
Daquelas leituras que mexem profundamente conosco, Em busca de sentido, escrito por Viktor E. Frankl, aborda muitas questões que merecem ser discutidas. Por isso, além do que já apresentei na resenha, aqui você poderá conferir alguns trechos do livro.
Começaremos pelo fato de que a história nos conta sobre os horrores do holocausto do ponto de vista de um sobrevivente e, mesmo que este não seja o foco da obra, há diversas passagens sobre isso.
“Ninguém ainda consegue acreditar que de fato tiraram literalmente tudo da gente”
“A ‘vida’ do ‘número’ é irrelevante. O que está por trás desse número, o que representa esta vida, é menos importante ainda: o destino — a história — o nome de uma pessoa”
“É compreensível que a maioria dos prisioneiros seja atormentada por uma espécie de sentimento de inferioridade. Antes, cada um de nós havia sido ‘alguém’, ou ao menos julgava sê-lo”
“Desde Auschwitz nós sabemos do que o ser humano é capaz. E desde Hiroshima nós sabemos o que está em jogo”
“A bondade humana pode ser encontrada em todas as pessoas e ela se acha também naquele grupo que, à primeira vista, deveria ser sumariamente condenado”
Claro que este tema nos leva a outro: como se sentem e se enxergam as pessoas que passaram por esse horror.
“Todos nós que escapamos com vida por milhares e milhares de coincidências ou milagres divinos — seja lá como quisermos chamá-los — sabemos e podemos dizer, sem hesitação, que os melhores não voltaram”
“Será que a pessoa nada mais é que um resultado de múltiplos determinantes e condicionamentos, sejam eles de ordem biológica, psicológica ou social?”
A falta de alegria — mas a necessidade do humor — também se fazem presente nesta narrativa. Este tema, aliás, é recorrente em obras com esta temática e sempre nos faz pensar.
“A vontade de humor — a tentativa de enxergar as coisas numa perspectiva engraçada — constitui um truque útil para a arte de viver”
“Literalmente, desaprendemos o sentimento de alegria”
O tema central da obra, contudo, não é exatamente o Holocausto, mas o sofrimento e, como o próprio título deixa claro, a busca por um sentido.
“Se a vida tem sentido, também o sofrimento necessariamente o terá. Afinal de contas, o sofrimento faz parte da vida, de alguma forma, do mesmo modo que o destino e a morte”
“Durante anos a fio a pessoa acreditou ter chegado ao ponto mais baixo possível do sofrimento, mas constata agora que, de alguma forma, o sofrimento não tem fundo, que aparentemente não existe o ponto baixo absoluto, e as coisas podem piorar cada vez mais, descer cada vez mais…”
“Sofrimento de certo modo deixa de ser sofrimento no instante em que encontra um sentido, como o sentido de um sacrifício”
Por fim, é bonito de ver como, apesar de tudo, ainda há espaço para reflexões sobre o amor.
“Naquele momento, fico sabendo que o amor pouco tem a ver com a existência física de uma pessoa”
Se quiser saber mais sobre esta obra profunda e necessária, clique abaixo para ler a resenha completa.