Citações #53 — A longa noite de Bê

A longa noite de Bê, obra do autor Fernando Ferrone, foi uma leitura que fiz em janeiro e que, felizmente, se faz presente até hoje em meio a reflexões e lembranças.

Na resenha, alguns trechos que gostei ficaram de fora e agora você pode conferi-los aqui. É o caso, por exemplo, das passagens que falam sobre as energias que gastamos (ou não) com os outros.

“O nosso corpo não é feito pra suportar o ódio. Odiar alguém requer muita energia”

“Eu precisava não me preocupar tanto se quisesse ter energia para me preocupar sempre”

A história também aborda, de diversas formas, a presença, a ausência, o pertencimento, temas que, por si só, já têm muito a despertar em nós.

“Ele nunca te fez falta porque nunca se fez presente. Não tem como sentir saudades do que nunca se conheceu”

“Naquele momento, tive uma sensação que não experimentava há anos: senti um despertencimento”

A longa noite de Bê fala, ainda, sobre o tornar-se mãe (principalmente sem planejamento e sem realmente desejar isso).

“Naquele instante, Lila era uma forma vazia dentro de um espaço vazio”

“Sendo então duas pessoas, Lila sentiu-se nenhuma”

Uma coisa que gostei muito ao longo da leitura foi a forma como o autor trabalhou lugares comuns (não apenas da literatura), nos dando novas perspectivas em relação a eles.

“Esse prazer de rever pela última vez os momentos marcantes da nossa vida antes de não ter mais vida não existe”

Uma obra múltipla, que vale muito a leitura, assim como o primeiro livro do Fernando, À deriva. E se você quiser saber mais sobre eles e conhecer um pouco do autor, não deixe de assistir esse bate-papo que tive a oportunidade de participar (e mediar) lá na Livraria Ponta de Lança.

À deriva — Fernando Ferrone

À deriva — Fernando Ferrone

Título: À deriva 
Autor: Fernando Ferrone 
Editora: Publicação Independente 
Páginas: 212  
Ano:  2017 (2º Edição)

Há livros que caem em nossas mãos e, por todo o seu conjunto, nos conquistam de tal maneira que só nos resta mergulhar na leitura e devorar cada página, até o fim.

“a gente fica tão preocupado com o fim das coisas. de repente, vai que não tem fim, né?”

Com À deriva foi assim. Depois de ter a honra de conhecer o autor Fernando Ferrone, e de ganhar um exemplar físico da obra, fui saboreando o prazer de observar os detalhes desta edição: a foto da capa, os elementos que remetem ao mar, a sinopse.

“existem várias maneiras de saber as coisas, né? e uma delas é saber de tudo, mas desconhecer as consequências. principalmente as consequências para os outros”

Iniciei a leitura nessa empolgação e, antes de continuar, não posso deixar de comentar uma estranheza que tive: as frases não são iniciadas com letra maiúscula. Estas, aliás, apenas são usadas nos nomes próprios. 

Passada esta primeira estranheza, porém, logo adentrei a história, sedenta por saber das aventuras e desventuras de Isabela.

“você me conheceu numa época muito estranha da minha vida”

É gostoso conhecer essa paulistana com a qual dificilmente não temos algo em comum: seja a insatisfação com o trabalho, o cansaço de viver em uma metrópole como São Paulo, o sentimento de solidão ou os conflitos familiares.

“você tem os seus problemas, e eles são grandes o suficiente para você ficar mal”

O interessante, contudo, é que nenhum desses assuntos está, sozinho, no foco da obra. Ao iniciarmos a leitura, aliás, já vemos que há muito mais, pois Isabela está mandando um áudio para seu ex, contando aquilo que tanto queremos descobrir: o que ela viveu em sua viagem.

“em retrospectiva, aquele deve ter sido o primeiro momento em que Isabela começou a terminar o namoro”

Para descansar um pouco de toda a agitação, Isabela decide passar um final de semana acampando em Trindade e, mesmo indo sozinha, ela acaba por conhecer pessoas que enriquecem as reflexões e confusões desta história, como os tão importantes personagens Caetano e Bruno.

“Isabela se inquieta, porque nessas horas lembra como, mesmo após seis meses, ainda se surpreende involuntariamente pensando no ex. apesar de tudo”

Estes dois, ao lado de Isabela, compõem o cerne da narrativa, mas há outros personagens que igualmente enriquecem a narrativa e o principal dela: a vontade de encontrar respostas e a dificuldade que temos de encontrá-las, mesmo quando elas estão bem embaixo do nosso nariz.

Devo confessar que fiquei admirada com o quanto Isabela realmente entregou-se à aventura que resolveu viver, conversando com estranhos (realmente estranhos) sem o menor medo ou desconfiança. Cheguei até a me questionar como uma pessoa sai de São Paulo e aceita caronas e conselhos de pessoas semi desconhecidas!

Por mais estranhos que alguns personagens sejam, devo admitir que conforme eu lia o livro, sempre me lembrava de algum conhecido por um ou outro motivo. Ou seja, esta é uma história que realmente nos faz sentir conectados e, assim, ela flui muito facilmente. A linguagem empregada também ajuda bastante para que a leitura embale e não nos deixa tão perdidos diante da temporalidade não linear da narrativa.

Eu poderia ainda comentar muitos outros aspectos deste livro, mas como já fiquei quase uma hora na Livraria Ponta de Lança batendo um papo com o Fernando sobre À deriva e A longa noite de Bê, deixo para os mais curioso o link deste encontro e convido a todos a seguir o autor nas redes sociais (Instagram) e, claro, garantir o seu exemplar desta obra:

A vida fora das telas

Ando sumida daqui, é verdade.

Tenho resenhas para escrever, artigos que quero traduzir, materiais para compartilhar. Mas tem me faltado tempo.

Deixei que alguns dias passassem e tenho pensado em deixar mais outros tantos passarem. Voltarei quando tiver algum material já escrito, para não te deixar à deriva novamente.

Aproveito o infame jogo que fiz, porém, e deixo aqui o meu convite: hoje (25/03/2022), às 19h30, estarei na Livraria Ponta de Lança (R. Aureliano Coutinho, 26 – Vila Buarque, São Paulo – SP) mediando um bate-papo com o autor Fernando Ferrone, que além de A longa noite de Bê, escreveu também À deriva (que está entre as resenhas a serem escritas).

O bate-papo também será transmitido, ao vivo, pelo Instagram da Livraria.

Como você pode ver, ando sumida daqui, mas a vida está seguindo fora das telas. Estou numa correria por ter começado em um novo emprego esse ano, mas sigo lendo sempre que posso e, felizmente, agora estão voltando os eventos literários presenciais.

Inclusive, aproveito para lembrar que tenho uma newsletter (que também sofre de algumas ausências minhas, por vezes), na qual divulgo lançamentos, eventos e cursos relacionados a esse universo que tanto me fascina.

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