Desmistificando o mestrado [11] — A defesa

Toda vez que eu vou escrever um post novo para essa sessão eu sinto que estou escrevendo sobre um tema que costuma apavorar as pessoas. Mas bem, uma coisa que chama “defesa” não parece realmente boa, né?

A verdade, porém, é que não é bem assim e eu basicamente poderia acabar esse post aqui, com a melhor dica que já me deram: “você vai falar sobre a sua pesquisa. Ninguém sabe mais do que você sobre ela, porque foi você quem se dedicou esse tempo todo a ler, pesquisar e escrever tudo isso” (créditos à minha orientadora que, despretensiosamente me fez esse lembrete em algum momento da minha trajetória).

O que mais eu poderia dizer depois de tão sábias palavras? Tá, sempre temos algo a acrescentar. Até porque, a defesa começa muitos dias antes dela. Na verdade, desde o início, tudo o que fazemos é pensando nela, não é mesmo?

Mas além de pesquisar e escrever a sua dissertação, você também precisará preencher documentos, definir a banca, agendar a defesa, enviar o material para que os professores possam ler. É complicado falar sobre isso, porque essa etapa envolve questões burocráticas, que podem variar de lugar para lugar. Além disso, agora, mais do que nunca, as pessoas tiveram de encontrar novas formas de lidar com tudo isso.

Por exemplo, quando eu entreguei minha dissertação, os professores da banca tinham a possibilidade de escolher entre receber o material impresso ou apenas o pdf. Agora, creio, eles precisam ler tudo pelo computador mesmo.

Pode parecer que, depois de escrever uma pesquisa inteira, preencher alguns documentos, definir a banca e agendar a defesa não sejam coisas tão trabalhosas assim, mas aqui deixo dois alertas: nunca se esqueça da questão dos prazos! Então, por mais que tudo isso pareça tranquilo, evite deixar para o último minuto do segundo tempo. E, por fim, lembre-se que agendar a sua defesa pode ser tão difícil quanto marcar um encontro com os amigos, porque professores são seres ocupados! Além disso, é comum existirem algumas regrinhas para a composição da banca, então é muito importante que você e quem te orienta estejam bem atentos a isso.

Aí você pensa: “ah, mas quem me orienta conhece bem tudo isso, não terá dificuldade em me ajudar”. E você se engana. Eu, por exemplo, peguei um momento de transição de regimento, isto é, um período em que essas tais regrinhas estavam mudando. E é preciso tomar cuidado com isso, pois seu professor não orienta somente você, mas outros alunos que podem ter se inscrito em outros regimentos, então as regras podem mudar de aluno para aluno! (sim, as coisas nunca pode ser fáceis, impressionante).

Para o dia da defesa, em si, as dicas são praticamente as mesmas de qualquer dia importante: tente estar descansado e bem alimentado, não fique querendo decorar cada palavra de sua pesquisa. Além disso, ouça atentamente os comentários da banca, anote as sugestões feitas e responda às perguntas com calma. Dificilmente você não “saberá” a resposta de algum dos questionamentos feitos pela banca. Você pode expor o raciocínio que seguiu em determinado ponto ou mesmo ser humilde e dizer “não havia pensado nisso” ou “não havia pensado nisso desta forma/sob esta perspectiva”.

Falar sobre o dia da defesa também é um pouco complicado de se fazer de maneira genérica. Eu, por exemplo, tive a sorte de ter uma banca tranquila, com professores que demonstraram realmente ter lido o meu trabalho e que me fizeram apontamentos e questionamentos pertinentes. Mas nem sempre é assim, infelizmente, pois alguns avaliadores gostam de procurar pelo em ovo. Mas depois que tudo termina (e eu não conheço histórias de reprovações — ainda que elas provavelmente existam), com certeza vem uma sensação muito boa de missão cumprida.

Bom, o post de hoje talvez não tenha sido muito esclarecedor, mas, de novo, estou à disposição para bater um papo sobre tudo isso, tentar dar um help para quem precisar. E espero que a dica lá do início tenha valido por todo o resto.

Desmistificando o mestrado [6] — Créditos e disciplinas

Destimistificando o mestrado [6]

Depois da aprovação no Mestrado chega o momento de se preocupar com as obrigações que ela traz. Eu já falei um pouco sobre isso aqui, e agora venho me aprofundar em um dos tópicos: os créditos e as disciplinas.

No Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas eu precisava cumprir 8 créditos para poder fazer a qualificação e 24 créditos (com o 8 anteriores incluídos neste número) para poder defender a minha pesquisa.

Na Letras, os cursos de Pós costumam ter uma duração de 120 horas, o que corresponde a uma disciplina de 8 créditos, com 4 horas semanais de aula, durante um semestre (um pouco menos, na verdade). Isso significa que, em tese, você precisa cursar 3 disciplinas ao longo do seu mestrado, sendo obrigatória ao menos uma antes da qualificação. As aulas costumam ocorrer no período da tarde (sim, um grande empecilho para quem trabalha), uma vez na semana (ou seja, 4 horas de aula em um único dia).

Também existem matérias mais curtas (e que, consequentemente dão menos créditos) que são oferecidas vez ou outra. Elas podem durar um mês, ou ser “intensivas”, isto é, ministradas ao longo de uma ou duas semanas. Você pode, ainda, fazer matérias em outros institutos e a quantidade de créditos acaba variando. Eu, por exemplo, cursei uma matéria na ECA que valia 7 créditos.

Isso me lembra outro ponto importante a ser destacado: a única coisa obrigatória na Pós é a quantidade de créditos. Não existe nenhuma matéria básica que deva ser feita, nem o requisito de se cursar ao menos uma matéria no seu Instituto de origem (que, no meu caso, seria a FFLCH).

Claro que você deve buscar matérias minimamente relacionadas à sua pesquisa, pois o intuito é que as leituras e os trabalhos derivados dela possam ser úteis no desenvolvimento de sua dissertação, ou que te ajudem a escrever artigos científicos, por exemplo. Portanto, a matéria que fiz na ECA não foi por mera liberdade de escolha: minha pesquisa estava relacionada à música e, por isso, optei por olhar se havia algo lá que me pudesse ser útil.

Mas aqui vai outra dica (que eu adoraria que tivessem me dado): leia atentamente a ementa da disciplina. Veja a bibliografia, a forma de avaliação e a descrição do curso em si. Eu não fiz isso com a matéria da ECA, e a maioria dos textos que precisávamos ler para a disciplina eram em inglês. Tudo bem, eu leio em inglês, mas foi um pouco mais penoso do que o esperado. Depois disso, aprendi a lição. E na Letras é preciso tomar ainda mais cuidado, pois às vezes pode acontecer de a própria disciplina ser ministrada em outra língua.

Se você for bolsista CAPES (ou melhor, se você conseguir ser abençoado com uma bolsa CAPES, porque hoje em dia, só rezando muito, né?) você terá de, obrigatoriamente, fazer o PAE (Programa de Aperfeiçoamento ao Ensino). Farei um post só sobre ele, porque é algo que gera muita dúvida entre os alunos, mas o que adianto aqui é que, no meu caso, consegui 6 créditos apenas com isso.

Outra forma de conseguir créditos, mas de maneira limitada, é através de participação em eventos científicos (com apresentação de trabalho) ou publicação de artigos. A quantidade de créditos que você pode obter com essas coisas, porém, varia de Programa para Programa, então é preciso ler com atenção o regimento do seu Programa de Pós.

E onde saber quais disciplinas serão ministradas? Sempre no nosso fiel escudeiro Janus. Também vale a pena ficar de olho em outros meios de comunicação do Programa de seu interesse.

Para concluir, gostaria de falar mais uma vez sobre a importância de se tentar cursar uma matéria como aluno especial, isto é, antes do seu ingresso efetivo na pós-graduação. Ainda que eu tenha dito que você precisa cursar basicamente três matérias ao longo do mestrado para atingir a quantidade de créditos necessários, lembre-se que existem muitas outras obrigações que tomarão boa parte do seu tempo e que você tem apenas dois anos para concluir tudo (ao menos no caso do Programa de Pós-Graduação em Línuga, Literatura e Cultura Italianas).