Quando a neve cair — Thaís Bergmann

Título: Quando a neve cair
Autora: Thaís Bergmann
Editora: Duplo Sentido
Páginas: 43
Ano: 2021

Segunda parada da nossa viagem pelo Brasil: Santa Catarina! Se você chegou aqui agora e não sabe de que viagem estou falando, não deixe de conferir esse post aqui. E antes de contar sobre a história da vez, quero contar da minha relação com Santa Catarina.

Visitei, apenas uma vez na vida, Florianópolis. E isso foi lá em 2013, um pouco depois de prestar vestibular Eram umas merecidas férias de janeiro e fiz essa viagem turística, com meus pais. Ficamos mais pelo hotel mesmo, mas em um dos dias, fizemos uma volta pela ilha.

Se eu fosse hoje para lá, a experiência seria muito diferente, sem dúvidas! Agora eu teria a possibilidade de conhecer pessoalmente muitas pessoas que conheci, nesse último ano, através das telas e, com certeza, aproveitaria ainda mais cada momento e conheceria muitos outros lugares.

Esse contato com tantas pessoas de Santa Catarina têm me ensinado muito, mesmo que elas provavelmente nem se deem conta disso. E acredito que esse aprendizado tornou a minha experiência de leitura desse conto ainda mais especial e divertida.

Quando a neve cair não se passa em Florianópolis, mas na Serra Catarinense. Camila, a protagonista, tem apenas 16 anos e está hospedada, com seus pais, em um hotel fazenda em Urubici. Eles estão ali não apenas para aproveitar o final de semana em grande estilo, mas também pelas notícias de que nevaria por lá.

A verdade é que eles sabem bem o que é a “neve” da Serra Catarinense, mas é evidente que Camila e sua família adoram aquele lugar e o passeio em si. A paixão de Camila, porém, fica ainda mais evidente quando ela conhece Hugo, um rapaz da sua idade, que também está ali com os pais, mas pela primeira vez e ansioso por ver neve!

“A afirmação me pega um pouco de surpresa porque nenhum catarinense chega aos dezesseis anos sem ter subido a serra pelo menos uma vez na vida. Ainda mais que, pelo “s” bem puxado, parecendo com o som de “x”, é óbvio que ele é manezinho da ilha, e Florianópolis fica ainda mais perto de Urubici do que Imbituba, de onde eu sou!” 

Este conto, porém, não é apenas uma história sobre “a neve na serra catarinense” — aliás, esse é quase um detalhe na história — mas sobre amor. Contudo, não se trata de uma mera narrativa melosa e de contos de fadas. Muito pelo contrário, para ser sincera!

Apesar de nova, Camila já sofreu uma bela desilusão amorosa, então mesmo sentindo um belo frio na barriga por ver — e conversar! — um rapaz tão bonito e simpático, ela tenta, a qualquer custo, se manter racional. Claro, ela acaba falhando em alguns momentos, mas tendo a certeza de que aquela história duraria apenas um final de semana, Camila se mantém firme em algumas decisões suas — daquelas que nos fazem pensar: “pare de ser assim, vai aproveitar a vida!” —, para evitar se machucar novamente.

“É nesse momento que tenho certeza que não importa que a gente tenha menos do que vinte e quatro ou quarenta e oito horas juntos: jamais vou esquecer dele ou dessa viagem”

Quando a neve cair é, portanto, um conto que consegue, mesmo em sua brevidade, nos apresentar belas paisagens catarinenses, ao mesmo tempo em que nos faz refletir sobre o quanto vale realmente à pena tentar ser mais racional que sentimental, apenas para evitar um sofrimento.

Fiquei abismada com o desfecho da história, que é daqueles que acende uma luzinha em nossa cabeça, nos lembrando que a vida está aí para ser vivida e sentida. E se você quiser entender do que eu estou falando, já vem aqui garantir o seu conto.


Confira a viagem do Meu Brasil é assim através das minhas resenhas:

Adelphos – M. Pattal

Título: Adelphos - A revelação
Autor: M. Pattal
Editora: PenDragon
Páginas: 370
Ano: 2016 (1º edição)

Não posso começar essa resenha sem deixar de dizer que me apaixonei por Adelphos. Quando li o prólogo da obra eu quase desanimei, pois não estava entendendo nada: um monte de nomes difíceis, um mundo totalmente diferente do nosso. E olha que até mapa tem nesse livro. Naquele momento, pensei comigo: “a leitura será longa e pedregosa como parece ser esse mundo aí…”. Mas, longe disso, a narrativa de Adelphos me envolveu até a última página e agora tudo o que possa fazer é aguardar ansiosamente uma continuação.

“Todas as vezes que você der o seu melhor, você será considerado o melhor”

Adelphos (p.265)

Os capítulos do livro são curtos e a narrativa é sempre interrompida em um momento perfeito para prender o leitor. Além disso, a história vai alternando entre os passos dos personagens principais e também de outros personagens não menos importantes para o desenrolar dessa história.

“Muitas perguntas, poucas respostas”

Adelphos (p.47)

Logo no começo do livro conhecemos, em primeiro lugar, Enzo, um carioca surdo e praticante de tiro com arco. O jovem sonha participar das Olimpíadas e, para isso, treina duro. Além do tiro com arco, esse personagem também gosta de MMA e de nadar. Por ser surdo, Enzo tem problemas com seu pai, que o despreza por sua deficiência.

Depois de Enzo, somos apresentado a Milena, que será chamada de Mila ao longo de toda a história. Ela mora em Santa Catarina e nasceu com um sério glaucoma que a deixou praticamente cega. Ainda assim, ela treina para participar das Olimpíadas como ginasta. Além disso, Mila também pratica Kitesurf. Mila sofre nas mãos de sua madrasta, que a considera uma incapaz.

Por fim, conhecemos Danilo — ou Dan —, um baiano que perdeu uma das pernas após um acidente e que usa uma prótese. Ele treina para poder competir no atletismo das Olimpíadas, além de gostar de praticar escalada. Ele vive com a avó, pois seu pai o abandonou quando ele nasceu e sua mãe o abandonou depois que ele perdeu a perna.

“Ninguém está neste mundo por acaso, ninguém. Todos nós temos um propósito, mesmo que ainda não saibamos”

Adelphos (p.193)

Com essa “pequena” introdução já podemos perceber que esses três jovens têm muito em comum, apesar de morarem em regiões distintas desse nosso Brasil. Mas as coincidências não param por aí: um belo dia, enquanto estão relaxando em diferentes tipos de águas — Enzo na piscina, Mila na Lagoa e Dan em uma cachoeira — eles avistam uma luz e são sugados por ela….

“Três adolescentes com deficiência, querendo provar que é possível participar das Olimpíadas como outros atletas, chegam a este mundo através das águas. Os três ganham uma marca estranha, poderes estranhos e até agora nenhuma resposta”

Adelphos (p.264)

Essa luz os transporta para um outro mundo. E é nesse mundo que tem aquele monte de nome estranho que vi no prólogo e que eu não estava entendendo nada. Mas, aos poucos, passamos a compreender cada detalhe. Vamos desvendando cada canto desse estranho mundo com Enzo, Mila e Dan e também com os companheiros que eles encontram pelo caminho.

“Ter amigos verdadeiros ao nosso lado ajuda a enfrentar os momentos de dor e sofrimento. A verdade é que precisamos uns dos outros para sermos pessoas melhores”

Adelphos (p.319)

O mundo para o qual eles são transportados chama-se Oykos e está dividido em 12 terras: Kéfali, Láthos, Pólemos, Dásos, Agrótis, Metallórykos, Ámnos, Zóa, Mýga, Sóphos, Neró e Adelphia. Cada uma dessas terras possui um lema e, antes de exemplificar, preciso dizer como esses lemas — e tantas outras passagens do livro — fizeram com que eu enxergasse essa história de maneira metafórica. Mas vamos ao exemplo e daqui a pouco me aprofundo nisso. O lema de Agrótis, a terra que cuida dos grãos e alimentos que servem a todas as outras terras é apresentado e explicado na seguinte passagem:

” — Nosso lema é: ‘Semear, Cuidar, Crescer e Colher’. Isso vale não apenas para os cereais, mas também para as nossas vidas. Tudo o que semeamos na vida, com certeza colheremos”

Adelphos (p.63)

Percebem o porquê de minha leitura metafórica? O trecho acima passa muito bem do concreto para o metafórico, o que nem sempre é tão explícito ao longo do livro. Mas até mesmo Oykos, como um todo, não seria um imenso refúgio necessário para os três jovens que sofrem tanto em suas realidades?

“Mila… terremotos e erupções fazem parte da nossa vida, tanto em relação ao Fotiah, como das dificuldades que enfrentamos na vida. Nem por isso podemos desistir”

Adelphos (p.95)

Mas não se enganem: Oykos está muito longe de ser um mundo perfeito. Ali o bem e o mal estão em constante disputa pela dominação total das terras. A opressão ocupa lugar de destaque, ainda que Oykos tenha tudo para funcionar de maneira harmoniosa.

E se quando mencionei o fato de que em Oykos existem 12 terras você — assim como eu — lembrou-se de Jogos Vorazes, é porque ainda não mencionei os Jogos da Liberdade (que apesar do nome, são horríveis), em que cada terra deve enviar um “tributo” para uma ilha onde vivem os prisioneiros de Oykos e as criaturas que foram totalmente dominadas pelo ódio e pelo mal. Vencem aqueles que conseguirem atravessar a ilha e chegar vivos ao outro lado, o que está bem longe de ser uma tarefa simples.

Já deu para imaginar as encrencas que Enzo, Mila e Dan encontrarão pela frente, não? E é incrível ver como tudo é minimamente pensado e construído nessa história. O livro pode até parecer grande, mas não há uma palavra supérflua ali. Fora as milhares de lições de vida e tapas na cara que recebemos ao longo da leitura.

Eu até diria que esse livro me apareceu no momento certo, mas não acho que existiria um momento “errado” para ele aparecer. Um livro que fala sobre amizade, sobre perdão, sobre superação, sobre empatia… Enfim, um livro que fala sobre tantas coisas bonitas certamente poderá te ajudar nos mais diversos momentos de sua vida, seja uma briga banal, um briga séria, um momento de dor, de reflexão e até em momentos de alegria. Adelphos é uma história que nos reconhece como humanos e que nos faz pensar sobre os poderes que temos por sermos quem somos.

“A prática do amor pressupõe doação. Não apenas doação de tempo, talentos e tesouros mas, principalmente doar de si mesmo para o outro”

Adelphos (p.336)

Se você gosta de histórias de fantasia, mas que sabem mesclar perfeitamente a realidade; se você gosta de livros que te fazem refletir, mas que ao mesmo tempo ajudam a distrair a mente; se você gosta de histórias bem construídas… Esse livro é pra você! Tenho certeza de que Adelphos irá conquistar o coração de jovens e adultos, basta que vocês  acreditem e deixem ele entrar no coração de vocês (assim como deve acontecer com a marca de Pneuma…).

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