Assassinato na praia — Mike Flint

Capa do livro "Assassinato na praia" com o nome do blog, para divulgação da resenha

Enquanto lia Assassinato na praia fiquei pensando em como defini-lo. Creio que a melhor palavra que encontrei foi “ousado”. Sim, definitivamente, “ousado” é um bom adjetivo para esse livro, que tenta mesclar algumas propostas.

O começo da história nos conduz a um romance levinho, coisa que, pelo título, imaginamos que não irá durar muito tempo. Mas vamos focar nesse início por enquanto.

Eduardo é engenheiro e, um pouco cansado de sua vida, decide tirar um tempo para si, alugando uma casa na praia e, finalmente, dando início a um projeto só seu: escrever um livro. O que ele não sabia, porém, era que ali escreveria muito mais páginas da sua vida que do livro em questão.

A praia em questão — a paradisíaca praia do Éden — fica numa pacata ilha, mesmo esta sendo próxima à capital. Tal ilha tem ares de cidade do interior, onde todos se conhecem. E claro, logo Eduardo passa a conhecer pessoas importantes dali. Mas o principal: rapidamente Eduardo conhece e se apaixona por Marcia.

Marcia é uma daquelas mulheres que todos adorariam ter por perto. Uma pessoa agradável, de coração enorme. Linda, por dentro e por fora. Não tinha como nosso protagonista não se apaixonar.

E é assim que inicia o romance levinho que eu disse ali em cima, e que logo ganha ares de romance hot, com cenas bem quentes entre os dois personagens. E aqui, portanto, já entra a segunda proposta do livro. Essas cenas hot são pontuais e adequadas ao livro, contudo, não deixam de ser uma proposta a mais.

Mas, como eu disse anteriormente, os ares de romance levinho, como o próprio título do livro indica, logo dão espaço a um mistério policial: um assassinato na praia de uma pacata ilha e a busca pelo culpado.

De início, o autor até consegue manter bem nossas dúvidas com quem pode ser o verdadeiro assassino, dando motivos para mais de um personagem ter cometido tal ato, mas logo nossas suspeitas vão se reduzindo drasticamente.

E qual a relação de Eduardo com tudo isso? Ele, claro, é o principal suspeito por tal assassinato (não para nós leitores, mas para a polícia da história), sendo o primeiro a ser mantido detido para se explicar diante da justiça. E, a partir deste ponto da narrativa, o autor mescla o momento presente — de agonia enquanto Eduardo espera seu advogado chegar e sofre a perda de uma pessoa querida — e o “passado” (de poucos dias antes), isto é, seus primeiros dias na ilha, os momento românticos e calientes que viveu com Marcia.

No meio disso tudo, ainda tem o tal livro de Eduardo. Um livro dentro do livro que lemos. O autor nos apresenta a estrutura da obra que Eduardo pensou, bem como, aparentemente, quis inserir em seu próprio livro — isto é, em Assassinato na praia — alguns conselhos que lhe pareceram interessantes para quem quer escrever um livro. Em alguns momentos, porém, senti que o autor não seguiu suas próprias recomendações, colocadas na história através do olhar de Marcia, que já trabalhara em uma editora.

Ao meu ver, na tentativa de enriquecer a história e torná-la tanto algo interessante para outros escritores, quanto algo que trouxesse mistério e romance para os mais diversos leitores, o autor acabou perdendo-se um pouco.

A história não tem pontas soltas, mas faltou certo desenvolvimento narrativo que realmente prendesse o leitor. Ainda assim, foi uma leitura curiosa de se fazer. Li até a última página, buscando imaginar que caminhos o autor tomaria. E certamente não cheguei nem perto de descobrir o verdadeiro final.

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Entre estantes — Olívia Pilar

Título: Entre estantes
Autora: Olívia Pilar
Editora: Publicação independente
Páginas: 14
Ano: 2017

Logo de cara, o que me chamou a atenção para esta história foi o título. E então a capa. Por fim, a sinopse. Tudo me remeti a livros, a paixão, a conhecimento.

“Entre estantes” é um conto e, como tal, é de rápida leitura. Poucos acontecimentos, poucos personagens. Uma narrativa de fácil compreensão, mas, nem de perto, rasa.

Trata-se da história de uma jovem, Isabel, que está em seu primeiro ano de faculdade. É ela mesma quem nos conta o seu percurso, começando lá em fevereiro, com o início das aulas. O lugar central da história, porém, não é simplesmente a faculdade como um todo, mas um ponto específico: a biblioteca. Agora ficou mais claro o título, não?

Mais do que encontrar os livros de que precisa, porém, Isabel encontra algo mais entre as estantes da biblioteca: autoconhecimento. E não falo apenas sobre o início da vida adulta, as inseguranças com nossas escolhas. Neste conto, Isabel repensa muito mais que isso. E tudo isso ao se deparar com uma figura que rapidamente lhe chama a atenção. Uma figura que ela tenta esquecer, mas não consegue.

Essa é uma leitura que eu recomendo entre um livro e outro, uma pausa gostosa, rápida e incrível. Uma leitura de minutos, mas que vai te acompanhar por dias. E Olívia Pilar tem vários outros contos publicados, que agora estou bem curiosa para conhecer!

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Cadeados — Nuccia De Cicco

Título: Cadeados — o amor é a chave
Autora: Nuccia De Cicco
Editora: The Books
Páginas: 361
Ano: 2018

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Cadeados foi um livro que me fez sentir muita coisa. A começar pela aflição, pois a história se inicia com um grave acidente de carro e as consequência deste sobre Pam, a protagonista. Ela fica gravemente ferida, passa por cirurgias, convulsiona… E tudo é descrito no livro, sem nos poupar de detalhes.

“Naquele milésimo de segundo, eu voei”

Depois, veio uma agonia imensa, causada pela dor de ver Pam sofrendo por tudo o que perdera (em primeiro lugar, seus pais e um pouco do movimento das pernas — esses ao menos recuperáveis com a fisioterapia) e também escondendo sintomas importantes, o que nos leva à terceira sensação…

“O tempo passava por cima da gente sem piedade. A saudade não diminuía nunca”

Tristeza. Não porque “ah, coitadinha”, mas porque esse é o reflexo dos próprios sentimentos de Pam. Ela se fecha em si mesma, se isola, perde a vontade de viver. É até irônico ler essa parte, porque ela não quer mais sair de casa, enquanto nós daríamos tudo para podermos estar nas ruas novamente.

“Não havia mais motivos para sair da cama, quem dirá do quarto ou da casa”

Depois vem a esperança. A luz no fim do túnel. A vontade de seguir lendo e lendo para ver que as coisas podem melhorar. A esperança de que existam cadeados que podem ser abertos.

“Para cada cadeado, uma chave especial”

E claro que, por fim, há a alegria. Depois de todas essas sensações, nos deparamos com um final leve, porém verídico. Nada de contos de fadas, mas de realidades palpáveis.

“Ele me entendia; às vezes mais do que eu mesma”

Cadeados é narrado por personagens diversos. Apenas os trechos de Pam são em primeira pessoa, os dos outros personagens são em terceira pessoa. Essa dinâmica torna tudo ainda mais interessante, pois ao mesmo tempo que mergulhamos no universo da protagonista, temos a oportunidade de estar próximos dos demais personagens que, mesmo não sendo protagonistas, têm a sua importância.

“Eu podia ser independente, mas nunca estaria sozinha”

Como eu disse mais acima, no acidente, Pam perde os pais, um pouco dos movimentos da perna (coisa que se recupera depois) e… A audição. E essa é a grande temática desse livro, que nos ensina um pouco mais sobre o universo surdo, sobre as dificuldades encontradas nesse mundo, ainda não preparado para lidar com deficiências, mas que também nos mostra que ser ensurdecido (termo apresentado no livro, que designa ouvintes que, por algum motivo, deixam de ouvir) tem as suas dores particulares.

“Ouvi durante vinte três anos, deixar de depender de um sentido não era como um passe de mágica”

Como se já não fosse suficiente apresentar tudo isso que acabei de mencionar, o livro ainda consegue falar sobre relacionamentos abusivos e depressão. E nenhuma dessas temáticas entra de maneira forçada na história, muito pelo contrário.

“Amar não devia ser engolir todas essas porcarias”

Recomendo imensamente esse livro para quem quer aprender mais sobre surdez, mas também para quem tem estômago forte e nem um pouco de medo de permitir que um livro mexa imensamente com seus sentimentos. Uma leitura daquelas que precisam ser feitas com calma, ainda que a gente queira devorar tudo de uma vez, torcendo pelo “final feliz”, que pode vir das mais diferentes maneiras.

“Quando perdemos um sentido e o conquistamos de volta, percebemos o quanto as pequenas coisas são as mais importantes”

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Petrus — Jéssica Miguel

Título: Petrus (Irmãos Timberg - Livro 1)
Autora: Jéssica Miguel
Editora: Publicação independente
Páginas: 122
Ano: 2018

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Petrus é aquele livro que a gente lê rapidinho, com calma, saboreando o doce prazer de ler um romance leve e, ao mesmo tempo, quente. Por outro lado, esse também é um daqueles livros que dá o doce para a criança e depois tira, ou seja, nos dá algumas informações, mas sem contar muito, nos deixando ávidos pelos demais livros sobre os Irmãos Timberg.

O livro é narrador em terceira pessoa e, mesmo com uma história bem fechada e profunda, com diálogos que mergulham em seus personagens, muito da vida de ambos fica de fora e nos deixa com a sensação de que poderíamos conhecê-los ainda mais, para além da profundidade que o sentimento deles nos demonstram.

“Existia uma linha tênue entre a amizade e o amor, e Petrus sabia que a atravessaria no momento em que seus lábios provassem o sabor dos de Ana”

Ana e Petrus são amigos há cinco anos. Os conhecemos em uma noite, num hotel nas montanhas, onde foram parar depois de uma aposta de Petrus com seu irmão, Apolo.

“Seria mais digno confessar os seus sentimentos e inseguranças para ela, afinal, cinco anos era tempo demais para guardar tanto dentro de si mesmo”

E nessa única noite, após cinco anos, muitas coisas mudam na vida de Petrus e Ana. E tudo começa com uma simples conversa, com barulhos vindo do quarto ao lado e com muito vinho, claro.

“Tudo entre eles aconteceu no tempo certo e estar nos braços de quem se ama, sabendo que o sentimento é recíproco, era algo surreal”

Mas, para além do romance com todas as qualidade que já mencionei, Petrus é uma história que trabalha com inseguranças — de ambos os personagens — além de nos lembrar da importância (e da necessidade) de nos abrirmos com o outro, de colocarmos, sem medo, nossos sentimentos às claras.

“Foi como se Petrus a visse nua, despida de qualquer barreira”

Petrus e Ana eram bons amigos há anos, e ainda assim tinham uma visão muito errada um sobre o outro diante de um assunto tão importante. Acreditavam que não eram o suficiente um para o outro sem jamais terem se questionado sobre essa verdade que colocaram para si mesmos. E o amor que nutriam um pelo outro era algo que não passava desapercebido pelas pessoas que os cercavam (e que deram um empurrãozinho para essa noite nas montanhas que mudou a vida deles).

“— É muito doloroso querer alguém e saber que essa pessoa nunca será sua”

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O outro lado do sobrenatural (Antologia)

Título: O outro lado do sobrenatural
Autor: Vários
Organização: Alessandra Ribeiro de Abreu
Editora: Lettre
Páginas: 220
Ano: 2020

O outro lado do sobrenatural blog

Mais uma vez a Editora Lettre surpreende seus leitores com uma antologia recheada de histórias variadas e inesperadas. E se engana quem acha que são histórias de terror, pois o sobrenatural, por definição, é aquilo que está além do humano, do natural ou até mesmo do comprovado cientificamente. E aqui, além de tudo, estamos falando sobre o outro lado do sobrenatural, em treze contos que certamente você não esquecerá.

“Por mais que eu lutasse, ela já estava morta por dentro. Eu não podia matá-la” 

Ao longo das páginas desse livro nos deparamos com bruxas, deuses gregos, vampiros, fadas, anjos, demônios, lobisomens e até com lendas brasileiras. E o estilos dos contos é dos mais variados também: algumas histórias são mais sombrias, outras são mais metafóricas. Até um conto hot a gente encontra nessa antologia!

“Meu rosto estava lavado de lágrimas, mas dessa vez elas não me acalmavam”

É muito bacana ver como os autores conseguiram usar elementos sobrenaturais para nos falar sobre coisas tão humanas, sobre dores e sentimentos tão nossos. Um livro que fala sobre nossos medos, nos mais diversos sentidos que ele possa existir.

“A dor de uma decepção é capaz de te consumir tal qual o fogo que incendeia a madeira”

Eu gostei de conhecer O outro lado das bruxas, e personagens como O príncipe do mar, Bianca e Nara. Também gostei do Canto das sereias, e mesmo do som do Monstro. A morte amou a vida e a Magia oculta foi O início do fim (esse conto fala mais sobre a Kyra, de O despertar da profecia!). É, esses contos Vieram para causar, então Preparem o espaço no inferno! Mas Cuidado com que acredita e com o que há Atrás de você!

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Grenade — Triz Santos

Título: Grenade
Autor: Triz Santos
Editora: Viseu
Páginas: 266
Ano: 2019
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(Para ler ao som de: Grenade – Bruno Mars)

Grenade nos conta a história de William Toldd, um jovem vindo de uma família extremamente rica e com uma vida que muitos considerariam perfeita. Ele mora em uma casa imensa, estuda no melhor colégio de Londres e tem uma namorada. Mas, claro, nem tudo são flores.

“Como eu sempre digo para mim mesmo, se ninguém souber do seu sofrimento, ninguém irá te julgar”

A família de Willian havia acabado de se mudar para Londres e, portanto, no começo da história acompanhamos nosso protagonista em seus primeiros dias de aula na nova escola. E é aí que muita coisa começa a mudar.

“As coisas estavam acontecendo de um jeito que eu não imaginava e eu não sabia se isso era bom ou ruim”

William e Elise, sua namorada, passam a estudar na mesma escola. Mas o namoro deles parece estar indo por água abaixo. Para melhorar o cenário, na escola deles também estuda um garoto problema: Edward Steele. Todos os alunos da escola aconselham Willian a se manter longe de Steele, mas sem entender os motivos de tal recomendação, ele acaba não dando ouvidos a seus colegas.

“Por que Edward estava me fazendo questionar o que sou tão facilmente?”

E sim, Edward mexe (sentimentalmente) com William de uma maneira que ele não consegue entender, ao menos não de início.

“Minha sexualidade diz respeito somente a mim e ficar falando disso – mais especificamente com a desconfiança que as pessoas têm em relação a ela – me deixa desconfortável e chateado”

Já deu para imaginar, portanto, que Grenade é um romance LGBTQ+ e que nele acompanhamos Willian se conhecendo. Mas esse também é um livro que aborda outros assuntos, como depressão, drogas e violência.

“A verdade é que os demônios de Edward estavam o arrastando para a ponta do abismo cada dia mais e ele estava a um passo de cair na imensa escuridão que era a sua mente”

Grenade toma rumos inesperados e fortes, o que faz que esse não seja um livro recomendado para qualquer pessoa. É preciso ter estômago e sanidade para ler essas páginas.

“Os demônios haviam vencido a batalha travada por anos e agora, ninguém mais poderia salvá-lo”

Mas se você sente que pode encarar essa história, encare. Vale a pena! Os plots dela são ótimos e nos prendem à leitura, fazendo a gente querer saber que fim haverá a narrativa (e que fim! Esse é realmente chocante)

“O amor não é justo. Ele não liga se a pessoa é uma psicopata ou a mais bondosa do mundo”

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Os doze signos de Valentina — Ray Tavares

Título: Os doze signos de Valentina
Autora: Ray Tavares
Editora: Galera
Páginas: 389
Ano: 2017 (1º edição)

os doze signos

(Leia essa resenha ao som de “Dias atrás“)

Eu pergunto a vocês: que droga tem nesse livro que nos deixa viciado nele? A escrita? O enredo? A combinação dos dois? Definitivamente, a combinação dos dois!

Isadora — ou Isa — é uma jovem que após seis anos de namoro descobre que seu namorado a está traindo com uma de suas amigas da faculdade. E esse episódio, durante longos meses, destrói toda a crença no amor que Isadora tem (e nos faz odiar Lucas — o tal ex — o livro inteiro, por mil motivos além desse).

“O negócio é que nenhum filme da Disney te prepara para a dor de uma traição, ou a constatação de que os seis anos que se passaram não significaram absolutamente nada para a pessoa com quem você compartilhou cada alegria e tristeza”

(p.17)

Um belo dia, Marina, prima de Isa, cansada de vê-la neste estado a arrasta para uma balada na Augusta (sim, porque a história se passa em São Paulo e Isa é gente como a gente). Lá Isa perde a linha, mas também descobre o porquê de seu relacionamento não ter dado certo: ela era ariana e Lucas, pisciano. Ok, isso pode parecer absurdo, mas naquele momento, fazia total sentido par Isa.

“Por que é que a gente tem esse estranho fetiche de nos sabotar?”

(p. 27)

Na semana seguinte, Isa descobre que terá de criar um blog investigativo para uma das disciplinas de sua faculdade de jornalismo. E então ela decide unir o útil ao agradável: ela cria um blog para narrar sua experiência beijando um garoto de cada signo do zodíaco. O blog deve ser criado com um pseudônimo — por isso os doze signos de Valentina — e apenas o professor da disciplina sabe quem é o administrador de cada um dos blogs.

A escrita de Isa em seu blog e a escrita do livro em si, se misturam, sendo ambas deliciosas de se ler (queria eu escrever assim!). E mesmo que nós, leitores, tenhamos o privilégio de saber quem administra o blog (lembrando que os personagens do livro não têm essa mesma sorte), a história não se torna menos intensa.

Claro que talvez tenha contribuído para meu vício nesse livro o fato de que sou aquariana com ascendente em peixes e esses terem sido os dois últimos signos a aparecer na história (já que Valentia faz o favor de seguir a ordem dos signos, ao menos em grande parte…). Como eu estava curiosa!! Mas a espera valeu à pena. E não se trata de uma questão de acreditar piamente em signos, mas sim de conseguir detectar pontos de identificação.

Os doze signos de Valentina é um livro e tanto: fala sobre traição e sobre a superação disso, fala sobre o amor e suas frustrações e alegrias, fala sobre perdão, fala sobre sororidade, faz várias críticas (e autocríticas) sociais e ainda fala sobre signos. Sem contar que essa história arrancou muitas gargalhadas de mim, quase me fez perder a estação que deveria descer algumas vezes e não sei como não me deixou numa bela ressaca literária.

“E, apesar da nossa ânsia por histórias que inovem e fujam do clichê, não existe nada mais gostoso do que assistir a um final feliz”

(p.358)

E se você acha que Isadora se apega com todas as suas forças aos signos e faz deles a sua religião, já te adianto que você está se enganando. Esse é um ótimo livro para refletirmos sobre o assunto de maneira leve e ainda abrindo margem para um pouco mais de autoconhecimento.

Os doze signos de Valentina foi meu primeiro contato com a escrita da autora Ray Tavares e já me apaixonei. Estou doida para ler as outras obras dela.

E se você ficou querendo saber mais sobre as peripécias de Isadora — só Isa —, clique aqui e saiba como se dá essa história.

O passado de Raya — Michelle Pereira

Título: O passado de Raya
Autor: Michelle Pereira
Editora: Publicação independente
Páginas: 36
Ano: 2018

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Quando li Guardião do medo, fiquei intrigada com Raya, que diversas vezes fez menção ao seu passado, mas sem explicar o que houvera. Sabendo que havia um conto chamado O passado de Raya, quis, obviamente lê-lo o mais rápido possível.

Já dava para imaginar que Raya era apaixonada por Alexander — isso era o pouco que podíamos deduzir de suas pistas — mas eu não esperava uma história como a que encontrei.

Rayan (seu verdadeiro nome), quando ainda era humana, fugiu com seu noivo e, por isso, eles viviam de favor no celeiro de uma fazenda, cujos donos — Mina, Theodoro e Daniel — eram muito amáveis.

“Havia um belo sorriso em seu rosto, o que me fez concluir que tudo estava bem. Algo que nem sempre era verdade”

Rayan — assim como Alexander em Guardião do Medo — vê criaturas que não sabe o que são e que a assustam. Além disso, o relacionamento de Raya e seu noivo era um tanto quanto conturbado, coisa que, de início, ela não enxergava, devido ao amor que sentia. Aos poucos, porém, esse tal noivo vai revelando sua verdadeira faceta e Raya tem sorte de estar numa fazenda com donos tão gentis e protetores.

No clímax desta história temos um ciúme que cega e torna ainda mais violento o noivo de Raya. Uma história que deveria ser de fantasia, mas que, ao mesmo tempo, revela muito bem a infeliz realidade de tantos relacionamentos. O passado de Raya é pesado, mas seu presente também. E ainda há muito a ser revelado sobre essa personagem intensa e forte.

Se você está em busca de uma leitura mais curta, mas que ainda é intensa e capaz de te fazer refletir sobre um dos sentimentos mais complexos que há — o amor — essa história é pra você!

Quer saber como termina a história de amor de Raya? Então clica aqui.

Bell Tashi — G. Sebem Gugiel

Título: Bell Tashi: o novo mundo
Autor: G. Sebem Gugiel
Editora: Publicação independente
Páginas: 298
ano: 2017

bell tashi blog

Bell Tashi: o novo mundo nos traz um cenário distópico não muito difícil de se imaginar: no ano de 2036 não há mais respeito entre os seres humanos e a guerra sempre parece ser a única saída. Tentando melhorar esse cenário, o grande Conok dá poder a sete seres humanos, que se tornam governantes escolhidos para restaurar a paz neste planeta. Mas a ganância e o orgulho faz com que tudo saia totalmente fora do esperado…

“Dizem que o laço do ódio é quase tão forte quanto o do amor”

Bell e Tashi, dois jovens amigos que são criados quase como irmãos, crescem em um mundo dominado pela fome e pela sede e sem acesso às tecnologias que conhecemos hoje (e talvez outras tantas que já poderiam ter se desenvolvido). Isso porque os sete escolhidos resolvem confiscar tudo do bom e do melhor, ignorando todo o restante da população e de suas necessidades.

“Os perigos do novo mundo desabavam sobre a vila”

Bell é uma garota de cabelos verdes e muito inteligente, que foi criada por Kynaro, seu pai. Tashi é um garoto ruivo, super traquinas e valente e que também foi criado por seu pai, Kyoto. Os quatro habitavam a mesma casa e eram importantes para a manutenção da vila em que viviam e o elo entre Bell e Tashi sempre foi forte e inspirador.

“O destino é curioso. Uniu duas crianças maravilhosas e muito parecidas em seus ideias. Volta e meia isso acontece”

Um belo dia os dois jovens decidem sair em busca de aventuras e acabam se encontrando com Merlim.

“Seus corações se conectaram para sempre, desde o primeiro encontro”

Depois desse encontro, a vida de Bell e Tashi começa a mudar radicalmente: juntos, os três dão início a uma pequena família que quer lutar contra as mazelas desse novo mundo e ao longo de seus caminhos eles vão encontrando outras pessoas dispostas a se juntar a eles, mesmo diante de incontáveis perigos. Pessoas que, assim como eles mesmos, arriscam suas próprias vidas em prol da humanidade.

“Bell e Tashi estavam com os olhos cheios de lágrimas, eles não estavam acostumados com a maldade do mundo”

Além de ser um livros distópico, Bell Tashi: o novo mundo é cheio de ação e aventura (por vezes, até demais). Uma história, portanto, para quem não quer ou não gosta de narrativas paradas.

“Se em nosso caminho salvarmos uma pessoa sequer, terá valido a pena toda a caminhada”

Um livro que fala sobre amizade, amor e sobre acreditar que é possível fazer deste um mundo melhor para todos. Além disso, é uma leitura que pode ser feita tranquilamente por leitores mais jovens também.

“Digo e repetirei no fim, uma luz atrai outras luzes”

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Um CEO em busca do amor — Juju Figueiredo

Título: Um CEO em busca do amor
Autora: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 153
Ano: 2019

um ceo em busca

Depois do final de Apenas mais um CEO, como eu comentei na resenha, é praticamente impossível não querer iniciar imediatamente a leitura de Um CEO em busca do amor. Isso porque o final do primeiro livro da duologia é surpreendente e nos deixa querendo saber como tudo se resolverá (se é que algo se resolverá).

“Não é qualquer homem que aceitaria o meu passado, carrego uma bagagem muito pesada, Emmett, prefiro carregar sozinha”

Conhecendo os personagens que fazem parte de todos os caminhos cruzados dessa história, neste segundo volume temos a oportunidade de compreender o passado de cada um e o que os fez chegar ao lugar em que chegaram.

“— Minha filha, o amor nunca é fácil, os obstáculos sempre estão na nossa frente querendo impedir nossa passagem, mas cabe a você decidir se eles irão ou não atrapalhar sua vida”

E se você acha que neste livro só temos um monte de resolução de problemas e uma história parada você está MUITO enganado, porque ainda há inúmeras revelações e momentos de tensão.

“— É natural sentir medo, não seríamos humanos se não sentíssemos”

Um CEO em busca do amor é um livro que nos prende tanto quanto Apenas mais um CEO e que eu indico fortemente para quem gosta de um belo romance cheio de acontecimentos inesperados e impactantes.

“Ela era minha perdição e salvação ao mesmo tempo, como era possível?”

Neste volume, aliás, há mais capítulos narrados por outros personagens, ainda que predomine a narrativa de Mathew Thompson e Megan Tanner. Essa alternância nos ajuda a adentrar de maneira mais profunda a história, vendo-a pelos olhos daqueles que a estão vivenciando.

“Você não precisa ser forte o tempo inteiro, Megan, é tão difícil admitir quando não está bem?”

Se você ficou curioso(a) com o desfecho da história de Mathew Thompson e Megan Tanner, adquira seu ebook aqui.