Despretensiosamente, As luzes em mim, de Roberto Azevedo, foi me conquistando ao longo da leitura. Foram muitos fatores que contribuíram para isso e hoje trarei alguns aqui, para além daquilo já mencionado na resenha.
Uma das coisas que mais gostei, por exemplo, foi a presença das cores na narrativa.
“Utilizar as cores que não pode mais ver para se curar”
“Qual seria a cor do fim?”
E a presença delas é ainda mais interessante quando pensamos que o protagonista perdeu a visão quando era apenas uma criança.
“As luzes dentro de Marcos já não são as mesmas”
E claro que esse acontecimento molda sua vida, mexendo com seus sentimentos e seu crescimento, impondo muita solidão ao protagonista, algumas dores, mas também alegrias e descobertas.
“Nunca na vida, Marcos se sentiu tão só”
“Os sentimentos puros e recíprocos, quando existem, simplesmente transparecem”
“A felicidade, às vezes, constrói falsos escudos, onde o mundo parece perfeito”
“A dor é mais persistente do que qualquer tentativa de ser forte”
“Só quer que esse sentimento dure para sempre, livre de rótulos. Só deseja amar e seguir amando”
A narrativa também fala muito sobre preconceito e sobre como enxergamos aquilo que é diferente.
“Os jovens, às vezes, inventam desculpas estranhas para as coisas que não conseguem entender…”
“Não quer mais ser atingido pelo mundo que o julga”
Para além das cores, a música é outra arte que se faz presente nesta história, tendo um importante papel.
“Assim como Marcos, que desde muito pequeno amava desenhar, Maurício amava a música e achava aquele instrumento o mais lindo de todos”
“A música os envolve, criando um mundo único e especial, onde nada importa ou é proibido”
Se você se interessou por As luzes em mim, leia a resenha completa clicando no post abaixo.
Claro que ao longo da leitura de mais uma obra da Tayana Alvez — O caminho que me leva até você, lançado este ano — eu não poderia deixar de destacar inúmeras passagens lindíssimas ou que me fizeram refletir de alguma forma.
Como não foi possível utilizar todos esses trechos ao longo da resenha, aqui vai um pouquinho mais desta história tão especial.
Uma narrativa que nos prende desde o início porque sabemos que há muita coisa no passado dos personagens que queremos descobrir.
“Não queria falar de Daniel para Miyeko. Não queria falar dele para ninguém”
“Lembrar da sensação de ser deixada numa estante pela pessoa que você mais ama na vida é doloroso, e eu engulo em seco”
Um passado coroado por uma linda história de amor…
“Eu e Caroline éramos uma coisa só. Nunca aprendemos a ser metade de algo”
“Estávamos no topo da cidade, mas qualquer lugar ao lado dela era como o topo do mundo”
“Mas é impossível estar perto de Carol Pimenta e não pensar em tudo o que eu gostaria de viver com ela”
Mas também por muita dor.
“Ouvi-la dizendo que me amava, mas não queria mais estar comigo, me destruiu para todas as outras mulheres do mundo e me entregou para a Fórmula 1”
“Só que você não volta para os braços da pessoa que te prometeu um futuro, mas não conseguia nem te oferecer o presente, não é?”
Inclusive, a obra fala muito sobre estar “quebrado” e o quanto isso interfere em nossas relações (principalmente românticas).
“Talvez o amor não compactue com pessoas quebradas tendo seus pedaços ainda mais partidos por quem diz amá-las, afinal”
“— Eu não quero me oferecer a você toda destruída”
A história também fala sobre mudanças (internas e externas).
“Existe um momento muito específico no qual, ainda que quase todas as coisas ao redor continuem iguais, tudo dentro de você muda”
“No entanto, ainda que tudo tenha mudado, nada mudou”
“Algumas coisas nunca mudam”
E sobre amizade.
“Miyeko é minha única companheira nessa estrada, não dá mais para esconder isso”
Talvez já tenha dado para notar como as relações humanas são centrais nesta história. E este é um ponto realmente abordado de várias perspectivas, nos fazendo pensar diversas vezes em como nos relacionamos com o outro.
“Assumir um momento de vulnerabilidade não quer dizer que estou pronta para ser vulnerável o tempo todo”
“A paz que te preenche e diz que, independente do que aconteça, você está segura, simplesmente, não existe”
“Talvez, ser a pessoa que sempre cede no relacionamento não quer dizer que você é resiliente”
“Estar sozinha é ruim. Sempre foi. Mas, aparentemente, sufoca menos”
“É engraçado como algumas pessoas causam sensações e trazem sentimentos mesmo que elas não estejam fisicamente com você”
“Quanta gratidão é necessária para sustentar três anos de relacionamento?”
“Nem sempre um bom diálogo e um abraço resolvem todas as coisas que estão erradas”
“A sensação de impotência não te toma por inteira quando te fazem algo muito ruim. Não, ela te invade no segundo que se percebe que não há nada a ser feito sobre isso. Não porque você não pode, mas porque ninguém se importa o suficiente com a sua dor. Assim, você luta sozinha. Mas, não é uma luta justa”
“— Perdoar o que as pessoas te fazem, Caroline, é mais sobre por que aquilo te afeta do que sobre o que eles estão fazendo”
A tristeza também tem seu espaço ao longo do texto.
“Era como se ela fosse arte. O tipo mais triste e belo de arte”
“Literalmente, todo mundo é definido pelas experiências que viveu”
Assim como a morte, que está sempre assombrando os personagens.
“Não é o meu trabalho quem define a hora que eu vou morrer ou não, isso é departamento de Deus, do destino…”
E, como não poderia deixar de ser, há boas reflexões sobre o racismo.
“Dona Sofia é uma mulher branca e loira, casada com um homem negro e com uma filha negra, se alguém entende o que o racismo pode fazer para quem se ama, esse alguém é ela”
“Não tem nada de bonito vindo do racismo. Não há nada de proveitoso que se origine no preconceito”
Espero que esses trechos tenham despertado seu interesse por esse livro. E se quiser saber mais sobre ele, não deixe de ler a resenha completa clicando abaixo.
Quer conhecer um pouco melhor a obra Romance concreto, da Aimee Oliveira? Então acompanhe esses trechos que ficaram de fora da resenha!
O livro fala muito sobre o uso doentio de redes sociais, tanto é que um dos sentidos de “concreto” é justamente o daquilo que está para além das telas: o mundo real.
“O mundo é tão maior do que uma tela…”
“A maioria das coisas é assim. A vida é mais bonita quando a gente joga uns efeitos”
“Não era sempre que uma coisa que não envolvesse notificações captava minha atenção por completo”
“Passei tempo demais encarando a tela do computador, cuidando dos meus perfis sem me lembrar que existia um mundo inteiro em volta”
Claro que esse vício e essa alienação interferem — e muito — em nossas relações sociais, e isso é muito trabalhado ao longo da narrativa.
“Era fácil deixar os problemas de lado em meio à rotina”
“Às vezes as pessoas simplesmente precisavam de um lembrete de que você ainda estava viva”
“Não foi fácil tomar a decisão de ir até ela. Eu podia ter ignorado o seu sofrimento, assim como ela fez com o meu”
“— Acho que tudo é consequência do que a gente faz, sabe?”
Olivia Liveretti é uma protagonista quase insuportável: mimada e extremamente preocupada com sua imagem e seus seguidores.
“Ora essa, eu era Olivia Liveretti, eu não fazia ameaças vazias. Tinha uma reputação a zelar”
“Além do mais, eu gostava de pensar que eu era melhor que isso. Mas não tinha certeza se era”
“Não era um saco quando algo que você fazia por prazer virava uma obrigação?”
“Uma estranha satisfação tomou conta de mim por saber que eu não era a única a pensar as coisas horríveis que eu pensava”
“Minha vida estava se transformando em algo que eu nunca achei que se transformaria”
“Assim como todo ser humano no mundo, eu detestava ser julgada”
“— É um saco quando o seu máximo não é suficiente pra realizar seu sonho”
“Entendia como podia ser chato quando alguém, vindo absolutamente do nada, tentava ocupar seu espaço”
“Tentei melhorar minha postura, mas era muito difícil me concentrar na minha aparência quando tudo dentro de mim estava despedaçando igual uma geleira no aquecimento global”
Aos poucos, porém, vamos percebendo que Olivia é apenas uma garota que, com seus erros e acertos, está apenas tentando viver sua vida como uma pessoa normal.
“Aquele mundo não me pertencia mais. A cada esquisitice aquilo ficava mais claro para mim”
“É que não foi no Twitter, foi na rua mesmo, na vida real. Esse lugar esquisito em que não dá para desfazer as ações”
“A melhor maneira de se sentir normal, era fazer coisas normais”
“Eles eram tão legais… Mereciam ter tudo o que quisessem, por mais difícil que fosse”
“Todo mundo diz coisas que não deveria de vez em quando”
“Nada como uma boa dose de paranoia para dar um gostinho a mais ao café da manhã”
“Até porque, não tinha como negar que andava tão satisfeita com a vida que até deixei as insatisfações de lado”
“Não era nada fácil bancar a superior. Principalmente porque eu também estava me sentindo pra baixo”
“Era sempre bom ter algum tipo de proteção contra o mundo quando ele ameaça te esmagar”
Justamente por ser tão humana quanto qualquer outra pessoa, Olivia merece também ser amada. O amor, portanto, não poderia ficar de fora deste livro, que além de tudo se chama Romance concreto também por fazer um jogo com o trabalho do par romântico de Olivia.
“O que uma voz rouca sussurrada no ouvido de uma pessoa não faz”
“Houve dias que cheguei a pensar que esse tipo de gente só existisse na ficção”
“Era uma pena que ainda não existisse uma unidade de medida para aferir intensidade de um sorriso”
“Era muito difícil ficar congelada enquanto se está queimando por dentro, mas foi o que aconteceu comigo”
“A gente precisava correr o risco, porque existia uma mínima possibilidade de dar certo”
“Felicidade não era algo que conseguia ser pausado, não era um vídeo no YouTube”
“Quando foi que você começou a ficar com medo de finais felizes?”
Por falar nisso, dá para não se apaixonar por Jonas?
“Nem todo mundo tinha a sorte de ser tão querido quanto ele”
“O cheiro de xampu do cabelo dele funcionava como uma barreira antiestresse ao meu redor”
“Mas acho que o meu preferido era o jeito em que ele se desdobrava em mil para ser um bom trabalhador, um bom estudante e um bom filho, sem perder nenhum tempo reclamando do esforço enorme que aquilo deveria ser”
Romance concreto, claro, traz altas doses de confusão, com boas pitadas de drama.
“Aquele era um ótimo momento para ficar invisível. Momentos de confusão geralmente eram”
“Eu só conseguia olhar pro rosto decepcionado dele e me sentir pequena”
“Não pensei que desse para se sentir pior do que eu já estava, mas pelo visto dava, sim. As palavras de Jonas me machucaram igual uma navalha, cortando meus sentimentos”
“Não adiantava parar o furacão quando ele já tinha destruído tudo o que eu mais prezava”
Outra temática muito importante é, sem dúvidas, o poder da influência, mas também da união das pessoas.
“Era muito mais fácil testar o poder da palavra falada com as pessoas quando sabíamos exatamente onde encontrá-las”
“Quando as pessoas falavam que juntas elas eram mais fortes, elas não estavam de brincadeira”
Se você acha que essa história pode te interessar, vem ler a resenha completa!
Hoje é dia de mergulharmos um pouco mais na obra Carrie Soto está de volta, da Taylor Jenkins Reid. Um livro que demorou um pouco para me pegar, mas que depois eu não conseguia mais largar, e que me deixou pensando em muitos assuntos.
A começar pelo fato de que este livro trata da força feminina, tantas vezes deixada em segundo plano ou subestimada pela sociedade machista em que vivemos.
“Vivemos em um mundo onde mulher excepcionais precisam perder tempo esperando homens medíocres”
Uma história que também fala sobre perdas, não apenas de uma partida, mas também de pessoas queridas.
“E eu me pergunto por que passei a vida inteira com tanto medo de perder, sendo que já tenho tanta coisa”
“O luto é um buraco escuro e profundo”
Outra temática presente neste livro é a da busca pelo perfeccionismo. Carrie Soto é uma protagonista insuportável, dentre tantos motivos também pela sua incessável busca por ser A melhor.
“O lado ruim do perfeccionismo é que a pessoa está tão acostumada a fazer tudo dar certo que entra em colapso quando dá tudo errado”
Mas a narrativa nos conquista porque, apesar de tudo, Carrie é humana e muitas de suas características são, na verdade, fruto do meio em que cresceu e da maneira como foi educada.
“Pela primeira vez na vida, posso ser… outra coisa”
Por fim, gostaria de destacar um trecho em que a personagem fala do papel de treinador, mas que também pode ser muito bem aplicado à educação (tema que, como visto aqui, muito me agrada).
“É um privilégio poder orientar uma pessoa até determinado ponto e depois deixá-la terminar tudo sozinha. Transmitir a alguém todo o conhecimento que tem e torcer para que seja bem utilizado”
Se você ainda não leu minha resenha deste livro, não deixe de clicar abaixo para ler!
Os olhos claros do pássaro, obra escrita por Valéria Macedo e publicada em 2023, é aquele tipo de leitura que realizamos e que permanece em nós por muito tempo.
“A vida foi acontecendo e, sem perceber, um ruído silencioso se fez presente”
A escrita da autora é leve e fluida e, nesta obra, ela consegue abordar com leveza temas muito importantes.
“Imagino que feridas mais profundas estavam abertas e pulsavam a céu aberto sem serem notadas”
Não consegui me aprofundar em muitos desses assuntos ao longo da resenha, então hoje trarei aqui um bom número de trechos que gostaria de ter compartilhado antes.
“A observação do modo de viver do outro trazia reflexões sobre nossa própria vida e nossas escolhas”
“Tantas coisas viajam na gente e nem notamos”
“A gente guarda muito mais do que precisa”
Uma das temáticas que se faz muito presente na obra é o fechamento de ciclos, afinal, a vida é cheia deles, que tanto nos transformam, renovam, ensinam.
“Mal sabia eu que aquela fechadura simbolizaria a abertura de uma nova fase de minha vida”
“Sempre fui fã de recomeços”
“Algumas decisões não são nada fáceis. A conhecida escolha é sinônimo de renúncia”
“Tudo tem início, meio e fim. Tudo é temporário”
“As despedidas mais difíceis seriam as últimas”
“Às vezes nossos desejos e emoções podem apontar para uma direção diferente do que é o certo a fazer em relação ao que vivemos”
Os ciclos fechados na vida de Valéria, propiciaram à autora muitas (re)descobertas, principalmente de si mesma.
“Mudei de carreira aos vinte e seis anos: de analista de sistemas fui me dedicar à odontologia. O casamento, a nossa nova casa, a vida a dois e a nova carreira foram grandes oportunidades de me reinventar e respirar novos ares”
“O não pertencer me fazia sentir livre como jamais havia sido. Liberava-me para ser eu mesma. Não precisava me adequar a quase nada”
“Minha menina do passado estava presente. Eu estava inteira”
“Em pouco tempo, me dei conta que não tinha mais sentido me agarrar ao que já não era mais”
“Não se valorizar leva a perda de energia, a se tornar disfuncional e adoecer mentalmente e fisicamente”
“Quando reconheci minha ignorância passei a aceitar a do outro também”
“Não eram situações novas, mas eram situações ressignificadas”
“As nossas histórias são pedacinhos de uma história muito maior”
“Dentro da caixinha de ganhos residem perdas e dentro da caixinha das perdas se escondem ganhos”
Muitos desses trechos inclusive nos conduzem às suas reflexões sobre o pertencimento.
“Não via a possibilidade de ser aceita se expusesse a verdade que vivia intimamente”
“Os lugares fazem as pessoas ou as pessoas fazem os lugares?”
“Nunca foi o lugar, sempre foi a gente”
“Já me senti perdida no mundo. Não pertencente por inteira a nenhum lugar”
E sobre o estarmos (ou não) sozinhos nesse mundo.
“Estar em lugares lotados de pessoas circulando e estar só”
Um tema sem dúvidas importante para este livro é o da migração, como mencionei na resenha.
“Imigrar pedia coragem. Pessoas que deixaram seu país, sua família, às vezes seus filhos para possibilitarem uma vida melhor a um outro alguém”
“O julgamento das escolhas e motivações, que trouxeram estas pessoas a viverem longe de sua pátria, cabia só a elas mesmas”
“Viver em Paris em condições tão privilegiadas era algo que jamais havia imaginado”
“Os países onde vivemos e suas culturas não foram as grandes mudanças que aconteceram. A grande migração foi interna”
A autora sempre nos lembra, contudo, que nem tudo é fácil e bonito como pode parecer para quem apenas acompanha de longe ou sonha com a vida em outro país.
“Tudo era novidade, os sons, cheiros, sabores e todos os rostos que via”
“Recebi demais do mundo e nem tudo foi bom”
“Era preciso diminuir a velocidade da viagem da vida e passar a apreciar mais as paisagens”
“Não podia combater a realidade, então aceitava e me adaptava”
“Aprendi a escutar silêncios por trás de palavras e palavras por trás de silêncios”
“As possibilidades eram infinitas, mas o tempo não”
“Confesso que, com o passar do tempo, passei a notar que sempre havia uma certa tensão no ar. Éramos revistados em todos os lugares que fôssemos”
“Em situação fragilizada, as relações entre as pessoas transitavam da superficialidade às profundezas rapidamente”
“Os encontros que nos incomodam são caminhos de reflexão”
“Londres carinhosamente esfregava na cara as minhas ilimitadas limitações”
É muito interessante como a natureza tem papel importante na construção desta narrativa, enriquecendo sentimentos e descrições.
“Sempre é verão em Miami”
“Outono é sinônimo de transição e mudança. Estação da impermanência. Não é verão extrovertido, nem inverno reservado. É caminho do meio. É equinócio, equilíbrio de luz e escuridão”
“Sábia é a árvore que aprendeu a desapegar de suas folhas para seu próprio bem”
“O frio contrai, encolhe, fecha, faz movimento para dentro”
E conhecer alguns lugares através dos olhos da autora se torna uma experiência muito interessante.
“Londres e sua pontualidade pontuam ideias contrastantes constantemente”
“Londres é coerentemente paradoxal. Cidade onde cabe o mundo”
“Londres era silêncio e velava tantas perdas. O mundo em luto”
Também é difícil não se encantar com o modo dela falar das pessoas que a cercam, principalmente seus filhos. E é muito bom ver que a autora enxerga a força contida em cada um de nós.
“Havia envelhecido, mas era um menino assustado, vulnerável e perdido”
“As mulheres podem ser verdadeiros portais de cura para outras mulheres”
“Nunca duvide do poder de quem nos quer verdadeiramente bem”
“Maitê era um espírito livre demais para tantas regras”
“Cada um de nós enfrentava seus próprios obstáculos”
E como há poesia mesmo nas coisas mais difíceis: em cada adeus, cada perda, cada dúvida.
“Mas era doença que se disfarça, com um tudo bem e um sorriso. Ninguém notava”
“Acho que a passagem de um ano faz possível se vivenciar a ausência de quem amamos em todas as datas comemorativas nele contidas”
“Meu irmão havia tentado lançar voo para além do horizonte. Onde tememos ir, mesmo sabendo lá ser o nosso destino final”
“Quero enxergar o que não se vê através dos olhos. Desejo olhos sem o peso da memória”
“Fingimos que vivemos para sempre, mas estamos indo embora”
Um dos valores mais ressaltados é, sem dúvida, o da liberdade. Liberdade de escolher, de opinar, de sermos quem somos, de viver.
“Não há luxo maior do que o de ser livre”
“Onde não há discordâncias ou diferenças não há crescimento”
“Certos pensamentos podem custar o preço da liberdade de viver. Limitam o voo”
No fim das contas, tudo que mencionei até aqui e tudo aquilo que aprendemos aos longo das páginas desta obra culminam em duas reflexões bem importantes: o valor do aprendizado e dos sonhos que nos movem.
“Acredito que os sonhos são os grandes catalisadores de travessias”
“Aprender é essencial. Força motriz da vida”
Os olhos claros do pássaro é, como eu já disse, um livro para ser lido e relido. Se você ainda não se convenceu disso, passe lá na resenha para conhecer um pouco mais a fundo a obra e sua autora.
Dolls, da A. S. Victorian,é um livro que carrega muito mais do que pode parecer em um primeiro momento e, por isso, não consegui colocar na resenha tudo o que eu gostaria.
Assim sendo, hoje trago aqui mais alguns trechos deste livro surpreendente. A começar pelo fato de que esta é uma história que trata muito da solidão.
“Por que as pessoas sempre se afastavam dela, mesmo quando ela se empenhava em ser uma boa amiga?”
“Ede se sentia só, tão só que nem ao menos conseguia afastar as dúvidas de sua cabeça”
E que nos mostra como esta solidão gera outros sentimentos tão complicados quanto ela.
“Não sei se escrever irá me fazer ignorar o fato que sou fraca e incapaz de lidar com os meus problemas”
“Pare de guardar o seu sofrimento só para você”
A ansiedade também marca presença ao longo das páginas deste livro.
“A ansiedade fazia questão de lembrá-la que estava sempre ali ao seu lado”
A necessidade de se mostrar forte também aparece em diversas linhas desta narrativa.
“Nunca pensou que um dia não conseguiria mais fingir que estava tudo bem”
Para além disso, Dolls é uma história sobre o poder da amizade.
“Eu não dou presente para as pessoas pedindo algo em troca. Estava muito feliz por poder presenteá-la, na verdade”
“Como ele poderia desistir de ouvi-la e obrigá-la a guardar tudo novamente?”
E do amor, mesmo quando é preciso ir contra tudo e todos.
“Por que tinham que esconder de todo mundo e fingir que nada daquilo existia?”
“— Porque dói gostar de alguém que não sente o mesmo por nós”
“O que ele tem a ver com quem você gosta ou deixa de gostar?”
Uma narrativa que fala sobre a arte e a sua força.
“A arte nos ajuda a quebrar nossas barreiras e mostrar quem somos”
E também sobre tristezas e felicidades geradas pela vida e suas coisas boas e ruins.
“Sentiu o desespero tomá-la, pensou em voltar, mas não iria desistir de sua desistência”
“Eu só não consigo entender por que as pessoas se preocupam tanto com a vida dos outros a ponto de se acharem no direito de decidir ou não o que é felicidade”
Por fim, uma temática de extrema importância na obra são as relações familiares e suas complexidades.
“Existem segredos de família que não falamos para ninguém, e esse é um deles”
Dolls é um livro forte e bonito. Em alguns momentos é preciso estômago para encará-lo, mas a leitura certamente vale a pena.
Leia minha resenha para saber mais e, se te interessar, já garanta o seu exemplar.
Uma personagem que adorei ter conhecido este ano foi a Mitali, de De repente esclerosei, da Marina Mafra. Acompanhar o seu coração sendo derretido por Dimitri e ver todas as mudanças que o seu diagnóstico trazem para sua vida tornam a narrativa muito especial.
“Sentia como se o tivesse a vida inteira e não fazia ideia de como havia sobrevivido sem ele até aqui”
Na resenha, acabei deixando, como sempre, alguns trechos bem interessantes de fora, então chegou o momento de compartilhá-los por aqui.
Mitali é uma personagem que, num primeiro momento, parece estabanada.
“O quanto de vergonha alguém pode passar e ainda continuar vivendo?”
Mas suas trapalhadas logo ganham um novo sentido: seu diagnóstico de esclerose múltipla.
“Mas o que me consumia ainda mais era como eu iria conviver comigo de agora em diante?”
Descoberta essa que vem precedida de um belo susto, ainda que, na verdade, o problema também tenha sido a aversão da protagonista a médicos..
“Eu sentia como se tivesse nascido de novo e queria aproveitar tudo”
“Caminhar ganhou um novo significado, era como viver um milagre”
Mas o livro não fala somente sobre a esclerose múltipla. Ele é também uma obra sobre o medo (não apenas de médicos, claro).
“O medo é individual”
Sobre as durezas da vida.
“Nem todos os dias são bons”
E, principalmente, sobre como outras pessoas são capazes de transformar nossa vida com tão pouco.
“Algumas pessoas têm o dom de tornar o mundo melhor, não por conseguir mudar o que está ruim, mas apenas por existirem”
“Melissa não parecia ter limites para piadas e eu estava começando a amar isso”
Recomendo que você leia a resenha completa para saber melhor sobre estes e outros temas abordados na obra e, claro, que já vá garantir seu exemplar de De repente esclerosei.
Uma das minhas maiores alegrias recentes com relação à literatura tem sido poder finalmente ler em italiano a tetralogia napolitana, da Elena Ferrante.
Foram anos esperando para ter esses exemplares em mãos e a mesma quantidade de anos fugindo de informações sobre a história, para não perder a magia da leitura. A única coisa que eu sabia era que este era um grande sucesso literário e que provavelmente havia um motivo para isso.
Storia del nuovo cognome é o segundo volume da série e a cada página lida eu tinha mais certeza de que o sucesso era merecido. Em poucos parágrafos muita coisa acontecia e a leitura transcorria entre prender a respiração, ficar chocada e querer falar sobre tudo com qualquer pessoa que aparecesse na minha frente.
A história traz inúmeras temáticas fortes e por mais que eu tenha escrito uma longa resenha sobre esta obra, várias coisas ainda ficaram de fora. Por isso, hoje trago alguns dos trechos que destaquei ao longo da leitura e que gostaria de compartilhar com você.
Como geralmente faço com livros que leio em outras línguas, colocarei os trechos com a minha tradução e, ao final, as passagens originais, na ordem em que aparecerem por aqui.
Uma temática que me parece muito importante na obra da Elena são as relações humanas. Ou melhor, o quão difícil elas são. E digo uma coisa: elas são de uma complexidade assustadora ao longo da história.
“Eu disse a ela: é só nos movermos que erramos, quem entende os homens, ah, quantos aborrecimentos eles nos causam, a abracei com força e parti”
“Nunca me ocorreu, como havia acontecido em outras ocasiões, que ela sentia a necessidade de me humilhar para poder suportar melhor sua própria humilhação”
Storia del nuovo cognome fala, ainda, sobre como as pessoas mudam, se transformam ou simplesmente mostram a sua verdadeira essência, seja ela qual for (o que nos faz amar e odiar os personagens a cada instante).
“Como ela poderia desaparecer assim, sem deixar um vazio?”
“O cinema, os romances, a arte? Como as pessoas mudavam rapidamente, seus interesses, seus sentimentos”
Mais que isso, esta é uma obra sobre a complexidade do amor, principalmente numa sociedade patriarcal e machista, cabendo algumas críticas bem interessantes e bem colocadas ao longo das páginas.
“Pensei que eu era mais sortuda do que Lila, Antonio não era como Stefano. Ele nunca me faria mal, ele só era capaz de fazer mal a si mesmo”
“Imagine se pudéssemos fazer essas coisas, eu e você. Viajar. Trabalhar como garçonetes para nos sustentar. Aprender a falar inglês melhor do que os ingleses. Porque ele pode se dar ao luxo e nós não?”
“Diria que ele derramava sobre todos nós, inclusive sobre mim, a confusão que sentia dentro de si”
“Pensei: o fato de Lila estar casada não é um obstáculo nem para ele nem para ela, e essa constatação me pareceu tão odiosamente verdadeira que meu estômago se revirou, levei a mão à boca”
“‘Você estava destinada a grandes coisas’ ‘Eu as fiz: me casei e tive um filho’ ‘Qualquer um é capaz disso'”
Neste segundo volume também temos a chance de conhecer mais a fundo os personagens do primeiro volume, principalmente as protagonistas, além de conhecer outros personagens, mergulhando cada vez mais em suas características e complexidades.
“Lina, quanto mais cercada de afeto e estima, mais cruel ela pode se tornar”
“Mudei, não na aparência, mas em profundidade”
“Percebi rapidamente que Pietro Airota tinha um futuro e eu não”
Como esta é uma narrativa que nos mostra jovens vivendo como adultos antes do tempo, a história também fala muito sobre juventude.
“Em resumo ele disse que o problema da juventude é a falta de olhos para se ver e sentimentos para se sentir com objetividade”
E, muito relacionado a isso, sobre como nos enxergarmos, tanto no mundo quanto dentro de nós mesmos e o quanto aquilo que nos cerca influencia esta visão.
“Eu odiava a mim mesma, me desprezava”
“Eu não era capaz de confiar em verdadeiros sentimentos. Eu não sabia me deixar levar além dos limites”
“Eu não disse nada sobre mim, ela não disse nada sobre si mesma. Mas as razões dessa lacuna eram muito diferentes”
Por fim, não poderia deixar de mencionar que esta é uma história que a todo momentos ressalta a importância dos estudos, mostrando como o conhecimento pode nos levar adiante e nos fazer conquistar aquilo que sequer imaginamos.
“Eu, Elena Greco, filha de um mero funcionário estatal, aos dezenove anos estava prestes a sair do bairro, prestes a deixar Nápoles. Sozinha”
“Agora tudo o que eu era, eu queria construir por mim mesma”
Espero que estes trechos tenham despertado a sua curiosidade para esta obra, caso ainda não a conheça, ou que tenha te ajudado a matar um pouco da saudade dela.
Para concluir, como prometido, deixo aqui os trechos originais, conforme utilizados ao longo deste post.
“Le dissi: appena ci muoviamo sbagliamo, chi li capisce i maschi, ah, quante noie ci danno, l’abbracciai forte, filai via”
“Non mi venne mai in mente, come invece era accaduto in altre occasioni, che avesse sentito la necessità di umiliarmi per poter sopportare meglio la sua umiliazione”
“Come si poteva svanire così, senza lasciare un vuoto?”
“Il cinema, i romanzi, l’arte? Come cambiavano in fretta le persone, i loro interessi, i loro sentimenti”
“Pensai che ero più fortunata di Lila, Antonio non era come Stefano. Non mi avrebbe fatto mai del male, era capace di farne solo a se stesso”
“Pensa se queste cose le potessimo fare anche io e te. Viaggiare. Fare le cameriere pe mantenerci. Imparare a parlare l’inglese meglio degli inglesi. Perché lui se le può permettere e noi no?”
“Diciamo che rovesciava su tutti noi, anche su di me, la confusione che sentiva dentro”
“Pensai: che Lila sia sposata non è un ostacolo né per lui né per lei, e quella constatazione mi sembrò così odiosamente vera che mi si rivoltò lo stomaco, portai una mano alla bocca”
“‘Eri destinata a cose grandi’ ‘Le ho fatte: mi sono sposata e ho avuto un figlio’ ‘Di questo sono capaci tutti’”
“Lina, tanto più è circondata dall’affetto e dalla stima, tanto più può diventare crudele”
“Sono cambiata non all’apparenza, ma in profondità”
“Capii presto che Pietro Airota aveva un futuro e io no”
“Disse nella sostanza che il problema della gioventù era la mancanza di occhi per vedersi e di sentimenti per sentirsi con oggettività”
“Odiavo piuttosto me stessa, mi disprezzavo”
“Non ero capace di affidarmi a sentimenti veri. Non sapevo farmi trascinare oltre i limiti”
“Io non dissi niente di me, lei niente di sé. Ma le ragioni di quella laconicità erano molto diverse”
“Io, Elena Greco, la figlia dell’usciere, a diciannove anni stavo per tirarmi fuori dal rione, stavo per lasciare Napoli. Da sola”
“Ora tutto ciò che ero volevo ricavarlo da me”
Se quiser saber mais sobre esta obra, não deixe de ler a resenha completa clicando abaixo!
O livro, que tem como protagonista uma mulher incrível e um cara um pouco difícil de engolir, pode te proporcionar muitas surpresas (boas e ruins) ao longo da leitura.
“Convencido é o nome do meio de Thales Fernandes”
Uma narrativa que vai te fazer pensar sobre a vida e o tempo que temos para fazermos o que queremos e vivermos o que temos para viver.
“Para ela, a vida é curta demais e nós temos que fazer tudo o que tivermos vontade antes que não dê mais tempo”
“Mas quanto tempo é todo o tempo do mundo?”
Uma história sobre o amor e o que ele tem a nos ensinar.
“No fim, quase nenhuma palavra precisa ser dita, pois nossos olhares conversam entre si”
“Amor, só agora consigo definir toda a turbulência de sentimentos que vieram como uma avalanche para cima de mim de uma hora para a outra”
Mas, principalmente, um livro que serve para nos lembrar de valorizar o que temos, no presente, sem perder tempo fugindo de nossos sentimentos e sonhos. Só que, claro que, para deixar a mensagem bem viva dentro de nós, isso precisa ser contado de uma maneira que vai partir nosso coração.
“Eu só quero chorar e acho que nem todas as lágrimas existentes no mundo farão com que eu me sinta recuperado dessa dor”
Por um triz é um livro forte, bonito e que mesmo trazendo alguns clichês, consegue contar a sua história de maneira surpreendente.
Se você ainda não conhece o Thales e a Marina, já clica aí na resenha para saber mais. Também já deixo um alerta especial: o ebook está gratuito até amanhã (30/06). E se você pretende ir à Bienal do Livro no Rio de Janeiro, não deixe de garantir seu exemplar para pegar autógrafo com a autora por lá.
Hoje é dia de reviver o aclamado Luzes, do Leblon Carter, com alguns dos quotes que ficaram de fora da resenha.
“Não é fácil escrever”
Esta foi uma obra que, conhecendo um pouco do autor, me fez identificar alguns de seus traços no personagem principal.
“Ser um escritor claramente me torna um viciado em desculpas para escrever”
“Mas é que, às vezes, ainda dói, sabe? Fazer tudo sozinho e o tempo todo”
Além disso, a história, em diversos momentos, nos faz pensar sobre a importância de não nos deixarmos em segundo plano, coisa que não é tão simples assim para muitos de nós.
“Como se importar mais com as outras pessoas pode ser uma coisa legal? Eu não deveria me preocupar mais comigo?”
“Mas, como se controla isso? Como você aprende a ouvir mais os seus sentimentos do que os das outras pessoas?”
Isto também nos leva a outras passagens que tratam dos nossos sentimentos mais íntimos e da nossa forma de nos colocarmos no mundo.
“Nem tudo é culpa sua. O mundo não gira ao seu redor, mesmo que pareça, às vezes”
“O problema é quando você sente tanto que acaba sentindo sozinho, por dois”
“Existem pessoas que são como rochas. Não adiantava tentar senti-las, entendê-las ou analisá-las. Era como se houvesse uma forte camada blindada e impenetrável revestindo sua pele e seus pensamentos”
“E era assim que pessoas amargas se moldavam: quando estavam ocupadas demais, prestando atenção nos outros, enquanto sua própria vida virava uma bagunça”
A dualidade do ser humano (e todas as nuances dentro dela) também se faz presente ao longo dessas páginas.
“É engraçado como o conceito de bem ou mal parece tão simples quando somos mais jovens”
E apesar de toda a carga emocional, a narrativa consegue transmitir uma leveza que nos lembra que, apesar de tudo, o que queremos é apenas uma felicidade tranquila e genuína.
“Por que o mundo sempre parece ficar em câmera lenta quando observamos algo que nos fascina?”
“Mas eles pareciam felizes, juntos. Assim como eu queria estar”
Se você ainda não leu a resenha de Luzes, não deixe de ler. Depois disso, garanto que você vai querer correr para garantir o seu exemplar digital desta história.