Citações #50 — Laços Divergentes

Depois da resenha de Laços Divergentes, da autora Michele Meneses, trago aqui alguns trechos que separei durante a leitura, mas que acabei não inserindo no meu post anterior.

Vale lembrar que a obra nos apresenta a Amtullah, uma jovem iraquiana que vem fazer um intercâmbio no Brasil.

“Uma coisa é certa: esse intercâmbio me fará voltar pra casa uma quantidade incontável de vezes mais sentimental que já fui em toda a minha vida”

Para além deste grande tema, contudo, a obra também fala sobre outros assuntos importantes, como os caminhos que decidimos percorrer em nossas vidas e o quanto as escolhas que temos de fazer nos afetam.

“Quando pensava no futuro, nada parecia ser o que desejava”

Ou então sobre a necessidade de valorizamos melhor aquilo que temos de mais importante em nossas vidas: o tempo.

“A vida nem sempre é perfeita com as pessoas que convivemos, mas, com o tempo tão escasso que teremos ao seu lado, não podemos nos dar ao luxo de prolongar dias ruins”

Como não poderia deixar de ser — e isso provavelmente já até ficou claro —, esta é uma história recheada dos mais variados sentimentos.

“Eu nunca o tinha visto chorar, mas, naquele instante, uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto e me fez desmontar por dentro. Ele também sofria”

E ainda conta com uma pitada necessária e gostosa de romance.

“Talvez, muita gente nem saiba que, vez ou outra, um grande amor pode ser vivido sem nem ser revelado”

Por fim, dando um toque especial à narrativa, temos o fato da protagonista ser uma garota como nós, real, cheia de sonhos, desejos, angústias e necessidades.

“Eu não sou alguém vaidosa, mas há momentos em que uma garota precisa de certas palavras para se sentir bem consigo mesma”

Se quiser ler esta obra, clique abaixo. Além de garantir o seu exemplar, você ainda contribui para o Blog das Tatianices (sem pagar nada a mais por isso).

À deriva — Fernando Ferrone

À deriva — Fernando Ferrone

Título: À deriva 
Autor: Fernando Ferrone 
Editora: Publicação Independente 
Páginas: 212  
Ano:  2017 (2º Edição)

Há livros que caem em nossas mãos e, por todo o seu conjunto, nos conquistam de tal maneira que só nos resta mergulhar na leitura e devorar cada página, até o fim.

“a gente fica tão preocupado com o fim das coisas. de repente, vai que não tem fim, né?”

Com À deriva foi assim. Depois de ter a honra de conhecer o autor Fernando Ferrone, e de ganhar um exemplar físico da obra, fui saboreando o prazer de observar os detalhes desta edição: a foto da capa, os elementos que remetem ao mar, a sinopse.

“existem várias maneiras de saber as coisas, né? e uma delas é saber de tudo, mas desconhecer as consequências. principalmente as consequências para os outros”

Iniciei a leitura nessa empolgação e, antes de continuar, não posso deixar de comentar uma estranheza que tive: as frases não são iniciadas com letra maiúscula. Estas, aliás, apenas são usadas nos nomes próprios. 

Passada esta primeira estranheza, porém, logo adentrei a história, sedenta por saber das aventuras e desventuras de Isabela.

“você me conheceu numa época muito estranha da minha vida”

É gostoso conhecer essa paulistana com a qual dificilmente não temos algo em comum: seja a insatisfação com o trabalho, o cansaço de viver em uma metrópole como São Paulo, o sentimento de solidão ou os conflitos familiares.

“você tem os seus problemas, e eles são grandes o suficiente para você ficar mal”

O interessante, contudo, é que nenhum desses assuntos está, sozinho, no foco da obra. Ao iniciarmos a leitura, aliás, já vemos que há muito mais, pois Isabela está mandando um áudio para seu ex, contando aquilo que tanto queremos descobrir: o que ela viveu em sua viagem.

“em retrospectiva, aquele deve ter sido o primeiro momento em que Isabela começou a terminar o namoro”

Para descansar um pouco de toda a agitação, Isabela decide passar um final de semana acampando em Trindade e, mesmo indo sozinha, ela acaba por conhecer pessoas que enriquecem as reflexões e confusões desta história, como os tão importantes personagens Caetano e Bruno.

“Isabela se inquieta, porque nessas horas lembra como, mesmo após seis meses, ainda se surpreende involuntariamente pensando no ex. apesar de tudo”

Estes dois, ao lado de Isabela, compõem o cerne da narrativa, mas há outros personagens que igualmente enriquecem a narrativa e o principal dela: a vontade de encontrar respostas e a dificuldade que temos de encontrá-las, mesmo quando elas estão bem embaixo do nosso nariz.

Devo confessar que fiquei admirada com o quanto Isabela realmente entregou-se à aventura que resolveu viver, conversando com estranhos (realmente estranhos) sem o menor medo ou desconfiança. Cheguei até a me questionar como uma pessoa sai de São Paulo e aceita caronas e conselhos de pessoas semi desconhecidas!

Por mais estranhos que alguns personagens sejam, devo admitir que conforme eu lia o livro, sempre me lembrava de algum conhecido por um ou outro motivo. Ou seja, esta é uma história que realmente nos faz sentir conectados e, assim, ela flui muito facilmente. A linguagem empregada também ajuda bastante para que a leitura embale e não nos deixa tão perdidos diante da temporalidade não linear da narrativa.

Eu poderia ainda comentar muitos outros aspectos deste livro, mas como já fiquei quase uma hora na Livraria Ponta de Lança batendo um papo com o Fernando sobre À deriva e A longa noite de Bê, deixo para os mais curioso o link deste encontro e convido a todos a seguir o autor nas redes sociais (Instagram) e, claro, garantir o seu exemplar desta obra:

A ruiva ao lado — Taynara Melo

Título: A ruiva ao lado 
Autora: Taynara Melo 
Editora: Publicação Independente 
Páginas: 78  
Ano: 2021 (2º edição)

A ruiva ao lado é uma obra razoavelmente curta e, por isso, rápida de ler. Além disso, um dos principais plots da narrativa está colocado logo no início, mas, mesmo assim, o mistério perdura por toda a obra.

“Já vi aquele olhar. Mas não me lembro em quem”

Celine tem 32 anos e ainda carrega consigo a dor de ter sido abandonada pela mãe aos 10 anos de idade, tendo crescido apenas com o pai, alcoólatra.

“Até hoje sinto que a minha felicidade foi embora com minha mãe, no dia que ela partiu”

Apesar de tantos percalços, Celine conseguiu construir sua vida e, ao contrário da mãe, jamais abandonou o pai, mesmo diante da dificuldade e da tristeza de conviver sob o mesmo teto que alguém com um vício tão complicado e destrutivo quanto o álcool.

“Nesse exato momento, ele está na reunião do AA. Fico feliz por ele estar se empenhando. No mês anterior, ele havia completado quatro anos de sobriedade. Aquilo, para ele, era uma vitória diária. E eu estava orgulhosa dele”

Mas claro que, quando as coisas começam a se ajeitar, a vida vem e traz novas surpresas e desafios.

“Só quero seguir em frente, sem esse drama à minha volta”

Voltando de um delicioso final de semana com as amigas, Celine conhece Laura, a ruiva que pede para sentar ao seu lado no ônibus.

Desse momento, nasce uma linda e surpreende relação. Um elo que não é sempre que conseguimos criar em tão pouco tempo.

Mas é também por causa desse momento que todo o passado de Celine vem à tona e sua vida vira um caos.

A ruiva ao lado é, portanto, uma história que fala sobre abandono, alcoolismo, depressão e, acima de tudo, perdão.

“Compreendi que o perdão deve ser dado de coração”

Se quiser realizar esta leitura, prepare-se para encontrar sentimentos intensos e, claro, para chorar. Clique aí embaixo para saber mais e não deixe de seguir a autora nas redes sociais (Twitter e Instagram) para conhecer esta e suas demais obras.

Garoto conhece garoto — Leblon Carter

Título: Garoto conhece garoto 
Autor: Leblon Carter 
Editora: Publicação Independente 
Páginas: 21
Ano: 2021 

Acho que todos nós, cedo ou tarde, nos deparamos com um momento em que buscamos uma leitura gostosa, mas rápida e leve. E é exatamente isso que encontramos em Garoto conhece garoto.

O contexto é bem simples e, por si só, poderia render os mais diferentes tipos de história: uma excursão para um parque de diversões.

O foco porém — como não poderia deixar de ser em um conto — está em um momento específico: quando quebra a roda gigante em que Bruno está. 

“Só aconteceu. De forma natural”

Aqui, porém, sinto-me na obrigação de fazer alguns esclarecimentos: 

1°: Bruno estava morrendo de medo de ir em tal brinquedo.

2°: Bruno estava na fila com seu amigo — que era quem realmente queria ir ao brinquedo —, mas este sentiu uma enorme vontade de ir ao banheiro, deixando o amigo em pânico e sozinho.

Claro que esses acontecimentos eram necessários para que, mesmo quase tendo um treco, Bruno entrasse na roda-gigante e dividisse a cabine com um desconhecido. O que, no final das contas, não foi tão ruim assim…

“Nós ficamos com as mãos uma por cima da outra durante uns dois minutos antes que surgisse um outro assunto”

Ficou com vontade de conhecer e ler esse conto romântico, fofinho e curtinho? Então clique abaixo para saber mais e não deixe de seguir o autor em suas redes sociais (Twitter e Instagram).

Uma noite inesquecível — Adrielli Almeida

Título: Uma noite inesquecível 
Autora: Adrielli Almeida 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 70 
Ano: 2021

Um começo inusitado, que esconde uma história que poderia ser como tantas outras, mas que tem muitos detalhes que a tornam única. É assim que adentramos Uma noite inesquecível, cujo honesto título já nos adianta que os acontecimentos têm uma breve duração.

Passadas as primeiras páginas, somos apresentados a Darin Moon.

“Darin era o tipo de garoto feito na medida certa. Bonito, mas não a ponto de ser obsceno. Inteligente, mas não a ponto de ser uma enciclopédia irritante. Gostava da namorada, mas não a ponto de ser apaixonado por ela”

O jovem, acostumado a ter do bom e do melhor, não esperava que tudo pudesse desandar justamente no dia do seu baile de formatura: o término de seu namoro, intrusos na festa que fora planejada por tanto tempo e com tanto cuidado, uma briga… E daí para pior (sim, sempre pode piorar!).

“Darin pensou que tudo estava fadado a dar terrivelmente errado. Sua noite, sua vida, a droga da sua experiência como colegial”

Em paralelo a esse caos, também vamos conhecendo Camilo Dantas, um garoto bem diferente de Darin.

“Camilo Dantas gostava de acreditar em milagres”

A vida deles talvez nunca tivesse se cruzado, se não fossem justamente os infortúnios que tiram a paz de Darin. Às vezes, no olho do furacão, a gente não consegue perceber que as coisas precisam dar errado antes de darem certo (ou não).

“Ele sabia que era uma péssima ideia desde o começo, mas, às vezes, a gente precisa ver tudo dar errado para entender que… daria errado para um caralho”

Darin e Camilo acabam se aproximando e vivendo uma noite inesquecível, regida por um envelope vermelho vindo sabe-se lá de onde (nós talvez saibamos).

“Ele não deveria mesmo estar ali. (Mas agora estava.)”

A escrita desta narrativa é tão marcante que é impossível não ser contaminado por ela e se você leu (ou se resolver ler) a história, perceberá as influências nesta resenha. Isso sem falar no tom poético, que mescla elementos da natureza e sensações, trazendo uma sinestesia muito forte para a leitura.

“Acho que se apaixonar é diferente para cada um. Para mim, é como… É como… Pular em uma cama elástica em um dia de chuva”

E além de falar sobre diferenças, aventuras e descobertas, Uma noite inesquecível também fala sobre relacionamentos, família e vivências.

“Os dois primos trocaram um olhar cheio de significado e de mensagens que só pessoas que crescem juntas conseguem desenvolver com o passar do tempo”

Uma leitura extremamente rápida e prazerosa, que você também pode realizar clicando aí embaixo.

Citações #46 — Proibida pra mim

Costumo ter em mente que um dos indicadores de que eu amei um livro é a quantidade de trechos dele com os quais me identifico ou que chamam a minha atenção.

Ainda assim, estou totalmente surpresa com o tanto de quotes de Proibida pra mim, da Tayana Alvez, que tenho para trazer aqui. Provavelmente deixarei alguns de fora, porque é realmente muita coisa. Mas não era para menos: o livro é realmente ótimo, além de relativamente extenso.

“E, pela primeira vez em anos, isso lhe traz esperança em vez de a assustar”

Na resenha, comecei destacando Lavínia, a protagonista desta obra. Mesmo assim, muitas coisas ficaram de fora, então aqui vão alguns trechinhos a mais para conhecê-la melhor, ressaltando o fato dela tentar ser fria e forte, mas, ainda assim, não conseguir lutar e acreditar em coisas boas para si.

“É, você tem um pedacinho de coração em algum lugar aí”

“— Quando a Lavínia precisa de alguém, não é porque ela está machucada, é porque ela quebrou, Mandy”

“Eu gostaria que você lutasse mais pelas coisas, minha filha”

Também mencionei como é difícil não se identificar em alguma medida com esse furacão chamado Lavínia.

“Lavínia traz uma cor diferente à sua vida, e o que mais o surpreende é que, antes dela chegar, ele nem tinha percebido o quão preto e branco era”

“Só alguém que guarda todos os pesos do próprio mundo consegue ler outra pessoa na mesma situação com facilidade”

“Cair, agora, seria mais do que o fim de um amor, seria o fim de todas as pontes que ela construiu, de todas as permissões que ela deu a si mesma, e ela não se sente nem um pouco preparada para isso”

“Os primeiros meses do ano sugaram toda a sua energia vital e, agora, ela precisa de calmaria e solidão para recarregar suas baterias”

Como boa apaixonada por romances que sou, não poderia de ter amado esse livro pela boa dose de sentimentos e reflexões sobre o amor que ele carrega.

“Beijar Lavínia era como saltar de paraquedas para um viciado em adrenalina, e ele poderia fazer aquilo por horas”

“Ah, pelo que ele fala as coisas não deram certo; mas pelo que ela fala, eles estudavam juntos, se apaixonaram e viveram um grande amor… Até que acabou”

“Uma mulher muito sábia disse um dia que um amor verdadeiro não precisa ser o único. Que um amor verdadeiro significa amar de coração, amar por inteiro”

O amor resiste a muita coisa, minha filha, mas se tem uma coisa que o amor é incapaz de superar é um ego”

“Amar é uma coisa esquisita. Você não controla nada do que sente nem do que pensa. E, por mais que essa sensação ainda incomode Lavínia, não há mais nada que ela possa fazer agora”

“Se o coração de Daniel estivesse inteiro, ele teria se partido com essas palavras”

“Nada nela é apenas dela agora, e isso é desesperador”

“Amar uma pessoa e não poder estar com ela é pior do que não amar ninguém”

Devo admitir, porém, que o que torna esta obra tão sensacional são os tapas na cara (sutis ou não) que ela nos dá.

“E você está se formando aos vinte e quatro, tendo conhecido doze países. Acho que você está em vantagem, embora a vida não seja uma competição”

Quando você opta por ser um pai ausente durante anos, a sensação é de que você vai estar sempre em falta, o que é, além de uma sensação, uma verdade”

“Quero que sejamos honestos um com o outro, sobre tudo, mesmo sobre o que você não consegue sentir”

“Porque nem todos os amores são eternos”

“— Não é porque a sociedade decide que existem idades para fazer as coisas que essas idades são reais, tá bem?”

“Talvez a gente tenha se apegado à pessoa errada e virado as costas para quem estava gritando por socorro. — E assim você acaba de definir a adolescência”

Mas o melhor de tudo é pegar esses quotes e perceber como alguns que já faziam sentido, podem fazer ainda mais com o tempo.

“Contudo, ainda que o coração dissesse o tempo inteiro que ela precisava se manter firme em suas decisões, quando se escolhe priorizar os desejos daqueles que se ama, sofrer ao ver tudo dar errado é uma das possibilidades mais reais”

E, para encerrar, algo para nunca nos esquecermos:

“Todo mundo está passando pelo próprio processo e enfrentando os próprios preconceitos, não dá para a gente exigir que os outros tenham a nossa mesma maturidade”

Algum trecho despertou sua curiosidade? Então não deixe de ler o livro inteiro e encontrar as suas próprias passagens preferidas.

Laços divergentes — Michele Meneses

Título: Laços divergentes
Autora: Michele Meneses
Editora: Publicação independente
Páginas: 171
Ano: 2021

O quanto você sabe sobre islamismo?

Reconheço que sei muito pouco e, por isso, a capa e a sinopse de Laços divergentes logo despertou minha curiosidade.

“Aquela frase foi o ápice. Podia ser apenas um comentário engraçado para elas, mas não pra mim. Desde quando o Islã se tornou sinônimo de terrorismo?”

A história é narrada por Amtullah, uma jovem que vive no Iraque com sua família, mas que tem o grande sonho de fazer um intercâmbio para o Brasil, mesmo que isso seja um absurdo para seu pai.

“Que tipo de amiga eu seria se quisesse te impedir de realizar um dos seus maiores desejos ao invés de te ajudar?”

Amtullah, no entanto, está decidida em seus desejos e consegue realizar esse grande sonho. E eu estava muito empolgada de ver como essa garota se sairia em nossa terra, principalmente pensando nas tantas diferenças que encontraria por aqui.

“Mais uma das experiências singulares que eu jamais teria vivido se não tivesse persistido no meu grande sonho”

Um pouco depois de Amtullah chegar ao Brasil, porém, a história toma um rumo que eu, confesso, não esperava. E, infelizmente, acabei me decepcionando um pouco com essa reviravolta, porque não encontrei o que esperava e ainda fiquei com um certo pé atrás, uma vez que, devido ao meu desconhecimento, não sei o quanto essa narrativa pode ou não gerar algum tipo de desconforto com relação às fés ali envolvidas.

“As pessoas mudam. Esse não é o lugar à que meu novo eu pertence”

No geral, porém, gostei de realizar esta leitura. Até leria uma continuação, caso existisse.

A escrita é leve, positiva e aborda não apenas a questão do intercâmbio, das diferenças culturais e religiosas, mas também da amizade, da família e da necessidade de buscarmos aquilo que nos torna felizes.

“Saudade, medo, insegurança… Tudo parecia se misturar dentro de mim”

Para católicos ou para quem tem curiosidade sobre a bíblia, também há diversas passagens desta e algumas opções de interpretação, então pode ser uma forma de iniciar este percurso que, certamente, não é dos mais fáceis.

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Não precisamos dele — Taynara Melo

Título: Não precisamos dele
Autora: Taynara Melo
Editora: Publicação independente
Páginas: 114
Ano: 2021

Não precisamos dele é um livro narrado por duas personagens femininas que estão se (re)descobrindo, (re)erguendo e aprendendo a viver em suas próprias companhias.

“Precisei perder você para me encontrar. Precisei relembrar todas as suas falas para me amar. Precisei criar coragem para avançar”

De um lado temos Miranda Karpi, uma jovem que, no início do livro, nos revela não ter concluído seus estudos e que, por isso, vive às custas do namorado.

Quer dizer: vivia.

Ao anunciar uma gravidez não planejada, tudo vai por água abaixo e, sozinha, Miranda precisa encontrar um rumo na vida para dar ao bebê que está por vir tudo o que for necessário.

“A mulher é capaz de transformar uma casa em um lar, independentemente se esse lar é composto por um homem ou não”

De outro lado, temos Anna Veloso, casada, médica ginecologista, mãe de um garotinho de 6 anos. Uma vida que poderia ser perfeita, não fosse o casamento, que vai de mal a pior.

“— Às vezes, precisamos levar várias porradas da vida para compreender uma coisa simples como essa”

Muito mais que o fato de serem mulheres que precisam se reencontrar, essas duas personagens, mesmo tão diferentes, têm muito em comum. E, claro, suas vidas acabam se cruzando.

“Foi preciso uma amante aparecer na minha porta para abrir meus olhos e eu criar coragem para recomeçar”

A leitura de Não precisamos dele é rápida e cheia de temas importantes e reflexões necessárias. Uma obra que fala sobre amor próprio, feminismo, empoderamento, amizade, traição, paternidade e até mesmo violência doméstica e suicídio.

“Se eu não me respeitar, então quem vai?”

Trata-se de um livro necessário, retratando mulheres que eu só não direi que são reais porque elas possuem uma maturidade que talvez a maioria de nós ainda precisa trabalhar muito para alcançar. Mas ler Não precisamos dele pode ser uma forma de nos fazer entender isso.

“A inteligência emocional é resultado de muito treino, assim como qualquer outra competência”

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O natal do irlandês — Tayana Alvez

Título: O natal do irlandês
Autora: Tayana Alvez
Editora: publicação independente
Páginas: 95
Ano: 2020

Já que a minha primeira leitura concluída em 2021 foi O casamento, nada mais justo que fechar as resenhas do ano com O natal do irlandês, que além de tudo vem bem a calhar para esta semana, não é mesmo? Só deixando claro, porém, esta é a última resenha do ano, mas não o último post! Ainda nos vemos por aqui, hein.

Foi muito bom rever esse casal que ainda tem os seus altos e baixos, suas doses de realidade e seu enorme poder de nos deixar de coração quentinho. Uma dupla que segue firme na terapia, mas que também amadurece e aprende muito em conjunto. E, sem dúvidas, com um Robert que ainda ultrapassa alguns limites.

“Não acredito que pago essa mulher para desgraçar minha cabeça”

Não só por ser um conto, mas também pela escrita da autora e pela leveza da história — apesar de um ou outro momento de tensão que não poderia ficar de fora —, este é um livro que você consegue ler rapidinho e que vai te deixar ainda mais no clima natalino, mesmo que ele retrate um natal atípico: aquele que passamos em 2020, quando a pandemia continuava bem complicada (e vale lembrar: ela ainda não acabou!).

“Julie está arrumando a cozinha, por isso, desço as escadas para encontrá-la e a cada degrau, percebo que ser um bom homem para a mulher que Julie é para mim não é sobre dependência emocional ou medos e anseios, é sobre valorizar o time perfeito que formamos juntos”

Uma coisa que me surpreendeu neste conto foi que além dele ter me permitido matar a saudade de personagens tão especiais como Julie, Robert e as meninas, ele também me deixou morrendo de vontade de entender melhor quem é o Conor e como ele e a Mari estão. Ou seja: estou ansiosamente no aguardo do livro que contará a história deste outro irlandês…

Se você veio aqui em busca de uma indicação de leitura para o natal, posso te dizer que encontrou! Não deixe de ler O natal do irlandês e aproveitar as festas! Ah, e como agora não é mais possível adquirir apenas o conto, mas o box completo da duologia, já garanta boas leituras para os próximos dias!

Para o garoto que já tem tudo — Leblon Carter

Título: Para o garoto que já tem tudo
Autor: Leblon Carter
Editora: Publicação Independente
Páginas: 49
Ano: 2021

O Natal está batendo à porta e — juro! — por coincidência a resenha de hoje é justamente sobre um conto natalino que, aliás, li sem sequer imaginar que tinha relação com a temática (como eu conhecia o autor, peguei sem nem ler a sinopse, confesso, até porque o título já tinha chamado a minha atenção).

Você costuma fazer desejos nesta época? Não só de metas para o ano que está por vir, mas também de coisas que gostaria de ter ou alcançar? Pois aqui vai um lembrete sempre válido: cuidado com o que você deseja! Mas o que isso tem a ver o conto? Calma que eu te explico.

“‘Quando acreditar que tudo está perdido e ao seu redor só há escuridão, olhe mais fundo. Talvez a luz que procure esteja dentro de você. E, mesmo que não esteja, não se preocupe. Não se precisa de luzes quando se é uma estrela’”

Emílio (ou Milo) é o garoto que já tem tudo. Ou quase. Ele mora em uma casa de quatro andares e todo dia seu motorista vai buscá-lo — dirigindo uma limusine — na escola caríssima em que estuda.

“Lembram quando falei sobre o número de andares representar superioridade? Então…minha casa tem quatro. A maior de todo o bairro. Mas não é por superioridade. Minha mãe diz que, para pessoas pretas, quatro andares é a mesma coisa que dois para pessoas brancas. Ou seja, não estamos no topo. Estamos igualados. Mesmo que igualdade seja bem controversa hoje em dia”

Mas já diria aquele velho ditado: dinheiro não é tudo na vida. E Milo sabe que está bem longe de ter tudo. Ao menos tudo o que deseja. Na escola, por exemplo, ele e seu melhor amigo, Yong Soon, são excluídos, sendo vítimas de racismo, xenofobia, bullying.

“Ei, Pastel de Flango! – o tom debochado de sua voz nos fez criar uma expressão de antipatia e constrangimento. – Você vai conseguir entregar aquela “coisa” – sussurrou bem próximo ao Yong”

Além disso, Milo — e todo o resto de sua classe — é apaixonado por Maria, que o despreza. Mas isso não o impede de fazer o possível para tirá-la no amigo secreto de final de ano e, assim, poder presenteá-la.

E engana-se quem pensa que a falta do amor de Maria é o único que machuca nosso protagonista: ele também se sente muito sozinho em casa, tendo pais extremamente ausentes, mas que também querem determinar para ele um futuro que talvez não seja exatamente o que ele deseja.

“Às vezes pode parecer que eu sou o garoto que já tem tudo: móveis lustrados, limusines espaçosas e uma casa gigantesca. Mas, quando vejo momentos iguais esse da foto do Yong com a mãe, é como se eu não tivesse nada. A simplicidade parecia me atrair mais”

E foi em uma noite solitária e reflexiva que Milo viu uma estrela cadente e fez o seu pedido. Um pedido que mudou o seu dia seguinte, trazendo revelações que ele não poderia esperar.

“Um vislumbre azulado surgiu no céu. Estrela cadente; pensei. A primeira vez em que via uma com meus próprios olhos. Normalmente deveríamos fazer um pedido. Desejar algo que nosso coração sempre ansiou, mas nunca teve”

A leitura desse conto é super rápida e envolvente. A cada página que viramos fica aquele gostinho bom de “o que mais será que está por vir?”. E os personagens cativam, deixando a história ainda mais emocionante.

“As pessoas costumavam sorrir somente pelos lábios, mas ele não”

Se você já está em clima natalino ou se preparando para entrar, recomendo esse conto. Uma história com representatividade, para esquentar nossos corações e também nos fazer refletir.