
Desde que escrevi sobre Belo Horizonte (aqui), queria escrever, também, este post, afinal, não poderia deixar de falar sobre Inhotim neste blog.
Sobre Inhotim
Localizado em Brumadinho, Minas Gerais, Inhotim é um museu de arte contemporânea e um jardim botânico, inaugurado em 2006. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos, idealizada por Bernardo de Mello Paz desde a década de 1980.
Isso tudo, porém, são apenas informações. Inhotim é muito mais que isso: pensado para fazer com que a gente se perca dentro dele, este que um dos maiores museus a céu aberto nos convida a caminhar sem pressa; a observar cada detalhe, mesmo sabendo que muito será ignorado; a se deixar tocar por tanta arte e natureza juntas.
A primeira coisa que chama atenção não é uma obra específica, mas o espaço. São 140 hectares de visitação, num espaço entre a Mata Atlântica e o Cerrado. O acervo é exibido ao ar livre e também em galerias, e as espécies botânicas — sobretudo aquelas raras — dão um toque único à visita. E tudo isso está muito bem identificado no mapa que você pode pegar gratuitamente logo na entrada.
Caminhar por Inhotim exige tempo: não dá para ver tudo correndo. Aliás, não dá para ver tudo. E talvez isto seja parte do encanto: aceitar que sempre vai ficar algo para a próxima visita. Mas, para otimizar um pouco a sua visita, sugiro contratar o transporte interno, que vai facilitar muito a sua ida às galerias, principalmente aquelas mais distantes (tem algumas jóias raras escondidas nos confins de Inhotim).
Por falar em galerias, uma curiosidade que aprendi somente em minha terceira visita à Inhotim (e ainda estou achando pouco, viu?) é que as galerias que possuem nomes genéricos (como Galeria Fonte, Galeria Lago e Galeria Mata) abrigam exposições temporárias, enquanto aquelas que possuem nomes de artistas (como Galeria Adriana Varejão, Galeria Yayoi Kusama e Galeria Miguel Rio Branco) são permanentes.
A maneira como aprendi isso também diz muito sobre Inhotim: os funcionários são muito receptivos e só de trocar algumas palavras com eles já dá para perceber o quanto conhecem do lugar.
É difícil escolher o que eu mais gosto lá, ainda que, sem dúvidas, algumas obras tenham seu espaço reservado em meu coração. A questão é que Inhotim não pode só o olhar: pede presença. Precisamos entrar, atravessar, sentir desconforto, estranhamento, silêncio. Em certos pavilhões, o corpo participa tanto quanto os olhos. Em outros, é impossível não sair pensando: era isso que o artista queria provocar em mim?
Talvez Inhotim seja também sobre aceitar que nem tudo precisa ser entendido imediatamente. Algumas coisas só precisam ser sentidas. Outras voltam dias depois, como uma lembrança meio desfocada, pedindo interpretação.
A cada vez que o dia termina em Inhotim — e sim, não dá nem para cogitar não ficar lá da hora que abre à hora que fecha — saio com a sensação de que aquele lugar não acaba no portão de saída. Ele continua. Nos pensamentos, nas fotos que não dão conta, nas conversas que surgem depois.
Algumas informações úteis
Inhotim funciona de quarta a sexta-feira, das 09h30 às 16h30 e aos finais de semana e feriados das 09h30 às 17h30. Nos meses de férias escolares (janeiro e julho) funciona também às terças-feiras, das 09h30 às 16h30.
Os ingressos custam de R$32,50 (meia) a R$65 (inteira) e às quartas-feiras e no último domingo do mês a visitação é gratuita. Vale a pena dar uma olhada nas regras da meia entrada, porque tem muita coisa incluída.
O endereço de Inhotim é Rua B, 20, Inhotim (Brumadinho, Minas Gerais) e é possível ir de carro (o estacionamento é gratuito), uber (se estiver com mais pessoas, é uma opção em conta), transfer da Belvitur ou ônibus da Coordenadas.
Para alimentação, é possível entrar com alimentos, mas também há diversas opções de restaurantes por lá (pratos feitos, quilo, lanches, cafés…). Ah, e claro: sempre bom levar uma garrafinha com água, né?
E se tiver outras dúvidas, não deixe de acessar o site oficial de Inhotim.
Coisas que eu amo em Inhotim
Para fechar, já que pincelei lá em cima, vou mencionar aqui algumas obras/galerias que amo em Inhotim:
- Em primeiríssimo lugar, o Sonic Pavilion (Doug Aitken), que visitei nas três vezes que estive em Inhotim. A ideia, aqui, é ouvir os “sons da terra”. Gostoso demais,
- A Galeria Adriana Varejão conquistou meu coração na primeira visita e, desde então, sou apaixonada pela artista. Vale a visita!
- Na Galeria Praça esta(va?) uma das melhores obras de Inhotim: Forty Part Motet (Janet Cardiff), uma instalação sonora, em que cada caixa de som corresponde à voz de um integrante do coral da catedral de Salisbury. É mágico demais.
- A Galeria Yayoi Kusama eu só visitei uma vez, mas o mix de sensações que ela nos propicia é imperdível também.
- Impossível não se deixar impressionar de alguma forma com a obra Ahora Juguemos a Desaparecer (II), do Carlos Garaicoa.
- A Invenção da Cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe, do Hélio Oiticica, pode parecer uma obra simples, mas ela encanta com suas cores e possibilidades.
E aí, você conhece Inhotim? Ficou com vontade de conhecer ou voltar? Não deixe de me contar nos comentários, vou amar conversar sobre.