A longa noite de Bê — Fernando Ferrone

Título: A longa noite de Bê 
Autor: Fernando Ferrone 
Editora: Publicação independente
Páginas: 348 
Ano: 2021

Muito mais que uma linda capa, A longa noite de Bê me conquistou pela sinopse, fazendo com que a obra descaradamente furasse a fila de livros por aqui.

“Acho muito legal isso de não falar sobre algo e esse algo não existir”

Devo dizer que a diagramação da obra (que li em formato físico) logo me conquistou também: é bem limpa e confortável de ler.

A narrativa realmente se passa durante uma única longa noite, mas boa parte do livro é composta de flashbacks que nos deixam a cada página mais curiosos para saber o que vem a seguir.

“Enfim, a gente é feliz quando é inocente”

Como não há um bem e um mal estabelecidos, eu fui lendo sem saber onde essa história poderia dar. E, definitivamente, não seria possível prever o fim, porque mesmo não esperando por algo em específico, há um plot twist (isso talvez soe estranho, mas lendo você provavelmente há de concordar comigo).

A história, aos nossos olhos, se constrói através de algumas vozes, que vão trazendo seus pontos de vista e suas informações. Parece haver mais pluralidade conforme nos aproximamos do final e isso também tem relação com o desfecho surpreendente.

“Porque viver é experimentar sensações diferentes. Viver é não se restringir àquilo que acham que é o melhor pra ti. Viver é descobrir do que você é capaz”

Uma das coisas que mais gostei enquanto lia foi ver o ambiente universitário ali retratado: sem glamour — assim como os próprios personagens não são nem um pouco glamourizados — nos deparamos com um ambiente cotidiano, palpável que, para quem conhece, quase se materializa diante dos olhos ao longo da leitura.

“Um cachorro sem dono entrou na sala de aula”

E olha que estou falando de uma realidade universitária bem distante da que eu vivi. Em A longa noite de Bê, os protagonistas — se é que podemos chamá-los, e somente a eles, assim — Bê, Rasta e Lila montam um laboratório amador para produzir e vender cocaína nas festas estudantis.

“O mundo da pesquisa científica também vivia de gambiarra”

Essa ação, que apesar dos pesares, apenas tinha como função ajudar financeiramente Bê, acaba desencadeado uma série de acontecimentos que nos levam à narrativa apresentada no livro, na qual também conhecemos alguns outros personagens para além desses três, que estão sempre no centro da narrativa (em especial Lila e Bê, sendo que este último já era de se esperar, pelo título da história).

“Mesmo que quem mais precisasse de ajuda naquele momento fosse ela”

Uma narrativa feita para ser saboreada e descoberta a cada linha, composta por personagens complexos, como o próprio Bê que, aos poucos, vai nos revelando traços que nos permitem compreender sua condição.

“Você não foi feito pra esse mundo mesmo, Bê”

É até difícil falar muito sobre essa história, para não correr o risco de estragar o prazer do leitor em descobrir cada reviravolta.

Contudo, também não posso deixar de mencionar como o autor conseguiu mesclar elementos de uma narrativa densa, misteriosa, com alusões e menções a elementos da cultura que nos circunda e abraça.

“Sabe aquela música? Ela era de leão e ele tinha dezesseis. Era bem isso mesmo. Só que a Lila não era de leão e você tinha já seus vinte”

Se você quer conhecer Bê, Rasta e Lila e descobrir como seus destinos se cruzam, descruzam e encontram-se de novo, não deixe de clicar aí embaixo ou garantir sua edição física nas tantas livrarias que o autor conseguiu disponibilizar sua obra. Para saber mais, não deixe de acompanhá-lo em suas redes sociais.

8 comentários em “A longa noite de Bê — Fernando Ferrone

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