Em tuas mãos — Michelle Passos

Título: Em tuas mãos: agora o destino depende somente dele (Duologia “O jogador e a bailarina”, livro 2) 
Autora: Michelle Passos
Editora: Publicação independente
Páginas: 382
Ano: 2016 

Sinopse

Marina está arrasada. Depois de ter seu sonho destruído por um bailarino que sempre admirou, ela precisa lidar com o fato de que o namorado, Fred, tomou atitudes no passado que não condizem com o cara pelo qual se apaixonou ao chegar em São Miguel.

Depois de resolver dar uma chance para que Fred não cometa os mesmos erros, Marina é pega de surpresa pela vida mais uma vez: Leandro, seu cunhado, lhe conta um segredo que irá mudar não só a vida dele, mas a de todos ao seu redor. Junto com o peso da notícia que ela jamais pensou receber, Marina precisa resolver o seu passado que, sem aviso, vem bater à sua porta.

Fred acredita que poderá viver em paz com a namorada e o irmão depois de ter lhes contado toda a verdade, mas ele não esperava pela notícia que Leandro tem para lhe dar. O tempo é pequeno, os sentimentos são confusos e os caminhos mais curtos novamente parecem muito tentadores. Dividido entre o amor incondicional por Leandro e o ultimato que a garota da sua vida lhe dá, Fred terá que decidir rapidamente como o destino vai ser. E ele está completamente em tuas mãos.

Resenha

Como dito na resenha de Aos teus pés, Michelle Passos nos deixa ansiando pelo segundo volume da duologia O jogador e a bailarina e aqui estou para contar o que este volume tem a nos revelar (tentando não dar muito spoiler, mas não prometo nada). 

“Sorrio porque a vida é essa coisa louca que faz a gente sofrer e chorar, mas, antes de tudo, nos dá força e coragem para acreditar no impossível, e isso é o que eu guardo de lição sempre dentro do meu coração”

Por mais incrível que Fred seja, ele fez muitas escolhas questionáveis em sua vida e quando acha que vai poder consertar seus erros, a vida vem e lhe prega uma terrível peça de mau gosto. Fica até difícil criticá-lo, confesso.

“Eu realmente sei muito pouco da vida, menos ainda sobre os sacrifícios que nós fazemos por quem amamos”

Ao mesmo tempo, Marina está tentando se reerguer da enorme rasteira que levou e a vida parece não dar trégua: quando tudo parece que vai se ajeitar, uma nova onda derruba toda a paz dela.

“Não é só porque essa dor também é minha, mas sim porque eu daria de tudo para que essa não fosse a dor de ninguém”

Acho que essa é uma das coisas que torna esta leitura tão viciante e encantadora: o fato de que as coisas não são fáceis para os protagonistas, nos fazendo mergulhar numa história que poderia ser a nossa.

“Há dois dias que eu tenho chorado sozinha, fingindo estar bem, sorrindo para não mostrar o quanto estou destruída por dentro”

Além disso, eles não são perfeitos: cometem erros, lidam com as consequências de suas escolhas e são cheios de dúvidas.

“Meu filho… Nem sempre ser bom para uma pessoa é ser perfeito”

A amizade segue tendo papel de destaque na obra, bem como o amor e a necessidade de sermos transparentes e responsáveis por nossas escolhas.

“Mas o que eu não percebia é que ele nunca vai me deixar sozinha, ele é meu amigo e amigos são pra vida toda”

Uma narrativa com muitas reviravoltas para os personagens, com tramas se desenrolando sem deixar os acontecimentos confusos ou carregados demais.

“Um retrato de família normal, coisa que a gente nunca foi. É bom ver as coisas fazendo sentido pela primeira vez na vida, como nunca fez antes. Estamos tentando nos redimir de um erro que nunca foi nosso, mas que a gente sempre carregou em nossas costas”

Gostei de poder acompanhar mais da Marina e do Fred, não só no que vem logo depois do primeiro livro, mas também alguns anos mais à frente na vida deles. Difícil foi se despedir desses personagens.

“Sessenta dias e as nossas vidas foram totalmente transformadas”

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O que são os conteúdos brainrot [tradução 41]

Introdução

Como professora de italiano de adolescentes, foi impossível, no primeiro semestre deste ano, passar ilesa aos brain root italianos

No começo, eu não tinha ideia do que meus alunos estavam falando. Achei que fosse só uma brincadeirinha entre eles. Quando finalmente comecei a ver conteúdos explicando o que são esses brain root, porém, fiquei um pouco (mais) desesperada.

Se você tem a sorte de não ter ideia do que estou falando, aqui vai a tradução de um artigo publicado no Il Sole 24 ore, em 31 de julho de 2025, escrito por Marco Trabucchi. O texto original você encontra neste link.


Tradução

Rolando os conteúdos em vídeo no TikTok, você já se deparou com um tubarão usando tênis azul da Nike e cantando “tralalero tralalà” ou com um avião de guerra com cabeça de crocodilo, com intenção de bombardear cenários surreais? Então você chegou a um dos trends mais bizarros do momento: o Brain Rot italiano. Conteúdos em vídeo, gerados com ajuda da inteligência artificial generativa, nos quais personagens absurdos — como o “Bombardiro Crocodilo” ou a “Ballerina Cappuccina” — se movem em fundos psicodélicos enquanto uma voz sintética recita frases sem sentido. Vídeos nonsense que misturam ironia, surrealismo e, muitas vezes, provocações politicamente incorretas, geralmente ultrapassando o limite do bom gosto. 

Um dos primeiros vídeos que contribuiu para definir o imaginário dessa trend, que reescreve a estética do meme contemporâneo, foi “Tralalero Tralalà”, no qual um tubarão antropomórfico, com tênis azul nos pés, recita versos acompanhados de um áudio gerado por inteligência artificial. Um vídeo, postado inicialmente no TikTok, que deu início a uma avalanche de imitações e reelaborações, até atingir números record: mais de 3 milhões de visualizações globais.

O termo brain rot, literalmente “lixo cerebral”, foi escolhido como palavra do ano em 2024, pelo dicionário Oxford. Na definição dos linguistas de Oxford, brain rot é “o assumido deterioramento do estado mental ou intelectual de uma pessoa, em particular como resultado de um consumo excessivo de material considerado superficial ou pouco estimulante”. Um termo com uma longa história: já nos anos 90 era usado para criticar a má televisão, os videogames ou os quadrinhos considerados “deseducativos”. Depois chegaram as redes sociais e os vídeos breves em plataformas como TikTok, na qual o algoritmo encoraja um contínuo e sem fim rolar do feed. 

A pergunta é: o que acontece quando até o YouTube e outras plataformas de vídeo começam a incentivar a fruição desses conteúdos? Simples: muitos sofrem o efeito (principalmente os mais jovens), e alguns outros lucram com isso. Diversos criadores de conteúdo vendem vídeo-aulas, guias, tutoriais e cursos sobre como criar conteúdos virais com a IA. Instruções para criar o próprio universo “brainrot” e triunfar no TikTok.

E no Discord existem comunidades privadas nas quais os usuários compartilham entre si prompts para criar brainrot e técnicas para gerar conteúdos “extremos” ignorando as diretrizes dos softwares. De acordo com muitos observadores, não vai demorar muito para que as marcas comecem a desfrutar deste tipo de conteúdo com fins comerciais. Em resumo, os brainrot — quer queira, quer não — se tornaram um modelo de negócio, para além de uma estética.


Conclusão

Os brain root são mais um sinal de uma sociedade que precisa rever, desesperadamente, sua relação com a tecnologia, mas, sobretudo, que precisa entender que se chegamos onde chegamos — pensando em termos de desenvolvimento tecnológico e conforto — foi porque muitas pessoas antes de nós pensaram e pesquisaram incansavelmente.

Estamos nos deixando levar pelo caminho mais fácil, pelo “não ter que pensar”, pela lei do mínimo esforço. E os resultados disso são (e serão cada vez mais) desesperadores.

Você já tinha ouvido falar do brain root italiano? O que acha disso?

Aos teus pés — Michelle Passos

Título: Aos teus pés (Duologia “O jogador e a bailarina”) 
Autora: Michelle Passos
Editora: Publicação independente
Páginas: 312
Ano: 2015

Sinopse

A vida nunca foi fácil para Marina Casanova, mas ela sempre devolveu na mesma moeda. Apesar da grande insistência de seu pai em ser um cara arrogante e persuasivo das formas mais improváveis e cruéis, ela jamais desistiu dos seus sonhos e foi por isso que deixou para trás a sua vida na cidade de Sacramento, com destino ao seu grande objetivo na capital, São Miguel. Era para ser tudo como ela planejou: treinar, dedicar-se e então ser admitida como uma bailarina profissional na mais conceituada e famosa escola e companhia de dança do país, a Special Corpus Ballet. Mas quis o destino que Frederico, mais conhecido por seus amigos e fãs como Fred, o cara mais popular do time de futebol da Universidade de São Miguel, cruzasse o seu caminho, trazendo com ele descobertas, confusões, outras opções e sentimentos às vezes contraditórios, mas acima de tudo, verdadeiros.

Para Frederico Lamarck, um rapaz bonito, dedicado ao esporte e apaixonado por sua família, Marina é tudo aquilo que ele nunca soube estar esperando e ao mesmo tempo tem certeza de que ela terá a chave de muitas respostas que ele precisa. Prestes a ser reconhecido como o maior jogador da história de sua universidade, Fred, além de apaixonado, vê a vida lhe encurralando e o obrigando a admitir para todos coisas que jamais pensou fazer. E, claro, a pagar pelas escolhas erradas que um dia fez.

Resenha

Crescer numa família amorosa, mas com um pai terrível, não deve ser coisa fácil e, por isso, Marina Casanova tinha um plano muito claro: juntar dinheiro, fugir de Sacramento — sua cidade natal — e tentar se tornar uma bailarina profissional em São Miguel, a capital.

“Olho pela janela, enxergando pela última vez a pequena rodoviária de Sacramento sumir das minhas vistas e cada uma de suas ruas que vão ficando para trás me dão medo e, ao mesmo tempo, esperança”

Ao menos Marina tem com quem contar na Capital: Luciana (ou Lu), sua melhor amiga, faz faculdade lá e tem um espaço esperando por Marina em seu apartamento. 

“A única coisa que me deixa, de fato, tranquila, é saber que a Lu está lá me esperando, porque deixar tudo o que você é e tem para trás sem ter o mínimo de apoio moral, deve ser mais difícil do que qualquer coisa nessa vida”

Claro, porém, que nada será simples (afinal, esta história precisava existir) e, logo na primeira noite, Lu arrasta Marina para uma festa e lá ela conhece aqueles que se tornarão seus amigos (Sam, Le, Cindy, Tuca…) e também o cara que vai tirá-la do prumo: Frederico Lamarck.

“Eu assumo que cresci uma garota rebelde e que contrariar meu pai era meu passatempo favorito, mas quando olho para o Fred, penso que nem em mil vidas meu pai esperaria por uma coisa como essa, porque ele é definitivamente o oposto dos sonhos e expectativas do senhor Carlos”

Fred é o sonho de muitas garotas — tanto é que elas realmente fazem de tudo para chamar sua atenção — mas não é nada do que Marina buscava na capital, afinal, ela só queria realizar seu sonho e ter dinheiro suficiente para trazer sua família para perto de si.

“Quando se tem pressa de perseguir seus sonhos, a vida parece dificultar às vezes”

Fred também não esperava por Marina. Ao menos não até conhecê-la. Além de lindo, educado e divertido, ele é o capitão do time de futebol — que finalmente tem chances de ganhar o campeonato — e também tem um sonho bem claro: se tornar um jogador profissional.

“Porque cada um sabe com que dom nasceu, qual sonho deseja tornar realidade, qual seu objetivo de vida. O meu é viver de bola em São Miguel”

E não se engane com eu quase me enganei algumas vezes: apesar de parecer, Fred (e seu irmão, Leandro) não é um bad boy.

“O Fred é um cara muito bom, amiga”

Apesar dos irmãos Lamarck arrasarem corações, eles também são donos de corações enormes e buscam sempre o melhor para as pessoas que estão ao redor deles.

“Nunca medi esforços pelas pessoas que eu amo, com ela não será diferente”

Assim, nesse romance bem ao estilo filme teen da sessão da tarde, somos envolvidos por uma história que fala sobre sonhos e paixões, mas também sobre família, amizade e dificuldades.

“É preciso coragem para enfrentar o caminho mais longo”

Através de Mari e Fred, mergulhamos no mundo do ballet e do futebol, descobrindo muitas camadas (boas e ruins) das duas atividades.

“Fico olhando com cuidado a forma como ele domina o jogo e parece tão invencível com sua chuteira nos pés. É assim que me sinto com as minhas sapatilhas”

É inevitável torcer pelos protagonistas, não apenas como casal, mas como pessoas que merecem o melhor, por compartilharem sempre o melhor delas.

“Eu nunca pensei que São Miguel poderia me trazer tantos sentimentos diferentes ao mesmo tempo”

A narrativa é envolvente. Os capítulos acabam sempre com um gostinho de quero mais e o livro termina nos fazendo ansiar pelo segundo volume, que, claro, li logo em seguida. 

“Marina fala com os olhos sem nem precisar usar a boca e isso me tira do eixo”

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Citações #95 — Fisiologia do amor

Razão e emoção podem parecer duas coisas totalmente opostas e desconectadas, mas em Fisiologia do amor, livro escrito por Lyra Rocha, descobrimos o quanto uma coisa pode influenciar a outra.

“Não é porque você tem uma probabilidade estatística que todo mundo vai ser igual. Tem muitas outras coisas que envolvem uma pessoa e definem o seu caráter”

Cecília trata o amor de uma maneira diferente: cientificamente. E, assim, ela busca não sofrer o que todo mundo que já se permitiu amar sofre em algum momento.

“— Quebrar a cara faz parte da vida, Cel. Eu mesma sou a experiência em pessoa nisso, você bem sabe. Mas estou viva, não estou? As dores nos tornam melhores, desde que aprendamos com os erros”

“Estava novamente deixando os meus hormônios me levarem por um caminho perigoso”

“Sair com ele era um risco que havia aceitado correr, mas nem por isso queria dizer que era fácil”

“E por mais que tivesse ainda medo, uma coisa era certa: se jogar nessa paixão era gostoso demais”

“Eu tinha plena consciência que não era fácil ter um relacionamento e que ocasionalmente, os casais se desentendiam e tinham suas crises”

Mas claro que ela não consegue levar suas convicções até o fim: razão e emoção até influenciam uma a outra, mas tem horas que certas coisas acabam prevalecendo.

“É muito diferente não ter os passos cronometrados e não saber o que vai acontecer em nossa vida”

“Quando gostamos de alguém, tudo é diferente. Os beijos mais simples tornam-se mais saborosos, o mais leve toque nos causa arrepios e algo vibra em nosso coração, enchendo de um sentimento tão bom que dá vontade de explodir”

Emoções nos invadem facilmente, e não seria diferente nem mesmo com a mais científica das pessoas.

“Ficava brava, queria matar um às vezes, mas era só a pessoa aparecer arrependida na minha frente que eu virava manteiga”

Abordando essas questões, Lyra Rocha nos faz ir além e refletir sobre como o ser humano, em geral, age, tanto em relação a coisas boas, como em relação às ruins.

“Na verdade, eu acredito no amor e tudo mais, mas as pessoas permitiram que tantas coisas más ocupassem os seus corações que acho difícil acreditar é no ser humano”

“A vida é engraçada, nós sempre queremos que os outros nos compreendam, porém, poucas vezes paramos para compreender o outro”

Para alcançar este objetivo, contudo, a autora tem de fazer, em alguns momentos, generalizações, que fazem sentido para o tom da obra.

“Homens, independentemente das características, sempre gostam de ser bajulados”

“Todos esperam que as mulheres sejam românticas e sonhadoras incuráveis”

“Chocolate é sempre o maior amor de uma mulher, Bernardo”

Assim, a autora também nos leva a refletir sobre questões culturais e sociais, que nos mostram que ainda há muito a evoluir em nossa sociedade.

“Não que eu precisasse disso, mas homens tendem a ter problemas com mulheres que ganham mais do que eles”

“A única regra que tinha era achar uma pessoa com meus padrões. Era pedir demais?”

Mas se tem uma lição que realmente fica ao longo desta narrativa é o de que, apesar de tudo, precisamos persistir — mas com aberturas, claro — naquilo que acreditamos.

“Confie em mim, as conquistas mais grandiosas só foram atingidas porque as pessoas não desistiram delas no processo”

Se quiser saber mais sobre esta história, clique aqui e leia a resenha completa.

E se não fosse um sonho? — Tayana Alvez

Título: E se não fosse um sonho? 
Autora: Tayana Alvez
Editora: P.S. Edições
Páginas: 236 
Ano: 2025 

Sinopse

O que fazer quando o mundo dos sonhos se torna melhor do que a realidade?

Manoela sempre teve sucesso escrevendo livros inspirados nas histórias que cria enquanto dorme. O problema é que, agora que conseguiu vender os primeiros quinze mil exemplares em uma grande editora, a fonte parece ter secado. Ela não se lembra de sonho algum. Até Jão aparecer. Ou talvez “aparecer” não seja a palavra certa. É a primeira vez que Manoela sonha com alguém que não consegue enxergar.

Desiludida com o bloqueio criativo, as cobranças com o próprio peso e a decepção com aqueles que chamava de amigos, Manoela encontra em Jão um mistério que torna seus dias mais interessantes e uma companhia acolhedora para encerrar suas noites. Ele não é apenas o mocinho perfeito para seu próximo livro, mas também o amor com que sempre sonhou para si mesma.

Mas homens escritos por mulheres não são reais. Ou será que podem ser?

Resenha

A Tayana Alvez mal lança um livro e eu já estou fazendo o quê? Lendo, claro! (ainda que a resenha tenha demora muito para sair).

Em E se não fosse um sonho? conhecemos Manoela, uma escritora de sucesso que se encontra em um período de bloqueio criativo

“Em algum lugar na minha mente, existe uma história implorando para ser escrita”

Este é um tema que já daria muito pano para manga, mas Tayana, como sempre, consegue naturalmente ir muito além.

“Minha consciência jamais me elogiaria assim, de graça e com tanta sinceridade”

Podemos começar mencionando, por exemplo, de onde Manoela tira inspiração para suas histórias: seus sonhos. E, sabemos bem, quando as coisas não estão muito boas, é difícil lembrarmos de nossos sonhos.

“Mais uma vez, abri mão de coisas importantes para mim sem nem perceber. E isso dói bastante”

O que poderia não estar bom na vida de uma escritora de sucesso? Muita coisa, sem dúvidas. Como o fato dela perceber — e constatar a cada mais — que seu grupo de amigos talvez não seja exatamente o que ela imaginava.

“Respiro fundo, me dando conta de que não só não preciso de amigos que me façam sentir mal, como também não os quero”

Manoela tem muitas questões com as quais lidar: uma linda mulher que, durante muito tempo, esteve acima do peso e fez o possível e o impossível para se encaixar em um padrão de beleza, e então descobrir que não é isso que faz com que a vida mude da noite para o dia…

“Daqui para frente, seguir meu coração vai ser uma parte muito importante na minha carreira”

A menos, é claro, que ela literalmente volte a sonhar. E qual não é a surpresa dela ao se deparar com Jão durante suas noites de sono?

“Por algumas pessoas, vale a pena enlouquecer”

Com o perdão de todos os trocadilhos, Jão é o cara dos sonhos: paciente, inteligente, fofo, atencioso… O único porém é que Manoela não consegue enxergá-lo.

“— Eu não desisto de alguém porque descobri um defeito na pessoa, ou por uma opinião da qual discordo”

E, daqui para a frente, na história, é só para trás. Ao mesmo tempo que Manoela quer mais e mais de Jão, nós queremos mais e mais deles dois. E, assim, Tayana nos enreda numa história cujo plot faz o queixo cair.

“Uma das verdades absolutas da vida é que os planos raramente se desenrolam como imaginamos. Contudo, há aqueles que, além de fugirem do esperado, destroem algo dentro de nós”

E se não fosse um sonho? não é apenas um romance água com açúcar, mas uma história que vai nos fazer pensar sobre as relações que construímos ao longo da vida, o nosso lugar no mundo e, como não poderia faltar num livro da Tayana, a importância da terapia.

“Diz que você não tá se automedicando porque quer fugir da realidade”

Uma narrativa que nos mostra a necessidade de lutarmos por aquilo que acreditamos, deixando de lado opiniões que nada têm a nos acrescentar

“— De fato, não deveria ser normal brincar com as fraquezas de quem você ama”

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TAG Condomínio

Faz um bom tempo que não trago uma book tag para cá e, sendo período de férias por aqui, fiquei com vontade de fazer uma, mesmo que eu sempre acabe sentindo dificuldade em responder às perguntas (como escolher um livro e não outro?).

Desta vez, escolhi esta, criada pelo blog Leitor dos Sonhos e publicada por lá em 07 de abril de 2023. Se quiser conferir o post original, é só clicar abaixo.

A ideia é relacionar livros e condomínios, pensando em seus diversos espaços, personagens e acontecimentos. Vamos nessa

Garagem – um livro que está estacionado na sua estante.

Por mais que eu esteja me esforçando para desencalhar meus livros físicos e ebooks, ainda tem muita coisa parada em minha estante, como o livro Angústia, do Graciliano Ramos, numa belíssima edição comemorativa dos 75 anos de publicação da obra, feita pela Editora Record (não é a edição abaixo):

Síndico – um livro difícil de lidar

“Livros difíceis de lidar” é uma categoria que pode trazer diversas interpretações e pensei em duas delas:

  1. Um livro que aborda temas difíceis, como Uma canção para a libélula, da Juliana Daglio
  1. Um livro que tenho medo de encarar e, por isso, estou adiando sua leitura, como é, no fundo, o caso de A Metamorfose, de Franz Kafka.

Vizinho – um livro que você recomendaria para seu vizinho.

Adorei essa categoria porque ela provavelmente significa um livro que você indicaria para qualquer pessoa, uma vez que geralmente não temos intimidade com nossos vizinhos para saber o gosto literário deles. Mas o livro que pensei, seria realmente uma ótima e necessária leitura para meus vizinhos (que vivem brigando aos berros): Comunicação não violenta, de Marshall B. Rosenberg.

Áreas de lazer – um livro para relaxar

Eu não estaria sendo eu mesma se não mencionasse aqui um romance água com açúcar, né? Então menciono aqui minha leitura mais recente neste segmento: Ela não é minha irmã, da Any Oliveira.

Portaria – um livro que foi a porta de entrada para você no mundo dos livros ou em um gênero específico 

Como leio desde muito nova e não sei se tem algum livro específico que me fez pensar “eu amo isso aqui”, escolho O diário de Anne Frank, que me introduziu aos livros sobre o holocausto, uma temática que busco sempre ler um pouco sobre.

Assembleia – um livro bom para ler em clubes de leitura.

Acho clubes de leitura uma ideia excelente, mesmo sentindo que não são muito para mim (gosto da leitura solitária e descompromissada). Acredito, portanto, que qualquer livro que traga temas interessantes de se discutir, cabe aqui. É o caso de Em busca de sentido, do Vitor E. Frankl, para citar uma leitura não tão antiga e que me despertou esse desejo de conversar sobre com outras pessoas.

E então, quais seriam os livros do seu condomínio?

Violeta — Abraão Nóbrega

Título: Violeta 
Autor: Abraão Nóbrega
Editora: Publicação independente
Páginas:  310
Ano: 2021 

Sinopse

Victor, um estudante de gastronomia, sentiu na pele as pressões sociais do corpo, sexualidade, prazer e (des)afeto dentro da comunidade gay. Cansado de relações líquidas e aprendendo a lidar com seus sentimentos (que até então tinha enfiado numa caixinha por não saber o que fazer com eles) esbarra em Gabriel. Um jovem aspirante a psicólogo que está no processo de recuperação de feridas afetivas deixadas pelo relacionamento abusivo com o ex-noivo Hugo. Nos desencontros da vida (pós)moderna e relações liquefeitas, fica o questionamento: apaixonar-se é um ato revolucionário?

Resenha

Desde as primeiras linhas, Violeta vai nos prendendo em sua trama, entregando ao leitor uma história de amor gostosa, mas nem sempre fácil, de ler.

“Para todos os corações teimosos que insistem em se permitir amar, essa história é para vocês. Apaixonar-se é um ato revolucionário?”

Victor, um personagem por quem é fácil se apaixonar, é estudante de gastronomia e está cansado de aplicativos de relacionamento, ainda que queira muito um amor para chamar de seu.

“Tudo na atualidade é baseado na velocidade, inclusive os relacionamentos”

O protagonista está cansado da superficialidade das relações que estes aplicativos trazem e isso acaba contribuindo para uma crise de ansiedade daquelas que ou você se identifica, ou ao menos se compadece

“Ele não conseguia entender o que era aquilo, mas só queria se acalmar. Só queria paz. Parecia uma tempestade rugindo em seus ouvidos. O corpo inteiro berrava angustiado. O coração batia tão rápido que doía na alma”

No meio desse caos, Gabriel aparece, não como um anjo salvador e perfeito, mas com um ser humano que também tem seus problemas e, no fundo, a vontade de ser amado como merece.

“Ninguém é feito apenas de coisas boas, tão como, não só de ruins”

Através desses dois personagens, Violeta se apresenta como uma história que sabe equilibrar leveza e a necessidade de reflexão e de tocar em temas densos.

“Ele sorriu e, mesmo com os olhos fechados, viu nuances da beleza da vida. Porque, no fim, as coisas mais encantadoras são percebidas com o coração”

Uma narrativa que, além da ansiedade, também fala sobre relacionamentos tóxicos e solidão.

“Ele sabia que nunca estaria só, mas, na verdade, nunca poderia contar com o apoio de Henrique. No fim das contas, ele sempre esteve só”

Uma história que está longe de ser perfeita — e talvez por isso, infelizmente, não esteja disponível no momento — mas que é capaz de encantar

“Entender e aceitar suas belezas e feiuras é onde o equilíbrio faz morada”

A representatividade na história é um ponto a se destacar, não apenas por estar muito bem contextualizado, mas por ir para além de um casal gay protagonista e falar, também, sobre demissexualidade

“A grosso modo é que meu tesão depende da minha conexão afetiva com a pessoa”

Em suma, uma história que vale a leitura e que, espero, volte numa versão melhorada e ainda mais encantadora.

“Nem toda história acaba porque um lado desistiu ou deixou de sentir. Às vezes amar perde o sentido que tem, deixa de ser sorriso e aconchego e se torna lágrimas e silêncio”

Se você quiser conhecer outras obras disponíveis do mesmo autor, clique aqui.

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Citações #94 — Em busca de sentido

Daquelas leituras que mexem profundamente conosco, Em busca de sentido, escrito por Viktor E. Frankl, aborda muitas questões que merecem ser discutidas. Por isso, além do que já apresentei na resenha, aqui você poderá conferir alguns trechos do livro.

Começaremos pelo fato de que a história nos conta sobre os horrores do holocausto do ponto de vista de um sobrevivente e, mesmo que este não seja o foco da obra, há diversas passagens sobre isso.

“Ninguém ainda consegue acreditar que de fato tiraram literalmente tudo da gente”

“A ‘vida’ do ‘número’ é irrelevante. O que está por trás desse número, o que representa esta vida, é menos importante ainda: o destino — a história — o nome de uma pessoa”

“É compreensível que a maioria dos prisioneiros seja atormentada por uma espécie de sentimento de inferioridade. Antes, cada um de nós havia sido ‘alguém’, ou ao menos julgava sê-lo”

“Desde Auschwitz nós sabemos do que o ser humano é capaz. E desde Hiroshima nós sabemos o que está em jogo”

“A bondade humana pode ser encontrada em todas as pessoas e ela se acha também naquele grupo que, à primeira vista, deveria ser sumariamente condenado”

Claro que este tema nos leva a outro: como se sentem e se enxergam as pessoas que passaram por esse horror.

“Todos nós que escapamos com vida por milhares e milhares de coincidências ou milagres divinos — seja lá como quisermos chamá-los — sabemos e podemos dizer, sem hesitação, que os melhores não voltaram”

“Será que a pessoa nada mais é que um resultado de múltiplos determinantes e condicionamentos, sejam eles de ordem biológica, psicológica ou social?”

A falta de alegria — mas a necessidade do humor — também se fazem presente nesta narrativa. Este tema, aliás, é recorrente em obras com esta temática e sempre nos faz pensar.

“A vontade de humor — a tentativa de enxergar as coisas numa perspectiva engraçada — constitui um truque útil para a arte de viver”

“Literalmente, desaprendemos o sentimento de alegria”

O tema central da obra, contudo, não é exatamente o Holocausto, mas o sofrimento e, como o próprio título deixa claro, a busca por um sentido.

“Se a vida tem sentido, também o sofrimento necessariamente o terá. Afinal de contas, o sofrimento faz parte da vida, de alguma forma, do mesmo modo que o destino e a morte”

“Durante anos a fio a pessoa acreditou ter chegado ao ponto mais baixo possível do sofrimento, mas constata agora que, de alguma forma, o sofrimento não tem fundo, que aparentemente não existe o ponto baixo absoluto, e as coisas podem piorar cada vez mais, descer cada vez mais…”

“Sofrimento de certo modo deixa de ser sofrimento no instante em que encontra um sentido, como o sentido de um sacrifício”

Por fim, é bonito de ver como, apesar de tudo, ainda há espaço para reflexões sobre o amor

“Naquele momento, fico sabendo que o amor pouco tem a ver com a existência física de uma pessoa”

Se quiser saber mais sobre esta obra profunda e necessária, clique abaixo para ler a resenha completa.

O quarto branco — P. Barbosa

Título: O quarto branco 
Autor: P. Barbosa
Editora: Publicação independente
Páginas: 29 
Ano: 2013

Sinopse

«Fiquei por ali, gritando o mais alto que podia, em aflição, que precisava de um caminho, de um rumo e de uma direcção, mas como não havia paredes onde o som pudesse ressoar as palavras iam e nunca voltavam. Era incapaz de me ouvir, e só sabia que estava a gritar pela trepidação dos meus ossos que sentia do esforço sobre-humano que fazia. E fiquei naquilo milhares de vezes repetindo, ou milhões ou biliões, pois nunca as contei, até que me calei por meu próprio convencimento.

Tal era a soberba ou a surdez do dono daquele lugar.»

***

«Agarrei-me a ela e ela a mim, e assim ficámos, agarrados, um ao outro, apertados por uma vontade férrea, acontecesse o que acontecesse.

— Não te quero perder. — disse-lhe. Ela soluçou e agarrou-se a mim ainda com mais força.

— Odeio este mundo e o outro. — disse-me, enquanto chorava — A felicidade não tem sítio para viver.»

***

«O homem anseia por conquistar a luz e evitar as trevas. Para mim, não há diferença entre as duas.»

Resenha

O quarto branco é uma daquelas leituras rápidas, mas que aos poucos vai revelando ir muito além do que se imagina.

“Para quê abandonar o lugar que nos oferece tudo o que se quer ter?”

Através de metáforas — principalmente a do quarto branco — a obra nos faz refletir sobre o que está (ou não) em nossa mente e sobre as armadilhas que criamos através do nosso pensamento.

“Senti-me enterrado num poço branco, que tanto podia ser branco como escuro como breu, pois quando se tem apenas uma cor para olhar é como estar cego e não ter cor nenhuma para ver”

O protagonista desta história encontra-se num lugar que, aos poucos, vai se revelando, como nossa mente, quando gradualmente vai se desfazendo de pensamentos negativos.

“Chegará o dia em que as dores de hoje serão olhadas com nostalgia e alegria. E depois tudo passará”

Conforme as coisas boas vão sendo sentidas, novos personagens surgem junto à luz.

“O problema dos horizontes do pôr-do-sol é que eles forjam o mundo numa esfera que gira sem sair do lugar”

Mas claro: perfeição não existe e mesmo quando se compreende o que nos move, ainda há algo que nos paralisa.

“O homem anseia por conquistar a luz e evitar as trevas. Para mim, não há diferença entre as duas”

Escrito em português europeu — o que meu causou menos estranhamento do que eu esperava — O quarto branco vai te tirar da zona de conforto com uma leitura rápida e profunda. 

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O que tem para fazer em Belo Horizonte?

Passei a virada do ano em Belo Horizonte e uma das perguntas que mais ouvi foi: o que tem para fazer em Belo Horizonte?

Apaixonada que sou por esta cidade, percebi que ela não é exatamente um destino turístico dos brasileiros e que as pessoas talvez não tenham ideia dos encantos que ela guarda.

Este post não é, porém, um guia com todas as possibilidades que a cidade oferece, mas apenas um pouco daquilo que fez com que eu me apaixonasse por Beagá. Em suma, é mais uma carta de amor que um roteiro

A primeira vez que estive na capital mineira, em 2016, choveu muito. E mesmo sendo uma pessoa que não gosta nem um pouco de passear com chuva, voltei encantada com a cidade, sobretudo porque na Praça da Liberdade existe uma sequência de museus (gratuitos) dos quais entramos e saímos enquanto a chuva não dava trégua. 

Nessa viagem de 2016, o primeiro museu que entramos foi o que mais me encantou (tanto é que, no dia seguinte, como a chuva continuava, voltamos nele): o Memorial Minas Gerais, mantido pela Vale. Infelizmente, em dezembro de 2024 este museu encontrava-se fechado para manutenção.

Mas ali na Praça da Liberdade também tem o incrível Museu das Minas e do Metal, o Centro Cultural Banco do Brasil e a Casa Fiat de Cultura. Todos com uma programação que vale a pena ficar de olho e conferir quando estiver por lá. 

Só esses museus já seriam suficientes para dizer que Belo Horizonte respira arte, mas há, ainda, muitos outros espalhados pela cidade. Alguns fazem parte do Circuito Liberdade (como o Museu Inimá de Paula), outros não (como o Museu da Moda). Mas cada um a seu modo, valem a visita.

Bh, porém não é só arte e se você é uma pessoa que prefere estar ao ar livre, só as caminhadas pelas ruas da cidade já seriam um passeio e tanto, mas há também a Lagoa da Pampulha, onde é possível estar em contato com a natureza, com a arte e ainda praticar diversas atividades físicas (em dezembro, por exemplo, eu e minha amiga alugamos uma bike e demos a volta na Lagoa. Só depois descobrimos que foram 18 quilômetros pedalando!). Isso sem falar nos parques, é claro.

A capital mineira também é famosa por sua culinária e mesmo eu, que não sou exatamente fã de comida mineira, me esbaldei no pão de queijo nesta última visita e não posso deixar de mencionar, por isso, a Pão de Queijaria. Para quem, contudo, gosta de realmente mergulhar na cultura e culinária locais, um bom passeio são os mercados: o Central (que também faz parte do Circuito Liberdade) e o Novo (esse, mais com lojinhas e restaurantes, como, para quem conhece, o Mercado de Pinheiros, em São Paulo). 

Por fim, mas não menos importante, Belo Horizonte também encanta por seu povo: a simpatia e a gentileza das pessoas ali é de se admirar. 

Estar em Belo Horizonte é como estar em uma cidade grande, mas com cara de interior: é calmo, ao mesmo tempo que é vívido. É relaxante, ao mesmo tempo em que nos oferece tantas opções.

Você já visitou a capital mineira?