Citações #20 — Quando a neve cair

21 August 2014

Se você me acompanha por aqui já deve ter percebido que eu amo um bom romance e que com Quando a neve cair não foi diferente. Lançado em 2019, de forma independente, pela autora Cínthia Sampaio, o livro se mostrou uma leitura leve e recheada de sentimentos.

“Aquela felicidade de ter apenas o momento para se viver e nada mais com que se preocupar”

Ainda que seja um romance intenso, Quando a neve cair fala sobre muitas coisas mais. Um dos principais pontos do livro, por exemplo, é a amizade:

“Sinto como se tivesse falhado como sua amiga e tenho medo de que não exista nada que eu possa fazer para você me perdoar”

E mesmo quando a autora fala sobre o amor (romântico), ela lembra que a amizade é imprescindível.

“Os casais mais apaixonados eram melhores amigos antes de tudo”

Por outro lado, às vezes podemos nos sentir sozinhos mesmo em meio a muitas pessoas. Isso porque nenhuma delas, ao menos naquele momento, é capaz de aplacar a nossa dor.

“Quando estamos sofrendo, nós nos sentimos sozinhos até em uma multidão”

Existem diversos motivos pelos quais podemos sofrer e não encontrar ajuda tão facilmente, mesmo quando há pessoas nos estendendo a mão. Isso porque, antes de mais nada, precisamos confiar para aceitar que alguém nos ajude.

“Confiar o coração a outra pessoa era uma tarefa muito árdua”

Essa passagem aí de cima nos leva a outra, em que a protagonista questiona se o amor deve ser algo difícil. E lembre-se: o amor verdadeiro não deve ser difícil. Não deve doer, não deve nos deixar inseguros.

“Será que o amor deveria mesmo ser assim? Deixar-nos rodeados de inseguranças e desespero?”

Como eu disse, Quando a neve cair é um livro recheado de sentimentos. Apesar dos vários momentos alegres, há, também, muita mágoa e arrependimento ao longo das páginas (coisa que talvez já tenha ficado claro com alguns dos trechos acima…).

“Eu sabia que minhas palavras feriam, mas era a verdade. E a verdade doía”

O que eu mais gostei no livro, porém, para além de tudo o que eu já falei, foi a reflexão da autora sobre a questão do que as pessoas consideram “felicidade” para as mulheres.

“Por que as pessoas achavam que para as mulheres serem felizes precisavam necessariamente estar em um relacionamento? Por que achavam que o nosso maior sonho era ter filhos?”

Quantas vezes já não nos perguntamos isso, não é mesmo?

Mas claro que eu também amei uma passagem em que a Luíza conta sobre sua época de escola e acho que eu nem preciso explicar muito o motivo de ter gostado:

“Na verdade, o que eu mais gostava na escola era de me esconder na biblioteca e viajar nas páginas de um livro, imaginar os personagens e viver, nem que fosse por algumas horas, naquele mundo fantástico, onde poderia matar monstros, ter superpoderes, salvar vidas, lutar com espadas e salvar pessoas à beira da morte”

Mas Maria Luíza não tinha superpoderes e quase no final do livro acontece uma reviravolta e tanto. E, sem dar spoilers, termino essas citações com uma bela passagem, para que fique a reflexão:

“Como éramos pequenos naquele mundo enorme. Não importava se éramos ricos ou pobres, baixos ou altos, se tínhamos estudo ou não. Quando algo assim acontecia, não éramos ninguém”

Se interessou pelo livro? Adquira o seu ebook aqui.

O demônio do campanário – Michelle Pereira

Título: O demônio no campanário
Autor: Michelle Pereira
Editora: Independente
Páginas: 285
Ano: 2017 (1º edição)

I am a tree Strong limbed and deeply rooted My fruit is bittersweet I am your mother

Antes de dizer qualquer coisa sobre O demônio no campanário eu preciso pedir que vocês não tenham preconceito com o título: a história não é aterrorizante. Aliás, eu quase me vi torcendo pelo tal demônio, coisa que eu jamais esperaria/imaginaria dizer.

De um lado temos Evangeline Lions — ou Eva — uma jovem de 17 anos que estuda em um bom colégio e tem amigos que são quase como irmãos, além de pertencer a uma rica família. Mas, como sempre, dinheiro não é felicidade: o pai de Evangeline quase nunca está em casa, e quando está, vive brigando com a esposa, até que um dia eles resolvem se separar e a vida de Eva vira de cabeça para baixo.

“Senti raiva da minha mãe por me condenar a viver confinada neste lugar, enquanto ela aproveitava o dinheiro do divórcio com meu pai no litoral de algum país exótico”

Eva vivia com a mãe até que esta, após a separação, decide aproveitar a vida e, para isso, envia Eva para o colégio interno do Convento Senhora das Dores.

“Fiquei pensando em todas as coisas que deixei para trás. Meu quarto, meus pertences, minha casa, meus amigos…”

É muito doido pensar que essa história se passa na atualidade. Acho que não estou acostumada a pensar em meninas indo estudar em conventos. Do lado do convento Senhora das Dores ainda tem um monastério, onde diversos meninos estudam. E isso traz boa parte do romance de O demônio no campanário, porque, no final das contas, as meninas do convento se relacionam com os rapazes do monastério, uma vez que existem ocasiões em que eles se encontram, como a missa dominical, ou as gincanas esportivas que ocorrem aos sábados . Uma loucura!

“Estudar em um convento dá a falsa impressão de rigidez e punição”

Loucura maior, porém, é pensar que na torre do sino da igreja — ou seja, no campanário — mora um demônio.

“Dizem as más língua que muitos anos atrás, sei lá, talvez na década de 50, um demônio começou a rondar o Convento em busca de almas para corromper e acabou instalando-se no campanário”

Eron, o demônio, precisa se alimentar do sangue de jovens virgens para sobreviver. Ele é um íncubo, que é um tipo de demônio que entra no sonho das pessoas a fim de atraí-las para si. Eu nem sabia que essa categoria de demônio existia de verdade (não que eu conheça categorias de demônio), mas Michelle realmente fez um trabalho e tanto, pensando em cada detalhe da história!

“Ele era um íncubo, como eu, um demônio que se alimenta das paixões humanas”

E por falar em detalhes, Michelle descreve os personagens de maneira que conseguimos visualizá-los em nossa mente, o que achei incrível.

Mas, voltando à história, Eva chega ao convento triste e revoltada com tudo o que perdera, mas ali ela faz novas amizades e vive uma infinidade de coisas, inclusive se apaixonando. Duas vezes.

“Eu queria tudo de volta. Mas a vida muda. E nós mudamos com ela”

Joan, Cristal e Carol são as novas amigas de Eva. Juntas, elas vivem as diversas aventuras que o convento lhes propicia. E, apesar do local sagrado, há espaço para inimizades também, e não estou nem falando da presença de Eron aqui!

“Mas, afinal, quem sou eu para julgá-los? Sou um demônio instalado no campanário de uma casa de Deus, pronto para deflorar a primeira virgem que passar por mim”

A narrativa de O demônio no campanário vai se alternando entre Eva e Eron, mas alguns outros personagens também ganham voz ao longo do livro, em capítulos surpreendentes. Em meio a essa narrativa alternada, vamos acompanhando as tentativas de Eron em atrair Eva, enquanto vamos descobrindo os sentimentos e os altos e baixos de Eva sob o ponto de vista dessa garota que, aos 17 anos de idade se vê obrigada a se adaptar a uma nova vida.

“Sempre tive uma dificuldade imensa em me sentir bem em meio a um mar de gente desconhecida”

Quando eu digo que quase me vi torcendo por Eron é porque ele também tem as inimizades dele e sua única chance de liberdade é conquistar Eva. Por outro lado, ele é um demônio!! Sem contar que Eva conhece um dos jovens do monastério que merece uma chance, muito mais que Eron…

Eu realmente me surpreendi (positivamente) com essa história. Quando terminei de ler, depois de devorar os últimos capítulos até saber como tudo acabaria, eu ainda fiquei com os personagens na cabeça por dias e dias. Eu sentia vontade de continuar acompanhando os passos de Eva e suas amigas — ainda que Joan e Carol fossem muito fofoqueiras —, queria saber mais sobre o que vinha depois, sobre como as coisas poderiam prosseguir depois de tantos acontecimentos marcantes.

O demônio no campanário é uma leitura que nos prende por ter mistérios na medida certa, adrenalina e romance, além de falar sobre amizade. Fora que, sendo o íncubo um demônio capaz de adentrar nossas mentes e manipular nossos pensamentos, fiquei refletindo sobre o quanto não seria isso uma metáfora para nossos próprios medos e inseguranças. Uma leitura que eu realmente indico e que, repito, não irá te deixar apavorado (a) e que, portanto, você pode ler tranquilo (a).

Se interessou pelo livro? Adquira o ebook aqui.