Citações #94 — Em busca de sentido

Daquelas leituras que mexem profundamente conosco, Em busca de sentido, escrito por Viktor E. Frankl, aborda muitas questões que merecem ser discutidas. Por isso, além do que já apresentei na resenha, aqui você poderá conferir alguns trechos do livro.

Começaremos pelo fato de que a história nos conta sobre os horrores do holocausto do ponto de vista de um sobrevivente e, mesmo que este não seja o foco da obra, há diversas passagens sobre isso.

“Ninguém ainda consegue acreditar que de fato tiraram literalmente tudo da gente”

“A ‘vida’ do ‘número’ é irrelevante. O que está por trás desse número, o que representa esta vida, é menos importante ainda: o destino — a história — o nome de uma pessoa”

“É compreensível que a maioria dos prisioneiros seja atormentada por uma espécie de sentimento de inferioridade. Antes, cada um de nós havia sido ‘alguém’, ou ao menos julgava sê-lo”

“Desde Auschwitz nós sabemos do que o ser humano é capaz. E desde Hiroshima nós sabemos o que está em jogo”

“A bondade humana pode ser encontrada em todas as pessoas e ela se acha também naquele grupo que, à primeira vista, deveria ser sumariamente condenado”

Claro que este tema nos leva a outro: como se sentem e se enxergam as pessoas que passaram por esse horror.

“Todos nós que escapamos com vida por milhares e milhares de coincidências ou milagres divinos — seja lá como quisermos chamá-los — sabemos e podemos dizer, sem hesitação, que os melhores não voltaram”

“Será que a pessoa nada mais é que um resultado de múltiplos determinantes e condicionamentos, sejam eles de ordem biológica, psicológica ou social?”

A falta de alegria — mas a necessidade do humor — também se fazem presente nesta narrativa. Este tema, aliás, é recorrente em obras com esta temática e sempre nos faz pensar.

“A vontade de humor — a tentativa de enxergar as coisas numa perspectiva engraçada — constitui um truque útil para a arte de viver”

“Literalmente, desaprendemos o sentimento de alegria”

O tema central da obra, contudo, não é exatamente o Holocausto, mas o sofrimento e, como o próprio título deixa claro, a busca por um sentido.

“Se a vida tem sentido, também o sofrimento necessariamente o terá. Afinal de contas, o sofrimento faz parte da vida, de alguma forma, do mesmo modo que o destino e a morte”

“Durante anos a fio a pessoa acreditou ter chegado ao ponto mais baixo possível do sofrimento, mas constata agora que, de alguma forma, o sofrimento não tem fundo, que aparentemente não existe o ponto baixo absoluto, e as coisas podem piorar cada vez mais, descer cada vez mais…”

“Sofrimento de certo modo deixa de ser sofrimento no instante em que encontra um sentido, como o sentido de um sacrifício”

Por fim, é bonito de ver como, apesar de tudo, ainda há espaço para reflexões sobre o amor

“Naquele momento, fico sabendo que o amor pouco tem a ver com a existência física de uma pessoa”

Se quiser saber mais sobre esta obra profunda e necessária, clique abaixo para ler a resenha completa.

Em busca de sentido — Viktor E. Frankl

Título: Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração 
Original: trorzdem Ja zum Leben sagen
Autor: Viktor E. Frankl
Editora: Vozes
Páginas: 184
Ano: 2023 (58º edição)
Tradutores: Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline  

Sinopse

O fundador da Logoterapia mostra aqui como foi a sua própria experiência em busca do sentido da vida num campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Apresenta também, numa segunda parte, os conceitos básicos da logoterapia.

Resenha

Em busca de sentido passou um longo período na minha lista de desejados, pelo simples fato de ser uma obra sobre o holocausto. Isso era tudo o que eu sabia sobre o livro, até iniciar sua leitura que, sem dúvidas, foi uma das melhores e mais marcantes do último ano.

“Nenhum ser humano e nenhum destino podem ser comparados com outros; nenhuma situação se repete”

Dizer que este é “um livro sobre o holocausto”, aliás, é um grande erro. Os horrores do campo de concentração estão aqui, complementando esta obra que, apesar de curta, vai muito além disso.

“Somente aos poucos se consegue levar essas pessoas a reencontrar a verdade, tão trivial, de que ninguém tem o direito de praticar injustiça, nem mesmo aquele que sofreu injustiça”

Em busca de sentido começa com um prefácio à edição norte americana de 1984, que já me ajudou a perceber que este, apesar de ser um livro um pouco técnico e que aborda um assunto tão difícil, não seria complicado de seguir com a leitura.

“O ser humano é capaz de mudar o mundo para melhor, se possível, e de mudar a si mesmo para melhor, se necessário”

Depois, vem um prefácio do próprio autor e, nele, começamos a adentrar a obra, iniciando no mundo da logoterapia — o verdadeiro tema deste livro —  fundada por Viktor Frankl.

“Pensava que poderia ser útil a pessoas que têm inclinação para o desespero”

O livro, então, é dividido em três partes: em busca de sentido, conceitos fundamentais da logoterapia e a tese do otimismo trágico.

“Chorava o violino — dentro de mim algo chorava junto”

Ao longo dessas três partes, acompanhamos a narrativa do autor enquanto prisioneiro em Auschwitz, bem como seus estudos e a crença de que é preciso encontrar um sentido na vida (e aqui o título passa a ser óbvio) para superar a dor.

“A vida é sofrimento, e sobreviver é encontrar sentido na dor”

Em busca de sentido é tocante e nos faz pensar em nossas vidas, em nossas escolhas e caminhos.

“A preocupação ou mesmo o desespero da pessoa sobre se a sua vida vale a pena ser vivida é uma angústia existencial, mas de forma alguma uma doença mental”

Conhecer esta forma de terapia também amplia a nossa visão sobre como podemos encarar doenças mentais e possíveis tratamentos.

“Nem todo conflito é necessariamente neurótico; certa dose de conflito é normal e sadia. De forma similar, o sofrimento não é sempre um fenômeno patológico”

Chega a ser impressionante pensar que alguém que viveu tudo o que o autor deste livro viveu, consiga escrever uma obra tão fácil de compreender e, ao mesmo tempo, que fala com uma certa leveza (sem leviandade alguma) de assuntos tão pesados.

“A dor psicológica, a revolta pela injustiça ante a falta de qualquer razão é o que mais dói numa hora dessas”

Uma obra que precisa ser lida ao menos uma vez na vida, mas cuja leitura pode ser feita com muita calma e cuidado para não se entrar num turbilhão de sentimentos complexos.

“O alívio psíquico é produzido por ilusões que certamente podem ser perigosas na área fisiológica”

Em seu formato físico, na edição da Editoras Vozes, o livro é pequeno e leve, com uma diagramação bem simples e páginas brancas.

Se você se interessou por ele, clique abaixo para saber mais.

* Lembrando que qualquer compra feita na Amazon a partir dos links postados neste Blog, irá gerar uma comissão para este espaço, sem custo algum para você, ou seja, todos saem felizes nesta história (: