Drão — Gilberto Gil

Drão

Como sempre, Drão é uma música gosto há tempos — eu acho o máximo o jogo de palavras “Nossa caminhadura / Dura caminhada”, feito em dado momento — mas que somente agora, escrevendo esse post, é que entendi verdadeiramente. E aliás, aprendi muita coisa interessante, que compartilho aqui com vocês.

Confesso que, para começar, descobri que essa música é do Gilberto Gil e não do Djavan, como eu achava (shame on me). Mas é que o fato de eu não entender o título da música (o Djavan tem umas músicas doidas que a gente demora para entender, né?) e o jogo de palavras que eu mencionei acima colaboravam muito para esse fato, além de eu realmente ouvir uma versão cantada por ele.

Minha segunda descoberta foi a que mais clareou as coisas: Drão era o apelido (dado por Maria Bethânia!) de Sandra, terceira esposa do Gil. Descobrir isso me faz compreender que essa é uma canção dirigida a ela, quase como uma carta.

Drão
O amor da gente é como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão
Nossa semeadura

A música foi composta em 1981 e lançada em 1982 e fala sobre a separação de Gil e Drão. E aí está outro elemento incrível dessa música: ela fala sobre o fim de um relacionamento de uma maneira muito bonita e sem rancor, mas, ainda assim, retratando toda a dor que uma separação pode trazer.

Quem poderá fazer
Aquele amor morrer!
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela estrada escura

Mas antes de chegar ao tema da separação em si, Gil compara o amor a um grão, que precisa germinar, como é possível ver nos versos que já apresentei aqui. Somente depois de falar sobre a necessidade de que o amor seja plantado é que Gil pede para que Drão não pense na separação, não sofra pelo momento que estão vivendo, porque, apesar de tudo, o que viveram é algo que os acompanhará para sempre. Provavelmente eles tiveram uma boa relação e também geraram três filhos nela. Foram 17 anos juntos.

Drão
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se, infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer!
Nossa caminha dura
Cama de tatame
Pela vida afora

Por fim, na canção, Gil ainda busca demonstrar que não há nada errado no fato deles se separarem, mas também pede perdão por seus erros e compaixão. E claro que ele encerra a música falando que o verdadeiro amor nunca morre. Se ele é grão, o que pode acontecer é virar pão. Não há fim, apenas transformação.

Drão
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há
De haver mais compaixão
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão!
Morre nasce, trigo
Vive morre, pão
Se você ainda não conhecia essa canção, não deixe de escutá-la e me dizer o que achou:

8 comentários em “Drão — Gilberto Gil

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