Citações #18 — Allegro em hip-hop

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Mesmo escrevendo uma resenha imensa, deixei muitas passagens de Allegro em hip-hop de fora. O livro de Babi Dewet, lançado no Brasil em 2018, pela editora Gutenberg, mexeu muito com meu coração.

O fato da música estar sempre presente nas histórias da Babi é algo que me encanta, porque eu sempre achei que essa arte é muito importante em nossas vidas, devido ao fato de mexer com nosso emocional:

“Música tinha esse poder de reviver memórias e sentimentos que às vezes ele só queria ignorar” (p.35)

E a mistura entre música e sentimento, aliás, aparece em diversos momentos do livro:

“Tinha sido machucada recentemente, mas naquele momento ela só conseguia se lembrar do quanto amava Tchaikovsky e tudo de bom que sentia quando ouvia suas melodias” (p.247)

Os sentimentos ganham lugar de destaque nessa história, que traz como protagonista uma jovem com ansiedade.

“Aprender coreografias era fácil perto de entender seus próprios sentimentos” (p.251)

Como eu disse em minha resenha, porém, essa jovem tem a sorte de contar com pessoas incríveis, dispostas a ajudá-la. Uma dessas pessoas é Vitor:

“Vitor sempre aparecia nos piores momentos e estendia a mão para ajudá-la” (p.123)

Confesso que gostei muito dessa passagem por ter me identificado demais com ela. Meu namorado também chama Vi(c)tor e sempre me estendeu a mão nos piores momentos. Bem como nos melhores.

O Vitor de Allegro em hip-hop aliás, me lembrou muito o “meu” Victor e isso me encheu ainda mais de amor por esse livro incrível.

Mas o ponto alto de toda essa história é a lição que fica ao final:

“A vida não era sobre ser a melhor de todas. Era sobre ser feliz” (p.314)

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Allegro em hip-hop – Babi Dewet

Título: Allegro em hip-hop
Autor: Babi Dewet
Editora: Gutenberg
Páginas: 334
Ano: 2018

(Leia ao som de: As quatro estações – Vivaldi)

A série Cidade da Música se passa no Conservatório Margareth Vilela, mas como cada volume conta a história de um personagem diferente, podemos ler os livros na ordem que quisermos. Eu gostei muito de Sonata em punk rock e estava bem ansiosa para Allegro em hip-hop. Ansiedade, aliás, é um elemento muito importante nessa história.

Camila Takahashi — mais conhecida por Mila — é uma jovem bailarina descendente de asiáticos e que sempre deu duro, seja pela cobrança familiar, seja pelo fato de que o ballet era sua maior paixão. Por seu esforço e seu talento, consegue uma bolsa para estudar na Margareth Vilela, um renomado conservatório de música que abriu também um curso de ballet, para que os músicos pudessem tocar para os bailarinos.

“Mila tinha nascido para ser a melhor e não seria nada menos que isso”

Allegro em hip-hop (p.12)

Apesar de se exercitar diariamente e se alimentar de maneira relativamente balanceada, Mila não levava uma vida realmente saudável: ela treinava noite e dia, até não aguentar mais, e mesmo exausta treinava mais um pouco. Ela se cobrava de maneira assustadora e não tirava nenhum tempinho para conhecer um pouco mais sobre si mesma. Ao menos não até que tanta coisa começasse a acontecer em sua vida que ela se viu obrigada a refletir um pouquinho sobre seus sentimentos. E é lindo ver como essa personagem amadurece ao longo do livro.

“Ela não fazia ideia de por que discussões e gritaria sempre a deixavam com a sensação de que estava fazendo algo errado, mesmo que o problema não fosse com ela”

Allegro em hip-hop (p.21)

Ao longo da história vamos acompanhado a progressão dos sintomas da ansiedade de Mila, que passa a ter de compreender o que acontece consigo mesma para poder superar seus próprios obstáculos. O mais interessante deste livro, porém, não é somente o fato de termos uma protagonista com ansiedade (e descendente de asiáticos, ainda por cima), mas também o fato de que ele nos mostra o quanto há pessoas ao nosso redor que estão dispostas a nos ajudar.

Mila, por exemplo, tem uma melhor amiga no Conservatório, chamada Clara. Elas são muito diferentes entre si, em inúmeros aspectos, inclusive na questão familiar: enquanto a família de Camila é extremamente conservadora e tradicional, Clara tem duas mães que, segundo as personagens, são incríveis.

“Sorriu pensando no quanto ela e Clara eram diferentes e como se gostavam mesmo assim”

Allegro em hip-hop (p.50)

É nos corredores da Margareth Vilela que Mila conhece, também, Vitor, um violinista ruivo extremamente paciente, simpático, atrapalhado e compreensível.

“Alguma coisa nele trazia uma sensação reconfortante, como o sentimento de voltar para casa”

Allegro em hip-hop (p.34)

Apesar do romance que se instala entre eles, fazendo Mila repensar diversos aspectos de sua vida, percebemos que esse não é o foco dessa história e que Vitor poderia até aparecer como um simples amigo. A presença dele, no entanto é indispensável, pois é ele quem faz o elo entre o ballet de Mila e o hip-hop de seus amigos músicos.

“O compasso era em Allegro, um andamento musical leve, ligeiro e animado, que normalmente é interpretado com movimentos coreográficos mais rápidos e agitados”

Allegro em hip-hop (p.203)

Mila ainda conta, ao longo do livro, com o apoio do Clube da Diversidade, que faz com que ela enxergue a importância de lutar pelo respeito às minorias e combater os preconceitos cotidianos. Muitos outros personagens também lhe estendem a mão, assim como ela busca sempre fazer o bem aos que estão perto dela. Allegro em hip-hop, portanto, também nos fala muito sobre empatia, como não poderia deixar de ser.

“Era engraçado como a força podia vir de pessoas que nem conhecia ou de pequenos momentos ou detalhes”

Allegro em hip hop (p.116)

Outro ponto interessante da história de Allegro em hip-hop é que apesar de se passar numa escola fictícia, em que convivem apenas músicos e bailarinos, trata-se de uma realidade que podemos encontrar facilmente fora das páginas desse livro. Todos os personagens ali são extremamente palpáveis, cheio de sonhos, sentimentos, medos, vontades. Mas ao colocar tudo isso em um Conservatório, Babi Dewet nos permite conhecer mais a fundo, também, as dificuldades que bailarinos e músicos encontram em sua formação e carreira.

“Aquela velha história de que bailarinas eram pessoas boazinhas e altruístas não era totalmente verdade. Elas eram guerreiras e batalhadoras, que buscavam seu lugar ao sol e deixavam sua marca em uma comunidade disputada por ótimos artistas”

Allegro em hip-hop (p.59)

A única coisa que não me pareceu muito real ou que não entendi muito bem ao longo da história foi o fato dos personagens mostrarem a língua um pro outro o tempo todo! A gente faz isso na vida real em todos aqueles contextos???

A narrativa de Allegro em hip-hop é em terceira pessoa e a maioria dos capítulos, claro, são centrados em Mila, mas há alguns mais voltados para Vitor também. Além disso, podemos encontrar, também, diversos diálogos e mensagens de texto trocados entre os personagens. E claro, não poderia deixar de mencionar que cada capítulo traz como “título” uma música diferente.

Eu poderia passar horas e horas falando sobre esse livro, que realmente me fisgou, mas vou parar por aqui com o pedido de que leiam essa belezura. Quando terminei de ler eu não sabia como reagir. O final da história deixa um enorme gosto de quero/preciso de mais. É um final bem aberto, mas ao mesmo tempo, perfeito para o caminhar da narrativa.

Recomendo muito para quem ama ballet e música; para quem quer compreender melhor aqueles que sofrem de ansiedade; para quem quer um livro que apresenta e representa com responsabilidade minorias; para quem, em resumo, quer ler uma boa história, leve e, ao mesmo tempo, profunda.

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