Acredito que ler O caçador de pipas ao menos uma vez na vida é essencial. O livro, escrito por Khaled Hosseini e publicado em 2005 tem muito a nos oferecer.
A história nos faz aprender muito sobre uma Cabul que provavelmente poucos de nós conhece (eu, ao menos, não sabia praticamente nada e talvez jamais soubesse sem uma leitura dessas).
“Em Cabul, empinar pipas era um pouco como ir para a guerra”
“Estar de volta a Cabul era como ir ao encontro de um velho amigo que tínhamos esquecido, e ver que a vida não tinha sido boa para com ele; que tinha se tornado um indigente, um sem-teto”
Muito além disso, porém, a escrita nos permite refletir, por exemplo, sobre honestidade.
“— Quando você mata um homem, está roubando uma vida — disse baba. — Está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça. Entende?”
“Tinha tanta coisa boa acontecendo na minha vida… Tanta felicidade… E fiquei me perguntando se eu merecia isso”
“Perspectivas são um luxo quando se tem um enxame de demônio zumbindo constantemente na cabeça”
Sobre tomar decisões.
“Era minha última chance de tomar uma decisão”
Sobre reputação.
“Mas eu era homem e o único risco que corria era o orgulho ferido. E feridas como essas têm cura. Já as reputações, não. Será que ela ia aceitar o meu desafio?”
Sobre coragem.
“Comecei a achar que, em muitos aspectos, Soraya Taheri era uma pessoa melhor que eu. Coragem era apenas um deles”
E também sobre a passagem do tempo.
“Mas o tempo pode ser uma coisa bem voraz — às vezes se apodera de todos os detalhes só para si mesmo”
Por fim, uma temática central é aquela da necessidade humana de contar histórias.
“Bem, as pessoas precisam de histórias para se divertir em tempos tão difíceis como esses”
Se você se interessou por este livro e quer saber mais sobre ele, não deixe de ler a resenha completa.
Título: O caçador de pipas Original: The kite runner Autor: Khaled Hosseini Editora: Nova Fronteira Páginas: 365 Ano: 2005 Tradução: Maria Helena Rouanet
Sinopse
“O Caçador de Pipas” é um romance com tintas autobiográficas que conta a história da amizade de Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970.
Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre busca a aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido pela coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após este episódio, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas 20 anos depois Hassan e a pipa azul o fazem voltar à sua terra natal para acertar contas com o passado.
Best-seller mundial, este livro vendeu mais de 5 milhões no mundo todo e ganhou uma versão cinematográfica.
Resenha
Apesar de ser uma obra tão conhecida, mergulhei na leitura de O caçador de pipas sabendo apenas que era um desses livros que precisamos ler ao menos uma vez na vida.
“— As crianças não são cadernos de colorir. Você não tem de preenchê-lo com suas cores favoritas”
Como não poderia deixar de ser em uma obra escrita por um autor que não está no eixo euro americano, realizar esta leitura foi me dar conta, mais uma vez, do quão pouco sei. Seja sobre outras culturas, sobre religião, sobre os conflitos que marcam o Oriente Médio e também sobre as relações humanas.
“— Bem… — disse eu. Mas nunca consegui acabar aquela frase. Porque, de repente, o Afeganistão mudou para sempre”
A obra se inicia na infância de Amir, que é o narrador desta história.
“Era esquisito, mas fiquei feliz vendo que alguém sabia exatamente quem eu era. Já estava cansado de fingir”
Uma infância bem privilegiada, uma vez que seu pai era muito rico e respeitado e Amir ainda podia contar com o fiel amigo e servo Hassan.
“No inverno de 1975 vi Hassan correr atrás de uma pipa pela última vez”
Mas estamos falando de uma infância no Afeganistão e, da noite para o dia, toda essa vida aparentemente perfeita, ruiu.
“Meu pai passou a vida inteira enfrentando ursos. Perdeu a jovem esposa. Teve de criar um filho sozinho. Precisou abandonar a sua querida terra natal, o seu watan. Conheceu a pobreza. A indignidade. Até que, afinal, apareceu um urso que ele não conseguiu derrotar”
Acontece que, lendo esta narrativa da perspectiva de Amir, sabemos que as coisas já estavam difíceis muito antes dele ter de sair de sua terra natal.
“Para mim, os Estados Unidos eram o lugar onde podia enterrar as minhas lembranças”
Sua mãe morrera no parto e, desde a infância, Amir apenas queria conquistar o amor e a admiração de seu pai. Sentimentos esses, aliás, que ele parecia nutrir muito mais facilmente por Hassan.
“Sempre dói mais ter algo e perdê-lo do que não ter aquilo desde o começo”
Essa relação (ou a falta dela) entre pai e filho é um fio condutor importante na obra, sendo o propulsor da maioria das ações e decisões (sobretudo ruins) do narrador, além de trazer um plot interessante ao final.
“Pensei em todos os espaços vazios que baba ia deixar atrás de si depois que se fosse, e fiz um esforço enorme para pensar em outra coisa”
A lealdade também é um tema recorrente ao longo das páginas deste livro, assim como a culpa, que permeia cada vírgula desta história.
“Acho que certas histórias não precisam ser contadas”
O caçador de pipas pode ser uma história bem amarga, não apenas por tudo aquilo que o narrador carrega consigo, mas também porque há alguns pontos da cultura afegã que podem ser difíceis – sobretudo para as mulheres – de digerir.
“E toda mulher precisa de um marido. Mesmo que ele faça calar a canção que existe nela”
Violência – física e psicológica – também marcam diversos pontos desta narrativa, que realmente tem o poder de tocar seus leitores.
“Eles não permitem que a gente seja humano”
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