Lost in Translation — Ella Frances Sanders

Título: Lost in translation: um compêndio ilustrado de palavras intraduzíveis de todas as partes do mundo
Original: Lost in translation: an illustrated compendium of untranslatable words from around the world
Autora: Ella Frances Sanders
Editora: Livros da Raposa Vermelha
Páginas:  110
Ano: 2018
Tradutora: Livia Deorsola

Olhando muito rapidamente para a capa (e para o formato) deste livro, pode parecer que se trata de uma obra infantil. Mas basta vislumbrar o título e já ficamos em dúvida. Com o subtítulo, então, tudo fica ainda mais claro: não, Lost in Translation não é um livro infantil e sim “um compêndio ilustrado de palavras intraduzíveis de todas as partes do mundo”!

Mesmo folheando esta obra, porém, ainda poderia restar a impressão de ser um livro infantil, devido às páginas coloridas e ilustradas. Ouso dizer até que a simplicidade e a forma poética dos textos contribua para transmitir muito da pureza infantil, afirmação que faço como um elogio à obra.

“As palavras deste livro podem ser respostas a perguntas que você jamais imaginou fazer, ou quem sabe a outras que alguma vez já tenha feito. Elas podem concretizar emoções e experiências que pareciam imprecisas ou indescritíveis, e até mesmo fazer você se lembrar de alguém que esqueceu há muito tempo”

Como alguém que trabalha (também) com tradução, não pude deixar de imaginar como foi a experiência de traduzir este livro. Isso porque ele nos traz inúmeras palavras, de línguas diversas, e que não têm uma tradução exata em outros idiomas. Quer um exemplo? A palavra “kabelsalat”, do alemão, que significa algo tipo “salada de cabos”, ou seja, aquele emaranhado de fios que a gente nunca consegue resolver.

Já dá para imaginar, portanto, como esse livro é um prato cheio para quem, assim como eu, tem paixão por línguas diversas. Mas tenho certeza que a forma como ele foi pensado consegue encantar mesmo quem não tem tanto interesse assim por outros idiomas, mas que gosta de aprender sobre o mundo.

“Embora às vezes mostrem um falso aspecto de permanência, os idiomas não são imutáveis” 

Uma coisa que achei curiosa é que este livro realmente traz palavras de diversos idiomas — muitos, aliás, eu sequer conhecia e são falados por um grupo realmente pequeno de pessoas — mas não traz nenhumazinha de italiano ou de português!

Jayus: uma piada tão ruim que não resta nada a fazer a não ser rir” (Indonésio)

Lost in translation vai seguindo um único formato em toda a sua extensão: a palavra em sua língua original e seu significado, além de um pequeno (pequeno mesmo!) texto sobre ela, sobre seu uso ou alguma curiosidade, como acontece, por exemplo, com a palavra holandesa “Struisvogellpolitiek” cujo significado é “literalmente ‘política do avestruz’. Agir como se a coisa não fosse com você… quando você sabe perfeitamente que algo ruim aconteceu” e que vem acompanhada do seguinte texto:

“Esse termo não deixa de ser surpreendente, afinal, os avestruzes mais próximos vivem a milhares de quilômetros da Holanda…”

Claro que o mais interessante desse livro é que a gente descobre diversas palavras que significam algo que sempre quisemos explicar. Vou deixar aqui alguns exemplos que mais chamaram a minha atenção:

Trepverter: A frase ou resposta engenhosa que passa pela nossa cabeça quando já é muito tarde para usá-la. Literamente ‘palavras de escadas’” (Ídiche)

Ah, e claro, antes de continuar, queria ressaltar que é importante tomarmos cuidado com palavras que podem parecer algo (por conta da nossa língua) e que não são, mas também como nem tudo é tão diferente assim!

Karelu: a marca que fica na pele por se usar algo muito apertado” (Tulu — falado numa região do sudeste da Índia)

Szimpatikus: alguém que você acaba de conhecer e que, no entanto, intui que é boa pessoa” (Húngaro)

Vacilar: quando a experiência de viajar é um si mesma mais importante que o destino” (Espanhol)

E aí, ficou com vontade de conhecer mais palavras que você sempre buscou e não sabia? Então clique aqui e divirta-se!

Citações #36 — Céu de menta

Voltei com mais trechos que ficaram de fora da resenha, dessa vez do livro Céu de menta, da autora Camila Martins, uma obra que fala muito sobre demonstrações físicas de afeto, algo um pouco mais difícil para quem é autista:

“O olhar vale muito para ela, ela olha pouco para as pessoas, mas as que ela olha podem ter certeza de que são especiais. As mais especiais do mundo todo!”

“Será ele bobo demais por amar um simples abraço? Bobo é quem não entende o quanto eles são salvadores e poderosos”

Aliás, abraços realmente têm o seu destaque nessa obra!

“Às vezes, o melhor remédio está dentro de um abraço!”

Até porque, Céu de menta é uma obra que fala muito sobre o verdadeiro amor:

“É errado gostar e querer estar perto de quem se gosta? Perto o bastante para sentirem os corações batendo juntos?”

“Amar é bom e torna tudo mais bonito e precioso”

“João sente seu peito inflar de tanto amor. Seus olhos se enchem d’água e ele permite que duas lágrimas serenas desçam, pois é amor transbordando”

E por falar em coisas verdadeiras, o livro também trata das máscaras que nossa sociedade insiste em usar (não as de proteção ao coronavírus, mas as que escondem nosso verdadeiro eu):

“Ela é simples e verdadeira. Não usa máscaras para camuflar defeitos”

E também da falta de afetos que isso gera:

“Assim cresceu Sílvia, cheia de si e vazia dos outros”

O que, ao mesmo tempo, só pode ser curado com afeto verdadeiro (sim, perceba que isso é quase um círculo vicioso):

“Ele é presente até para quem não quer presenças e, principalmente, é presente para quem mais precisa”

“Os idosos têm tanto a ensinar, só os cegos de alma é que não veem isso”

Como comentei na resenha, Céu de menta é uma obra para quem está em busca de protagonismo autista, mas que também quer ler algo leve.

Concluo, aqui, os quotes que eu queria que você conhecesse:

“O infinito é lindo enquanto dura”

E aí, qual foi o seu preferido?

Tatianices recomenda [29] — Minhas economias

Uma vez mais estou indignada comigo mesma por ainda não ter trazido essa recomendação por aqui. Até porque essa é uma indicação que eu dou para absolutamente qualquer pessoa que fala sobre finanças pessoais na minha frente. Mas ok, antes tarde do que nunca, né?

Neste post, portanto, vou finalmente falar sobre o aplicativo Minhas economias, que também pode ser usado pelo computador (mas, ressalto, vou falar do uso dele pelo celular, que é onde estou mais acostumada a usar). E vou começar explicando porque eu indico para todo mundo.

Com o Minhas Economias eu consigo ter um controle, em um único lugar, de todas as minhas contas. Pareço rica falando assim, mas quem nunca teve de ter mais de uma conta, às vezes para facilitar algo na vida, às vezes porque algum empregador solicita que você tenha conta em um banco específico. De qualquer forma, mesmo que você tenha conta em apenas um banco, esse app pode ser útil!

Cada vez que eu tenho que abrir uma conta, eu posso cadastrar uma nova conta no Minhas Economias. Para ser sincera, no meu aplicativo eu até subdivido as minhas contas entre aquilo que eu posso realmente usar, aquilo que eu tenho que guardar. E tenho “contas” também para saber quanto tenho até na minha carteira (a física mesmo). Em resumo, eu controlo todo e qualquer centavo que me pertença.

Depois que você cadastra suas contas no aplicativo, e isso é bem fácil, você só precisa dar o nome que quiser a cada uma delas e colocar o saldo inicial, ou seja, o valor que você quer que conste ali a partir do momento que você começa a usar o aplicativo.

Com as contas criadas, você vai ver que cuidar da sua vida financeira pode ser bem mais fácil do que parece (pareço muito economista falando assim, né?). Cada dinheiro que entra e sai você só precisa lembrar de abrir o aplicativo e registrar como entrada ou saída, colocando o valor, a categoria (tem várias pré-definidas) e a conta na qual o valor entrou ou saiu. Assim, os saldos das contas vão sendo automaticamente atualizados. E você também consegue registrar o que foi passado de uma conta para outra (transferências).

As categorias dos valores, principalmente os que saem de suas contas, são muito importantes, porque, ao final do mês, você consegue ver no que mais gastou (e o valor exato de gastos em cada categoria). Além disso, você também pode estabelecer metas e sonhos a serem realizados, colocando prazos e valores a serem atingidos. São ferramentas interessantes, porque você consegue dimensionar melhor o quanto pode gastar, o quanto precisa guardar e como estão os valores durante o mês.

Ah, antes que eu me esqueça, outra vantagem do aplicativo é que ele é totalmente gratuito! (E eu também não estou recebendo nada para fazer essa propaganda, é só a minha gratidão mesmo porque desde que recebo salário, eu uso isso e me ajuda muito).

Estrutura do aplicativo

A primeira coisa que você vê quando abre o aplicativo é o seu saldo total, isto é, a soma do saldo de todas as suas contas cadastradas ali. Logo abaixo, está o resultado do período, que é o tanto que você teve de entradas e saídas e, claro a diferença entre esses valores (que, ao final do mês, deve ainda estar positivo, nem que seja com um real, né?).

Depois vem os comparativos, um espaço que automaticamente compara o mês atual com o mês passado, seja no quesito entradas, saídas ou transferências entre contas. Um comentário meu aqui: eu não tenho um salário fixo, então minha renda varia mês a mês. Logo, tem mês que dá uma tristeza ver esse comparativo… Mas ele é muito importante para mim!

Em seguida tem o fluxo de caixa, que é um gráfico bem simples (de linha), mostrando a variação do seu saldo total. E, logo abaixo, aquilo que considero super importante e útil: as despesas por categoria. Você tem uma visão geral, também com um gráfico (mas, dessa vez, circular), que te mostra as categorias nas quais você mais gasta e, clicando nele, é possível ver uma a uma de maneira mais detalhada.

Por fim, temos as metas e o gerenciador de sonhos. Na meta só dá para estabelecer um valor que você precisa economizar mensalmente naquele ano e, no gerenciador de sonhos dá para cadastrar vários sonhos. Eu recomendo usar essas duas ferramentas aliadas, porque no gerenciador de sonhos você vai colocar o valor que já tem, o quanto precisa e em quanto tempo e aí ele automaticamente te mostra quanto você precisa economizar por mês para alcançar aquele sonho no prazo estipulado. Eu somei os valores dos dois sonhos que coloquei ali e coloquei como minha meta mensal de economia. Com isso, eu consigo ver quanto recebi no mês e quanto posso gastar “tranquilamente” (eu sou ruim de gastar com qualquer coisa), sabendo que economizarei o que preciso.

Mas, uma dica: nem sempre será possível efetivamente guardar os valores esperados. A vida é uma caixinha de surpresas e a gente está aqui, tentando sobreviver num país caótico. Então não se desespere e não desanime. E, claro, tente ser bem realista com relação ao que você vive e recebe.

Apesar desse post ter ficado um pouco extenso, eu apresentei bem por cima o aplicativo, mas confesso que é realmente o que eu uso dele. Até tem outras coisas, mas nunca nem fuçei!

Também gostaria de deixar claro que não sou especialista em finanças nem nada do tipo, essa foi só uma dica que me ajuda muito como reles mortal que sou. Tem pessoas que anotam seus gastos em caderninhos, no bloco de notas do celular, em planilhas do excel. Eu encontrei esse app e, para mim, ele funciona muito bem e facilita muito as coisas, porque mesmo que eu troque de celular, tenho acesso a tudo de novo depois.

Aproveito e pergunto: como você organiza as suas finanças? Ou você só vai vivendo na loucura mesmo e seja o que tiver de ser? (não recomendo, mas acontece, né).

Como não acabar com seu ídolo — Fátima Aparecida Silva

Título: Como não acabar com seu ídolo
Autora: Fátima Aparecida da Silva
Editora: Publicação independente (a versão que eu li)
Páginas: 417
Ano: 2020

Depois de duas resenhas de livros um pouco mais densos, chegou a vez de resenhar este que, apesar de trazer muita coisa real, é bem mais leve. E o mais legal: essa história também se passa em São Paulo. É muito gostoso ler uma história e poder reconhecer os cenários, não?

“Nunca temos o suficiente de São Paulo”

Como não acabar com seu ídolo é uma daquelas histórias feitas para aquecer nossos corações (com muitos “apesares” no meio do caminho) e, mais ainda, para fazer outros escritores sonharem grande.

“É difícil falar de livros com as pessoas que não têm o hábito de ler”

A protagonista desta história é Camille (ou Mille), uma jovem escritora e estudante de Letras que, em meio aos seus diversos projetos e compromissos pessoais, gosta, também, de acompanhar às lives de Celebrity — seu gamer favorito e por quem tem uma enorme queda — na Twitch. Já perceberam como esse livro traz muitos elementos da atualidade, né?

“Aliás, minha vida era um trem fadado ao fracasso, principalmente quando se tratava de sentimentos”

Logo no início do livro nos deparamos, claro, com um acontecimento que pode mudar a vida desses dois personagens em diversos aspectos. Nathanael Dante — o tal Celebrity — decide que está na hora de criar algo. Mais especificamente um curta metragem de suspense. Mas ele não se sente preparado para escrever o roteiro sozinho e começa a buscar escritores em suas redes sociais.

“Deixar uma escritora sem palavras? Essa arte Nathanael domina”

Os leitores de Camille — que conhecem seu trabalho do wattpad —, sabendo da paixão dela por Celebrity, logo começam a marcar a autora na postagem do gamer, fazendo com a vida dos dois finalmente se cruze (finalmente porque Mille o acompanha já há um bom tempo, mas ele não sabia quem ela era na vida real).

“As coisas não são mais reais, sabe? Você enfeita tudo na internet para mostrar uma vida perfeita, mas está morrendo por dentro”

Aqui eu preciso fazer um parênteses: conheci a Fátima e seus obras através do twitter. Bom, “conhecer” talvez seja uma palavra muito forte, não é como se eu soubesse tudo sobre a vida dela ou se eu acompanhasse de perto tudo o que ela faz. Mas com o rápido vislumbre que tive, não consegui deixar de enxergá-la em Camille, o que tornou essa personagem ainda mais real em minha mente.

“Eu sempre me vi encurralada pela maldade dos outros todas as vezes em que era verdadeira, norteada pelos meus sentimentos mais puros”

Mas, voltando à história, graças ao fato dos leitores marcaram incessantemente Camille, Nathanael finalmente a nota e decide chamá-la para uma entrevista. Ao longo do livro vai ficando claro como era impossível ela não ser a escolhida: Camille é uma pessoa extremamente inteligente — ela sabe muita coisa mesmo — e sabe transmitir esse conhecimento e, ao mesmo tempo, é uma pessoa tão normal quanto qualquer outra. Uma pessoa com um coração enorme.

“Você é feliz com a simplicidade”

Como não acabar com seu ídolo, um título propositalmente ambíguo e explicado ao longo da história, é narrado em primeira pessoa, por Camille, mas ela consegue ir nos apresentando muito bem Nathanael, nos mostrando a visão dele sobre a fama e também sobre como as pessoas o veem. E o que torna essas apresentações mais verossímeis é que, geralmente, temos essa visão através dos diálogos, ou seja, de coisas realmente ditas por Nathanael, e não apenas por Mille.

“Porque se você sempre tiver medo de decepcionar as pessoas com a verdade, nunca será 100% autêntico”

E, ao mesmo tempo que esses dois personagens vão se conhecendo, vão se aproximando e vão avançando no roteiro do curta de Nathanael, eles também vão discutindo sobre os mais diversos assuntos e, como não poderia deixar de ser, vão se envolvendo sentimentalmente também. E isso, por vezes, pode nos deixar malucos com essa história!

“Se você ama, deve agarrar isso com todas as suas células, caso contrário, pode nunca mais encontrá-lo de novo”

Como não acabar com seu ídolo é um livro recheado de momentos leves, engraçados, mas também de ensinamentos (nem que seja sobre teoria das cores, sobre a nossa língua, sobre construção de roteiros) e muitos sentimentos! Uma leitura excelente para esquecer um pouco o caos que estamos vivendo.

“Poucas coisas na vida doem mais do que um coração partido”

Ah, e você lembra daquele meu post sobre músicas italianas e suas versões em português? Num dado momento deste livro, Camille começa a mostrar para Nathanael diversas canções brasileiras que são, em verdade, músicas norte-americanas ou que ao menos pegam a mesma melodia.

“Músicas que marcaram a infância são meio que músicas para o resto da vida”

E aí, também ficou com vontade de ler esse livro e conhecer melhor a Camille e o Nathanael? Você pode escolher entre o ebook e o físico dele!

Regras da Zona Sul — Leblon Carter

Título: Regras da Zona Sul
Autor: Leblon Carter
Editora: Publicação independente
Páginas: 41
Ano: 2020

Ainda na vibe de O som no fim do túnel, Regras da Zona Sul é um conto que nos mostra mais um pouco da realidade brasileira. Aqui, porém, na periferia de São Paulo. E mesmo em locais “tão” diferentes, os personagens de ambas as narrativas têm muito em comum.

A similaridade mais gritante, claro, é o fato de que Igor — protagonista e narrador de Regras da Zona Sul — também mora apenas com o pai, que está sempre bêbado e largado pelos cantos, e com Érico, seu irmão mais velho que não vê a hora de se livrar daquela realidade.

“Anos de negligência fazem isso com o afeto”

Consequentemente, a falta de amor é, também, algo muito presente na vida de Igor, assim como era na vida de Maycom.

Ao mesmo tempo que é fácil destacar essas similaridades, porém, é possível destacar muitas diferenças, que vão para além do fato da história se passar em Estados diversos.

Regras da Zona Sul é muito mais real, muito mais cru: não há uma superação da realidade ali vivida, não há uma verdadeira perspectiva de dias melhores, ainda que os personagens tenham consciência do que vivem.

“Tento evitar que as drogas comam os poucos neurônios que me restam por conviver com aquela família”

Além disso, este conto aborda algumas questões interessantes como romances LGBTQ+, religiosidade e o valor que a família tem, nos casos em que esta ainda é sólida e unida (e, lembrando, tudo isso narrado a partir do ponto de vista da periferia).

“Os Russo poderiam ser baderneiros, criminosos e violentos, mas a família sempre estava em primeiro lugar”

Ao longo das páginas também fica claro o valor que a verdade e a honra podem ter mesmo em lugares onde só parecer haver violência e injustiça.

Mas, para entender como isso se dá, só lendo Regras da Zona Sul, porque esses elementos têm a ver com os principais acontecimentos da história.

E, se me permite uma sugestão, leia este conto. Leitura rápida, mas que vai te fazer conhecer um pouco mais da nossa realidade e te fazer pensar sobre ela. E, nesta leitura, você não precisa ter tanto estômago quanto para ler O som no fim do túnel.

Se interessou? Clica aqui!

Anglicismos: por que usamos cada vez mais palavras em inglês? [tradução 12]

Acabo de perceber que dei início a este projeto de traduzir um artigo por mês há um ano! E tem sido bem gostoso fazer isso, poder conversar com vocês sobre assuntos pertinentes ao blog e, ao mesmo tempo, exercitar minha tradução do italiano para o português.

Inicialmente, pensei que o artigo de hoje faria mais sentido para os italianos que para nós, pois tenho a impressão de que eles realmente usam muito mais o inglês em expressões nas quais poderiam usar a própria língua (um exemplo bem cotidiano: eles poderiam falar fine settimana, para se referir ao final de semana, mas acabam usando weekend). Porém, foi só pensar no universo literário que logo me deparei com inúmeras palavras em inglês (não só desse universo, mas muito usadas aqui): TBR (to be read), wishlist, hype, spoiler

Então vamos ver o que PrM 1 achava sobre o assunto em 6 de maio de 2017, conforme artigo publicado aqui.


Tem que a ame e a use despropositadamente, e quem, por outro lado, a odeie e se desdobre em traduções às vezes imprecisas. As palavras estrangeiras usadas em italiano, cujo nome técnico é estrangeirismo, não são uma novidade da última década. Todas as línguas estão sujeitas a trocas e empréstimos e, assim, nós, italianos, acabamos dizendo toilette e os falantes de cerca de 37 línguas se cumprimentam com o nosso ciao. O mundo de hoje, cada vez mais globalizado e internacional, nos faz, porém, progressivamente adotar palavras estrangeiras no nosso dicionário dia após dia, a maior parte das quais são anglicismos, isto é, palavras inglesas.

Cada vez mais internacionais

Nos dias de hoje, quase todo mundo sabe ao menos duas línguas e quem não sabe tenta aprender pelo menos o inglês com a ajuda de site e aplicativos como o Duolingo, que conta com cerca de 300 milhões de usuários de todo o mundo. Mesmo sem se empenhar muito, porém, estamos em contato com palavras em inglês todos os dias, simplesmente ligando a TV ou folheando um jornal. O inglês é, de fato, a língua franca atual e todos os negócios políticos e econômicos internacionais são realizados nesta língua. Os termos técnicos, portanto, sequer são traduzidos, para facilitar a compreensão de ambas as partes. Uma características dessas palavras é, de fato, a ausência de uma real tradução para o italiano, ou, quando existe, o termo em inglês indica uma nuance específica. Assim, o selfie, hit de 2013, não é simplesmente um autorretrato.

O advento da internet e das redes sociais deu vida a um novo e riquíssimo vocabulário. Muitas destas palavras não existiam antes no dicionário e coube aos usuários escolher entre usar uma tradução ou mantê-las em inglês. O inglês, na maioria das vezes, ganhou, inclusive porque certas palavras traduzidas ao italiano soam um pouco mal. Internet se liga, também, ao conceito de globalização: graças à rede, a cada dia temos a oportunidade de ler conteúdos em outras línguas, seguir as tendências estrangeiras e nos manter em contato com nossos amigos que estão no exterior. Desta forma, entramos em contato com palavras estrangeiras que, involuntariamente, adotamos na nossa linguagem e que nos convém manter em inglês para facilitar a comunicação com todos aqueles que estão na internet e que não falam a nossa língua.

Palavras diferentes, mundos diferentes

Se os anglicismos permeiam a vida cotidiana, existem âmbitos nos quais eles são mais difundidos. Muitos desses são, claro, relacionados ao mundo da internet ou das relações internacionais, mas a ligação não é sempre óbvia assim. No mundo universitário, pelo fato de que a pesquisa e o desenvolvimento em certos campos acontecem principalmente no exterior, são adotados diversos termos estrangeiros e um diplomado fala, muitas vezes, do seu campo usando vocabulários específicos em inglês. O mundo do trabalho das empresas é cada vez mais internacional e tem adotado cada vez mais termos estrangeiros. Hoje é mais fácil ouvir no escritório palavras como brief, call, deadline ao invés de reunião, telefonema, prazo final. As nuances de significado são parecidas, mas essas palavras são usadas estritamente para o léxico relacionado a trabalho. Outros termos como freelance não são exatamente traduzíveis e um freelancer precisa entender de anglicismos para trilhar seu caminho no mundo do trabalho. Para ampliar sua rede de cliente, muitas vezes precisa contar com sites como UpWork e pode acabar trabalhando até para clientes não italianos. Outro ambiente rico em termos ingleses é o das apostas. Abrindo qualquer site de jogos é fácil perceber que atualmente os termos mais usados em um jogo e o próprio nome dele são, geralmente, em inglês. Assim, os giros geralmente são spin ou free spin e os símbolos são chamados de wild e scatter. Mesmo nesse caso, dada a origem estrangeira desses jogos, as traduções não são sempre necessárias e os termos em inglês tornam-se específicos para este campo. Desde a fundação do Facebook, em 2014, houve uma inundação de novas redes sociais e de novos termos usados para descrever as várias funções delas. Abrindo uma rede social qualquer, portanto, contaremos os nossos follower e olharemos a página de alguns influencer. Os termos das redes, porém, são aqueles mais italianizados, dando vida a nova palavras que são um misto de inglês e italiano, como taggare ou addare. Se as amamos ou odiamos, não podemos mais viver sem algumas palavras inglesas na nossa língua cotidiana, porque nos faltariam alguns instrumentos comunicativos fundamentais. Só nos resta integrar a nossa língua a esses novos termos e torná-los nossos, talvez pronunciando-os de uma maneira totalmente italiana.


E aí, qual a sua opinião sobre o assunto? Creio que podemos fazer muitas ressalvas a esse texto, ainda mais se pensarmos que o contexto brasileiro é bem diferente do italiano. Mas também há algumas reflexões bem interessantes, não?

Para concluir de verdade, só queria dizer que foi engraçado traduzir este artigo, pois realmente há mais termos que os italianos continuam a usar em inglês e que, na tradução, consegui passar para o português, como redes sociais (apesar de existir rete sociali eles acabam usando social). Por outro lado, há um momento em que usei o termo hit e, neste caso, no texto italiano, havia um termo na língua deles que, em português, não há uma tradução muito exata e que seja melhor que hit.

Agora imagine você o nó que deu aqui para traduzir tudo isso, hein!?

O som no fim do túnel — N. R. Melo

Título: O som no fim do túnel
Autora: N. R. Melo
Editora: Publicação independente
Páginas: 173
Ano: 2018

Títulos com a palavra “som” sempre chamam a minha atenção. Quando bati o olho na sinopse dessa história, só consegui pensar que precisava muito dela. Ainda assim, dentre tantos ebooks, acabei postergando a leitura deste. E quando finalmente comecei, não foi uma leitura que me prendeu rapidamente, mas, ao mesmo tempo, eu queria saber onde tudo acabaria.

“Ambos insatisfeitos, ambos tão frágeis a ponto de desconsiderarem que deveriam possuir algo em comum, a humanidade”

No início, somos apresentados a Cecília e logo descobrimos que ela é jovem, professora e que está esgotada.

“Por alguns segundos, pensou em dormir de novo, mas o que ela tinha não era sono ou cansaço físico, era pior: cansaço mental, psicológico e pouquíssima vontade de viver”

Mas também logo ficam claras as razões de tal esgotamento: Cecília mora em Niterói e trabalha em uma escola estadual localizada próxima a uma comunidade, na cidade do Rio de Janeiro. Não bastasse trabalhar em uma escola que nós — que não temos esse contato e nem conhecimento dessas realidades — chamamos de “difícil”, Cecília seguia uma carreira que sequer era a que ela um dia sonhara.

Imagine querer ser artista — mais exatamente uma cantora — e ver seus sonhos podados por outros? Por pessoas que você ama. Foi o que aconteceu com Cecília, levando-a a seguir esse caminho inesperado e tortuoso.

“Na verdade, ele sabia que ela tinha talento, mas tinha medo de perdê-la para o mundo artístico. No fim das contas, ele a perdeu de qualquer forma”

Mas também é nessa escola que Cecília conhece alguém que irá fazê-la ir atrás de seus sonhos. E, ainda no começo da história, a vemos feliz, voltando de uma tarde inspiradora. Até que temos o acontecimento que muda sua vida: um arrastão no qual seu notebook — item essencial para o trabalho desenvolvido durante toda aquela tarde — é levado embora.

Paralelamente à história de Cecília, vamos conhecendo a história de Maycom Douglas, um garoto que mora na comunidade — e claro que é a comunidade próxima à escola em que Cecília trabalha — e que vive uma realidade daquelas difícil de explicar: a mãe abandonara a família há muito tempo e o pai, Joaquim, vivia bêbado pelos cantos, sempre acusando Maycom pelo abandono da mãe. Sobrava-lhe o irmão mais velho, Jefferson, que era quem tentava manter Maycom Douglas nos trilhos, para que o menino tivesse um futuro.

Jefferson tentava manter o irmão mais novo nos trilhos, enquanto estava metido no tráfico, tentando prover o sustento da casa. Ele conhecia bem aquela realidade e não a desejava para Maycom. Mas houve um dia em que Maycom quis experimentar a vida do crime. O exato dia em que Cecília se viu em um arrastão. E essa foi apenas a primeira vez em que os destinos desses personagens se cruzaram.

A narrativa de O som no fim do túnel é muito intensa e uma coisa fica bem clara: não existe bem e mal. Se o que contei aqui faz parecer que Cecília é uma vítima, saiba que apresentei apenas o começo da história e que essa moça privilegiada também comete erros bem complicados de se explicar, ao passo que Maycom é apenas um garoto que sempre viu a violência, mas que sempre buscou o amor.

“Era como se ambos estivessem presos a um túnel e, por mais que caminhassem no intuito de encontrar a luz, faltava aquele estímulo que ilumina as paredes próximas à saída. Até aquele momento, só o que viam era a escuridão”

E, felizmente, o título não me enganou: a música faz-se presente na história, como um fio que une duas histórias aparentemente tão diversas e distantes. Cecília buscava seu lugar no mundo da música, assim como Maycom, que descobriu-se apaixonado pelo mundo do rap e das rimas.

“Há quem diga que já aprendeu mais lições com as batalhas de rima do que na própria escola regular”

O som no fim do túnel é uma obra que retrata uma realidade dura, mas existente no Brasil. Uma narrativa que merece ser lida, mas que é preciso certo estômago para encarar. Gostei bastante de ter tido a possibilidade de ler este livro e, se você quiser ler também, clique aqui.

Citações #35 — A bibliotecária de Auschwitz

Eu acabo de descobrir que a última vez que fiz um post de quotes foi em agosto do ano passado. Chocada! Mas senta que hoje temos muitos (muitos mesmo!) trechos de A bibliotecária de Auschwitz, que já apresentei melhor na minha resenha. E a primeira coisa que falei foi que quanto mais leio sobre o holocausto, mais desacreditada fico (ok, não foi bem isso que eu disse, mas serve também).

“Em Auschwitz não há pássaros. Eles morrem eletrocutados nas cercas”

E frases marcantes sobre Auschwitz é o que não falta neste livro. Frases que nos mostram diversas perspectivas do horror que eram os campos de concentração e da (falta de) vida que ali existia.

“Em Auschwitz o tempo não corre, se arrasta”

“Auschwitz não mata só os inocentes, mas também a inocência”

“Assim como as bússolas se desorientam ao se aproximarem do polo Norte, em Auschwitz, os calendários enlouquecem”

“Num lugar como Auschwitz, onde tudo é projetados para fazer chorar, o riso é um ato de rebeldia”

E, como não poderia deixar de ser, há um sentimento que permeia cada página dessa história e que está (ou estava) no coração de cada prisioneiro que viveu esse horror:

“O medo do medo é como correr ladeira abaixo”

“Zombar dos outros é uma maneira de por um esparadrapo nos próprios medos”

Mas não é só o medo que se faz presente. Há também o vazio e o silêncio, sempre à espreita:

“Como o vazio pode ser tão pesado?”

“Nessa noite, milhares de vozes se calam para sempre”

“Quase nunca há algo melhor que o silêncio”

“O mundo fica enorme quando alguém se sente pequeno”

E há, ainda, tudo aquilo que não deixa de existir nem mesmo na pior das condições, ou seja, os mais diversos sentimentos que nós, humanos, sentimos:

“Às vezes precisamos dizer o que sentimos por dentro”

“Enquanto continuarem rindo, nada estará perdido”

“Talvez o amor seja isso: compartilhar o frio”

“Ninguém sabe quanto sofrimento ainda resta aos que ficam”

“Basta ser feliz pelo tempo que um fósforo leva para acender e apagar”

Se você (ainda) não leu a resenha de A bibliotecária de Auschwitz, talvez não saiba que a protagonista é uma jovem. Este livro, portanto, também nos fala muito sobre o que é ser jovem em um campo de concentração.

“Dita suspira agarrada aos livros. Ela se dá conta com tristeza que foi nesse dia e não no de sua primeira menstruação que abandonou a infância, porque deixou de ter medo de esqueletos ou das velhas histórias de fantasmas e começou a temer os homens”

“Na juventude, um ano é quase a vida inteira”

“Ela é jovem demais para entender quão difícil é para uma mãe não poder dar uma infância feliz a um filho”

E, como o título já nos indica, a importância dos livros também se faz muito presente nesta narrativa, nos mostrando como até mesmo no pior dos lugares ele torna-se um salva-vidas e/ou um refúgio.

“Os livros guardam em suas páginas a sabedoria de quem os escreveu. Os livros nunca perdem a memória”

“Embarcara no trem da leitura. Naquela noite, sentiu a emoção de uma descoberta, de saber que não importava quantas barreiras seriam impostas por todos os Reichs do planeta, porque, se houvesse um livro, ela poderia saltar todas”

“Começar um livro é como subir num trem rumo às férias”

“As palavras são importantes”

Em Auschwitz as palavras são importantes não apenas pelas histórias que carregam, mas pelo valor ainda maior que a verdade passa a ter ali dentro. Na realidade, esse bem passa a ser uma raridade dentro dos campos de concentração, onde cada um luta para sobreviver, custe o que custar.

“Ele se levanta satisfeito consigo mesmo. Tão satisfeito quanto pode estar um homem que silencia a verdade”

“A verdade é a primeira vítima da guerra”

“Mais uma vez, a verdade era outra”

Na resenha de A bibliotecária de Auschwitz eu também comentei que esse livro aborda temas importantes, para além do terror do holocausto e da guerra. Destaco aqui dois trechos que podem nos dar uma ideia disso:

“Esse é o problema dos mitos: nunca caem, se derrubam”

“A verdadeira doença é a intolerância”

E por fim, claro, esse livro nos deixa claro as marcas que esse circo de horrores deixou em tantas pessoas:

“Quando estamos num manicômio, o pior que pode acontecer é sermos lúcidos”

“A paz não cura tudo, pelo menos não tão depressa”

Ficou com vontade de ler esse livro? Então vem aqui.

Loucuras de Verão (antologia)

Título: Loucuras de Verão
Autor: vários autores
Organização: Tati Iegoroff
Editora: Lettre
Páginas: 174
Ano: 2021

Logo logo chegam as águas de março, fechando o verão, mas, antes disso, por que não ler esta antologia quentinha? Claro que eu sou suspeita para falar qualquer coisa, pois sou a organizadora dela, mas estou muito feliz em ver tantos autores incríveis reunidos em um só lugar (e isso eu posso falar, já que só organizei a antologia, não contribuí com nenhum texto meu!). E sabe da melhor? Essa antologia é gratuita! Isso mesmo, você pode ler todos esses textos incríveis sem pagar nada por isso (já já explico melhor).

“Naquele pequeno fragmento de realidade eu era infinito como o oceano”

(Amor à primeira vista — Abraão Nóbrega)

Há quem ame e quem odeie o verão que, assim como qualquer outra estação do ano, tem o seu lado bom e o seu lado ruim. Se bem que também há quem diga que no Brasil só temos essa estação! Em que time você está?

Eu, confesso, não gosto de extremos: nem muito calor, nem muito frio. Mas o sol com certeza me dá uma alegria que aqueles dias cinzas logo espantam. Foi por isso que pensei que uma antologia leve, deveria ser sobre o verão, sobre férias, sobre aventuras e, por que não, sobre amor.

“Se a vista já valia a pena por si só, ambos sabiam que, para eles, aquela vista sempre seria descrita mil vezes mais bela do que, de fato, era”

(Uma semana de gelato e amor — Carolina Mantovani)

A proposta de “Loucuras de verão” era, portanto, reunir textos leves e, claro, relacionados ao verão. E isso os autores souberam fazer com maestria. Tem até história que se passa na neve, mas que soube muito bem captar o espírito da antologia!

“Naquele instante, o verão ficou frio”

(2000 verões — Alvaro Tallarico)

Algo que achei incrível foi a variedade de temas que surgiram para a composição da antologia. Sim, o fio condutor é a estação mais quente do ano, mas há textos mais reflexivos, inclusivos, aventureiros, românticos, de fantasia… Tirando quem curte terror, tem para todos os gostos!

“Muitos outros verões estavam por vir”

(Amor no Araguaia — Rubem Gleison)

Ao todo, Loucuras de verão conta com 22 textos. Sendo uma antologia, é possível apreciá-la aos poucos, como quem toma um sorvete. E ela também não foi feita para ler apenas no verão, porque há contos que são capazes de aquecer seu coração mesmo nos dias mais frios do ano.

“— Tu sofre estando sozinha, eu sofro estando com a minha mãe preocupada comigo todos os dias. Eu tenho dores que correm da ponta dos meus dedos da mão até os dos pés, tu tem dores nos olhos cansados de tanto ler palavras sem sentido. Eu sei que parece diferente, mas é que dor não tem medida”

(Não importa a forma que a gente exista — Grazi Ruzzante)

Como eu disse lá no início, esta é uma antologia gratuita. Então, se você tem interesse em conhecer esse trabalho (e se me permite um conselho: conheça!) basta clicar aqui e garantir o seu arquivo.

Música: versão brasileira ou italiana?

Você sabia que existem músicas que têm uma versão em português e outra em italiano? Eu já comentei sobre uma delas neste post, mas hoje venho aqui para fazer um apanhado que, espero eu, vai te surpreender!

Vamos começar com algumas combinações bem fáceis (e também as primeiras que descobri): Laura Pausini e Sandy & Júnior. Sim! Você conhece Inesquecível? Ela é uma adaptação de Incancellabile, lançada em 1996, enquanto a versão brasileira é de 1997. Neste caso, é praticamente uma tradução, com as devidas adaptações para manter o ritmo e o sentido. Veja:

De Sandy & Júnior e Laura Pausini temos, ainda, Não ter, versão brasileira de Non c’è. Além disso, eles também gravaram Quando você passa, versão brasileira de Tutururu (Francesco Boccia).

Bom, essas eram fáceis. Mas, um belo dia, eu já estava na faculdade e ouvi uma música chamada La mia storia tra le dita (de 1995) e pensei “caramba, conheço essa música!”. E sim, em português, como Quem de nós dois (de 2001). As letras, aqui, já são mais diferentes, sendo mantida apenas a melodia. Aqui vai:

Ainda na faculdade, meu querido Spotify me apresentou La notte (2012), cuja relação com A noite (2014) é bem fácil de se fazer, apesar de, novamente, as letras serem bem diferentes!

Fazendo esse post, descobri, ainda, Gente di mare (1988) e a versão brasileira Felicidade (1988):

Mais recentemente, ouvi ainda È po’ che fa (1982) e a versão brasileira Bem que se quis (1989), também bem diferentes uma da outra (no quesito letra):

Agora, claro, o mais chocante de todos: sabe a música Eva (1997)? Sim, o axé! Pois é, ela também é uma versão brasileira! A música original também chama Eva (1982), e as diferenças nos textos são poucas, apenas adaptações necessárias. Por outro lado, claro, essa é a música que a melodia muda um pouco mais (afinal, virou um axé!):

Uma vez li que essa prática de fazer versões em outras línguas de algumas músicas é algo que ocorre com certa frequência (certamente você já ouviu versões brasileiras de muitas músicas que são, originalmente, em inglês) e é uma técnica antiga.

E não somos apenas nós que fazemos isso não! Nos anos 60, na Itália, era comum que se pegasse as músicas do Reino Unido ou dos Estados Unidos que estivessem fazendo muito sucesso e se fizesse uma versão italiana, a ser cantada por um cantor ou grupo muito famoso. Quer um exemplo? Veja aqui:

E você, que versões/traduções conhece? Não esquece de me contar nos comentários, eu adoro essas coisas! Recentemente, li um livro que me apresentou algumas pérola nesse sentido (incluindo mais Sandy & Júnior!).