
Ano passado li diversas obras com protagonismo LGBTQIA+ e, dentre elas, estava a antologia Resilientes, organizada pela Se Liga Editorial e publicada em 2019.
Ao longo da resenha, comentei que a pluralidade se faz presente nesta obra não apenas nos personagens, mas também nos gêneros e temáticas que ela traz.
A começar, claro, pelos relacionamentos humanos. As histórias falam muito de amor — e seus lados bons e ruins —, mas não só.
“Afíba não distinguia suor de lágrima. Em pé no ônibus, se entortava para apoiar a cabeça no ombro de Tom, que, ignorando a sauna humana que era o amigo, se deixava abraçar, repetindo a frase que vinha recitando durante o percurso até a rodoviária no centro do Rio de Janeiro: — Migo, vai ficar tudo bem. Ele não te merecia”
(A sétima onda — Juan Julian)
“Vidas que se tocam em algum momento, cujas órbitas se afastam naturalmente”
(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)
“Te amar foi vermelho – um ardente vermelho”
(Colorido — Luke Marcel)
“Aprendi que o amor não precisa machucar para ser recíproco, que não precisa queimar para ser bom e nem sangrar para ser verdadeiro”
(Colorido — Luke Marcel)
“Mas, sinceramente, acho que só comecei a entender de coração partido quando descobri que a frase ‘eu te amo’ pode ser uma arma usada somente para conseguir algo de alguém”
(Essência — Marta Vasconcelos)
“É engraçado como a linha entre amor e ódio é tênue”
(Doce vingança — Marcela Cardoso)
A dor — em suas diversas formas e intensidades — também marca uma notável presença ao longo das páginas.
“Havia muito, Ana observava o mundo com olhos gelados. Não se importava com ninguém, só vagava solitária, tendo a dor como única companheira”
(Setembro — Maria Freitas)
“Por que tanta dificuldade em entender o outro? Se alguém diz que está sofrendo, dê a mão, faça um café, ofereça ajuda”
(Setembro — Maria Freitas)
“A dor muda criaturas diferentes de formas diferentes, ela dizia quando eu a questionava”
(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)
“Será que existe um lugar para onde vão as palavras não ditas, ou elas ficam eternamente machucando e se remoendo dentro de nós?”
(Notas de liberdade — Jean Carlos Machado)
Alguns trechos já apontam outro assunto que não poderia faltar nesta antologia: a solidão.
“Também… Mas o que me mata é a solidão. É falar e ninguém ouvir”
(Setembro — Maria Freitas)
“O pôr do sol que vi sem a sua companhia mostrou-me o quanto uma cor quente pode ser fria e solitária”
(Colorido — Luke Marcel)
E alguns contos fazem um importante questionamento sobre quem realmente está ao nosso lado.
“Você alguma vez já parou para se perguntar se esses seus amigos vão estar ao seu lado no momento mais difícil da sua vida?”
(Destino irônico — Felipe Ricardo)
“Se minha família não me apoia, como esperar que os outros o façam?”
(Notas de liberdade — Jean Carlos Machado)
Lembrando, também, que não podemos viver pelos outros (e deixar de viver).
“Depois que você morre, não dá mais para viver”
(Setembro — Maria Freitas)
“Enxerguei através dos seus olhos tudo o que eu não era e tudo aquilo que nunca poderia ser. E acho que isso me atraiu”
(Colorido — Luke Marcel)
“Mandou eu me cuidar, porque não faria isso por mim”
(Colorido — Luke Marcel)
“A única coisa que eu sei é que você nunca vai se perdoar se não escolher a sua felicidade”
(Instituto Santa Bárbara — Thalyta Vasconcelos)
“Não gosto de causar transtorno às pessoas, nem de magoá-las, decepcioná-las, mas não está dando para fugir disso nos últimos meses”
(Matéria de capa — Dane Diaz)
“Feio é você deixar de ser feliz, com medo do que os outros vão pensar”
(Destino irônico — Felipe Ricardo)
“Você não pode viver sua vida tentando enganar a eles e a si mesmo. Não é justo com eles e não é justo com você”
(Certezas — Rafaela Haygett)
O conto Colorido foi um dos que mais chamou minha atenção, por usar as cores para falar dos sentimentos.
“De todas as cores que conheço, a rosa foi a que mais me aterrorizou”
(Colorido — Luke Marcel)
“O meu desejo foi vermelho em todos aqueles dias que passei sentindo a sua falta”
(Colorido — Luke Marcel)
“Amarelo foi a luz que enxerguei no dia em que resolvi me assumir, finalmente deixando aquele armário escuro e assombrado”
(Colorido — Luke Marcel)
Mas esta não foi a única história na qual a arte se fez presente.
“Tudo ao seu redor era construído, nada era real, nada era palpável”
(Pintura na parede — Luciana Cafasso)
“Tem a sensação de poder conhecer o mundo por trás de cada pincelada, por trás de cada escultura”
(A palavra de ordem: resistir — Tauã Lima Verdan Rangel)
Em suma, Resilientes é uma antologia que fala sobre sentimentos, caos, dores, amores, lembranças, momentos, preocupações…
“Tem um monte de coisas que você não sabia. A culpa é minha por não ter conseguido te contar”
(Debaixo da chuva — T. S. Rodriguez)
“Tudo nela era caos e tudo em mim foi atraído para o seu redemoinho”
(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)
“Tudo o que me restou foram os momentos ruins”
(Colorido — Luke Marcel)
“Não sei se o destino existe, mas, se sim, ele é muito irônico”
(Girassóis — Beatriz Avanci)
“Sabe quando você alimenta um sonho, mas, quando ele se realiza, parece que alguma coisa está fora do lugar?”
(Doce vingança — Marcela Cardoso)
“Realmente odiava como podia me preocupar com as mínimas coisas por nada”
(Certezas — Rafaela Haygett)
“O jovem sente um cansaço de tudo, está enfadado da mesmice dos dias, da vida, dos amigos, dos projetos… Enfim, da existência humana”
(A palavra de ordem: resistir — Tauã Lima Verdan Rangel)
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