Tatianices recomenda [2]

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Você está terminando a leitura de um livro e ainda não sabe o que ler depois? Pois trago aqui algumas sugestões!

Se você quer uma leitura um pouco mais rápida, mas cheia de conteúdo e com histórias que envolvem música, recomendo “Noturnos – histórias de música e anoitecer“, de Kazuo Ishiguro.

Por outro lado, se você está procurando uma história mais longa e cheia de mistérios e acontecimentos, recomendo “Os quase completos“, de Felippe Barbosa.

E, para terminar, se você está em busca de uma leitura refúgio para dias sombrios, nada melhor que ler “A arte de ler“, de Michèle Petit.

E, para comprar cada um desses livros, basta clicar nos links abaixo:

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Noturnos – Kazuo Ishiguro

Título: Noturnos: histórias de música e anoitecer
Original: Nocturnes: five stories of music and nightfall 
Autor: Kazuo Ishiguro
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 210
Ano: 2017 (2º edição)
Tradução: Fernanda Abreu

(para ler ao som de Oh, you crazy moon – Chet Baker)

Esteticamente falando, Noturnos é lindo: capa azul, bordas das páginas na mesma cor, pássaros desenhados na capa, com um lindo violino. No entanto (e para a nossa sorte) o livro vai muito além desta beleza exterior, nos trazendo cinco contos protagonizados por instrumentistas e amantes da música e escritos em linguagem coloquial, fácil de ler e de se apaixonar.

Antes de falar sobre os contos, no entanto, vale a pena tentar entender o título do livro: na linguagem musical, um “noturno” é uma música clássica que reproduz estados de espírito únicos e extremamente líricos e que, originalmente, deveriam ser executadas em eventos sociais que ocorriam a noite, ao ar livre. A ambientação dos contos de Ishiguro não são exclusivamente noturnas, uma vez que os músicos tocam em diversos momentos do dia. Mas há o lirismo dos “noturnos” e os estados de espírito únicos.

O primeiro conto do livro chama-se Crooner. Com ele já pude aprender várias coisas sobre o mundo da música que, mesmo sendo uma de minhas paixões, eu desconhecia: crooner, por exemplo, é um cantor ou cantora de música popular que canta com uma orquestra ou conjunto instrumental. Além disso, o crooner que aparece nesta história é real: Tony Gardner (e eu nunca havia escutado nada sobre ele…).

Neste conto conhecemos o jovem músico Jan, cuja mãe era apaixonada por Tony Gardner. Numa bela tarde, enquanto Jan toca em uma praça de Veneza, ele avista Tony Gardner e decide ir conversar com ele. A partir disso Jan descobre muitas coisas: conhece Lindy Gardner, esposa de Tony; ouve um pouco mais da história de ambos; descobre que Tony já não é mais o mesmo sucesso de antes. Um conto sobre fama, amor, fins e recomeços.

Em Chova ou faça sol Raymond, que dá aulas de música na Espanha, decide visitar seus amigos de faculdade, Emily e Charlie, em Londres. Ao chegar lá, porém, vê-se diante de um casal em crise que quer usá-lo para demonstrar que existem outros tipos de fracasso na vida. Um conto cheio de intrigas, rancores, segredos e mágoas.

Malvern Hills começa ambientado em Londres, mas logo passamos para Malvern Hills, no interior da Inglaterra, onde o narrador, um músico iniciante decide se refugiar para compor mais algumas músicas. Para isso, no entanto, ele hospeda-se na casa de sua irmã, Maggie e seu cunhado, Geoff e os ajuda no café que possuem. Ali ele conhece Tilo e Sonja, que lhe causa uma péssima primeira impressão. Mais tarde, porém, este jovem músico encontra novamente Tilo e Sonja e os três conversam de igual para igual: todos ali são músicos. Um conto sobre inspiração, preconceito e, novamente, amor.

Noturno, além de ser um conto com o título muito parecido com o do livro é, também, o conto mais extenso de todos, além de ser o mais cheio de aventuras, altos e baixos, confusões. Aqui um saxofonista acaba se rendendo à ideia de fazer uma plástica facial em Beverly Hills para poder, finalmente, estar entre os melhores da música. Durante o período de recuperação ele conhece ninguém menos que Lindy Gardner (sim, a mesma do primeiro conto!) e então muitas coisas malucas começam a acontecer. Um conto sobre  aceitação, sucesso e aparências.

O último conto, Celistas, nos conta sobre quando Tibor, um músico em início de carreira, conhece uma americana que se considera uma virtuose. Pois bem, fui (novamente) pesquisar e, na música, a virtuose está relacionada ao excepcional domínio técnico desta arte. A tal moça americana, no entanto, possuia muito deste talento técnico, mas pouco tocava de verdade. Ainda assim, ela conseguiu ajudar Tibor. Um conto sobre amizade, influências e talento.

Apesar de histórias independentes, os contos carregam algumas semelhanças ou proximidades entre si: os finais, por exemplo, são bem abertos, deixando muito espaço para que nossa imaginação complete a história; a música que aparece nas histórias muitas vezes é o jazz (tanto é que o nome de Chet Baker aparece em todas elas) ou algum outro tipo de música considerado mais clássico; as narrativas não são exatamente felizes, ainda que consigam ter um toque de leveza e graça.

Noturnos foi um livro que, apesar da rápida leitura, me fez pensar sobre as histórias e me fez pesquisar e conhecer muitas coisas sobre o mundo da música. Para quem ama ler e ama música é, sem dúvidas, um prato cheio. Mas também não é um livro restrito somente a este público, graças à sua linguagem e narrativas que prendem. Ficou com vontade de ler? Então clica aqui.