O natal do irlandês — Tayana Alvez

Título: O natal do irlandês
Autora: Tayana Alvez
Editora: publicação independente
Páginas: 95
Ano: 2020

Já que a minha primeira leitura concluída em 2021 foi O casamento, nada mais justo que fechar as resenhas do ano com O natal do irlandês, que além de tudo vem bem a calhar para esta semana, não é mesmo? Só deixando claro, porém, esta é a última resenha do ano, mas não o último post! Ainda nos vemos por aqui, hein.

Foi muito bom rever esse casal que ainda tem os seus altos e baixos, suas doses de realidade e seu enorme poder de nos deixar de coração quentinho. Uma dupla que segue firme na terapia, mas que também amadurece e aprende muito em conjunto. E, sem dúvidas, com um Robert que ainda ultrapassa alguns limites.

“Não acredito que pago essa mulher para desgraçar minha cabeça”

Não só por ser um conto, mas também pela escrita da autora e pela leveza da história — apesar de um ou outro momento de tensão que não poderia ficar de fora —, este é um livro que você consegue ler rapidinho e que vai te deixar ainda mais no clima natalino, mesmo que ele retrate um natal atípico: aquele que passamos em 2020, quando a pandemia continuava bem complicada (e vale lembrar: ela ainda não acabou!).

“Julie está arrumando a cozinha, por isso, desço as escadas para encontrá-la e a cada degrau, percebo que ser um bom homem para a mulher que Julie é para mim não é sobre dependência emocional ou medos e anseios, é sobre valorizar o time perfeito que formamos juntos”

Uma coisa que me surpreendeu neste conto foi que além dele ter me permitido matar a saudade de personagens tão especiais como Julie, Robert e as meninas, ele também me deixou morrendo de vontade de entender melhor quem é o Conor e como ele e a Mari estão. Ou seja: estou ansiosamente no aguardo do livro que contará a história deste outro irlandês…

Se você veio aqui em busca de uma indicação de leitura para o natal, posso te dizer que encontrou! Não deixe de ler O natal do irlandês e aproveitar as festas! Ah, e como agora não é mais possível adquirir apenas o conto, mas o box completo da duologia, já garanta boas leituras para os próximos dias!

O irlandês — Tayana Alvez

Título: O irlandês
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 294
Ano: 2020

Uma vez mais, Tayana Alvez nos presenteia com uma obra que traz como protagonista uma mulher negra. E dessa vez ela vai ainda mais além, colocando em sua história muitos elementos sobre ser uma intercambista na Irlanda.

A ambientação irlandesa, assim como os detalhes, incluindo os perrengues do intercâmbio, são muito bem escritos, pois Tayana viveu tudo isso na pele. O que significa que em O irlandês nós somos transportados e essa viagem, mas ficamos com a parte boa do conforto de nossas casas.

“É bom sentir que o passado está no passado e que temos a vida inteira pela frente”

O fato da autora ser brasileira enriquece ainda mais essa história, pois ela pode nos apresentar com propriedade as diferenças culturais que há entre esses países, tornando a nossa imersão ainda mais completa e real.

“Ouvir da boca de um irlandês que você é o seu amuleto mais precioso é quase tão bonito quanto ouvir um eu te amo”

A protagonista deste livro é Júlia, que sai de Nilópolis (na Baixada Fluminense) para tentar a vida fora do país. E sim, tentar a vida, porque ela espera que o intercâmbio seja apenas uma porta, pela qual ela não pretende voltar tão cedo.

Para isso, porém, Júlia tem de trabalhar muito. Literalmente. E, como trata-se de um intercâmbio estudantil, ela tem de estudar também. Mas sabe aquelas pessoas que não sabem dizer “não”, principalmente quando surge mais uma oportunidade de ganhar um dinheirinho que fará diferença no final do mês? Pois bem, essa é Júlia.

“Quanto mais dinheiro você tem, mais dinheiro quer ter”

E é por não saber/não querer dizer “não” que Júlia, mesmo já trabalhando como garçonete e como cuidadora (em algumas noites), começa a cuidar de Annabelle e Alice. Ela tem de ficar apenas algumas poucas horas com as meninas, entre o fim do expediente da babá e o retorno do pai, Robert.

“Eu estou preparada para muita coisa. Mesmo. Até curso de primeiros socorros eu tenho, mas a dor do abandono de uma mãe? Isso eu não sei como lidar…”

E é assim que vamos, aos poucos, conhecendo essa protagonista tão cheia de si, mesmo que tenha seus medos, inseguranças e, claro, marcas do passado. Júlia sabe de onde vem, mas também sabe onde quer chegar e, ao mesmo tempo, sabe que terá de lutar em dobro simplesmente porque é uma mulher negra.

“Isso pesa. Essa sensação de nunca ser boa o bastante, de ser parada por causa da minha cor, de ser uma subcategoria de mulher porque nasci com mais melanina do que outras pessoas”

Por outro lado, também vamos cada vez mais conhecendo Robert e suas encantadoras meninas. E é muito instigante querer saber mais sobre o seu passado. Sobre as marcas que ele carrega. E as meninas, de certa forma, ainda que sejam muito jovens.

“Dói demais ver uma criança sofrer tanto”

O fato de termos uma (quase) babá e uma pai solteiro com um passado e tanto, me lembrou um pouco Alameda do Carvalho, outra história que gostei muito. A experiência de leitura de cada uma dessas histórias, porém, é bem única, porque os rumos que o enredo toma e o que está por trás de cada trauma são bem diferentes.

O irlandês tem tudo para ser um clichê, mas também tem muito mais para transformá-lo numa história rica e capaz de nos transmitir mensagens importantes como a necessidade de um bom diálogo em qualquer tipo de relacionamento, bem como a solidão da mulher negra (e, por mais que isso possa soar um pouco solto dito assim, fica muito claro o significado disso quando você lê essa história).

“Então é assim que as pessoas se relacionam quando elas têm um bom diálogo e não escondem medos e inseguranças?”

Ah, e claro, tudo isso é feito através de uma narrativa envolvente, daquelas que te fazem rir no momento certo e ficar com o coração apertado na mesma medida.

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