Prometo ser cruel — Larissa Oliveira

Título: Prometo ser cruel
Autora: Larissa Oliveira
Editora: Publicação independente
Páginas: 19
Ano: 2019

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É preciso ter estômago para ler Prometo ser cruel. Não que haja cenas horríveis, com sangue que não acaba mais, mas há coisa pior: o ser humano na sua mais primitiva e animalesca forma. Daqueles difícil de engolir, sabe? Mas que, ao mesmo tempo, nos fazer sentir compaixão. Isso é possível?

Em apenas 19 páginas, Larissa Oliveira consegue nos fazer refletir sobre nosso lugar no mundo, e sobre como somos influenciados — para o bem e para o mal — por aquilo que nos cerca.

Elisa é uma mulher rica, daquelas que facilmente poderia “se dar bem na vida” de forma tranquila e estável. Depois de um triste episódio, porém, tudo muda e ela passa a encontrar prazer em algo aterrorizante: matar pessoas. A sensação de poder escolher quem vive e quem morre dá muito prazer a ela.

“Imagino como meu corpo vai estar dolorido amanhã, depois de tanto esforço hoje, mas valeu a pena, eu vou acordar mil vezes mais leve, sempre acordo assim depois de me livrar de pessoas que já não me servem mais”

Seus movimentos me fazem até mesmo lembrar daquele trecho da música Pra ser sincero: “somos suspeitos de um crime perfeito, mas crimes perfeitos não deixam suspeitos”. Bem, Elisa, aparentemente, é capaz de não levantar suspeitas sobre seus crimes. E claro que o fato de ser rica contribui enormemente para isso (pegaram a crítica social aqui?).

Quem narra as primeiras páginas dessa obra é a própria Elisa, o que torna tudo ainda mais denso, nos levando a quase compreender o seu ponto de vista e suas ações. Depois, a história é narrada por Camila, a delegada que precisa descobrir quem está cometendo os assassinatos que andam acontecendo em São Paulo. Ela se mostra como uma pessoa íntegra, que procura realizar seu trabalho da melhor maneira possível. Mas sua tarefa, sem dúvidas, não é nada simples.

Prometo ser cruel é uma leitura que você vai fazer rapidamente — porque ela é curta e te prende —, mas que vai deixar um gostinho de quero mais, além de várias reflexões importantes.

Se interessou? Então clica aqui.

 

 

 

 

 

Caixa de pássaros — Josh Malerman

Título: Caixa de pássaros
Original: Bird Box
Autor: Josh Malerman
Editora: Intríseca
Páginas: 272
Ano: 2015
Tradutor: Carolina Selvatici

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Sei que muito já foi falado sobre Caixa de pássaros (mais conhecido por Bird Box) e que talvez eu não traga nada de novo aqui, mas como não gostei tanto de Uma casa no fundo de um lago, nada mais justo que voltar a Josh Malerman e escrever sobre uma história que gostei.

Me lembro que quando o filme estourou na Netflix, muitas pessoas tentaram interpretar a história, e tantas outras não a entenderam. Depois de assistir ao filme e ler o livro, fico aqui pensando quantas camadas tem essa história e o quão pouco eu realmente devo ter absorvido dela.

“Ninguém tem respostas. Ninguém sabe o que está acontecendo. As pessoas estão vendo alguma coisa que as leva a machucar os outros. A machucar a si mesmas”

(p.31)

Neste livro, para quem ainda não o conhece, é retratado um mundo em que algo faz com que as pessoas que o vêem, se suicidem. Ninguém sabe ao certo o que é que desencadeia essa reação, mas as pessoas passam a compreender que a única solução é não olhar.

“Parece que não importa sob que ângulo vemos as criaturas, elas sempre nos machucam”

(p.75)

Deste modo, “não olhe”, se torna o mantra dos sobreviventes deste mundo apocalíptico. Só é possível sair às ruas de olhos vendados. E ainda que as pessoas tentem tomar cuidado, chega um momento em que a sobrevivência vai se tornando cada vez mais complicada, porque ainda que se saia de olhos vendados, onde conseguir itens básicos, como comida e produtos de higiene?

A narrativa se alterna entre passado — quando tudo começa a ficar estranho e Malorie, sozinha no mundo e grávida, encontra um grupo que está fazendo o possível para sobreviver, dividindo uma casa — e presente, quando Malorie está com duas crianças, tentando dar uma vida digna a elas num cenário que se tornou ainda mais apocalíptico.

“Como pode esperar que seus filhos sonhem em chegar às estrelas se não podem erguer a cabeça e olhar para elas?”

(p.71)

Caixa de pássaros é um livro que nos prende pelo seu suspense, por seus pontos angustiantes e por nossa curiosidade diante do desconhecido total. Duvido que você leia esse livro e não fique se perguntando como seria viver sem poder ver.

Como eu disse anteriormente, a frase “não olhe” é repetida como um mantra salvador que às vezes pode nos parecer estranho. Mas fico pensando quantas coisas nos são repetidas (quase como mantras) diariamente e que se tornam normais para nós (ainda que não o sejam)? (eu penso muito, por exemplo, quando pego metrô no horário de pico e — todo santo dia — eles dão repetidamente os mesmos avisos, como “utilize a escada fixa no final do corredor” ou “a faixa amarela é a sua segurança” e afins).

“Disseram a eles que poderiam enlouquecer. Então eles enlouquecem”

(p.190)

E se Caixa de Pássaros me faz refletir sobre o que está à minha volta, mesmo retratando algo totalmente diferente do que eu conheço ou vivo, então, certamente, esse é um livro para não deixar passar.

Para saber mais sobre esse mundo assustador e sobre como termina a aventura vivida por Malorie, clique aqui.

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Vocês não acharam que eu havia me esquecido de trazer dicas para os desafios do mês, não é mesmo? Vamos conferir? E lembre-se: se quiser saber mais sobre algum dos livros, basta clicar na imagem.

A Geração Editorial caprichou esse mês: um livro de poesia escrito por uma pessoa de uma país diferente! Confesso que não tenho o hábito de ler poesia, ainda mais de escritores estrangeiros. Se bem que… Dante Alighieri vale, né? Então indico A divina comédia.

O Skoob foi um pouco mais bonzinho e nos desafiou com um livro de thriller, ainda assim, o único livro que li e que sei que se encaixa nessa categoria é A garota no trem. Mas logo logo lerei A caixa de pássaros também.

     

E, para concluir, a Livraria Cultura pediu um grande clássico da literatura. Bom, são muitos, né? Já li Ilíada Odisseia, Amor de Perdição, Orgulho e preconceito e tantos outros…