Árvore de espíritos — Michelle Pereira

Título: Árvore de espíritos 
Autora: Michelle Pereira
Editora: Publicação independente 
Ano: 2020

Uma das coisas mais fantásticas sobre fechar parceria com autores (não todos, mas grande parte) é o fato de que podemos conhecê-los melhor, estarmos mais próximos e… sabermos das novidades de antemão!

E a Michelle Pereira é uma dessas escritoras que sempre tem algo novo a mostrar aos seus leitores e que gosta de ouvir nossas opiniões sobre tudo. E foi por isso que seus parceiros (eu inclusa!) tiveram a oportunidade de ler Árvore de espíritos antes de todo mundo.

Trata-se de mais um conto desta escritora que consegue nos surpreender a cada lançamento. Desta vez, a atmosfera é mais sombria e por isso o lançamento oficial (com direito a gratuidade do conto na Amazon) será amanhã, dia de halloween.

Trazendo elementos da cultura japonesa, Árvore de espíritos nos conta a história de dois irmãos — Pam e Tae — que, quando mais novos, viam espíritos. E é com isso que Michelle nos apresenta a coruja que colhe espíritos: o youkai.

“Eu e meu irmão víamos espíritos, uma maldição da qual não pude escapar”

Esta é uma história para nos lembrar que nem tudo é o que parece ser e é muito interessante como o ritmo dela vai crescendo ao longo da leitura, aumentando a nossa tensão, até chegarmos ao desfecho de tudo o que se desenrola.

“As pessoas ao nosso redor me olham com estranheza, mas decido ignorar”

O conto é narrado por Pam, que vive no Brasil, onde já não vê tantos espíritos quanto antes. Mas a história se passa quando, após oito anos, ela retorna ao Japão…. E tudo acontece.

“O que você pensa que está fazendo, Tae?”

Se você quer saber o que acontece com Pam e Tae, clique aqui. Lembrando que o conto estará gratuito de 31/10 a 02/11/2020

Céu sem estrelas — Iris Figueiredo

Título: Céu sem estrelas
Autora: Iris Figueiredo
Editora: Seguinte
Páginas:357
Ano: 2018

céu sem estrelas blog

Sabe aquela brincadeira de descrever de forma tosca um livro? Pois se fosse para falar de Céu sem estrelas nesses termos eu diria que é o livro da menina depressiva que gosta de ler livros depressivos. Claro que, como eu disse essa seria uma descrição tosca. Mas ao mesmo tempo, a tosquice tem um fundo de sentido, porque esse é um livro que nos apresenta uma protagonista… Comum!

“Acho que todo mundo só enxerga no outro aquilo que é conveniente”

(p. 90)

Quando eu digo que Cecília é comum, porém, não estou dizendo que ela é uma pessoa qualquer — afinal, Céu sem estrelas também nos mostra que todos somos especiais, cada um do seu jeito — mas que ela é uma personagem como nós, alguém que facilmente podemos encontrar em um amigo querido, em um parente, em qualquer lugar que frequentemos. E é tão bom poder ler um livro com alguém tão real quanto Cecília (e os demais personagens).

“Por mais que a gente achasse que conhecia uma pessoa, sempre havia mais”

(p. 317)

Esse é um livro que tem a sua dose de romance (coisa que eu amo), mas que vai muito além disso. A narrativa é alternada entre capítulos de Cecília e de Bernardo, que é o irmão mais velho de Iasmin, que, por sua vez, é a melhor amiga de Cecília.

“Cecília era uma caixinha de segredos e mentiras, tentando encobrir as partes feias da vida e pintar uma versão melhor de si mesma para o mundo. Ela não queria que sentissem pena”

(p. 161)

Cecília é uma garota que sofre com seus ataques de pânico e com uma mente que não consegue controlar, além de ter de lidar com olhares e palavras maldosas dos outros (inclusive familiares) por estar acima do peso. Para completar seu infortúnios, ela não se dá muito bem com a mãe a ainda perde o emprego, o que gera uma briga familiar e tanto.

“Nem eu mesma sabia quem eu era. Tinha passado tanto tempo preocupada em fazer as coisas do jeito certo, ser perfeita… Só fazia o que as pessoas queriam que eu fizesse. Porque eu queria ser amada”

(p. 70)

Bernardo, por outro lado, vem de uma família rica e aparentemente bem estruturada. Mas sabemos que isso geralmente é só aparência mesmo. Seus pais vivem brigando e, em seu íntimo, Bernardo sofre com isso. A família dele é quase um belo retrato daquela “família tradicional brasileira” bem estereotipada mesmo.

“Eu ainda me desdobrava em duas — quem as pessoas queriam ver e quem eu realmente era. Tinha me acostumado com a dupla identidade”

(p. 214)

Como esperado, Iasmin também é uma personagem importante ao longo da trama, e por meio dela a autora ainda consegue nos fazer refletir sobre relacionamentos abusivos.

“Eu tinha certeza que princesas não escondiam cicatrizes”

(p. 232)

Para completar o trio de amigas inseparáveis temos, Rachel, que é cadeirante e provavelmente uma das personagens mais sensatas da história.

“Quando nos importamos com alguém que vive uma luta tão profunda contra seus próprios monstros, o medo de que algo esteja fora do lugar sempre bate à porta”

(p. 321)

Por meio dos personagens secundários, Iris ainda consegue retratar muito da vida (e do estilo de vida) dos jovens universitários e também da rotina da faculdade em si.

“Eu estava cansada de pedir desculpas por meus sentimentos. Às vezes tinha a impressão de que fazia isso o tempo inteiro”

(p. 182)

Céu sem estrelas era um desses livros que eu ouvia falar e tinha muita vontade de ler. Graças à Ingrid (obrigada, miga!!) meu desejo se realizou e sinto que a espera valeu a pena. O livro chegou no momento certo e apesar de abordar tantos assuntos delicados, serviu como um abraço quentinho. A leitura flui muito bem, daquele jeitinho que a gente não quer largar o livro até o final, mesmo quando percebe que vai dar tudo errado.

“Era tudo na minha cabeça. A dor era toda na minha cabeça, mas isso não a tornava menos real”

(p. 191)

Não sei se essa história poderia ser gatilho para algumas pessoas, mas acredito que não. Cecília vive na pele um pouco de tudo. Senti que a história conseguiu ser realista e sensível, mostrando inclusive como é difícil pedir ajuda ou mesmo entender o que se está passando.

“Eram muitas perguntas, e eu não queria descobrir as respostas. Era cansativo viver com um cérebro que pensava demais”

(p. 150)
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Próxima parada – Juliana S. Catalão e Marcele Cambeses (orgs.)

Título: Próxima parada
Organizado por: Juliana S. Catalão e Marcele Cambeses
Editora: Duplo Sentido
Páginas: 102
Ano: 2016 (1º edição)

prox. parada

Próxima Parada é um livro de contos incrível e só por alguns fatores externos isso já fica claro: é um livro totalmente escrito e organizado por mulheres, é nacional e tem uma capa mega fofa! E mais: os contos se passam dentro de um ônibus e trazem muito do cotidiano daqueles acostumados à usar um meio de transporte público. É um daqueles livros que qualquer pessoa com uma boa imaginação tem vontade de escrever, mas acabou nunca fazendo… Bem, ao menos não até que essas garotas se reunissem e dessem vida a personagens tão reais!

Neste livro temos 7 contos, unidos, como já mencionado, pela temática do ônibus. Além disso, outra semelhança entre eles, como veremos, é que contam com dois personagens centrais, geralmente um casal. Vamos entender melhor sobre cada um desses contos?

Primeira parada — Idas e vindas (Bruna Fontes)

Esse conto retrata uma paixão cheia de vai e volta, não vai e nem volta entre Marina e Henrique, dois jovens que se conhecem desde pequenos.

“— Não dá pra você forçar as coisas só porque quer muito chegar ao ponto final”

Uma das coisas que mais gostei nesse conto foi o panorama sobre o ônibus que a Marina, narradora da história, faz logo no início, nos apresentando os tipos que se encontram no mesmo meio de trasporte que ela quase todos os dias. Mas também não posso deixar de mencionar que adorei a forma como nossos sentimentos e ações são comparadas ao movimento do ônibus ou qualquer outro meio de transporte.

“Somos todos suscetíveis a batida e perdas totais, mas a incerteza é um preço que se paga para alcançar a plenitude”

Próxima parada — sete minutos (Júlia Braga)

Já nesse segundo conto temos uma história um pouco diferente: Vanessa e Eduardo são dois amigos que, em meio a uma brincadeira, acabam tendo de se beijar e isso certamente afeta a relação deles.

O maior problema deles, no entanto, não foi simplesmente o beijo, mas o fato de ter sido o primeiro beijo de cada um deles. E mais: eles achavam (cada um consigo mesmo) que eram os únicos a nunca ter beijado. Sério, dá vontade de bater nesses dois, porque eles quase perdem uma amizade por causa de uma mera falta de comunicação!

“O que poderia ser simplesmente resolvido com um pouco de comunicação e algumas risadas para reviver o clima, havia rapidamente se tornado uma destruição de amizade”

Próxima parada — Transbordante (Thati Machado)

A história de Marcos e Naldo (Ronaldo) não é simples, pois eles são amigos de infância que acabam se afastando quando Naldo se descobre apaixonado por Marcos. Esse conto também é um belo retrato das dificuldade que um garoto (ou uma garota) passam ao se assumir LGBT.

“Meus colegas haviam desistido de mim; minha família havia desistido de mim; Marcos havia desistido de mim; e em alguns momentos, eu fazia o mesmo”

É um conto extremamente bonito e que nos traz uma bela lição.

“— Nós somos dois garotos, eu sei. Mas tive muitos anos para entender que o amor não tem gênero”

Próxima parada — Querer é poder (Vanessa S. Marine)

Neste quarto conto, narrado por Hugo, temos a história de um garoto super tímido e apaixonado por Maristela.

“Se cada pessoa é uma poesia, Maristela é o meu poema favorito”

Mas, muito mais que se ser uma simples história de amor, temos aqui um texto sobre as escolhas que fazemos na vida, e eu adoro quando encontro algo com essa temática, pois nunca é fácil ter de decidir o caminho que queremos seguir.

“— Eu só estaria com medo se eu tivesse me condenando a um caminho que eu sei que não me fará feliz”

Próxima parada — Espelho (Mel Geve)

Esse conto arrancou boas risadas de mim, simplesmente porque começa nos apresentando Augusto, um ser que fica julgando as pessoas à sua volta no ônibus como muitas vezes, querendo ou não, acabamos fazendo, principalmente quando estamos esgotados como ele.

“A menina era com certeza um daqueles casos de gente alheia à realidade. Dispersa, perdida, turista da vida real. Ainda mais com aqueles fones de ouvido gigantescos, que impediam que os pensamentos saíssem de sua cabeça”

A pessoa com quem Augusto “encrenca” em seus julgamentos é Giuliana. Mas quando eles começam a conversar, tudo muda…

“Talvez ela fosse, sim, digna do lugar em que sentava”

Próxima parada — Juntos (Tamara Soares)

Essa é uma daquelas histórias que você lê correndo porque tem certeza que vai ter confusão e fica curioso para chegar logo nessa parte. Isso porque, logo de início, a narradora começa a contar que pegou o ônibus com o ex… Vocês já imaginam, né! E pior, ele está acompanhado de outra menina!

O conto também nos conta sobre o relacionamento deles e, caramba, que conto! Tem um ótimo plot e um final muito bonito.

Próxima parada — os cinco estágios (Marcele Cambeses)

O último conto do livro é o que considero o mais poético de todos e é um conto que também traz um casal LGBT, mas agora formado por Daniele e Manuela. E é um conto que, além de tudo, serve para, uma vez mais, amarrar as histórias anteriores.

Eu realmente gostei bastante desse livro (acho que deu para perceber…) e recomendo para todos aqueles que querem ler algo bem escrito, com leituras rápidas mas que, ao mesmo tempo, se unem e se completam.

Das autoras desse livro, as únicas que eu já conhecia algo eram a Mel (Trago seu amor em 3 dias), a Bruna Fontes (A matemática das relações humanas) e a Vanessa S. Marine, que escreveu a introdução de A matemática das relações humanas. Quanto às outras autoras, esse foi meu primeiro contato e eu adorei!

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