Música em contos 2 – Susana Silva (parte 5)

música em contos 5

Hoje venho apresentar o último conto (já??) da provinha que tive de Música em contos 2. E esse foi para fechar com chave de ouro, sendo um conto bem diferente dos anteriores. Escrito por Lu Franzin, o título dele é Deus me deu você, e ele é baseado na música God gave me you (Blake Shelton). A canção faz parte da história, o que justifica a semelhança dos títulos.

Considero esse conto o mais diferente dos outros que li, por ele ter certo grau de fantasia. A protagonista Makena — ou Kena, como prefere ser chamada — possui o poder de “absorver” a dor dos animais. Ver um animal sofrendo, portanto, é uma tortura imensa para ela. E, para melhorar, seu pai é veterinário. Sua mãe, por outro lado, é pediatra infantil, e adoraria — apesar de tudo — que esse poder funcionasse com as crianças também.

Mas para termos ideia do tamanho desse dom, Kena não consegue se formar em veterinária, pois o sofrimento dos animais era extenuante demais para ela. Quando um animal está mal, ela absorve essa dor e, consequentemente perde sua própria energia, colocando, algumas vezes, em risco a própria vida.

E Kena ainda é daquelas protagonistas teimosas, capazes de “sequestrar” um animal que estivesse mal, para poder curá-lo na clínica de seu pai. E claro que isso a coloca em diversas encrencas. Mas é em um desses “sequestros” que ela conhece Daniel, que apesar da raiva consegue reconhecer o que ela fizera por seu querido cachorro.

Foi muito bom ter conhecido um pouco dessa antologia, organizada por Susana Silva. O livro ainda não tem previsão de lançamento (mas falta pouco!) porém, quem quiser conhecer um trabalho da autora nessa mesma linha pode ler Música em contos 1.

Música em contos 2 — Susana Silva (parte 4)

música em contos 4

Vamos para o quarto conto que li da antologia Música em Contos 2? Ele chama-se A canção e foi escrito por Thelma Miguel. A música de inspiração foi You don’t know me (Michael Bublé). Esse conto é um pouco mais extenso que o da semana passada, mas não chega a ser tão extenso quanto o A Tísica.

Narrado por Antônio — ou Tony —, um cidadão que vive pacatamente (até demais) numa pequena cidade, mas que, de repente, vê sua vida virar do avesso devido a um incidente na porta de sua casa, com o ônibus da cantora Catharina — ou Katy — e sua equipe.

“Dei-me conta de que a minha vida tinha um vazio enorme”

Era noite e nevava, o que obrigou Tony a hospedar todas aquelas pessoas em sua casa, que era um pouco afastada da cidade. E essa situação acaba se estendendo um pouco, devido à dificuldade de conseguir a peça necessária para arrumar o ônibus. Com isso, Tony passa a sentir algo que jamais havia sentido. Algo que se torna ainda mais intenso com a partida da banda e com uma descoberta que ele faz pouco antes disso.

“Eu havia me transformado para sempre”

Trata-se de uma história romântica, mas não é um romance óbvio. Isso porque toda essa situação e tudo o que Tony vive, geram uma modificação interna nesse personagem. Um simples acontecimento abre os olhos de Tony para o mundo que sempre esteve à sua frente, mesmo que em uma cidade pequena como a que ele vivia.

Esse é um daqueles contos que nos permite pensar em em uma infinidade de assuntos (nossas vidas, a forma como enxergamos o mundo, o que nos move, quem são as pessoas que nos cercam e muito mais), ainda que seja uma narrativa breve. E a música que inspira o conto aparece diretamente na história, mas também tem uma letra que, por si só, já nos faz entender a inspiração. Além disso, essa canção é um dos elementos que despertam Tony para sua vida.