Better than revenge — Tayana Alvez

Título: Better than revenge 
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 482
Ano: 2023 

Sinopse

Fã e Ídolo – Age Gap – Vingança – Haters to Lovers

Aqui vai uma notícia sobre anéis de papel: eles são frágeis e ingratos — não resistem ao fogo, à água ou a mentiras.

Multicampeã do cenário automobilístico, Alyson Sawyer precisa agora se provar digna das pistas de Fórmula 1. Com uma boa relação com o chefe e uma equipe preparada para o campeonato, não deveria ser tão difícil — se não fosse pela existência de Juan Hernandez, seu companheiro de equipe e uma parte crucial de um passado que ela gostaria de manter morto e enterrado.

Focado em conquistar o seu tricampeonato, Juan não contava que a presença de Alyson – por quem ele jurava de pé junto nutrir apenas ódio e desinteresse – fosse o desestabilizar tanto. Atormentado pelas lembranças do passado e por sentimentos conflitantes, Juan está disposto a fazer o necessário para se vingar da “Mentirosa Desgraçada” que quase acabou com sua carreira seis anos antes — Alyson, no entanto, não está disposta a tornar isso fácil.

Convivendo como fogo e gasolina, e prestes a entrar em combustão em meio a uma temporada eletrizante, a disputa entre os dois deixará as pistas e alcançará espaços que deveriam manter-se esquecidos, reacendendo uma chama que os fará questionar se existe algum sentimento mais forte do que o desejo de vingança.

Resenha

Para fãs de Taylor Swift e/ou de Fórmula 1, este livro é um prato cheio. Mas se você, assim como eu, não liga muito para uma coisa nem outra, não se preocupe: este livro também pode ser para você.

“E bem, na minha história, eu sou a vilã”

O livro se passa no presente e no passado e é narrado de maneira alternada, em primeira pessoa, pelos dois protagonistas: Alyson e Juan.

“Esse é o ponto engraçado sobre as memórias, você nunca se lembra das coisas que aconteceram, só se lembra de como acredita que elas aconteceram”

Já no prólogo, conhecemos a Alyson do presente e descobrimos que desde a adolescência ela sonha em pilotar carros de Fórmula 1. E que aquele é o momento dela realizar o seu quase impossível — e a história nos mostra todos os porquês — sonho.

“Vou ser a primeira mulher a pilotar um carro realmente competitivo de Fórmula 1”

Em seguida, temos a oportunidade de conhecer um pouco do Juan de hoje. E então fica ainda mais evidente um detalhe: ele e Alyson têm algum problema um com o outro e essa história não é de hoje.

“Não existe ‘um passado’ quando se trata de vocês. Nem aqui. Nem lá fora. E, principalmente, não para a mídia”

É claro que queremos muito entender o que aconteceu no tal passado desses dois, mas também é evidente que a autora não nos entregaria essa informação de bandeja.

“Por mais que eu saiba que algo está acontecendo dentro de mim, não vou deixar Alyson me quebrar de novo. Ainda assim, talvez ela mereça saber”

De qualquer forma, a leitura nos enfeitiça não apenas por esse detalhe, mas também por ser — como sempre — maravilhosa. Leve e tensa na medida certa. Cheia de altos e baixos, de sentimentos, de detalhes que surpreendem. 

“Você não pode ter amigos na Fórmula 1 e não pode contar com ninguém de dentro do esporte, nem mesmo com o seu chefe”

As informações que tanto queremos nos vão sendo dadas aos poucos e o quebra-cabeça, pouco a pouco, vai se formando diante de nós. Além disso, é muito interessante como, quando recebemos uma resposta, milhares de outras questões se formam e não nos resta alternativa a não ser seguir lendo.

“Relembrar esse momento, esse pedacinho de vida tão mágico e tão meu, traz à tona aquela ínfima parte de mim que nunca vai se arrepender de ter se apaixonado por ele, e isso dói”

As músicas da Taylor não estão ali meramente para abrir os capítulos: elas fazem parte da narrativa construída e são uma parte importante da Alyson também.

“Minha coisa favorita sobre Alyson Sawyer é como ela me trouxe de volta à vida”

Por falar na Alyson, apesar de ser uma pessoa toda cheia de luz, toda iluminada e toda conquistadora de seus sonhos, ela ainda é um ser humano como qualquer outro e comete erros. Inclusive aquele de seis anos antes.

“Das três pessoas sentadas ali, eu era a última a querer pensar no que aconteceu naquele inverno”

Contrariando muitas expectativas, Juan, apesar de ser o bad boy da história, é a pessoa que, nesta narrativa, erra, mas também sofre imensamente com os erros dos outros. O cara com um coração imenso, com uma família linda, com sonhos fofos.

“Porque bad boys até superam, mas não perdoam”

E assim vamos nos apegando a esses dois que, cada um a seu modo, são encantadores, reais e inesquecíveis.

“Me odeio pelo dia que o deixei entrar na minha cabeça, no meu coração, no meu corpo”

Com eles, viajamos por diversos circuitos de Fórmula 1 e aprendemos um pouco mais sobre o funcionamento desse universo, sobre suas dificuldades e também sobre suas alegrias.

“Estar aqui é um sonho, porque a gente sempre é incentivado a chegar aqui”

Claro que a Alyson também nos faz refletir sobre a presença feminina em esportes automobilísticos, ainda tão dominados pelo machismo.

“Onde homens dominam, caras medíocres valem mais do que mulheres incríveis”

E sobre sonhos e suas realizações.

“O que você diria para um jovem que tem um sonho muito maior do que as perspectivas permitem?”

Por outro lado, Juan tem muito a nos mostrar sobre vulnerabilidade.

“Preciso não estar sozinho agora. Não ser a única pessoa no mundo que sofre ou carrega uma dor”

E sobre as mais diferentes formas de amar.

“Mas ela não faz ideia do quão insuportável é se esforçar para odiar alguém que você já amou”

A diagramação da obra torna a obra ainda melhor: ela é simples, mas pensada em cada detalhe e possibilitando uma legibilidade confortável e agradável.

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A vingança é verde esmeralda — Renata De Luca

Título: A vingança é verde esmeralda 
Autora: Renata De Luca
Editora: Publicação independente
Páginas: 240
Ano: 2023

Sinopse

“Eu morri! Por isso, vocês estão assistindo a este vídeo. E não tenho dúvida, embora não possa provar, de que fui assassinada pelo meu marido.”

A mulher que acusa o marido de feminicídio é a Princesa Nabilah, jovem esposa do bilionário Sheik Raed. O vídeo viraliza na internet e se transforma num escândalo planetário.

Mas onde está o corpo? E se ela não morreu, como e por que sumiu levando uma esmeralda rara? A busca por Nabilah — viva ou morta — e pela joia valiosíssima é o fio condutor da história que tem como pano de fundo a violência contra a mulher.

Raed, o marido poderoso, nega as acusações, diz que é vítima da mente doentia da esposa. Jamile, tia da Princesa, tenta provar o contrário. Para isso, se une ao detetive Michel Blum (que está de olho na esmeralda) e Simone, influencer com milhões de seguidores.

A trama viaja pelo Oriente Médio, Europa e Brasil num enredo cheio de reviravoltas, em que os personagens usam a imprensa e as redes sociais para criar fatos e desenvolver estratégias.

Resenha

Você já ouviu falar na Estrela do Cerrado?

Trata-se de uma jóia raríssima e extremamente cobiçada, que pertencia a Luli de Almeida Leal, até o seu roubo milionário, contado nesta história aqui, que se passa no Carnaval de 2014.

Em A vingança é verde esmeralda, a tal joia entra em cena novamente, numa narrativa ainda mais eletrizante, que envolve a fuga de uma princesa, a acusação de violências cometidas por um sheik e muita sede por justiça.

“O Sheik não seria eternamente dono da minha vida e, muito menos, senhor da minha morte”

Logo no início desta narrativa ficamos sabendo que a princesa Nabilah fugiu de seu marido, o sheik Raed. E ainda lançou um vídeo bombástico que o acusa de mata-la, após toda a violência já sofrida durante o casamento deles.

“Era melhor arriscar ser pega do que aceitar morrer em vida, um pouquinho a cada dia”

Assim que descobre a fuga, Raed e Khalil — seu primo, chefe de guarda e fiel escudeiro — iniciam as buscas por Nabilah — viva ou morta —, para que toda essa história acabe e o sheik recupere o seu status (e a sua tão preciosa joia). 

Mas os dois jamais poderiam imaginar que Nabilah e sua tia Jamile seriam capazes de uma fuga tão bem arquitetada e que, mais ainda, elas encontrariam pelo caminho pessoas dispostas a salvá-las da garra do sheik.

“A cada dia que passa Raed fica mais perplexo com o nível de sofisticação da esposa vingativa”

É assim que entram em cena, aos poucos, personagens conhecidos a quem já leu A estrela do Cerrado.

“É incrível como a Estrela do Cerrado acaba sempre cruzando o seu caminho num emaranhado de coincidências e mulheres extraordinárias”

Em A vingança é verde esmeralda reencontramos Simone, Michel, Jean-Luis, Danilo e outros tantos personagens, cuja aparição aqui não será muito detalhada para evitar spoilers.

“O fato é que o limite entre informação relevante ou não se estreitou bastante”

As aventuras e desventuras desta narrativa nos levam a alguns países europeus, ao Oriente Médio e, claro, ao Brasil

“— Às vezes as coisas ficam nebulosas, incompreensíveis mesmo. Mas nem por isso devemos abandonar o nosso caminho”

Numa trama repleta de altos e baixos, é difícil não ficar com o coração na mão: a história coloca em evidência assuntos como a violência sofrida por tantas mulheres, a ganância do ser humano e também alguns assustadores momentos do início da pandemia do coronavirus.

“Esse é um dos muitos problemas dessa doença perversa, menina, ela pode matar ou dar uma derrubadinha. Nunca se sabe, é aleatória e apavorante”

O ritmo da história é intenso, uma vez que além de trazer cenas dignas de thrillers cinematográficos, os acontecimentos duram cerca de uma semana. Não há tempo a perder, em nenhum dos lados desta narrativa.

“Percebe a urgência e a apreensão; sente a fragilidade do ser humano diante do inesperado”

Além disso, contando com tantos núcleos e personagens importantes para o desenrolar dos fatos, A vingança é verde esmeralda é narrada em terceira pessoa, nos possibilitando enxergar o todo dos acontecimentos.

A diagramação é bem simples, mas sequer conseguiríamos prestar atenção nela, uma vez que a história nos coloca em uma espiral de acontecimentos que nos suga para muito além das linhas dispostas no papel (ou melhor, na tela do leitor digital). 

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O bebê (quase) inesperado — Tayana Alvez

Título: O bebê (quase) inesperado — a garota do DJ 
Autora: Tayana Alvez 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 221 
Ano: 2022

Sinopse

Aos trinta e seis anos, Lorena Telles tinha tudo o que uma mulher poderia querer: um casamento dos sonhos, um negócio bem-sucedido e uma casa digna de revista de celebridades. A única coisa que falta para a sua felicidade completa é o que mais deseja: um filho. Depois de anos de tentativas frustradas de engravidar, a CEO da rede de PetShops mais popular do Rio de Janeiro decide jogar a sua vida inteira para o alto.

Aos 38 anos, solteira, tomada de um novo senso de aventura e com um aplicativo de relacionamentos instalado no celular, Lorena decide testar uma nova versão de si mesma e sair com o primeiro cara com quem der match. Ela só não estava preparada para que Ravi Borges fosse o homem mais gentil e engraçado com quem já se deparou. Muito menos que, aos vinte e seis anos, ele fosse capaz de deixar suas pernas bambas antes mesmo de terem se beijado.

DJ em ascensão nas noites cariocas, Ravi sempre adotou a fama de cafajeste desapegado com orgulho, e a última coisa que planejava era se apaixonar tão rápido por uma mulher que conheceu em um aplicativo — muito menos ver sua vida virar do avesso com a notícia de que será pai do dia para a noite.


Resenha

O bebê (quase) inesperado é um livro que toca em temas difíceis, dolorosos, cruéis. E, ao mesmo tempo, é uma obra linda, capaz de nos devolver uma leveza que nem mesmo havíamos percebido precisar.

“As palavras dele conseguem me cortar no meio e me refazer em questão de segundos”

Lorena Telles tem uma história e tanto e é difícil não se sensibilizar em algumas — muitas — medidas.

“Um banho não lava nossa alma nem leva os problemas embora”

Quando a conhecemos, porém, não sabemos da missa a metade. Apenas a encontramos saindo de um consultório, totalmente desolada e jogando para o alto todos os seus sonhos. Aqueles que, pouco a pouco, vamos descobrir quais são.

“A vida não se importa muito com o quanto alguém quer uma coisa. Às vezes, seus maiores desejos não vão se realizar”

Apesar de ser dona de uma popular rede de Pet Shop carioca, há algo faltando na vida de Lorena: um filho. Que poderia ser seu ou adotado, coisa, porém, que o marido é totalmente contra. A obsessão em se tornar mãe, portanto, acaba destruindo seu casamento e, mesmo assim, não diminuí, ao menos até o fatídico episódio que dá início a esta história.

“É curioso e amargo como, quando uma pessoa acaba com a sua vida uma vez, alguma coisa realmente a convence de que ela pode fazer isso quantas vezes achar necessário”

Cansada de tanto sofrimento, porém, a certinha e determinada Lorena joga tudo para o alto e resolve se arriscar pela primeira vez: solteira e afogada em mágoas, ela baixa um aplicativo de relacionamentos para sair com qualquer um que aparecer.

A sorte, porém, começa a sorrir para nossa protagonista e o primeiro match dela é com Ravi Borges, um DJ que diz não querer nada sério com as mulheres que conhece pelo aplicativo, afinal, sua vida é complicada demais.

“Chegar no topo é difícil, mas se manter é mais ainda”

Bom, esse é o discurso de Ravi até ele conhecer Lorena, claro. E mesmo diante do fiasco do primeiro encontro deles — que acaba com Lorena bêbada e chorando as pitangas nos ombros do boy — eles acabam dando uma chance um ao outro de se conhecer melhor.

“De alguma forma, meus segredos, incertezas e hesitações estão seguros aqui”

É assim que nós também vamos conhecendo pouco a pouco cada um deles, seus medos, suas histórias e seus famigerados sonhos — realizados ou não.

“Nunca pensei que existisse a possibilidade de sonhos se realizarem fora do tempo”

É difícil (para não dizer impossível) não se apaixonar por Ravi: apesar da pose de bad boy, ele é um cara extremamente doce, gentil, atencioso e engraçado. O Dj consegue deixar Lorena confortável com muita facilidade, sempre percebendo quais são os limites dela e propondo jogos para que eles consigam se conhecer melhor e se aproximar cada vez mais.

“Os jogos propostos por Ravi são sempre jogos que eu quero jogar”

Mesmo não querendo assumir, os protagonistas vão, pouco a pouco, se apaixonando um pelo outro, mas… Sim, claro que teria um “mas”.

“Deixá-lo aqui agora é como se eu estivesse deixando para trás o primeiro raio de sol que me tocou depois de uma longa tempestade”

Um pequeno acidente acaba destruindo a pequena calmaria que se instalara entre o quase casal, afastando-os por medos e inseguranças mil. Aquela velha história: ao invés de conversar, eles preferem fugir

“E isso é uma outra coisa com a qual eu preciso aprender a lidar: alguém que se importa”

Narrado por Lorena, O bebê (quase) inesperado se passa basicamente no Rio de Janeiro, apesar de ficar evidente a paixão da protagonista por São Paulo — mais um de seus sonhos abandonados pelo caminho (e por causa do ex-marido… Não dá para disfarçar o ranço, né?).

“São Paulo acorda cedo demais e dorme muito tarde”

De maneira muito bem orquestrada, essa história fala sobre relacionamentos abusivos, aborto e racismo, sem, contudo, se tornar um texto maçante ou depressivo demais. 

“Racistas podem ser racistas, vítimas de racismo não podem se defender”

Além disso, a narrativa traz um conceito muito interessante, que faz parte da caracterização da personagem: ela é sinesteta.

“Pelos céus, depois que você acostuma com a cor de um som, é fácil agir como se ela fizesse parte da sua vida, porque, de fato, faz”

O bebê (quase) inesperado é o primeiro livro de uma série de histórias independentes, composta também pelas seguintes narrativas:

Grávida do Sargento Brian Maccullum: Série Mães Por Acaso (livro 2) 

A Mãe da Herdeira do CEO Grego: Série Mães Por Acaso (livro 3)  

Grávida do Filho do Meu Chefe: Série Mães Por Acaso (livro 4) 

E se você quiser conhecer mais do trabalho da Tayana Alvez (coisa que eu sempre indico por aqui), não deixe de segui-la em suas redes sociais (Instagram | Twitter). E se quiser ler O bebê (quase) inesperado é só clicar abaixo.

O irlandês — Tayana Alvez

Título: O irlandês — Uma comédia romântica (Com amor, Dublin — Livro 1)
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 273
Ano: 2022

SINOPSE

UM PAI SOLO, UMA BABÁ ATREVIDA E DUAS CRIANÇAS QUE TRAMAM PARA QUE OS DOIS FIQUEM JUNTOS! O que esperar dessa receita?

Aos vinte e sete anos, Júlia decidiu sair do conforto da casa de sua família na Baixada Fluminense e tentar a vida fora do país.
Morando numa casa com outras 6 pessoas, batendo ponto em dois empregos e um curso de inglês, ela está à beira de um surto e a última coisa da qual precisava era mais um trabalho.
No entanto, depois de uma noite atípica em seu Karaokê favorito, Julia recebe uma proposta irrecusável e bem, que Deus a ajude.

Há um ano Robert tinha a família perfeita, o emprego perfeito e a casa perfeita.
Agora ele mora numa casa que não lhe pertence e, enquanto tenta fazer o melhor pelas filhas, está lutando para juntar os cacos e superar a dor que o abandono da ex-mulher provocou.

Um encontro inesperado e a tal proposta irrecusável leva-os a conviver juntos, numa aproximação forçada que surpreendentemente não incomoda nenhum deles.

Sem nem perceberem o que os atingiu, a amizade de Júlia resgata Robert de dores que ele nunca imaginou superar, e o amor de Robert leva Júlia a lugares que seu coração nunca pensou em chegar… Mas, no fim, será isso o bastante para corações machucados se permitirem recomeçar?

RESENHA

Já faz uns anos que não tenho sido muito adepta da releitura. Quando eu era pequena, lia duas ou três vezes o mesmo livro, principalmente aqueles que eu mais gostava ou os que tinha que ler para a escola. Com o tempo, porém, meu acesso aos livros foi crescendo e meu tempo diminuindo e, com isso, passei a priorizar leituras inéditas. Afinal, a vida é muito curta para lermos tudo o que queremos ler.

“Mas, acima de tudo isso, sou grata pela vida que me permiti viver e pelo dia em que decidi que minhas feridas não iam me parar”

Recentemente, contudo, concluí uma releitura e foi uma delícia também. Foi como reencontrar um velho amigo e saber que aquele abraço ainda tem gosto de lar. Claro que contribuiu muito para isso o fato da autora ser uma das minhas preferidas: Tayana Alvez.

“Aperto ainda mais o abraço porque desde que aprendi o que é admiração, sei que esse é o sentimento mais importante de um relacionamento, seja ele qual for”

Confira aqui outras resenhas da mesma autora.

Já comentei em outros posts que a Tay retirou alguns de seus livros da Amazon. Isso porque ela publicava livros com hot, que já não condizem com o que ela realmente quer publicar. Um destes livros, contudo, era justamente O irlandês, que a autora reeditou e relançou. E com uma bela surpresa: uma edição física do primeiro volume (aguardando ansiosamente um físico de Minha querida Julie também)!

“Subo as escadas feliz e contente, sabendo que eu não tenho a menor ideia do que estou fazendo com a minha vida, mas quero continuar assim”

A resenha de hoje, portanto, não é 100% nova, mas eu não poderia deixar de comentar novamente sobre O irlandês, de maneira mais fiel à atual edição.

Neste livro, Tayana Alvez nos presenteia com uma protagonista e tanto: brasileira, negra, nascida na baixada fluminense, Júlia decide tentar a sorte fora do país, em Dublin, como intercambista.

“A pior parte do racismo é que ele nunca cura”

A ambientação irlandesa, assim como os detalhes, incluindo os perrengues do intercâmbio (afinal, eles não poderiam faltar), são muito bem escritos, pois Tayana viveu tudo isso na pele. O que significa que em O irlandês nós somos transportados a essa viagem através do desconhecido e do desejado, sem contudo, ter de passar pelas dificuldades vividas por Júlia, ainda que a escrita da Tay seja tão forte que é difícil não mergulhar nos problemas e nos momentos felizes que encontramos ao longo das páginas.

“A vida na Irlanda nem sempre facilita encontros”

O fato da autora ser brasileira enriquece ainda mais essa história, pois ela pode nos apresentar com propriedade as diferenças culturais que há entre esses países, tornando nossa imersão ainda mais completa e real.

“Ouvir da boca de um irlandês que você é o seu amuleto mais precioso é quase tão bonito quanto ouvir um eu te amo”

Na esperança de que o intercâmbio seja apenas o início de uma vida distante do Brasil, Júlia trabalha muito. E, como trata-se de um intercâmbio estudantil, ela tem de estudar também. Mas sabe aquelas pessoas que não sabem dizer “não”, principalmente quando surge mais uma oportunidade de ganhar um dinheirinho que fará diferença no final do mês? Pois bem, essa é Júlia.

“Quanto mais dinheiro você tem, mais dinheiro quer ter”

É por não saber/não querer dizer “não” que Júlia, mesmo já trabalhando como garçonete e como cuidadora (em algumas noites), começa a cuidar de Annabelle e Alice. Ela tem de ficar apenas algumas poucas horas com as meninas, entre o fim do expediente da babá que realmente cuida das meninas e o retorno do pai, Robert, após o trabalho.

“Eu estou preparada para muita coisa. Mesmo. Até curso de primeiros socorros eu tenho, mas a dor do abandono de uma mãe? Isso eu não sei como lidar…”

E é assim que vamos, aos poucos, conhecendo essa protagonista tão cheia de si, mesmo que tenha seus medos, inseguranças e, claro, marcas do passado. Júlia sabe de onde vem, mas também sabe onde quer chegar e, ao mesmo tempo, sabe que terá de lutar em dobro simplesmente por ser uma mulher negra.

“Isso pesa. Essa sensação de nunca ser boa o bastante, de ser parada por causa da minha cor, de ser uma subcategoria de mulher porque nasci com mais melanina do que outras pessoas”

Por outro lado, também vamos cada vez mais conhecendo Robert e suas encantadoras meninas. E é muito instigante querer saber mais sobre o seu passado. Sobre as marcas que ele carrega. E que as meninas também carregam, ainda que sejam tão jovens.

“Dói demais ver uma criança sofrer tanto”

O fato de termos uma (quase) babá e uma pai solteiro com um passado e tanto, me lembrou um pouco Alameda do Carvalho, outra história que gostei muito. A experiência de leitura de cada uma dessas histórias, porém, é bem única, porque os rumos que o enredo toma e o que está por trás de cada trauma são bem diferentes.

“Meu coração quase rasga meu peito e eu sinceramente não sei o que estou sentindo, mas sei que é incrível”

O irlandês tem tudo para ser um clichê, mas também tem muito mais para transformá-lo numa história rica e capaz de nos transmitir mensagens importantes como a necessidade de um bom diálogo em qualquer tipo de relacionamento, bem como a solidão da mulher negra (e, por mais que isso possa soar um pouco solto dito assim, fica muito claro o significado disso quando você lê essa história).

“Então é assim que as pessoas se relacionam quando elas têm um bom diálogo e não escondem medos e inseguranças?”

Ah, e claro, tudo isso é feito através de uma narrativa envolvente, daquelas que te fazem rir no momento certo e ficar com o coração apertado na mesma medida. Uma história que flui facilmente e que, quando menos esperamos, já a devoramos.

“Choro uma dor que nem é minha, que eu nem deveria estar sentindo”

A edição física está muito linda, com uma diagramação incrível e pensada nos mínimos detalhes. Um livro que com certeza vou guardar com muito carinho.

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Dolls — A. S. Victorian

Título: Dolls. 
Autora: A. S. Victorian 
Editora: Publicação independente. 
Páginas: 275 
Ano: 2018

Sinopse

A família Hyeon era perfeita, todos diziam. Até um desastre acontecer e transformar profundamente Jack Hyeon. Ela decide então que a vida é curta demais para viver de aparências e que precisa começar a fazer suas próprias escolhas. Como primeira decisão, aproxima-se de uma colega de escola, Ede, que é o contrário dos padrões que os senhores Hyeon impuseram para a filha.

Já Edeline carrega sua própria lista de infortúnios e descobre na amizade uma forma de superar o passado. Mas a vida dá uma reviravolta quando percebe que seus sentimentos estão tomando um outro rumo.

Resenha

Dolls foi um livro que comecei com as expectativas lá embaixo, mas que logo me conquistou de tal maneira que dei atenção somente a ele.

“Como ser fiel a uma coisa que nunca daria certo?”

Vale ressaltar que a leitura é pesada, por mais que o leitor esteja a todo momento sendo preparado para o pior. Antes de continuar, gostaria de lembrar que há cenas de violência doméstica, estupro e tentativa de suicídio.

“Eu sempre tive medo do escuro, mas, depois de um tempo, o medo está tanto ao nosso lado que já se torna nosso amigo”

A narrativa começa nos apresentando duas garotinhas tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão parecidas: Edeline Stein (Ede) e Jaqueline Hyeon (Jack).

“Eu e a Jack sabemos como é ter momentos difíceis. Não é muito bom ficar guardando isso dentro de você, dói muito e só vai piorar. Precisa de alguém com quem conversar”

Esse início, aliás, me lembrou bastante O lado extraordinário da falta, mas no caso de Dolls, como eu ressaltei, a história vai ganhando contornos muito mais pesados.

Porém, como no livro mencionado, temos Edeline, filha única, em uma família humilde e cheia dos seus problemas.

“A família se mudara há pouco tempo. Não queria ter escolhido exatamente aquela parte do subúrbio, muito menos aquela casa que não era nem um pouco o que desejavam chamar de lar, mas as circunstâncias, a falta de capital para algo melhor e a pressa, os fizeram ficar com o que conseguiram: a casa longe do centro, meio acabada, meio inteira”

Não que a família de Jack seja perfeita como quer fazer parecer, muito pelo contrário, aliás. Mas eles são uma grande e extremamente influente família. Ao menos dinheiro eles possuem de sobra.

“Não era uma família muito unida aquela”

Dolls começa quando as meninas têm apenas sete anos de idade e se conhecem na escola em que estudam. 

“Por mais que odiasse a escola, preferia ficar lá do que voltar para o vazio de casa”

Um incidente, porém, logo as separa e, após um salto temporal elas finalmente se reencontram.

“As coisas mudaram depois do acidente com Edeline e nos dez anos que se seguiram. Os pais de Jack decidiram mudá-la de turno, e, por alguns anos, ela foi esquecida pelos antigos colegas”

Voltando às diferenças entre as duas meninas, está o fato de que Jack é extremamente fria e, aparentemente, desinteressada de tudo, enquanto Ede tem um brilho no olhar que fascina o coração gelado de Jack. 

“Pare de agir como se ninguém se importasse e você tivesse que carregar todo peso sozinha”

Mas, como eu disse, elas também possuem semelhanças e não falo somente da idade: ambas passam por situações bem difíceis (lembra que deixei um alerta no início desta resenha?) e sentem-se extremamente sozinhas.

“As coisas não simplesmente somem, sabe? Nós vamos guardando elas dentro de nós… Até que explodem”

Tão opostas por um lado e tão semelhantes por outro, Ede e Jack sempre tiveram o necessário para se darem bem.

“— Esse é o problema das pessoas — Mordeu o sanduíche. — Elas costumam se prender aos momentos ruins e esquecem os felizes”

A história não se resume a acontecimentos pesados e tristes. Há muitas passagens capazes de nos oferecer um quentinho no coração e um abraço gostoso.

“Gostar de alguém era algo novo para ela”

E na mesma medida em que há personagens que não parecem ter coração, há muitos outros que renovam nossa fé na humanidade.

“Nós não precisamos magoar as pessoas para sermos felizes”

O que me encantou nessa história foi o fato de que ela é muito real, palpável. As personagens agem de acordo com suas histórias, seus sofrimentos e suas pequenas conquistas. E por mais que nem todo mundo encontre alguém que renove as esperanças, alguns dos pontos felizes dessa história são uma pequena fuga necessária para a realidade apresentada.

“Você não precisa tentar ser forte sempre. Todo mundo precisa ser ajudado às vezes”

Além disso, tem ainda um detalhe que me encantou muito nesta narrativa, mas que não quero revelar aqui, porque foi gostoso imaginar se isso aconteceria e a revelação foi muito boa de acompanhar. 

“Gostar de alguém é errado?”

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De repente esclerosei — Marina Mafra

Título: De repente esclerosei: um faz de conta de verdade 
Autora: Marina Mafra 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 316 
Ano: 2018 (1º edição) 

Sinopse

Mitali Montez possui um arquivo pessoal de mágoas. Protege e ama incondicionalmente Aurora, sua melhor amiga e única família. É surpreendida pelo destino ao conhecer Dimitri Mifti, um moço com habilidades para derreter o seu coração gelado. O retorno misterioso do pai muda a perspectiva do seu passado, mas é através da adaptação com o diagnóstico de Esclerose Múltipla que ela percebe a necessidade do perdão para encontrar a paz que não sabia que precisava.

Resenha

De repente esclerosei é um livro que nos lembra que todos nós estamos sujeitos a condições imprevisíveis e que nada têm a ver com quem somos ou com o que fazemos, mas que isso não significa que somos os únicos no mundo passando por determinado problema.

“Como viver sem saber quando será a última vez que fecharemos os nossos olhos?”

Como gosto de histórias que podem nos ensinar algo sobre coisas reais e as quais eu não tenho muito conhecimento, o título deste livro logo chamou a minha atenção e sua sinopse terminou por me fisgar de vez.

Devo ressaltar, porém, que mais do que me ensinar algo, esta narrativa despertou ainda mais a minha curiosidade para o tema da esclerose múltipla.

“Eu conseguiria fazer qualquer coisa, só que não com a mesma facilidade de uma pessoa normal”

Mitali (Mit) e Aurora (Rora) são melhores amigas desde a infância e dividem a vida que estão construindo na cidade grande, depois de saírem de Boieira, a cidade natal delas.

“Acho que posso dizer que, finalmente, eu e a Rora conquistamos o nosso lugar no mundo. E só quem perdeu ou nunca teve, sabe o que isso representa”

Apesar de bem diferentes uma da outra, as duas se dão bem e, principalmente, zelam muito pela vida da amiga.

“Aurora é minha única amiga na vida e desde o berço”

Não é de se espantar, portanto, que Aurora fique muito preocupada com algumas queixas de Mitali: formigamento nas pernas, dificuldade em andar, perda de equilíbrio.

“Entre ouvir ou dizer ‘vai ficar tudo bem’ até, realmente ficar, há uma imensidão de fatos que não podem ser ignorados”

Mitali, contudo, vai deixando para lá tudo isso, até o momento em que não é mais possível ignorar seus sintomas e ela precisa buscar ajuda urgente.

“Vivo um pesadelo em tempo real, sem o alívio de poder acordar”

Entre os primeiros acontecimentos preocupantes de Mitali e o seu diagnóstico, porém, muitas outras coisas ocorrem e, pouco a pouco, vamos descobrindo mais sobre ela e sobre sua história.

“Acredito que os lugares guardam memórias e que se pudessem falar, contariam os nossos segredos mais profundos”

Mitali trabalha como gerente em uma livraria e o seu chefe, o senhor Braga é quase como um pai para ela.

“Ele vivia querendo me arrumar um namorado, desde que não aceitei nenhum dos seus filhos”

Não que Mitali não tenha um pai de verdade: Aurora perdera os pais em um acidente de carro e a mãe de Mitali também falecera anos antes, mas Maurice ainda é vivo, só nunca fora um pai muito presente.

“Te amei desde o primeiro momento, mas da minha maneira. Hoje eu me arrependo, pois perdi muita coisa e o tempo não volta”

A aproximação desse pai que até então fora muito ausente, no meio do turbilhão de coisas que acontecem com Mitali, é mais um ponto de reviravolta na história, fazendo nossa protagonista parar e refletir sobre seus sentimentos e sobre a sua própria vida.

“— Essa situação só me fez refletir. A vida acaba em um piscar de olhos”

O senhor Braga, por sua vez, é o responsável por apresentar Dimitri a Mitali e, novamente, a vida da protagonista sofre uma grande transformação.

“Não acreditava que havia uma vida antes do que vivíamos”

Não sei se eu que sigo desacreditada demais do amor, mas achei que o romance entre Mitali — uma pessoa até então bem fechada para os sentimentos, principalmente amorosos — e Dimitri foi de zero a cem muito rápido. 

“Ele era mais que o grande amor da minha vida, era o meu melhor amigo, a melhor pessoa do mundo para mim”

De qualquer forma, Dimitri é uma figura essencial para que Mitali consiga lidar com tudo o que está passando e é angustiante vê-la tentando afastá-lo.

“Ele era a única parte normal da minha vida, a única que me permitia sentir segurança”

Para além da esclerose múltipla, esta é uma obra que fala sobre o amor ou sobre os laços que construímos com as pessoas de nosso sangue ou não.

“Talvez fosse bom encontrar pessoas como eu, em um lugar não tão cheio de pessoas como a gente”

E o laço principal que esta história aborda é a amizade.

“Há dias em que ajudamos e dias em que precisamos ser ajudados. Não importa a nossa personalidade, estamos no mesmo barco”

Por isso, é bem difícil não se abalar com as brigas de Mitali e Aurora, que tem muita dificuldade de entender pelo que a amiga está passando. Em algumas situações, chega a dar até um pouco de raiva da Rora.

“Algumas pessoas gostam de complicar a vida, Rora é uma delas”

De repente esclerosei também fala bastante sobre perdas, não apenas de uma vida “normal”, mas também das pessoas que amamos.

“Não dissemos nenhuma palavra, pois não há conforto quando a dor é por ausência de quem partiu”

E claro, com uma história dessas, esta obra também tinha de falar do medo, principalmente do amanhã, sempre tão desconhecido.

“O tempo passa depressa quando tememos o futuro e nos guia diretamente para o alvo dos nossos pesadelos”

A escrita do livro é envolvente: já nas primeiras páginas eu não queira mais largá-lo. Em alguns momentos me perdi um pouco no tempo da narrativa, mas nada que prejudicasse em grande medida a experiência.

“Todos temos uma história triste pra contar, Mit”

Se você se interessou por essa história, não deixe de acompanhar o trabalho da autora (Instagram | Twitter | Facebook | Site) e, claro, de adquirir o seu exemplar. Li o livro em formato ebook e gostei bastante da diagramação dele. A edição que tenho foi lançada de maneira independente, mas agora você tem acesso à edição da Martin Claret, em formato físico e digital!

Por um triz — Laís Corrêa

Título: Por um triz 
Autora: Laís Corrêa 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 270
Ano: 2023

Sinopse

Thales Fernandes vive uma vida totalmente desregrada e superficial, frequentando diversas festas regadas a drogas, bebidas e mulheres, coisas que para ele são sinônimo de uma vida fácil, livre e feliz.

Sua aparência de tirar o fôlego e sua fama facilitam tudo: as garotas vivem se jogando aos seus pés. Exceto uma. É por isso que tudo começa a mudar.

Marina Barros é uma garota centrada em seus estudos e projetos, mesmo afirmando que a vida é muito curta para se preocupar demais. Sempre tranquila, ela não se deixa aborrecer à toa, ainda que seu coração tenha a sina de se apaixonar pelos caras errados.

Quando as vidas de Thales e Marina se cruzam, os dias ganham um novo significado. O que ninguém previa era que um trágico acidente de carro, mudaria completamente os rumos que eles estavam tomando. 

E agora? Será que Thales vai aprender a ver e viver a vida de uma forma diferente? E Marina? Será que está certa em sua Filosofia de vida?

Resenha

A resenha de hoje é para quem procura uma história capaz de nos deixar aos prantos. Então já separa uma caixinha de lenço e vem conhecer a história de Thales e Marina.

Marina Barros é uma jovem muito centrada nos estudos e em seus planos pessoais, mas ela sente que sua vida será curta e, por isso, até onde sua timidez e seu jeito permitem, procura viver tudo o que tem direito.

“Eu sou uma pessoa muito calma. Poucas coisas me tiram do sério e eu não sou de ficar arrumando briga. Não seria isso que me faria chorar ou me descabelar. A vida é muito curta para me preocupar com banalidades”

Ela é uma personagem encantadora, daquelas que existem para nos passar uma linda mensagem e nos inspirar.

“A vida é curta, mas o mundo não vai acabar amanhã”

Por outro lado, temos Thales Fernandes, mais conhecido por Tubarão: um daqueles homens que só quer saber de pegação e que vê as mulheres como um simples objeto de prazer. Um horror.

“Eu não me apego, não assumo compromisso com ninguém, não será com ela que tudo isso vai ser diferente! Isso é só um plano para que eu atinja meu objetivo”

Apesar da fama de Thales, Marina acaba se apaixonando por ele, mas evita demonstrar esse sentimento. E é justamente essa aparente falta de interesse dela que chama a atenção de Thales.

Os amigos de Tubarão sabem que só existe uma forma dele conseguir de Marina o que quer: pedindo-a em namoro. E é isso que ele faz.

“Agora, uma parte de mim se sente culpada por todo esse jogo, já a outra se sente orgulhosa por esse feito e eu resolvo não pensar no conflito que há dentro de mim, ao menos não por enquanto”

Esse namoro de mentirinha, contudo, acaba trazendo muitas transformações para a vida de Thales.

“Afinal, se quero mesmo mudar, preciso estar pronto e preparado para os julgamentos que meus parças vão fazer”

É difícil não sentir um desgosto muito grande por Thales e por tudo o que ele faz com Marina, que aceita até demais a situação, até o ponto em que decide dar um basta.

“Eu te amo e isso não vai mudar, porém eu me amo mais e não vou esperar a vida inteira para você começar a seguir o que há dentro do seu coração”

A transformação, contudo, já estava acontecendo dentro de Thales, mas infelizmente ele só foi se dar conta disso tarde demais. E aí a gente até começa a sentir uma pequena compaixão por ele.

“Não tenha vergonha de chorar, isso mostra que você realmente é humano e tem sentimentos”

A narrativa é alternada entre os dois protagonistas e, assim, podemos ver diversas situações sobre o ponto de vista de um e de outro.

Por um triz trata de questões como a valorização de cada momento da vida, a alegria das pequenas coisas, o amor, a traição, a perda e o luto.

“Você não tem que ser forte o tempo todo, sentir a dor da perda é necessário. Você só não pode deixar isso te dominar a esse ponto, Thales”

Esta é, ainda, uma história que fala sobre sexo, drogas, abandono parental e depressão.

“Alguém precisava te dar esse choque de realidade, para ver se você acordava de vez para a vida”

A narrativa se passa no intervalo de pouco mais de um ano e nela temos cenários diversos, como a casa e o apartamento de Thales, a praia, as baladas e a casa de Marina.

O final foge ao óbvio e pode ser considerado triste, mas refletindo sobre ele, percebemos que era o necessário.

“Mal sabia eu que realmente era tarde demais, mas não pelo motivo que estava pensando”

Por um triz pode ser encontrado em formato digital (clique abaixo) e você pode seguir a autora em suas redes sociais (Instagram | Wattpad) para saber mais sobre este e outros lançamentos dela. 

E então, será que Marina Barros foi realmente capaz de operar uma mudança significativa em Thales Fernandes?

Luzes — Leblon Carter

Título: Luzes: quando as luzes se apagam (livro 1) 
Autor: Leblon Carter 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 2015 
Ano: 2022

Sinopse

Simas é um jovem de dezenove anos que acaba de se formar na faculdade de comunicação e artes de São Paulo. Apaixonado por literatura e escrevendo seu primeiro livro para participar do concurso de pequenos escritores de Nova Iorque, ele se vê obrigado a trabalhar em um cinema antes de poder concretizar seu sonho.

Lá, ele conhece Cedric, um jovem colega de trabalho por quem começa a despertar sinceros sentimentos. Em meio ao trabalho árduo, a escrita e o amor não correspondido, Simas se vê em apuros quando percebe que relacionamentos amorosos podem gerar diversos problemas para ele e para qualquer outro que queira se aventurar nessa história.

Aos poucos, ambos vão percebendo que a última sessão só acaba quando todas as luzes se apagam, ou quando o primeiro beijo acontece.

Resenha

Alguns livros conseguem equilibrar clichê e criatividade na medida certa, trazendo uma narrativa agradável de ler. É isso o que acontece com o livro que hoje vou resenhar: Luzes.

“O conceito de arte é meio único para cada pessoa. Não dá para generalizar”

Nesta obra, Simas nos conta sobre a sua vida, nos mostrando um cotidiano que poderia ser banal, mas que carrega tanta sentimentalidade e profundidade que fica difícil não se envolver.

“Às vezes penso que o ser humano é tão complexo e vazio ao mesmo tempo”

Simas é jovem, mas logo entendemos que sua infância não foi das mais fáceis e que ele ainda tem muita coisa para ajeitar na vida (assim como ainda tem muito o que viver também).

“Tudo se refere à passado, presente e futuro. Sem isso somos um amontoado de pele, osso e carne, que anda por aí, sem destino ou rumo fixo”

Ele mora com a irmã mais velha e, ao longo das páginas, vamos entendendo que ele tem uma relação complicada com a mãe (coisa que só se explica totalmente mais para o final do livro) e pai sequer faz parte de sua vida.

Em Luzes, acompanhamos o início de Simas em seu novo emprego. Apesar de ter formação em cinema, o único cargo que ele consegue é como PAC, aquelas pessoas que conferem nossos ingressos, recolhem óculos 3D, limpam as salas do cinema…

“Quando você se forma em um curso que escolheu por amor, provavelmente acredita que as portas do mercado de trabalho vão magicamente se abrir. Porém, não foi bem isso que aconteceu comigo”

O próprio autor de Luzes — Leblon Carter — trabalhou como PAC, o que torna essa narrativa ainda mais rica, nos apresentando detalhes que muitas vezes desconhecemos.

O mais interessante, contudo, é o uso dos paralelos — muitas vezes mais presentes na forma de narrar do que fazendo parte da história em si — entre cinema e literatura e, claro, a análise das cores e luzes que o personagem volta e meia faz.

“As luzes internas tinham tons azulados, dando um ar de tranquilidade e calmaria”

A história não se passa em um intervalo de tempo muito grande, mas é o suficiente para que a vida de Simas passe por boas transformações: ele faz novas amizades e, claro, se apaixona. Mas será que esse sentimento o levará a algum lugar?

“E, mesmo com o som alto do filme nos alto-falantes, no teto, e as luzes piscando, na tela, em ritmo frenético, nada conseguia ser tão mágico quanto olhá-lo, de perto, em quase um escuro completo”

A maior parte da narrativa se passa dentro do próprio cinema, ainda que possamos, ao longo dela, também conhecer alguns outros espaços que compõem a vida do protagonista. Por mais delimitante que isso possa parecer, em momento algum a narrativa é monótona (muito pelo contrários, aliás).

“Então, independente de qual cor sejamos lá fora, temos a mesma tonalidade, aqui dentro”

Para além do cinema, das luzes e do amor, este livro nos fala bastante sobre solidão, de uma maneira que é difícil não se sentir tocado.

“Já eu… bom. Eu era a solidão. O lado azul da família. E não que eu seja antissocial ou que odeie seres humanos, mas existem momentos em que aquela tristeza momentânea bate e você só quer ficar sozinho. Ouvir apenas as vozes do seu pensamento e tentar se entender, por um milésimo de segundo, antes que as coisas comecem a ruir novamente. E as pessoas parecem nunca entender isso.  Então, quando você as abandona por um dia, para poder se dedicar totalmente nos outros trezentos e sessenta e quatro, elas acreditam que você está bravo ou que não quer mais falar com elas. E, por tê-las ignorado por um dia, você é ignorado, pelos outros trezentos e sessenta e quatro restantes”

E, claro, sendo Simas um escritor, o poder da palavra (tema que sempre chama a minha atenção) também se faz presente ao longo das páginas.

“Porque, seja de maneira intencional ou não, sempre machucamos outras pessoas. Palavras cortam como faca. Pensamentos escuros embaralham uma mente sã. Agressões físicas marcam a pele. E, às vezes, não nos damos conta disso. É como estar em uma guerra: você escolhe ser ferido ou ferir. E, acredite quando digo: a outra pessoa não vai pensar duas vezes em escolher te ferir”

Disponível apenas em formato digital, Luzes é um livro que vai te fazer vivenciar diversos sentimentos ao lado de Simas. Uma história para quem quer ler sobre amor e solidão apresentados de uma maneira quase poética, ainda que seja prosa pura.

“Não há nada mais instigante para mim do que ler um livro que me faça viajar para outro lugar”

Para garantir o seu exemplar, basta clicar abaixo. E não deixe de seguir o autor em suas redes sociais, para acompanhar o seu trabalho e seus lançamentos (Instagram | Twitter).

Citações #63 — Fisheye

Se você já leu minha resenha de Fisheye, da Kami Girão, deve ter percebido que esta é uma história muito bonita e interessante. Por isso, hoje trago aqui alguns dos trechos que ficaram de fora do post anterior.

Uma das coisas que me chamou a atenção na narrativa foi o humor ácido da protagonista, que a cada página fica mais e mais justificado diante de tantos percalços vividos por ela.

“E ri porque era humilhação demais para que eu me atrevesse a chorar”

A história tem como tema central a perda da visão de Ravena Sombra, mas ela também trata de muitos outros tipos de perdas.

“Ainda doía perceber que minhas amizades haviam morrido”

“Mas nem mesmo uma aceitação prévia consegue evitar a dor de perder alguém”

E também fala sobre o medo e o poder (muitas vezes negativo) que esse sentimento tem.

“Tinha tanto medo que já estava sufocada por ele”

Outro ponto interessante de Fisheye é a presença da internet (de maneira até que bem marcante) na construção de algumas das relações humanas ali retratadas.

“A gente nunca é pessoalmente o que parece ser pela internet”

Com estes trechos e este breve post, reforço minha recomendação para que você conheça esta obra tão sensível e importante! Não deixe de ler a resenha se você nunca ouviu falar sobre este livro e, claro, já garante o seu exemplar.

A chance de encontrar o amor no metrô — Rafael Dourado

Título: A chance de encontrar o amor no metrô 
Autor: Rafael Dourado 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 68 
Ano: 2016

Sinopse

Existem dias que simplesmente nada dá certo e o simples fato de levantar da cama nos leva a uma série de acontecimentos desagradáveis.

Tess sabia disso, ela tinha perdido o horário no único dia que não poderia se atrasar. Para piorar, seu carro não pegava de forma alguma e completando o pacote de azar, não tinha dinheiro suficiente para um táxi; o metrô era sua única opção.

O que ela não sabia é que as vezes, nossas melhores chances vêm embrulhadas em um grande pacote de problemas.

Resenha

Quem tem o costume de andar de transporte público sabe bem como é difícil — ao menos vez ou outra — não se pegar observando as pessoas ao redor e até mesmo — por que não? — acabar se apaixonando momentaneamente por alguém.

“Um amor de metrô é uma constante quase tão real quanto usar o transporte”

Tess, a protagonista desta história, porém, não é uma pessoa que pega metrô todos os dias: ela tem carro e costuma ir dirigindo para a faculdade.

Acontece que a vida nem sempre quer colaborar conosco e no dia em que ela acorda atrasada — e é um dia muito importante para ela, como aos poucos vamos descobrindo — seu carro resolve não ligar.

“— Saiba, pequeno gafanhoto, que os dias que parecem ruins podem ser os melhores da sua vida”

Sem alternativa, ela resolve correr para o metrô, mas nem mesmo ele consegue salvar a pele da pobre protagonista, porque, claro, é um daqueles dias em que o metrô está com problemas.

Está certo que esse drama todo era necessário para que a história acontecesse. Uma narrativa curta, mas cheia de emoções. E o melhor: num simples vagão de metrô.

Totalmente atordoada com os percalços do dia, Tess acaba conhecendo Adam, ainda no metrô, e o que poderia ser só o pior dia da vida dela, torna-se um dia inesquecível (de maneira positiva, que fique claro!).

“Acho que nunca fui pega de surpresa tantas vezes em um curto espaço de tempo”

A chance de encontrar o amor no metrô é um conto que consegue, em suas poucas páginas, tratar não somente da imprevisibilidade da vida, mas também dá importância de olharmos para o lado e de sermos empáticos com os outros, em tudo, inclusive seus traumas.

“Faço essa viagem todo dia, e é sempre muito solitária. Ninguém olha para ninguém, são todos muito reservados”

Uma leitura leve, rápida e capaz de ser tão surpreendente quanto a manhã de Tess.

“Seu sorriso fez tudo que estava ruim no meu dia melhorar um pouco”

Se você ficou com vontade de conhecer está história, não deixe de clicar abaixo. Aproveite, também, para seguir o autor em suas redes sociais (Twitter | Instagram | Facebook).