Citações #46 — Proibida pra mim

Costumo ter em mente que um dos indicadores de que eu amei um livro é a quantidade de trechos dele com os quais me identifico ou que chamam a minha atenção.

Ainda assim, estou totalmente surpresa com o tanto de quotes de Proibida pra mim, da Tayana Alvez, que tenho para trazer aqui. Provavelmente deixarei alguns de fora, porque é realmente muita coisa. Mas não era para menos: o livro é realmente ótimo, além de relativamente extenso.

“E, pela primeira vez em anos, isso lhe traz esperança em vez de a assustar”

Na resenha, comecei destacando Lavínia, a protagonista desta obra. Mesmo assim, muitas coisas ficaram de fora, então aqui vão alguns trechinhos a mais para conhecê-la melhor, ressaltando o fato dela tentar ser fria e forte, mas, ainda assim, não conseguir lutar e acreditar em coisas boas para si.

“É, você tem um pedacinho de coração em algum lugar aí”

“— Quando a Lavínia precisa de alguém, não é porque ela está machucada, é porque ela quebrou, Mandy”

“Eu gostaria que você lutasse mais pelas coisas, minha filha”

Também mencionei como é difícil não se identificar em alguma medida com esse furacão chamado Lavínia.

“Lavínia traz uma cor diferente à sua vida, e o que mais o surpreende é que, antes dela chegar, ele nem tinha percebido o quão preto e branco era”

“Só alguém que guarda todos os pesos do próprio mundo consegue ler outra pessoa na mesma situação com facilidade”

“Cair, agora, seria mais do que o fim de um amor, seria o fim de todas as pontes que ela construiu, de todas as permissões que ela deu a si mesma, e ela não se sente nem um pouco preparada para isso”

“Os primeiros meses do ano sugaram toda a sua energia vital e, agora, ela precisa de calmaria e solidão para recarregar suas baterias”

Como boa apaixonada por romances que sou, não poderia de ter amado esse livro pela boa dose de sentimentos e reflexões sobre o amor que ele carrega.

“Beijar Lavínia era como saltar de paraquedas para um viciado em adrenalina, e ele poderia fazer aquilo por horas”

“Ah, pelo que ele fala as coisas não deram certo; mas pelo que ela fala, eles estudavam juntos, se apaixonaram e viveram um grande amor… Até que acabou”

“Uma mulher muito sábia disse um dia que um amor verdadeiro não precisa ser o único. Que um amor verdadeiro significa amar de coração, amar por inteiro”

O amor resiste a muita coisa, minha filha, mas se tem uma coisa que o amor é incapaz de superar é um ego”

“Amar é uma coisa esquisita. Você não controla nada do que sente nem do que pensa. E, por mais que essa sensação ainda incomode Lavínia, não há mais nada que ela possa fazer agora”

“Se o coração de Daniel estivesse inteiro, ele teria se partido com essas palavras”

“Nada nela é apenas dela agora, e isso é desesperador”

“Amar uma pessoa e não poder estar com ela é pior do que não amar ninguém”

Devo admitir, porém, que o que torna esta obra tão sensacional são os tapas na cara (sutis ou não) que ela nos dá.

“E você está se formando aos vinte e quatro, tendo conhecido doze países. Acho que você está em vantagem, embora a vida não seja uma competição”

Quando você opta por ser um pai ausente durante anos, a sensação é de que você vai estar sempre em falta, o que é, além de uma sensação, uma verdade”

“Quero que sejamos honestos um com o outro, sobre tudo, mesmo sobre o que você não consegue sentir”

“Porque nem todos os amores são eternos”

“— Não é porque a sociedade decide que existem idades para fazer as coisas que essas idades são reais, tá bem?”

“Talvez a gente tenha se apegado à pessoa errada e virado as costas para quem estava gritando por socorro. — E assim você acaba de definir a adolescência”

Mas o melhor de tudo é pegar esses quotes e perceber como alguns que já faziam sentido, podem fazer ainda mais com o tempo.

“Contudo, ainda que o coração dissesse o tempo inteiro que ela precisava se manter firme em suas decisões, quando se escolhe priorizar os desejos daqueles que se ama, sofrer ao ver tudo dar errado é uma das possibilidades mais reais”

E, para encerrar, algo para nunca nos esquecermos:

“Todo mundo está passando pelo próprio processo e enfrentando os próprios preconceitos, não dá para a gente exigir que os outros tenham a nossa mesma maturidade”

Algum trecho despertou sua curiosidade? Então não deixe de ler o livro inteiro e encontrar as suas próprias passagens preferidas.

O natal do irlandês — Tayana Alvez

Título: O natal do irlandês
Autora: Tayana Alvez
Editora: publicação independente
Páginas: 95
Ano: 2020

Já que a minha primeira leitura concluída em 2021 foi O casamento, nada mais justo que fechar as resenhas do ano com O natal do irlandês, que além de tudo vem bem a calhar para esta semana, não é mesmo? Só deixando claro, porém, esta é a última resenha do ano, mas não o último post! Ainda nos vemos por aqui, hein.

Foi muito bom rever esse casal que ainda tem os seus altos e baixos, suas doses de realidade e seu enorme poder de nos deixar de coração quentinho. Uma dupla que segue firme na terapia, mas que também amadurece e aprende muito em conjunto. E, sem dúvidas, com um Robert que ainda ultrapassa alguns limites.

“Não acredito que pago essa mulher para desgraçar minha cabeça”

Não só por ser um conto, mas também pela escrita da autora e pela leveza da história — apesar de um ou outro momento de tensão que não poderia ficar de fora —, este é um livro que você consegue ler rapidinho e que vai te deixar ainda mais no clima natalino, mesmo que ele retrate um natal atípico: aquele que passamos em 2020, quando a pandemia continuava bem complicada (e vale lembrar: ela ainda não acabou!).

“Julie está arrumando a cozinha, por isso, desço as escadas para encontrá-la e a cada degrau, percebo que ser um bom homem para a mulher que Julie é para mim não é sobre dependência emocional ou medos e anseios, é sobre valorizar o time perfeito que formamos juntos”

Uma coisa que me surpreendeu neste conto foi que além dele ter me permitido matar a saudade de personagens tão especiais como Julie, Robert e as meninas, ele também me deixou morrendo de vontade de entender melhor quem é o Conor e como ele e a Mari estão. Ou seja: estou ansiosamente no aguardo do livro que contará a história deste outro irlandês…

Se você veio aqui em busca de uma indicação de leitura para o natal, posso te dizer que encontrou! Não deixe de ler O natal do irlandês e aproveitar as festas! Ah, e como agora não é mais possível adquirir apenas o conto, mas o box completo da duologia, já garanta boas leituras para os próximos dias!

Proibida pra mim — Tayana Alvez

Título: Proibida pra mim: um romance com diferença de idade
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação Independente
Páginas: 645
Ano: 2021

Proibida pra mim é aquele tipo de livro quando você começa a ler pensa “mas para quê tanta página?” e, quando vê, já está completamente envolvido na leitura, querendo mais e mais.

“— O que você tá fazendo comigo, Lavínia? — a pergunta dele é tão sincera que a garota ri”

É até difícil falar dessa história, cheia de pontos extremamente importantes. Mas vamos começar pelo óbvio, que já dá muito o que falar: a protagonista.

“Lavínia engole em seco e se prepara para dizer algo que nunca teve coragem de dizer em voz alta nem na frente do espelho”

Lavinia começou a trabalhar muito cedo, querendo garantir o seu lugar no mundo. Ao mesmo tempo que vemos que ela foi alcançando seus objetivos, também conseguimos enxergar o preço disso para ela que, como consequência mais óbvia, tornou-se uma pessoa extremamente madura para a idade.

“A Lavínia de dezessete anos. Essa eu sei que morre de orgulho de quem eu sou hoje”

Além disso, Lavinia é uma mulher tão real que, mesmo que você ache que não tem nada em comum com ela, é difícil não se identificar em alguma medida. Pode ser na maturidade, na frieza, no coração partido, nas dificuldades.

“Durante os primeiros meses, não foi fácil. O luto pelo amor perdido ainda estava ali, as lembranças eram recentes…”

Por sua maturidade, Lavínia não consegue se relacionar com os garotos de sua idade, que ainda estão em outra fase da vida. Mas se um relacionamento com grande diferença de idade já é complicado, imagina quando trata-se do pai de uma de suas melhores amigas?

“Ela é a amiga da família, ou como Manoela falou mais cedo, é quase da família. Alguém quase da família não namora o pai da amiga”

Isso era algo que eu sabia desde que li a sinopse, mas me perguntava como raios ela não conhecia o pai de sua melhor amiga. E aqui está mais uma parcela da genialidade da Tayana! Não há pontas soltas nesta história, e é graças ao quebra-cabeça de detalhes que a compõem que a autora consegue abordar tantos assuntos fortes e importantes.

“Existem poucas coisas nas quais Lavínia consegue se identificar com Amanda, e não poder amar quem ela gostaria como gostaria é uma delas”

Apesar de Lavínia e Daniel — seu tal amor proibido — serem o centro da história, Amanda é uma peça crucial para a narrativa, trazendo uma dose a mais de detalhes e riqueza.

“É, Dani. Mas a Amanda não é as coisas que aconteceram com ela, a Amanda é nossa filha e se ela nunca quiser te falar sobre o que aconteceu ou não quiser sentar e me dizer que ela tem uma namorada e está feliz, a gente só pode respeitar. — Manoela sorri com pesar e encolhe os ombros. — Filho é isso… São pessoas excepcionais, que a gente nunca vai conhecer”

Proibida para mim é um hot, mas claro que, em se tratando de Tayana Alvez, não seria apenas isso. E é impressionante o quanto ela consegue entregar em conteúdo e imersão. Para além de tudo o que já mencionei, tem uma coisa que eu gosto muito na obra da Tayana e que, uma vez mais apareceu aqui, que é a forma como ela retrata as relações entre pais e filhos.

“E, hoje, depois do que aconteceu com a cozinha e tal, eu percebi que se eu ficar lá, quanto mais velhos eles estiverem, mais impossível vai ser pra eu sair”

E não vou negar que, por mais incrível que a Lavínia seja, eu cheguei a sentir raiva dela. Do medo de se entregar. De viver o que tinha de viver. Mas não preciso nem dizer que a raiva foi, muito provavelmente, por identificação, né?

“Faria qualquer coisa para evitar as lágrimas dela agora, faria qualquer coisa para que o coração dela não fosse um campo tão árido, para que o amor dela não fosse tão surrado”

Nunca imaginei que favoritaria um romance hot, mas Proibida pra mim conseguiu essa proeza sem a menor hesitação. Então não deixe de ler essa obra que escancara feridas, te faz refletir e ainda arranca, na mesma medida, lágrimas e risadas.

“A gente sempre espera que o amor seja normal, mas ele não é. Ele é só amor, e a gente não deveria estabelecer um padrão de normalidade para o amor ou colocar isso numa balança”

O casamento — Tayana Alvez

Título: O casamento
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 336
Ano: 2020

Como a própria Tayana nos revela, O casamento era para ser apenas um conto que nos mostrasse o que vem depois do “felizes para sempre”, mas, felizmente, ele virou uma história bem maior e intensa.

“Foi completamente inevitável amá-la com todo o meu coração”

Ao longos das páginas deste livro não são poucos os sentimentos que vêm à tona. E não é à toa, portanto, que uma das coisas que mais fica evidente nesta narrativa é importância da terapia.

“O amor é superar as adversidades, suportar o outro, engolir o próprio orgulho e despir a alma. Amar é estar vulnerável”

Uma vez mais nos encontramos com Júlia, Robert, Annabelle e Alice. Agora, porém, eles estão começando a construir uma família. E, outra diferença com relação a O irlandês é que, neste volume, os capítulos se alternam entre Júlia e Robert, e alguns trechos inclusive retomam passagens do primeiro livro, conectando ainda mais as histórias.

“E talvez o amor seja isso, duas pessoas com problemas e imperfeitas que lutam para fazer dar certo diariamente”

Outra coisa que achei muito interessante é que este livro se passa na pandemia! Sim, na pandemia que ainda estamos vivendo. Ou seja, pela primeira vez vi, em uma história, os personagens em quarentena, usando máscaras e álcool gel ao sair… Foi uma experiência bem diferente. E lembrando que a história se passa na Irlanda, então tive um gostinho de como as coisas se desenrolaram por lá no ano passado.

“Não é o melhor dos mundos conviver constantemente com uma ameaça”

O que me encanta e me surpreende nas histórias da Tayana é como ela consegue nos entregar um relacionamento tão real e tão encantador. E claro que, neste livro, não seria diferente: Robert e Júlia têm ainda muitas marcas da vida que precisam superar. Mas quem não tem? Que casal é 100% do tempo totalmente seguro de si?

“O amor não é sobre merecer, é sobre encontrar alguém, entre bilhões de pessoas no mundo, que te aceite com os seus defeitos e com quem você, apesar dos defeitos dela, queira viver a vida inteira ao seu lado. O amor é muito mais sobre ser grato pelo encontro de duas almas do que um atestado de merecimento”

Esse discurso sobre merecimento pega lá no fundo, né? Quem nunca sentiu que “não era suficiente” para alguém que ama/amava? E isso aparece em diversos momentos da história, tanto por parte de Júlia quanto de Robert.

“Mulheres negras têm sorte quando o namorado as apresenta para os amigos e anda de mãos dadas com elas na rua”

Mas O casamento vem para nos lembrar que nenhum casal é perfeito, porém que a harmonia pode existir se houver, em primeiro lugar, diálogo (e amor e respeito, claro, mas isso esse casal já demonstra desde o primeiro volume).

“Rob e eu tínhamos um diálogo super aberto, até não termos mais. Não me isento de culpa porque eu também me calei por muito tempo, mas a diferença é que eu cedi e ele não”

Eu sempre digo isso em minhas resenhas das obras da Tayana Alvez, mas vou dizer novamente: vale a pena conhecer cada uma delas. Para além de um romance envolvente, a autora sempre tem algo novo a acrescentar às nossas reflexões, além de uma visão que poucos encontramos por aí: a de uma mulher negra que sabe o que é ser brasileira e que também sabe o que é viver em outro país.

“Apesar de tudo, nem nos meus sonhos mais esperançosos imaginei que Robert estaria aqui por mim e pelas minhas cicatrizes e não por ele”

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O irlandês — Tayana Alvez

Título: O irlandês
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 294
Ano: 2020

Uma vez mais, Tayana Alvez nos presenteia com uma obra que traz como protagonista uma mulher negra. E dessa vez ela vai ainda mais além, colocando em sua história muitos elementos sobre ser uma intercambista na Irlanda.

A ambientação irlandesa, assim como os detalhes, incluindo os perrengues do intercâmbio, são muito bem escritos, pois Tayana viveu tudo isso na pele. O que significa que em O irlandês nós somos transportados e essa viagem, mas ficamos com a parte boa do conforto de nossas casas.

“É bom sentir que o passado está no passado e que temos a vida inteira pela frente”

O fato da autora ser brasileira enriquece ainda mais essa história, pois ela pode nos apresentar com propriedade as diferenças culturais que há entre esses países, tornando a nossa imersão ainda mais completa e real.

“Ouvir da boca de um irlandês que você é o seu amuleto mais precioso é quase tão bonito quanto ouvir um eu te amo”

A protagonista deste livro é Júlia, que sai de Nilópolis (na Baixada Fluminense) para tentar a vida fora do país. E sim, tentar a vida, porque ela espera que o intercâmbio seja apenas uma porta, pela qual ela não pretende voltar tão cedo.

Para isso, porém, Júlia tem de trabalhar muito. Literalmente. E, como trata-se de um intercâmbio estudantil, ela tem de estudar também. Mas sabe aquelas pessoas que não sabem dizer “não”, principalmente quando surge mais uma oportunidade de ganhar um dinheirinho que fará diferença no final do mês? Pois bem, essa é Júlia.

“Quanto mais dinheiro você tem, mais dinheiro quer ter”

E é por não saber/não querer dizer “não” que Júlia, mesmo já trabalhando como garçonete e como cuidadora (em algumas noites), começa a cuidar de Annabelle e Alice. Ela tem de ficar apenas algumas poucas horas com as meninas, entre o fim do expediente da babá e o retorno do pai, Robert.

“Eu estou preparada para muita coisa. Mesmo. Até curso de primeiros socorros eu tenho, mas a dor do abandono de uma mãe? Isso eu não sei como lidar…”

E é assim que vamos, aos poucos, conhecendo essa protagonista tão cheia de si, mesmo que tenha seus medos, inseguranças e, claro, marcas do passado. Júlia sabe de onde vem, mas também sabe onde quer chegar e, ao mesmo tempo, sabe que terá de lutar em dobro simplesmente porque é uma mulher negra.

“Isso pesa. Essa sensação de nunca ser boa o bastante, de ser parada por causa da minha cor, de ser uma subcategoria de mulher porque nasci com mais melanina do que outras pessoas”

Por outro lado, também vamos cada vez mais conhecendo Robert e suas encantadoras meninas. E é muito instigante querer saber mais sobre o seu passado. Sobre as marcas que ele carrega. E as meninas, de certa forma, ainda que sejam muito jovens.

“Dói demais ver uma criança sofrer tanto”

O fato de termos uma (quase) babá e uma pai solteiro com um passado e tanto, me lembrou um pouco Alameda do Carvalho, outra história que gostei muito. A experiência de leitura de cada uma dessas histórias, porém, é bem única, porque os rumos que o enredo toma e o que está por trás de cada trauma são bem diferentes.

O irlandês tem tudo para ser um clichê, mas também tem muito mais para transformá-lo numa história rica e capaz de nos transmitir mensagens importantes como a necessidade de um bom diálogo em qualquer tipo de relacionamento, bem como a solidão da mulher negra (e, por mais que isso possa soar um pouco solto dito assim, fica muito claro o significado disso quando você lê essa história).

“Então é assim que as pessoas se relacionam quando elas têm um bom diálogo e não escondem medos e inseguranças?”

Ah, e claro, tudo isso é feito através de uma narrativa envolvente, daquelas que te fazem rir no momento certo e ficar com o coração apertado na mesma medida.

Ficou com vontade de conhecer a Julia, o Robert e as meninas? Então clica aqui.

Calafrio — Tayana Alvez

Título: Calafrio
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 116
Ano: 2020

Antes de nos deixar embarcar em Calafrio, Tayana avisa que esta não é uma história qualquer, nem mesmo para ela, que está se arriscando em um novo gênero. Também fica o aviso de que a narrativa pode conter gatilhos, mas que, para quem tiver estômago, que siga em frente na leitura e deixe para tirar as conclusões ao final.

O recado estava dado e, mesmo assim, fui enormemente surpreendida com a leitura.

Para começo de conversa, a história toma rumos inesperados a cada instante e vai jogando com reviravoltas que estavam quase me fazendo torcer pelo final errado, mas sobre isso eu explico mais pra frente. A narrativa alterna entre presente e passado e cada peça desse quebra-cabeça vai se encaixando aos poucos, mas, de novo, sem necessariamente nos preparar para o final. Com o passado, vamos conhecendo a história de Imaní e Maia, quem são (ou eram) eles, o que fazem, de onde vêm e, com o presente, vemos o desenrolar deles, juntos.

“Às vezes, na vida, coisas estranhas acontecem. Coisas ruins acontecem”

Imaní é uma jovem que sonha com sua liberdade. Ironicamente, porém, ela é sequestrada. Pior: por alguém em quem estava começando a confiar e que parecia ser quase uma promessa de dias melhores.

“A verdade é o que você acredita que ela é”

Segundo o pouco que vai contando de si, porém, Maia — que começa como um bom amigo e acaba como sequestrador de Imaní — também se sente preso. Não como ela, claro, mas no sentido de não ter escolhas na vida. E aqui temos um ponto: Maia é humano demais, real demais.

Ele quase me convenceu de que poderia passar de vilão a herói e que estaria tudo bem se isso acontecesse. Quase me fez torcer por um final feliz. Não que o final não seja, de alguma forma, feliz, mas ele vem com um belo tapa na cara dado pela autora.

Obrigada, Tayana, por não me deixar embarcar nas conversas de Maia e mostrar que Imaní era ainda melhor do que se apresentara no início da história.

E, aliás, devo discordar que Calafrio não tenha nada a ver com o que já foi publicado por Tayana: Imaní tem a força que as outras protagonistas da autora têm e também a capacidade de nos fazer enxergar para muito além de nossa visão de mundo.

Por fim, Calafrio não é somente o título do livro, mas também a sensação que nos percorre ao realizar essa leitura, bem como é o que Imaní sente muitas vezes, ainda que, no início, não compreenda muito o porquê.

Se você quiser se jogar nesta história, clique aqui.

Citações #34 — Eu quero mais

Como sempre acontece quando trago um post recheado de citações como esse, eu espero, antes de tudo, que tenha ficado claro na resenha o quanto eu amei o livro. A obra da autora Tayana Alvez é incrível e nos faz pensar sobre tantos assuntos que somente uma resenha não é suficiente para abarcar essa imensidão!

“Não me encaixo aqui porque nunca fiz parte desse mundo”

Elizabeth é uma mulher que tem muito a nos ensinar, e com a qual também podemos nos identificar em diversos aspectos.

“Todas as vezes que me abri para as pessoas, elas me machucaram”

E claro, ela tem os motivos dela para ser assim. Tem a história dela por trás de tudo.

“Ele partiu você em muitos pedaços”

E todos os personagens, na verdade, são assim nesse livro: cheio de histórias.

“Há um ano ele estava feliz, vivendo um sonho, cheio de planos e agora ele estava perdido”

Isso porém, não justifica certos comportamentos, como o relacionamento abusivo no qual Elizabeth se vê no decorrer da história.

“Quero agradecer por esse ano e por todas as vezes que você engoliu sapos e passou por cima de si mesmo para manter o nosso relacionamento intacto”

E apesar disso, esta é uma obra capaz de nos ensinar o verdadeiro significado de amor.

“É amor, Elizabeth, o amor não é egoísta”

Capaz de nos fazer enxergar a necessidade de perdoar o passado para seguir em frente.

“Se o passado ainda atrapalha o seu presente, ele não foi completamente superado”

E, principalmente, que nos mostra como devemos ser nós mesmos e nada mais ou nada menos que isso.

“Não gosto de te ver se podando por causa dos outros”

Para concluir, claro que um livro incrível desses não poderia deixar de falar também sobre o poder da música, não é mesmo?

“O efeito da música nas pessoas é curioso e inebriante, músicas são capazes de fazer coisas que simples frases soltas não são”

Não deixe de ler Eu quero mais. Um livro que vai te fazer refletir sobre tudo isso que eu mencionei aí em cima e muito mais.

“Sim, mas vivo uma vida de mentira que vai acabar em pouco mais de um ano”