À deriva — Fernando Ferrone

À deriva — Fernando Ferrone

Título: À deriva 
Autor: Fernando Ferrone 
Editora: Publicação Independente 
Páginas: 212  
Ano:  2017 (2º Edição)

Há livros que caem em nossas mãos e, por todo o seu conjunto, nos conquistam de tal maneira que só nos resta mergulhar na leitura e devorar cada página, até o fim.

“a gente fica tão preocupado com o fim das coisas. de repente, vai que não tem fim, né?”

Com À deriva foi assim. Depois de ter a honra de conhecer o autor Fernando Ferrone, e de ganhar um exemplar físico da obra, fui saboreando o prazer de observar os detalhes desta edição: a foto da capa, os elementos que remetem ao mar, a sinopse.

“existem várias maneiras de saber as coisas, né? e uma delas é saber de tudo, mas desconhecer as consequências. principalmente as consequências para os outros”

Iniciei a leitura nessa empolgação e, antes de continuar, não posso deixar de comentar uma estranheza que tive: as frases não são iniciadas com letra maiúscula. Estas, aliás, apenas são usadas nos nomes próprios. 

Passada esta primeira estranheza, porém, logo adentrei a história, sedenta por saber das aventuras e desventuras de Isabela.

“você me conheceu numa época muito estranha da minha vida”

É gostoso conhecer essa paulistana com a qual dificilmente não temos algo em comum: seja a insatisfação com o trabalho, o cansaço de viver em uma metrópole como São Paulo, o sentimento de solidão ou os conflitos familiares.

“você tem os seus problemas, e eles são grandes o suficiente para você ficar mal”

O interessante, contudo, é que nenhum desses assuntos está, sozinho, no foco da obra. Ao iniciarmos a leitura, aliás, já vemos que há muito mais, pois Isabela está mandando um áudio para seu ex, contando aquilo que tanto queremos descobrir: o que ela viveu em sua viagem.

“em retrospectiva, aquele deve ter sido o primeiro momento em que Isabela começou a terminar o namoro”

Para descansar um pouco de toda a agitação, Isabela decide passar um final de semana acampando em Trindade e, mesmo indo sozinha, ela acaba por conhecer pessoas que enriquecem as reflexões e confusões desta história, como os tão importantes personagens Caetano e Bruno.

“Isabela se inquieta, porque nessas horas lembra como, mesmo após seis meses, ainda se surpreende involuntariamente pensando no ex. apesar de tudo”

Estes dois, ao lado de Isabela, compõem o cerne da narrativa, mas há outros personagens que igualmente enriquecem a narrativa e o principal dela: a vontade de encontrar respostas e a dificuldade que temos de encontrá-las, mesmo quando elas estão bem embaixo do nosso nariz.

Devo confessar que fiquei admirada com o quanto Isabela realmente entregou-se à aventura que resolveu viver, conversando com estranhos (realmente estranhos) sem o menor medo ou desconfiança. Cheguei até a me questionar como uma pessoa sai de São Paulo e aceita caronas e conselhos de pessoas semi desconhecidas!

Por mais estranhos que alguns personagens sejam, devo admitir que conforme eu lia o livro, sempre me lembrava de algum conhecido por um ou outro motivo. Ou seja, esta é uma história que realmente nos faz sentir conectados e, assim, ela flui muito facilmente. A linguagem empregada também ajuda bastante para que a leitura embale e não nos deixa tão perdidos diante da temporalidade não linear da narrativa.

Eu poderia ainda comentar muitos outros aspectos deste livro, mas como já fiquei quase uma hora na Livraria Ponta de Lança batendo um papo com o Fernando sobre À deriva e A longa noite de Bê, deixo para os mais curioso o link deste encontro e convido a todos a seguir o autor nas redes sociais (Instagram) e, claro, garantir o seu exemplar desta obra:

Se gostou, comente aqui (;

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s