Catarina — Bruna Paquier Cestari

Título: Catarina: bolos, amores e outras delícias. 
Autora: Bruna Paquier Cestari
Editora: Publicação independente
Páginas: 32
Ano: 2021

Sinopse

Catarina era uma garota como todas as outras. Ou pensava ser até o dia em que os sentimentos começaram a crescer em seu peito e ela precisou tomar uma decisão sobre aquela garota. É claro que o melhor jeito de tirar tudo isso à limpo era com morangos, conversas e muitos deslizes. Não tinha como dar errado… tinha?

Resenha

Qualquer pessoa que conviveu minimamente comigo no último ano deve desconfiar porque eu não poderia deixar de me interessar por esse título.

Comecei a leitura, porém, sem saber muito o que esperar. E me surpreendi com uma leitura rápida e leve, ainda que tenha seus momentos de tensão e traga uma temática nem sempre fácil de retratar.

“Não havia dúvidas, Catarina tinha o pior dos males”

Catarina, como qualquer adolescente, só queria ser uma garota normal. Mas nada em sua vida era simples assim. Nem mesmo sua casa era exatamente uma casa: Catarina vivia em um abrigo.

“No fim, Catarina só queria ser normal, tirar notas boas como seus colegas, brincar na quadra antes de voltar para casa e, principalmente, gostar de algum menino”

O seu maior problema (e medo), no entanto, foi perceber que gostava de meninas. Mais do que isso: que sentia algo por Nina, a linda garota que sentava atrás dela na escola.

“Aqueles sentimentos a levaram para a beirada de um poço profundo de mágoas”

Sem saber se era correspondida ou não — e tendo quase certeza de que não — um dia Catarina reuniu toda a sua coragem — e um punhado de morangos — e decidiu falar com Nina.

“Mas ao mesmo tempo era bom, era muito bom. Queria continuar, queria se jogar naqueles sentimentos, mergulhar nas cores, se pintar de todas elas”

Mas claro que as coisas não poderiam ser fáceis e essa conversa foge totalmente do esperado por Catarina, ainda que ela nem sonhasse em esperar o melhor.

“Agora a menina que inspirava todas aquelas cores, trazia o cinza e o preto”

Como eu disse, a história é bem curtinha (na medida certa), mas escrita de maneira que nos aproxima da protagonista e seus (confusos) sentimentos.

“Já tinha doído muito e temia que fosse doer ainda mais”

Com uma narrativa em terceira pessoa e uma diagramação lindinha, a leitura é bem agradável e vai te propiciar uma boa horinha literária.

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Troféu — Leblon Carter

Título: Troféu 
Autor: Leblon Carter 
Editora: Se Liga Editorial 
Páginas: 208 
Ano: 2023

Sinopse

ELES TERÃO QUE COMPETIR POR UM TROFÉU.

Breno é o gerente de uma pizzaria no shopping; Oswaldo, de uma hamburgueria. Inimigos declarados há muito tempo, eles terão que competir por um troféu durante a semana do consumidor. Enquanto descobrem, em meio a uma guerra de comida, fantasias engraçadas e MUITA tensão sexual, uma paixão reprimida.

Resenha

Que Troféu era um enemies to lovers (ou seja, inimigos que se apaixonam), eu já sabia. Mas não esperava encontrar um protagonista tão reclamão e um “antagonista” tão querido (mesmo o livro sendo narrado em primeira pessoa, o que obviamente significa um olhar enviesado, mas que, por incrível que pareça, não foi tão negativo assim com relação ao coitado).

“Ou o Oswaldo era a pior pessoa que eu conhecia ou era a melhor. Não havia meio termo”

Breno acaba de ser promovido à gerência do Pizza Peels, pizzaria em que trabalha, na praça de alimentação de um shopping, e o momento mais aguardado do ano também chegou: a semana do consumidor.

Nesta semana, as lojas desse centro comercial fazem de tudo para vender muito e, assim, conquistar o troféu oferecido pelo shopping. 

E claro que Breno, querendo mostrar serviço e honrar o seu novo cargo, vai fazer realmente de tudo para se sair vencedor. 

“Eu queria aquele troféu e vencer a semana do consumidor. Só não queria ter que passar por cima dos meus sentimentos por causa disso”

O problema é que, bem ali,  de frente para a pizzaria, está a hamburgueria que Oswaldo gerencia a Queen Burger.

E a rixa da história não é apenas entre Breno e Oswaldo: as chefes deles já possuem uma briga muito mais antiga e esse é um mistério que nós também acabamos querendo entender melhor, o que contribui para não largarmos o livro. 

Ainda que se passe praticamente dentro do shopping, Troféu não deixa de nos lembrar que a cidade de fundo é São Paulo, o que pode arrancar boas identificações para quem conhece bem essa metrópole.

“Morar em São Paulo é entender que, a qualquer horário, de qualquer dia e em qualquer parte da cidade, vai haver dezenas de pessoas desse jeito: se apertando dentro de um ônibus, esperando na fila do banco ou tentando vaga em alguma padaria da Zona Sul”

A história se passa praticamente em uma semana, mas ela é bem intensa. Não só pela competição mencionada, mas também pelos sentimentos que vão aflorando e ganhando vida entre os dois personagens.

“Mas o fato de eu odiar clichês era porque nunca imaginei que fosse acontecer comigo, sabe? O romance fofo, a leveza nos diálogos, as brigas que, geralmente, acabavam em risadas”

Li esta história na edição física, publicada pela Se Liga Editorial e a diagramação dela é simples, mas extremamente confortável de ler e bonita. 

Além disso, o volume conta com o conto Troféu de Natal ao final, o que é uma delícia para quem, assim como eu, ainda não queria se despedir dos personagens. 

No conto, vemos a situação de Breno e Oswaldo já resolvida e temos a oportunidade de passar um natal com eles. Mas será um natal tranquilo? Só lendo para saber!

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Dolls — A. S. Victorian

Título: Dolls. 
Autora: A. S. Victorian 
Editora: Publicação independente. 
Páginas: 275 
Ano: 2018

Sinopse

A família Hyeon era perfeita, todos diziam. Até um desastre acontecer e transformar profundamente Jack Hyeon. Ela decide então que a vida é curta demais para viver de aparências e que precisa começar a fazer suas próprias escolhas. Como primeira decisão, aproxima-se de uma colega de escola, Ede, que é o contrário dos padrões que os senhores Hyeon impuseram para a filha.

Já Edeline carrega sua própria lista de infortúnios e descobre na amizade uma forma de superar o passado. Mas a vida dá uma reviravolta quando percebe que seus sentimentos estão tomando um outro rumo.

Resenha

Dolls foi um livro que comecei com as expectativas lá embaixo, mas que logo me conquistou de tal maneira que dei atenção somente a ele.

“Como ser fiel a uma coisa que nunca daria certo?”

Vale ressaltar que a leitura é pesada, por mais que o leitor esteja a todo momento sendo preparado para o pior. Antes de continuar, gostaria de lembrar que há cenas de violência doméstica, estupro e tentativa de suicídio.

“Eu sempre tive medo do escuro, mas, depois de um tempo, o medo está tanto ao nosso lado que já se torna nosso amigo”

A narrativa começa nos apresentando duas garotinhas tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão parecidas: Edeline Stein (Ede) e Jaqueline Hyeon (Jack).

“Eu e a Jack sabemos como é ter momentos difíceis. Não é muito bom ficar guardando isso dentro de você, dói muito e só vai piorar. Precisa de alguém com quem conversar”

Esse início, aliás, me lembrou bastante O lado extraordinário da falta, mas no caso de Dolls, como eu ressaltei, a história vai ganhando contornos muito mais pesados.

Porém, como no livro mencionado, temos Edeline, filha única, em uma família humilde e cheia dos seus problemas.

“A família se mudara há pouco tempo. Não queria ter escolhido exatamente aquela parte do subúrbio, muito menos aquela casa que não era nem um pouco o que desejavam chamar de lar, mas as circunstâncias, a falta de capital para algo melhor e a pressa, os fizeram ficar com o que conseguiram: a casa longe do centro, meio acabada, meio inteira”

Não que a família de Jack seja perfeita como quer fazer parecer, muito pelo contrário, aliás. Mas eles são uma grande e extremamente influente família. Ao menos dinheiro eles possuem de sobra.

“Não era uma família muito unida aquela”

Dolls começa quando as meninas têm apenas sete anos de idade e se conhecem na escola em que estudam. 

“Por mais que odiasse a escola, preferia ficar lá do que voltar para o vazio de casa”

Um incidente, porém, logo as separa e, após um salto temporal elas finalmente se reencontram.

“As coisas mudaram depois do acidente com Edeline e nos dez anos que se seguiram. Os pais de Jack decidiram mudá-la de turno, e, por alguns anos, ela foi esquecida pelos antigos colegas”

Voltando às diferenças entre as duas meninas, está o fato de que Jack é extremamente fria e, aparentemente, desinteressada de tudo, enquanto Ede tem um brilho no olhar que fascina o coração gelado de Jack. 

“Pare de agir como se ninguém se importasse e você tivesse que carregar todo peso sozinha”

Mas, como eu disse, elas também possuem semelhanças e não falo somente da idade: ambas passam por situações bem difíceis (lembra que deixei um alerta no início desta resenha?) e sentem-se extremamente sozinhas.

“As coisas não simplesmente somem, sabe? Nós vamos guardando elas dentro de nós… Até que explodem”

Tão opostas por um lado e tão semelhantes por outro, Ede e Jack sempre tiveram o necessário para se darem bem.

“— Esse é o problema das pessoas — Mordeu o sanduíche. — Elas costumam se prender aos momentos ruins e esquecem os felizes”

A história não se resume a acontecimentos pesados e tristes. Há muitas passagens capazes de nos oferecer um quentinho no coração e um abraço gostoso.

“Gostar de alguém era algo novo para ela”

E na mesma medida em que há personagens que não parecem ter coração, há muitos outros que renovam nossa fé na humanidade.

“Nós não precisamos magoar as pessoas para sermos felizes”

O que me encantou nessa história foi o fato de que ela é muito real, palpável. As personagens agem de acordo com suas histórias, seus sofrimentos e suas pequenas conquistas. E por mais que nem todo mundo encontre alguém que renove as esperanças, alguns dos pontos felizes dessa história são uma pequena fuga necessária para a realidade apresentada.

“Você não precisa tentar ser forte sempre. Todo mundo precisa ser ajudado às vezes”

Além disso, tem ainda um detalhe que me encantou muito nesta narrativa, mas que não quero revelar aqui, porque foi gostoso imaginar se isso aconteceria e a revelação foi muito boa de acompanhar. 

“Gostar de alguém é errado?”

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Assassinato na praia — Mike Flint

Capa do livro "Assassinato na praia" com o nome do blog, para divulgação da resenha

Enquanto lia Assassinato na praia fiquei pensando em como defini-lo. Creio que a melhor palavra que encontrei foi “ousado”. Sim, definitivamente, “ousado” é um bom adjetivo para esse livro, que tenta mesclar algumas propostas.

O começo da história nos conduz a um romance levinho, coisa que, pelo título, imaginamos que não irá durar muito tempo. Mas vamos focar nesse início por enquanto.

Eduardo é engenheiro e, um pouco cansado de sua vida, decide tirar um tempo para si, alugando uma casa na praia e, finalmente, dando início a um projeto só seu: escrever um livro. O que ele não sabia, porém, era que ali escreveria muito mais páginas da sua vida que do livro em questão.

A praia em questão — a paradisíaca praia do Éden — fica numa pacata ilha, mesmo esta sendo próxima à capital. Tal ilha tem ares de cidade do interior, onde todos se conhecem. E claro, logo Eduardo passa a conhecer pessoas importantes dali. Mas o principal: rapidamente Eduardo conhece e se apaixona por Marcia.

Marcia é uma daquelas mulheres que todos adorariam ter por perto. Uma pessoa agradável, de coração enorme. Linda, por dentro e por fora. Não tinha como nosso protagonista não se apaixonar.

E é assim que inicia o romance levinho que eu disse ali em cima, e que logo ganha ares de romance hot, com cenas bem quentes entre os dois personagens. E aqui, portanto, já entra a segunda proposta do livro. Essas cenas hot são pontuais e adequadas ao livro, contudo, não deixam de ser uma proposta a mais.

Mas, como eu disse anteriormente, os ares de romance levinho, como o próprio título do livro indica, logo dão espaço a um mistério policial: um assassinato na praia de uma pacata ilha e a busca pelo culpado.

De início, o autor até consegue manter bem nossas dúvidas com quem pode ser o verdadeiro assassino, dando motivos para mais de um personagem ter cometido tal ato, mas logo nossas suspeitas vão se reduzindo drasticamente.

E qual a relação de Eduardo com tudo isso? Ele, claro, é o principal suspeito por tal assassinato (não para nós leitores, mas para a polícia da história), sendo o primeiro a ser mantido detido para se explicar diante da justiça. E, a partir deste ponto da narrativa, o autor mescla o momento presente — de agonia enquanto Eduardo espera seu advogado chegar e sofre a perda de uma pessoa querida — e o “passado” (de poucos dias antes), isto é, seus primeiros dias na ilha, os momento românticos e calientes que viveu com Marcia.

No meio disso tudo, ainda tem o tal livro de Eduardo. Um livro dentro do livro que lemos. O autor nos apresenta a estrutura da obra que Eduardo pensou, bem como, aparentemente, quis inserir em seu próprio livro — isto é, em Assassinato na praia — alguns conselhos que lhe pareceram interessantes para quem quer escrever um livro. Em alguns momentos, porém, senti que o autor não seguiu suas próprias recomendações, colocadas na história através do olhar de Marcia, que já trabalhara em uma editora.

Ao meu ver, na tentativa de enriquecer a história e torná-la tanto algo interessante para outros escritores, quanto algo que trouxesse mistério e romance para os mais diversos leitores, o autor acabou perdendo-se um pouco.

A história não tem pontas soltas, mas faltou certo desenvolvimento narrativo que realmente prendesse o leitor. Ainda assim, foi uma leitura curiosa de se fazer. Li até a última página, buscando imaginar que caminhos o autor tomaria. E certamente não cheguei nem perto de descobrir o verdadeiro final.

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Entre estantes — Olívia Pilar

Título: Entre estantes
Autora: Olívia Pilar
Editora: Publicação independente
Páginas: 14
Ano: 2017

Logo de cara, o que me chamou a atenção para esta história foi o título. E então a capa. Por fim, a sinopse. Tudo me remeti a livros, a paixão, a conhecimento.

“Entre estantes” é um conto e, como tal, é de rápida leitura. Poucos acontecimentos, poucos personagens. Uma narrativa de fácil compreensão, mas, nem de perto, rasa.

Trata-se da história de uma jovem, Isabel, que está em seu primeiro ano de faculdade. É ela mesma quem nos conta o seu percurso, começando lá em fevereiro, com o início das aulas. O lugar central da história, porém, não é simplesmente a faculdade como um todo, mas um ponto específico: a biblioteca. Agora ficou mais claro o título, não?

Mais do que encontrar os livros de que precisa, porém, Isabel encontra algo mais entre as estantes da biblioteca: autoconhecimento. E não falo apenas sobre o início da vida adulta, as inseguranças com nossas escolhas. Neste conto, Isabel repensa muito mais que isso. E tudo isso ao se deparar com uma figura que rapidamente lhe chama a atenção. Uma figura que ela tenta esquecer, mas não consegue.

Essa é uma leitura que eu recomendo entre um livro e outro, uma pausa gostosa, rápida e incrível. Uma leitura de minutos, mas que vai te acompanhar por dias. E Olívia Pilar tem vários outros contos publicados, que agora estou bem curiosa para conhecer!

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Cadeados — Nuccia De Cicco

Título: Cadeados — o amor é a chave
Autora: Nuccia De Cicco
Editora: The Books
Páginas: 361
Ano: 2018

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Cadeados foi um livro que me fez sentir muita coisa. A começar pela aflição, pois a história se inicia com um grave acidente de carro e as consequência deste sobre Pam, a protagonista. Ela fica gravemente ferida, passa por cirurgias, convulsiona… E tudo é descrito no livro, sem nos poupar de detalhes.

“Naquele milésimo de segundo, eu voei”

Depois, veio uma agonia imensa, causada pela dor de ver Pam sofrendo por tudo o que perdera (em primeiro lugar, seus pais e um pouco do movimento das pernas — esses ao menos recuperáveis com a fisioterapia) e também escondendo sintomas importantes, o que nos leva à terceira sensação…

“O tempo passava por cima da gente sem piedade. A saudade não diminuía nunca”

Tristeza. Não porque “ah, coitadinha”, mas porque esse é o reflexo dos próprios sentimentos de Pam. Ela se fecha em si mesma, se isola, perde a vontade de viver. É até irônico ler essa parte, porque ela não quer mais sair de casa, enquanto nós daríamos tudo para podermos estar nas ruas novamente.

“Não havia mais motivos para sair da cama, quem dirá do quarto ou da casa”

Depois vem a esperança. A luz no fim do túnel. A vontade de seguir lendo e lendo para ver que as coisas podem melhorar. A esperança de que existam cadeados que podem ser abertos.

“Para cada cadeado, uma chave especial”

E claro que, por fim, há a alegria. Depois de todas essas sensações, nos deparamos com um final leve, porém verídico. Nada de contos de fadas, mas de realidades palpáveis.

“Ele me entendia; às vezes mais do que eu mesma”

Cadeados é narrado por personagens diversos. Apenas os trechos de Pam são em primeira pessoa, os dos outros personagens são em terceira pessoa. Essa dinâmica torna tudo ainda mais interessante, pois ao mesmo tempo que mergulhamos no universo da protagonista, temos a oportunidade de estar próximos dos demais personagens que, mesmo não sendo protagonistas, têm a sua importância.

“Eu podia ser independente, mas nunca estaria sozinha”

Como eu disse mais acima, no acidente, Pam perde os pais, um pouco dos movimentos da perna (coisa que se recupera depois) e… A audição. E essa é a grande temática desse livro, que nos ensina um pouco mais sobre o universo surdo, sobre as dificuldades encontradas nesse mundo, ainda não preparado para lidar com deficiências, mas que também nos mostra que ser ensurdecido (termo apresentado no livro, que designa ouvintes que, por algum motivo, deixam de ouvir) tem as suas dores particulares.

“Ouvi durante vinte três anos, deixar de depender de um sentido não era como um passe de mágica”

Como se já não fosse suficiente apresentar tudo isso que acabei de mencionar, o livro ainda consegue falar sobre relacionamentos abusivos e depressão. E nenhuma dessas temáticas entra de maneira forçada na história, muito pelo contrário.

“Amar não devia ser engolir todas essas porcarias”

Recomendo imensamente esse livro para quem quer aprender mais sobre surdez, mas também para quem tem estômago forte e nem um pouco de medo de permitir que um livro mexa imensamente com seus sentimentos. Uma leitura daquelas que precisam ser feitas com calma, ainda que a gente queira devorar tudo de uma vez, torcendo pelo “final feliz”, que pode vir das mais diferentes maneiras.

“Quando perdemos um sentido e o conquistamos de volta, percebemos o quanto as pequenas coisas são as mais importantes”

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Petrus — Jéssica Miguel

Título: Petrus (Irmãos Timberg - Livro 1)
Autora: Jéssica Miguel
Editora: Publicação independente
Páginas: 122
Ano: 2018

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Petrus é aquele livro que a gente lê rapidinho, com calma, saboreando o doce prazer de ler um romance leve e, ao mesmo tempo, quente. Por outro lado, esse também é um daqueles livros que dá o doce para a criança e depois tira, ou seja, nos dá algumas informações, mas sem contar muito, nos deixando ávidos pelos demais livros sobre os Irmãos Timberg.

O livro é narrador em terceira pessoa e, mesmo com uma história bem fechada e profunda, com diálogos que mergulham em seus personagens, muito da vida de ambos fica de fora e nos deixa com a sensação de que poderíamos conhecê-los ainda mais, para além da profundidade que o sentimento deles nos demonstram.

“Existia uma linha tênue entre a amizade e o amor, e Petrus sabia que a atravessaria no momento em que seus lábios provassem o sabor dos de Ana”

Ana e Petrus são amigos há cinco anos. Os conhecemos em uma noite, num hotel nas montanhas, onde foram parar depois de uma aposta de Petrus com seu irmão, Apolo.

“Seria mais digno confessar os seus sentimentos e inseguranças para ela, afinal, cinco anos era tempo demais para guardar tanto dentro de si mesmo”

E nessa única noite, após cinco anos, muitas coisas mudam na vida de Petrus e Ana. E tudo começa com uma simples conversa, com barulhos vindo do quarto ao lado e com muito vinho, claro.

“Tudo entre eles aconteceu no tempo certo e estar nos braços de quem se ama, sabendo que o sentimento é recíproco, era algo surreal”

Mas, para além do romance com todas as qualidade que já mencionei, Petrus é uma história que trabalha com inseguranças — de ambos os personagens — além de nos lembrar da importância (e da necessidade) de nos abrirmos com o outro, de colocarmos, sem medo, nossos sentimentos às claras.

“Foi como se Petrus a visse nua, despida de qualquer barreira”

Petrus e Ana eram bons amigos há anos, e ainda assim tinham uma visão muito errada um sobre o outro diante de um assunto tão importante. Acreditavam que não eram o suficiente um para o outro sem jamais terem se questionado sobre essa verdade que colocaram para si mesmos. E o amor que nutriam um pelo outro era algo que não passava desapercebido pelas pessoas que os cercavam (e que deram um empurrãozinho para essa noite nas montanhas que mudou a vida deles).

“— É muito doloroso querer alguém e saber que essa pessoa nunca será sua”

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O outro lado do sobrenatural (Antologia)

Título: O outro lado do sobrenatural
Autor: Vários
Organização: Alessandra Ribeiro de Abreu
Editora: Lettre
Páginas: 220
Ano: 2020

O outro lado do sobrenatural blog

Mais uma vez a Editora Lettre surpreende seus leitores com uma antologia recheada de histórias variadas e inesperadas. E se engana quem acha que são histórias de terror, pois o sobrenatural, por definição, é aquilo que está além do humano, do natural ou até mesmo do comprovado cientificamente. E aqui, além de tudo, estamos falando sobre o outro lado do sobrenatural, em treze contos que certamente você não esquecerá.

“Por mais que eu lutasse, ela já estava morta por dentro. Eu não podia matá-la” 

Ao longo das páginas desse livro nos deparamos com bruxas, deuses gregos, vampiros, fadas, anjos, demônios, lobisomens e até com lendas brasileiras. E o estilos dos contos é dos mais variados também: algumas histórias são mais sombrias, outras são mais metafóricas. Até um conto hot a gente encontra nessa antologia!

“Meu rosto estava lavado de lágrimas, mas dessa vez elas não me acalmavam”

É muito bacana ver como os autores conseguiram usar elementos sobrenaturais para nos falar sobre coisas tão humanas, sobre dores e sentimentos tão nossos. Um livro que fala sobre nossos medos, nos mais diversos sentidos que ele possa existir.

“A dor de uma decepção é capaz de te consumir tal qual o fogo que incendeia a madeira”

Eu gostei de conhecer O outro lado das bruxas, e personagens como O príncipe do mar, Bianca e Nara. Também gostei do Canto das sereias, e mesmo do som do Monstro. A morte amou a vida e a Magia oculta foi O início do fim (esse conto fala mais sobre a Kyra, de O despertar da profecia!). É, esses contos Vieram para causar, então Preparem o espaço no inferno! Mas Cuidado com que acredita e com o que há Atrás de você!

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Grenade — Triz Santos

Título: Grenade
Autor: Triz Santos
Editora: Viseu
Páginas: 266
Ano: 2019
Grenade blog
(Para ler ao som de: Grenade – Bruno Mars)

Grenade nos conta a história de William Toldd, um jovem vindo de uma família extremamente rica e com uma vida que muitos considerariam perfeita. Ele mora em uma casa imensa, estuda no melhor colégio de Londres e tem uma namorada. Mas, claro, nem tudo são flores.

“Como eu sempre digo para mim mesmo, se ninguém souber do seu sofrimento, ninguém irá te julgar”

A família de Willian havia acabado de se mudar para Londres e, portanto, no começo da história acompanhamos nosso protagonista em seus primeiros dias de aula na nova escola. E é aí que muita coisa começa a mudar.

“As coisas estavam acontecendo de um jeito que eu não imaginava e eu não sabia se isso era bom ou ruim”

William e Elise, sua namorada, passam a estudar na mesma escola. Mas o namoro deles parece estar indo por água abaixo. Para melhorar o cenário, na escola deles também estuda um garoto problema: Edward Steele. Todos os alunos da escola aconselham Willian a se manter longe de Steele, mas sem entender os motivos de tal recomendação, ele acaba não dando ouvidos a seus colegas.

“Por que Edward estava me fazendo questionar o que sou tão facilmente?”

E sim, Edward mexe (sentimentalmente) com William de uma maneira que ele não consegue entender, ao menos não de início.

“Minha sexualidade diz respeito somente a mim e ficar falando disso – mais especificamente com a desconfiança que as pessoas têm em relação a ela – me deixa desconfortável e chateado”

Já deu para imaginar, portanto, que Grenade é um romance LGBTQ+ e que nele acompanhamos Willian se conhecendo. Mas esse também é um livro que aborda outros assuntos, como depressão, drogas e violência.

“A verdade é que os demônios de Edward estavam o arrastando para a ponta do abismo cada dia mais e ele estava a um passo de cair na imensa escuridão que era a sua mente”

Grenade toma rumos inesperados e fortes, o que faz que esse não seja um livro recomendado para qualquer pessoa. É preciso ter estômago e sanidade para ler essas páginas.

“Os demônios haviam vencido a batalha travada por anos e agora, ninguém mais poderia salvá-lo”

Mas se você sente que pode encarar essa história, encare. Vale a pena! Os plots dela são ótimos e nos prendem à leitura, fazendo a gente querer saber que fim haverá a narrativa (e que fim! Esse é realmente chocante)

“O amor não é justo. Ele não liga se a pessoa é uma psicopata ou a mais bondosa do mundo”

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Os doze signos de Valentina — Ray Tavares

Título: Os doze signos de Valentina
Autora: Ray Tavares
Editora: Galera
Páginas: 389
Ano: 2017 (1º edição)

os doze signos

(Leia essa resenha ao som de “Dias atrás“)

Eu pergunto a vocês: que droga tem nesse livro que nos deixa viciado nele? A escrita? O enredo? A combinação dos dois? Definitivamente, a combinação dos dois!

Isadora — ou Isa — é uma jovem que após seis anos de namoro descobre que seu namorado a está traindo com uma de suas amigas da faculdade. E esse episódio, durante longos meses, destrói toda a crença no amor que Isadora tem (e nos faz odiar Lucas — o tal ex — o livro inteiro, por mil motivos além desse).

“O negócio é que nenhum filme da Disney te prepara para a dor de uma traição, ou a constatação de que os seis anos que se passaram não significaram absolutamente nada para a pessoa com quem você compartilhou cada alegria e tristeza”

(p.17)

Um belo dia, Marina, prima de Isa, cansada de vê-la neste estado a arrasta para uma balada na Augusta (sim, porque a história se passa em São Paulo e Isa é gente como a gente). Lá Isa perde a linha, mas também descobre o porquê de seu relacionamento não ter dado certo: ela era ariana e Lucas, pisciano. Ok, isso pode parecer absurdo, mas naquele momento, fazia total sentido par Isa.

“Por que é que a gente tem esse estranho fetiche de nos sabotar?”

(p. 27)

Na semana seguinte, Isa descobre que terá de criar um blog investigativo para uma das disciplinas de sua faculdade de jornalismo. E então ela decide unir o útil ao agradável: ela cria um blog para narrar sua experiência beijando um garoto de cada signo do zodíaco. O blog deve ser criado com um pseudônimo — por isso os doze signos de Valentina — e apenas o professor da disciplina sabe quem é o administrador de cada um dos blogs.

A escrita de Isa em seu blog e a escrita do livro em si, se misturam, sendo ambas deliciosas de se ler (queria eu escrever assim!). E mesmo que nós, leitores, tenhamos o privilégio de saber quem administra o blog (lembrando que os personagens do livro não têm essa mesma sorte), a história não se torna menos intensa.

Claro que talvez tenha contribuído para meu vício nesse livro o fato de que sou aquariana com ascendente em peixes e esses terem sido os dois últimos signos a aparecer na história (já que Valentia faz o favor de seguir a ordem dos signos, ao menos em grande parte…). Como eu estava curiosa!! Mas a espera valeu à pena. E não se trata de uma questão de acreditar piamente em signos, mas sim de conseguir detectar pontos de identificação.

Os doze signos de Valentina é um livro e tanto: fala sobre traição e sobre a superação disso, fala sobre o amor e suas frustrações e alegrias, fala sobre perdão, fala sobre sororidade, faz várias críticas (e autocríticas) sociais e ainda fala sobre signos. Sem contar que essa história arrancou muitas gargalhadas de mim, quase me fez perder a estação que deveria descer algumas vezes e não sei como não me deixou numa bela ressaca literária.

“E, apesar da nossa ânsia por histórias que inovem e fujam do clichê, não existe nada mais gostoso do que assistir a um final feliz”

(p.358)

E se você acha que Isadora se apega com todas as suas forças aos signos e faz deles a sua religião, já te adianto que você está se enganando. Esse é um ótimo livro para refletirmos sobre o assunto de maneira leve e ainda abrindo margem para um pouco mais de autoconhecimento.

Os doze signos de Valentina foi meu primeiro contato com a escrita da autora Ray Tavares e já me apaixonei. Estou doida para ler as outras obras dela.

E se você ficou querendo saber mais sobre as peripécias de Isadora — só Isa —, clique aqui e saiba como se dá essa história.