Hoje, portanto, trago estes trechos, para que você possa conhecer um pouco mais desta obra tão encantadora.
Como o título já deve deixar claro, trata-se de uma antologia LGBTQIA+, que vai nos fazer refletir sobre como nosso amor vai muito além de uma mera nomenclatura.
“Ainda assim, Mateus está confuso consigo mesmo. Não se reconhece bissexual nem gay… A sensação é que nenhuma nomenclatura o representa de verdade e isso o apavora, embora não saiba explicar o motivo”
(Multicolor — Thati Machado)
Aliás, a temática do amor, claro, se faz muito presente ao longo das páginas desta obra.
“Amar é sobre ser inteiro, é sobre dois uns que se unem pra somar, não se anular”
(Três versões de mim — Leonardo Antam)
Mas o livro vai muito além. Fala sobre perdas.
“Agnes odiava perdas. Havia perdido tanto na vida…”
(Multicolor — Thati Machado)
“A hora de nos formarmos oficialmente chegou e isso significa que talvez sigamos caminhos diferentes”
(Monocromático — Rafael Ribeiro)
E medos.
“Então… parece que o Dani tá surtando e não quer mais casar.”
(Três versões de mim — Leonardo Antam)
Também fala sobre primeiras impressões e expectativas.
“Primeiras impressões podem dar uma rasteira na gente”
(Monocromático — Rafael Ribeiro)
“O ensino médio começou sem mudanças significativas. Como a cidade é pequena, não tem muita gente nova pra conhecer, então tudo estava igual. As mesmas pessoas, a mesma escola, até alguns professores continuavam lecionando. As expectativas estavam lá embaixo”
(Monocromático — Rafael Ribeiro)
“Isso não vai complicar as coisas? Por que é tão difícil achar alguém legal? O problema sou eu?”
(Três versões de mim — Leonardo Antam)
O primeiro conto trata muito da questão do lar e como este pode ser um tema bem delicado para a comunidade LGBTQIA+.
“— O meu lar é onde você está”
(Multicolor — Thati Machado)
E ainda encontramos histórias que falam sobre os rituais que conhecemos tão bem, mas que ganham novos formatos.
“É o dia de dizer “sim”. Das trocas de juras pretensamente eternas, de trocar as alianças. Seguir o protocolo e fazer tudo que os noivos fazem até o fim”
(Três versões de mim — Leonardo Antam)
Acima de tudo, esta é uma obra que fala sobre humanidade.
“Se ninguém ligava para ela enquanto pessoa, os trataria como máquinas”
(A garota no bar — Delson Neto)
Mas sem deixar de conter histórias de diferentes gêneros, inclusive ficção científica.
“Se um dia fossem pegos a cadeia seria um destino básico, pois as consequências de um cybercrime já eram bem piores naquela altura”
(A garota no bar — Delson Neto)
Se interessou? Então leia a resenha completa para saber mais e garantir seu exemplar!
Título: Orgulho de ser Autor: Vários autores Editora: Se Liga Editorial Páginas: 108 Ano: 2020
Sinopse
A antologia #OrgulhoDeSer reúne 8 histórias, contadas por 8 autores diferentes que, juntos, representam a comunidade mais colorida do mundo. Nesse livro, vocês encontrarão altas doses de representatividade em histórias de diferentes gêneros. Chore, sorria, vibre, angustie-se… Não importa o sentimento que invada você: permita-se SENTIR. Escancare as portas do armário e não se esqueça de se orgulhar por ser exatamente quem é!
Resenha
Vira e mexe aparece resenha de antologias por aqui e sou uma forte defensora delas. Como já comentado neste post, acho que elas são uma boa forma de conhecer novos autores, além de nos permitir, muitas vezes, mergulhar em gêneros diferentes.
A antologia Orgulho de ser ainda tem aquele toque a mais que eu adoro: histórias com muita representatividade.
Como o livro é composto por apenas oito contos, vou falar brevemente sobre cada um, na ordem em que estão colocados no livro.
Multicolor (Thati Machado)
Orgulho de ser se abre com esta narrativa que nos faz ressignificar a palavra lar.
“É possível ressignificar a palavra lar? Nossos cinco protagonistas provam que sim. Agnes, Tomás, Clarice, Dante e Mateus definem o Instituto Multicor como a casa aconchegante e tranquila que nunca tiveram”
(Multicolor — Thati Machado)
Indo e vindo no tempo, a história nos conta um pouco sobre seus personagens e o que os une.
“Cada um deles sabia como era se sentir completamente sozinho em um mundo habitado por tanta gente. Cada um deles sabia como era se sentir sem um lugar para chamar de lar”
(Multicolor — Thati Machado)
O Instituto Multicolor com certeza é um sonho para as pessoas da comunidade LGBTQIA+, sobretudo aquelas rejeitadas pela própria família.
“Porque família nunca foi uma questão de sangue, afinal de contas. Família sempre foi questão de ser. E de estar”
(Multicolor — Thati Machado)
Uma história que dá um quentinho no coração e muita vontade de fazer o bem.
“Nós ajudamos os outros da mesma forma que somos ajudados”
(Multicolor — Thati Machado)
A garota no bar – Delson Neto
A garota no bar já é uma história mais distopica, que se passa em Nova Avalon.
“O sono poderia voltar, mas Nova Avalon não a deixaria dormir”
(A garota no bar — Delson Neto)
É muito interessante como algumas críticas à nossa sociedade são colocadas ao longo das linhas.
“O humano estava acostumado com a destruição de si mesmo desde o princípio, ‘do pó viemos, ao pó retornaremos’, dizia a antiga religião”
(A garota no bar — Delson Neto)
Seu clima é sombrio e melancólico.
“O futuro não tinha misericórdia e nem paciência para lidar com a dificuldade alheia perante a mudança daqueles anos inconstantes”
(A garota no bar — Delson Neto)
Mas, ainda assim, a história também fala sobre o amor.
“Amar não era sortear um nome, sexo ou identidade. Era espontâneo, vindo de dentro”
(A garota no bar — Delson Neto)
E, mesmo que de maneira não tão direta, mas deixando muito claro, esta é uma narrativa sobre preconceitos.
“A cidade permitindo ou não, mais uma história começaria em Nova Avalon”
(A garota no bar — Delson Neto)
Monocromático (Rafael Ribeiro)
Depois, temos Monocromático, um conto com uma temática que sempre me conquista: o final do ensino médio.
“Quem foi que disse que nós temos que escolher a trilha da nossa vida toda aos 17 anos? Não consigo entender, sério!”
(Monocromático — Rafael Ribeiro)
Neste caso, mais especificamente, estamos na formatura de Luiz — o narrador — e Paulo — seu melhor amigo e algo mais.
“Todo mundo espera um “felizes para sempre” para um casal, ou que pelo menos eles fiquem juntos no final da história. Eu estou aqui pra dizer que tudo bem se eles não ficarem. As coisas boas duram pra sempre, mas nunca da mesma forma como começaram. Absolutamente tudo é mutável. E acolher as mudanças e lidar com elas só depende da gente”
(Monocromático — Rafael Ribeiro)
O outro Vicente (Camila Marciano)
O começo deste conto me deixou um pouco confusa. A narrativa parecia poética. E então eu me apaixonei. Pela escrita, pela história, pelos personagens.
Trata-se da história de um neto que está acompanhando a internação da avó, dona Odete.
“Como pode um lugar onde a gente morre não ter cor nem de vida, nem do contrário?”
(O outro Vicente — Camila Marciano)
Claro que, neste momento, um mistério surge: à beira da morte, Dona Odete quer que o filho dê um recado para Paloma. Mas quem é Paloma?
Uma história que quase me fez chorar.
Corações tortos (Luiz Gouveia)
Corações tortos é uma história um pouco mais pesada, pois contém cenas de briga e agressão. E, apesar disso, é uma história extremamente necessária, por retratar uma realidade que, infelizmente, ainda persiste.
O conto termina com uma dose de quentinho no coração que alivia parte da angústia ali apresentada.
“É… não sei como te dizer, mas parece que você fez uma bagunça aqui dentro e eu… gostei”
(Corações tortos — Luiz Gouveia)
Banho de lua (Mariana Jati)
Ao contrário do conto anterior, este aqui inspira leveza: um grupo de jovens amigos que vai passar a noite na mansão da Lai.
Uma narrativa cheia de representatividade, umas doses de insegurança e muita fofura.
3 versões de mim (Leonardo Antan)
Acho que o título já nos dá um bom panorama do que vem pela frente. Mas ele não nos conta uma coisa: é o dia do casamento de Daniel e Gui.
“Sorrio ao pensar no meu futuro marido, o Dani. Imagino-me anos atrás e fico orgulhoso. Afinal, cheguei onde mais sonhava. Se o Gui do passado estivesse vendo essa cena estaria comemorando”
(Três versões de mim — Leonardo Antam)
Um dia que já nos deixa carregados de emoção, mas que para Gui ganha contornos ainda mais interessantes: a possibilidade de conversar com seu eu do passado, mas também de receber alguns spoilers do futuro.
“Viveria uma história sabendo que ela pode dar errado?”
(Três versões de mim — Leonardo Antam)
Um conto que, para além de nos fazer viajar nessa situação hipotética bem interessante, também nos coloca para pensar sobre variados tipos de preconceito.
“Afinal, o mundo faz questão de dizer que só as pessoas magras que importam”
(Três versões de mim — Leonardo Antam)
Flores para Ellen (Jonas Maria)
Para fechar a antologia, outro conto distopico e sombrio.
“Acho que já devemos ir, Niko. Ela já deve estar lá — Alisson usou um tom de voz mais ansioso do que gostaria”
(Flores para Ellen — Jonas Maria)
O conto é triste e retrata uma realidade em que seus personagens precisam lutar para conseguir remédios e sobreviver.
Gostou da antologia Orgulho de ser? Então clique abaixo para saber mais sobre ela e depois me fale qual foi o seu conto preferido!
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Ano passado li diversas obras com protagonismo LGBTQIA+ e, dentre elas, estava a antologia Resilientes, organizada pela Se Liga Editorial e publicada em 2019.
Ao longo da resenha, comentei que a pluralidade se faz presente nesta obra não apenas nos personagens, mas também nos gêneros e temáticas que ela traz.
A começar, claro, pelos relacionamentos humanos. As histórias falam muito de amor — e seus lados bons e ruins —, mas não só.
“Afíba não distinguia suor de lágrima. Em pé no ônibus, se entortava para apoiar a cabeça no ombro de Tom, que, ignorando a sauna humana que era o amigo, se deixava abraçar, repetindo a frase que vinha recitando durante o percurso até a rodoviária no centro do Rio de Janeiro: — Migo, vai ficar tudo bem. Ele não te merecia”
(A sétima onda — Juan Julian)
“Vidas que se tocam em algum momento, cujas órbitas se afastam naturalmente”
(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)
“Te amar foi vermelho – um ardente vermelho”
(Colorido — Luke Marcel)
“Aprendi que o amor não precisa machucar para ser recíproco, que não precisa queimar para ser bom e nem sangrar para ser verdadeiro”
(Colorido — Luke Marcel)
“Mas, sinceramente, acho que só comecei a entender de coração partido quando descobri que a frase ‘eu te amo’ pode ser uma arma usada somente para conseguir algo de alguém”
(Essência — Marta Vasconcelos)
“É engraçado como a linha entre amor e ódio é tênue”
(Doce vingança — Marcela Cardoso)
A dor — em suas diversas formas e intensidades — também marca uma notável presença ao longo das páginas.
“Havia muito, Ana observava o mundo com olhos gelados. Não se importava com ninguém, só vagava solitária, tendo a dor como única companheira”
(Setembro — Maria Freitas)
“Por que tanta dificuldade em entender o outro? Se alguém diz que está sofrendo, dê a mão, faça um café, ofereça ajuda”
(Setembro — Maria Freitas)
“A dor muda criaturas diferentes de formas diferentes, ela dizia quando eu a questionava”
(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)
“Será que existe um lugar para onde vão as palavras não ditas, ou elas ficam eternamente machucando e se remoendo dentro de nós?”
(Notas de liberdade — Jean Carlos Machado)
Alguns trechos já apontam outro assunto que não poderia faltar nesta antologia: a solidão.
“Também… Mas o que me mata é a solidão. É falar e ninguém ouvir”
(Setembro — Maria Freitas)
“O pôr do sol que vi sem a sua companhia mostrou-me o quanto uma cor quente pode ser fria e solitária”
(Colorido — Luke Marcel)
E alguns contos fazem um importante questionamento sobre quem realmente está ao nosso lado.
“Você alguma vez já parou para se perguntar se esses seus amigos vão estar ao seu lado no momento mais difícil da sua vida?”
(Destino irônico — Felipe Ricardo)
“Se minha família não me apoia, como esperar que os outros o façam?”
(Notas de liberdade — Jean Carlos Machado)
Lembrando, também, que não podemos viver pelos outros (e deixar de viver).
“Depois que você morre, não dá mais para viver”
(Setembro — Maria Freitas)
“Enxerguei através dos seus olhos tudo o que eu não era e tudo aquilo que nunca poderia ser. E acho que isso me atraiu”
(Colorido — Luke Marcel)
“Mandou eu me cuidar, porque não faria isso por mim”
(Colorido — Luke Marcel)
“A única coisa que eu sei é que você nunca vai se perdoar se não escolher a sua felicidade”
(Instituto Santa Bárbara — Thalyta Vasconcelos)
“Não gosto de causar transtorno às pessoas, nem de magoá-las, decepcioná-las, mas não está dando para fugir disso nos últimos meses”
(Matéria de capa — Dane Diaz)
“Feio é você deixar de ser feliz, com medo do que os outros vão pensar”
(Destino irônico — Felipe Ricardo)
“Você não pode viver sua vida tentando enganar a eles e a si mesmo. Não é justo com eles e não é justo com você”
(Certezas — Rafaela Haygett)
O conto Colorido foi um dos que mais chamou minha atenção, por usar as cores para falar dos sentimentos.
“De todas as cores que conheço, a rosa foi a que mais me aterrorizou”
(Colorido — Luke Marcel)
“O meu desejo foi vermelho em todos aqueles dias que passei sentindo a sua falta”
(Colorido — Luke Marcel)
“Amarelo foi a luz que enxerguei no dia em que resolvi me assumir, finalmente deixando aquele armário escuro e assombrado”
(Colorido — Luke Marcel)
Mas esta não foi a única história na qual a arte se fez presente.
“Tudo ao seu redor era construído, nada era real, nada era palpável”
(Pintura na parede — Luciana Cafasso)
“Tem a sensação de poder conhecer o mundo por trás de cada pincelada, por trás de cada escultura”
(A palavra de ordem: resistir — Tauã Lima Verdan Rangel)
Em suma, Resilientes é uma antologia que fala sobre sentimentos, caos, dores, amores, lembranças, momentos, preocupações…
“Tem um monte de coisas que você não sabia. A culpa é minha por não ter conseguido te contar”
(Debaixo da chuva — T. S. Rodriguez)
“Tudo nela era caos e tudo em mim foi atraído para o seu redemoinho”
(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)
“Tudo o que me restou foram os momentos ruins”
(Colorido — Luke Marcel)
“Não sei se o destino existe, mas, se sim, ele é muito irônico”
(Girassóis — Beatriz Avanci)
“Sabe quando você alimenta um sonho, mas, quando ele se realiza, parece que alguma coisa está fora do lugar?”
(Doce vingança — Marcela Cardoso)
“Realmente odiava como podia me preocupar com as mínimas coisas por nada”
(Certezas — Rafaela Haygett)
“O jovem sente um cansaço de tudo, está enfadado da mesmice dos dias, da vida, dos amigos, dos projetos… Enfim, da existência humana”
(A palavra de ordem: resistir — Tauã Lima Verdan Rangel)
Se você se interessou por esses contos, clique abaixo para saber mais.
Título: Troféu
Autor: Leblon Carter
Editora: Se Liga Editorial
Páginas: 208
Ano: 2023
Sinopse
ELES TERÃO QUE COMPETIR POR UM TROFÉU.
Breno é o gerente de uma pizzaria no shopping; Oswaldo, de uma hamburgueria. Inimigos declarados há muito tempo, eles terão que competir por um troféu durante a semana do consumidor. Enquanto descobrem, em meio a uma guerra de comida, fantasias engraçadas e MUITA tensão sexual, uma paixão reprimida.
Resenha
QueTroféuera um enemies to lovers (ou seja, inimigos que se apaixonam), eu já sabia. Mas não esperava encontrar um protagonista tão reclamão e um “antagonista” tão querido (mesmo o livro sendo narrado em primeira pessoa, o que obviamente significa um olhar enviesado, mas que, por incrível que pareça, não foi tão negativo assim com relação ao coitado).
“Ou o Oswaldo era a pior pessoa que eu conhecia ou era a melhor. Não havia meio termo”
Breno acaba de ser promovido à gerência do Pizza Peels, pizzaria em que trabalha, na praça de alimentação de um shopping, e o momento mais aguardado do ano também chegou: a semana do consumidor.
Nesta semana, as lojas desse centro comercial fazem de tudo para vender muito e, assim, conquistar o troféu oferecido pelo shopping.
E claro que Breno, querendo mostrar serviço e honrar o seu novo cargo, vai fazer realmente de tudo para se sair vencedor.
“Eu queria aquele troféu e vencer a semana do consumidor. Só não queria ter que passar por cima dos meus sentimentos por causa disso”
O problema é que, bem ali, de frente para a pizzaria, está a hamburgueria que Oswaldo gerencia a Queen Burger.
E a rixa da história não é apenas entre Breno e Oswaldo: as chefes deles já possuem uma briga muito mais antiga e esse é um mistério que nós também acabamos querendo entender melhor, o que contribui para não largarmos o livro.
Ainda que se passe praticamente dentro do shopping, Troféu não deixa de nos lembrar que a cidade de fundo é São Paulo, o que pode arrancar boas identificações para quem conhece bem essa metrópole.
“Morar em São Paulo é entender que, a qualquer horário, de qualquer dia e em qualquer parte da cidade, vai haver dezenas de pessoas desse jeito: se apertando dentro de um ônibus, esperando na fila do banco ou tentando vaga em alguma padaria da Zona Sul”
A história se passa praticamente em uma semana, mas ela é bem intensa. Não só pela competição mencionada, mas também pelos sentimentos que vão aflorando e ganhando vida entre os dois personagens.
“Mas o fato de eu odiar clichês era porque nunca imaginei que fosse acontecer comigo, sabe? O romance fofo, a leveza nos diálogos, as brigas que, geralmente, acabavam em risadas”
Li esta história na edição física, publicada pela Se Liga Editorial e a diagramação dela é simples, mas extremamente confortável de ler e bonita.
Além disso, o volume conta com o conto Troféu de Natal ao final, o que é uma delícia para quem, assim como eu, ainda não queria se despedir dos personagens.
No conto, vemos a situação de Breno e Oswaldo já resolvida e temos a oportunidade de passar um natal com eles. Mas será um natal tranquilo? Só lendo para saber!
Aliás, se você se interessou por essa história, já clica no link abaixo para saber mais. Uma leitura que indico para quem está buscando algo mais leve, com a possibilidade de dar boas risadas, mas também surtar um pouco com alguns personagens no caminho.
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Título: Resilientes: um manifesto contra a LGBTfobia
Autor: vários autores
Organizadoras: Vanessa Nunes e Thati Machado
Editora: Se Liga Editorial
Páginas: 219
Ano: 2019
Sinopse
Dezessete de maio é o dia internacional do combate à homofobia e transfobia. E nós só conhecemos uma maneira de contribuir com a causa: através da escrita. “Resilientes” reúne contos sobre ser LGBT+, viver, resistir e amar livremente em um mundo ainda cheio de amarras.
Resenha
Resilientes é uma antologia que reúne 23 contos que têm como ponto de partida narrar histórias com protagonismo LGBTQIA+.
“O Brasil é um país violento, que fere, mata e destrói seus LGBTQ+ apenas por ódio às diferenças”
Prefácio
A pluralidade se faz presente não apenas no tema, mas também nos gêneros literários que engloba, contando com histórias mais fantasiosas e outras mais realistas; textos mais dramáticos, outros mais cônicos.
“Ela, no entanto, ao se tornar protagonista, descobriu que literatura não é sutil, não é delicada”
Pintura na parede (Luciana Gafasso)
Também é muito rica a variedade de autores: de nomes mais a menos conhecidos, cada conto nos traz uma história única, propiciando uma leitura ao mesmo tempo rápida e cativante.
“O tédio que a monotonia causa é sufocante. Precisa de algo novo”
A palavra de ordem: resistir (Tauã Lima Verdan Rangel)
Sendo os contos de extensão curta, também é possível aproveitar a obra de diferentes maneiras: lendo um conto após o outro, de uma vez; lendo aos poucos; lendo na ordem que quiser.
“Podemos nos apaixonar ainda mais ou podemos nos odiar no final das contas”
Instituto Santa Bárbara (Thalyta Vasconcelos)
O mais interessante desta antologia, para além do que já foi mencionado, é também a variedade de temas que a ampla proposta permitiu ao escritores selecionados.
“Comigo acontece frequentemente de me meter em situações nas quais nem sequer tenho real interesse, e das quais depois não tenho ideia de como sair. Já supus ser culpa da minha dificuldade em dizer “não”, mas hoje acho que a razão é mesmo minha incorrigível curiosidade”
Encantamentos (Danielle Vicentino)
Ao longo das páginas refletimos sobre escolhas, relações humanas, empatia e, claro, sobretudo sobre amor e preconceito.
“Estamos em 2019 e as coisas não deveriam ser assim, mas infelizmente são. Você não pode se sabotar e negar a felicidade só porque vive num mundo cercado de pessoas preconceituosas e ignorantes”
Instituto Santa Bárbara (Thalyta Vasconcelos)
Os contos (e autores) que compõem esta antologia são, em ordem:
A sétima onda (Juan Jullian)
Setembro (Maria Freitas)
Debaixo da chuva (T. S. Rodriguez)
Sob(re) o som das árvores (Laís Lacet)
Colorido (Luke Marcel)
O último dia (Beatriz Montenegro)
Matéria de capa (Dane Diaz)
Essência (Marta Vasconcelos)
Encantamentos (Danielle Vicentino)
Instituto Santa Bárbara (Thalyta Vasconcelos)
Glim (Vanessa Nunes)
Pintura na parede (Luciana Cafasso)
Destino irônico (Felipe Ricardo)
Notas de liberdade (Jean Carlos Machado)
Primeiras vezes (André Brusi Pino)
A penumbra do luto (Débora Costa)
Tarsila além do bem e do mal (Beto Oliveira)
Desconstruindo tabus (Maleno Maia)
Coração colorido (Margarete Prado)
Girassóis (Beatriz Avanci)
Doce vingança (Marcela Cardoso)
Certezas (Rafaela Haygett)
A palavra de ordem: resistir (Tauã Lima Verdan Rangel)
A diagramação é simples, mas bonita. A única coisa que eu mudaria é a sequência inicial dos capítulos. Na obra, temos título -> biografia do autor -> história. Em quase todos os contos eu lia o título, passava para a biografia do autor, iniciava a história e tinha de voltar para o título, que eu já tinha esquecido qual era.
“A vida nunca é como nos sonhos”
Encantamentos (Danielle Vicentino)
No geral, a leitura foi muito agradável e rápida, então já deixo aqui a dica para você que gosta de histórias com protagonismo LGBTQIA+. Basta clicar abaixo para saber mais sobre a obra e garantir seu exemplar.
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Título: Quem rabiscou aqui
Autora: Cínthia Zagatto
Editora: Se Liga Editorial
Páginas: 97
Ano: 2019
Sinopse
Se suas novas apostilas forem a amostra de como será o ensino médio, Cadu está perdido. Acaba de ganhar o pior material de segunda mão de toda a história. O pai jura juradinho que ter o gabarito dos exercícios vai ajudá-lo, mas é difícil acreditar nisso até se ver contra a parede durante uma aula. Como é possível estar com os livros da aluna mais inteligente e interessante da escola sem nunca a ter visto por lá? Sua melhor amiga diz que é porque o antigo dono deles não é uma garota, mas Cadu sabe que sim. E está apaixonado por ela. Agora, com a ajuda de Tata Batata e do Homem-Cabrito, ele está disposto a bolar os planos mais malucos para descobrir quem foi que roubou seu coração com trechos de música e caricaturas de artistas famosos.
Resenha
Quem rabiscou aqui é uma daquelas leituras leves e divertidas, ótimas para passar um pouco do tempo com algumas risadas e uma boa dose de drama adolescente.
“Estava com os papéis esparramados sobre o peito e o coração amarrotado no chão”
Tudo começa com Cadu revoltado porque seu pai comprou apostilas de segunda mão para o seu novo ano escolar.
O protagonista inclusive demonstra certo asco com o estados de tal material: todo rabiscado e sujo nas pontas.
Sua melhor amiga — e quase irmã — Tabata — ou Tata Batata — não perde a oportunidade de rir do exagero do amigo.
“Como poderia escolher uma namorada se a garota mais bonita e inteligente do mundo era sua própria irmã?”
Mas logo nos primeiros dias de aula, Cadu muda totalmente de opinião com relação às apostilas: ele percebe que aqueles rabiscos têm muito a lhe dizer e ensinar.
“Havia algo especial naquelas músicas; um sentimento tranquilo que o levava para um estado de espírito muito leve”
Os desenhos, as caricaturas e as músicas ajudam nosso protagonista a entender um pouco da matéria que ele sempre teve muita dificuldade de acompanhar. E, com isso, ele acaba se apaixonando por quem fizera tudo aquilo um ano antes.
Assim, o foco da narrativa aqui apresentada é a busca de Cadu para descobrir quem é a pessoa por quem ele se apaixonou.
“Você pode não querer gostar dele e fingir que nada aconteceu. Talvez só se sinta miserável”
E, em meio a essa busca, conhecemos um pouco mais do protagonista e suas dificuldades com novos conhecimentos.
“Não soube se era erva-doce ou camomila, porque tudo sempre havia sido apenas chá para ele, mas era bom, ainda assim”
Também nos aprofundamos em sua relação com seus familiares, com sua melhor amiga e com seus colegas de escola.
“Era como se todos soubessem que estava desajeitado dentro de si mesmo, e não do modo como estavam acostumados a ver”
E, principalmente, mergulhamos nas descobertas que ele só poderia fazer por si mesmo.
“— Você tava certo, eu não tava te procurando. Mas o que é que eu faço agora que te achei?”
A leitura de Quem rabiscou aqui é rápida e tranquila. Os personagens são cativantes e é difícil não mergulhar na narrativa.
“O troféu de seu campeonato particular daquele mês de fevereiro”
Também achei muito interessante como a autora apresentou a relação entre Cadu e Tabata: eles cresceram juntos, mas nem todo jovem é capaz de entender a relação entre uma garota e um garoto e, por isso, eles escondem a amizade diante dos colegas. Um tema poucas vezes abordado desta forma, mas tão real entre jovens.
Se você quiser ler esta obra, clique abaixo. E, para conhecer mais do trabalho da autora, siga suas redes sociais (Instagram | Twitter).
Algumas autoras são figurinhas carimbadas por aqui, porque adoro ler e resenhar suas histórias. É o que acontece com a Marie Pessoa, que não deixo passar um lançamento que seja (mesmo que às vezes eu demore um pouco para pegar e ler).
Quem é o mascarado? não é o obra mais incrível da Marie, mas ainda assim é uma narrativa que conquista e, ao mesmo tempo que tem um quê de leveza, também aborda algumas questões fortes e importantes. Uma daquelas histórias para ler em uma sentada só e, ainda assim, guardar consigo e refletir sobre alguns pontos.
“Mulher nenhuma nasceu pra ser saco de pancada”
A jovem protagonista Cris sonha em participar de um grande festival musical de nome Good Music. E apesar do incentivo de sua mãe e de sua melhor amiga, o namorado sempre a desencorajou a isso e ela acaba acreditando que não tem talento e capacidade para tanto.
“Se não quisermos machucar quem amamos, é muito simples: tomamos cuidado com nossas palavras, nossas ações”
Ao enviar, sem querer, um super desabafo em um grupo relacionado ao festival, porém, Cris acaba conhecendoAngel, uma pessoa misteriosa que demora a se revelar, mas que passa a ser um porto seguro para a protagonista.
“Angel conseguiu o que eu achava ser impossível: fez com que eu acreditasse no poder das minhas próprias canções”
No meio desses acontecimentos — que por si só já dariam uma interessante narrativa —, a autora ainda consegue abordar questões como relacionamentos abusivos, maternidade solo, relacionamentos entre mulheres, além de homofobia e transfobia.
Para os apaixonados por O fantasma da ópera, aqui está uma chance de, em poucas páginas, dar um novo significado à história. Mas se você não conhece nadinha do musical, não se preocupe, essa narrativa também é para você. Não deixe de conferir!