Amor — Cláudia Zambrana

Título: Amor: sempre foi você 
Autora: Cláudia Zambrana 
Editora: Crazyforhotbooks (organização) 
Páginas: 22 
Ano: 2021 

Resenhar histórias curtas é sempre um desafio. E ele se torna ainda maior quando a sinopse já diz tanto (e tão bem) do que gostaríamos de dizer:

“Este não é um conto de amor qualquer, com paixão, encontros e submissão, mas sim uma história que traz todos os sentimentos que uma vida solitária e incrédula quanto ao amor pode ter”

Sim, como o próprio título já nos indica, Amor fala sobre esse sentimento, mas de uma maneira dolorosa como só a perda pode ser.

“Inacreditável como as pessoas querem que eu esqueça aquilo que é inesquecível”

Nas poucas páginas desta história conhecemos Mirla, uma daquelas jovens que, depois de tantas desilusões, já não consegue mais acreditar no amor. Até que, claro, ela tropeça nele quando menos espera (e em uma situação para lá de improvável para o surgimento desse sentimento).

“Nunca pensei que pudesse sentir por alguém o que senti por você: simplesmente amor”

Como toda mulher desacreditada, porém, Mirla demora a aceitar esse sentimento e, depois, isso irá lhe custar um arrependimento irremediável.

“Se eu soubesse que te perderia tão cedo, eu não teria demorado tanto para tomar uma atitude, eu teria sido menos covarde com meus sentimentos”

Mesmo sendo uma leitura rápida, Amor nos marca e nos faz refletir. Entre uma lágrima e outra, a história também nos lembra de que a vida foi feita para ser vivida e sentida e que se quisermos honrar a quem amamos, devemos aproveità-la ao máximo. 

Se esta história é para você, clique abaixo para ler. Se estiver em busca de algo mais leve (ou uma leitura mais longa), porém, recomendo 24h adolescente e às vezes apaixonada, também da Cláudia Zambrana. E não deixe de seguir a autora em suas redes sociais (Instagram) para ficar por dentro de todos os seus lançamentos.

Noites Brancas — Gabriela Lopes de Azevedo

Título: Noites Brancas 
Autora: Gabriela Lopes de Azevedo 
Editora: Urutau 
Páginas: 96 
Ano: 2021

Fazia um tempinho que eu não trazia resenha de uma coletânea poética por aqui e fico feliz em voltar com a obra da autora Gabriela Lopes de Azevedo, que já tive a sorte de conhecer.

Pelo título podemos perceber que esse livro trabalha com muita intertextualidade: Noites Brancas é também o nome de um romance de Fiódor Dostoiévski, mas as referências não acabam por aí (e eu provavelmente não consegui pegar nem metade delas, porque essa obra realmente traz muita cultura).

“A gente ficou sem tocar

aquela música”

O livro, com uma bela edição e páginas bem confortáveis para se ler, é dividido em cinco partes:

1. Flânerie noturna

2. Modern Love

3. Casa

4. Noites Brancas

5. Noites Brancas, madrugadas selvagens

Esses subtítulos também já denunciam algo do que encontraremos ao longo dos versos e o que mais gostei nesta obra foi a presença da cidade em meio às palavras.

“A poesia superou 

o cânone

o livro

o mercado editorial”

Noites Brancas é uma obra recheada de sentimentos, ora trazendo melancolia, ora despertando suspiros. E sempre nos fazendo refletir e absorver o que vem e o que foi lido. 

Os versos nos fazem enxergar uma narrativa. Não apenas a narrativa de um personagem qualquer, mas a história de alguém que viveu, amou, estudou e se cercou de pessoas, momentos, acontecimentos.

É engraçada essa sensação, porque não há exatamente um personagem neste livro e, provavelmente, as poesias foram escritas em momentos diversos da vida da autora, mas a forma como elas foram reunidas nos dão essa sensação que nos prende à obra.

Se você acredita que este livro é para você — e dificilmente ele não será pois, como um bom livro de poesias, ele pode ser apreciado aos poucos e, ainda assim, será uma leitura rápida — não deixe de garantir o seu exemplar no site da editora Urutau, ou então de entrar em contato com a autora (Instagram).

Mais uma vez — Renato Russo

Apesar deste ser um blog majoritariamente de resenhas, um dos posts mais lidos por aqui, desde que foi postado, é o de Enquanto houver sol (Titãs).

Faz um tempo, porém, que, no mesmo estilo, sinto vontade de escrever sobre Mais uma vez, uma música que também me lembra de ter esperança, ao mesmo tempo em que me deixa pensativa.

Lançada em 1987, no álbum Sete, a música ainda é muito atual e pode despertar grande identificação.

Isso porque a letra já começa falando que os dias bons voltam, por mais difíceis ou doloridos que tenham sido os anteriores ou que venham a ser alguns futuros (“Mas é claro que o sol / Vai voltar amanhã / Mais uma vez, eu sei / Escuridão já vi pior / De endoidecer gente sã“).

Logo em seguida a letra nos faz pensar sobre quem está ao nosso redor. Nos instiga a avaliar se realmente estamos cercados de pessoas que querem o nosso bem ou se temos pessoas conosco que não vibram por e com nós (“Tem gente que está do mesmo lado que você / Mas deveria estar do lado de lá / Tem gente que machuca os outros / Tem gente que não sabe amar / Tem gente enganando a gente/ Veja a nossa vida como está”).

Mais uma vez ainda toca num ponto que, para mim, é essencial: a confiança. E passa uma mensagem que, muitas vezes, ignoramos: devemos confiar sobretudo em nós mesmos (“Se você quiser alguém em quem confiar / Confie em si mesmo / Quem acredita sempre alcança“).

Confiar em si só é possível quando você se conhece bem e sabe entender seus sentimentos, suas necessidades. Quando você consegue acreditar nos seus instintos e confiar que sabe o que é melhor para si.

Por falar nisso, essa música ainda fala sobre ouvirmos e valorizarmos os nosso sonhos, pois apenas nós mesmos podemos saber o melhor para nós. Se você tem um sonho, lute por ele, mesmo que te digam o contrário e saiba que muita gente dirá o contrário! (“Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena / Acreditar no sonho que se tem / Ou que os seus planos nunca vão dar certo / Ou que você nunca vai ser alguém“).

As pessoas têm muita facilidade em apontar dedos, criticar nossas escolhas. Mas se soubermos o que pode nos fazer bem, também poderemos escolher com quem queremos estar e quem vai realmente nos apoiar em nossas escolhas. 

Mais uma vez, portanto, é uma música realmente forte, com mensagens importantes em suas linhas e entrelinhas. Deixo abaixo a letra completa e o áudio, para quem quiser ler, ouvir e me contar o que acha dessa música.

Mas é claro que o sol

Vai voltar amanhã

Mais uma vez, eu sei

Escuridão já vi pior

De endoidecer gente sã

Espera que o sol já vem

Tem gente que está do mesmo lado que você

Mas deveria estar do lado de lá

Tem gente que machuca os outros

Tem gente que não sabe amar

Tem gente enganando a gente

Veja a nossa vida como está

Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar

Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança

Mas é claro que o sol

Vai voltar amanhã

Mais uma vez, eu sei

Escuridão já vi pior

De endoidecer gente sã

Espera que o sol já vem

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena

Acreditar no sonho que se tem

Ou que os seus planos nunca vão dar certo

Ou que você nunca vai ser alguém

Tem gente que machuca os outros

Tem gente que não sabe amar

Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar

Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança

O lado extraordinário da falta — Ana Hantt e Josie Baron

Título: O lado extraordinário da falta 
Autoras: Ana Hantt e Josie Baron 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 184 
Ano: 2020

Logo de cara, o que chama a atenção nesse livro é o título: O lado extraordinário da falta.

“Afinal, o ‘felizes para sempre’ poderia ser diferente em cada história”

Na vida, podemos sentir um vazio por diversos motivos e, aos poucos, é isto que esse livro vai nos mostrando, mesmo que nem sempre tão diretamente.

“Mas, aí, ela me falou sobre todas as novas possibilidades que as perdas iriam me proporcionar. Assim que meu coração estivesse forte o suficiente para entender o que acontecera, eu iria procurar por novas aventuras, me arriscar, descobrir caminhos que não consideraria se fosse de outro modo”

O começo pode ser um pouco confuso, porque a história alterna entre as duas protagonistas e, até que nos acostumemos com ambas, as coisas podem ficar um pouco perdidas.

“— Meu nome é Jackie.

— Meu nome é Elena.

E aquele foi o momento em que suas vidas mudaram para sempre”

Aliás, Jackie e Elena, as tais protagonistas, tinham tudo para jamais cruzarem o caminho uma da outra, mas o destino quis que não apenas elas se encontrassem, mas que virassem amigas. Praticamente a única amiga uma da outra. 

“Tenho que saber que consigo fazer as coisas sozinha, que não preciso contar com ninguém”

A vida de Jackeline Foster é marcada por episódios difíceis desde cedo. A perda, ali, parece natural (mas não deveria).

“Ela já não queria ser a princesa de Niagara Falls. O reino perdera o encanto”

Elena Whitehill, por outro lado, deveria ter tudo. Mas ela não necessariamente quer tudo o que tem e, para buscar seus verdadeiros desejos, terá de abdicar de muita coisa.

“Vai cursar o seu semestre na Itália, Elena. Você não pode viver uma vida que não é sua. Eu não posso viver uma vida que não é minha. Nós vamos dar um jeito de fazer a nossa mãe entender isso”

A história dessas duas se cruza, ainda, com a de muitas outras pessoas, principalmente suas próprias famílias e o fardo que elas trazem à vivência dessas jovens.

“Ela sabia que, depois de uma vida inteira de mudanças constantes, tudo o que Daniel queria era um lugar para pertencer”

O lado extraordinário da falta é uma história (ou várias, se pararmos para analisar), portanto, que vai nos ensinando a lidar com as mudanças, com as perdas, com o deixar para trás para seguir em frente.

Quando comecei a ler, encontrei algo totalmente diferente do que eu esperava (o que eu esperava, afinal?) e demorei um pouco para me conectar à história, até que fui enredada pelo que poderia acontecer com as protagonistas e em que ponto a história delas se concluiria.

Sim, porque não posso dizer que a narrativa termina: são dores reais demais, acontecimentos palpáveis. Acompanhamos as meninas desde a infância até o início da vida adulta e só podemos esperar que o que acontece depois da última página seja o melhor para elas.

Se você quer (ou precisa) dar novos significados às suas perdas, recomendo a leitura de O lado extraordinário da falta, já alertando para os possíveis nós na garganta que essa história vai te dar. 

“Seu maior oponente vencera aquela batalha e técnica nenhuma ajudaria a aplacar a dor dessa perda”

Clique aqui embaixo para saber mais e não deixe de seguir as autoras nas redes sociais (Instagram).

Citações #54 — A filha primitiva

Um dos motivos pelos quais gosto de marcar e anotar trechos que me chamam a atenção nos livros que leio é que, através deles, posso relembrar a história, além de, em alguns casos, ter novos insights sobre a mesma.

Mas se tem uma coisa que não precisaria de trechos para lembrar, é da força que a narrativa de A filha primitiva, da autora Vanessa Passos, tem.

“A fome ensinava a ser criativa”

Uma histórias que vai direto e reto ao ponto e que toca em muitas feridas.

“Gente é assim, gosta mesmo é de rir das desgraças dos outros”

Uma narrativa sobre partos, não somente físicos, mas também mentais.

“Fico pensando que escrever é um parto infinito”

E, ainda, um texto que fala sobre paternidade e abandono, mas também sobre a história que nos é negada.

“A busca pelo meu pai e pela escrita caminhavam juntas”

A filha primitiva é também sobre vícios.

“Tinha esquecido que a bebida dá coragem pras pessoas”

Sobre humanidade e desumanidade (não sei se essa palavra existe, mas acho que dá para entender a ideia, né?).

“É fácil esquecer o erro de homem”

“Incrível como o ser humano gosta de se enganar”

Não se trata de uma leitura fácil, como os conteúdos já podem indicar, mas ela é necessária. Para saber mais, você pode ler minha resenha aqui e garantir o seu ebook clicando abaixo.

Madeleine Butchertz — Renata Mariotto

Título: Madeleine Butchertz
Autora: Renata Mariotto
Editora: Publicação independente
Páginas: 296
Ano: 2021

Madeleine Butchertz é um livro surreal e assustadoramente real, já que se utiliza de elementos de nossa realidade — como guerras, uma busca incessante por riquezas e poder e um vírus devastador —, além de trabalhar com realidades que ainda podem vir a nos atingir, com tecnologias avançadas que podem ser úteis para o bem e para o mal.

“Eles foram muito além, inexplicavelmente conseguiram criar um vírus para escravizar toda a humanidade sem prisões. Eles fizeram do próprio corpo humano uma prisão”

Por trabalhar com elementos da nossa realidade, porém, devo ressaltar que a história torna-se delicada, podendo nos levar a interpretações perigosas. Então enfatizo que, apesar das similaridades com alguns elementos de nossa vida, essa ainda é uma obra totalmente de ficção.

O título do livro é também o nome da protagonista, uma menina que se torna uma grande mulher, inspirada por seu pai — um importante pesquisador —, que ela perde ainda pequena.

“Nesta busca por compreender o inexorável, chegou à vida adulta. Decidiu então povoar o vazio com a medicina. A ciência médica e a capacidade de regenerar vidas através da cirurgia plástica começaram a trazer um novo sentido ao seu ser”

Mas toda a enredada trama não conta, claro, com apenas a figura de Madeleine e, para citar ao menos mais um personagem essencial à história, temos Aaron. Juntos, esses dois vão mover montanhas para salvar àqueles que puderem salvar.

“Aaron cresceu introspectivo, afastado do pai. Carter mantinha-se distante. O sofrimento pelo falecimento da esposa o tornou um homem de pouca afetuosidade, um pai presente em suas responsabilidades legais, porém, ao mesmo tempo contido ao demonstrar suas emoções”

Só que Madeleine dá nome ao livro não apenas por ser filha de um grande homem, mas porque ela, sozinha, é uma pessoa extremamente poderosa. E tem um poder que nem ela mesma conhece, mas que se mostrará extremamente precioso e necessário.

“Houve dias no início em que tive medo de mim mesma. Hoje tenho medo de não fazer o que devo, o que posso por tantos inocentes!”

O livro é permeado de ação e de uma dura luta do “bem” contra o “mal” ou, para melhor explicar, de humanos que só pensam em si e em riqueza contra humanos que enxergam uns aos outros.

“Não conseguia acreditar que existisse qualquer sentimento dentro de uma alma tão calculista, mas ali, naquele instante, ele transparecia humanidade”

Uma obra extremamente atual e que, mesmo que às vezes nos percamos um pouco nela, nos fará pensar e refletir sobre como temos vivido nossas vidas e deixado que o mundo siga se transformando, quase nunca para melhor.

“A doença propagava-se impiedosamente, fugindo de qualquer controle médico que a ciência pudesse almejar. A progressão da nova peste não seguia nenhum parâmetro previamente observado em outras pandemias na história da medicina. Os acometidos se debatiam em busca de ar, num sofrimento lento e letal, que avançava ceifando a vida de tantos”

E mesmo em meio ao caos e à ação constante, o amor também faz-se forte e presente nesta narrativa, trazendo mais algumas pitadas de fogo, mas também de calmaria, mostrando, uma vez mais, a força de tal sentimento, que não tem hora e nem lugar para acontecer.

“Ela jamais poderia compreender como o amor florescera diante do desespero e a ameaça de destruição de toda a humanidade como a conhecemos”

Para além da história, o que chama atenção nesta obra é o trabalho gráfico feito nele, com diversas fotos ilustrativas coloridas, coisa bem rara de encontrarmos em livros como esse, principalmente por se tratar de uma edição independente.

Se consegui te deixar com uma pulga atrás da orelha sobre como tudo isso que descrevi pode ser possível e ainda caber em um livro de menos de 300 páginas, você pode clicar abaixo para ler o ebook ou então comprar a edição física (e outros mimo) no site da autora. Aproveite para também segui-la nas redes sociais.

Il passato prossimo

Chegou a hora de fazer AQUELE post que eu achei que já tivesse feito (aliás, que vergonha, este ano, até agora, fiz apenas UM post sobre ensino de italiano aqui). Sim, senhoras e senhores, é hora de falarmos sobre o passato prossimo (ou o nosso pretérito perfeito).

E por que toda essa introdução? 

Porque este tempo verbal italiano tem algumas especificidades que, para nós, brasileiros, o torna um pouco complicado. Mas vou tentar mostrar aqui como não tem segredo (só estudo mesmo).

A primeira coisa que devemos saber é: o passato prossimo é SEMPRE formado pois dois verbos. Então o que você fala usando apenas um verbo em português (vi) em italiano você vai falar usando dois verbos (ho visto).

E que verbos são esses? 

Muito simples: um auxiliar e o verbo principal.

O auxiliar será sempre essere ou avere (se você não lembra dele ou não os conhece, volte neste post) conjugados no presente do indicativo e o verbo principal é o que vai indicar realmente a ação que você quer usar.

Se o tal verbo principal for regular, maravilha! Você simplesmente irá trocar a terminação de acordo com a seguinte regra:

Verbos em -ARE vão virar -ATO (parlare = parlato)

Verbos em -ERE vão virar -UTO (cadere = caduto)

Verbos em –IRE vão virar -ITO (dormire = dormito)

Se fosse só isso seria fácil, né? Mas temos dois poréns aqui:

1. Existem verbos que são irregulares, principalmente os verbos em -ERE.

2. Se o auxiliar for essere, temos de fazer a concordância do particípio passado (isto é, das terminações que mostrei ali em cima) em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Isso significa que o -O final pode ainda virar -A (singular feminino), -I (plural masculino) ou -E (plural feminino).

Se quiser praticar um pouco das terminações do particípio passado, clique aqui. E se quiser conhecer o particípio passado de alguns verbos irregulares, clique aqui.

A grande questão é: como eu sei que auxiliar usar? Isto é, quando uso essere e quando uso avere? Sim, porque você não pode usar qualquer um deles a qualquer momento!

Bom, vamos lá, na maioria dos casos você vai usar avere como auxiliar (o que é ótimo, né, porque aí não tem que fazer a concordância!). 

A regrinha é que usamos avere com verbos transitivos, ou seja, aqueles que, se usados sozinhos, serão seguidos da pergunta “o quê”/quem, indicando que eles precisam de um complemento. 

Para ser sincera, porém, essa regrinha ajuda muito, mas ela não é totalmente satisfatória. Acho que o que facilita um pouco mais é conhecer “la casa di essere“: todos os verbos da imagem abaixo serão precedidos de auxiliar essere. Isso inclui TODOS os verbos reflexivos, representados na imagem por lavarsi. E, claro, se o verbo que você quer usar não está na imagem abaixo, então é muito provável que o auxiliar dele seja avere.

Imagem retirada de: https://italiabenetti.blogspot.com/2021/01/la-casa-di-essere-verbi-con-ausiliare.html. Acesso: 03 de agosto de 2022.

Que praticar um pouco a escolha do auxiliar? Então vem aqui.

Para conjugar verbos no passato prossimo, em italiano, portanto, precisamos:

  • De dois verbos;
  • Que o primeiro desses verbos seja o auxiliar (essere o avere) conjugado no presente do indicativo;
  • Que o segundo seja o particípio passado do verbo principal (isto é, o verbo principal com aquelas terminaçõezinhas que vimos anteriormente).

O passato prossimo não é o único passado que existe no italiano (assim como o pretérito perfeito não é o único do português), mas ele é, dentre os mais usado, o que traz maiores dificuldades, por ser composto.

Veja, na imagem abaixo, alguns exemplos de conjugação:

Ficou um pouco mais claro agora? Então vamos concluir com um pouco de prática: basta clicar nos títulos abaixo e você irá acessar jogos para treinar as conjugações e usos do passato prossimo):

Ficou alguma dúvida? É só comentar aqui que terei o maior prazer em ajudar!

100 canções para salvar sua vida — Camila Dornas

Título: 100 canções para salvar sua vida 
Autora: Camila Dornas 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 379 
Ano: 2019

Começo esta resenha com uma frase que pode ser um pouco óbvia, mas que fica ainda mais clara quando concluímos a leitura de 100 canções para salvar a sua vida: a música une as pessoas.

“Música era a conexão entre meu pai e eu”

Mas não se deixe enganar por essa capa fofa e colorida e por essa frase capaz de conquistar qualquer um que, assim como eu, ama músicas e histórias. Este livro traz uma narrativa forte e aborda muitos assuntos que podem ser grandes gatilhos (como consumo excessivo de álcool, suicídio, violência sexual, relacionamentos familiares). 

“Tentei fazer suas palavras fazerem sentido, tentei entender, ao menos superficialmente, o que ele sentia. Mas não pude, é claro que não pude”

O livro já começa intenso, o que só nos faz querer saber como tudo aquilo pode acabar. Será que tem como acabar “bem”?

“Tudo é a mais pura e vibrante energia. E energia nunca desaparece. Apenas se transforma em algo diferente”

Nesta história conhecemos Alícia e Natasha que, um ano depois, ainda estão tentando entender e superar a morte de Valentina, que completava o inseparável trio. Uma garota que só podemos conhecer através das palavras de suas melhores amigas.

“Alguns dias eram piores que os outros. Alguns dias, sua ausência era tão forte que parecia tangível”

Neste ponto já podemos ver como cada uma lida com essa dor e é bonito perceber que sim, cada um de nós vive o luto ao seu modo.

“Às vezes tudo que precisamos é uma oportunidade de dizer adeus”

Mas esse panorama é apenas o começo. E a verdadeira história se desenrola a partir do momento em que Ali e Tasha resgatam a cápsula do tempo delas — uma tradição criada alguns anos antes — e, como de certa forma já esperavam, encontram algo deixado por Valentina. Elas só não imaginavam que esse algo seriam seis cartas, um iPod rosa com 100 canções e um mapa. 

“Não saber o que acontece em seguida é a melhor parte”

É a partir dessa descoberta que Ali e Tasha se jogam na estrada à bordo da Kombi grafitada de Alícia, que está ao volante, mas sendo conduzida por Valentina. Numa espécie de caça ao tesouro do além, as amigas iniciam assim a sua jornada.

“Ir embora só é difícil quando você tem algo pra deixar pra trás”

As duas amigas saem, portanto, em busca das respostas não dadas enquanto Valentina era viva e descobrem coisas dolorosas, que jamais esperaram descobrir (mas que, a partir de um certo ponto passamos a desconfiar, mesmo não querendo).

“Alguns segredos são terríveis demais, devastadores demais. Algumas verdades, quando desenterradas, destroem tudo”

Mas nem tudo é lágrima e dor nesta narrativa. Enquanto rodam o Brasil, as duas amigas vivem aventuras únicas e, principalmente, conhecem pessoas que serão igualmente capazes de transformar suas vidas.

“As pessoas que eu encontrei e suas histórias eram os tesouros mais preciosos pelo quais eu podia pedir, eram um lembrete de que nem todos eram ruins”

Confesso que me espantei com a facilidade que esse povo tem de cair na estrada. Mas é muito difícil não se deixar levar pelo espírito de liberdade deles. Ah, e aqui não estou mais falando somente de Ali e Tasha, mas dos amigos que elas conheceram pelo caminho também.

“Eu gosto de escapar de vez em quando, mas sou um paulista assumido. Gosto do barulho, da variedade de estilos, da vida cultural sempre pulsando, do ar pesado, até das pessoas rabugentas”

100 canções para salvar sua vida é um livro intenso, que vai te fazer pensar sobre a vida (e a morte), sobre amizades e valores, sobre força, coragem e sorrisos.

“Valentina era uma das pessoas mais corajosas que eu já conheci, e mesmo assim, ela nunca contou pra ninguém”

Uma história que vai te fazer sentir muitas coisas ao mesmo tempo e que, provavelmente, irá te marcar de alguma forma.

“Apesar do sorriso sempre presente, ela se escondia em suas aventuras por que tinha medo do nada, medo do que aconteceria se ficasse sozinha tempo demais consigo mesma”

Este foi meu primeiro contato com a escrita da Camila Dornas e sinto que, inicialmente, fui com muita expectativa para a leitura. Depois, porém, realmente me conectei à história e agora, além de tudo, percebo que destaquei alguns trechos bem fortes e significativos e que fiquei bem mexida com o que li.

“Um minuto é a diferença entre nada e alguma coisa. Alguns minutos podem mudar tudo”

Se você também quer conhecer está história, clique aqui embaixo. E se quiser saber mais sobre o trabalho da Camila, não deixe de segui-la nas redes sociais (Site | Instagram | Twitter).

Tatianices recomenda [18] — Instituto Artium

Faz um bom tempo que não trago alguma indicação por aqui, principalmente de lugares e eventos culturais, e estou feliz de voltar com uma recém incrível descoberta para quem mora ou está visitando São Paulo (capital).

O bairro de Higienópolis, conhecido (e polêmico) por ser um bairro de alto padrão, guarda algumas pérolas culturais que certamente valem a visita, como é o caso do Instituto Artium de Cultura, que desde janeiro 2021 funciona no Palacete Stahl, localizado na Rua Piauí, 874.

Em meio aos prédios do bairro, e estando de frente para a Praça Buenos Aires, o palacete chama a atenção de quem passa pela rua somente com o seu exterior. 

Mas o melhor está lá dentro: logo na primeira sala, temos uma linha do tempo da casa e descobrimos, assim, o tanto de história que essa construção abriga, tendo sido consulado da Suécia e, posteriormente, do Japão. Não à toa, o edifício foi tombado em 2005.

Também não passa desapercebida a imponência do local, que tem sido pouco a pouco restaurado. Lustres de cristal, entalhes em madeira, colunas, afrescos: tudo enche nossas vistas e deslumbra.

O Instituto Artium de Cultura, hoje localizado neste palacete, abre para visitação de quarta a domingo, das 12hrs às 18hrs (de quarta a sexta) e das 10 hrs às 18hrs (aos finais de semana).

A entrada é gratuita, mas é preciso pegar seu ingresso no site, mesmo que alguns minutos antes da visitação.

Estive lá em um domingo a tarde e a visitação foi super tranquila, sem grandes aglomerados e com ótimas explicações dadas pelos funcionários da casa. Impossível não se apaixonar.

É bem fácil de chegar ao Instituto, que está localizado próximo ao metrô Higienópolis Mackenzie (linha amarela do metrô). Vale aproveitar e já passear pela região, que também tem muitos outros lugares incríveis para visitar. 

No momento, o palacete abriga uma exposição com fotos de peças teatrais chamada “Jairo e João: o teatro na fotografia de Jairo Goldflus e João Caldas”. As imagens são lindas e trazem muitas belas surpresas, com alguns rostos muito conhecidos e outros nem tanto.

Instituto Artium de Cultura
Aberto de quarta a domingo 
Rua Piauí, 874 - Higienópolis
Entrada gratuita
Fone: +55 (11) 3660-0130
Email: contato@institutoartium.org.br
Site | Instagram

Resto qui — Marco Balzano

Título: Resto qui 
Autor: Marco Balzano 
Editora: Einaudi 
Páginas: 192 
Ano: 2020 
Título em português: Daqui não saio

Sabe aquele livro que a gente se pergunta por que nunca leu antes? Pois bem, Resto qui é um desses.

Não digo isso pela sua escrita, que não é tão especial assim, sendo direta e até um pouco dura. Mas, puderas: seus temas não dão muita escolha. E são justamente eles que, para mim, dão tanto destaque a esta história.

“Pelo contrário, vou te contar sobre a nossa vida, sobre sermos sobreviventes. Vou te contar sobre aquilo que aconteceu aqui em Curon. No vilarejo que não existe mais”

O texto começa com uma mãe falando com sua filha, numa espécie de carta, e, neste primeiro momento, podemos perceber uma dor que ainda não compreendemos muito bem a origem, o que nos faz querer seguir adiante, mesmo com medo do que pode vir (e que já sentimos que não tem como ser bom).

“Você não sabe nada sobre mim e, no entanto, sabe muito porque é minha filha”

Logo, então, chegamos ao primeiro assunto que me faz gostar desse livro: Curon

Talvez você já tenha ouvido falar desta pequena cidade italiana, conhecida pela torre de um campanário que desponta do meio de um lago. Há inclusive uma série da Netflix com este nome.

O que poucos sabem é a verdadeira história de Curon, e é justamente isso que encontraremos em Resto qui. Uma história que tem muita relação com o nazismo e a guerra, dois temas que me são caros e que contribuíram para o meu encantamento com esta narrativa, porque aqui aparecem de uma perspectiva diferente da que costumamos encontrar.

“O nazismo era a maior vergonha e cedo ou tarde o mundo perceberia isso”

Apesar de estar na Itália, Curon é uma cidade que faz fronteira com a Suíça e a Áustria, tendo mais características alemãs que italianas propriamente ditas. Seus habitantes, por exemplo, falavam alemão, o que foi um grande problema à época de Mussolini, que obrigou toda a Itália a falar o italiano.

“Contudo o italiano e o alemão eram muros que continuavam a ser levantados. As línguas tinham se tornado marcas de raça. Os ditadores as tinham transformado em armas e declarações de guerra”

Tina, a narradora de Resto qui — assim como praticamente toda a população de Curon —, era uma pessoa de origem e hábitos humildes. Mas havia algo que unia esse povo: o sentimento de lar que a cidade gerava neles. E, por isso, eles lutaram até o fim contra a construção da represa que deixou toda a cidade submersa, restando apenas o campanário da igreja.

“Se nós formos embora, eles terão vencido”

O problema é que os habitantes de Curon não tinham apenas a diga para se preocupar: durante a guerra, tiveram de fazer escolhas nada fáceis.

Enquanto alguns voluntariamente se alistavam aos exércitos nazistas, outros, como o marido de Tina, preferiam desertar e, por isso, tiveram de fugir e viver escondidos.

“Era difícil aceitar, mas tudo havia ficado para trás. Eu deveria apenas não pensar mais nisso”

Resto qui é uma história real e necessária, que vai nos fazer refletir sobre nossas origens, o sentimento de pertencimento, o poder de uma língua, as dores da guerra e do distanciamento dos filhos.

“Era a minha dor secreta, sobre a qual não falavo com ninguém. Nem comigo mesma”

Dentre as tantas críticas que uma história como essa pode fazer, Resto qui ainda se encerra com uma interessante reflexão sobre a banalização turistica da história local.

“A vida era mais uma questão de afetos que de ideias”

O livro foi traduzido para o português, recebendo o título de Daqui não saio. No entanto, li o original, em italiano, e os trechos acima foram traduzidos por mim. Abaixo, deixo, na ordem usada ao longo desta resenha, os trechos tais quais li no livro.

“Ti racconterò invece della vita di noi, del nostro essere sopravvissuti. Ti dirò di quello che è successo qui a Curon. Nel paese che non c’è più”

“Non sai niente di me, eppure sai tanto perché sei mia figlia”

“Il nazismo era la vergogna piú grande e presto o tardi il mondo se ne sarebbe accorto”

“Invece l’italiano e il tedesco erano muri che continuavano ad alzarsi. Le lingue erano diventate marchi di razza. I dittatori le avevano trasformate in armi e dichiarazioni di guerra”

“Se ce ne andremo avranno vinto loro”

“Era difficile da accettare, ma tutto era alle spalle. Dovevo solo non pensarti piú”

“Era il mio dolore segreto, di cui non parlavo con nessuno. Nemmeno con me stessa”

“La vita era una questione di idee prima che di affetti”

É possível ler qualquer uma das versões em formato ebook, basta clicar na que você preferir abaixo: