já ouviu falar no Literatura Errante?

Trata-se de um projeto literário, com um espaço próprio, pensado para que você possa divulgar ou publicar seus trabalhos e textos sem custo algum. Um projeto que está crescendo e sempre agregando mais literatura e coisa boa ao nosso dia-a-dia.

Acho que seria legal, em primeiro lugar, conhecer a história do Literatura Errante, porque, através dela, podemos ter uma pequena ideia do que encontraremos pela frente. Mas, antes de vocês irem para lá, vou contar como eu conheci o Literatura Errante.

Bem, eu estava no Instagram, quando vi um post que dizia algo do tipo “você trabalha com literatura? Anuncie seu trabalho”. Resolvi fuçar um pouco o perfil que havia postado isso e descobri o Literatura Errante.

Fiquei interessada no projeto e enviei as informações para anunciar meus serviços de revisão e tradução. Por algum erro no formulário, porém, o Pablo, fundador de tudo isso, entendeu que eu estava enviando meu currículo em busca de uma vaga e, gentilmente me explicou que não tinha como contratar ninguém.

Depois de resolvida a falha na comunicação, porém, me coloquei à disposição para colaborar com o projeto e, desde então, tenho revisado alguns dos textos que, semanalmente vão ao ar. É possível encontrar todos eles aqui.

É difícil não se encantar. Imagine, toda semana ver que várias pessoas estão doando parte de seu tempo para propiciar novas leituras (gratuitas) a quem quiser acessar!

Para além disso, como eu disse antes, há sempre novos projetos no horizonte e, um deles, também acabou de se concretizar: a revista do Literatura Errante! Outro super trabalho pensado e realizado com carinho e disponível para quem quiser ler. E essa é só a primeira edição, viu?

O Literatura Errante também tem uma vitrine literária, para que autores divulguem suas obras já publicadas em qualquer plataforma (amazon, wattpad, clube do leitor) e uma página de serviços, para aqueles que trabalham com literatura (como dizia o post que eu vi).

Também é possível tornar-se membro do Literatura Errante, de maneira gratuita, ou então, se você puder colaborar financeiramente com o projeto, existem diversas opções (para todos os bolsos). Saiba sobre tudo isso aqui.

Encerro este post convidando você, leitor, a dar uma passadinha no Literatura Errante, e também nas redes sociais do projeto (Instagram, Facebook e Twitter). E depois, claro, me conte o que achou! Ah, e se você escreve, não deixe de enviar seu texto! Todos são muito bem tratados por toda a equipe errante.

Formalidade e informalidade na língua italiana

Confesso que estive te preparando nos últimos tempos. E também estive me preparando, claro.

Fiz um post sobre como aprender novas línguas; outro sobre o mito do professor nativo. Também escrevi sobre métodos de ensino e, por fim, dei dicas (gratuitas) de materiais de italiano.

Mas agora chegou a hora de colocar a mão na massa (com o perdão do trocadilho em relação a um dos principais pratos da culinária italiana).

Hoje eu dou início a uma série de posts com uma parte do conteúdo que apresento em minhas aulas de italiano. E uma das primeiras coisas sobre a qual eu falo é sobre a questão da formalidade e da informalidade na língua italiana.

Nós, brasileiros, costumamos ser mais informais. Tem gente inclusive que se ofende em ser chamado de “senhor” ou “senhora”, respondendo coisas do tipo “senhor está no céu” ou “senhora é mãe”. Em outros países, porém, esse tipo de tratamento é um indicativo de educação e respeito.

Como ser formal na língua italiana?

A verdade é que existe mais de um elemento na frase que indica essa tal formalidade na língua italiana.

Para entender isso, porém, precisamos começar pelos pronomes pessoais (i pronomi personali).

Calma, sei que essas nomenclaturas são um pouco chatas, mas isso nada mais é do que:

PORTUGUÊSITALIANO
euio
tutu
ele/elalui/lei/Lei
nósnoi
vósvoi
eles/elasloro

Você notou que “ele” e “ela”, em italiano, vira “lui”, “lei” e “Lei”? Por que isso acontece?

“Lui” é o nosso “ele” e “lei” é o nosso “ela”. Mas “Lei” (sim, escrito sempre com L maiúsculo) é o tal do tratamento formal. E o tratamento informal é caracterizado pelo “tu”, que ao contrário do que acontece com grande parte do português brasileiro, é utilizado na língua italiana (o “tu” seria o nosso “você”).

Então basta eu usar sempre “Lei” com as pessoas que estarei sendo formal?

Infelizmente, não é tão simples assim.

Como eu disse ali em cima, o “tu” caracteriza um tratamento informal e o “Lei” um tratamento formal. Ao escolher entre um e outro, você também deverá construir toda a frase baseada em sua escolha. Ou seja: você vai ter de usar os demais pronomes e verbos de acordo com a sua escolha.

Difícil? Um pouco, talvez. Mas nada que a prática não resolva, não é mesmo? Vamos ver isso com dois exemplos, para tentar entender um pouco melhor.

Imagina que você está na Itália e acaba de conhecer uma pessoa. Se ela tiver mais ou menos a sua idade ou for muito mais nova, você pode até arriscar um tratamento informal. Caso contrário, opte sempre pelo tratamento formal. A primeira pergunta provavelmente será “Qual é o seu nome?” que, em italiano, pode ser:

  • Come (Lei) si chiama? (formal).
  • Come (tu) ti chiami? (informal).

Você notou que, de uma frase para outra, eu tive de mudar duas coisas? Primeiro foi o pronome “si”, que virou “ti” e depois o verbo “chiama”, que virou “chiami”.

Outro exemplo (com uma pergunta não tão recomendada assim, mas que faz sentido em alguns contextos): “Quantos anos você tem?”, em italiano, pode ser:

  • Quanti anni (Lei) ha? (formal)
  • Quanti anni (tu) hai? (informal)

Neste caso, a única coisa que muda é o verbo: ha (formal) ou hai (informal).

E você viu que, como o verbo e outros elementos da frase mudam, você não precisa ficar usando “Lei” e “tu” em tudo. O próprio verbo usado (na conjugação certa, claro), já vai indicar para a pessoa que você está adotando um tratamento formal ou informal.

Possiamo dare del tu?

Por fim, apenas a título de curiosidade: pode acontecer de você optar por usar um tratamento formal (repito: comece sempre por essa opção) e a pessoa te perguntar “possiamo dare del tu?“. Isso significa que ela prefere ser tratada de maneira informal, isto é, usando o “tu”. E, claro, não há problema algum nisso, apenas demonstra que ela está dispensando as formalidades que você inicialmente usou.

Alameda do Carvalho — Ninna Vicari

Título: Alameda do carvalho
Autora: Ninna Vicari
Editora: Publicação independente
Páginas: 388
Ano: 2020

Você já ficou encarando a capa de um livro, tentando entender os elementos que a compõem e o título que grita nela?

A Ninna entrou em contato comigo, perguntando se eu queria ler Alameda do carvalho. Claro que ela usou as palavras mágicas “é um romance” (bom, na verdade ela explicou que “é uma história de amor entre dois personagens adultos”). Aceitei na hora, ainda que pensasse que havia algo de futurista nessa história que talvez não fosse me encantar tanto assim.

“Era tarde demais para voltar atrás. Não havia outra direção a seguirem, a não ser adiante”

Só depois de muito avançar na leitura é que comecei a entender alguns detalhes (da capa, no caso, a história está bem escrita, não tive dificuldades para acompanhar) e entender que eu não precisava me preocupar, tratava-se do exato tipo de narrativa que eu tanto adoro.

“As pessoas sempre se sentem culpadas depois de uma tragédia, mas nunca se sentem responsáveis durante os eventos que precedem a tragédia”‘

O livro é dividido em três partes, todas elas narradas em terceira pessoa. A terceira parte é a mais curta, mas não a menos intensa.

“Será que ele choraria? Ou guardaria suas lágrimas em segredo?”

A história começa com Tom e sua filha, Lily. Logo percebemos que ele está se reerguendo e que tem de cuidar da pequena sozinho, uma vez que sua esposa morrera. Uma morte, porém, que o persegue por muito tempo e que somente aos poucos vamos entendendo o que há por trás deste episódio.

Decidido a tentar retomar as rédeas de sua vida, Tom se muda para Londres e, portanto, acaba tendo de contratar uma babá para cuidar de Lily. E é assim que ele conhece Mia.

“Mia tinha tendência a abraçar problemas que não eram seus e sentia a necessidade de resolvê-los”

Mia é estudante de direito e trabalha como babá para poder se sustentar. Apesar de ter sempre um sorriso gentil a oferecer, ela também tem um passado complicado, que certamente moldou seu caráter compreensível e empático.

“Ouvir a história de Mia fez Thomas colocar sua própria vida em perspectiva”

Como a primeira parte do livro é dedica a Tom, ainda que Mia tenha um papel essencial e uma presença marcante, ficamos propensos a querer saber tudo sobre esse homem misterioso e fechado.

A segunda parte, porém, é dedicada a Mia, e só então percebemos como há tanto a ser descoberto sobre ela também. Uma mulher inspiradora, sem dúvidas.

É claro que a combinação Tom e Mia não poderia ser mais explosiva que a apresentada em Alameda do Carvalho. Fica evidente, ao longos das páginas desta obra, que jamais poderemos controlar nosso coração, escolher por quem iremos nos apaixonar.

“Não bastasse ter que superar as adversidades que a vida lhe jogara, também teria que lidar com preconceitos que nunca havia experienciado antes”

Sim, eu chorei em alguns trechos. Também fiquei com o coração na mão em outros. E tive medo de ser surpreendida por um final totalmente inesperado. Mas tive a sorte de terminar a leitura com o coração quentinho.

“Ela estava ali naquele momento, mas ele temia que não estaria ali para sempre”

Como eu disse antes, a terceira parte do livro é a mais curta, mas também a mais reveladora. Dedicada a Lily, é o momento em que cada peça desse quebra-cabeça finalmente se encaixa. Não há ponto sem nó na história.

“Lily não entendia, ainda era inocente demais para compreender as nuances que relacionamentos humanos possuíam”

Com uma narrativa envolvente, indico Alameda do carvalho para quem busca um romance mais maduro (sem ser maçante), recheado de temas como amizade, superação, alcoolismo, preconceitos… Uma história que aborda tudo isso e muito mais de maneira natural e responsável.

Se você se interessou por Alameda do carvalho, clique aqui. E não esquece de seguir a Ninna nas redes sociais: Twitter / Instagram

Ler em voz alta: eis porque é útil não apenas para as crianças [tradução 9]

Para a tradução de hoje, escolhi falar sobre a importância de ler em voz alta. E, confesso, vou descobrir com vocês quais são as vantagens desta prática, uma vez que sempre realizo minhas leituras apenas para mim mesma, em silêncio.

O post original pode ser encontrado aqui e foi escrito por Alessandra Graziottin, em janeiro de 2017.


Ler em voz alta é muito útil, aliás indispensável, com e para as crianças, a fim de melhorar e otimizar a capacidade deles de aprender e se expressar, para superar dificuldades de aprendizagem, para ter mais confiança em si, para superar a timidez, medo da rejeição e outras ânsias “sociais”. Todos os pais e avós de crianças e adolescentes em idade escolar, além dos professores, deveriam encorajar a leitura em voz alta. Mas deveriam fazê-lo também para si, pelas muitas vantagens que este tipo de leitura oferece inclusive aos adultos.

Como fazer para ler bem em voz alta? Para começar, o primeiro objetivo é o de se permitir sentir, e, assim, escutar. A voz deve ser clara e, possivelmente, límpida. A velocidade e o modo de cadenciar as palavras deve variar com a idade dos ouvintes e o nível cultural deles. Um bom leitor escolherá falar de maneira pausada, se falar com crianças, e de aumentar o tom da voz, falando mais forte e claro, se falar com idosos.

Não se fala apenas com a voz, mas com todo o corpo: para falar bem em voz alta é importante visualizar a própria boca, os movimentos que faz e olhar-se no espelho enquanto se fala em voz alta. Em paralelo, é importante olhar o interlocutor, caso ele exista, comunicando também com os olhos.

Para ler bem em voz alta é preciso conhecer o texto e preparar-se bem, como em todas as coisas, lendo-o várias vezes, para captar plenamente o seu significado e nuances: somente assim você poderá transmiti-lo de maneira eficaz. Além disso, as palavras não devem ficar suspensas no ar: devem ser metaforicamente acompanhadas com atenção e gentileza durante sua viagem entre quem lê e quem escuta. Portanto, a voz deve ter uma direção precisa e ser acompanhada de todo o corpo.

Enquanto fala, é indispensável escutar a si mesmo: não apenas com o ouvido, mas com todos os sentidos. Na leitura em voz alta temos três protagonistas: o texto, com o sentido das palavras; o leitor; o público. Neste triângulo mágico, o bom leitor será capaz não apenas de comunicar a percepção do verdadeiro significado do texto, mas de fazê-lo ressoar em seu público, seja ele uma criança, um adulto ou um maior número de pessoas. O resultado máximo é obtido quando, através da leitura, alcança-se o envolvimento emocional do ouvinte; neste caso, a leitura atingiu seu pleno potencial. E alcançou o pico da eficácia se o conteúdo tornou-se inesquecível, graças às emoções que a acompanhou.

Linguagem e comunicação à parte, ler em voz alta é útil para a saúde? Sim, principalmente do cérebro. Para todas as idades, a leitura em voz alta é uma extraordinária ginástica para o cérebro: brain fitness, como eu gosto de chamar. Para as crianças, pelos vários estímulos cerebrais que a leitura em voz alta provoca: estímulos fonéticos, linguísticos, cognitivos, emotivos, motores e também nervosos, pelas emoções que uma boa leitura carrega consigo, para quem lê e quem escuta. Uma fábula lida com participação, ternura e paixão, tem um extraordinário poder calmante e reconfortante para cada criança. É uma carícia musical e sugestiva que jamais se esquece. É um antissolidão por excelência. Para os adultos, pelo papel ativo que a leitura comporta, pelos múltiplos aspectos da performance mental. Nos idosos, porque estimula ainda mais a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro de formar novas conexões e reparações celulares, combatendo a deterioração, seja a espontânea, seja a pós-traumática.

Em um eficaz projeto de envelhecimento saudável, a leitura em voz alta também tem o seu papel. Por que não redescobrir os seus muitos usos preventivos e terapêuticos? É agradável, faz companhia e, por fim, não custa nada! Por que não praticá-la, inclusive com grupos de leitura? É um belo modo de estar junto, aprender, comentar e conversar, em uma atmosfera afetuosamente relaxada. Um prazer antigo e sempre novo.


Depois de ler esta tradução, me conta uma coisa: você tem o hábito de ler em voz alta?

Mil e uma noites depois… — Diário de leitura (21)

Sim, mesmo a mais longa das histórias uma hora acaba e com As mil e uma noites não poderia ser diferente. Esta obra me acompanhou por seis meses e eu confesso que, de início, eu tinha medo. Achei que poderia acabar abandonando a leitura, ou que ela seria mais arrastada que prazerosa.

A verdade é que me enganei. E claro, isso é ótimo! Em diversos momentos me vi querendo ler “só mais um pouquinho” para chegar ao final de uma das narrativas (que às vezes tinham o tamanho de uma noveleta) e, como vocês puderam acompanhar em meus diários de leitura, fiquei fascinada com o tanto de coisas que li, refleti e aprendi.

Para fechar as narrativas de As mil e uma noites temos A história das duas irmãs que invejavam a irmã mais nova. E já começo dizendo que essa inveja é muito “interessante”, porque ela é fruto simplesmente da realização dos desejos expressos por cada uma delas!

Numa bela noite, as três irmãs conversavam e uma disse que gostaria de se casar com o padeiro do Califa, para poder comer pães maravilhosos; a outra disse que gostaria de se casar com o cozinheiro do Califa e a mais nova, sonhando para além das duas, disse que preferia mil vezes casar com o próprio Califa.

Acontece que o Califa em pessoa (mas disfarçado) estava passando por ali e ouviu esse diálogo e resolveu atender aos desejos daquelas três mulheres, dando margem para a inveja das duas irmãs mais velhas.

O mais interessante da história é que, apesar desse acontecimento ser muito importante, o foco dela passa para outra coisa: os filhos que a irmã mais nova teve com o Califa. Sim, a história é mais sobre eles e a criação deles que qualquer outra coisa. Por quê?

Bem, porque as tais irmãs invejosas arquitetaram um plano para que pudessem fazer o parto da irmã mais nova e, nos três partos ocorridos, jogaram o recém-nascido num rio que passava perto do palácio e fingiam que irmã havia dado a luz a um animal qualquer.

Essas crianças jogadas no rio, na três vezes em que isso aconteceu, tiveram a sorte de ser resgatadas pelo jardineiro do palácio e foram muito bem educadas por ele. E é essa história que vamos acompanhando, até o surpreendente desfecho da narrativa, que une todas as pontas.

E, para encerrar a obra, há uma breve passagem que nos mostra um último diálogo entre Sherazade e o soberano, cuja fúria já foi completamente amenizada graças às histórias de sua esposa, acabando, assim, com a terrível lei que ele havia criado.

E, o que fica de tudo isso, e que meu namorado costuma dizer: contar histórias salva vidas. Por isso, que nunca deixemos de contar nossas histórias e, mais ainda, de valorizar aqueles que se dedicam a isso!