
Como professora de um idioma estrangeiro, já ouvi diversas vezes a pergunta “o que você acha do Duolingo?”.
Uma pergunta que, sem sombra de dúvidas, não tem uma resposta simples, ainda que eu logo de cara diga “é uma ferramenta útil para aprender um pouco de vocabulário, mas você não vai efetivamente aprender um idioma através dele”.
Essa é a resposta fácil e óbvia, porém é possível aprofundá-la em alguns aspectos.
Para iniciar este aprofundamento, contudo, gostaria de deixar clara uma coisa: eu também uso Duolingo, inclusive para línguas que nunca estudei na vida. Então, na contramão do que muita gente pode pensar, não abomino esta ferramenta. Muito pelo contrário.
Não posso deixar, no entanto, de elencar alguns aspectos positivos e negativos do Duolingo, a começar por aquela que considero a maior vantagem: a motivação.
Por ser uma plataforma gameficada, o Duolingo nos ajuda a manter a motivação em alta, seja para subir no ranking, seja para não perder a ofensiva (sequência de dias jogados).
Este segundo elemento inclusive é importante para outro aspecto: a criação do hábito. Como a própria plataforma diz, cinco minutos por dia é mais do que suficiente para fazer uma aula e, um pouco por dia é sempre melhor que nada.
No entanto, o Duolingo está longe de substituir um curso ou mesmo um professor particular por diversos motivos. A começar pelo fato de que as frases vêm fora de contexto (e é bem comum se deparar com frases que você jamais usará na vida real, como “espero que o dragão não assopre o meu café”).
Além disso, os conteúdos não são explicados, apenas aplicados. Se você não sabe o básico da gramática de uma língua e não tem autodidatismo suficiente para estudá-la, dificilmente você vai atingir um verdadeiro nível de proficiência.
Por fim, ainda é possível encontrar diversos erros em muitas línguas, então se você realmente não possui conhecimento algum, pode acabar aprendendo errado ou se confundir.
Em suma, recomendo o Duolingo, mas com ressalvas. Acredito que ele seja um grande aliado na criação do hábito de estar em contato com uma língua estrangeira, além de te ajudar a ampliar o vocabulário, mas não acredito que ele seja suficiente sozinho.
Por fim, indico este vídeo que vi outro dia e que me motivou a escrever este texto:
E também este texto que li esta semana, que complementa bem o que trouxe aqui e que vale a (rápida) leitura.
