Citações #87 — Quero andar de mãos dadas

Quero andar de mãos dadas, como comentei na resenha, foi uma obra que comecei a ler sem esperar muita coisa e que me surpreendeu bastante. 

“Algumas coisas chamam nossa atenção e nos fazem ficar presos a elas de uma maneira quase hipnótica”

A obra, escrita por Victor Lopes, aborda diversos assuntos delicados, mas necessários, como as mentiras que contamos, muitas vezes numa tentativa de nos proteger ou sobreviver.

“As mentiras da minha vida ficavam cada vez maiores e nada de bom surgia delas. Nada de bom. Só surgia dor”

“Mais uma mentira contada. Agora era só esperar pela próxima”

No caso desta história, essas mentiras são a forma que os protagonistas encontram para se defender num mundo que, mesmo se dizendo tão evoluído, ainda é tão retrógrado.

“Deveria ter colocado um ponto final, pois sei melhor do que ninguém que não vai dar certo, que não posso gostar dele e deixar acontecer o que quer que seja que poderia acontecer”

“— A verdade é que nós sempre precisamos fazer as coisas mais comuns meio escondidos, isso se não quisermos que nos xinguem, ou nos batam ou tentem nos matar. Desculpa, não queria te assustar.

— De boa. Eu sei como é. 2014 e as pessoas ainda não aceitam”

“Meus sonhos de encontrar alguém por quem eu me apaixonasse trouxeram com eles o pesadelo da realidade”

“As pessoas me olhavam e eu tinha certeza de que elas viam em meus olhos o que acontecera, conseguiam ver minhas mentiras e me julgavam por ser gay. É isso o que as pessoas fazem, não importa quem sejam. Nada importa para elas se você não for igual a elas”

E, como não poderia deixar de ser, o medo se faz bem presente.

“Talvez esse seja o motivo pelo qual não nos falamos normalmente ontem, porque estamos com medo de nossos sentimentos”

“Resolvi enfrentar esse medo, mesmo sabendo que não podia haver muitas consequências positivas”

Medo esse que faz um dos protagonistas não conseguir agir como gostaria. O impede de ser quem realmente é.

“Eu não posso ser outra pessoa, ainda que queira”

“Essa minha cara é a cara de alguém que não pode ser quem é e não pode viver o que quer por medo do que vocês vão fazer e pensar e do que vai acontecer com nossa família”

“Cada coisa que eu deixava de fazer para poder manter meu segredo, era uma tonelada a mais colocada sobre meus ombros”

“— Eu estragaria tudo para eles.

— Você prefere estragar tudo para você?

— É só o que posso fazer agora”

“Eu não posso fazer o que quero fazer e preciso aceitar isso”

“Eu fiz um pedido. Pedi que tudo mudasse. Pedi que eu pudesse viver”

Uma hora, porém, quando guardamos demais dentro de nós, as coisas acabam extravasando.

“E certo dia foi exatamente o que aconteceu. Eu explodi”

À espreita, nesta história, há muito mais. A morte, principalmente, está sempre rondando, de mãos dadas com muita angústia e ansiedade.

“Um dia eu chegaria da escola e ela não estaria mais lá. Eu só torcia para que esse dia não fosse hoje”

“Eu não via como era possível existir desse jeito com coisas tão boas acontecendo e sendo substituídas, transformadas quase num passe de mágica, em sentimentos desesperadores”

“Depois de um fim, algo começa”

“E eu fiz. Às três e meia da manhã, eu fiz a dor por dentro parar. A dor por fora era muito mais libertadora. No meio do quarto escuro tudo ficou vermelho e eu vi todas as luzes se apagarem antes mesmo de conseguir pedir ajuda”

Porém nem só de dor e tristeza vivem as páginas desta obra. Há também muito amor companheirismo.

“Meu mundo estava em meus braços e eu não queria largar”

“Por fim, acho que fiz a coisa certa, por mais doloroso que possa ser para ele, eu precisava tocar no assunto, mostrar que estaria ao lado dele e que existem coisas mais importantes do que o que a família pensa sobre ele. Mas será que eu disse tudo isso?”

Se você se interessou por esses trechos, leia a resenha completa clicando abaixo e garanta seu exemplar.

Citações #86 — No meu lugar

No meu lugar foi uma leitura forte que realizei este ano. 

Escrito por Jorge Castro, o livro aborda temas importantes e assuntos pesados. Talvez por isso a lembrança seja algo difícil ao longo da história.

“Lembrar é doloroso. Desperta outros medos”

Assim como o medo é uma presença constante. 

“Tudo pode acontecer. E pode ser bem ruim”

Mas onde há medo, também há coragem

“É corajoso deixar o mundo saber que você existe”

Aliás, há personagens corajosos também, e cheios de personalidade.

“Carol não puxou em nada as características do irmão. Aventureira nata, desde pequena. Nunca gostou de ser limitada”

Mas, sem dúvidas, a principal lição da obra é a necessidade de sermos quem somos, independentemente do que os outros dizem (ou pensam). 

“A gente só consegue ser feliz quando para de se preocupar com a forma como os outros veem nossa casa, e passa a focar no que realmente importa: se sentir bem dentro dela”

Se quiser saber mais sobre No meu lugar, não deixe de ler a resenha completa clicando abaixo

Citações #85 — Orgulho de ser

Sem dúvidas muitas passagens interessantes ficaram de fora da resenha da antologia Orgulho de ser, publicada pela Se Liga Editorial e resenhada aqui.

Hoje, portanto, trago estes trechos, para que você possa conhecer um pouco mais desta obra tão encantadora

Como o título já deve deixar claro, trata-se de uma antologia LGBTQIA+, que vai nos fazer refletir sobre como nosso amor vai muito além de uma mera nomenclatura

“Ainda assim, Mateus está confuso consigo mesmo. Não se reconhece bissexual nem gay… A sensação é que nenhuma nomenclatura o representa de verdade e isso o apavora, embora não saiba explicar o motivo”

(Multicolor — Thati Machado)

Aliás, a temática do amor, claro, se faz muito presente ao longo das páginas desta obra.

“Amar é sobre ser inteiro, é sobre dois uns que se unem pra somar, não se anular”

(Três versões de mim — Leonardo Antam)

Mas o livro vai muito além. Fala sobre perdas.

“Agnes odiava perdas. Havia perdido tanto na vida…”

(Multicolor — Thati Machado)

“A hora de nos formarmos oficialmente chegou e isso significa que talvez sigamos caminhos diferentes”

(Monocromático — Rafael Ribeiro)

E medos.

“Então… parece que o Dani tá surtando e não quer mais casar.”

(Três versões de mim — Leonardo Antam)

Também fala sobre primeiras impressões e expectativas.

“Primeiras impressões podem dar uma rasteira na gente”

(Monocromático — Rafael Ribeiro)

“O ensino médio começou sem mudanças significativas. Como a cidade é pequena, não tem muita gente nova pra conhecer, então tudo estava igual. As mesmas pessoas, a mesma escola, até alguns professores continuavam lecionando. As expectativas estavam lá embaixo”

(Monocromático — Rafael Ribeiro)

“Isso não vai complicar as coisas? Por que é tão difícil achar alguém legal? O problema sou eu?”

(Três versões de mim — Leonardo Antam)

O primeiro conto trata muito da questão do lar e como este pode ser um tema bem delicado para a comunidade LGBTQIA+.

“— O meu lar é onde você está”

(Multicolor — Thati Machado)

E ainda encontramos histórias que falam sobre os rituais que conhecemos tão bem, mas que ganham novos formatos.

“É o dia de dizer “sim”. Das trocas de juras pretensamente eternas, de trocar as alianças. Seguir o protocolo e fazer tudo que os noivos fazem até o fim”

(Três versões de mim — Leonardo Antam)

Acima de tudo, esta é uma obra que fala sobre humanidade.

“Se ninguém ligava para ela enquanto pessoa, os trataria como máquinas”

(A garota no bar — Delson Neto)

Mas sem deixar de conter histórias de diferentes gêneros, inclusive ficção científica.

“Se um dia fossem pegos a cadeia seria um destino básico, pois as consequências de um cybercrime já eram bem piores naquela altura”

(A garota no bar — Delson Neto)

Se interessou? Então leia a resenha completa para saber mais e garantir seu exemplar!

Citações #84 — Som do fim do mundo

É muito bom quando, mesmo por meio de histórias curtas, um autor consegue escrever tanta coisa interessante que dá vontade de colocar diversos trechos na resenha, coisa que, no final das contas, torna-se inviável.

É por isso que hoje trago este post, com trechos de Som do fim do mundo, do Maicon Moura.

Um ponto que ressaltei na resenha, foi que, em algumas histórias, o autor consegue transmitir muito bem o comportamento e as emoções de um adolescente.

“Eu devia estar com uns dezesseis anos talvez. Aquela idade em que a gente começa a se sentir dono do mundo e a pensar que sabemos de tudo”

(As estrelas do lago)

“É interessante pensar que antes de ser um adolescente a gente não sabe de nada e, por conta de uma mudança no número que conta o tanto de tempo que nós vivemos, passamos a acreditar que sabemos muito mais do que sabíamos antes”

(As estrelas do lago)

Outras histórias possuem um ritmo único, que combinam com sua temática.

“E foi isso mesmo. Outra noite. Outra festa. Lá estava ela: outro vestido, outro penteado e dançando outra música”

(Minha alma entre batidas)

E, assim, o autor vai construindo narrativas diversas, que tratam de temas como o amor.

“Isso não era amor. Nem paixão. Era vício. Talvez abstinência”

(Minha alma entre batidas)

“Um único beijo entre batidas secas seria o suficiente para ela entender que estava livre para levar de mim aquilo que eu nem sabia que existia”

(Minha alma entre batidas)

O medo, principalmente do vazio e da solidão.

“Rosnan, com um aperto no peito, chegou em sua cabana vazio e cheio ao mesmo tempo. Ele sentia como se o mundo vazasse pelos seus dedos”

(Tupavntis: o limite do poder é o estômago)

“No fim, a solidão veio para mim”

(Oi, meu bebê)

“Nunca tive medo do escuro. Mas sempre tive medo de ficar sozinha. Sei que não estou”

(Oi, meu bebê)

E a necessidade de olharmos o quadro todo, não apenas uma pequena parte dele.

“Mas esse não era o problema, e eu não estava olhando para a situação esperando ver o problema”

(Minha alma entre batidas)

Se você se interessou por essa obra, clique abaixo e saiba mais sobre ela.

Citações #83 — Enemies with benefits

A leitura de Enemies with benefits, da Roxie Noir, foi longa, como comentei em minha resenha, mas foram várias as passagens que chamaram a minha atenção e que acabaram ficando de fora do post anterior.

A começar, claro, pelo fato da história abordar de diferentes formas os relacionamentos humanos, principalmente amorosos (mas não só).

“Quando feito corretamente, até parece que ter alguém é uma coisa boa”

“When done properly, it seems like having one is nice”

“Casar parece bom, mas também parece que é somente para os outros”

“Marriage seems nice, but it also seems like it’s for other people”

“Eu havia esquecido o quanto eu sentia falta dos meus irmãos por estar longe”

“I’d forgotten how much I missed my brothers by being away”

“Eu não tirei da cabeça o nosso beijo atrás da cervejaria. Eu nunca tiraria”

“I haven’t gotten our kiss behind the brewery out of my mind yet. I might never”

“Quem se importa com como chamamos isso?”

“Who cares what we call it?”

“Isso machuca e eu tenho de fazer algo para tentar e consertar isso, não importa o quê”

“It hurts and I have to do something to try and fix it, no matter what”

“Ela nunca parou de me surpreender. Não acho que em algum momento ela irá parar”

“She hasn’t stopped surprising me. I don’t think she ever will”

A protagonista tem alguns pensamentos e comportamentos com os quais concordo bastante.

“Eu não gosto que as pessoas paguem por mim. Eu não gosto de sentir que estou devendo algo para alguém”

“I don’t like being paid for. I don’t like feeling as if I owe someone something”

Ao mesmo tempo, ela é bem cabeça dura e quer ser sempre a dona da razão.

“Ela está correta sobre os detalhes, mesmo que eu ache que ela está errada sobre o todo”

“She’s right about the details even if I think she’s wrong about the big picture”

O protagonista, por sua vez, é um cara cheio de experiências e viagens, mas que decidiu voltar para sua cidadezinha natal.

“Eu não sabia disso naquele tempo. Eu não voltei por ela, mas ela me deixa feliz por ter voltado”

“I didn’t know it then. I didn’t come back for her, but she makes me glad I came”

“Todos os lugares têm os mesmo problemas depois de um tempo”

“Everywhere has the same problems after a while.”

E é claro que esses dois seres tão opostos, também teriam tanto em comum, ainda que na infância fossem basicamente inimigos.

“Egos de crianças de seis anos de idade podem ser delicados”

“Six-year-old egos can be delicate”

Para além disso tudo, uma passagem que me conquistou muito foi, como muitas vezes acaba sendo, a que fala sobre o poder da palavra.

“Palavras têm poder. Etiquetas têm poder e exatamente agora, tudo está nas minhas mãos. Eu posso nomear o que eu quero e criar a realidade”

“Words have power. Labels have power, and right now, it all lies with me. I can name what I want and form reality”

Se você quiser saber mais sobre essa história, não deixe de ler a resenha completa clicando abaixo.

Citações #82 — Clones de verão

Difícil saber como será o nosso futuro, quando tantas mudanças nos cercam em um intervalo de tempo tão curto.

“Quando simplesmente nada acontece, ninguém sabe exatamente o que fazer…”

Mas poder brincar com as possibilidades que essas incertezas nos trazem é algo que pode render boas histórias, como as que compõem a antologia Clones de Verão, do Pedro Henrique, que soube explorar isso de diferentes maneiras.

Das histórias mais possíveis às mais impossíveis, o autor nos faz ir e voltar no tempo com uma facilidade incrível, ao mesmo tempo que nos faz rir e nos  coloca para pensar em assuntos que nos são tão cotidianos, mas sob uma nova perspectiva.

“E aqui estamos nós, vivendo num trabalho de quinto ano”

Por isso, eu não poderia deixar de trazer esses quotes que ficaram de fora da resenha e, assim, compartilhar um pouco mais dessa obra.

“Em comparação com o restante do universo agora conhecido, nada é realmente ‘grande’”

Para fechar, deixo duas das melhores passagens do livro, que dialogam de maneira intensa com a nossa realidade e que são como dois socos no estômago.

“A felicidade é complicada, porque não pode ser medida em níveis ou formas”

“Como eu disse, o ambiente de trabalho põe à prova o limite da civilidade e ética”

E aí, acha que este livro pode te interessar? Então dá uma lida na resenha completa e já garanta o seu exemplar!

Citações #81 — Better than revenge

Hoje é dia de compartilhar mais alguns trechos de Better than revenge, de uma autora que quem me acompanha aqui sabe que eu amo: Tayana Alvez.

Esta obra (e todas as da autora) é daquelas que nos prendem do início ao fim, com um delicioso haters to lovers.

“Você enganou quem estava acostumado a enganar todo mundo”

Claro que, sendo esse um dos principais tropes, o amor se faz presente ao longo da narrativa de diversas maneiras. A começar pela vontade de não amar determinada pessoa (afinal, a história começa com protagonistas que são inimigos).

“Eu achava que já tinha superado. Gostaria de já ter superado”

“Existe um milhão de coisas sobre mim que ninguém mais sabe, mas a única que vem à mente é a que não consigo pronunciar”

O que nos leva, também, a pensar sobre a complexidade das relações humanas.

“Amenizar a dor do outro é um combustível muito bom para alimentar a alma dos que sofrem”

“É impossível saber o momento exato que nos apaixonamos por alguém”

“E Alyson estava certa, quando você ama alguém, a pior coisa do mundo é se esconder e se esgueirar”

E sobre como quando amamos de verdade, amamos nos bons e nos maus momentos.

“Porque quando se ama alguém, não dá para escolher ficar só com as partes boas, se agarrar apenas às coisas bonitas ou só lembrar dos acertos”

A história também fala muito sobre erros e culpa, porque há uma questão importantíssima relacionada a isso ao longo do trama.

“É muito mais fácil abstrair a culpa do que lidar com ela”

“— As pessoas erram, criança. Mas isso não é quem elas são. E nós também erramos, então não somos melhores do que elas”

E como os protagonistas são colegas de trabalho, Better than revenge não poderia deixar de falar sobre carreira.

“Em algum ponto da vida normalizamos viver pelo trabalho. Como se ele fosse tudo o que importa e resumisse o que somos”

Agora que você conheceu um pouco mais dessa história, que tal conferir a resenha, se apaixonar de vez e garantir o seu exemplar?

Citações #80 — Querido ex,

Querido ex foi um livro que começou muito próximo do que eu imaginava que seria essa história, mas que foi se transformando e cujo final — tristíssimo, aliás — me surpreendeu bastante.

Muitos trechos dessa obra ficaram de fora da resenha. Trechos esses que trazem, por exemplo, muito da dor do rompimento de um relacionamento.

“Por hora, tudo que eu sou capaz de fazer é dizer que eu ainda me importo. Eu ainda estou aqui”

“Lágrimas por saber que a pessoa com quem eu compartilhei minha vida, minha família, meus amigos e meu corpo é hoje um estranho”

“Não tenho capital emocional para arcar com os custos de um outro relacionamento. Não agora”

“Engraçado as coisas as quais nos apegamos em momentos de desespero”

“Eu me neguei a entender e perceber que as coisas mudam. As coisas se quebram e jamais voltam a ser como eram antes”

“Você se foi munido de tantas certezas, e eu fiquei para trás com nada além de lágrimas e dúvidas”

Alguns desses trechos também nos mostram que pontos finais são necessários, porque nem tudo que parece bom, realmente o é.

“Parece até que você esqueceu que desgraçou a minha cabeça e pode continuar livre e leve sua jornada pela rua de tijolos amarelos”

“É incrível a nossa capacidade de nos adaptar a tudo, inclusive ao que nos faz mal, não é?”

“Aos poucos eu fui virando sua sombra”

“Estávamos nos afastando. Nem sequer havíamos comemorado nosso ano de namoro na semana anterior”

“Como eu ia saber o que você esperava de mim se a gente mal conversava?”

“O trágico não é um presságio do belo”

“Enquanto estávamos vivendo o que era o presente, eu não percebi o que viria a ser o futuro”

Mas a história também ressalta os bons momentos. Aqueles que não nos deixam enxergar a dura realidade do que está acontecendo bem debaixo dos nossos olhos.

“Meus dias eram resumidos em ansiar pelo verão que sua presença trazia para dentro de mim”

“Naqueles microssegundos eu me senti em casa. Eu me senti feliz”

“A vida sempre guarda surpresas. Mais do que ninguém você é ciente disso. E o incrível é que são justamente essas que tornam tudo inusitadamente divertido”

O livro é composto por cartas escritas pelo narrador para, claro, seu ex. E cartas, como podemos imaginar, são algo muito pessoal. Uma forma de colocarmos para fora tantos sentimentos, tantas palavras que, até então, estavam se acumulando dentro de nós. 

“Aparentemente começar a escrever cartas é também um caminho sem retorno”

Para além delas, ao longo da narrativa, o personagem também encontra outras formas de contar (e expor) a sua história.

“Há algo de muito poderoso em contar a nossa história para todo mundo, em dizer e reconhecer que o que aconteceu com a gente é digno de ser lido, visto ou ouvido por milhares de pessoas”

Querido ex é uma história sobre transformação e sobre deixar o tempo passar para entender o que aconteceu e, assim, seguir em frente.

“E é com dor no peito que eu te digo que hoje entendo que essa busca pela beleza era uma busca por deixar de ser tão preto”

“Eu entendo como, sem aviso prévio, as coisas podem se transformar”

“Não há nada mais pessoal do que o tempo”

Uma história que merece ser lida. E se você quiser saber mais sobre ela, não deixe de ler a resenha completa.

Citações #79 — Storia di chi fugge e di chi resta

A cada volume da tetralogia napolitana que eu leio (e, infelizmente, agora já estou no último) o encantamento por essa história só aumenta. 

Do penúltimo livro — sempre com o lembrete de que este post pode conter spoilers — muitos trechos interessantes ficaram de fora da resenha. Compartilho aqui o que ficou para trás, com tradução minha e os originais ao final do post.

Em Storia di chi fugge e di chi resta, assim como nos demais volumes desta tetralogia, a autora consegue imprimir em sua escrita uma interessante visão da vida e do mundo que retrata, nos fazendo refletir, por exemplo, sobre a dureza do viver e do tornar-se.

“A vida é uma coisa muito dura, Lenù”

“Tornar-se. Era um verbo que sempre me deixara obcecada, mas que só me dei conta pela primeira vez naquela ocasião. Eu queria me tornar, mesmo que soubesse o quê” 

“Eu precisava aprender a me contentar comigo mesma”

“O padre não era uma garantia, nada era uma garantia no feio mundo em que vivíamos”

“Fui muito miserável, muito massacrada pela obrigação de me destacar nos estudos”

Alguns trechos também nos fazem refletir sobre o adoecimento das pessoas, da sociedade, do mundo em que vivemos e, claro, sobre relações igualmente doentias.

“E hoje eu penso assim: não é o bairro que está doente, não é Napoli, é o globo terrestre, é o universo ou os universos”

“Casa comigo para ter uma criada de confiança, todos os homens se casa para isso”

“É uma tristeza a solidão feminina, eu me dizia, é um desperdício esse rompimento uma com a outra, sem protocolos, sem tradição” 

“Você, quanto mais se sente verdadeira e está bem, mais se distancia. Eu, só de cruzar o túnel da avenida, já me amedronto”.

“A nova carne vive repetia a velha por jogo, éramos uma cadeia de sombras que entrava em cena com a mesma carga de amor, de ódio, de vontades e de violência”

“Nunca mais, nunca mais moveria um dedo por ninguém. Parti, fui me casar”

Aliás, como eu sempre acabo destacando, as relações humanas são extremamente centrais nesta narrativa e neste volume não seria diferente. Os relacionamentos, as amizades e a família ganham ainda mais destaque ao longo das páginas.

“Um homem, exceto pelos loucos momentos em que você o ama e ele te penetra, fica sempre fora”

“Nos tornamos, uma para a outra, fragmentos de voz, sem nenhuma confirmação do olhar”

“Eleonora teria entendido que com o amor não se pode fazer nada, que é insensato dizer a uma pessoa que quer ir embora: não, você tem que ficar”

“Pietro, em suma, não era capaz de me passar confiança, me olhava sem me ver”

“Nós duas precisávamos de uma nova dimensão, de corpo e, no entanto, tínhamos nos distanciado e não conseguíamos mais nos entregar”

Por fim, um tópico que gostaria de ressaltar é o da metalinguagem: a escritora que fala sobre escrita e sobre esse universo, numa ótica, mais uma vez, bem interessante.

“Disse que a face repugnante das coisas não era suficiente para escrever um romance: sem fantasia não parecia uma coisa verdadeira, mas uma máscara”

E aí, gostou desses trechos? Se quiser conferir os originais, basta ler este post até o final. E se quiser saber mais sobre o livro como um todo, vem ler a minha resenha:

Trechos originais (na ordem em que aparecem neste post)

“La vita è una cosa molto brutta, Lenù”

“Diventare. Era un verbo che mi aveva sempre ossessionata, ma me ne accorsi per la prima volta solo in quella circostanza. Io volevo diventare, anche se non avevo mai saputo cosa”

“Dovevo imparare ad accontentarmi di me”

“Il prete non era una garanzia, niente era una garanzia nel brutto mondo in cui vivevamo”

“Ero stata troppo miserabile, troppo schiacciata dall’obbligo di eccellere nello studio”

“E oggi la vedo così: non è il rione a essere malato, non è Napoli, è il globo terrestre, è l’universo, o gli universi”

“Mi sposa per avere una serva fidata, tutti gli uomini si sposano per questo”

“È un dispiacere la solitudine femminile delle teste, mi dicevo, è uno sciupo questo tagliarsi via l’una dell’altra, senza protocolli, senza tradizione”

“Tu tanto più ti senti vera e stai bene, quanto più ti allontani. Io, se solo passo il tunnel dello stradone, mi spavento”

“La nuova carne viva ripeteva la vecchia per gioco, eravamo una catena di ombre che andava da sempre in scena con la stessa carica di amore, di odio, di voglie e di violenza”

“Mai più, mai più avrei mosso un dito per nessuno. Partii, andai a sposarmi”

“Un maschio, a parte i momenti pazzi in cui lo ami e ti entra dentro, resta sempre fuori”

“Diventammo l’una per l’altra frammenti di voce, senza nessuna verifica dello sguardo”

“Eleonora avrebbe capito che con l’amore non c’è niente da fare, che è insensato dire a una persona che vuole andare via: no, devi restare”

“Pietro insomma non era capace di darmi fiducia, mi guardava senza vedermi”

“Avevamo entrambe bisogno di nuovo spessore, di corpo, e tuttavia c’eravamo allontanate e non riuscivamo più a darcelo”

“Disse che la faccia schifosa delle cose non bastava a scrivere un romanzo: senza fantasia non pareva una faccia vera, ma una maschera”

“Disse che la faccia schifosa delle cose non bastava a scrivere un romanzo: senza fantasia non pareva una faccia vera, ma una maschera”

Citações #78 — Resilientes

Ano passado li diversas obras com protagonismo LGBTQIA+ e, dentre elas, estava a antologia Resilientes, organizada pela Se Liga Editorial e publicada em 2019.

Ao longo da resenha, comentei que a pluralidade se faz presente nesta obra não apenas nos personagens, mas também nos gêneros e temáticas que ela traz.

A começar, claro, pelos relacionamentos humanos. As histórias falam muito de amor — e seus lados bons e ruins —, mas não só.

“Afíba não distinguia suor de lágrima. Em pé no ônibus, se entortava para apoiar a cabeça no ombro de Tom, que, ignorando a sauna humana que era o amigo, se deixava abraçar, repetindo a frase que vinha recitando durante o percurso até a rodoviária no centro do Rio de Janeiro: — Migo, vai ficar tudo bem. Ele não te merecia”

(A sétima onda — Juan Julian)

“Vidas que se tocam em algum momento, cujas órbitas se afastam naturalmente”

(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)

“Te amar foi vermelho – um ardente vermelho”

(Colorido — Luke Marcel)

“Aprendi que o amor não precisa machucar para ser recíproco, que não precisa queimar para ser bom e nem sangrar para ser verdadeiro”

(Colorido — Luke Marcel) 

“Mas, sinceramente, acho que só comecei a entender de coração partido quando descobri que a frase ‘eu te amo’ pode ser uma arma usada somente para conseguir algo de alguém”

(Essência — Marta Vasconcelos)

“É engraçado como a linha entre amor e ódio é tênue”

(Doce vingança — Marcela Cardoso)

A dor — em suas diversas formas e intensidades — também marca uma notável presença ao longo das páginas.

“Havia muito, Ana observava o mundo com olhos gelados. Não se importava com ninguém, só vagava solitária, tendo a dor como única companheira”

(Setembro — Maria Freitas)

“Por que tanta dificuldade em entender o outro? Se alguém diz que está sofrendo, dê a mão, faça um café, ofereça ajuda”

(Setembro — Maria Freitas)

“A dor muda criaturas diferentes de formas diferentes, ela dizia quando eu a questionava”

(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)

“Será que existe um lugar para onde vão as palavras não ditas, ou elas ficam eternamente machucando e se remoendo dentro de nós?”

(Notas de liberdade — Jean Carlos Machado)

Alguns trechos já apontam outro assunto que não poderia faltar nesta antologia: a solidão.

“Também… Mas o que me mata é a solidão. É falar e ninguém ouvir”

(Setembro — Maria Freitas)

“O pôr do sol que vi sem a sua companhia mostrou-me o quanto uma cor quente pode ser fria e solitária”

(Colorido — Luke Marcel)

E alguns contos fazem um importante questionamento sobre quem realmente está ao nosso lado.

“Você alguma vez já parou para se perguntar se esses seus amigos vão estar ao seu lado no momento mais difícil da sua vida?”

(Destino irônico — Felipe Ricardo)

“Se minha família não me apoia, como esperar que os outros o façam?”

(Notas de liberdade — Jean Carlos Machado)

Lembrando, também, que não podemos viver pelos outros (e deixar de viver).

“Depois que você morre, não dá mais para viver”

(Setembro — Maria Freitas)

“Enxerguei através dos seus olhos tudo o que eu não era e tudo aquilo que nunca poderia ser. E acho que isso me atraiu”

(Colorido — Luke Marcel)

“Mandou eu me cuidar, porque não faria isso por mim”

(Colorido — Luke Marcel)

“A única coisa que eu sei é que você nunca vai se perdoar se não escolher a sua felicidade”

(Instituto Santa Bárbara — Thalyta Vasconcelos)

“Não gosto de causar transtorno às pessoas, nem de magoá-las, decepcioná-las, mas não está dando para fugir disso nos últimos meses”

(Matéria de capa — Dane Diaz)

“Feio é você deixar de ser feliz, com medo do que os outros vão pensar”

(Destino irônico — Felipe Ricardo)

“Você não pode viver sua vida tentando enganar a eles e a si mesmo. Não é justo com eles e não é justo com você”

(Certezas — Rafaela Haygett)

O conto Colorido foi um dos que mais chamou minha atenção, por usar as cores para falar dos sentimentos.

“De todas as cores que conheço, a rosa foi a que mais me aterrorizou”

(Colorido — Luke Marcel)

“O meu desejo foi vermelho em todos aqueles dias que passei sentindo a sua falta”

(Colorido — Luke Marcel)

“Amarelo foi a luz que enxerguei no dia em que resolvi me assumir, finalmente deixando aquele armário escuro e assombrado”

(Colorido — Luke Marcel)

Mas esta não foi a única história na qual a arte se fez presente.

“Tudo ao seu redor era construído, nada era real, nada era palpável”

(Pintura na parede — Luciana Cafasso)

“Tem a sensação de poder conhecer o mundo por trás de cada pincelada, por trás de cada escultura”

(A palavra de ordem: resistir — Tauã Lima Verdan Rangel)

Em suma, Resilientes é uma antologia que fala sobre sentimentos, caos, dores, amores, lembranças, momentos, preocupações…

“Tem um monte de coisas que você não sabia. A culpa é minha por não ter conseguido te contar”

(Debaixo da chuva — T. S. Rodriguez)

“Tudo nela era caos e tudo em mim foi atraído para o seu redemoinho”

(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)

“Tudo o que me restou foram os momentos ruins”

(Colorido — Luke Marcel)

“Não sei se o destino existe, mas, se sim, ele é muito irônico”

(Girassóis — Beatriz Avanci)

“Sabe quando você alimenta um sonho, mas, quando ele se realiza, parece que alguma coisa está fora do lugar?”

(Doce vingança — Marcela Cardoso)

“Realmente odiava como podia me preocupar com as mínimas coisas por nada”

(Certezas — Rafaela Haygett)

“O jovem sente um cansaço de tudo, está enfadado da mesmice dos dias, da vida, dos amigos, dos projetos… Enfim, da existência humana”

(A palavra de ordem: resistir — Tauã Lima Verdan Rangel)

Se você se interessou por esses contos, clique abaixo para saber mais.