Resilientes (Antologia)

Título: Resilientes: um manifesto contra a LGBTfobia 
Autor: vários autores
Organizadoras: Vanessa Nunes e Thati Machado
Editora: Se Liga Editorial 
Páginas: 219 
Ano: 2019

Sinopse

Dezessete de maio é o dia internacional do combate à homofobia e transfobia. E nós só conhecemos uma maneira de contribuir com a causa: através da escrita. “Resilientes” reúne contos sobre ser LGBT+, viver, resistir e amar livremente em um mundo ainda cheio de amarras.

Resenha

Resilientes é uma antologia que reúne 23 contos que têm como ponto de partida narrar histórias com protagonismo LGBTQIA+.

“O Brasil é um país violento, que fere, mata e destrói seus LGBTQ+ apenas por ódio às diferenças”

Prefácio

A pluralidade se faz presente não apenas no tema, mas também nos gêneros literários que engloba, contando com histórias mais fantasiosas e outras mais realistas; textos mais dramáticos, outros mais cônicos.

“Ela, no entanto, ao se tornar protagonista, descobriu que literatura não é sutil, não é delicada”

Pintura na parede (Luciana Gafasso)

Também é muito rica a variedade de autores: de nomes mais a menos conhecidos, cada conto nos traz uma história única, propiciando uma leitura ao mesmo tempo rápida e cativante.

“O tédio que a monotonia causa é sufocante. Precisa de algo novo”

A palavra de ordem: resistir (Tauã Lima Verdan Rangel)

Sendo os contos de extensão curta, também é possível aproveitar a obra de diferentes maneiras: lendo um conto após o outro, de uma vez; lendo aos poucos; lendo na ordem que quiser.

“Podemos nos apaixonar ainda mais ou podemos nos odiar no final das contas”

Instituto Santa Bárbara (Thalyta Vasconcelos)

O mais interessante desta antologia, para além do que já foi mencionado, é também a variedade de temas que a ampla proposta permitiu ao escritores selecionados.

“Comigo acontece frequentemente de me meter em situações nas quais nem sequer tenho real interesse, e das quais depois não tenho ideia de como sair. Já supus ser culpa da minha dificuldade em dizer “não”, mas hoje acho que a razão é mesmo minha incorrigível curiosidade”

Encantamentos (Danielle Vicentino)

Ao longo das páginas refletimos sobre escolhas, relações humanas, empatia e, claro, sobretudo sobre amor e preconceito.

“Estamos em 2019 e as coisas não deveriam ser assim, mas infelizmente são. Você não pode se sabotar e negar a felicidade só porque vive num mundo cercado de pessoas preconceituosas e ignorantes”

Instituto Santa Bárbara (Thalyta Vasconcelos)

Os contos (e autores) que compõem esta antologia são, em ordem:

  • A sétima onda (Juan Jullian)
  • Setembro (Maria Freitas)
  • Debaixo da chuva (T. S. Rodriguez)
  • Sob(re) o som das árvores (Laís Lacet)
  • Colorido (Luke Marcel)
  • O último dia (Beatriz Montenegro)
  • Matéria de capa (Dane Diaz)
  • Essência (Marta Vasconcelos)
  • Encantamentos (Danielle Vicentino)
  • Instituto Santa Bárbara (Thalyta Vasconcelos)
  • Glim (Vanessa Nunes)
  • Pintura na parede (Luciana Cafasso)
  • Destino irônico (Felipe Ricardo)
  • Notas de liberdade (Jean Carlos Machado)
  • Primeiras vezes (André Brusi Pino)
  • A penumbra do luto (Débora Costa)
  • Tarsila além do bem e do mal (Beto Oliveira)
  • Desconstruindo tabus (Maleno Maia)
  • Coração colorido (Margarete Prado)
  • Girassóis (Beatriz Avanci)
  • Doce vingança (Marcela Cardoso)
  • Certezas (Rafaela Haygett)
  • A palavra de ordem: resistir (Tauã Lima Verdan Rangel)

A diagramação é simples, mas bonita. A única coisa que eu mudaria é a sequência inicial dos capítulos. Na obra, temos título -> biografia do autor -> história. Em quase todos os contos eu lia o título, passava para a biografia do autor, iniciava a história e tinha de voltar para o título, que eu já tinha esquecido qual era.

“A vida nunca é como nos sonhos”

Encantamentos (Danielle Vicentino)

No geral, a leitura foi muito agradável e rápida, então já deixo aqui a dica para você que gosta de histórias com protagonismo LGBTQIA+. Basta clicar abaixo para saber mais sobre a obra e garantir seu exemplar.

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Giselle — Thais Rocha

Título: Giselle
Autora: Thais Rocha
Editora: Cartola
Páginas: 135
Ano: 2019

Quando eu cursei Letras, tive sérias dificuldades com as matérias da área de clássicos, o que me criou um bloqueio muito grande com qualquer coisa relacionada a isso e, olhando muito por cima os comentários sobre Giselle, eu havia entendido que ali teria algo deste campo, quando, na verdade, o que havia era algo sobre ballet clássico. Por conta dessa pequena confusão, acabei enrolando um pouco para encarar essa obra… Ah, se arrependimento matasse!

“Ela não tinha nenhuma ideia do que aconteceria a seguir, clichês não eram clichês para ela. Será que existia mais alguém no mundo assim?”

Giselle é um livro maravilhoso e devorei cada página querendo — e não querendo — chegar ao fim dessa história. Uma narrativa envolvente, forte e que me apresentou muita coisa interessante.

“Tudo o que ela mais queria era que o tempo parasse um pouco, que ela conseguisse pensar no que fazer, mas ele insensivelmente continuava seu caminho como se nada estivesse acontecendo com ela”

Vamos começar pelo fato que Giselle não é apenas o título da história, mas também o nome de nossa protagonista e de um ballet de repertório. E claro que, aos poucos, vamos vendo que a escolha não foi ao acaso.

Mas o que é um ballet de repertório?

Em linhas bem gerais — pois não sou nada especialista em ballet — um ballet de repertório é um tipo de ballet que contém uma história dentro dele e tal história, claro, é apresentada ao público através da dança.

O lago dos cisnes e Quebra nozes são alguns ballets de repertório bem conhecidos. E, como dito, Giselle também, mas, ao contrário desses dois que mencionei, este último eu não conhecia até ler a obra da Thais.

E conhecer Giselle — o ballet — através de Giselle — o livro — foi muito bom, pois o que a autora fez foi — sendo bem superficial aqui — nos mostrar como seria essa história se ela se passasse nos dias de hoje.

“Seu primeiro beijo foi absolutamente incrível, a cereja do bolo daquele que fora o melhor dia de toda a sua vida”

A protagonista deste livro é uma jovem apaixonada pelo ballet. Dedica-se com afinco à dança e sonha em se tornar bailarina profissional, para tristeza de sua mãe, que se preocupa com o fato da filha não comer muito e também não levar uma vida normal de adolescente.

“Era normal que uma pessoa fosse assim tão radiante? Ou fora ela quem se enterrara tão fundo dentro de si mesma que já nem sabia mais o que era normal?”

Apesar disso, tudo segue muito bem, até que Giselle conhece Clara que, por sua vez, é filha de bailarinos profissionais. Mas Clara dança ballet por obrigação, porque seus pais desejam que ela se torne uma bailarina como eles.

“Clara tinha razão — suas vidas eram opostas. E por incrível que pareça, ela não se importava”

E nesse contraste entre Giselle e Clara, a história se desenvolve. Apesar das diferenças, ambas logo se tornam amigas, porque, no fundo, só uma pode entender a outra. E é nessa linda amizade que elas vão seguindo em frente, crescendo e amadurecendo.

Porém… Nem tudo são flores e, sem dúvidas, um acontecimento trágico vem para abalar a doçura da história. E é após esse acidente que a autora nos apresenta ainda mais a fundo a história que há por trás do ballet Giselle, traçando um paralelo entre a tradição e a história que ela conta.

“Queria ser feliz ao menos uma vez na sua vida. Seria pedir muito?”

É muito interessante como a Thais conseguiu passar de uma história extremamente verídica e palpável para algo que está mais no plano mitológico, sem que essa passagem ficasse sem sentido ou absurda. É aquele tipo de salto que nos faz pensar “e se fosse assim mesmo?”.

Com este livro eu pude ver um pouco mais de perto como é a rotina e a dedicação de bailarinos à essa dança, pude acompanhar os dilemas de Giselle e Clara, pude refletir sobre assuntos diversos, além de conhecer um pouco mais sobre uma ballet de repertório.

“Clara achou ter escutado seu coração se partir em um milhão de pedacinhos”

Mas, não bastasse tudo isso, o fim também vem como um balde de água fria, deixando uma última e importantíssima lição.

Se você se interessou por esse livro e quer saber qual é a última lição que ele nos deixa, clique aqui.