O gênio literário de Carlos Ruiz Zafón [tradução 3]

Acordei hoje com uma notícia sobre a morte do escritor Carlos Ruiz Zafón. Li “A sombra do vento” em 2014 e até hoje, mesmo tendo gostado muito desse primeiro volume, não terminei de ler a série “O cemitério dos livros esquecidos”. A notícia desta manhã deixou um gosto agridoce na boca e a lembrança de uma escrita deliciosa. Escolhi, então, traduzir esse post que encontrei sobre o autor. Zafón era espanhol, mas um autor conhecido mundialmente, inclusive na minha cara Itália, como poderemos ver abaixo. O texto é de 2016, então não estranhem as referências temporais.


Foi publicado, no último novembro, O labirinto dos espíritos, último livro do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón. Já se passavam quatro anos desde que um romance seu aparecera entre as prateleiras de uma livraria. Se os leitores estavam ansiosos para saber algo sobre o capítulo final da saga dedicada ao Cemitério dos Livros Esquecidos, agora posso afirmar, sem sombra de dúvida, que vale a pena esperar quatro anos se o resultado é um romance de oitocentas páginas de altíssimo nível.

As pessoas ao meu redor (e mesmo aquelas que apenas passam por mim, para dizer a verdade) logo de cara percebem a minha predileção pelo romancista espanhol e geralmente me perguntam a qual gênero pertencem os seus livros. Sempre sinto dificuldade em responder essa pergunta. Os livros de Zafón não são classificáveis, não estão associados uma determinada e inflexível categoria. Não. São uma mistura de gêneros. Como se o autor quisesse homenagear toda a literatura.

Outra particularidade é que os livros fazem parte de um ciclo composto por quatro romances — iniciado com A sombra do vento — do Cemitério dos Livros Esquecidos. Contudo, cada volume oferece uma história independente e fechada. Isso nos permite, antes de mais nada, ler as obras na ordem que quisermos, inclusive de maneira separada e independente, e sem que sejamos forçados a seguir a ordem de publicação. Deste modo, o leitor tem a possibilidade de aproveitar novas nuances, novas relações, novas informações, novas perspectivas. Cada livro se torna uma nova porta de entrada.

A escrita do autor é uma das mais evocativas e poéticas que conheço: bastam as primeiras linhas do romance para sermos jogados na Barcelona do pós guerra; bastam poucas linhas para nos sentirmos nos grãos de pólen que vagueiam imóveis no ar como luz em pó; bastam poucas palavras para sermos uma daquelas pessoas paradas que aparecem congeladas como figuras em uma velha fotografia. Não são necessários esforços, a sua escrita está ali, como se fosse impressa e pintada em nossa mente. Conquista e fascina.

Carlos Ruiz Zafón é um dos maiores escritores a nível internacional, capaz de tecer múltiplos fios na trama sem jamais tropeçar, criar mistérios que contém outros tantos, construir histórias dentro das histórias e livros dentro dos livros, em um crescendo contínuo de emoções e reviravoltas. De dar vida a personagens que, quando você está passeando pela Ramblas de Barcelona, não pode deixar de ver com seus próprios olhos e sentir a sua presença por perto.

Quando terminei de ler, duas noites atrás, O labirinto dos espíritos, chorei. Chorei porque senti aquele vazio do abandono que apenas alguns livros têm a capacidade de nos fazer sentir. Porque não estava pronta para me despedir dos personagens. Mas também chorei de alegria, porque inúmeras belas páginas agora fazem parte da minha alma.


Texto escrito por Valentina Zanin. Para ler o texto original, em italiano, clique aqui.

3 comentários em “O gênio literário de Carlos Ruiz Zafón [tradução 3]

  1. Amei, Tati, fiquei emocionada lendo esse texto. Eu também chorei quando acabei O labirinto dos espíritos pelas mesmas exatas razões que Valentina. Zafón era genial. É genial, porque as suas obras são para sempre. <3

    Beijo,
    Brenda

    Curtido por 1 pessoa

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