Tatianices recomenda [21] — Duolingo

Como professora de um idioma estrangeiro, já ouvi diversas vezes a pergunta “o que você acha do Duolingo?”.

Uma pergunta que, sem sombra de dúvidas, não tem uma resposta simples, ainda que eu logo de cara diga “é uma ferramenta útil para aprender um pouco de vocabulário, mas você não vai efetivamente aprender um idioma através dele”.

Essa é a resposta fácil e óbvia, porém é possível aprofundá-la em alguns aspectos. 

Para iniciar este aprofundamento, contudo, gostaria de deixar clara uma coisa: eu também uso Duolingo, inclusive para línguas que nunca estudei na vida. Então, na contramão do que muita gente pode pensar, não abomino esta ferramenta. Muito pelo contrário.

Não posso deixar, no entanto, de elencar alguns aspectos positivos e negativos do Duolingo, a começar por aquela que considero a maior vantagem: a motivação.

Por ser uma plataforma gameficada, o Duolingo nos ajuda a manter a motivação em alta, seja para subir no ranking, seja para não perder a ofensiva (sequência de dias jogados).

Este segundo elemento inclusive é importante para outro aspecto: a criação do hábito. Como a própria plataforma diz, cinco minutos por dia é mais do que suficiente para fazer uma aula e, um pouco por dia é sempre melhor que nada.

No entanto, o Duolingo está longe de substituir um curso ou mesmo um professor particular por diversos motivos. A começar pelo fato de que as frases vêm fora de contexto (e é bem comum se deparar com frases que você jamais usará na vida real, como “espero que o dragão não assopre o meu café”).

Além disso, os conteúdos não são explicados, apenas aplicados. Se você não sabe o básico da gramática de uma língua e não tem autodidatismo suficiente para estudá-la, dificilmente você vai atingir um verdadeiro nível de proficiência.

Por fim, ainda é possível encontrar diversos erros em muitas línguas, então se você realmente não possui conhecimento algum, pode acabar aprendendo errado ou se confundir.

Em suma, recomendo o Duolingo, mas com ressalvas. Acredito que ele seja um grande aliado na criação do hábito de estar em contato com uma língua estrangeira, além de te ajudar a ampliar o vocabulário, mas não acredito que ele seja suficiente sozinho. 

Por fim, indico este vídeo que vi outro dia e que me motivou a escrever este texto: 

E também este texto que li esta semana, que complementa bem o que trouxe aqui e que vale a (rápida) leitura.

Parcerias literárias com editoras

Eu poderia jurar que em algum momento já havia escrito sobre isso por aqui, mas dei uma procurada e não achei nada. Como em julho é provável que algumas editoras abram parcerias, acho que é um bom momento para batermos um papo sobre o assunto, pensando nos prós e contras, mas também no que você pode fazer para se destacar caso deseje muito conseguir uma parceria.

Vantagens de uma parceria literária

Sem dúvidas, conseguir uma parceria literária com uma editora traz diversas vantagens. Até porque, se não fosse assim, não seria uma prática tão comum e, muitas vezes, tão concorrida, né?

Para mencionar o óbvio, por meio dessas parcerias podemos receber diversos mimos e livros, físicos ou digitais. É importante ressaltar que tudo depende da editora com a qual você consegue uma parceria. Pequenas editoras, por exemplo, nem sempre conseguem enviar livros físicos aos seus parceiros, mas disponibilizam o ebook e outros materiais, além de fazer sorteios ou enviar brindes.

Além disso, o seu conteúdo passa a ganhar certo destaque, afinal uma editora decidiu confiar em seu trabalho. E não só isso: você passa a estar em contato com outros produtores de conteúdo, além de conhecer um pouco mais dos bastidores literários. Você pode conhecer muita gente bacana e aprender de montão com uma parceria dessas.

Infelizmente, porém, nem tudo são flores…

Desvantagens de uma parceria literária

Em primeiro lugar, uma parceria implica certas obrigações. Se você recebe um livro, não importa se em formato digital ou físico, espera-se que você fale sobre ele, que o mostre em suas redes sociais, que o resenhe. E isso costuma ter prazos, além de ser cobrada certa frequência. Ou seja: com uma parceria literária, a leitura — que antes talvez fosse apenas um hobby — pode se tornar uma obrigação.

Além disso, é preciso tomar cuidado, pois algumas editoras cobram mais do que oferecem. Lembre-se sempre que a parceria deve ser uma via de mão dupla. Não é porque a editora te ofereceu um livro ou um ebook que ela tem direito de cobrar de você um trabalho que não lhe cabe.

Como conseguir certo destaque

Pode parecer estranho eu vir aqui falar sobre como conseguir certo destaque na hora de se inscrever para uma parceria, mas tem duas dicas que eu gostaria muito de compartilhar, principalmente para quem ainda é “pequeno”.

A primeira coisa, na verdade, eu li uma vez no twitter e, desde então, penso muito sobre o assunto: como você quer conseguir parceria com uma editora se você não acompanha o trabalho dela, não apoia o conteúdo que ela produz? Pior ainda: se você nunca viu nada daquela editora, como sabe que ela produz livros que são realmente do seu interesse?

Isso é muito importante para você que acha que tem que se inscrever em todas as parcerias que aparecem pela frente, para ver se consegue ao menos uma delas. De que adianta, no final das contas, realmente conseguir ao menos dessas parcerias, se depois você vai se frustrar com os livros da editora em questão?

O meu segundo conselho é: seja diferente, e com autenticidade. Eu sei, não é nada fácil, eu mesma sou péssima nisso. Mas sabe quando tem um campo tipo “você tem algo mais a nos dizer?” ou qualquer coisa assim? Procure não deixar ele em branco! Às vezes, esse é o espaço perfeito para você conquistar quem está avaliando as inscrições.

Eu já participei da seleção de parceiros de uma pequena editora e como um dos critérios era o real interesse da pessoa em ser parceiro da editora para crescer junto — e não simplesmente para ganhar livro de graça — esse campo foi crucial para captar algumas pessoas que pareciam ter interesse no trabalho — através de comentários como “só queria ser selecionada” ou “gosto muito de vocês” — e excluir aquelas que só tinham interesse em ganhar algo — geralmente são pessoas que escrevem perguntas do tipo “quantos livros vocês enviam?”, “mas vai ser só ebook mesmo?”.

Conclusões

Já tive uma curta experiência como parceira literária de pequenas editoras e também já organizeis e selecionei parceiros para uma pequena editora e, por isso, achei importante falar sobre o assunto. Como tudo na vida, as parcerias literárias têm as suas vantagens e desvantagens e é importante, antes de mais nada, colocar na balança tudo aquilo que queremos ou não para nossas vidas.

No momento, eu não sinto vontade de firmar parcerias com editoras, apesar de enxergar certa importância nisso para o crescimento do Blog e, claro, saber que é uma alegria ver editoras reconhecendo nosso trabalho. Mas eu sei que preciso ler o que quero e porque quero, então prefiro fazer as coisas no meu ritmo, ao menos agora. E você, o que acha disso?