Flor de Lis — Djavan

Flor de Lis Djavan

Lembra que na época das eleições todo mundo falava para tomar cuidado com fake news e também para sempre checar as informações para repassar? Pois é, bem antes disso a gente já caía em fake news e nem ligava…

Quando eu estava no Ensino Médio me disseram que a música Flor de Lis, do Djavan, era uma homenagem do cantor e compositor para sua esposa, Maria, que falecera no parto, com sua filha, Margarida. E olhando a letra, essa até é uma história que faz sentido… Mas jogando rapidinho no Google logo descobrimos que é tudo mentira (ao menos é uma mentira criativa, vai).

Flor de Lis foi lançada em 1976 e faz parte do primeiro álbum da carreira de Djavan. E em 1976 Djvan já era casado com Maria Aparecida dos Santos Viana e assim o foi até 1998, quando se separaram.

A música, se pararmos para analisar a letra, realmente fala do fim de um relacionamento (e isso fica claro com “é o fim do nosso amor”), mas, ao contrário do que o boato dizia, não por causa da morte de uma das partes, mas pelo fim do sentimento em si, que uma das partes não soube cultivar (“eu sei que o erro aconteceu/ mas não sei o que fez/ tudo mudar de vez/ onde foi que eu errei?”).

Mas olha como a gente quer achar explicação em tudo: o eu-lírico da canção, o ser que perdeu seu amor, que não viu o “jardim da vida” florescer com outras flores e outros amores, não precisa ser, necessariamente, o próprio Djvan, afinal, é uma música, e a música pode ser universal! Mas há quem diga que Flor de Lis retrata o final do relacionamento de Djavan e Maria (o que, cronologicamente, não faria sentido, pois a canção é de 1976 e eles foram casados, ao menos no papel, até 1998). Se pensarmos por um outro ângulo, quer nome mais universal que “Maria”? Quer nome melhor para mostrar que essa é uma música para todos?

De qualquer maneira, uma coisa não dá para negar: Flor de Lis é uma linda canção e o modo como ela retrata a dor do fim de um relacionamento (“Será talvez/ que minha ilusão/ foi dar meu coração/ com toda força pra essa moça/ me fazer feliz/ e o destino não quis/ me ver como raiz/ de uma flor de lis”), da percepção de que algo não deu certo e que, ao mesmo tempo, no solo ferido não nasce um novo amor (“do pé que brotou Maria/ nem Margarida nasceu”)… É pura poesia!

Valei-me, Deus é o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei, que amei, que amei, que amei
Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis
E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira, poeira
Morto na beleza fria de Maria
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu

Tatianices Recomenda [10] — dica teatral

Primeiro final de semana do ano e a cidade ainda está relativamente vazia (se é que em algum momento ela fica realmente “um pouco vazia”). O teatro está lotado, numa tarde chuvosa de janeiro. As cortinas se abrem e começa o espetáculo. Senhoras e senhores, que espetáculo!

A Cor Púrpura – O Musical é uma peça baseada na obra homônima, escrita por Alice Walker e vencedora do Prêmio Pulitzer (um livro que acabou de entrar na minha lista de livros que preciso ler urgentemente). Sim, a dica de hoje é teatral, mas ainda está relacionada a livros.

Com um elenco composto 100% por atores negros, A Cor Púrpura – O Musical retrata a dura vida de Celie, uma mulher negra no início do século XX. Assistindo ao espetáculo eu só conseguia pensar como o livro que deu origem a ele deve ser incrível. E olha que eu nem tinha certeza de uma coisa: o fato dele ter sido escrito por uma mulher!

Gente, pensem: A Cor Púrpura retrata a vida (e o sofrimento) de uma mulher. Uma mulher negra. No início do século XX. É uma história que denuncia abusos, machismo e que, ao mesmo tempo, fala sobre como a mulher existe sim na sociedade, como ela pode impor respeito e, mais que isso, deve sim ser respeitada como ser humano! Ver essa peça (e provavelmente ler esse livro) é um mix de “isso não acontece”, “isso não pode acontecer”, com “isso acontece sim” e “socorro que mundo é esse em que vivemos?”. E, sim, infelizmente, por mais que retrate uma sociedade do início do século XX, a trama dessa peça é muito atual.

A peça está em cartaz no Teatro Net, em São Paulo (fica dentro do Shopping Vila Olímpia e é pertinho da estação Vila Olímpia da linha 9-Esmeralda), até meados de fevereiro. Os ingresso podem ser adquiridos aqui ou diretamente na bilheteria (opção que eu recomendo, viu!). Os valores do ingresso são um pouco salgadinhos (a inteira mais barata custa R$75,00 e a mais cara custa R$220,00), mas não vou negar que cada centavo vale. Dá para ficar arrepiado do começo ao fim e, mesmo com todo o peso da história, é possível também dar boas risadas.

Quem me chamou para ver essa peça foi minha amiga Nati, administradora do Blog (maravilhoso) Napolitano como meu pé e eu agradeço imensamente o convite e a oportunidade de ver e conhecer uma história dessas e tantas outras que você me apresenta!

Um caso com meu chefe — Bell Cunha

Título: Um caso com meu chefe
Autora: Bell Cunha
Editora: Sekhmet
Páginas: 34
Ano: 2017

um caso com meu chefe

Sabe aquele dia em que você está atrasada e parece que tudo dá ainda mais errado? Pois é assim que começa a história de Rebeca, justamente no dia em que ela irá conhecer Henrique, seu novo chefe. Este, por sua vez, vai assumir a presidência da empresa de seu pai, que está se aposentando. E ele herda, além da empresa, a secretária de seu genitor. Uma secretária um tanto quanto atrapalhada e respondona que é ninguém menos que… Rebeca! E ela já chega trombando com ele (sem saber que é seu novo chefe) e xingando…

Pelo título já dá até para imaginar o que vem por aí, certo? Rebeca e Henrique, logo de cara, são obrigados a viajar à trabalho, tendo de se hospedar no mesmo quarto (ainda que seja um quarto com duas camas!). O desenrolar dos fatos é bem interessante.

Um caso com meu chefe é uma daquelas leituras leves e divertidas. E quentes também, claro. Esse livro é bem curtinho, ainda que a história pudesse ter sido muito mais desenvolvida. Tudo acontece bem rápido e sem aprofundar muito, mas é uma leitura para esquecer dos problemas e até mesmo para tentar superar um ressaca literária.

Quer conhecer Rebeca e Henrique e saber o que acontece com eles? Então clica aqui!

 

 

12 livros para 2020

Doze livros para 2020

Como eu disse na minha retrospectiva, não costumo estabelecer metas, ainda mais de leitura. Mas, esse ano, resolvi me desafiar um pouco, separando 12 tipos de livros que eu gostaria de ler ao longo do ano, um para cada mês (e não necessariamente na ordem que colocarei aqui):

  1. Um livro escrito por uma mulher
  2. Uma HQ ou um mangá
  3. Um livro em inglês
  4. Um livro em italiano
  5. Um livro de fantasia
  6. Um livro clássico
  7. Uma biografia/livro de não ficção
  8. Um livro sobre o ou que se passe no período do Holocausto
  9. Um livro de um(a) escritor(a) negro
  10. Um livro de poesia
  11. Um livro sobre algum transtorno/doença psicológica
  12. Um livro com protagonistas LGBTQ+

Aceito sugestões para cada uma das categorias acima, ainda que algumas delas tenham sido pensadas de acordo com alguns livros que estão parados na minha estante (e esse é o verdadeiro desafio: desencalhar livros!).

Conforme eu for cumprindo as leituras, trarei a resenha para vocês e a qual categoria o livro pertence. Lembrando (a mim mesma) que cada livro só poderá eliminar uma categoria!

Alguém que me acompanhar nessa? Ou vocês também já estabeleceram seus desafios?

Retrospectiva 2019

Retrospectiva 2019

Como eu disse no Resumão de dezembro, sobrevivemos a 2019, agora definitivamente. Mas entre altos e baixo, alegrias e tristezas, não posso deixar de dizer que, por aqui, foi um ano bom. E em relação às leituras também.

Comecei o ano sem grandes pretensões, ainda que eu quisesse que o Blog pudesse sempre crescer mais e mais. E aí, mais para o final do ano, passei a me perguntar algumas coisas, vendo as estatísticas deste cantinho: será que eu conseguiria chegar em 200 seguidores aqui na plataforma, até dezembro? E em visitas, conseguiria atingir 10.000 durante o ano? Para minha surpresa, antes mesmo de dezembro começar, essas duas marcas foram atingidas e superadas (no final das contas, chegamos a mais de 215 seguidores e mais de 11.000 visitas). Que alegria!

Claro, são apenas números. Mas números que demonstram um imenso crescimento do Blog, principalmente em relação ao primeiro ano de vida dele. São números que me incentivam a seguir em frente e a tentar trazer cada vez mais um conteúdo de qualidade.

E, como o foco daqui são os livros, para trazer conteúdos eu preciso… Ler! E ler muito! E nesse quesito, 2019 foi, novamente, um ano de superação: o ano que mais li na vida! Foram 57 livros (publicados) ou, mais exatamente, 15 contos e 42 livros lidos.

Como de costume, não vou estabelecer metas para 2020. Espero, somente, poder continuar as incríveis trocas que o Blog me propicia e também espero poder crescer profissionalmente trabalhando com o que gosto: livros e língua e cultura italiana. E claro, não quero deixar de ir a eventos literários, que foram ótimos em 2019!

Aproveito essa retrospectiva para deixar um enorme obrigada aos paceiros e amigos que este Blog me deu. Em 2019 conheci muitos escritores incríveis e blogueiros maravilhosos e espero que 2020 continue assim!

 

Estática Humana — Michelle Pereira

Título: Estática humana
Autora: Michelle Pereira
Editora: Publicação independente
Páginas: 37
Ano: 2019

estática humana blog

Ainda em clima natalino (mas não muito) hoje venho falar para vocês sobre o conto Estática Humana, da autora Michelle Pereira. Uma leitura rápida, mas de tirar o fôlego…

Nesta história conhecemos Sharlenne Marin — ou Lenny — uma policial que nunca levou jeito para a profissão e que, justamente por não ser uma das melhores, quase sempre era escalada para os plantões de natal, que deveriam ser tranquilos. E talvez fossem, exceto em 1989, 1993, 1996 e 1999.

Nesses quatro anos, um crime terrível aconteceu em 24 de dezembro, na Avenida Insular. E, aos poucos, as peças desse grande quebra-cabeça vão se encaixando. Há pistas a cada página (como não poderia deixar de ser, em uma história tão curta e tão intensa quanto essa) e coincidências que podem passar desapercebidas, mas que não deveriam.

E, vejam só: não ser a melhor não significa que Lenny seja incapaz de desvendar grandes mistérios e salvar colegas de trabalho, não é mesmo?

Como sempre, Michelle Pereira pega seu leitor e o amarra às paginas de seu livro, nos fazendo ler com avidez essa história, querendo desvendar o mistério que cerca a Avenida Insular. A linguagem, a construção das cenas e dos personagens são impecáveis. Estática humana é um conto rápido e instigante, capaz de nos mostrar que há seres humanos de tudo quanto é jeito por aí, até mesmo na véspera de natal.

Não deixe de ler Estática Humana e acompanhar Lenny nessa jornada assustadora.

 

 

Surpresas de Natal (Antologia)

Título: Surpresas de Natal
Organização: Equipe Lettre
Editora: Lettre
Páginas: 267
Ano: 2019

surpresas de natal blog

Para você que gosta desta época natalina e, mais ainda, de ler histórias de natal, a antologia Surpresas de Natal, da editora Lettre, é um prato cheio. Mas não se engane: nem tudo são flores nesta época em que esperamos paz, amor e prosperidade. E esse livro também está aqui para nos lembrar disso.

Com contos bem variados, que vão desde fantasias leves até thrillers, passando por romances hot, Surpresas de Natal é uma antologia capaz de agradar públicos diversos e nos surpreender com a escrita dos autores, muitos deles iniciantes. Mas, para abir uma antologia como essa, nada melhor que um poema que nos faça refletir. Assim, “Sem lareira” (Iara Melchor) é o primeiro texto deste livro.

Depois disso, por meio da forma como os contos foram organizados, passamos a navegar por estilos literários diversos, sem que a leitura caia na mesmice. Para quem gosta de histórias de amor mais leves, por exemplo, temos “Milagre de natal” (Crislaine Borges), “Tudo o que eu quero é você” (Vittoria D’Amato), “Os natalinos” (Rebeca dos Santos) — que provavelmente vai te fazer rir —, “O natal pode te surpreender” (Milena Santos) e “Os sinos tocavam” (Verônica Matioli). Agora, se você quer romance com uma pitada mais caliente, temos “Meu corpo ao teu” (Kadu Hammett), “O sedutor natalino” (Thamires Ricardo) e “Festa à fantasia” (Ana Carolina).

Para quem é mais radical e destemido(a) temos “Serial Killer do Natal” (Alda de Medeiros), “Seu desejo é uma ordem” (Simone Soares), “Espírito Natalino” (Larissa Oliveira) e “A carta de Noel” (Alessandra R. Abreu).

Há, ainda, um conto de fantasia mais leve e super gostoso de ler, que é “O natal dos Yroi” (Alessandra R. Abreu). Mas também há contos mais metafóricos, que abordam uma temática para além da natalina e que considero bem importantes e, tudo isso, usando da magia do natal para nos fazer refletir. É o caso de “O natal do bem e do mal” (Fabiane Rodrigues), que nos transmite uma linda mensagem de paz, e “O natal de Andesvil” (Adryelle Souza), que aborda um grande problema que parece assolar cada vez mais nossa sociedade.

Por fim, os contos que me deixaram com mais sensação de natal foram “A santa ceia” (Fabiane Rodrigues), “Amor no natal” (Alda de Medeiros) e, fechando com chave de ouro a antologia, “Cadê o papai Noel” (Ingrid Sousa), que além do espírito natalino, ainda nos faz pensar sobre as nossas vidas, com uma mensagem muito importante, ideal para nos fazer começar 2020 de maneira mais leve.

Se interessou por essa Antologia? Então clica aqui! E aproveite que ela está gratuita de 24/12 a 28/12/2019.

Desmistificando o mestrado [3] — Prova de conhecimentos específicos e entrevista

Desmistificando o mestrado [3]

Depois de falar para vocês sobre a prova de proficiência, chegou a hora de falar sobre as outras duas etapas de seleção do Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas, que são, na sequência: prova de conhecimentos específicos e entrevista.

Neste Programa de Pós-Graduação, a prova de conhecimentos específicos é realizada no dia seguinte à prova de proficiência, para facilitar o acesso àqueles que vem de outras cidades ou até mesmo Estados.

Para realizar essa prova você deve ler a bibliografia indicada, que varia de acordo com a área para a qual você está prestando a prova (língua, literatura ou tradução). Essa prova acontece da seguinte maneira: recebemos cerca de cinco perguntas relativas à área que escolhemos e devemos responder a duas delas, com um texto dissertativo de cerca de 20 linhas para cada questão escolhida. Quase sempre essa prova acontece em salas que possuem computadores, o que ajuda muito na hora de escrever e rescrever as respostas.

Nesta prova não é permitido nenhum tipo de consulta, mas também não é nenhum bicho de sete cabeças. Claro que, para isso, é importante ter lido a bibliografia e também ter certo conhecimento na área e, principalmente, sobre aquilo que você irá pesquisar.

Superada essa etapa, chegamos à entrevista. Cerca de duas semanas depois das duas provas já mencionadas, os alunos selecionados (ou seja, que foram aprovados em ambas as provas) são chamados para a tal entrevista. A quantidade de professores que vão nos entrevistar varia de acordo com a disponibilidade deles (quando eu fiz, estavam praticamente todos lá!).

Os professores vão fazendo perguntas sobre seu projeto (que em algum momento, no meio do caminho, já foi entregue), para verificar se você realmente tem ideia do que vai pesquisar e, mais que isso, se é realmente viável a sua pesquisa. Também é uma forma deles conhecerem um pouco mais sobre você e seu percurso acadêmico até ali. É nessas horas que ter feito uma iniciação científica, por exemplo, faz diferença, ainda que ela não seja um requisito para esse Programa de Pós-Graduação (mas é para alguns outros, então preste atenção a isso).

Depois da entrevista, tudo o que nos resta é aguardar o resultado final. Neste Programa de Pós-Graduação não somos nós quem escolhemos o orientador, mas os próprios professores que dividem os candidatos entre si. Então, quando recebemos o resultado final, em caso de aprovação, ficamos sabendo, também, quem será nosso orientador.

Espero que tenham gostado do post e, se tiverem dúvidas, fiquem à vontade para perguntar. O próximo post será sobre o projeto de pesquisa, que acabei não explicando ainda.

Tamara Jong: a jornada da morte — José M. S. Freire

Título: Tamara Jong: A jornada da morte
Autor: José M. S. Freire
Editora: publicação independente
Páginas: 387
Ano: 2018

tamara jong blog

Tamara Jong: a jornada da morte é o segundo volume de uma série fantástica — nos dois sentidos, com o perdão do trocadilho — escrita para o público jovem. Mesmo sem  ter lido ler o primeiro livro, consegui acompanhar bem a história, porque, para começo de conversa, há um prefácio muito claro, capaz de nos ambientar com relação ao que passou, e também com aquilo que encontraremos pela frente.

Esse é um livro extremamente adequado para os jovens, pois Tamara — uma coreana que vem morar no Brasil — ao lado de seu namorado Rodrigo, de sua irmã Débora e de seu cunhado André, são personagens que conseguem transmitir bem a essência juvenil, enquanto também nos fazem refletir e nos ensinam muitas coisas.

“Havia momentos bons e momentos ruins para todo mundo, mas as pessoas não podiam simplesmente cruzar os braços e esperar as dificuldades passarem, para continuar seguindo em frente”

Neste volume, Tamara e seus companheiros precisam lutar ao lado de seus amigos Ulianos, para evitar o assassinato dos emissários de Arkabur, em um plano arquitetado por Guaxaltopac, o ditador Monera. Muito confuso? Garanto que não! Nos acostumamos rapidinho com esses nomes diferentes, ao mesmo tempo que vamos dando boas gargalhadas. Só é muito doido como, mesmo lendo um livro de fantasia, infelizmente, percebemos suas semelhanças com a vida real.

“E só agora percebo quanto é alto o preço que pagam aqueles que lutam por uma causa justa e verdadeira”

No meio dessa história, que tem ação na medida e na hora certa, acontece uma reviravolta com nossa protagonista que custamos a acreditar ser possível. E dali para frente só queremos entender como e onde tudo isso acabará. E quando acaba, ficamos ansiando pela continuação, que já estou morrendo de curiosidade de ler.

“É engraçado como em determinadas situações da vida, coisas tão banais e corriqueiras que a gente usa no dia a dia e quase não dá importância, de repente, dependendo de onde nós estamos, ou do jeito que estamos, podem se transformar em nossos maiores desejos de consumo”

Uma coisa que torna essa história ainda melhor é o fato de termos como protagonista uma personagem como Tamara: destemida, dócil, forte, carinhosa, inteligente e compreensiva. Maí-Turá, outra personagem, também não deixa nada a dever para o time feminino dessa narrativa. E não posso deixar de ressaltar, também, como não importa quem é ou como é cada personagem, todos podem ser importantes e ganham seu papel de destaque mais cedo ou mais tarde.

Consegui despertar sua vontade de conhecer Tamara e seus companheiros? Então clica aqui!

Música em contos 2 – Susana Silva (parte 5)

música em contos 5

Hoje venho apresentar o último conto (já??) da provinha que tive de Música em contos 2. E esse foi para fechar com chave de ouro, sendo um conto bem diferente dos anteriores. Escrito por Lu Franzin, o título dele é Deus me deu você, e ele é baseado na música God gave me you (Blake Shelton). A canção faz parte da história, o que justifica a semelhança dos títulos.

Considero esse conto o mais diferente dos outros que li, por ele ter certo grau de fantasia. A protagonista Makena — ou Kena, como prefere ser chamada — possui o poder de “absorver” a dor dos animais. Ver um animal sofrendo, portanto, é uma tortura imensa para ela. E, para melhorar, seu pai é veterinário. Sua mãe, por outro lado, é pediatra infantil, e adoraria — apesar de tudo — que esse poder funcionasse com as crianças também.

Mas para termos ideia do tamanho desse dom, Kena não consegue se formar em veterinária, pois o sofrimento dos animais era extenuante demais para ela. Quando um animal está mal, ela absorve essa dor e, consequentemente perde sua própria energia, colocando, algumas vezes, em risco a própria vida.

E Kena ainda é daquelas protagonistas teimosas, capazes de “sequestrar” um animal que estivesse mal, para poder curá-lo na clínica de seu pai. E claro que isso a coloca em diversas encrencas. Mas é em um desses “sequestros” que ela conhece Daniel, que apesar da raiva consegue reconhecer o que ela fizera por seu querido cachorro.

Foi muito bom ter conhecido um pouco dessa antologia, organizada por Susana Silva. O livro ainda não tem previsão de lançamento (mas falta pouco!) porém, quem quiser conhecer um trabalho da autora nessa mesma linha pode ler Música em contos 1.