Fisiologia do amor — Lyra Rocha

Título: Fisiologia do amor (Ciência do amor - Livro 1) 
Autora: Lyra Rocha
Editora: Publicação independente
Páginas: 268
Ano: 2019 

Sinopse

Nada melhor do que seguir o coração e encontrar sua alma gêmea, não é mesmo? Não para Cecília Perosini. Para ela, encontrar o par perfeito é nada mais do que pura ciência. Coração saltitando, mãos suando e corpo tremendo? Tudo resultado dos hormônios biológicos do nosso corpo. Como professora e pesquisadora da área, Cecília sabe tudo sobre a fisiologia do ser humano durante o amor e, por isso, ela está disposta a usar dos seus conhecimentos para não ter o coração arrancado e quebrado por homem nenhum.

Ela já planejou tudo. O homem perfeito está idealizado em sua mente. Nada de bonitos, atraentes e fortões. Não. A ciência mostra que para um relacionamento dar certo, sua escolha deve ser bem diferente. Por isso, Cecília está determinada a seguir seu plano.

Mas o que acontece quando a vida lhe dá uma rasteira e põe à prova toda a teoria que criou? Depois de conhecer um homem que é exatamente tudo o que Cecília fugiu, ela se vê em uma situação difícil ao tentar seguir o rumo que predeterminou em sua vida e em um embate entre a razão e o coração.

Resenha

Fisiologia do amor é uma obra que beira ao absurdo e que, mesmo assim, nos prende e faz pensar.

“Não é fácil viver a simplicidade quando a sua mente está bombardeada de informações e teorias”

Isso porque a protagonista, Cecília, uma grande pesquisadora, não acredita no amor. Ao menos não no amor que acontece de repente e que pode ter um final feliz.

“O amor podia curar? Remendar a alma? Sim, mas se encontrássemos a pessoa certa”

Para ela, o amor é fruto de nosso hormônios e, assim sendo, pode ser racionalizado, nos fazendo escolher a pessoa certa, no momento certo.

“O amor é superestimado. São apenas reações biológicas do nosso corpo”

Como não poderia deixar de ser, porém, Cecília acaba caindo em tudo aquilo que tenta negar e contradizer, quando esbarra em Bernardo e se vê obrigada a conhecer o rapaz, que não sai de seu pé.

“Claro que já tinha visto homens até mais bonitos antes. Mas esse, em particular, me perturbou e me deixou completamente desconfortável. Primeiros sinais da atração”

Com uma narrativa em primeira pessoa e por meio de uma linguagem simples – mesmo tendo uma cientista caxias como narradora – Fisiologia do amor nos faz querer saber cada vez mais sobre o que vem a seguir e nos faz torcer pelos personagens e pelas situações que se apresentam diante de nossos olhos.

“A teoria do caos diz que uma mudança no início de um evento qualquer, pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro”

A protagonista não é perfeita, como a própria autora explica ao final do livro, e, para muitas pessoas, pode inclusive ser irritante. Ainda assim, a história nos envolve e Bernardo é capaz de derreter o mais duro dos corações.

“A verdade é que Bernardo mexia comigo, muito mais do que eu queria. Porém precisava aprender a lidar com ele de qualquer jeito”

A história se passa sobretudo na Universidade em que Cecília trabalha, alternando entre o laboratório e o restaurante. Além disso, espaços como um shopping, um restaurante e um barzinho também aparecem, indicando que a história se passa em uma cidade cheia de vida.

“— A vida é muito curta para esperar o brigadeiro esfriar. Poderia ser uma frase normal, no entanto havia muita coisa implícita ali”

Se você se interessou por esta história, não deixe de dar uma olhada nas redes sociais da autora (Instagram) e, claro, fuçar um pouco mais da obra clicando abaixo.

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Un pomeriggio estivo

Era un pomeriggio estivo, caldo, come ci si aspetta. Ma il sole non c’era più. Anzi: aveva già piovuto un po’.

C’era qualcosa di strano nell’aria. Non era l’umidità e il caldo. Non era l’inquinamento sempre presente in quella grande città. Era tutt’altro. Sembrava la fine del mondo.

Sì, proprio questo: sembrava la fine del mondo.

Era un pomeriggio estivo. Bello. Caldo e umido. La luminosità del giorno lasciava spazio per il buio che, pian piano arrivava.

Era come un presagio, un’ombra sulla città ma, allo stesso tempo, tutti seguivano la vita come se non ci fosse niente. Le macchine ferme nel traffico, i pedoni che camminavano in fretta. Nessuno quasi parlava, c’erano solo i rumori di una città troppo affollata. Si vedeva la stanchezza, lo stress, la paura. Ma nessuno vedeva lo spettacolo che sembrava la fine del mondo.

È difficile spiegare com’era il cielo quel giorno: un miscuglio di grigio e arancione, con nuvole basse che sembravano quasi voler toccare i palazzi. Un’atmosfera irreale, come in un sogno che prelude al risveglio. Solo quei pochi che hanno alzato la testa l’hanno visto. Avranno avuto la mia stessa sensazione? Non lo so. Non lo saprò mai.

Era un pomeriggio estivo e sembrava la fine del mondo. Ma non lo era. Siamo ancora qui. Per quanto tempo? Non lo so. Mi chiedo: sapremo mai riconoscere la fine del mondo quando arriverà.

Em busca de sentido — Viktor E. Frankl

Título: Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração 
Original: trorzdem Ja zum Leben sagen
Autor: Viktor E. Frankl
Editora: Vozes
Páginas: 184
Ano: 2023 (58º edição)
Tradutores: Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline  

Sinopse

O fundador da Logoterapia mostra aqui como foi a sua própria experiência em busca do sentido da vida num campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Apresenta também, numa segunda parte, os conceitos básicos da logoterapia.

Resenha

Em busca de sentido passou um longo período na minha lista de desejados, pelo simples fato de ser uma obra sobre o holocausto. Isso era tudo o que eu sabia sobre o livro, até iniciar sua leitura que, sem dúvidas, foi uma das melhores e mais marcantes do último ano.

“Nenhum ser humano e nenhum destino podem ser comparados com outros; nenhuma situação se repete”

Dizer que este é “um livro sobre o holocausto”, aliás, é um grande erro. Os horrores do campo de concentração estão aqui, complementando esta obra que, apesar de curta, vai muito além disso.

“Somente aos poucos se consegue levar essas pessoas a reencontrar a verdade, tão trivial, de que ninguém tem o direito de praticar injustiça, nem mesmo aquele que sofreu injustiça”

Em busca de sentido começa com um prefácio à edição norte americana de 1984, que já me ajudou a perceber que este, apesar de ser um livro um pouco técnico e que aborda um assunto tão difícil, não seria complicado de seguir com a leitura.

“O ser humano é capaz de mudar o mundo para melhor, se possível, e de mudar a si mesmo para melhor, se necessário”

Depois, vem um prefácio do próprio autor e, nele, começamos a adentrar a obra, iniciando no mundo da logoterapia — o verdadeiro tema deste livro —  fundada por Viktor Frankl.

“Pensava que poderia ser útil a pessoas que têm inclinação para o desespero”

O livro, então, é dividido em três partes: em busca de sentido, conceitos fundamentais da logoterapia e a tese do otimismo trágico.

“Chorava o violino — dentro de mim algo chorava junto”

Ao longo dessas três partes, acompanhamos a narrativa do autor enquanto prisioneiro em Auschwitz, bem como seus estudos e a crença de que é preciso encontrar um sentido na vida (e aqui o título passa a ser óbvio) para superar a dor.

“A vida é sofrimento, e sobreviver é encontrar sentido na dor”

Em busca de sentido é tocante e nos faz pensar em nossas vidas, em nossas escolhas e caminhos.

“A preocupação ou mesmo o desespero da pessoa sobre se a sua vida vale a pena ser vivida é uma angústia existencial, mas de forma alguma uma doença mental”

Conhecer esta forma de terapia também amplia a nossa visão sobre como podemos encarar doenças mentais e possíveis tratamentos.

“Nem todo conflito é necessariamente neurótico; certa dose de conflito é normal e sadia. De forma similar, o sofrimento não é sempre um fenômeno patológico”

Chega a ser impressionante pensar que alguém que viveu tudo o que o autor deste livro viveu, consiga escrever uma obra tão fácil de compreender e, ao mesmo tempo, que fala com uma certa leveza (sem leviandade alguma) de assuntos tão pesados.

“A dor psicológica, a revolta pela injustiça ante a falta de qualquer razão é o que mais dói numa hora dessas”

Uma obra que precisa ser lida ao menos uma vez na vida, mas cuja leitura pode ser feita com muita calma e cuidado para não se entrar num turbilhão de sentimentos complexos.

“O alívio psíquico é produzido por ilusões que certamente podem ser perigosas na área fisiológica”

Em seu formato físico, na edição da Editoras Vozes, o livro é pequeno e leve, com uma diagramação bem simples e páginas brancas.

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Citações #90 — Um fake dating com benefícios

Digo e repito sempre: sou muito fã dos livros da Tayana Alvez e com Um fake dating com benefícios, publicado em 2024, não foi diferente. Por isso, hoje trago alguns (vários) trechos que ficaram de fora da resenha

O que mais me encanta na escrita da autora é que ela consegue abordar, de maneira inteligente e envolvente, temas muito importantes. Neste livro, posso citar, por exemplo, a forma como a autora trata das marcas deixadas pela pandemia do coronavírus.

“Contudo, o fim da pandemia devolveu o sol para uma vida que, até então, era de um inverno constante e me permitiu, aos poucos, conseguir sair de casa, reconquistar uma rotina ‘normal’ e interagir com as pessoas sem que o pânico que a doença me causou por anos me dominasse”

“E, por Deus, o covid tirou muitas coisas de mim, não tinha a menor chance dele tirar toda a minha vida das minhas mãos também”

“Dois anos se passaram desde o fim do caos, mas alguns de nós vão ter sequelas para sempre”

Por outro lado, como o próprio título da obra talvez possa sugerir, um dos temas centrais é, sem dúvidas, o amor e suas complexidades

“Só que, ainda assim, não posso fingir que não sinto nada, quando a verdade é que, todas as vezes que termino de ler a lista antes de ir a um dos nossos encontros, uma voz alta e clara toma minha cabeça dizendo que está tudo bem ele ser um problema. Afinal, eu sempre fui uma aluna nota dez em matemática”

“Isso não é paixão e muito, muito menos, amor. É só nostalgia e carência”

“Mas no amor os resultados lógicos raramente existem”

“Já ouvi que o amor é um sentimento, é o encontro de dois acasos, é uma escolha, mas a verdade é que o amor é exatamente como o mar: uma força, irrefreável e impiedosa, que lança nossas certezas por terra e acaba com cada plano que temos para contê-lo; amar alguém é incrível na mesma medida que perigoso”

“Beijar na boca é gostoso. Beijar alguém por quem você se atrai é uma delícia. Mas nada se compara a beijar a única mulher pela qual você sempre foi apaixonado”

“Eu sou maluco por essa mulher. Ela gosta de mim. E isso devia ser o suficiente”

“Se gosta tanto de mim, por que me largou aqui sozinha, Guilherme?”

“Na verdade, o amor que vejo em seus olhos todas as vezes que ele olha para mim é o mais perto que cheguei do meu coração explodir em anos”

“Queria odiar essa sensação. Queria detestá-lo, lembrar o tempo inteiro que ele foi embora e como foi, mas é o que Nina me disse: não consigo”

“O amor é a linha invisível que nos liga à lucidez. O amor é a força invisível que nos impulsiona a seguir”

“— A gente ama as pessoas apesar das coisas, não por causa das coisas, Beatriz”

“Qual verdade? — A de que a vida pode ser boa de muitos jeitos, mas não vale a pena sem amor”

Acredito que muitos dos trechos acima também vão nos levando a outro ponto importante para esta narrativa: o passado e alguns erros que ele esconde.

“São letras sobre amor, dor e culpa. Cada uma delas conta os fragmentos de uma história que jurei deixar morta e enterrada no passado”

“E eu gostaria que isso não fosse uma lembrança, mas é”

“Nós éramos fortes, feitos para nunca quebrar. E a única coisa que nos mantém longe é eu não saber porque nós quebramos”

“Talvez contar o que aconteceu não destrua tudo no fim das contas”

“Nós sabemos. Temos completa certeza de que o passado vai nos destruir”

“Na verdade, o tempo não cura nada”

“Mas o passado não é um lugar no qual a gente possa mexer…”

“Talvez não exista culpa, talvez as coisas tenham acontecido como deveriam e foi uma sucessão de equívocos que nos trouxe até aqui”

Uma história que carrega muitas dores, mágoas e a necessidade do perdão.

“Dois milhões de justificativas para dar, mas vejo em seus olhos escuros e perdidos que ela não se importa. Não mais”

“Às vezes, tudo que você precisa é de uma pessoa que ame de todo o coração bebendo água de coco na orla com você, depois de uma manhã de trabalho. E, às vezes, tudo o que o outro merece é o melhor de você depois de tanto tempo encarando apenas o pior e decidindo ficar”

“Você me traiu da pior forma que alguém pode trair outra pessoa: jurando que era pro meu bem”

“Perdoar, nunca vai significar esquecer”

Outra coisa que chama a minha atenção na escrita da Tayana é a sua capacidade de criar personagens tão reais e, também, tão incríveis. A forma como ela retrata o ser humano é precisa, marcante.

“Homens sensíveis são perigosos, eles cuidam de você, cantam para você e aí, pronto, você dorme agarrada neles. Mais especificamente, sendo a parte de dentro da conchinha”

“E todas essas pequenas grandes coisas fazem da minha amiga o meu xodó, aquilo que me traz esperança na humanidade”

“— Às vezes, as pessoas acham que sabem o que estão fazendo quando, na verdade, não têm a menor ideia”

E, claro, ela não se esquece jamais de colocar pessoas pretas como protagonistas, fazendo questão de nos lembrar do básico.

“É bom, é simplesmente bom saber que pessoas pretas e periféricas também conseguem realizar sonhos”

Por fim, acho importante destacar que os livros dessa autora sempre nos deixam lições marcantes, que com certeza vão variar muito de pessoa para pessoa, de acordo com o momento que estamos vivendo e aquilo que acreditamos, mas que, de uma forma ou de outra, estarão ali, ecoando em nós.

“Tentar fingir que você não quer ser feliz quando tudo o que precisa está a dois passos?”

“A vida é maior. Maior que a dor, a insegurança, a reclusão e o rancor”

Se você gostou dos quotes que encontrou aqui, não deixe de ler a resenha completa, para saber mais sobre este livro!

O que todo pedagogo precisa saber sobre comunicação inclusiva — Eduardo de Campos Garcia

Título: O que todo pedagogo precisa saber sobre Comunicação Inclusiva 
Autor: Eduardo de Campos Garcia
Editora: Wak Editora
Páginas: 128
Ano: 2019 

Sinopse

Este livro fala sobre os possíveis meios e modos de comunicação existentes para um trabalho efetivo e significativo a ser realizado com todo e qualquer ser humano, seja ele ouvinte, surdo, cego etc. Tem como objetivo colocar na mesa assuntos que, até então, tornavam o tema tabu que, talvez, por insegurança, afastavam pessoas que deveriam estar próximas. Seus capítulos, embora não definam problemas, procuram amenizar a dúvida e apresentam as possibilidades para a prática da comunicação assistiva e inclusiva.

Resenha

Uma leitura que fiquei em dúvida se traria para cá, mas que acabei me inspirando a escrever a resenha na semana de dia dos professores e que, por fim, não postei devido ao meu pequeno sumiço deste espaço (que comentei brevemente aqui). 

O que todo pedagogo precisa saber sobre comunicação inclusiva é uma obra curtinha e bem fácil de ler, pois o autor escreve como se estivesse conversando conosco. 

“Comunicar algo, em muitos momentos, é fazer com que a ideia comunicada pareça uma verdade, muitas vezes inquestionável”

O fato da obra ser curta e fácil é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque torna o conhecimento contido nela acessível, mas ruim porque ele é um tanto quanto superficial. 

“Mas, nem todo pensamento é flexional e linear”

Para chegar à comunicação inclusiva, o autor inicia o percurso com o capítulo Comunicação: conceito e história, no qual ele traz algumas definições do que é comunicação.

Em seguida, Eduardo Campos traz o capítulo Cuidado! Nem tudo, embora pareça, é comunicação alternativa e suplementar. Aqui, o autor explica o que seria uma comunicação alternativa e suplementar, dando exemplos do que se encaixa ou não nessas categorias.

Por fim, no quarto capítulo — de título Tecnologia assistiva: usabilidade por meio de outros recursos — o autor nos apresenta diversas coisas presentes no nosso cotidiano, e que são importantes para a inclusão. Até mesmo o esporte entra neste grupo e isso foi bem interessante de aprender.

“A prática esportiva estimula não apenas o desenvolvimento neuromotor, o fortalecimento muscular e o equilíbrio mas também a comunicação e a formulação de estratégias”

Apesar de ter achado a obra superficial e até um pouco repetitiva em alguns pontos, consegui refletir sobre alguns elementos e aprender coisas interessantes com ela, como a diferença que existe nos pisos táteis, que podem ser divididos em pisos de alerta e pisos direcionais. 

“Relevante é entender que o que é convencional para determinada cultura não o é para outra”

A obra também oferece algumas atividades ao final de cada capítulo, que servem tanto para verificar se o que foi apresentado foi realmente compreendido, quanto para ampliar nossos horizontes. 

O que todo pedagogo precisa saber sobre comunicação inclusiva é um livro indicado para quem está adentrando o mundo da inclusão e da comunicação e não faz ideia de onde começar. 

“Nem todo mundo processa a linguagem da mesma forma”

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Ler faz bem (mas não importa a ninguém) [tradução 39]

Introdução 

Depois de um longo tempo sumida aqui do Blog (falei um pouco sobre isso aqui), finalmente trago um post novo. E, para marcar este retorno, escolhi traduzir um artigo cujo título chamou minha atenção, porque um dos intuitos deste espaço é justamente incentivar a leitura (inclusive, se você conhece alguém que colocou nas metas deste ano ler mais, já convida para conhecer esse espaço e trocar uma ideia).

Desfrute abaixo da tradução de Ler faz bem (mas não importa a ninguém), escrito por Maria Teresa Carbone e publicado originalmente no Il Manifesto, em 8 de agosto de 2024.

Tradução 

Que o hábito da leitura (de livros, não de mensagens de whatsapp) faz bem, é coisa que já se sabe. Mas se por acaso passou despercebido a alguém os infinitos artigos nos quais são elencadas as vantagens físicas e psicológicas escondidas entre as páginas de um romance ou de um ensaio, de uma antologia poética ou mesmo de um bom livro de receitas, eis que María J. García-Rubio e Ana Merino, no La Vanguardia, repropõem o tema à luz das mais recentes descobertas da neurociência.

O ponto de partida, como já havia explicado Maryanne Wolf no seu Proust e il calamaro (Editora Vita e Pensiero), é que ler — diferentemente do caminhar e do falar — não é uma característica inata aos seres humanos, uma vez que a escrita existe há “apenas” seis mil anos. Em outras palavras — explicam García-Rubio e Merino — “do ponto de vista neurocientífico, a leitura não está ligada a áreas cerebrais específicas, como, por outro lado, acontece com a visão, o olfato, a audição”. Este, que poderia parecer um problema, tem, contudo, consequências positivas, porque o cérebro da menina e do menino que aprende a ler é obrigado a encontrar uma — de certo modo inédita — “especialização” que envolve várias regiões cerebrais: “o giro supramarginal, o giro angular, as áreas frontais relacionadas aos processos motores envolvidos na articulação, e as áreas occipitais responsáveis pelo processamento de estímulos visuais como as letras, sem contar as áreas ligadas à memória, ao significado e ao conteúdo emocional dos grafemas e fonemas”.

Em resumo, um treinamento que faz parecer àquele dos atletas para as Olimpíadas uma piada, e que traz consigo, conforme aumenta o nível de complexidade dos textos, outros benefícios em termos de concentração, atenção e capacidade de empatia. De acordo com os últimos estudos sobre o tema, trazem à tona García-Rubio e Merino, a leitura reduz os níveis de estresse, porque “quando lemos são liberados neurotransmissores ‘bons’ como a dopamina e a ocitocina” e “retarda o envelhecimento, graças ao conceito de reserva cognitiva, uma espécie de ‘dispensa do conhecimento’ com a qual o cérebro se reabastece”. 

Diante de dados como esse, poderia-se esperar um assalto generalizado às livrarias e bibliotecas. Ao contrário, infelizmente devo dizer, quanto mais os cientistas demonstram, com estudos em mãos, que a leitura é um salva vidas, menos se lê. E não estamos falando só da Itália onde, sabe-se, a paixão pelos livros nunca foi um esporte de massa, mas de países há anos considerados como paraísos de leitores. 

Os últimos números sobre a leitura dos adultos no Reino Unido são uma dolorosa confirmação disso: como escreve Ella Creamer no Guardian, mostrando os resultados do relatório The State of the Nation’s Adult Reading, 35% dos cidadãos britânicos maiores de 16 anos declara ser um ex leitor, “ou seja, uma pessoa que lia regularmente por prazer, mas agora faz isso raramente ou nunca”. Este é, provavelmente, o dado mais melancólico da pesquisa, mas existe um outro ainda mais inquietante: o grupo etário entre 16 e 24 anos registra o nível mais baixo de leitores regulares (32%). E mais: 44% dos “jovens adultos” declara se considerar um ex leitor.

Para redimir estes desertores da leitura, será suficiente sacudir debaixo dos olhos deles as pesquisas da neurociência? Duvidamos e duvidam também os editores que, na metade de julho (escreve sobre isso Porter Anderson no Publishing Perspectives) na Feira do Livro de Frankfurt e na Feira do Livro para Jovens de Bolonha anunciaram em um comunicado conjunto que “às atividades das feiras para o desenvolvimento do livro serão acrescentados um centro de negócios sobre jogos”. 

Conclusão 

Ler é uma delícia, para além de qualquer benefício que estudos científicos possam descobrir com relação a este hábito. 

É uma pena, portanto, que poucas pessoas tenham consciência disso, mas, principalmente, que haja pouco incentivo para o florescimento deste hábito, ainda que, nos últimos tempos, temos visto redes sociais como o Tik Tok ajudando a disseminar e incentivar este hábito.

Recesso — Claus Castro

Título: Recesso 
Autor: Claus Castro
Editora: Telha
Páginas: 236
Ano: 2022 

Sinopse

Em meio à pandemia do coronavírus, um professor desiludido com a vida, profissão e relacionamentos se vê impedido de deixar sua rotina caótica, lutando contra o tempo para se libertar da pior prisão em que já foi posto.

Recesso é um romance que busca sintetizar todo o desprezo e o sentimento de fracasso passado ao longo da carreira do autor até o momento.

Resenha

Sabe quando um livro simplesmente surge na sua frente e a sinopse te faz dizer “ok, essa será minha próxima leitura”? Pois foi isso o que aconteceu com Recesso, cuja temática é de grande interesse para mim. 

“A chave estava em não procurar por uma entrada”

Donizete (ou Doni) é um professor que, aos 30 anos, está desiludido com tudo: o emprego, as relações humanas, a vida.

“Todo propósito de uma vida pode ser resumido em chegar no instante em que ela acaba”

Narrada por ele, a história se torna densa e, em muitos pontos, incômoda, o que não poderia ser diferente diante do momento em que ele vive e as situações que o circundam.

“Minha bússola era o mero acaso e em minha direção vinha o desconhecido”

Tantas críticas já foram feitas ao ensino brasileiro, principalmente àquele público, mas através da história de Doni podemos enxergar o outro lado: o do professor que tem de dar tudo de si para receber tão pouco em troca.

“Você precisa estar preparado para tudo e isso não existe”

O protagonista desta história não é concursado, mas um professor substituto, coisa que, infelizmente, tem se tornado tão comum nas escolas. 

“Estamos transformando o mundo em algo que não pode ser vivido, trancando nossos sonhos à luz do dia e escrevendo sobre eles em quartinhos escuros”

Esses professores são jogados em escolas que podem ser perto ou distantes de suas residências, e cobrem licenças e afastamentos. Estão ali temporariamente, na incerteza do amanhã.

“Esse sistema, essa rotina, essa ansiedade, fazem com que eu não veja a hora do dia terminar e de começar outro, para ver seu fim outra vez”

Diante desse cenário, não seria de se espantar que Doni tivesse uma vida cheia de problemas. Mas, para melhorar a situação, ele também é um viciado em álcool e sexo.

“Tudo corria mais ou menos bem e não estava sendo nada mal ter algumas expectativas não correspondidas a essa hora”

O personagem se afoga na vida e nos vícios e é difícil não ir afundando com ele, percebendo o quanto estamos errando e fazendo tão pouco para melhorar as perspectivas.

“Seja lá o que estamos fazendo, é melhor pararmos, e pararmos depressa. Estamos perdidos e perdendo-os, um por um, dizendo para nós mesmos que não há nenhuma salvação possível. Somos nós os próprios carrascos daqueles que um dia juramos libertar”

Há, ainda, um agravante importante para esta narrativa: a pandemia do coronavirus. Imagina viver toda essa profusão de sentimentos num momento tão caótico para a humanidade. É difícil não se identificar em alguma medida.

“Era a corrida da morte, uma grande fuga de algo que não enxergamos, mas que víamos em todos os lugares, um verdadeiro ‘salve-se quem puder’”

Com palavras ácidas e diretas, Claus Castro, através de Doni, consegue nos fazer refletir sobre capitalismo (e seus absurdos), solidão, educação (e, muitas vezes, a falta dela), sonhos e hipocrisias.

“Na escola não respeitamos os jovens. Nas ruas não respeitamos os velhos. Como pode se ter um presente assim?”

Foi estranho, depois de um longo período, ler uma história com um protagonista masculino e hétero, que me despertou tantas lembranças de pessoas parecidas e ao mesmo tempo tão diferentes dele. 

“Não há respostas o suficiente para minhas perguntas”

A forma como as mulheres são retratadas ao longo das páginas (lembrando aqui que o personagem tem o seu vício em sexo, ao mesmo tempo que é extremamente solitário) foi algo que há tempos eu não via e que, com certeza foi um baque, principalmente por me lembrar que muitas vezes somos vistas assim.

“Pode levar o tempo que for, você nunca irá entender completamente, nem em parte, nem minimamente uma mulher, não importa a idade que ela tenha ou que pensa que carrega”

Se você quer saber mais sobre o Doni e seus questionamentos e revoltas contra o mundo que vivemos, clique abaixo para saber mais e adquirir seu exemplar. 

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Citações #89 — Crônicas da surdez

Há tempos me interesso pelo assunto surdez. Não sei muito bem o porquê do interesse, mas é sempre um prazer poder aprender um pouco mais sobre o tema.

Com isso, não é de hoje que o trabalho da Paula Pfeifer tem estado no meu radar e esse ano eu finalmente li Crônicas da Surdez, cuja resenha você encontra aqui

Logo no início da obra há um esclarecimento muito importante sobre o que ela irá nos apresentar, ao mesmo tempo em que a autora tem a oportunidade de abordar uma questão de extrema importância: a heterogeneidade da surdez. 

“Vamos esclarecer de uma vez por todas: a surdez não é homogênea, não existe certo nem errado quando se trata da forma pela qual um surdo escolheu para se comunicar e viver. Sou a favor do respeito à diversidade de escolha. O que funciona para mim pode não funcionar para você, e vice‑versa. Não tenho nada contra a língua de sinais e admiro muito os surdos bilíngues (que dominam o português e a LIBRAS). São tantos surdos com experiências de vida e comunicação distintas que quis escrever este livro para me comunicar com aqueles que vivem as mesmas situações que eu. Minha vivência com a língua de sinais e com surdos sinalizados é praticamente nula”

“Quando você lê a palavra “surdo”, o que lhe vem à cabeça? Pois saiba que a surdez é uma deficiência heterogênea. Não há uma definição única, e existem vários graus de perda auditiva”

Aliás, a autora nos lembra, como não poderia deixar de ser, que cada deficiência é única e traz as suas dificuldades, mas também a oportunidade de desenvolver algumas habilidades.

“Só que não existe deficiência melhor ou pior. Ao contrário, cada deficiência afeta e prejudica a vida da pessoa que convive com ela das mais variadas maneiras – é impossível e seria muito injusto escolher a pior de todas”

“A surdez torna as pessoas mais observadoras. A visão fica mais aguçada, e você passa a prestar atenção em coisas que antes passavam batido. Em especial, no comportamento humano”

O tema no qual ela mais se centraliza nesta obra, porém, é o da importância de buscar profissionais capacitados para atender e te ajudar em sua deficiência e, principalmente, não ter vergonha dela. Não se esconder, mas sim encarar a realidade

“Quando a surdez se manifesta na infância, são pouquíssimas as famílias que a encaram logo de primeira”

“No fundo, eu sabia, mas era mais seguro fingir que não era comigo e evitar qualquer contato telefônico com quem quer que fosse”

“Você quer cuidar da saúde ou viver de aparências?”

“Sentir vergonha da surdez é uma vergonha”

Para ajudar seus leitores nessa jornada, a autora ressalta que não somos o centro do universo: nem todos estão prestando atenção em nós (o que quase sempre é uma benção) e que há muitas pessoas gentis nessa vida.

“A maior epifania que já tive na vida foi perceber que, quase sempre, os outros não estão nem 1% interessados em nossa condição como achamos que eles estão”

“Acho que encontramos muito mais pessoas gentis e acolhedoras na vida do que gente rude, e ficar triste com algumas grosserias que nos fazem é bobagem – no geral, quem age assim nem lembra do que fez ou não considera sua atitude errada”

E ela também nos lembra de uma coisa muito importante.

“Viajar é um dos maiores prazeres da vida, que não deve ser deixado de lado por medo. Quem fica com receio de viajar sozinho para o exterior deveria pensar que imprevistos podem acontecer a qualquer um, independentemente de ouvir ou não”

Por fim, não posso deixar de ressaltar que o silêncio e o barulho marcam presença constante ao longo das páginas deste livro (o que talvez já fosse de se esperar, não é mesmo?). 

“Sinceramente, nunca consegui identificar no silêncio as trevas sombrias que muitas pessoas veem nele”

“Quando o silêncio faz parte de nós, não percebemos até que ponto o mundo é barulhento”

Se interessou por Crônicas da Surdez? Então leia a resenha completa e adquira o seu exemplar!

Chi ti ispira?

L’anno scorso ho partecipato ad una sfida di scrittura in italiano: 30 giorni scrivendo dei piccoli testi (uno al giorno) per allenarmi e migliorare la mia scrittura.

Questa è stata una delle cose che mi ha motivato a realizzare un cosa che da tempo pensavo di fare: questa sezione sul Blog. 

Anche se non voglio avere l’obbligo di portare ogni tanto qualcosa qui, mi pareva che da un tempo non scrivevo qualcosa in italiano e volevo riprendere. Intanto ero senza idee.

Ma proprio quando mi sono messa a riprovare, mi sono ricordata della sfida e uno dei testi mi è venuto in testa. Quello che ho deciso di condividere qui oggi.

Ma prima devo ancora fare un’osservazione: probabilmente questo testo mi è venuto in mente perché il giorno in cui ho pensato a tutto questo, era proprio il giorno in cui, sette anni prima, mia nonna era scomparsa. 

Senza dilungarmi troppo, quindi, ecco quello che ho scritto l’anno scorso e che ho già ripetuto anche in portoghese (qui), ma che ora condivido in italiano.

Ah, sì, lo spunto per il testo era la domanda: chi ti ispira

Le persone che mi ispirano sono persone reali cioè gente della mia convivenza, e non persone che conosco solo tramite i media. 

La prima tra queste è mia nonna che anche non essendo più viva sarà (ed è sempre stata) il mio più grande esempio. Una donna colta, indipendente, attiva. 

Era piena di salute, di parole gentili, di conoscenze. Aveva il cuore più grande al mondo ed una forza incredibile. E grazie a lei, oggi posso ispirarmi anche ai miei zii, che portano con sé qualcosa di lei. Direi di più: mia intera famiglia mi ispira, ognuno a modo suo. 

Ho anche la fortuna di essere circondata da amici ammirevoli. Persone che mi ispirano con le sue idee, le sue parole, il suo modo di essere al mondo. 

Infine, ci sono persone che lavorano con delle cose che ammiro e che mi mostrano una nuova forma di vedere queste cose, una nuova forma di dare vita a idee che neanche immaginavo poter avere dentro di me. 

Música para morrer de amor — Rafael Gomes

Título: Música para morrer de amor 
Autor: Rafael Gomes
Editora: Incompleta
Páginas: 218
Ano: 2021

(Para ler ao som de Codinome beija-flor Cazuza)

Sinopse

A trama é das mais simples, uma variação do clássico triângulo amoroso: Isabela sofre por um coração partido, Felipe quer muito se apaixonar e Ricardo, seu melhor amigo, está apaixonado por ele. Mas, numa obra que é sobre as canções para morrer de amor tanto quanto sobre os caminhos da paixão, e se pensássemos nessa sinopse de uma forma, digamos, mais musical? Em vez de um triângulo, um terceto. Em vez de uma ciranda de sentimentos, três duetos. Ou então a orquestração de três solos intercalados de corações pós-adolescentes que batem com a impulsividade e o derramamento típico das paixões juvenis (e não importa que idade se tenha, sempre estaremos sujeitos às paixões juvenis). A história do trio completa uma década. Mas este livro comemorativo não é apenas sobre aventuras românticas. É também um estudo aprofundado sobre como levar aos cinemas uma história de amor e música nascida nos palcos. O texto original da premiada peça Música para cortar os pulsos (2010) chega ao livro em versão revisada. Guiados por letras de canções das quais extraem sua educação sentimental, os três amigos embaralham alguns paradigmas da trama amorosa e confirmam outros, questionando padrões de sexualidade e duvidando da certeza dos próprios sentimentos. O roteiro do longa-metragem Música para morrer de amor, adaptado do texto teatral e lançado em 2020, vem publicado na íntegra e acrescido de mais de uma centena de notas do autor-diretor. Nelas, Rafael Gomes detalha o processo de adaptação entre as duas linguagens e as especificidades de cada formato, além de curiosidades de bastidores.

Resenha

Dia desses a Nati, minha amiga, me entregou um livro e disse “acho que está na hora de você ler isso”. O livro em questão era Música para morrer de amor.

“Mas é preciso acabar, e isso é bonito”

Eu sabia que encontraria alguma coisa dela ali. Mas encontrar alguma coisa dela significava encontrar algo de mim também. E foi o que aconteceu.

“Medimos a velocidade de um carro em quilômetros por hora, e a área construída de um imóvel em metros quadrados. Para mensurar o espanto que me causou essa primeira leitura, proponho a adoção de uma nova medida: epifania por parágrafo”

Este livro contém muitas coisas dentro de si, para além das tantas mensagens que me tocaram de alguma forma. Começo, então, falando sobre a estrutura, para só então passar para a história em si.

“Eu não sei o que você tá pensando, mas provavelmente é útil você descobrir que ser amado também é dolorido”

A obra começa com o prefácio A parte que me toca, escrito por Vinicius Calderoni, de onde extraí a passagem usada um pouco mais acima.

Em seguida, mergulhamos no ensaio ficcional Uma década de playlists, escrito por Rafael Gomes. 

“Quantas coisas em uma história de amor são playlists, para além das seleções musicais?”

A essa altura, é difícil já não estar morrendo de amores pelo livro e querer mais e mais. 

“Eu sou esse cara que se apaixona por um monte de gente o tempo todo, mas eu juro que são coisas diferentes, de jeitos específicos”

Finalmente, chegamos a Música para cortar os pulsos, roteiro revisado da peça homônima, escrita por Rafael Gomes e encenada no teatro do Sesc Pinheiros, em 2010.

“O amor nunca é só amor. O amor é um monte de outros sentimentos misturados”

Como eu queria ter assistido a essa peça, mas em 2010 eu sequer sabia da existência dela (e talvez não pudesse compreender nem metade de tudo o que ela tem a transmitir).

“Ri das cicatrizes quem nunca foi ferido”

Aqui conhecemos Ricardo, Isabela e Felipe. Três jovens tão únicos e tão iguais a tantos outros. Cheios de amores, dúvidas e medos.

“Difícil isso de dar nome para os sentimentos, apreender o sentido das coisas”

Isabela está tentando superar o final de um relacionamento. Aquele que parecia tão certo e tão especial.

“Eu tenho um coração partido e eu nunca mais vou amar ninguém”

Ricardo está lidando com os sentimentos que carrega dentro de si, os amores que transbordam e a vontade de abraçar o mundo. 

“De mentira eu me apaixono o tempo todo”

E Felipe, coitado, está no meio do caminho. Querendo se apaixonar perdidamente, ele percebe que precisa, em primeiro lugar, entender o que realmente deseja e também se conhecer melhor.

“Quando eu digo ‘amor’ e você diz ‘amor’, quem disse que a gente tá falando da mesma coisa?” 

Uma história incrível, que certamente tocou muitos corações. Tanto é que ganhou uma adaptação para as telonas. Ou quase isso.

“A única coisa que eu penso é que talvez eu vá explodir. E tudo por causa de um coração que um dia vai parar mesmo, de qualquer jeito”

Depois do roteiro da peça, neste livro, nos deparamos com Música para morrer de amor, também de Rafael Gomes. Este é o roteiro do longa-metragem, comentado pelo autor (o que torna a leitura ainda mais agradável e interessante). 

“Todo mundo é imaturo, amor. Só que todo mundo finge que não”

Por mais que algumas falas e cenas sejam semelhantes, como o próprio autor explica, passar a história para as telas levou a modificações necessárias. E é possível notar isso ao longo da leitura.

“Na raiz do amor já está a destruição: a gente começa e já começa a terminar”

Mas Música para morrer de amor não chegou efetivamente às telonas. Ele foi parar somente nos serviços de streaming, porque foi lançado durante a pandemia, em 2020.

“E amor assim, tão espontâneo e tão imprevisto e que vive ganhando tão pouco em troca, deve ser no fim das contas pelo menos um sentimento bom”

O livro termina, ainda, com a seção Caixas, cadernos e HDs, que reúne registros fotográficos e visuais de tudo o que pudemos acompanhar ao longo do livro. 

“E o sorriso é uma porta de entrada confiável pro pensamento”

A diagramação de toda a obra é ótima: tem cores, desenhos e o papel utilizado é extremamente confortável de ler e manusear.

Além disso, essa é uma daquelas obras que tranquilamente podemos ler enquanto escutamos uma boa música e, se a mágica der certo, tudo irá se completar e conversar.

Se você se interessou por este livro, saiba mais sobre ele clicando abaixo. E se quiser conhecer mais o trabalho do Rafael Gomes, siga-o em suas redes sociais (Instagram).

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