Romance concreto — Aimee Oliveira

Título: Romance concreto 
Autora: Aimee Oliveira 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 341
Ano: 2019

Sinopse

O que um chiuaua não-adestrado, uma loja sendo demolida, o demolidor da loja em questão e Olivia Liveretti têm em comum?
Isso mesmo: nada.
Principalmente porque o tal demolidor se encontrava completamente coberto de cimento e grosserias. Sendo assim, quando esses quatro elementos se reúnem, numa tarde nublada de segunda-feira, algo estranho acontece. E continua acontecendo à medida que Olivia Liveretti passa a conhecer as razões pelas quais Jonas Caruso continua a demolir a sua querida loja de quinquilharias apesar de seus protestos.
A “Kinki quinquilharias e afins” nunca mais será a mesma.
E Olívia também não.

Resenha

Logo no começo de Romance concreto me veio à mente se eu deveria continuar a leitura, se ela de alguma forma me atrairia em algum ponto. Mas a cada vez que a dúvida batia eu pensava “vou ler mais um pouco e qualquer coisa eu largo”. De repente, porém, eu não queria mais largar. Pelo contrário: queria ler mais e mais e sentia falta dos personagens quando não estava lendo (e sim, quando terminei, ficou aquele vazio de saudade também).

“Sonhos mudam, criança”

As minhas dúvidas iniciais se deram porque achei que a protagonista seria insuportável. Mas como ela mesma aprende ao longo desta história, não podemos julgar as pessoas sem conhecê-las.

“Fiquei chocada com a superficialidade do meu próprio pensamento, mas tive que fazer isso sem olhar para a câmera ou demonstrar emoção”

Olivia Liveretti era influencer conhecida, mas seus dias de glória já não eram uma realidade.

“A conta bancária de Olivia Liveretti já tinha visto dias melhores”

Ainda assim, a conhecemos justamente quando a curva do sucesso está em declínio e ela se recusa a aceitar isso. Então, a primeira impressão que temos desta protagonista é a de uma menina mimada e prepotente.

“Imagina só, Olivia Liveretti exausta pelos cantos. Essa era uma informação que jamais poderia vazar. Por isso sempre que saía, mesmo que fosse para levar Django na rua, escondia minhas olheiras com um montão de maquiagem”

Django é o cachorrinho de Olivia, e por menor que ele seja, tem um papel essencial nesta história. É graças a ele que Olivia acaba esbarrando pela primeira vez com Jonas. E a partir daí o destino deles irá se cruzar de diversas maneiras.

“Quem diria que a demolição de um imóvel podia afetar tanto o emocional de uma pessoa?”

De maneira extremamente leve, Romance concreto nos leva a refletir sobre o universo digital e o quanto muitas pessoas acabam deixando de viver o que realmente importa: o mundo aqui fora.

“Era uma pena a vida não ser um texto que dava para cortar e editar”

Aos poucos, a narrativa também vai pincelando o poder das escolhas e a importância de seguirmos os nossos sonhos, mesmo que, em algum momento, eles mudem. E eles vão mudar, cedo ou tarde.

“Como se existisse esse negócio de se desculpar por sonhar as coisas que a gente sonha”

Outra reflexão importante desta história é o valor da amizade, ainda mais num meio tão superficial quanto os das relações virtuais.

“Nunca pensei que amizade com pessoas da minha idade poderia ser tão despreocupada como era a minha relação com Thaíssa”

E ainda tem espaço para que conflitos familiares se façam presentes, nos mostrando que qualquer família está sujeita a cobranças sem sentido que apenas estragam o relacionamento entre os familiares.

“Não importava o que eu fizesse, fosse bom ou ruim, eles sempre terminavam balançando a cabeça no ritmo da decepção”

Romance concreto se passa no Rio de Janeiro e, por mais que boa parte da história aconteça basicamente nos arredores da casa de Olivia, também temos a oportunidade de visitar, sob a perspectiva dela, a periferia.

“Morei minha vida inteira nessa cidade, mas nunca a tinha visto por esse ângulo”

Chega até a ser surpreendente que Olivia não se incomode de ir para a periferia da cidade, de trem. Algo que eu jamais esperaria da protagonista do começo do livro.

“Tudo era muito novo pra mim. Talvez fosse por isso que eu estivesse encontrando dificuldades em saber como lidar”

O espaço central de todo o conflito desta narrativa, contudo, é a loja Kinki, uma loja de quinquilharias que, segundo a narradora (e protagonista) foi o berço de seus sonhos trabalhistas.

“Sabia que deveria me sentir agradecida, mas na realidade eu ficava um pouco sentida por algo que um dia guiou minha vida inteira ficar cada vez mais no passado”

O livro começa justamente quando, levando Django para passear, Olivia descobre que a Kinki está sendo demolida e fica indignada com isso.

“A verdade doía às vezes”

Um ponto que me chamou a atenção ao longo da narrativa, para além dos temas que foram muito bem introduzidos, foram os diversos jogos de palavras feitos por Olivia.

“Eu era a rainha dos contornos, tanto nos olhos quanto na vida”

Uma história muito gostosa de ser lida para passar o tempo e que, apesar de parecer banal, pode trazer algumas interessantes reflexões (e lágrimas).

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