A melodia da alma — Maya Brito

Título: A melodia da alma
Autora: Maya Brito
Editora: Publicação independente
Páginas: 44
Ano: 2019

melodia da alma

A melodia da alma foi aquele livro que, antes de mais nada, me conquistou pela capa. Eu não posso ver uma história relacionada à música que eu já quero ler. E esse foi meu ponto fraco com relação à história, mas vamos à resenha para explicar melhor isso.

Quem nos conta sua própria história é Eliza, uma mineira que, de uma hora para outra abandona sua vida e sua música em Minas e se muda para São Paulo, onde dá início a uma nova vida, trabalhando com consultoria.

A narrativa começa doze anos depois desse episódio e os detalhes desse passado são revelados bem aos poucos, o que nos prende à leitura, porque estamos sempre querendo compreender o que há por trás dessa mulher que viveu uma mágoa tão grande que foi capaz de fazê-la mudar de rumo e se fechar a tudo e a todos.

“E ali estava ele pintando meu apartamento para trazer vida a ele, para tirar dele o que o fazia tão meu… O vazio”

Um dia, porém, o passado bate à porta de Eliza (quase que literalmente, digamos) e a vida de nossa protagonista vira de cabeça para baixo. Para nós, leitores, as peças do quebra-cabeça vão se encaixando e é praticamente impossível não ficar com um nó na garganta e lágrimas nos olhos.

“Perder pessoas importantes e, ao mesmo tempo, perder a música que preenchia nosso ser era uma dor absoluta. E eu a conhecia muito bem”

Em tão poucas páginas, Maya consegue nos falar tanto! Em A melodia da alma somos presenteados com uma história que fala sobre amor, amizade, traição, erros, recomeços e perdão. E não estou exagerando ao listar tudo isso (ainda correndo o risco de ter deixado importantes lições de fora).

Logo depois de terminar a leitura dessa obra, tive a sorte de poder conversar pessoalmente com a Maya e comentei como fui abalada por essa linda história e ela me respondeu que não esperava isso, que não imaginava que faria seus leitores chorarem. Mas, como disse meu namorado, um escritor não tem como saber o quanto irá mexer com seus leitores: ver Eliza abandonar seus sonhos, sua paixão, foi doloroso. E, depois, descobrir os motivos que a fizeram tomar tal decisão, é ainda mais triste. Mas a história é linda e nos enche de esperança. E terminamos (ao menos eu terminei) com um sorriso no rosto.

Você também quer conhecer a história da Eliza? Então corre aqui!

 

 

Chuva de Estrelas – Michelle Pereira

Título: Chuva de estrelas
Autor: Michelle Pereira
Editora: publicação independente
Páginas: 13
Ano: 2018 (1º edição)

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Chuva de estrelas é um conto escrito por Michelle Pereira e publicado de forma independente, na Amazon. Não tem como não se encantar com essa capa e esse título, não é mesmo?

“Estrelas eram lindas e letais. Poéticas e assassinas”

A tal chuva de estrelas, no entanto, era um fenômeno que acontecia em Vanroe e Bessengard — reinos criados por Michelle — e não era um sinal de boas coisas.

“Algo era certo: nada de bom acompanhava a chuva de estrelas”

Ao longo das páginas deste conto — que está dividido em seis capítulos — acompanhamos a jornada do discípulo de Vernam, um rapaz que deve servir seu imperador, carregando a joia de Vernam, uma joia em que havia demônios presos, demônios que tentavam convencer seu portador a não levar tal joia para onde ela deveria ser levada. É quase como nossa mente, quando tenta nos convencer de algo que sabemos não ser como ela insiste que é.

“Por que a obrigação de um primogênito morto passaria ao caçula? Era ilógico. No entanto, não era seu dever questionar”

A chuva de estrelas acompanha nosso protagonista de forma incessante. Ela pode ser um fenômeno lindo, mas, como já dito, ela é extremamente perigosa e machuca sem que as pessoas sintam os ferimentos. E o jovem rapaz nada pode fazer além de lutar contra essa natureza violenta. E a gente torce por ele, mesmo sem conhecê-lo tão bem assim!

Esse é um daqueles contos que nos fazem prender a respiração e devorar cada linha, até a última página. E ainda deixa um gostinho de quero mais, mas sem deixar de apresentar uma história completa e fechada. Parece até doido pensar o quanto de história a Michelle conseguiu colocar em apenas 13 páginas!

Ficou curioso com esse conto? Aqui você pode encontrar mais sobre ele.

Alegórico ser – Dalton Menezes

Título: Alegórico ser
Autor: Dalton Menezes
Editora: publicação independente
Páginas: 27
Ano: 2019 (1º edição)

Alegórico ser

A resenha de hoje é sobre outro conto incrível do autor parceiro Dalton Menezes. E por que eu gostei tanto desse conto? Porque ele realmente me surpreendeu, principalmente o final, que obviamente não revelarei aqui.

“Não existem formas melhores, piores ou fórmulas mágicas para a vida. Existe aquilo que funciona ou não para si”

Em Alegórico ser nós conhecemos Yorick, um homem que, através de um diálogo com seu terapeuta, nos mostra muita inteligência e reflexão sobre aspectos variados da vida (e da morte, por que não?). Ao longo desse diálogo, portanto, vamos conhecendo esse personagem intenso e complicado.

“O pior lugar para se frequentar e ter contato com demônios não era no inferno, mas, sim, em nossas mentes”

Através das falas de Yorick — e das cutucadas de seu terapeuta — também vamos percebendo que o personagem compreende a complexidade de seu ser e das relações humanas.

“Não há nada mais triste que fazer as pessoas que te amam, que te apoiam e que te compreendem, sofrer”

Mais que isso, porém, o diálogo que se dá entre Yorick e seu psicólogo nos faz pensar sobre muitos aspectos de nossas próprias vidas e a cada página é uma nova reflexão que surge.

“Viver sem ser engolido por esse furacão, o amor, por ao menos uma vez, certamente é não ter aproveitado e dado à vida algum valor real”

É difícil não se identificar com Yorick em algum aspecto. Suas falas são carregadas, acima de tudo, de humanidade. Esse personagem demonstra profundidade nos sentimentos que conhece e também na complexidade da mente humana.

“Nossa mente viaja mesmo, hein?”

Alegórico ser é uma leitura rápida, por ter uma extensão curta, mas certamente você sairá dela com a mente a mil, refletindo sobre algo do que leu. E afinal, não é para isso que lemos, para nos transformarmos e crescermos?

“Suas fraquezas só serão fraquezas se assim as considerar, nesse caso, seja quem for, poderá usá-las contra você, caso contrário elas não terão poder algum sobre isso”

Se interessou pelo conto e ficou com vontade de refletir sobre a vida? Ele está disponível em ebook aqui.

A odalisca em mim – Cínthia Sampaio

Título: A odalisca em mim 
Autor: Cínthia Sampaio 
Editora: publicação independente 
Páginas: 17
Ano: 2018

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A odalisca em mim é um conto hot escrito pela carioca Cínthia Sampaio. Como não posso contar muita coisa aqui, para evitar spoilers, vou aproveitar essa leitura para falar um pouco sobre o formato de um conto.

Por ser uma narrativa breve — sendo menor que uma novela ou romance — o conto conta com poucos personagens, lugares e apenas um clímax, que é o ponto alto da história. Vejamos como cada um desses elementos aparecem em A odalisca em mim:

  • Os personagens do conto são apenas três: a protagonista, seu namorado e a figura misteriosa que aparece no sonho da protagonista e a leva à loucura.

“Despertei em um arquejo e senti como se alguém tivesse me expulsado do sonho mais lindo que já tive”

  • O espaço de um conto deve ser reduzido. No caso de A odalisca em mim toda a história se passa em um quarto. Bem, na realidade, aparecem dois quartos na história: o quarto do sonho da protagonista e o quarto real em que ela se encontra.
  • O tempo também é curto, e aqui temos apenas a duração de um sonho e um breve diálogo que acontece quando a protagonista acorda desse sonho.
  • A cronologia deve ser linear e essa é uma das coisas mais interessantes de A odalisca em mim: o sonho vai se desenrolando aos nossos olhos e vamos acompanhando as sensações da protagonista, podendo vivenciar o ápice e a surpresa pelos olhos dela.

“Eu me sentia plena. Sabia que ninguém no mundo saberia me amar tão bem quanto eu mesma”

  • Diálogos são um elemento importante em contos, pois ajudam na objetividade dos acontecimentos. Podemos encontrar diversas falas ao longo de A odalisca em mim, seja entre a protagonista e o personagem de seu sonho, seja entre a protagonista e seu namorado.

Além de considerar que A odalisca em mim segue muito bem as características de um conto, o que mais me cativou nessa leitura foi o fato de que, para além de uma história hot, trata-se de uma narrativa sobre autoconhecimento e isso realmente me surpreendeu. É uma leitura realmente rápida e muito bem pensada!

Ficou com vontade de saber mais sobre essa história? Adquira o seu ebook aqui.

 

 

Uma raposa que caça um urso – Adrielli Almeida

Título: Uma raposa que caça um urso
Autor: Adrielli Almeida
Editora: publicação independente
Páginas: 27
Ano: 2019

raposa caça urso

Conheci a escrita de Adrielli Almeida por acaso, ao me deparar com Feita de letra e música em uma livraria. Desde então me encantei e passei a acompanhar a autora, principalmente por saber que esse primeiro livro teria continuação. Foi assim que li, também, Feita de melodia e sonho. E esse ano, Adrielli lançou mais uma obra: Uma raposa que caça um urso, um conto lançado de forma independente pela Amazon. Fui correndo comprar e ler (mas acabei demorando pra achar um espacinho na programação aqui do blog).

Mia Jung e Kim Jihoon se conhecem há anos, mas também vivem distantes um do outro há muito tempo — seis anos, para ser mais exata —, uma vez que Kim se mudou para Seul, em busca de seu sonho de se tornar cantor. O reencontro desses dois não se dá de maneira fácil e fica evidente para o leitor que há muitos sentimentos por traz de todas as palavras que eles trocam entre si.

“As palavras enclausuradas em algum lugar entre língua, mente e coração”

Kim Jihoon era coreano, mas durante muitos anos morou nos Estados Unidos, onde conheceu Mia, uma jovem descendente de coreanos. O reencontro que vemos no conto acontece quando Kim volta aos Estados Unidos para gravar um clipe.

“Era engraçado como sempre parecia haver algo entre eles. Dessa vez não era Seul. Dessa vez não era a diferença de idade. Dessa vez era uma única palavra”

A relação entre eles é engraçada: podemos perceber que há certa reciprocidade nos sentimentos deles, mas também há algo que os impede de estar juntos.

“Uma raposa que caça um urso, era assim que ela se sentia nos braços dele”

O conto é curto, mas cheio de altos e baixos, tensões e momentos de paz. Uma leitura que te faz refletir sobre prioridades. É assim que Adrielli nos fala um pouco sobre kpop, amor e amizade. Adorei!

“Ela tinha cheiro de sol, mar e verão, de todas as coisas quentes das quais ele sentia falta”

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