(Re)começar a ser leitor: cinco conselhos para aproximar-se da leitura [tradução 20]

Há quem diga que 2021 passou voando e há quem diga que não. Há também quem diga que não consegue diferenciar 2020 e 2021. Seja qual for o seu barco, há uma coisa na qual não podemos discordar: estamos em dezembro de 2021. E com a aproximação das festas de final de ano, tem gente que já está pensando nas metas para 2022.

Como não poderia deixar de ser — visto o assunto principal deste blog — é uma alegria imensa quando vejo pessoas dizendo que querem retomar o hábito da leitura ou então acrescentar este hábito à rotina. Mas eu também sei que nem sempre é fácil alcançar essa meta, por diversos motivos (ou, às vezes, desculpas).

Pensando nisso, resolvi traduzir um artigo sobre um tema que já comentei por aqui (em traduções como 3 passos para voltar a ler, ou em posts 100% autorais, tal qual o como começar a ler), porque acho que ele não se esgota e também por ser o momento ideal de trazer um incentivo a quem pensa em concretizar essa meta em 2022.

Assim sendo, hoje vamos falar sobre como podemos nos tornar ou voltarmos a ser leitores. O post original foi escrito pela Claudia, é de 25 de outubro de 2017 e foi publicado no blog Giro del Mondo attraverso i libri. Você pode conferi-lo neste link. A tradução dele para o português (feita por mim) está aqui embaixo.

Antes de passarmos a ela, porém, gostaria apenas de explicar que o artigo original refere-se a um público plural (vocês), enquanto eu preferi manter o tom que costumo usar aqui, ou seja, o singular. Além disso, infelizmente, algumas dicas e pontos são mais específicos para o público italiano (como sites ou eventos), mas vale lembrar que também temos iniciativas similares por aqui e que, querendo alguma dica mais específica, estou à disposição.

E, sem mais delongas, passemos à tradução!


Com o passar do tempo, muitas coisas podem mudar em nós: é possível que nasçam novas paixões e que outras sejam deixadas de lado. Depois de muitos anos sem ler, pode ser que volte a vontade de tentar novamente, de pegar outra vez um livro nas mãos, seja por ter ouvido falar muito dele, ou porque você tenha a necessidade de ler uma determinada obra para o trabalho. Todos nós fomos “leitores”: durante os anos escolares nos foram atribuídas leituras, mas alguns de nós, uma vez concluída a escola, decidiram não mais ler, por diversos motivos.

Recomeçar a ler depois de tanto tempo é um pouco come começar a correr: não se começa inscrevendo-se na maratona de Nova York, mas correndo apenas dois minutos por vez (e acredite, para quem não está treinado, dois minutos são muito longos e a falta de fôlego logo chega).

Para recomeçar a ler também é preciso caminhar em níveis: para quem se reaproxima da leitura eu não sugeriria começar a ler “Guerra e Paz” de Lev Tolstoj, não acredito que a pessoa chegaria nem mesmo ao final do primeiro capítulo. Mas então como recomeçar a ler? O artigo que você está lendo é um compêndio de cinco pontos que ilustram uma possível aproximação à leitura para jovens e adultos que queiram recomeçar a ler. Espero que esse texto possa ser útil e fornecer alguma sugestão interessante.

1. A leitura: empenho, mas grandes satisfações

Os professores escolares, durantes os anos de escola, atribuem leituras vistas pelos estudantes como “obrigatórias”: a leitura de um livro é simplesmente a passagem necessária para entregar a atividade sobre o livro e obter uma boa nota de italiano. Às vezes os estudantes apreciam os textos sugeridos pelos professores, mas geralmente, terminados os estudos, faltando a motivação da boa nota, os jovens não buscam mais por uma oportunidade para ler.

Como proceder para (re)começar a ler? Em primeiro lugar, é importante saber que a leitura é uma atividade trabalhosa, não do ponto de vista físico, mas mental: antes de mais nada, é preciso ter concentração e motivação para ler um livro. Recomeçar a ler depois de tanto tempo, no início, vai requerer muito empenho — para terminar um livro é necessário muito mais em relação ao amigos leitores — mas chegando ao fim do volume, a satisfação será imensa. Em primeiro lugar, é preciso encontrar tempo para ler…

2. O tempo para ler: a leitura não é uma competição

Mas quem tem tempo de ler nos dias de hoje? As muitas e inúmeras coisas para acompanhar inegavelmente levam embora tempo e energia. Os amigos leitores dirão para ler nos recortes de tempo: nada de mais errado.

Quem não está habituado a ler não pode pensar em ler nos retalhos de tempo: poucos minutos livres não são suficientes para mergulhar completamente na história. Além disso, não aconselharia a ler nos meios públicos ou nas salas de espera, simplesmente porque são lugares nos quais as pessoas falam ou fazem gestos ou coisas que podem distrair.

É necessários decidir dedicar um momento preciso do dia — buscando mantê-lo fixo para que se torne um rito cotidiano — e escolher um lugar o mais silencioso possível, para poder se concentrar sobre aquilo que você está lendo. Pode-se conseguir um tempo de leitura antes do jantar, ou antes de ir dormir, de manhã cedo ou ainda sacrificando um pouco de tempo da TV ou das redes sociais.

Além disso, é preciso ter em mente que ler é um prazer, não uma competição. Na internet pululam os Reading Challenge, verdadeiras maratonas de leitura, nas quais os leitores mais ou menos loucos leem muito e em grande velocidade. Veja, não preste atenção à velocidade da leitura, mas se preocupe com a qualidade da mesma. É preferível ler um livro bonito — apenas um — que ler quatro livros feios e um bonito. Lendo muito e com pressa, perdemos detalhes e lendo em demasia as histórias se mesclam umas às outras e será difícil, no futuro, lembrar do que foi lido.

3. A leitura não é cara

Sim, mas os livros custam. Bom, claro que custam, são produtos comerciais no fim das contas. Um bilhete de cinema custa, um jantar numa pizzaria custa, férias custam, o combustível para o carro custa. No entanto, nenhum de nós renuncia a uma tarde no cinema, uma pizza com os amigos, breves férias ou um passeio de carro. Ao contrário de todas as atividades mencionadas, existem várias maneiras de ler gratuitamente (ou quase):

  • Pegar emprestado livros da biblioteca: se não quiser arriscar gastar 20 reais em um livro que — talvez — não te agradará, passe em uma biblioteca. Com uma carteirinha gratuita, você terá acesso a ilimitados empréstimos.
  • Ofertas relâmpago de ebooks: se você tem um tablet pode baixar inúmeros livros em formato epub ou pdf [nt: que estejam legalmente disponíveis para isso] e lê-los comodamente no dispositivo que preferir; fique de olho na IBS.it ou Amazon, onde a cada dia são colocados à venda livros a patir de 0,99 centavos, enquanto geralmente a prévia dos romances é gratuita: você pode, portanto, ler os primeiros dois capítulos de um livro e decidir se quer comprá-lo ou não.
  • Fuce nos sebos: muitas vezes eles podem oferecem bons negócios e quase sempre os livros estão bem conservados.
  • Pegue emprestado com os amigos leitores!
  • Participe de eventos de bookcrossing (troca de livros físicos) ou inscreva-se gratuitamente no Acciobooks (plataforma de troca de livros on line).
  • Espere as ofertas que os editores fazem de tempos em tempos durante o ano: geralmente os livros recebem descontos de até 25% ou então procure entre os lembretes de sites como Mondadori Store ou IBS.it, às vezes os descontos chegam a 55%.

4. Mas o que eu leio? A escolha do livro

Existe um livro que foi feito para você e quando ler vai parecer que realmente foi escrito para você. É preciso apenas encontrá-lo! Na escolha do livro você pode ter a ajuda de diversos figuras:

  • O bibliotecário já mencionado, que conhece muito bem os livros e poderá aconselhar o romance certo.
  • O livreiro que saberá sugerir belas leituras.
  • O amigo que lê, aquele que emprestará o livro com algumas razões para lê-lo.
  • As resenhas nos jornais ou na internet podem ajudar a ter uma ideia dos livros “da moda” (ainda que não necessariamente o primeiro da lista seja o melhor).
  • Uma volta pelas redes sociais: nas páginas de editores italianos, de blogs que falam de livros, nos grupos de leitura no Facebook.
  • Participar de um grupo de leitura organizado pela biblioteca ou pela livraria do seu bairro: um grupo do tipo prevê que seja lido o mesmo livro em um determinado intervalo de tempo (geralmente um mês) e que a depois da leitura faça-se uma tarde de discussão.
  • Participar de feiras e eventos literários, existem durante todo o ano, espalhados pelo país: do famoso Salão Internacional do Livro de Turim ao BookPride de Milão, da Triestebookfest à Più libri, più liberi de Roma; procure nos stand das editoras e fale com eles: saberão certamente te sugerir um bom livro para ler.

5. Os benefícios da leitura

Mas a fadiga de ler compensa? Quais são os benefícios da leitura? Te digo sete, mas tenho certeza que existem muitos outros.

  • A leitura ajuda a melhorar e aumentar a concentração, em um mundo feito de distrações, não é pouca coisa.
  • Ler fornece inspiração: seja para uma viagem, um evento a ser organizado, um objeto a se criar.
  • Os livros melhoram as nossas capacidades críticas: aprendemos a ver lugares e pessoas de maneira diferente, nos ajuda a quebrar estereótipos e preconceitos e nos livros, na maior parte, existem personagens com os quais podemos nos identificar.
  • Aprendem-se noções, informações úteis para a vida cotidiana ou simples curiosidades.
  • Ler ajuda a melhorar o nosso modo de escrever e de falar, de explicar e expor conceitos. Nos ensina também palavras novas ou nos lembra de palavras que nunca usamos.
  • Os livros nos transportam para lugares e tempos distante, em épocas diferentes, em localidades que talvez nunca vejamos diretamente. Tudo apenas gastando alguns poucos reais e um pouco de contração e empenho.
  • Graças aos livros é possível encontrar tantas pessoas unidas pela mesma paixão. E tem quem diga que nenhuma amizade nasce mais rapidamente que aquela dos que amam os mesmos livros.

Eu digo que vale a pena recomeçar a ler, te asseguro que as fadigas iniciais serão recompensadas!

Como começar a ler?

Como começar a ler_

Já ouvi muita gente afirmando categoricamente que não gosta de ler. Também já escutei coisa do tipo “eu queria ler mais, mas não consigo. O que eu posso fazer?”. Confesso que uma frase como essa segunda mexe muito comigo (não que a primeira não mexa também, mas vocês entenderam).

O objetivo desse cantinho é incentivar a leitura e, veja só, nem sempre apenas falar sobre um livro, sobra sua história e sobre o que me chamou a atenção naquelas páginas é suficiente para que uma pessoa quebre a barreira entre o não ler e o ler.

Andei refletindo muito sobre o assunto. É claro que dicas de “como começar a ler” ou “como ler mais” é o que não falta por aí. E, ainda assim, as pessoas não leem? Por que? Confesso que também não sei, mas quis arriscar trazer algumas sugestões aqui.

Para começar, eu gostaria de dizer que, hoje em dia, é muito difícil encontrar alguém que não seja um leitor. Sim! Porque aposto que você não lê livros, mas lê notícias em jornais e revistas, posts de blogs e até mesmo os famosos “textões” das redes sociais. Pois bem, ainda que não sejam livros, são leituras. E um primeiro passo para ler (e ler mais) talvez seja a substituição: troque a leitura de uma notícia que vai te deixar mal, por algumas páginas de um livro gostoso. Troque textões, que talvez não te acrescentem muito, por alguns parágrafos daquele livro que está parado na sua estante há alguns meses.

Às vezes também pode acontecer, porém, de você ter dado início a vários livros e nunca ter conseguido acabar um. Mas te pergunto: qual era o gênero desses livros? E eu sei que essa é uma pergunta bem ampla e que requer ao menos uma dupla análise: talvez você prefira ler poesias a romances, mas acabou sempre iniciando a leitura destes e nunca mergulhou na leitura daqueles. Ou então você prefere crônicas a contos, mas, desconhecendo a diferença entre eles. Por outro lado, talvez você tenha só começado a ler livros de romance, mas goste mesmo de um bom thriller ou mesmo uma biografia, por exemplo. Eu pretendo começar a escrever mais sobre essas coisas por aqui também. Sobre gêneros, seja formato, seja tipo de histórias, e, quem sabe, vocês poderão dar uma nova chance aos gostos de vocês.

Nesse mesmo quesito, existe outro ponto muito importante a ser levado em consideração. Eu, confesso, não me importo com isso, mas descobri que muita gente sim: o tipo de narrador do livro! A maioria das histórias são narradas em primeira ou em terceira pessoa. Há leitores que só gostam de livros escritos em primeira pessoa, assim como o contrário também acontece. Você já havia parado para pensar nisso?

Um ponto elementar mas não muito: se você não tem o hábito de ler, preste atenção ao tamanho. E aqui eu não estou falando somente do tamanho do livro em si, mas também dos capítulos e até mesmo dos parágrafos. E por que? Porque se você não tem o hábito de ler, você talvez se canse mais facilmente ou perca a paciência mais facilmente. Se você interrompe a leitura no meio de uma ideia (ou seja, no meio de um capítulo e, pior ainda, no meio de um parágrafo) é ainda mais difícil você querer retornar a ela. Bom, pelo menos é o que eu acho!

E, ainda nessa linha, não crie metas irreais. Ler é um hábito, ou seja, algo que você vai adquirindo aos poucos e com persistência. Não ache que você só será considerado um leitor se ler um livro de pelo menos 200 páginas e se ler pelo menos três livros por mês. Não! Esse números não dizem nada. É melhor ler pouco, mas ler com qualidade. E claro, gostar do que se está lendo. Fora que, algumas leituras exigem mais tempo que outras. Algumas exigem que a gente faça uma pausa, respire, reflita. E claro: não se cobre a terminar um livro que você está odiando. Começou a ler algo e não gostou? Parte para a próxima! Talvez não seja o momento de ler aquilo, talvez você realmente não goste daquela narrativa. E está tudo bem.

Aliás, vocês sabiam que pessoas que estão acostumadas a ler podem sofrer de “ressaca literária”? Pois é. E quando esse mal nos acomete, parece que não existe livro no mundo que dos dê vontade de voltar a ler. Mas a gente volta. Com muita paciência e perseverança a gente volta.

Agora vamos ser sinceros: você leu tudo o que escrevi até aqui (e, só por isso, eu já te considero um leitor), mas está pensando “ok, mas eu não tenho tempo para ler!”. Sinto te informar, mas você está enganado(a)! Experimente carregar sempre um livro, um e-reader ou então baixar um app de leitura no celular (o kindle, por exemplo, não é apenas um aparelho, mas um aplicativo para celular também!). Sabe aquele momento que você está entediado(a), já revirou todas as redes sociais possíveis e não tem mais o que fazer? Leia! E quando você usa transporte público, mas o pacote de internet já acabou, o celular está descarregado e “perrengues” afins? Leia! Aos poucos isso vai viciando e você pode até acabar preferindo ler cada vez mais e mais!

Você também pode separar alguns minutos do seu dia para se dedicar à leitura. Sim, você pode separar minutos, não horas! 20 minutos por dia já são suficientes para colaborar com seu novo hábito.

Por fim, você deve estar pensando: “mas livros são caros“. Errou de novo! Quer dizer, livros podem ser caros, mas isso depende de muita coisa. Por exemplo, você pode pegar um livro emprestado gratuitamente em qualquer biblioteca (sua cidade certamente tem ao menos uma) ou mesmo com um amigo bondoso. Ou então você pode procurar dentre os inúmeros ebooks que a Amazon disponibiliza gratuitamente a cada dia um que possa te agradar. Você também pode ir a um sebo, comprar livros por preços menores, ou procurar na internet por promoções, cupons de desconto, trocas! As possibilidades são inúmeras!

E aí, vamos começar a ler ou ler mais ainda?